sábado, fevereiro 10, 2007

O que ganharam as mulheres?


Desde que me conheço que a questão da maternidade foi objecto de debate público apenas duas vezes, pelo pior dos motivos e da pior forma. Em Portugal a maternidade é uma maçada, uma perturbação para os serviços, uma importante causa de absentismo, um incómodo para os empresários e meia dúzia de parágrafos politicamente correctos no Diário da República.

As aldeias despovoam-se, as escolas fecham nos meios rurais, os infantários escasseiam, o negócio dos infantários e escolas privadas floresce, a população envelhece e o país continua impávido e sereno, sem políticas de longo prazo, sem visão de futuro. E numa semana em que todos afirmaram ser contra o aborto, quase todos contra a sua penalização e no próximo domingo saberemos quantos serão contra a criminalização, ficámos com a sensação de que o rejuvenescimento dos portugueses passaria por não haver abortos, houve mesmo que concluísse que a sua proibição contribuiria para esse objectivo.

É evidente que o problema não se resolve com natalidade forçada, senão daqui a uns anos a conversa entre os jovens seria sobre qual o acidente que os tinha trazido ao mundo, uns diriam que nasceram porque os papás seguiam os valores da Santa Madre Igreja e a ovulação veio três dias antes do previsto, outros agradeceriam a vida ao farmacêutico que se tinha esquecido de reabastecer a máquina de venda de preservativos, haveriam os filhos dos shots e ainda os que agradeceriam à mãe as faltas às aulas de educação sexual.

Uma população saudável pressupõe uma distribuição estatística equilibrada mas também as condições para que a infância e a juventude sejam felizes, as escolas tenham qualidade e os poderes públicos apostem nos jovens em vez de descarregar nas suas costas todas as desgraças do país. Em Portugal nasce-se já com uma pesada vida pública, com o estatuto de cidadão de segunda condenado a pagar os desvaneios e corrupções do passado, sem grandes perspectivas de futuro e para viver em casas onde não se cabe e em escolas onde o prazer de ensinar quase não existe.

Se o “não” voltar a ganhar teremos mais uma década que em vez de discutirmos a maternidade problematizamos o código penal. Se ganhar o “sim” corre-se o risco de dar o problema por resolvido.

Defendo uma maternidade como opção de liberdade, mas para que essa liberdade exista é necessário que os portugueses tenham condições para terem um filho quando o desejarem e para isso não basta que hajam uns catequistas simpáticos que de vez em quando troquem as discotecas por uma noite de trabalho voluntários em que distribuirão meia dúzia de fraldas e que outros fiquem tranquilos porque nenhuma mulher será humilhada em público.

Que o fim do debate do aborto dê lugar à discussão das dificuldades que é ser pai ou mãe em Portugal e do que espera os futuros portugueses, nasçam por acidente, por determinção divina ou desejo dos pais.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Teatro da Trindade, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Crack Palinggi / Reuters]

«Tiempo de limpieza. Un hombre limpia su casa tras las inundaciones que han afectado a Yakarta. Las autoridades temen ahora a las epidemias, pues muchas zonas de la capital indonesia están anegadas y miles de personas viven hacinadas en campamentos de emergencia, tras haber sido evacuados.» [20 Minutos Link]

PRÉMIOS WORLD PRESS FOTO 2007 [Link]

[Spencer Platt / Distribuida por EFE]

«La foto del año. Esta es la mejor foto del año, según el jurado del certamen World Press Photo 2007. Fue tomada por el fotógrafo estadounidense Spencer Platt, de Getty Images, y en ella puede verse a unos jóvenes libaneses en un descapotable atravesando un barrio arrasado al sur de Beirut, el 15 de agosto del 2006.» [Galeria no 20 Minutos Link]

JUMENTO DO DIA


Dons Quixotes

Apesar de Cervantes não ter sido português deixou por cá a tradição dos Dons Quixotes, temos cavaleiros andantes para todas as grandes batalhas, na corrupção tínhamos o eng. Cravinho que fez um intervalo para viver bem em Londres e agora temos a Ana Gomes na questão dos voos da CIA. O trabalho da euro-deputada é positivo até ao momento em que deixa de ser uma batalha política para se tornar numa guerra pessoal com contornos de birra interna do PS. Agora anda a aplaudir governos estrangeiros para pressionar o governo do seu partido, um gesto que não lhe fica muito bem.

ALGUEM VIU POR AÍ O MARQUES MENDES

O líder do PSD lembra-me a anedota do homem que caiu dentro do barril da cerveja e só vinha cá acima para pedir tremoços, quando lhe convém Marques Mendes aparece e quando as coisas lhe correm mal desaparece. Alguém viu Marques Mendes aparecer quando estalou a bronca na CM de Lisboa ou agora com a promulgação da Lei das Finanças Regionais?

IGNORÂNCIA A MAIS

Há poucos dias o actual Procurador-Geral dizia que não percebia de novas tecnologias, agora é Souto Moura que a propósito do envelope 9 não sabia o que era o Excell. Convenhamos que é ignorância a mais, Portugal tem tido à frente do MP magistrados que revelam uma total inadaptação ao mundo de hoje. Preocupante.

ESCOLHER RESPONSAVELMENTE

«Neste contexto, o referendo do próximo domingo também representa um teste à própria instituição referendária. Independentemente do que se pense sobre a exigência constitucional de uma taxa de participação efectiva de mais de 50 por cento dos eleitores inscritos para conferir força vinculativa ao resultado do referendo, a verdade é que desta feita não se pode dizer que a campanha eleitoral tenha sido um factor de desmobilização dos eleitores. Pelo contrário, a demarcação dos campos com base em linhas de argumentação distintas mas, no essencial, não extremadas permite clarificar os termos da escolha e, nessa medida, representa um incentivo adicional à participação dos eleitores. Espero que o referendo passe este teste de maturidade com nota positiva no próximo domingo.» [Diário de Notícias Link]

Parecer:

A opinião de António Vitorino a propósito do referendo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixa-se.»

ABORTO, MENTIRAS E VÍDEO

«Domingo, vou responder à única coisa que me é perguntada: se acho que a justiça deva continuar a perseguir criminalmente quem faz aborto até às dez semanas de gravidez. Já me perguntaram isto em 98, já vi a mesma pergunta feita muito antes e em muitos outros lugares e a minha resposta continua igual à que dei a mim mesmo, a primeira vez que pensei no assunto: não, não acho que essas pessoas devam ser tratadas como criminosas. Verifico que há quem, entretanto, tenha mudado de opinião, num sentido ou no outro. Respeito essa mudança, só me custa a compreender é que se possa passar directamente de militante de um dos lados para militante do outro, como fez Zita Seabra. Há uma diferença entre virada e cambalhota.

Na mesma Faculdade onde ensina Marcelo Rebelo de Sousa, ensinaram-me dois princípios fundamentais em matéria criminal: um, que só pode ser considerado crime aquilo que a consciência social colectiva reconhece como tal; e, dois, que não há crime sem pena. Do primeiro princípio, resulta que um Código Penal não pode ser cativado por uma maioria, circunstancial ou não, que, sem um largo e pacífico consenso, define em cada momento o que é e não é crime. Conheço algumas mulheres e homens que, em dado momento das suas vidas, recorreram ao aborto. Foi uma decisão pessoal e íntima deles, que não me ocorreria julgar a não ser para dizer convictamente que não reconheço nenhum deles como criminoso. Não reconheço eu nem reconhece seguramente a maior parte das pessoas, incluindo muitos que vão votar ‘não’ à despenalização. Se assim é, porque insistem então em que a lei continue a tratar tais pessoas como criminosas?

Obviamente que a despenalização significa descriminalização. Os apoiantes do ‘sim’ têm medo da palavra e têm ainda mais medo da expressão que Aguiar Branco insiste em utilizar: aborto livre. Mas é exactamente disso que se trata: despenalizar significa descriminalizar e descriminalizar significa que o aborto passa a ser livre nas condições previstas na lei. Não percebo esta hipocrisia do campo do ‘sim’: o que se discute é precisamente isso, se há crime ou não há crime.

Mas, se há crime, há pena - como qualquer jurista não-malabarista sabe. Por isso é que se chama a este ramo do direito Direito Penal. A hipocrisia dos defensores do ‘não’ consiste na versão piedosa e absurda de que se poderia inventar para este ‘crime’ um tratamento especial: continuaria a ser crime, mas sem pena. Ou então, e ainda mais absurdo, haveria crime, processo, inquirições, mas o julgamento, esse, ficaria suspenso. Como se não percebessem o essencial: que o essencial é a humilhação. Marcelo Rebelo de Sousa produziu, a propósito, um fantástico número de contorcionismo jurídico para tentar justificar o injustificável. Teve azar: o ‘Gato Fedorento’ pegou nos seus argumentos e no seu tão publicitado vídeo no ‘You Tube’ e desfê-los à gargalhada, num dos mais inesquecíveis momentos de humor e sátira política de que me lembro.

Era preciso mudar de argumentação e, a meio caminho, os do ‘não’ passaram a defender que houvesse pena, mas não de prisão, para não impressionar as pessoas. Que pena, então? A melhor sugestão veio de Bagão Félix: trabalho comunitário, ou seja, trabalho forçado. Estão a imaginar uma mulher condenada por aborto a ter de se apresentar no trabalho que lhe tivesse sido destinado e a ter de explicar porque estava ali? Porque não antes a pena de exibição em local público?

Em 1998, a profunda estupidez e arrogância intelectual da campanha do ‘sim’ levou-me a votar em branco. Porque não voto apenas em ideias e projectos políticos, mas também nos métodos e protagonistas. Felizmente, desta vez, o ‘sim’ não repetiu nem as asneiras nem os piores protagonistas. Desapareceram as celebridades a gabarem-se de serem sim ou de já terem abortado, desapareceram as “especialistas de género” e as feministas a gritarem pelo “direito da mulher ao próprio corpo”. O ‘sim’, desta vez, deixou a presunção e o mau gosto para o campo do ‘não’ e isso foi um inestimável gesto de despoluição cívica.

Do lado oposto, como era de temer, saiu todo o arsenal de demagogia, mentiras e contradições disponíveis. Começou com o argumento financeiro, esgrimido por António Borges, verdadeiramente chocante do ponto de vista político, humano e até cristão. Continuou com a hipocrisia de defender a actual lei, depois de tudo terem feito para que ela não fosse aplicada, e acabou, claro, com o argumento da vida humana do feto, que se estaria a matar.

A questão da vida ou não vida do feto até às dez semanas, como se percebeu escutando os argumentos de ambos os lados, é muito mais filosófica e religiosa do que científica. Mas há duas questões conexas que eu gostaria de ter visto discutidas e não foram. A primeira é que com tanta veemência no “direito à vida” de um feto que se transformará num filho não desejado, não ocorra pensar no direito oposto: o direito de uma criança não vir ao mundo quando aquilo que a espera é uma vida indigna e miserável. 2006 foi, entre nós, um elucidativo exemplo de casos desses: filhos abusados sexualmente pelos pais ou padrastos à vista das mães, assassinados e escondidos em parte incerta ou mortos à pancada, sem que as instituições do Estado, a sociedade civil e os piedosos militantes do ‘não’ absoluto tenham demonstrado ter a solução que nos convença que não teria sido melhor nem sequer terem chegado a nascer. Não tenho dúvidas de que existem anualmente uns milhares de abortos que não deveriam ter sido feitos. Mas existem também, infelizmente, muito mais pais que nunca o deveriam ter sido.

A outra questão conexa que eu gostaria de ter visto explicada pelos defensores do ‘não’ é a da sua atitude perante o suposto crime, que a mim me parece totalmente hipócrita. Se eles acreditam verdadeiramente que um feto até às dez semanas é um ser humano que, pelo aborto, estará a ser morto, por que é que, em lugar de proporem penas suavíssimas ou até a isenção de pena para este ‘crime’, não propõem antes, e com toda a lógica, o seu agravamento? Como se chama o crime que consiste em tirar voluntariamente a vida a um ser humano? Homicídio, não é?

Sem dúvida que Portugal precisa de muito mais crianças, de maior taxa de natalidade. Mas isso não se consegue forçando o nascimento de crianças não desejadas, mas sim com crianças desejadas e condições para as desejar. Entretanto, temos outro problema para resolver que é o de saber como deveremos tratar as cerca de 40.000 mulheres que se estima que fazem abortos todos os anos. Temos a alternativa de continuar a deixá-las entregues a si próprias e, conforme o dinheiro que têm, optarem entre Badajoz ou a abortadeira de bairro. E temos a alternativa do Serviço Nacional de Saúde, com vigilância médica e acompanhamento psicológico. Eu defendo a segunda, da mesma forma que há muitos anos defendo que o Estado devia vender droga nos centros de saúde, sob vigilância médica e acompanhamento terapêutico e psicológico. Porque me impressiona uma sociedade que satisfaz a sua consciência chutando simplesmente os problemas para a clandestinidade e o Código Penal.» [Expresso assinantes Link]

Parecer:

O "sim" de Miguel Sousa Tavares.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O "NÃO" E OS CATÓLICOS

«Como já foi notado, o referendo sobre o aborto, apesar de um papel discreto da Igreja, revelou um certo ressurgimento do catolicismo ou, mais precisamente, o ressurgimento de um certo catolicismo. Não do catolicismo popular, que sempre existiu (97,6 por cento dos portugueses garantem que são católicos), mas do catolicismo da classe média. Não custa compreender porquê. O fracasso do "socialismo real" - e, com ele, das várias variantes do marxismo universitário e político - deixou um vácuo. A social-democracia, como praticada à esquerda e à direita na "Europa" inteira, não inspira filosoficamente ninguém. E a relativa ausência da Igreja da vida pública e da vida oficial fez morrer os restos do anticlericalismo jacobino e maçónico, que ainda sobravam da I República e da oposição a Salazar. Quem anda à procura de um sentido para o mundo obscuro e cada vez mais mutável que é nosso (e há muita gente que anda) ficou assim com a Igreja ou perto da Igreja.

Essa aproximação é, no entanto, ambígua. O "novos" católicos não aceitam a ortodoxia e o magistério na parte, ou partes, que frontalmente colidem com o seu interesse ou a ideologia dominante. Poucos condenam o sexo pré-marital, o divórcio, a união de facto ou a contracepção. Um número considerável não condena (ou finge que não condena) a homossexualidade. E a maioria só rejeita o casamento de homossexuais (que, de resto, não provoca um grande furor), a adopção de crianças por homossexuais (que até hoje não se discutiu a sério em Portugal) e, claro, o aborto. O "novo" católico ou a "nova" católica é um ser, para usar o calão em curso, "compartimentalizado". O que significa que é ou não é católico conforme o caso, a oportunidade e a circunstância e que se não sente por isso menos católico.

A necessidade, ou a vontade, de se adaptar a uma civilização hostil (uma "civilização de morte", hedonista e materialista - Ratzinger dixit) produziu esta espécie estranha, que por aí prolifera fora e frequentemente contra a disciplina da Igreja. Verdade que nunca a Igreja conseguiu impor a sua regra ao conjunto dos fiéis. Mas verdade também que a Igreja não é uma organização liberal ou democrática e que não existe sem obediência. A campanha do "não", no seu entusiasmo, no seu zelo e mesmo no seu excesso, mostrou, de facto, a força do sentimento católico em Portugal. Talvez porque a questão do aborto não separa os católicos da Igreja. » [Público assinantes Link]

Parecer:

Uma boa análise de Vasco Pulido Valente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ANDAM IRRITADOS COM O SENHOR SILVA

«“Ao refugiar-se no parecer do Tribunal Constitucional para assinar a Lei das Finanças Regionais, o senhor Presidente da República deu nota de ter receio de enfrentar o Governo central mentiroso e caloteiro e de não querer sair do conforto institucional, mesmo à custa de uma parcela do seu País, para quem tem obrigações acrescidas”, pode-se ler num comunicado assinado pelo presidente da FAMA, Gabriel Drumond.» [Correio da Manhã Link]

Mas o mesmo Drumond também é deputado e fala enquanto tal:

«O deputado social-democrata Gabriel Drumond acusou ontem Cavaco Silva de assumir uma atitude de Pôncio Pilatos ao promulgar a Lei de Finanças das Regiões Autónomas, contrariando a vontade da Madeira. "Um país que tem um Presidente da República que não se quer incomodar em dirimir conflitos para não ameaçar o status quo ou a sua reeleição é um país que merece melhor do que um sucedâneo de Pilatos".» [Público Link]

Parecer:

O dinheiro do "contenente" ainda não faltou e os sintomas da síndrome de abstinência já começam a ser evidentes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Apoie-se o "Senhor Silva".»

LIÇÃO DE BOA GESTÃO EMPRESARIAL

«DN Sr. dr., vem cá amanhã e entrego-lhe. Só tenho que dizer ao meu sócio para vir para baixo, mais nada. (...) Portanto, se quiser receber em cheque, pago hoje, não é. Tudo em cheque, documento suporte e tal. Conforme faço uma escriturazinha rapo 2 mil aqui, 10 mil euros acolá. Fica pronto a curto prazo. Ponho lá isto num cofre para a gente ir fazendo umas ratices. Nisto não sou virgem, esteja à vontade.
RSF Pois, imagino. Mas trazia em notas?
DN Evidente. Se for em cheque, posso dar-lhe hoje. Mas como não temos sustentabilidade para o cheque...
RSF Tem que ser em notas.
DN Muito, muito perigoso. E então eu entrego a si e você fala com o imperceptível e ele dá caminho às coisas. (...)»
[Expresso assinantes Link]

Parecer:

Em vez de prova de um crime a conversa entre Ricardo Sá Fernandes e Domingos Póvoa deveriam se tratadas como um cas study da boa gestão empresarial em Portugal, a verdade é que são o segredo para uma boa parte dos negócios que se realizam em Portugal. Não há nada que se possa aprender nas boas universidades que possa substituir a metodologia explicada pelo administrador da Braga Parques.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se o nome de Domingos Nóvoa para director do MBA que vai ser lançado em colaboração com o MIT.»

SE O REFERENDO FOSSE DECIDIDO NAS SONDAGENS ...

«A campanha parece estar a favorecer os partidários da despenalização do aborto, que registam um crescimento de 1,2% em relação ao inquérito telefónico de há 15 dias. O ‘sim’ avança praticamente em todas as faixas etárias com destaque para os eleitores entre os 18 e os 25 anos (56,7%) e só perde nos eleitores com mais de 60 anos, segmento em que o ‘não’ passa de 41,7 para 50,5%. Na distribuição regional o ‘sim’ triunfa nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto e no Sul do país, e regista ganhos sensíveis na difícil zona Norte, de 26,7 para 32,8%, e no Centro, de 35,8 para 40,2%. Para lá de uma irrelevante quebra no Centro (-0,1%), o ‘não’ progride em todas as frentes, com particular destaque para a expansão registada na Área Metropolitana de Lisboa e região Sul, de 25,4% para 28,6% e de 24,4% para 28%, respectivamente. Por sexos, a luta continua cerrada nos homens, com o ‘sim’ a liderar por 45,8% contra 43,3%, enquanto nas mulheres a diferença é já bastante apreciável: 48,6 a favor da descriminalização e 40,3% contra.» [Expresso assinantes Link]

«Uma sólida vantagem de 16% deverá colocar o "sim" à despenalização do aborto ao abrigo de imprevistos, quando no próximo domingo os eleitores forem chamados a pronunciar-se. A avaliar pelos resultados da sondagem da Universidade Católica para o JN, a RTP e a Antena 1, que hoje publicamos, a participação cresce - um efeito mobilizador atribuível à campanha - e é reforçado o perfil jovem dos defensores da mudança da lei.» [Jornal de Notícias Link]

Parecer:

Venceria o "Sim".

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mas mais pelo sim do que pelo não o melhor mesmo é ir votar.»

ATÉ OS JOTAS VIVEM À CONTA DA CM DE LISBOA

«Bruno Ventura, candidato a líder da JSD no Congresso marcado para Abril, demitiu-se de adjunto de Carmona Rodrigues. Segundo disse ao Expresso, sente “dificuldade em compatibilizar as duas coisas”, mas também percebeu que “estar na Câmara de Lisboa poderia ser utilizado como arma de arremesso” contra si. Cerca de 20 militantes da ‘Jota’ integram gabinetes da autarquia.» [Expresso assinantes Link]

Parecer:

O abuso dos dinheiros públicos por parte do PSD na CM de Lisboa é uma vergonha.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se um comentário a Marques Mendes.»

INSTRUÇÃO MILITAR OU SADISMO

«Em estado de choque, com equimoses e nódoas negras por todo o corpo, incluindo na cabeça, resultado de pontapés e coronhadas, aparentando estar na iminência de um ataque cardíaco ou um AVC. Foi assim que, no dia 19 de Novembro do ano passado, chegou às urgências do Hospital de Barcelos a aspirante Cláudia Almeida Brito, vítima de uma praxe violenta na Escola Prática de Infantaria (EPI), em Mafra, onde entrara 12 dias antes como a primeira mulher oficial daquela arma.

“Tinha marcas de violência, muitas equimoses e disse-me que lhe tinham batido em tudo o que era sítio, incluindo na cabeça”, afirmou ao Expresso o médico que a assistiu na altura. O diagnóstico era de tal ordem que ele recomendou a sua transferência imediata para o hospital de Braga, com indicação de acompanhamento psiquiátrico e que lhe fossem feitos exames toxicológicos e ginecológicos. Do ponto de vista clínico, poderia estar à beira do suicídio.» [Expresso assinantes Link]

Parecer:

Parece que andam uns anormais a dar instrução militar em Mafra.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Processe-se o Estado por abuso e desrespeito dos direitos humanos.»

COITADO DO GEORGE, FOI ENGANADO

«Uma investigação do Pentágono concluiu que o gabinete do antigo sub-secretário da Defesa Douglas Feith produziu informações “dúbias” sobre o regime de Saddam Hussein, que viriam a ser usadas pela Administração para justificar a guerra no Iraque.» [Público Link]

Parecer:

E com aquele ar de inteligente até nem deve ser fácil de se deixar enganado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Que mais irão descobrir os americanos?»

A ANEDOTA DO DIA

«O ex-procurador-geral da república Souto Moura afirmou hoje que as disquetes que compõem o envelope 9 nunca foram abertas pela PJ nem pelos procuradores do Ministério Público. Segundo o antigo responsável, as disquetes "ficaram esquecidas" mas foram anexadas ao processo Casa Pia.» [Público Link]

Parecer:

Se as disquetes não foram lidas nem a sua informação constava no processo e até estavam esquecidas porque foram anexas ao processo? Bem, parece que o MP anexa aos processos tudo o que está na gaveta, esperemos nenhum magistrado leia a Playboy.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se a Souto Moura que explique melhor.»

O FISCO NÃO FAZ PARTE DAS FUNÇÕES NUCLEARES DO ESTADO

«O Governo levantou ontem o véu sobre o que entende serem as funções nucleares do Estado durante as negociações com os sindicatos da função pública: a defesa e segurança, a magistratura e a diplomacia. E porque é isto tão importante na negociação sobre o sistema de carreiras? Porque só no exercício das ditas funções nucleares do Estado é que o Ministério das Finanças admite manter o vínculo por nomeação definitiva, que hoje se aplica a 80% dos funcionários públicos.» [Diário de Notícias Link]

Parecer:

Sócrates acha que os impostos não é uma função do Estado, em limite até poderiam ser cobrados por empresas privadas. Na sua saga liberal José Sócrates esquece que desde o século XIX que todas as crises tiveram origem nas contas públicas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se aos funcionários do fisco que façam uma pequena greve de zelo que Sócrates perceberá rapidamente o erro que cometeu.»

O ROBOCOP DO FISCO

«Mais de 100 pessoas já foram condenadas a pena de prisão efectiva por crimes fiscais. Só no ano passado houve 15 novos casos de contribuintes presos por fuga ao Fisco. No total, foram instaurados 1596 processos em 2006, que resultaram em 1805 condenações, uma larga fatia delas relacionadas com abuso de confiança fiscal. Na maior parte dos casos, as penas ficaram-se pelas multas ou pela pena suspensa.

A Direcção-Geral dos Impostos está a apertar a malha e, para este ano, os alvos são a construção civil, o imobiliário e as fraudes no IVA.» [Expresso assinantes Link]

Parecer:

Esgotado o filão das receitas ficais e estando-se em época baixa pouco resta ao dg dos Impostos para fazer publicidade, daí que a notícias da praxe do Expresso nos venha dizer que o fisco mandou prender mais de cem. Por este andar o dr. Macedo ficará conhecido pelo Robocop do Fisco.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao dr. Macedo quantos destes processos foram iniciados pela justiça e não pelo fisco.»

ASSIM SE MANIPULA A INFORMAÇÃO

«Entre 85% e 90% dos impostos em dívida estão prescritos. De acordo com fonte próxima do director-geral dos Impostos, do total de dívidas fiscais, que ronda hoje os 15 mil milhões de euros, 13,5 mil milhões não serão recuperados. No entanto, o valor está ainda a ser apurado pelas Finanças, que pretendem ‘limpar’ as dívidas que já passaram do prazo. Para isso, é necessário que sejam reconhecidas como tal e “muitos chefes de finanças têm tido alguma relutância em fazê-lo”, refere a mesma fonte.

O Expresso sabe que, para Paulo Macedo, o importante nesta altura é dar atenção às dívidas vivas e não dispersar esforços com créditos impossíveis de cobrar. Estas prescrições não terão, apesar de tudo, consequências para as contas públicas, pois são dívidas que estão incluídas nos créditos fiscais cedidos ao Citigroup, numa operação de titularização que pressupunha já uma elevada percentagem de incobráveis (cerca de 85%).» [Expresso assinantes Link]

Parecer:

Na passada segunda-feira o ministro convocou uma conferência de imprensa onde apresentou os resultados do Fisco - Direcção-geral das Alfândegas e Impostos Especiais sobre o Consumo e Direcção-geral dos Impostos - a que compareceram os membros do Governo e os dirigentes do Fisco à excepção do dr. Macedo. Pelas palavras do ministro das Finanças, que assegurou que não tinha feito nada para impedir o dr. Macedo de estar presente, ficou evidente que essa ausência não foi pacífica.
Passada quase uma semana o Expresso retoma os dados apresentados nessa conferência de imprensa, omite a sua realização e transforma os dados negativos da gestão do dr. Macedo num anúncio da estratégia do dr. Macedo. Com este artigo percebe-se a ausência do director-geral no evento, foi reposta a normalidade no fisco, ali a informação é gerida pelo dr. Macedo.

É evidente que a campanha de informação foi tão eficaz que o dr. Macedo se convenceu a si próprio da sua importância, tornando-se demasiado grande para um ministério onde até o ministro deve ser desvalorizado.

O mais curioso é que o é o dr. Macedo que falta e é o ministro das Finanças o escolhido pelo Expresso para "menos" da semana, isto é, o ministro devia ter ido buscar o dr. Macedo ao gabinete e levá-lo ao colo para a conferência de imprensa:«Teixeira dos Santos Ministro das Finanças Foi à sessão em que apresentou mais uma série de bons resultados sobre o combate aos crimes fiscais sem ter consigo a estrela da companhia, o director-geral Paulo Macedo. Sede de protagonismo? Pré-anúncio de ruptura iminente? A resposta que deu - se não está presente é por ter “coisas mais importantes para fazer” - revela ter-se sentido incomodado. Resta saber se pela ausência, se pelas perguntas dos jornalistas.» [Expresso assinantes Link]

Está a suceder o que por aqui se receava, a campanha do dr. Macedo foi tão eficaz que ele pode julgar-se com legitimade para ser ele a escolher o ministro das Finanças, e não este a escolher o director-geral, ficou tão grande que já começou a estar a mais.

Se percebo todo o empenho do Millennium em ter o dr. Macedo à frente do fisco, ainda não foi possível perceber o porquê do empenho da Impresa. mas lá chegaremos, lá chegaremos, é uma questão de paciência.

Está na hora do dr. Macedo partir.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao dr. Macedo que parta com Deus.»

EXPRESSO AJUDA O PRESIDENTE DO STI

«“Se a cobrança se fizer ao ritmo das pressões que estão a ser exercidas sobre os funcionários é possível que seja atingida a meta para a cobrança coerciva, definida pelo Governo”, atira, lacónico, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), Manuel Alberto Silva.» [Expresso assinantes Link]

Parecer:

O presidente do STI ficou em maus lençóis depois de ter andado a dizer que os trabalhadores do fisco apoiavam o dr. Macedo o que fez perigar a sua reeleição à frente daquele sindicato, até porque já está aposentado.

Compreende-se que o Expresso abra uma excepção e abra as suas páginas às lutas dos trabalhadores, dando uma ajudinha inútil ao presidente do STI. Resta saber se é pura filantropia ou se fez parte do acordo do apoio ao dr. Macedo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao senhor Alberto a que pressões se refere e quem as fez.»

UMA ESTRANHA PAIXÃO [Link]

A que une o Macroscópio a Ana Gomes, que coma entrada em cena de Pinto Monteiro passa a ser um triângulo amoroso:

«Vejamos outro exemplo - que depois encontrará paralelo com toda a lamentável conduta de Ana Gomes em todo este episódio dos aviões da CIA escalados no Funchal que só fragilizam a posição do Estado português e não aproveita a niguém, talvez aos terroristas que assim topam a vulnerabilidade das democracias e do seu ventre mole, é aí que os terroristas atacam - ante estes falsos pacifistas e profetas. Esse outro exemplo passa pelo seguinte: imagine agora que o mesmo rapaz, o tal trouxa que nada mal, também toca mal violino, apesar das lições em que o pai o metera a ver se melhorava. Sucede que os desafinanços eram tais que o professor com aquela vozinha irritante passava a vida a interrompê-lo. E à medida que os enganos se sucediam mais irritante se tornava a voz do professor, mergulhando o rapaz na sua litost, na sua humilhação... »

NO MEMÓRIAS DO CÁRCERE [Link]

O testemunho dos que já votaram no referendo:

«Mas num universo de mais de mil meliantes arrecadados nesta zona, os resultados não são encorajadores para qualquer dos lados. Segundo noticiava um jornal gratuito, a abstenção ronda quase os cem por cento e, pasme-se, nem sequer as mulheres em regime de reclusão votaram (Tires e S. João de Deus).

Podem extrair-se demasiadas explicações filosóficas, psicológicas, antropófagas, para a tendência que se tem acentuado desde 2002 dos reclusos portugueses no dar voz ao direito de cidadania. Quer para as autárquicas, legislativas ou presidenciais. Mas há uma que é subjacente, e em que medito constantemente por ser da praxe: todos os bandidos costumam desconfiar uns dos outros.»

IMAGENS DE HOTEL NO JAPÃO [Link]

CAMPO DE PRISIONEIROS NA COREIA DO NORTE [Link]

Imagens do Google Earth.

Bem, se perguntarem ao Bernardino vão ver que afinal deverá seu um campo de férias.

TOCANDO VIOLINO APENAS COM UM BRAÇO

VIC STEFANCU [Link]

LARYZA DODZ [Link]

DENIS KHOKHLOV [Link]

MIGUEL-MAN [Link]

83 TEMAS PARA WORDPRESS [Link]

ROSAS MULTICOLORIDAS [Link]

"NO JOBS, NO FOOD, NO CLOTHES"

THE GOD F.A.Q. [Link]

GUINNESS

PIERO MILANO

[2]

BREMA

AGAINST BREAST CANCER