sábado, agosto 11, 2007

Tristeza de PSD

Marques Mendes é um político muito original, depois de ter sido forçado a demitir-se para se voltar a candidatar à liderança do PSD escreve aos militantes assegurando que se candidata «para para pôr fim ao desgoverno socialista, para dar um novo rumo a Portugal. Quero governar em 2009, mas preciso do seu apoio» [Portugal Diário]. Não se candidatou porque demitiu em consequência da gestão desastrosa da CML, candidata-se para salvar o país fazendo-lhe o que fez à autarquia da capital.

Para se poder apresentar aos militantes do PSD como o salvador da Pátria o líder demissionário do PSD até inventou uma grande coisa, a escolha do novo líder através de directas.

Como seria de esperar, Luís Filipe Menezes não podia permitir que Marques Mendes se apropriasse da ideia da escolha com recurso a directas, algo tão importante para o PSD como a Teoria da Relatividade para a Física. Vai daí e responde, respondendo ao SMS de Marques Mendes, com outro SMS, acusando-o de se apropriar da ideia das directas.

Temos, portanto, dois candidatos a candidato a primeiro-ministro de Portugal discutindo uma coisa muito importante, saber quem teve a ideia das directas. Estão com azar, quem propões a escolha do líder do PSD recorrendo a directas até foi um santanista, Foi Rui Gomes da Silva que as propôs no congresso realizado em 1996 no Coliseu dos Recreios.

Que se saiba, Marques Mendes opôs-se às directas no congresso de Viseu com um argumento curioso, o risco de uma distrital poder escolher o líder do PSD [RTP]. Parece que esse perigo já não existe pois quem vai escolher o próximo líder são os mais de 30% de militantes do PSD-Madeira que, como se sabe, devem obediência canina ao “grande líder” Alberto João, que já deu o seu apoio a Marques Mendes.

Conclusão, Marques Mendes não só transforma uma demissão oportunista numa batalha contra Sócrates como ainda por cima se apropria de projectos alheios, os mesmos projectos a que se opôs no passado. Portugal e até o PSD merecem melhor.


PS: Como é possível que Marques Mendes minta fazendo afirmações que não resistem a uma busca elementar no Google?

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Água do mar na Praia dos Três Pauzinhos

IMAGEM DO DIA

[Oliver Berg / EFE]

«50º aniversario. Los soldados del Ejército alemán marchan el 9 de agosto de 2007, en Colonia (Alemania) durante un desfile militar en conmemoración del 50º aniversario de la entrega de la base aérea Cologne-Wahn por parte de la Real Fuerza Aérea Británica a los alemanes.» [20 Minutos]

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

As declarações de Paula Teixeira da Cruz, a esposa de Paulo Teixeira Pinto, lançaram uma grande confusão no PSD, andam todos a discutir se ainda por lá param as elites. Marques Mendes decidiu desfazer as buscas e pediu à polícia inglesa que não mandasse os cães de volta para Londres, pretende que sejam usados na busca do rasto das elites do PSD.

JUMENTO DO DIA

Ao estado que o PSD chegou

Os dois candidatos a líder e, em consequência, a candidatos vencidos a primeiro-ministro, discutem coisas tão importantes como a paternidade da ideia da escolha do líder do partido através de directas.

Doi dignos jumentos do dia.

OS NEGÓCIOS DE FRONTEIRA

Nos últimos anos os jornais andam em busca de notícias alarmantes que nos dizem que os portugueses vão comprar isto ou aquilo a Espanha, primeiro foi o negócio do combustível, agora descobriram que há doentes que vão ao médico do outro lado da fronteira.

De repente descobriram que há fronteiras e que onde há fronteiras já sempre vantagens deste do outro lado, como sucede, aliás, com qualquer localidade do país, os de Oeiras vão a Lisboa ao médico como os de Lisboa vão trabalhar para Oeiras. É evidente que numa fronteira, seja entre Portugal e Espanha, ou entre o Reino Unido e a Irlanda, já sempre diferenças de preços entre os dois lados, diferenças que podem ser acentuadas por opções diversas de política fiscal.

Sucede que as fronteiras existem há muito tempo, há mais tempo do que os jornais e desde sempre houveram negócios fronteiriços, nem mesmo as alfândegas os conseguiram impedir.

É uma pena que estes negócios sejam noticiados de forma irresponsável não sendo feita uma análise rigorosa.

TIQUES

«Já à direita a matriz segue um percurso semelhante embora com um perfil diverso. A cultura dominante nesta área política parte do princípio que o seu "lugar natural" é no exercício do poder. Estar fora do poder ou é um acidente de percurso (normalmente imputável a lideranças ineptas) ou é um caso de usurpação, fruto de uma qualquer cabala urdida por poderes ocultos. As duas explicações marcaram o período de nojo da direita portuguesa após a dissolução decidida pelo então Presidente Jorge Sampaio em princípios de 2005. Mas foram essas também as explicações dominantes no Partido Conservador britânico após a primeira vitória de Blair, em 1997, denunciando a cumplicidade do "novo Labour" com os tablóides de Murdoch e que já consumiram três sucessivos líderes tories. À espera que Cameroun se torne no "Blair conservador"?» [Diário de Notícias]

Parecer:

António Vitorino analisa a fase que o PSD está a passar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MAS SE JÁ NEM OS AMANHÃS CANTAM

«Na passada semana concluí que a esquerda europeia está a libertar-se da "chantagem" emocional psico-sociológica do marxismo e a abandonar - como sempre o fez a esquerda americana - o socialismo como estrutura de enquadramento e mito mobilizador para os seus objectivos. Esta evolução começou no Reino Unido e está a expandir-se, criando uma situação politicamente curiosa: a caminhada do partido dominante à esquerda para o centro do espectro político é feita sem perda da liderança estratégica sobre os sectores (minoritários) que se continuam a reivindicar do socialismo, da sociedade sem classes, do fim da propriedade privada, do Estado produtor e burocrático e de outros ideais que dominaram entre os intelectuais na segunda metade do século passado.

Pelo seu lado, a direita europeia também foi sofrendo um processo evolutivo, influenciada que estava, como é normal, pela ideologia dominante. O "socialismo à portuguesa" do CDS a seguir à Revolução não é tanto oportunismo saloio (embora o seja) quanto a admissão de que os modelos finais do socialismo estavam interiorizados muito mais do que se imaginava. Sei do que falo: em 1972, eu defendia em público, à direita, a nacionalização da banca e dos seguros e a reforma agrária sem indemnizações.

A direita percebeu muito antes do que a esquerda o que estava a mudar e, com isso, assegurou durante algumas décadas um tendencial domínio político; e, gradualmente, mesmo um certo domínio ideológico sobre todos os que - incapazes de se reverem no socialismo - se refugiavam, com maiores ou menores especificidades, no espaço do não-socialismo. E beneficiou do arcaísmo e da má consciência da esquerda moderada, que, afinal, se sentia a trair os ideais radicais e marxizantes da sua juventude.

A viragem coperniciana dos trabalhistas ingleses foi um sinal que deveria ter sido entendido pelas direitas europeias, sobretudo a sul, mas que em regra o não foi. Com a única excepção de Sarkozy (e ainda é muito cedo para daí se tirarem conclusões), os Berlusconi, os Rajoy, os Major, os Barrosos e outros que tais, não foram capazes no Governo (nem na oposição) de se adaptarem a um novo combate político, continuando a disparar sobre alvos que entretanto se tinham deslocado, mesmo quando nalguns casos ainda o estejam a fazer de forma lenta e insuficiente.A grande questão que se coloca à direita europeia é assim perceber qual é o papel que lhe resta quando os seus adversários já não se consideram socialistas, acreditam na economia de mercado, são conservadores em matéria de costumes, abominam as nacionalizações e não prometem no futuro a sociedade sem classes, cultivam os ricos, apoiam o investimento dos grupos económicos, defendem os valores patrióticos, são duros em matéria de segurança, investem nas forças armadas.

A esquerda europeia (chamando-se "trabalhista", "democrata" ou, pelo menos ainda, "social-democrata"), e com a conhecida "exception française", está a tornar-se assim o partido natural de Governo e a atrair facilmente muitos dos que não aderiram aos partidos socialistas precisamente por causa do radicalismo entontecido que os caracterizava. Por muito acrónica que seja a pergunta, será que Sá Carneiro teria achado hoje que o PPD faria ideologicamente sentido, como manifestamente fez há 33 anos?

O problema do PSD em Portugal passa por aí. E também por aí passa a razão da tese que apresentei há semanas da criação de um novo partido de direita (e não a fusão entre o CDS e o PSD, visto que, como afirmei na altura, dois anões juntos não fazem um gigante), que integre o que resta de bases e quadros do PSD e do CDS, mas que seja dinamizado por pessoas que estão fora deles, têm menos de 50 anos, sentem o apelo da política, já raciocinam fora da dicotomia socialismo/capitalismo e estão mais preocupadas com 2013 do que com 2009.

A minha tese (efeitos da silly season?) fez manchetes e foi objecto de violentos ataques, o que apenas demonstra que toquei onde doeu. Desde a tradicionalmente portuguesa atitude de sugerir que ensandeci, às afirmações "patrióticas" de quadros de cada um dos partidos a gritar que estão muito bem e assim querem ficar, passando pela estupidez objectiva de me ser retirado o direito de reflectir e de dizer o que é bom para o sistema político à direita devido a ter apoiado António Costa em Lisboa, de tudo ouvi com a minha habitual paciência estóica.

Por isso insisto: o PSD perdeu o sentido ideológico que apregoa e que nada tem a ver com o que querem os seus votantes, estando a viver um estado de esquizofrenia político-ideológica mansa, mas perigosa. Mesmo que não estivesse moribundo, e está, o PSD não pode competir com o PS como se este ainda fosse socialista, defendendo aquilo que acha que um PS digno desse nome devia defender, mas já não defende. O PSD não pode apresentar-se ao eleitorado apenas como um melhor gestor do Estado socialista do que o partido de Sócrates, até porque já não tem Cavaco nem a cornucópia da CEE que nos inundou de dinheiro a partir de 1986. E a utilidade sistémica dos partidos à direita do PS é nula se não forem capazes de gerar uma alternativa coerente, mobilizadora e agregadora, que se implante gradualmente, que espere pelos alcatruzes da nora, em 2013, e nessa altura faça diferente.

Podem não agir assim, claro. Podem afirmar, como outros antes deles, "que os cobardes recuem e os traidores se riam; nós continuaremos a desfraldar a bandeira vermelha" (ou laranja...). Mas com isso apenas ficarão naturalmente condenados à oposição e, pior do que isso, à inconsequência e à inutilidade. Com autismo e com orgulho, continuarão a lutar as batalhas de ontem, sem exercerem o poder, sem influenciarem a sociedade, sem mobilizarem quaisquer seguidores, falando para dentro, discutindo a ideologia do pagamento de quotas, afundando-se tristemente na sua crescente irrelevância.» [Público assinantes]

Parecer:

José Miguel Júdice volta a defender a criação de um novo partido de direita.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

AS ELITES DO PSD JÁ PARTIRAM?

«Chocado. Assim se definiu Ribau Esteves em relação à entrevista de Paula Teixeira da Cruz ao CM. O porta-voz da candidatura de Luís Filipe Menezes às eleições do PSD do dia 28 de Setembro não compreende as afirmações da presidente da Assembleia Municipal de Lisboa e desvaloriza a questão das elites. “Essas elites já deixaram o partido, ao não votarem PSD nas eleições de Lisboa, ao não trabalharem para ganharmos relevância ao nível das sondagens e ao não permitirem que a liderança do PSD tenha uma notoriedade pública mais forte”, disparou.» [ Link]

Parecer:

Se há alguma elite no PSD deve andar bem escondida.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Procure-se.»

MÁRIO SOARES MADA RECADO A SÓCRATES

«Para Soares, o Governo tem de saber «ouvir» e estabelecer o diálogo com as oposições para dar razão aos eleitores para ainda acreditar nas suas medidas. «As pessoas não protestam só porque os sindicatos as empurram. Vêm para a rua porque sentem os seus postos de trabalho em causa ou porque a saúde, educação, justiça e reformas os preocupam». » [Portugal Diário]

Parecer:

Digamos que é a intervenção de Verão de Mário Soares.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Registe-se.»

MARIDO DE MANUELA MORGADO RESPONDE A PINTO DA COSTA

«O fiscalista Saldanha Sanches desmentiu hoje o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, que, em entrevista à SIC Notícias, ontem à noite, o acusou de ter proferido "afirmações fantásticas" no âmbito do processo Apito Dourado, sobre corrupção no futebol português.

"O único comentário que faço é que essa afirmação foi desmentida imediatamente na altura, depois de ter sido veiculada pelo 'Correio da Manhã'", disse à Lusa Saldanha Sanches.» [Portugal Diário]

Parecer:

Resta saber onde foram feitas as declarações, se no leito conjugal ou no MP.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Manuela Morgado onde ouviu o marido.»

ITALIANO CRIA MUSEU DE MENSAGENS EM GARRAFAS

«Los mensajes lanzados al mar en una botella han pasado de ser una práctica casi relegada al olvido a ser objeto de coleccionismo, como refleja la exposición que se inaugura este sábado en Termoli, sur de Italia, con ochenta de estas misivas.

El organizador de la singular exposición es Roberto Regnoli, un médico italiano de 57 años que desde 2005 recopila los mensajes que recoge en sus paseos por la playa, junto a su perro Dago, explica desde su web Messaggidalmare. » [20 Minutos]

FORAM MORTOS TRÊS SOLDADOS ESPAMHÓIS NO AFEGANISTÃO

«Una patrulla del Ejército afgano apoyada por soldados españoles sufrió un ataque con armas ligeras y granadas, en la ruta que une Bala Murghab y Ghormach, al noroeste de Afganistán, sin que ninguno de los 27 militares españoles resultase herido, aunque sí fallecieron al menos tres soldados afganos.

Según informó el Ministerio de Defensa, sobre las 06.00 de esta mañana, hora española, y siguiendo los planes de ISAF, dependiente de la OTAN, los soldados españoles realizaban una misión de apoyo al Ejército afgano para evaluar la situación de seguridad en la zona y actualizar el despliegue de las Fuerzas de Seguridad afganas. » [20 Minutos]

CHINA É O TERCEIRO PAÍS EM REGISTO DE PATENTES

«China es ya el tercer país del mundo donde se inscriben más peticiones para patentar nuevos productos e inventos tras aumentar un 33% el número de solicitudes en el 2005, según un estudio divulgado hoy por la Organización Mundial de la Propiedad Intelectual (OMPI).

En el país asiático el número de demandas se ha multiplicado por más de ocho en la última década, una tendencia que se prevé que continuará en los próximos años, según destacó hoy el subdirector de la OMPI, Francis Gurry.» [20 Minutos]

QUEM SERÁ O FUTURO DG DOS IMPOSTOS

O Jumento considera que a melhor solução seria o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais acumular com o cargo de director-geral dos Impostos. Afinal de contas Amaral Tomaz sempre ambicionou o cargo e desta forma não se estragariam duas casas de família.

O JUMENTO NO TECHNORATI


  1. "A Minha Matilde & Cª" reparou que é no Algarve onde mais se nasce.
  2. O "Ogindungo" considera O Jumento como um blogue de referência. Obrigado.

LUTA NA SAVANA AFRICANA

PAVLOVA

ZA4EM

VA5ILICH

YEVGENY MAXIMOV

BANCO PRIVADO PORTUGUÊS

[2][3][4]

Advertising Agency: BBDO, Portugal
Director Criativo: Nuno Cardoso
Head of Art: Fabiano BonfimRedactor: Nuno Leal, Nuno Cardoso
Director de Arte: João Biscaia, Tiago Prandi, Fabiano Bonfim
Produtor Fotográfico: Pedro Domingos

CAPE TIMES

Advertising Agency: Lowe Bull, Cape Town, South Africa
Creative Directors: Kirk Gainsford, Alistair Morgan
Art Director: Brian BainbridgeCopywriter: Simon Lotze
Photographer: Corbis Images

TOY'R'US

[2][3]

Agency: Volcano Advertising, Johannesburg, South Africa
Creative Directors: Bradley Copeman, Glenn Jeffrey
Art Director: Greig Watt,
Copywriter: Cheryl Davies
Photographer: Huey Grey

sexta-feira, agosto 10, 2007

Portugal daqui a vinte anos

Acho que desde D. João II nenhum governante desta terra se questionou sobre o seu futuro, a regra foi governar em função das circunstâncias. Nos tempos mais recentes tivemos uma ditadura que dispensava os governantes de pensar nisso, com a democracia o horizonte temporal que os preocupa não vai além dos quatro anos.

Há um conflito evidente entre a natureza dos problemas do país e a incapacidade dos governos em projectar políticas para o futuro. Todavia, seria injusto acusar os políticos, estes não fazem mais do que os eleitores esperam, são reféns da sua ignorância e egoísmo. O futuro é coisa para os jovens e estes ou não têm idade para votar ou não estão muito interessados nisso.

Na próxima semana, ainda em férias na Praia dos Três Pauzinhos, a proposta que faço é prever o que será Portugal daqui a vinte anos. Como será a nossa agricultura e pescas, o ensino e as universidades, os serviços públicos, as empresas? A Madeira ainda fará parte de Portugal?

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Inscrição no obelisco da Praça Marquês de Pombal, Vila Real de Santo António

IMAGEM DO DIA

[Pavel Rahman / AP]

«El monzón que todo lo cubre. Un mono intenta agarrarse a la cabeza de un ciudadano del distrito Munshigonj, en Bangladesh. Durante más de dos semanas las lluvias del monzón han inundado gran parte del norte de la India, Bagladesh y Nepal. Se han creado ríos por las calles que han matado a al menos 457 personas y han dejado en la calle a más de 19 millones.» [20 Minutos]

JUMENTO DO DIA


O senhor Madeira

Guilherme Silva, deputado da República e consultor do governo do Alberto, é o presidente do Conselho de jurisdição do PSD, isto é, o Alberto João controla pessoalmente um dos órgãos do partido. Não admira que através dos jornais venha dizer a Luís Filipe Menezes que não recebe recados através do jornais.

O FINANCIAMENTO DAS CAMPANHAS INTERNAS DOS PARTIDOS

Já há algum tempo que temos a percepção de que há grandes verbas envolvidas nas campanhas internas dos partidos, um sinal disso foram os sacos de dinheiro de António Preto. Agora sabemos que Luís Filipe Menezes vai gastar mais de 100.000 euros e resta saber quanto gastará Marques Mendes.

Tanto dinheiro só se pode justificar pelo facto de a aposta ser rentável, ninguém gasta tanto dinheiro só para ser líder de um partido até que apareça outro candidato.

Talvez seja tempo de rever o modelo contabilístico dos partidos.

RENDIMENTO SOCIAL DE INSERÇÃO. E DEPOIS?

«A propósito do rendimento social de inserção (RSI), de que muito se tem falado, lembrei-me de um episódio referido pelo prof. Muhammad Yunus, criador do Grameen Bank, o banco de microcréditos do Bangladesh, e prémio Nobel da Paz, quando o interrogaram sobre o microcrédito mais significativo que ele concedera na sua vida. Contou que insistira com uma mulher, que vivia de esmolas, porque não havia trabalho para ela, que fizesse um empréstimo para comprar umas bugigangas e as vender, ganhando algo na transacção. Ela resistia, mas decidiu aceitar primeiro só uma parte, e depois o que o prof. Yunus sugeria, cerca de 2,5 dólares. Passado tempo, ao encontrá-la casualmente, perguntou-lhe como iam os negócios. "Não me falou de dinheiro", mas contou-me: "Fui uma vez vender alguns artigos a uma casa onde costumava pedir esmola. De dentro responderam-me: "Venha noutro dia." Eu insisti: "Venho vender coisas."" ""Sr. Yunus", disse-me: "Foi a primeira vez na vida que me mandaram entrar e sentar numa casa.""

Ter uma receita por uma qualquer via, mesmo do RSI, é um bom começo. O trabalho realiza quem o desenvolve, aperfeiçoa-o, fá-lo aprender, ao reflectir sobre o que está a fazer, põe em jogo as potências e capacidades, lança-lhe desafios para superar os seus próprios limites. Dá compensações no âmbito intrínseco ao próprio trabalho e ultrapassa-o, para passar a ser como o cartão de apresentação, de identificação ocupacional na sociedade.

Aquela senhora ganha um "novo estatuto" que não tinha quando apenas mendigava. Por isso convidam-na a sentar e ela nota bem a diferença no trato. Recupera aos olhos dos outros, da sociedade, e, por reflexo, de si própria, o sentido da dignidade de pessoa, que não chegara a afirmar antes, apesar dela, porque não tinha trabalho.

Parece que estamos hoje numa encruzilhada complexa, em que se torna urgente criar trabalho para todos.

Por um lado, há pré-reformas para pessoas ainda com muito boa capacidade de trabalho e relativamente jovens. Dentro do mal, pode-se considerar uma sorte para quem esteja nesta situação; contudo, não será nada bom para eles, se se contentam que o seu percurso profissional fique truncado e não buscam novas formas de exercitar capacidades para serem úteis à sociedade.

Há umas semanas, a Fundação Champalimaud atribuiu, pela primeira vez, o prémio de 1 milhão de euros ao Aravind Eye Care System. Esta instituição foi surgindo, paulatinamente, da preocupação de um médico-cirurgião oftalmologista, dr. Venkataswami, ou dr. V, que, ao passar à reforma, aos 58 anos, como é habitual na Índia, do seu trabalho num hospital do Estado, decide continuar a trabalhar por conta própria, porque sabe da existência de milhões de cegos que com uma operação simples às cataratas podem recuperar a vista e manter-se a trabalhar. Lança, então, uma clínica com 11 camas, depois outra de 30 camas, para pobres que não podem pagar... E hoje o Aravind é um conjunto de cinco hospitais, com mais de 3500 lugares, dando mais de 1,7 milhões de consultas e fazendo mais de 250.000 operações às cataratas por ano!

Em muitos casos os pré-reformados terão recebido substanciais indemnizações, sobretudo de instituições financeiras, empresas em quase monopólio, multinacionais, etc. Não seria interessante tentarem lançar alguma iniciativa nos moldes do Aravind, dentro das competências profissionais desenvolvidas?

Por outro lado, muitos, à procura do seu primeiro emprego, tardam em encontrá-lo, sobretudo quando os estudos não foram completados, ou se se orientaram para carreiras mais humanísticas e não técnicas.

Com fábricas a fechar, porque não podem competir num mercado aberto e global, muitos têm dificuldades em reciclar-se, para encontrar novas ocupações, devido à idade e porque a instrução de base é fraca; outros, mesmo reciclados, não têm trabalho...

As iniciativas de novos negócios, tão necessárias à sociedade, tardam assim em chegar ou são em número insuficiente para criar os necessários postos de trabalho com conteúdo e sustentáveis. O que fazer?

O rendimento social de inserção é de justiça, é uma ajuda importante, sobretudo numa fase transitória, ou quando o destinatário está numa idade avançada e/ou, por qualquer motivo, não pode ser integrado no mundo do trabalho. Mas para os mais jovens deveriam criar-se mecanismos que promovessem a criação de postos de trabalho. Deixo aqui algumas ideias.

- Trabalhos remunerados ou não, no apoio ao terceiro sector. Em muitas IPSS, por exemplo, há pessoas que sabem cuidar muito bem das pessoas com determinado tipo de carências, mas faltam-lhes outras valências na organização administrativa, na contabilidade, na promoção e venda, etc. Muitos dos pré-reformados com um certo esforço de adaptação poderiam ser elementos de grande utilidade. E, ao fazê-lo, criariam mais emprego, pois uma boa organização permitiria ampliar o trabalho das IPSS.

- Mais de 300 Misericórdias realizam pelo país todo um trabalho social de categoria. Com um pouco mais de ambição poderiam ter maior profissionalização na gestão, melhor organização, mais valências, para desenvolverem mais actividade. De uma forma geral, quanto mais actividade e utilidade social percebida pelo público, mais são os donativos e legados que recebem, julgo.

- Para os que procuram o primeiro emprego, seria de facultar estágios de seis a 12 meses, para tarefas que em muitas das empresas não há tempo para realizar. Daí poderiam surgir novos postos de trabalho.

E este deveria ser justamente um dos aspectos-chave da responsabilidade social das empresas: fomentar a criação de novos postos de trabalho, explorando âmbitos esquecidos da vida da empresa, ao mesmo tempo que ela se tornava mais rendível.» [Público assinantes]

Parecer:

Um bom artigo de E. Viassa Monteiro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

LUÍS FILIPE MENEZES ESTÁ CHEIO DE "PILIM"

«O financiamento da campanha interna do PSD entrou no debate político. Ontem, o porta-voz de Marques Mendes, Macário Correia, lançou o repto aos outros para que divulguem as suas contas. Do lado de Luís Filipe Menezes, Ribau Esteves não só recordou que o autarca de Gaia já o fizera há duas semanas como adiantou ao CM as previsões de custos da corrida eleitoral: entre 65 a 100 mil euros.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Será um bom negócio?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Marques Mendes quanto vai gastar.»

MAIS UMA ANEDOTA DO ALBERTO

«Alberto João Jardim, presidente do governo madeirense, afirmou esta quinta-feira que a Madeira tem sido usada como “manobra de diversão” na questão da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG).» [Correio da Manhã]

Parecer:

Quem começou a "diversão" foi o próprio Alberto

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Alberto se acha mesmo que os portugueses são parvos.»

FARNACÊUTICAS FORAM OPORTUNISTAS

«Há medicamentos de venda livre que estão a sair da fábrica com o dobro do preços por unidade do que em 2005, antes da liberalização deste mercado. Várias farmácias e lojas de medicamentos contactadas pelo DN queixam-se que os laboratórios aproveitaram a liberalização para subir o valor cobrado por estes remédios. E, a estes valores, acrescem ainda no preço final as margens que cada um destes estabelecimentos cobra.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Estamos perante um caso de puro oportunismo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Adoptem-se medidas.»

ALBERTO RECUA NA QUESTÃO DO ABORTO

«O Governo Regional da Madeira vai inserir no Orçamento da Região para 2008 uma verba para custear a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) anunciou ontem Alberto João Jardim, que acusou o Governo da República de estar, actualmente, "em omissão" por não financiar aquela medida. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Terá percebido que a sua estratégia trauliteira pode prejudicar o PSD do seu afilhado Marques Mendes?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Alberto se rectifica o orçamento sempre que é adoptado um novo tratamento de saúde.»

A VERGONHA DOS AEROPORTOS PORTUGUESES

«Desde o início do ano, perderam-se mais de 90 mil malas nos aeroportos portugueses. Mais de 400 por dia. O drama repete-se todos os verões milhares de bagagens perdidas nos aeroportos, passageiros enfurecidos a reclamar, companhias aéreas sem mãos a medir.

Ontem à tarde, no Aeroporto do Porto havia mais de 500 malas sem dono, espalhadas pelos corredores junto ao serviço de Perdidos e Achados. Em Lisboa, o cenário não era melhor. O novo terminal 2 (para voos domésticos) "ainda não está afinado" e os efeitos reflectem-se no Porto. » [Jornal de Notícias]

Parecer:

Aterrar em Lisboa é um inferno.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Adoptem-se medidas urgentes.»

O ALBERTO NÃO TEM A NOÇÃO DO RIDÍCULO?

«No dia seguinte à chegada ao Porto Santo, o líder madeirense preside à inauguração de um complexo habitacional privado composto por 14 apartamentos e duas lojas comerciais denominado «Vista Dourada». » [Portugal Diário]

Parecer:

Se tivesse não inauguraria 14 apartamentos privados.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Alberto que tem o governo regional a ver com os 14 apartamentos.»

GOVERNO NÃO VAI EXIGIR SACRIFÍCIO ADICIONAIS AOS PORTUGUESES

«O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, disse hoje que o Orçamento do Estado para 2008 não obrigará o Governo a "pedir esforços adicionais" aos portugueses e não irão ser feitos cortes na despesa de investimento.

"O esforço vai continuar, mas não se tenciona pedir esforços adicionais", afirmou Teixeira dos Santos, na conferência de imprensa realizada no final da reunião semanal do Conselho de Ministros. » [Público ]

Parecer:

O problema está em saber a que portugueses se refere o ministro das Finanças.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se o ministro de que já mentiu muitas mais do que três vezes antes do galo cantar.»

GUINÉ-BISSAU, O PRIMEIRO NARCO-ESTADO DE ÁFRICA

«Um manto caiu sobre a Guiné-Bissau, sobre as suas pessoas, as suas casas, as suas estradas de terra, os seus campos verdes depois da passagem das chuvas, os seus sonhos de país independente. Se tivesse cor, esse manto teria a cor de um pesadelo. Cor de chumbo? Ou seria totalmente branco? Branco puro. De cocaína. Sem cor, seria como um manto de silêncio. Invisível. Porque falar do tráfico de droga na Guiné-Bissau - que se tornou na principal porta de entrada da cocaína da África Ocidental - é correr riscos. » [Público assinantes]

Parecer:

Há muito que esta realidade é evidente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vigiem-se as relações entre Portugal e a Guiné-Bissau.»

AQUACULTURA NAS DUNAS DE MIRA

«O Ministério do Ambiente aprovou, anteontem, um grande projecto de aquacultura sobre as dunas da praia de Mira, numa zona do país sujeita a um processo crescente de erosão costeira. O projecto da multinacional Pescanova vai produzir 7000 toneladas de pregado por ano, duplicando a produção nacional de aquacultura. Promete criar 208 empregos e está classificado pelo Governo como PIN (de "pontecial interesse nacional").» [Público assinantes]

Parecer:

Um projecto que suscita muitas dúvidas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se o Governo sobre se vão ser multiplicados este tipo de projectos.»

GOVERNO PREFERE EMIGRANTES

«A ideia não é nova: procurar cativar a imigração altamente qualificada é uma tendência europeia, bem vista pelos últimos governos portugueses. Mas desta vez a lei foi mais longe do que nunca, criando aquilo que alguns dirigentes de associações de imigrantes consideram ser uma discriminação face aos estrangeiros menos qualificados. » [Público assinantes]

Parecer:

Parece que há quem defenda que Portugal se transforme através da emigração na segurança social dos países mais pobres que o nosso país.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

IMPRENSA INGLESA RECORDA CASO JOANA

«Junto à fotografia de Kate aparece a de Leonor Cipriano com o rosto cheio de nódoas negras. O jornal recorda que quem coordena as buscas de Madeleine, Gonçalo Amaral - coordenador do Departamento de Investigação Criminal de Portimão da PJ - esteve também à frente da investigação do desaparecimento de Joana e foi acusado de "ofensas criminais". Isto na sequência das alegadas agressões a que Leonor terá sido sujeita durante os interrogatórios. E o Daily Mail, na sua edição on-line, dá também eco às declarações de Leandro e publica imagens de Leonor e do responsável pelas investigações. Com a seguinte legenda: "Gonçalo Amaral foi acusado de incriminar uma mãe numa situação semelhante". E acrescenta-se: "Apesar das acusações, Amaral não foi suspenso". O Daily Mail fala ainda de "pressão" sobre os McCann.» [Público assinantes]

Parecer:

Era de esperar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se à PJ que desta vez tenham mais cuidado com as escadas.»

O MINISTRO TEM MESMO UM DIRECTOR-GERAL

O folhetim da substituição do dr. Paulo Macedo está a evidenciar a incapacidade do ministro das Finanças e do secretário de Estado das Finanças para gerir uma situação que deveria ter sido tratada com normalidade.

O ministro começou por assegurar que pretendia a continuidade do dr. Macedo para, de repente, partir a loiça a propósito da ausência do dr. Macedo numa conferência de imprensa. Ficou evidente que a substituição do dr. Macedo estava em curso o que significa que o ministro foi apanhado de surpresa, enquanto dizia que procurava uma solução para poder pagar o que o director-geral pretendia.

Depois, muito antes do termo do mandato, o ministro anuncia que já tinha um novo director-geral, não divulgando o seu nome porque o futuro responsável do fisco ainda exercia funções numa outra qualquer entidade. Tanto quanto O Jumento conseguiu saber o ministro tinha mesmo um director-geral mas o indigitadoi recuou.

Chegado o termo do limite legal para a permanência do dr. Macedo à frente da DGCI o ministro dá posse a um director-geral da DGCI prometendo um D. Sebastião para o dia 27 de Setembro. Entretanto o secretário de Estado esqueceu a compostura e começou a dizer piadas a propósito de quem seria o futuro director-geral.

O ministro terá mesmo um director-geral? Quem o escolheu?

O Jumento duvida de que haja mesmo um director-geral e se houver duvida de que o seu nome seja do conhecimento de todos os governantes da área das Finanças.

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