sábado, setembro 15, 2007

“Máfia dos bingos”, a “Somague” do PS


Tal como sucedeu no caso Somague também no processo “máfia dos bingos” investigada pela polícia brasileira se assiste a uma mancha de nevoeiro. A omertà à portuguesa volta a intervir, uns não aproveitaram o caso Somague e, em contrapartida, os outros não mexem muito no processo brasileiro.

Entretanto o porta-voz do PS produz uma pérola da hipocrisia política dizendo que “se existe, sobre ela vigora o segredo de justiça. A confirmar-se, o PS aguarda serenamente o resultado desse processo". Vitalino Canas deve ter a inteligência portugueses em pouca consideração, há meses que se sabe que um dos foragidos à justiça no Brasil financiou a campanha do PS no exterior e, em contrapartida, foi nomeado cônsul honorário de Portugal, uma vergonha para os portugueses. Até ao momento nem o responsável por tal nomeação foi objecto de qualquer reparo, e só ontem essa nomeação foi evogada, com muito atraso e depois de muitas pressões.

O PS não precisa de esperar pelo resultado das investigações para assumir as suas responsabilidades políticas, esse processo não visa nem o PS nem avaliar se os seus responsáveis respeitaram os valores éticos que deles se espera. Ora, pelo que se sabe há gente no PS sem lugar numa democracia europeia, ocupam altos cargos e estão a ser protegidos.

Não é preciso esperar pelo fim da investigação para se saber que há gente no PS que foi eleita com ajuda de dinheiro de proveniência duvidosa, que essa gente recompensou os financiadores usando o Estado, que os contactos entre essa gente duvidosa e responsáveis do PS existem e se prendem com negócios. Vitalino Canas acha mesmo que são necessárias mais investigações para que possam se tiradas conclusões acerca da conduta de alguns dos seus pares?

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Arraiolos

IMAGEM DO DIA

[Sergei Chirikov / EFE]

«Gala en Moscú. La guardia de honor de la presidencia rusa en la Plaza Roja de Moscú durante la celebración de la primera edición del Festival Internacional de Orquestas Militares. Participan bandas del Reino Unido, Alemania, Italia, Dinamarca, Canadá, Sudáfrica, Australia, Nueva Zelanda y Rusia.» [20 Minutos]

JUMENTO DO DIA




De Vila Real de Santo António para Cuba

Ao ver o telejornal da TVI dou com uma operação de propaganda do residente da CM de Vila Real de Santo António a receber vários munícipes daquela localidade a quem a autarquia pagou a ida a Cuba para uma operação às cataratas. O gesto é bonito, quem o pode criticar.

É evidente que estamos perante uma manobra populista, ao mesmo tempo que trata das cataratas aos idosos vai também tratando dos seus votos. Para conquistar votos o que é preciso são mega fogos de artifício ou operações aos olhos para os ver. O autarca vai pagar todas as cirurgias aos munícipes de VRSA que estão em lista de espera? Paga essas operações se forem em Cuba ou aceita outros destinos? Procurou saber se em Portugal havia oftalmologistas capazes de fazer a mesma operação?

E o que fazer aos doentes de outros concelhos que têm o mesmo problema, são cidadãos do mesmo país, pagaram os mesmos impostos, mas vivem em concelhos onde os autarcas não recorrem a estas manobras para conquistar votos? Ao mesmo tempo que os autarcas exigem contrapartidas sempre que se fala em transferências de competências do poder central, há os populistas que não se importam de gastar dinheiro substituindo-se ao ministério da Saúde se isso lhes trouxer votos.

O autarca de VRSA já apresentou alguma proposta para que as autarquias se substituam ao ministério da Saúde na gestão das listas de espera, assumindo o pagamento das situações que ultrapassem os prazos considerados excessivos? Pediu ao ministério da Saúde informação sobre os munícipes que estavam em lista de espera?

COINCIDÊNCIAS

A colagem da imagem de Marques Mendes à campanha de Cavaco Silva nas últimas presidenciais é mais do que evidente nos dois cartazes, a única diferença está na presença da cor-de-laranja.

Mas a semelhança entre os dois cartazes não se fica por aqui, ou houve uma cópia ou quase apostaria que foi utilizado o ficheiro (eventualmente de Photoshop) do cartaz de Cavaco Silva para, após pequenas manipulações se ter produzido o de Marques Mendes. Seria muita coincidência o desenho da esfera armilar ser praticamente idêntico e o próprio fundo do cartaz de Mendes pode resultar de duas ou três transformações do cartaz de Cavaco Silva.

A Marques Mendes não bastou a colagem à imagem de Cavaco Silva, pelos vistos também teve acesso aos ficheiros de Photoshop da campanha de Cavaco Silva.

CHINATOWN OU GUETO CHINÊS

Se os emigrantes vindos da China se concentrarem numa zona da cidade de Lisboa ao ponto de essa mesma zona se confundir com o seu país de roiegm estamos perante uma "chintown". Se os comerciantes chineses forem "convidaods " a instalarem-se numa determinada zona da cidade, mesmo que isso se revele lucrativo para as suas lojas estamos perante um gueto chinês. O que a Zezinha defendeu foi a criação de um gueto chinês como solução para os impedir de se instalarem na Baixa.

PARA QUANDO A PROCISSÃO CHEGAR AO ADRO

«O chamado "processo da Casa Pia" muito cedo, percebeu-se, começou a descambar e os direitos fundamentais de arguidos e os fundamentos do Estado de direito entraram em crise devido à pressão das calçadas ao rubro. Nessa altura, todas as entidades que, directa ou indirectamente, tinham contacto com a investigação criminal (juiz de instrução criminal, MP ou PJ, consoante o caso) se apressaram a declarar que tudo estava a correr bem no melhor dos mundos possível, que as regras legais eram adequadas e que tinham total confiança no que se estava a desenrolar e nos que estavam envolvidos no processo.

Como bastonário da Ordem dos Advogados e como presidente da sua comissão dos Direitos Humanos, fui - apesar disso - obrigado a tomar posições muito críticas sobre aspectos que tinham a ver com as minhas responsabilidades e missão: a defesa do Estado de direito, dos direitos da defesa, da necessidade de respeitar a dignidade e o bom nome dos arguidos, e contra os abusos do recurso a prisões preventivas, a divulgação de escutas telefónicas que eram tentativas de assassinato de carácter de cidadãos, as violações constantes do segredo de justiça. E tinha razão, como se veio a provar.

Como resultado da luta da Ordem dos Advogados (que se iniciara bem antes de mim e que continuei), dos consensos alcançados no Congresso da Justiça, de decisões do Tribunal Constitucional e da magistratura de influência do então Presidente da República, foi possível criar em 2004 e 2005 o clima para o Pacto de Justiça que viabilizou a, pelo menos nestas matérias, positiva reforma do Código do Processo Penal que vai entrar em vigor amanhã.

Lembrei-me de tudo isto segunda-feira à noite e a propósito do chamado "caso Maddie". Também agora se diz que tudo está bem, que a investigação criminal não teve falhas, que os recursos técnicos e financeiros chegam e que as normas estão correctas. O facto de os mais importantes dirigentes da Ordem dos Advogados se terem tornado em comentadores televisivos sobre minudências processuais e para descodificação de informação sobre o processo parece sugerir isso: está tudo tão bem que a natural energia de tais dirigentes só pode ser usada como jornalistas especializados.

E, no entanto, visto de fora, não consigo embarcar em tão ditirâmbicos discursos nem julgo que a Ordem dos Advogados esteja a cumprir a sua missão, apesar de estar na televisão todos os dias. Penso aliás que este processo será para a reforma da investigação criminal em Portugal o que o da Casa Pia foi para a reforma do processo penal em sede de reforço do Estado de direito.

A explicação é simples. Em primeiro lugar, está a demonstrar-se que a investigação criminal padece de falta de formação, que a articulação entre GNR e PJ não funcionou, que escasseiam adequados recursos técnicos, que falham procedimentos treinados de cena do crime. Só isso explica que certas cautelas não tenham sido seguidas para preservar provas e que certos testes não tenham sido de imediato realizados. Este crime não é igual aos outros, ou a PJ não teria dedicado tanta gente e tanta energia à sua resolução. Deveria tudo ter sido tratado de modo diferente.

Em segundo lugar, a investigação criminal não está preparada para lidar com a comunicação social de massa, não tem especialistas em gestão de crise, não tem consultores de media treinados, não percebe que a profissão de agente e a de responsável por comunicação institucional nada têm em comum. E, mais uma vez, parecem ser as calçadas ao rubro a definir o essencial da investigação. A tese do rapto foi substituída pela da responsabilidade dos pais pela morte da criança e parece que são as flutuações da opinião pública e a energia das televisões que comandam os factos.

Mas, e mais importante, em terceiro lugar também aqui os princípios fundamentais que sustentam o Estado de direito estão a claudicar. O advogado dos McCann sugeriu o que o presidente da comissão dos Direitos Humanos da Ordem se esquecera de dizer antes, confirmando o que eu afirmara no Prós e Contras. Não tem sido assegurado (ainda que no caso Casa Pia tivesse sido tudo muito pior) o respeito dos princípios da presunção de inocência dos arguidos, do seu direito de reserva, do segredo de justiça.

A procissão ainda vai no adro. A situação parece óbvia. A investigação - seguramente que com boas razões - vai orientar-se para a tese da morte e para alguma responsabilidade dos pais. A menos que a criança surja rapidamente, o que é infeliz e evidentemente improvável, não vejo como poderá isto não terminar com a acusação e pronúncia que a constituição de arguido sugere, sabendo-se - como sei após mais de 30 anos disto - a forma mentis dos agentes da PJ, dos procuradores do MP e dos juízes de instrução criminal.

A defesa dos McCann vai ser feita pela tentativa de destruição do valor das provas e pela procura da demonstração de que, por culpa da investigação criminal portuguesa, se tornou impossível assegurar que, para além de uma dúvida razoável, os pais são culpados. E, se bem conheço a eficácia e a acutilância da advocacia criminal britânica, os indícios que tenham surgido e que não foram colhidos nem preservados em condições adequadas de forma, meios, tempo e lugar serão atacados de um modo que - tenha ou não sucesso - vai deixar ficar mal na fotografia a investigação criminal portuguesa.


Por isso faço aqui um apelo: que o próximo bastonário da Ordem dos Advogados - pois o actual é evidentemente para esquecer - se prepare para mais um combate pelo Estado de direito, que exige - com idêntico grau aos dos direitos de defesa - que haja uma boa investigação, para que possa ser possível uma boa acusação. Para que se possa acabar a fazer boa justiça.»
[Público assinantes]

Parecer:

José Miguel Júdice critica a Ordem dos Advogados a propósito do caso Maddie

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

EU VETO O VETO AO VETO

«Vários comentadores têm vetado o veto presidencial ao diploma relativo à responsabilidade extracontractual do Estado. Eu concordo e aplaudo, contra (quase) tudo e contra (quase) todos.

O Presidente da República vetou, nas últimas semanas, três diplomas. O terceiro é uma lei relativa à responsabilidade extracontratual do Estado.

Estou certo que a maioria dos portugueses não tem a mais vaga ideia do que se trata. A questão é, em termos gerais, simples: o Estado tem responsabilidades com implicações sobre a nossa vida, que estão para além do estabelecido em contratos, por exemplo, de compra e venda. É como se existisse um contrato implícito entre o Estado e os cidadãos e, como tal, as responsabilidades deste também existem para além dos contratos juridicamente celebrados. Por exemplo, se um buraco na minha rua implicou danos no meu carro, em determinadas circunstâncias, a câmara deveria ser responsabilizada pelos prejuízos que eu sofri.

Sobre este princípio, genericamente enunciado, estamos de acordo.

A questão é saber se a sua transposição para texto legal foi devidamente efectuada. Nomeadamente, saber se o texto legal acautela as circunstâncias em que a câmara deve ser responsabilizada (se chovia ou fazia sol, se havia excesso de velocidade, se o buraco estava assinalado, etc...), que danos deve indemnizar, se a indemnização deve ser suportada pela própria câmara ou por algum funcionário eventualmente responsável pela situação, etc. Não é, portanto, suficiente o simples enunciar do princípio, com o qual todos estamos de acordo.

A actual lei vetada estipula, em resumo, que o Estado tem de indemnizar o cidadão ou empresa pelos danos que lhe causar, independentemente de haver ilegalidade. No caso de ilegalidade, tem o dever de exigir aos seus agentes (ministro ou simples funcionário) que paguem eles próprios ao Estado a indemnização que este foi condenado a pagar (direito de regresso). Além disso, o Estado (e, logo, o agente) pode ser condenado por omissão, ou seja, por não fazer ou não decidir o que era devido em tempo oportuno.

Há três tipos de problemas com o actual diploma, de índole diferente e com dificuldades de resolução também diferentes.

Primeiro, a lei vetada tem conceitos imprecisos e não delimita o seu âmbito. Por exemplo, fala de "padrões médios de resultado". Quem define o que são padrões médios? Será que podemos ter todos os serviços do Estado a funcionar acima dos padrões médios?

Segundo, e mais importante, mesmo que a lei vetada fosse clara: o Estado (e o funcionário) é responsável pelas consequências de um acto ilegal. Até aqui parece bem. Mas isto supõe - aspecto basilar da lei vetada - que as leis em vigor são claras, mas tal não acontece em aspectos muito importantes das grandes decisões. Uma adjudicação de uma grande obra pública envolve milhares de diplomas, sobre os quais os juristas têm interpretações diferentes em aspectos fundamentais. Como tal, o Estado pode facilmente ser posto em tribunal por um bom gabinete de advogados. E, se condenado a pagar milhões, vai pedir ao ministro ou ao funcionário que o reembolse.

Como as leis existentes são muitas vezes vagas, quem nestas circunstâncias vai tomar decisões? Mas também não basta adiar a adjudicação da obra, pois pode haver condenação por omissão, ou seja, por não decidir, como já referi. Eu conduzo um carro e tenho consciência de que há sempre o eventual (e involuntário) perigo de o conduzir mal, por isso tenho um seguro elevado contra os danos que possa causar a outros. Mas tal não vai acontecer a um ministro ou um simples funcionário público quando decide.

Poder-se-á dizer que o funcionário só é responsável quando o agente dispunha de suficiente informação para saber da legalidade do acto. Mas como avaliar tal circunstância quando há pareceres contraditórios sobre a mesma lei? Ainda há dias, um dirigente partidário e membro do Parlamento se defendia das ilegalidades que todos os partidos cometeram nos seus financiamentos com a falta de clareza da lei. Estou convicto que tem carradas de razão!

Seria, assim, importante que também a lei vetada fosse mais clara no seu âmbito, caso contrário o Estado será constantemente posto em tribunal e tanto mais quanto os eventuais lesados tiverem as posses para contratar um bom advogado.

Terceiro, o Estado defende-se? Teoricamente sim, mas muitas vezes com grande dificuldade, pois os interesses privados têm influências no próprio aparelho de Estado. Por outro lado, quando há direito de regresso, o próprio Estado não tem incentivos a realizar uma boa defesa, pois quem vai pagar, em último caso, é o funcionário.

Pode inclusivamente acontecer o seguinte: o Estado é posto em tribunal pelo empresário a quem o ministro não adjudicou uma obra pública. Como estas coisas demoram, imaginemos que, entretanto, muda o Governo e que o Estado acaba por perder a causa em tribunal. Fica, assim, obrigado a indemnizar o empresário, o que vai constituir uma vitória para o novo governo na arena da opinião pública.

A seguir, o novo governo vai pedir ao responsável pela decisão, antigo ministro ou funcionário, para pagar ao Estado os milhões que este teve de desembolsar. A vida desta criatura e da sua família fica destruída por muitos anos: os custos de defesa são enormes e os resultados são sempre incertos. Por outro lado, o decisor não pode invocar que não é responsável ou não é culpado por uma decisão que tomou e pela qual o Estado já foi condenado.

Será que cada funcionário público está em risco de ir a tribunal cada vez que lesar, ainda que convicto de estar a prosseguir o interesse público, os interesses dos poderosos, que são quem tem maior capacidade de litigância? A desproporção entre os interesses potencialmente lesados e a capacidade do funcionário público não está sequer equacionada. Esta lei vetada terá certamente consequências futuras na liberdade e independência das decisões e na disponibilidade para o desempenho de funções públicas. Nada disto foi acautelado.

Toda a filosofia da lei vetada está assente nos tribunais. Eu confio nos tribunais e nos magistrados, do mesmo modo em que confio nos hospitais públicos e nos médicos, nos jornais e nos jornalistas, na universidade e nos professores... mas são obra humana gerida por pessoas.

Alguns aspectos laterais são também relevantes: porque é que a Assembleia aprovou por unanimidade tal lei? Desde logo, o veto presidencial revela coragem e devia merecer ainda maior atenção por parte dos partidos.

Acresce que a lei vetada tem a ver com a concepção da responsabilidade do Estado, perante o cidadão e as empresas, e portanto dificilmente poderá ser aprovada por unanimidade. Porque ela depende da concepção que se tem de Estado (e dos direitos e responsabilidades dos cidadãos) e esta concepção é muito diversa do PCP-Bloco ao CDS. Uma lei desta importância, que consagra direitos e deveres ao Estado, aos seus funcionários e aos cidadãos, se foi aprovada por unanimidade só pode ser uma má lei, pois terá de ser suficientemente ambígua para poder agradar a gregos e a troianos.

É certo que nós temos uma cultura de irresponsabilidade. Como dizia Fernando Pessoa, em Portugal "[...] nunca é possível determinar responsabilidades; elas são sempre da sexta pessoa num caso onde só agiram cinco". Este estado de coisas é inaceitável e não é compatível com o nosso entendimento dos direitos do cidadão nem com o funcionamento de um Estado moderno. Mas a lei vetada não serve estes propósitos.» [Público assinantes]

Parecer:

Luís Cunha aprova o veto presidência ao diploma relativo à responsabilidade extracontratual do Estado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

CULTURA DEMOCRÁTICA

«Segundo o presidente do Sindicato dos Funcionários de Investigação Criminal, o primeiro telefonema que os McCann fizeram depois do desaparecimento da filha foi para a Sky News. Só telefonaram à GNR 50 minutos mais tarde e a PJ, naturalmente, só chegou à Praia da Luz pelas quatro da manhã. Os McCann não começaram por chamar a polícia (qualquer que ela fosse: a PSP, a GNR, a PJ), ou até, se desconfiavam da competência indígena, por pedir imediatamente ajuda ao consulado britânico. Isto que se faria há vinte anos sem a menor hesitação ou a menor dúvida não lhes passou pela cabeça. Não pensaram nos perigos para a filha de envolver os media no caso (parece que reais). Não pensaram na experiência e nos meios de uma instituição especializada. Não pensaram no patrocínio oficial do seu país. Pensaram na televisão e nos tablóides.

Comportamento estranho, sobretudo para dois médicos, da alta classe média, amigos de Gordon Brown? Suspeito que não. Desde Blair que os media são a realidade e o que não "vem" nos media deixou de ser real. Há muita diferença entre a maneira como os McCann reagiram e a operação "princesa do povo"? Não há. Há sequer muita diferença entre a maneira como Alistair Campbell administrou a campanha pela guerra do Iraque e o frenesim publicitário em que os McCann entraram? Também não há. Blair corrompeu até ao osso a sociedade inglesa. O realismo, o senso comum, o sentido das proporções desapareceram. Ficaram as fantasias que o Governo, a televisão e os tablóides dia a dia fabricam e que se destinam a manobrar a populaça de acordo com este ou aquele objectivo.

Se a vida está nos media, o poder está necessariamente na fama. Não admira que, para encontrar a filha, os McCann achassem que se deviam eles próprios tornar famosos. Passearam pelo mundo e viram o Papa. Contrataram assessores de imprensa (um deles, Clarence Mitchell, especialmente enviado por Blair). Recrutaram a ajuda de Cristiano Ronaldo, Beckham, Laura Bush e espécimes semelhantes. Abriram um site ou coisa que o valha. E pediram dinheiro para um "fundo de guerra" (um milhão e meio de euros, pela última contagem). Por outras palavras, tentaram recuperar a filha com um descomunal exercício de propaganda, ou seja, pelos mesmos métodos com que sempre viram resolver tudo. Não resolveram, como é óbvio, nada. Mas mostraram o abjecto estado a que chegou a cultura democrática do Ocidente.» [Público assinantes]

Parecer:

Vasco Pulido Valente analisa a opção dos Mc Cann de telefonarem para a Sky antes de alertar a polícia do desaparecimento da ilha.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

UM EXCELENTE CANDIDATO ÀS NOVAS OPORTUNIDADES

«Tinha apenas o quinto ano do antigo liceu, mas isso não o impediu de exercer a psiquiatria durante 15 anos. Crispiniano Silva, 51 anos, tinha consultório no Porto e ascenderia a uma centena o número de clientes que a ele acorriam, chegando mesmo a dar pareceres médicos ao Ministério Público no âmbito de processos em curso - para além dos inúmeros congressos e palestras em que participou e de consultas em clínicas privadas. Em 2004, alvo de uma denúncia, foi detido pela PSP do Porto e passou de psiquiatra a arguido. Dia 24, é conhecida a sentença no Tribunal de São Novo, no Porto.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Pelo currículo o "psiquiatra" merece ter um diploma, exercer durante quinze anos apenas com o quinto ano do Liceu e ninguém dar por isso é notável.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Inscreva-se o homem nas Novas Oportunidades.»

A EXCELENTE ORGANIZAÇÃO DO CCB

«O Centro Cultural de Belém anunciou ter encontrado no seu acervo um quadro de Júlio Pomar, intitulado “Camões”, dado como desaparecido há quatro anos.

Num comunicado enviado às redacções, o gabinete de imprensa do CCB adianta que o acrílico, datado de 1988/89 foi encontrado durante “a reorganização dos espaços das reservas do CCB”, tendo já sido comunicado o facto ao pintor e à Polícia Judiciária, que abrira um inquérito ao desaparecimento.» [Público]

Parecer:

O CCB evia explicar como pode ter sucedido uma situação destas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»

INEXPLICÁVEL

«A Ordem dos Médicos (OM) recebeu uma queixa de um clínico a quem a comissão de farmácia e terapêutica do seu hospital recusou a prescrição de um medicamento inovador a um doente com cancro. É a primeira denúncia formal deste tipo a dar entrada na OM, adiantou ao PÚBLICO o presidente do colégio de oncologia da Ordem, Jorge Espírito Santo, que acredita, porém, que outras denúncias deverão surgir entretanto porque a restrição à aquisição de alguns fármacos inovadores "começa a generalizar-se".

Sem querer adiantar qual é o hospital em causa, Jorge Espírito Santo explicou que o médico pretendia prescrever um antineoplásico a um doente com cancro, um fármaco já autorizado e usado em várias unidades de saúde, mas a comissão de farmácia rejeitou o pedido, apesar de o ter permitido para outro paciente nas mesmas circunstâncias. Um tratamento com este medicamento fica por 2500 a 3000 euros por mês. Limites nos gastos» [Público assinantes]

Parecer:

Tão ou mais grave do que recusar um medicamento é o facto de existir discriminação entre doentes ou médicos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se uma sindicância à unidade de saúde em causa.»

GOVERNO ADIA PARTE DAS REFORMAS PARA 2009

«A perda do vínculo de nomeação para milhares de funcionários públicos, a fusão de mais de 1600 carreiras e a aplicação de uma tabela remuneratória única, previstas para o início do próximo ano, deverão vir a entrar em vigor apenas no início de 2009. Um adiamento que se deve à dificuldade de concretização de vários diplomas complementares e que atrasa ainda mais a concretização do processo de reforma da administração pública.» [Público assinantes]

Parecer:

Estaremos perante incompetência ou oportunismo político? Se houve incapacidade de concretizar as reformas é porque houve incompetência na gestão de todo o processo. Se o que se faz é adiar as medidas eleitoralmente inconvenientes estaremos perante oportunismo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao ministro.»

PARA-QUESDISTA CAIU EM CIMA DO ORADOR

«Durante una ceremonia militar, el jefe de gabinete de Yemen, Ali Saed Obeid, debió interrumpir súbitamente una rueda de prensa después de que un paracaidista le cayera encima y se enredara su cabeza con las cuerdas del paracaídas.

Según publican varios medios argentinos, la temeridad de la división de paracaidistas yemení fue puesta a prueba durante una ceremonia militar realizada en Sanaa, la capital del país, en medio de la cual uno de sus integrantes llamó poderosamente la atención del jefe de gabinete, y no precisamente por su pericia en el vuelo.» [20 Minutos]

O MACACO QUE GOSTAVA DE UMA POMBA

«Así le ha ocurrido a un macaco de doce semanas abandonado por su madre en la provincia china de Goangdong.

Según publica Daily Mail, el animal se encontraba muy deprimido en una clínica veterinaria hasta que encontró a una paloma.» [20 Minutos]

GOOGLE PATROCINA CORRIDA ESPACIAL

«El buscador de internet Google ha anunciado hoy que patrocinará el Google Lunar X Prize, una carrera de robots donde participarán empresas, con destino a la Luna, cuyo ganador obtendrá un premio de 30 millones de dólares --más de 21 millones de euros--. Vencerá el artilugio capaz de llevar a cabo diversos objetivos de una misión, incluido el desplazamiento por la superficie lunar durante al menos 500 metros o el envío a la Tierra de vídeo, imágenes y datos.

La competición, para ingenieros y empresarios de todo el mundo, busca potenciar la "exploración espacial de bajo coste" mediante vehículos robóticos. La X Prize Foundation, más ampliamente conocida por su premio Ansari X Prize, recompensa con 10 millones de dólares --más de siete millones de euros-- al mejor de los vuelos espaciales de financiación privada, proyecto apoyado por una organización educativa sin ánimo de lucro cuyo objetivo se basa en fomentar la aparición de avances en esta materia. » [El Periódico]

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sexta-feira, setembro 14, 2007

A Zezinha não quer chineses na Baixa de Lisboa



Para justificar a sua posição contra a presença de lojas chinesas na Baixa de Lisboa Maria José Nogueira Pinto relacionou a presença dessas lojas com a decadência do comércio tradicional. A Zezinha encontrou a causa de um problema que já tem décadas e que nenhuma medida conseguiu evitar.

Esta posição revela uma faceta da conhecida política da direita mais conservadora, a sua ignorância em coisas da economia, o que permite questionar a sua competência para gerir o projecto de revitalização da Baixa. Há muito que a Baixa está em decadência e nos últimos anos o processo acentuou-se, as alterações na rede do Metro desviaram transeuntes, o abandono os habitantes transformaram-no num deserto nocturno perigoso, o comércio não se modernizou, as empresas ali instaladas não acompanharam os tempos e surgiram novas cadeias comerciais como a Zara.

Associar a decadência às lojas aos chineses ou é ignorância ou má-fé, muito antes de os chineses ali instalarem uma dúzia de lojas já o comércio local agonizava.

Os chineses talvez tenham alguma culpa, mas não os chineses com que a Zezinha está preocupada. As calças que os portugueses compram na Zara em vez de irem à loja portuguesa a lado são produzidas (provavelmente) por chineses, o mesmo sucedendo com uma elevada percentagem dos produtos vendidos nas grandes superfícies. Até muitos dos produtos vendidos pelo comércio tradicional é produzido na China. Seria interessante se a Zezinha fizesse um estudo para apurar quanto do que compra e consome tem origem chinesa, mesmo sem ir às lojas dos pobres.

Mas é evidente que a Zezinha nunca ousaria selar a sua carreira política embirrando com o Continente do Belmiro de Azevedo, esse sim um dos grandes responsáveis pelas mutações da distribuição comercial a que o comércio tradicional não resistiu. Mas para a Zezinha os culpados são os chineses, com eles não há grandes amizades, insistem em ser enigmáticos (como ela escreve) e ainda por cima vendem barato e são prestáveis.

Lisboa sempre foi uma cidade universal, como o são as grandes cidades europeias, sempre o foi desde a sua fundação e não vai ser a Zezinha a impor os seus valores conservadores à Baixa de Lisboa. Quem é incapaz de compreender os fenómenos económicos, aborda-os com preconceitos contra determinadas comunidade e tem uma visão ruralista da Baixa de Lisboa, não está à altura de um projecto que visa a sua revitalização. Já foi fenícia, já foi romana, já foi árabe, tem sido portuguesa e cristã, ainda há-de ser muita coisa se não a congelarem no tempo das varinas e das fragatas do Tejo.

Desta vez concordo com Sá Fernandes, a Zezinha é uma má escolha (e um mau negócio) de António Costa. A mentalidade da Zezinha é dos tempos em que as notas de um escudo circulavam e o comércio tradicional da Baixa acabou com outro comércio tradicional. A Zezinha parece não perceber que o tempo não volta para trás, por mais que ela impeça os chineses de se instalar onde quer que seja.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Janela de Óbidos

As cores de Lisboa ao anoitecer

Estas cores remetem-me para a infância, para mais perto dos ventos de Levante e das poeiras do Saara que transformam os por do sol numa paleta de cores surpreendentes. A imagem não foi tirada com objectivos estéticos nem foi objecto de qualquer manipulação da cor ou da luminosidade (1/25s, f 2.2 19h00), corresponde exactamente ao que se via de uma das janelas do Palheiro, em direcção a Poente, na passada quarta-feira, ao fim do dia.

Como não é possível gostar de Lisboa?

IMAGEM DO DIA

[NASA/JPL/Space Science Institute / Reuters]

«Las montañas de Jápeto. Imagen tomada por la sonda espacial Cassini a su paso por Jápeto, una de las lunas de Júpiter.» [20 Minutos]

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

Sócrates estava com um problema grave, como distribuir 400 mil portáteis? Mesmo levando meio governo a passear pelo país todos os fins-de-semana levaria uns anos, além disso ministros como a da Educação ou o da Justiça não tê muito jeito, a da Educação parece que está numa mostra da Taparware e o da Justiça fica com ar de vendedor de aspiradores, a sua imagem não passa.

O primeiro-ministro tem feito um esforço para aliviar a dispensa, quando se esperava que estivesse ausente durante os seis meses da presidência europeia aparece por todos os cantos distribuindo portáteis, até já há quem abra a porta a testemunhas de Jeová pensando erradamente que é o Sócrates que está a proceder a mais uma entrega. Mesmo que Sócrates oferecesse portáteis em vez de pins aos seus pares europeus o progresso não seria muito.

O Jumento sabe que José Sócrates reuniu com os seus assessores mais dedicados, pedindo-lhes que fosse em busca de sósias, mas estes foram mal sucedidos, ninguém se queria parecer com Sócrates. A solução foi encontrada pelos responsáveis do Plano Tecnológico que propuseram a produção de clones de José Sócrates, podendo-se ver na imagem o resultado do primeiro ensaio ao colo do próprio primeiro-ministro.

O próximo passo será criar novas versões do clone de Sócrates, um clone com a musculação melhorada para a prática de jogging, um outro quase surdo para reunir com Cavaco Silva, um com capacidades intelectuais melhoradas para o primeiro-ministro pedir a equivalência da sua licenciatura no Instituto Superior Técnico, um com melhoramentos nos músculos faciais para sorrir aos manifestantes que o atormentam, um em miniatura para a directora da DREN ter ao lado do telemóvel por onde recebe os sms dos seus informadores, enfim, clones para transformar Sócrates num primeiro-ministro capaz de distribuir todos os portáteis, de ter tempo para as tarefas de que gosta, de melhorar o seu currículo profissional e ainda ser capaz de ser primeiro-ministro.

JUMENTO DO DIA

Scolari

Para escolher Scolari para Jumento do Dia não são necessárias palavras, basta ter visto as imagens. Por mais desculpas que o seleccionador nacional de futebol tenha o seu comportamento é inaceitável num país civilizado, Scolari deu continuidade a uma série de episódios tristes, em que o mundo da bola envergonharam o país, dando de Portugal a imagem de um país de gente pouco educada e violenta.

SÓCRATES RECEBE GELDOF E IGNORA O DALAI LAMA

Digamos que Sócrates fez política com base nas suas preferências musicais, aliás, o primeiro-ministro prefere claramente dar música (será que os portáteis vêm equipado com placa de som) do que ir à missa.

PS: Desta vez o Bob Geldof lembrou-me a Maria José Rita, por momentos achei que era ela que estava a ser recebida pelo primeiro-ministro.

TRASNGÉNICOS?

Esta semana tive a oportunidade de estar presente no alargamento de uma fábrica de arroz de que um amigo é sócio, para ser mais preciso comercializa a marca "Ceifeira", a marca de arro mais antiga de Portugal e que para além de ser um exemplo de sucesso no sector domina a produção de arroz para a alimentação infantil, fornecendo uma das maiores marcas internacionais deste tipo de produtos.

Este meu amigo, que está à frente da referida empresa não tem uma posição de princípio contra os transgénicos mas a marca tem uma posição sobre o assunto, recusa a utilização de transgénicos. Não só recusa os transgénicos como apoia os produtores para que estes utilizem menos adubos e fertilizantes ao mesmo tempo que aumentam a produtividade e a qualidade, condição necessária para assegurar a normalização do produto. Além disso, todos os lotes de arroz são analisados laboratorialmente para assegurar que não estão contaminados por transgénicos.

A melhor forma de combater os transgénicos não é destruindo meia dúzia de maçarocas de milho, é denunciando os produtos que os utilizam, forçando as empresas a irem de encontro às exigências dos consumidores

CHINA TOWN

«As lojas chinesas chegaram depois, como um upgrading, uma manifestação prática da globalização enxertada no nosso quotidiano. Disseminadas por toda a cidade, com uma enorme variedade de produtos, preços imbatíveis e horários alargados, tornaram-se a resposta para a crise económica que atinge, agora, outros estratos sociais. Mas mesmo para quem ainda não foi atingido por ela, o recurso à loja chinesa é um acto de racionalidade orçamental. Se eu preciso de um abre-latas ou de uma frigideira, de uma moldura ou de um guarda-chuva, de uns óculos ou de um saco de compras, vou à loja do chinês. Porquê? Porque é muito mais barato, está ali mesmo à mão, disponível quando me convém e garante um atendimento sorridente e enigmático. Outros poderão optar por roupa à moda, jeans e stilletos dourados. Uma mãe de família, no regresso às aulas da sua prole, pode abastecer-se de lápis, canetas, réguas e cadernos. E donde, diabo, virá tudo isto, é caso para perguntar...

Questão diferente, mas indissociável, é o efeito devastador que estas lojas, disseminadas por bairros, áreas residenciais e zonas históricas, têm no comércio tradicional. Qualquer liberal me dirá que o mercado vai resolver esta questão: quem for competitivo, vive, quem não for, morre.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Estes argumentos de Maria José Nogueira Pinto são argumentos mais do que suficientes para que seja excluída da liderança de qualquer projecto de revitalização de uma cidade europeia, desde sempre um cadinho das mais variadas culturas, desde as que nos invadiram às que nos visitaram, passando pelas que trouxemos do imenso império colonial.

Isto não é uma justificação económica da sua aversão às loja chinesas, é uma tentativa de encobrimento de uma atitude que pode ser classificada como muito próxima do conceito de racismo. E, pior do que tudo, é uma mentira populista.

O comércio tradicional começou a morrer muito antes do aparecimento das lojas dos chineses ou das lojas dos trezentos, a sua morte resulta da incapacidade de adaptação, da localização pouco amigável para o consumidor, dos preços elevados, da deficiente qualidade dos produtos, do mau atendimento e, em muitos casos, das deficientes condições de conservação dos produtos alimentares.

Quem matou o comércio tradicional foram as grandes superfícies que aproveitaram destas condições, aliás, estas grandes superfícies também eliminaram muitos dos pequenos comerciais que as antecederam, muito antes de ter aparecido a primeira loja chinesa.

Sejamos honestos e rigorosos, quem escreve desta maneira está mais preocupada em impor os seus preconceitos do que em analisar a realidade de Lisboa. Quantas lojas chinesas há na Baixa de Lisboa, qual o seu impacto no comércio local? Uma única loja do grupo Zara vende mais do que todas as lojas chinesas.

Lisboa vai ser gerida com preconceitos e com uma visão distorcida da realidade. A resposta cabe a António Costa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Arquive-se.»

O DALAI LAMA

«Perante isto, não admira a insistência do Governo chinês para que Portugal recusasse uma recepção oficial ao Dalai Lama. A política da China para o Tibete também se explica pela sua recusa mais vasta de um Ocidente indisciplinado e individualista e pela sua resistência à modernização. Para a China, o Dalai Lama é um símbolo, mesmo involuntário, mesmo inexacto, de uma transformação a evitar. Infelizmente, ao decidir que devia prevalecer aqui real-politik, o Governo português mostrou que não percebeu isto.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Pedro Lomba critica o Governo porque este não recebeu o Dalai Lama e tem razão. Mas não podemos dois pormenores, Pedro Lomba foi um activo apoiante da candidatura de Cavaco Silva e a política externa sempre foi um domínio em que Cavaco Silva defendeu que a Presidência da República teria um papel importante.

Se Pedro Lomba critica o Governo também deveria dizer o que pensa do silêncio de Cavaco Silva e do facto de este também não ter recebido o Dalai Lama. Depois de três vetos a diplomas do Governo se Cavaco se manteve calado é porque concordou com o Governo, porque quem cala consente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A REFORMA (COM)PROMETIDA

«O Código de Processo Penal "retocado" suscita um coro de críticas do lado dos investigadores. Reclamam mais eficácia e meios, enquanto os defensores acreditam ver aumentados os seus direitos. Os juízes alertam para o facto de se ter frustrado mais uma reforma.

Mas foi o legislador quem precipitou as suas limitações ao precaver-se com a assinatura de um pacto. Como em todos os compromissos silenciosamente "pactuados", o que as novas leis nos trazem são soluções condenadas à frustração dos resultados. Uma reforma comprometida.

Não cabendo a análise de todo um código no espaço breve de um jornal, limitarei esta minha opinião a medidas erguidas como bandeira da "grande reforma".

A nova lei introduz um prazo para a realização das escutas, visando, e bem, conter o recurso a este meio de prova. Noutros países, os dados estatísticos das escutas são anualmente compilados e divulgados, permitindo a análise de estudos científicos. E estes revelam que as autorizações judiciais tendem a repetir o prazo máximo permitido por lei. A prática nos tribunais portugueses era a autorização por períodos de 30 dias. Com esta lei "restritiva" passarão para 90.

Ainda no que respeita às escutas, passa a permitir-se a cópia das gravações pelos intervenientes no processo. Ao aperceber-se dos resultados a que uma tal generosidade de meios poderia conduzir, o legislador reagiu. Já na terceira versão do projecto proibiu a divulgação de escutas, salvo se não sujeitas a segredo de justiça e os intervenientes expressamente consentirem na publicação. Em vez de se impedir a concessão de duplicados (em si mesmos desnecessários para acautelar os legítimos fins de defesa visados), passa-se a punir o jornalista que divulgue a objectividade de uma prova, mesmo que ela sirva de fundamento a uma sentença de condenação.

Ignorando a Constituição, a lei abre às autoridades policiais o acesso a dados de localização celular à margem de um processo criminal. No processo, não se compreende a razão de o conhecimento daqueles dados passar a estar condicionado à verificação de perigo para a vida ou integridade física.

A nova lei afirma a publicidade como regra no processo, mas na fase de inquérito a regra reclama a anuência do MP ou o seu suprimento por decisão do juiz. Acrescenta-se um factor de divergência processual que não gerará necessariamente ganhos de benefício seja para a investigação, seja para os arguidos. Melhor seria que se tivesse clarificado que segredo de justiça não pode significar acompanhamento acrítico da actuação dos responsáveis por uma investigação criminal. Entretanto, continuaremos a tomar conhecimento da constituição de arguidos sem sabermos de que crimes são suspeitos.

A nova lei prevê uma duração máxima para os interrogatórios de arguidos. Foi preciso esperar pela inquirição dos pais da menina inglesa desaparecida no Algarve para ver os advogados descobrirem o que já antes era uma evidência: a superficialidade da solução encontrada para evitar pressões sobre os interrogados. Um legislador verdadeiramente empenhado teria começado por medidas que, noutros países, produziram resultados visíveis na contenção daquele perigo: a obrigatoriedade de presença de advogado desde a primeira hora nos interrogatórios policiais e a gravação áudio e vídeo da diligência.

A nova lei limita a possibilidade de detenção (fora de flagrante delito) às situações em que haja razões para crer que o visado se não apresentaria espontaneamente perante a autoridade judiciária. Se esta restrição tem toda a razão de ser no campo da pequena e média criminalidade, já no domínio da criminalidade grave ela revela completa inadequação. Mesmo a admitir-se que alguns arguidos pudessem comparecer "pelo seu pé" nos departamentos de investigação para serem interrogados pelo procurador, como levá-los depois à presença do juiz quando a reiteração criminosa produzida por uma organização exige a aplicação de prisões? Depois de o arguido ter comparecido em liberdade, será legítimo detê-lo, temendo pela sua fuga? E como sujeitá-lo a interrogatório judicial sem que esteja detido?

O legislador não tardará a reconhecer a necessidade de mais uma reforma. Será antecedido pela decepção dos advogados que acreditaram na aparência de uma maior participação da defesa no inquérito. Mas a maior frustração será sem dúvida, a de todos nós, cidadãos que reclamamos crédito para a Justiça.» [Público assinantes]

Parecer:

A juíza Maria de Fátima Mata-Mouros.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

HÁ VÁRIAS TAXAS EURIBOR

«Os maiores bancos do país estão a usar métodos diferentes para apurar a mesma taxa, a Euribor (à qual são indexados os juros cobrados nos créditos à habitação), seguindo práticas cuja legalidade poderá ser discutida. A diferença entre a Euribor calculada de acordo com as instruções dadas ao JN pelo Ministério da Economia (que a regulou em decreto-lei) e a adiantada por quatro dos cinco maiores bancos do país implica que um crédito à habitação de cem mil euros a 30 anos pague mais quase 50 euros por ano do que o suposto - ou mais cerca de 1500 euros no fim do crédito.

Ontem, Caixa Geral de Depósitos (CGD), Millennium bcp, Banco Espírito Santo (BES) e Santander indicavam que o valor da Euribor a 3 meses a praticar em créditos assinados hoje é de 4,607%. Entre as maiores instituições, a excepção é o Banco Português de Investimento (BPI), que anuncia um valor mais baixo, de 4,544%. Afinal, quem tem razão?» [Jornal de Notícias]

Parecer:

O que não se entende é que o Banco de Portugal nunca tenha reparado ou tenha optado por não intervir deixando os portugueses entregues às decisões dos bancos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Vítor Constâncio o que fez o Banco de Portugal.»

REVOLTA NO BOUNTY

«Luís Marques Mendes foi obrigado a manifestar publicamente "toda a confiança " no grupo parlamentar do PSD, depois de vozes de indignação se terem ouvido, ontem, na reunião da bancada. Contestadas foram as palavras de Luís Marques Mendes, na sexta-feira, ao queixar-se de "sofrer na pele" as consequências dos critérios de escolha de Santana Lopes e indo mais longe com a afirmação "Um grupo parlamentar assim deve ter sido feito numa noite de nevoeiro".» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Marques Mendes tem-se portado em relação ao seu grupo parlamentar como um elefante dentro de uma loja de cristais.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Marques Mendes que tenha mais cuidado quando abre a boca, não porque andem por aí muitas moscas mas pela frequência com que saem asneiras.»

SE CALHAR É DE PLÁSTICO

«Entrou com um apelo para a necessidade de um maior investimento em África e saiu com uma caixa de guitarra portuguesa debaixo do braço. Bob Geldof esteve hoje em Lisboa para um encontro com o primeiro-ministro José Sócrates no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia, no palácio de S. Bento. À saída ainda brincou com a oferta: «Se calhar é de plástico...». » [Portugal Diário]

Parecer:

Eu não me admiraria mesmo nada!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Sócrates porque não aproveitou para oferecer um portátil da TMN a Bob Geldof.»

CADA PORTUGUÊS PAGA 33 EUROS/MÊS PELA RTP?

«Este valor deve-se às contribuições anuais que o Estado e os consumidores de electricidade fazem para o canal, no âmbito do acordo de serviço público, diz o «Diário de Notícias».

No total dos últimos cinco anos, durante o mandato da actual administração, a RTP recebeu 1,2 mil milhões de euros em indemnização compensatória, contribuição audiovisual e num aumento de capital, aprovado pelo Governo em 2005, de acordo com os relatórios e contas da estação. » [Agência Financeira]

Parecer:

Convenhamos que é um disparate que justifica o comentário do amigo que me alertou para a notícia:

« Quando em 1993 o Ministro Couto dos Santos dizia que cada estudante universitário custava aos contribuintes 200 Euros / Ano não faltavam pessoas a insultar os estudantes na rua e a querer que os mesmos pagassem propinas... ERA uma INJUSTIÇA SOCIAL...

Agora para andar na universidade é preciso pagar... fazer um empréstimo (que o governo até incentiva os estudantes a fazerem) para pagar as propinas e ficar com uma dívida no banco até vários anos depois de terminarem o curso...

Se 200 Euros / Ano a serem aplicados no ENSINO, ERA uma INJUSTIÇA SOCIAL... Por que é que agora os 400 Euros / Ano num canal de televisão não o são ? Onde estão as pessoas na rua a protestarem com quem ve a RTP ? Porque não pagam "propinas" os contribuintes que querem ver a RTP ? Já não é uma injustiça social, tirarem 400 Euros do MEU IRS, para aplicarem num canal que nem vejo !?* Onde estão os jornalistas a mostrarem esta notícia todos os dias, com especialistas na matéria a fazerem cálculos da injustiça social ?»

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Compare-se o valor como preço dos computadores TMN que transformaram o Governo numa agência da DHL.»

EUA: PADRE CATÓLICO COMPROU JAGUAR E JÓIAS CARTIER COM OS DONATIVOS

«Según documentos difundidos por la propia diócesis, Fay, quien renunció a su cargo el año pasado, compraba ropa en los comercios de Nueva York, conducía un automóvil Jaguar, compraba joyas en una tienda de Cartier y pagó más de 130.000 dólares en gastos de hotel.

La diócesis señaló que también se gastó más de 20.000 dólares en una fiesta para celebrar los 25 años de su ordenación y compró un apartamento en un condominio en el estado de Florida y otro en la ciudad de Filadelfia (Pensilvania).» [20 Minutos]

O JUMENTO NO OUTROS BLOGUES

  1. "O Viseu" incluíu O Jumento na sua "corrente da amizade" mais uma iniciativa com o fim de dinamizar a blogosfera. Obrigado.
  2. O "Macroscópio" acha que mimei o casal Mc Cann.
  3. O "Alcáçovas" pescou imagens de premonições do 11 de Setembro.
  4. O "Portugal e outras touradas" sugere a leitura do post dedicado às nossas nano personagens.
  5. O "Apanha-Moscas" noticia uma "operação" contra transgénicos.

SERGIO RAETSKY

JULIA IWO

STYUSH

SLINKY

NATALIA BRONETEMKINA

O iPOD MAIS CARO DO MUNDO

«Música de lujo. Presentación en Oslo del iPod más caro del mundo, hecho a mano con 430 diamantes y oro de 18 quilates. Será subastado en Londres en marzo del año que viene, los beneficios sean donados a una asociación de caridad.» [20 Minutos]

ELEVANDO UM CARRO COM MANGUEIRAS

A NAMORADA DO PRÍNCIPE HENRY TIRA AS MEDIDAS À AMIGA

«Un nuevo escándalo sacude a la Familia Real Británica. Si hace escasos días que el príncipe Enrique protagonizaba una polémica al amenazar a un fotógrafo, ahora es su novia la que hace tambalear los cimientos de la dignidad monárquica.» [20 Minutos]

CONO TRANSPORTAR DUAS VACAS

COMO ESTACIONAR O CARRO

VÍDEOS PUBLICITÁRIOS

(via Vencidad Grafica)

McDONALD'S

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Advertising Agency: DDB Stockholm, Sweden
Creative director: Andreas Dahlqvist
Copywriter: Magnus Jakobsson
Art Director: Fredrik Simonsson
Production: Markus Hallgren
Accountmanager: Joachim Levin
Retouch: Johanna Karsten
Photographer: The Jens

WORLD PRESS PHOTO

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TAMPA CARGO

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Advertising Agency: Young & Rubicam Colombia
Creative Directors: Rafael Barthaburu, Jaime Duque
Art Director: Jaime Duque, Luis Augusto López
Copywriter: Juan Camilo Valdivieso
Photographer: Javier Crespo.