sábado, março 29, 2008

A política fiscal da oposição


Se a baixa do IVA decidida pelo governo pode ser criticada por ineficaz e eleitoralista, as posições assumidas pelos partidos da oposição podem ser consideradas ridículas.

É evidente que as políticas dos governos tendem a visar objectivos eleitorais, a sua acção é avaliada nas eleições pelo que não é de admirar que adoptem as medidas simpáticas a tempo de os eleitores se recordarem. É a lógica da democracia, todos os governos que cumpriram legislaturas assim o fizeram, os governos de Cavaco Silva foram disso um bom exemplo.

Parece que para os partidos da oposição o governo deveria ter feito ao contrário, primeiro baixava os impostos e quando se aproximassem as eleições procederiam a um aumento da carga fiscal. Na pior das hipóteses deveria abster-se de descer quaisquer impostos antes das eleições. Mas como não podem assumir esta posição ou exigem uma redução impossível ou assumem uma postura de “responsabilidade” e defendem que este não seria o momento ideal.

A verdade é que a oposição não soube criticar o governo quando este aumentou alguns impostos, como não soube criticar agora que os desceu, pior ainda, foi incapaz de apresentar uma crítica consistente à política económica seguida nestes três anos. Chega-se ao cúmulo de alguns que criticaram a decisão de Pina Moura de reduzir a receita fiscal para manter os preços dos combustíveis, são os que mais criticaram a política económica de António Guterres e agora mais se queixa de alguns portugueses irem abastecer-se de combustíveis a Espanha.

É uma pena que num domínio tão importante como a política fiscal a oposição seja incapaz de apresentar uma política alternativa e, como se isso não bastasse, opta por uma estratégia tão pouco séria como seria o eleitoralismo de que acusa o governo.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Staticman na Rua Augusta, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Daniel Berehulak/Getty Images]

«The French president and first lady shared a tender moment between official duties in the back of the Aurora Clipper as it headed for Greenwich.» [The New York Times]

JUMENTO DO DIA

Um primeiro-ministro investido de autoridade moral

Sócrates respondeu às críticas de Luís Cunha defendeu que só tem autoridade moral para descer impostos quem criou as condições para o fazer. Se há uma autoridade moral para descer impostos coloca-se a questão de saber quem tem a mesma autoridade moral para os descer. Será quem prometeu não o fazer.

Se Sócrates pretende fundamentar as suas decisões com base na existência de um poder divino resultante de uma suposta autoridade moral é melhor que use capacete pois vão partir-se muitas telhas de vidro por cima da sua cabeça.

ADOLESCENTES INIMPUTÁVEIS E TEVÊS

«Se calhar para Pinto Monteiro é muito mais grave uma aluna de 15 anos fazer uma birra numa sala de aula e cometer um acto de indisciplina, em que não só não se pode falar com propriedade de agressão como nem sequer se ouve um insulto para amostra, e este ser filmado por um colega da mesma idade que a seguir descarrega as imagens na Net, do que haver empresas de TV, incluindo a pública, que usam o vídeo ilegal até à náusea, com a agravante de nas primeiras passagens nem sequer terem tido o cuidado de ocultar as caras dos intervenientes. Se calhar o procurador não vê que a professora é muito mais humilhada pela repetição do vídeo que pelo ocorrido na aula. Ou então vê mas acha que é melhor nem levantar a questão, não vá alguém achar - e há sempre gente a achar estas coisas - que a sua tentativa de defesa da legalidade e dos preceitos constitucionais de direito à imagem seriam uma tentativa de coarctar "a liberdade de expressão e informação" e que "o interesse público" justifica tudo - doa a quem doer. Ainda por cima, o CP diz que o crime previsto no artigo 199.º -"gravação e fotografias ilícitas"-, punido com pena de prisão até um ano e multa até 240 dias (agravadas num terço quando efectuadas para obter recompensa ou enriquecimento ou quando o meio de difusão seja a comunicação social), depende de queixa. E parece que ainda ninguém se queixou - só há uma professora em cacos e uma rapariga tratada como criminosa e transformada em poster girl da "violência escolar" e "do estado a que nós chegámos". Nada que importe quando o que é importante é "dar o exemplo" e "sensibilizar as pessoas". Ou será insensibilizar?» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O NOVO CASAMENTO

«(...) Infelizmente, não ocorreu ao PS (como antes não tinha ocorrido ao Bloco) que o novo casamento, se merece a palavra, só beneficia a classe média próspera. E, dentro da classe média próspera, beneficia o homem mais do que a mulher, porque evidentemente o homem ganha em média mais do que a mulher. Quanto à multidão que sobra, e pela mesma razão, a vantagem do homem é arrasadora. Fora que o mercado de trabalho favorece o homem e desfavorece a mulher (invariavelmente a última contratada e a primeira despedida) e que a mulher fica em geral com os filhos, um encargo sem preço. Dito isto, falta esclarecer um mistério: para que serve agora o casamento de homossexuais? » [Público assinantes]

Parecer:

Por Vasco Pulido Valente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PARQUÍMETROS E VIOLÊNCIA ESCOLAR

«Os jornais davam até há anos regularmente sinal de que os parquímetros, na generalidade das ruas lisboetas, eram vandalizados. A experiência comum de qualquer automobilista que quisesse cumprir os seus deveres, quando estacionava, apontava no mesmo sentido. A opinião dominante era que nada havia a fazer: os "moedinhas" vandalizavam para continuarem a receber gratificações por um serviço que em regra nem era solicitado e, dizia-se, grupos de cidadãos do Leste estavam organizados para abrir com violência as caixas onde se depositavam as moedas e com regularidade (dizia-se que de duas em duas horas) as iam esvaziando. Sem justiça social, nada a fazer, diziam psicológos encartados.

Por outro lado, os graffiti, mais ou menos artísticos (na opinião dos seus autores), inundavam paredes de Lisboa, afectando - por vezes de forma dificilmente reparável - património alheio com valor histórico e dando uma imagem de Lisboa como cidade degradada e porcalhona. Também aqui nada a fazer: a liberdade e a criatividade eram mais importantes do que a propriedade ou a limpeza.

As calçadas de Lisboa, que já estiveram ao rubro, estavam sujas, esburacadas, com passeios destruídos, dando um exemplo de área urbana de Terceiro Mundo, onde não apetece passear porque torcer um pé ou pisar lixo conspurcante eram o pão nosso de cada dia. Ainda aqui, nada a fazer: a CML não tinha dinheiro e os trabalhadores camarários eram excessivos, mas não serviam para este tipo de tarefas.

Apesar disso, dizem-me que está na prática resolvido o problema dos parquímetros, devido ao trabalho de brigadas sistematicamente atentas às reparações, não permitindo a rentável colecta das moedas por gangs mais ou menos organizados, sendo a recolha das moedas feita pelos profissionais para o efeito contratados pela EMEL.

Sei também de casos em que os proprietários de prédios, substituindo-se à ineficácia da CML, mandam limpar os graffiti logo após a sua produção e com isso os "artistas" que dão cabo do património alheio acabam por desistir: gastar tintas para laboriosos desenhos que não duram um dia torna-se desmotivador.

Em algumas zonas de Lisboa começa a notar-se que os buracos são tapados e o lixo é retirado, parecendo que nesses lugares as coisas não voltam ao ponto em que se encontravam, talvez porque a selvajaria dos portugueses se envergonhe quando as autoridades não pactuam com a pouca-vergonha.

Vem tudo isto a propósito da violência sobre professores e da indisciplina reinante nas escolas. Trogloditas de várias idades, selvagenzinhos habituados a que tudo lhes seja tolerado, impunes e com sensação de impunidade, apoiados por psicológos entontecidos e com teorias desculpabilizadoras, mal-educados e habituados à violência, fazem com que se instale nas escolas algo semelhante ao problema dos parquímetros, dos graffiti, e das ruas emporcalhadas.

Também nas escolas se pactua demasiado com esta bandalheira: a pretensa origem social dos problemas, a tese peregrina de que os problemas são "pontuais", a falta de coragem dos responsáveis, o facilitismo e a convicção de que não vale a pena tentar lutar contra isto, tudo se acumula para que o sistema esteja a degradar-se cada dia mais. Como acontecia com os parquímetros, antes de haver quem se tenha convencido de que não se poderia tolerar a situação e com determinação ter atacado o mal e desse modo se resolvendo ou minorando muito os seus efeitos.

E o que ocorre nas escolas é muito mais grave do que nos outros exemplos que trouxe à colação. Em cada ano que passa sem que se crie disciplina, rigor e hábitos de trabalho nas escolas, a degradação acentua-se. A desmotivação dos professores, a convicção dos jovens de que nada lhes pode ser pedido, a diminuição dos graus de exigência estão a destruir o futuro e a consolidar um ciclo vicioso de degradação.

É preciso por isso atalhar e depressa este estado de coisas. É preciso que os professores assumam as suas responsabilidades, que exijam condições para a disciplina, que denunciem a pusilanimidade que exista. É preciso que o absurdo Estatuto do Aluno seja revisto; é inadmíssivel que um estudante que faça o que se fez no Carolina Michaëlis (ou pior) só possa ser punido com dez dias de suspensão (mas com isso nenhum resultado nefasto terá) ou deslocado para outra escola! É preciso que os alunos possam chumbar por faltas, possam chumbar por falta de preparação, sintam na pele (eles e os paizinhos) que as coisas doem e não julguem que tanto faz trabalhar como não trabalhar porque o resultado final é sempre idêntico, a promoção automática para o ano seguinte.

É preciso também que os professores alterem a sua forma de enfrentar este tipo de problemas. O facto da professora ofendida por causa do telemóvel só ter participado depois dos factos surgirem no YouTube é sintomático: quantos professores preferem não fazer ondas, pactuar com a indisciplina, aceitar a anarquia, ceder ao medo e aos selvagens, em vez de os denunciar?

E os conselhos directivos também têm de mudar de vida. É inadmissível que prefiram silenciar as queixas de professores, funcionários e outros alunos, refugiando-se na estúpida teoria de que são situações pontuais, que se não pode criar alarme social, que são coisas de crianças, que o problema é da sociedade. É que esta maneira de agir desmotiva os professores e todos os que estejam dispostos a não ceder aos brutos, aos mal-educados, aos selvagens, aos que destroem a viabilidade de um ambiente que permita o desenvolvimento escolar.

O problema é geral e tem de ser enfrentado. Portugal não pode continuar a ser um território de bandalheira, de falta de rigor, sem exigência, em que se sente que não vale a pena cumprir as regras, respeitar as leis, trabalhar com dedicação. Ou então voltem a deixar rebentar com os parquímetros todos os dias.» [Público assinantes]

Parecer:

Por José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

GRANDE CONQUISTA DA LIBERDADE EM CUBA

«Cuba anunció el viernes que permitirá sin restricciones el uso de la telefonía móvil para los ciudadanos del país, en una de las medidas más recientes del nuevo presidente, Raúl Castro.

La utilización legal de teléfonos móviles estaba exclusivamente reservada hasta ahora para los extranjeros y para los funcionarios gubernamentales.» [20 Minutos]

Parecer:

Terá sido uma consequência da marcha pela liberdade que o senhor Sousa organizou em Lisboa? Depois de os agricultores cubanos poderem comprar botas até já podem usar um telemóvel, com tanta democracia ainda se vão lembrar de eleger os governantes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao senhor Sousa que proponha que esta ampla liberdade do povo cubano também seja concedida ao povo português, que segundo as suas posições vive numa democracia doente.»

ESPANHA NÃO BOICOTARÁ OS JOGOS OLÍMPICOS

«El ministro de Asuntos Exteriores español en funciones, Miguel Ángel Moratinos, ha anunciado que España no boicoteará los Juegos Olímpicos de Pekín por la violencia en el Tíbet y abogó por "recuperar el espíritu olímpico", aunque no aclaró si se participará en la ceremonia de apertura.

"Los Juegos Olímpicos son la mejor plataforma para eliminar controversias, crisis y favorecer el diálogo, por lo que no hay que boicotear, sino precisamente recuperar lo que tiene de fuerza ese espíritu olímpico", defendió Moratinos a su llegada al Consejo informal de Ministros de Asuntos Exteriores que se celebra hoy y mañana en Brdo (Eslovenia).» [20 Minutos]

Parecer:

Bem não foi tão longe como o governo português, talvez não tenham tanta consideração pela bandeira espanhola como o nosso ministro da Presidência parece ter pela bandeira portuguesa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Desaprove-se.»

IGREJA INCOMODADA COM O "FACILITISMO" NOS DIVÓRCIOS

«Questionado pelo DN sobre as iniciativas legislativas do Bloco de Esquerda e do PS, o bispo D. Carlos Azevedo, porta-voz da conferência episcopal, falou em "facilitismo". "Não se pode considerar o facilitismo seja algo construtor de uma sociedade melhor", prosseguiu o bispo. "O facilitismo não ajuda as pessoas. E a lei tem uma função pedagógica nisso, ajuda as pessoas a pensarem bem antes de darem o primeiro passo."» [Diário de Notícias]

Parecer:

Esta posição da Igreja Católica é, no mínimo hipócrita, a igreja opõe-se a que seja facilitada a separação nos casamentos civis que ela própria nem reconhece.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se aos bispos que se preocupem com os casamentos ministrados pela igreja.»

MENEZES CRIA TASK-FORCE PARA O AJUDAR

«Luís Filipe Menezes vai ter uma espécie de task-force a ajudá-lo diariamente. A ideia já está a ser posta em prática e os membros desse órgão informal foram já convidados, sabe o DN. Os pelouros atribuídos a cada um dos membros terão uma repartição de âmbito regional (por zonas, no País todo).

Na segunda-feira, Menezes jantou no restaurante Mercado do Peixe, em Lisboa, com alguns dos membros da nova estrutura e ao café juntou-se a eles Pedro Santana Lopes, líder parlamentar do PSD. O líder laranja explicou os contornos da ideia a Virgílio Costa (vice de Santana na bancada) e Helena Lopes da Costa (antiga vice-presidente de Durão Barroso e candidata derrotada à distrital de Lisboa, contra Carlos Carreiras), dois dos convidados para a task-force. No jantar esteve, para além de Santana Lopes, Rui Gomes da Silva, um dos vice-presidentes do partido, que tem ganho cada vez maior influência.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Pelo padrão do seu discurso político faria mais sentido uma tasca-force, até porque já conta com uma disco-force no parlamento.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Menezes a criação de uma tasca-force.»

JÁ REPARARAM NA CAMPANHA DA TESA

«George W. Bush é um campeão de gaffes, o que é um facto reconhecido a nível internacional. Foi talvez este o ponto de partida para uma campanha publicitária, muito bem humorada da agência brasileira Heads e que dá pelo nome de "Políticos", desenvolvida para a Tesa, empresa fabricante de fitas adesivas. A campanha até já ganhou vários prémios publicitários no Brasil e vai, segundo o Meios & Publicidade, ser levada a concurso ao festival de publicidade de Cannes.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Já há alguns dias que tinha sido colocada neste humilde palheiro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se aos jornais se andam distraídos.»

NÃO FAÇAS O QUE EU FIZ

«Foi a partir "de dentro", da sua experiência como ministra da Saúde e dirigente do PSD, que Leonor Beleza acusou ontem os chamados "partidos do poder" de se terem entendido na "conveniente posição de que os quadros de topo da administração pública constituem um troféu de quem ganha as eleições". » [Público assinantes]

Parecer:

Leonor Beleza esqueceu-se do que fez enquanto ministra.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Leonor Beleza quantos familiares colocou no ministério da Saúde.»

O EX-GOVERNADOR DE NOVA IORQUE TAMBÉM GOSTAVA DE LOURAS

«A Eliot Spitzer, el recién dimitido gobernador de Nueva York, no sólo le iban las morenas. Sus encuentros con Kristen, una prostituta de lujo de 22 años a quién pagó miles de dólares, desataron la investigación federal que destapó una red internacional de prostitución y acabó en sólo 48 horas con su meteórica carrera.» [20 Minutos]

iPHONE 3G VAI SER LANÇADO EM JUNHO

«Apple espera lanzar un iPhone diseñado para conectarse a Internet de banda superancha en el segundo trimestre de 2008 y tiene previsto producir ocho millones de unidades en el tercer trimestre, según uno de los analistas del Bank of America, Scott Craig.

"Nuestros canales de control indican que habrá una significativa producción de iPhone de tercera generación que comenzará en junio tras una partida inicial de menor magnitud en mayo", asegura esta institución en una nota a sus clientes.» [El Pais]

CARTOON: "A LIBERTAÇÃO DO IRAQUE VAI SER UM PASSEIO"

ELEFANTE PINTA UM AUTO-RETRATO

O. SHELEGEDA

ESCULTURA DE AREIA

MACACO MOTARD

A TAMPAX APOIA HILLARY CLINTON

AD COUNCIL

sexta-feira, março 28, 2008

Overdose de educação


O caso da Carolina Michaelis vem pôr em evidência a forma como os portugueses discutem e não resolvem os problemas. Estão a tomar uma overdose de problemas da educação, todos os grupos envolvidos aproveitam para obter pontos para as suas lutas tribais, todos somos especialistas em violência nas escolas (da mesma forma que somos especialistas em tsunamis, localização de aeroportos, quedas de pontes, avaliação de professores, combate à criminalidade, ordenamento do território, cheias e enxurradas e muitos outros domínios das tecnologias ou da sociologia).

Daqui a alguns dias um qualquer jornal avança com uma primeira página que desperta a indignação colectiva, damos o assunto da indisciplina nas escolas por resolvido e os nossos dez milhões de especialistas vão discutir o novo tema, talvez a questão da terceira travessia do Tejo, do aumento do preço dos produtos agrícolas ou, se outro assunto não surgir, teremos sempre a oportunidade de debater o preço do crude ou as idas às bombas de gasolina espanholas.

Por agora vamos resolver o problema da indisciplina e explicações e soluções para o fenómeno não faltam. Para o bastonário da Ordem dos Advogados o problema resolve-se à semelhança da justiça desportiva, se um aluno rasteirar a professora leva um amarelo, que a rasteira for por trás leva um vermelho e se a falta tiver ficado por assinalar mas as imagens foram colocadas no Youtube avança-se com um processo sumaríssimo. Para o conselho executivo da escola Carolina Michaelis a solução foi sábia, entendeu que problema que não se conhece é problema resolvido, optou por abafar o assunto, como se este jogo tivesse ocorrido no tempo em que não se faziam filmagens. O PGR achou que a escola é o primeiro estádio da aprendizagem da criminalidade pelo que é de pequenino que se torce o pepino, aplica-se o Código Penal dos pequeninos, isto é, julga-se em Tribunal de Menores. Para o sindicato a situação é fácil de encontrar, socorrendo-se dos seus conhecimentos do socialismo científico o líder da Fenprof depressa descobriu que nem professores, nem alunos eram culpados, ambos os grupos são vítimas do mesmo inimigo, os fenómenos do ensino são facilmente explicados à luz da dialética das luta de classe que no ensino se traduz pela existência de duas barricadas, de um lado está o patrão governo e do outro todos que participam nas escolas.

É bom recordar que antes da dialéctica da luta de classe se ter transferido para a avaliação dos professores a questão da violência nas escolas esteve no centro das preocupações nacionais, durante duas ou três semanas não se falou de outra coisa. Lembro-me que até foi criada uma linha azul para os professores denunciarem situações de violência.

Como é costume em Portugal o problema está em vias de solução, a não ser que alguém se lembre de propor que a tropa além de ajudar no combate aos incêndios e de assegurar a segurança num quarteirão de uma cidade do Kosovo também deve disponibilizar alguns dos velhos Panhard para assegurarem a tranquilidade nas escolas. A matulona do Carolina Michaelis vai agredir os professores de outra escola mas desta vez sem vídeos no Youtube, a progenitora vai deixar de fazer telefonemas ao rebento na hora das aulas, o conselho executivo regressa à tranquilidade, o bastonário da Ordem vai preocupar-se com o mapa judiciário, o Procurador-Geral vai reflectir sobre a sua próxima entrevista que desta vez deverá ser dada a uma estação de televisão depois de ter sido vedeta no Expresso e no Sol, o líder da Fenprof vai actualizar a lista de contactos do telemóvel para organizar a próxima manifestação espontânea, o secretário de estado vai reparar o penteado pois os safanões dados pela matulona desarranjaram alguns caracóis.

Em suma, o problema está resolvido.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Tocando no Rossio, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Greg Baker/Associated Press]

«Paramilitary police forces guarded the team buses after the World Cup soccer qualifying match between Australia and China in Kunming, Yunnan Province, in southwestern China. The match ended in a 0-0 draw.» [The New York Times]

JUMENTO DO DIA

A novidade do dia

Luís Filipe Menezes não só mostrou que consegue dar uns toques na bola como já deixou de contabilizar investimentos em quilómetros de auto-estrada, ontem propôs uma medida e conseguiu prever os seus custos em euros, ouviram bem, em euros. Até fiquei com a impressão de que para Menezes foi mais importante mostrar-nos que já conseguia fazer contas em euros do o que programa que se lembrou de apresentar e que na próxima semana já terá sido esquecido.

LOGOS DOS JOGOS DE PEQUIM

BOICOTAR OU NÃO OS JOGOS OLÍMPICOS?

Em relação aos acontecimentos recentes no Tibete vão-se desenhando duas posições claras quanto ao boicote dos Jogos Olímpicos de Pequim, os que defendem que a presença inflige maiores incómodos ao regime chinês e os que são pelo seu boicote.

Os que defendem a realização dos jogos têm alguma razão nos seus argumentos, a presença nos jogos poderá ser uma oportunidade de os aproveitar contra o regime. Partem do pressuposto de que com o boicote se prejudicariam os atletas e perder-se-ia essa oportunidade de prejudicar um regime repressivo.

Esta posição revela alguma ingenuidade, quase somos levados a pensar que os jogos são um pesadelo para o regime chinês, enquanto o boicote seria um processo quase instantâneo que se esgotaria rapidamente. Se o que está em causa é denunciar um regime que não tem o menor respeito pelos direitos humanos, a não ser para efeitos cosméticos, o boicote será a melhor estratégia, é, aliás, a que mais preocupa os dirigentes chineses e os seus representantes oportunistas que por aí vão aparecendo.

Um boicote infligiria um prejuízo efectivo, impediria a China de mostrar o que quer como sendo o seu lado bom, faria perceber aos seus dirigentes que o desrespeito pelos direitos humanos tem um custo elevado. Ao contrário do que alguns parecem dar a entender, um boicote seria um processo moroso que obrigaria muitos governos a assobiar para o ar a tomarem uma posição, nem que o fizessem escondidos atrás de uma posição colectiva.

Se o que está em causa são os direitos humanos é o boicote a única solução defensável até porque a realização dos jogos na China é incompatível com o espírito olímpico, essa decisão só foi tomada porque os jogos se transformaram num imenso negócio onde os atletas pouco representam.

A realização dos jogos acabará por favorecer a China, os protestos não passarão de manifestações marginais rapidamente apagadas por uma imensa máquina publicitária alimentada pelas grandes marcas desportivas. Os nacionalismos empenhados em conquistar medalhas não vão querer que essas medalhas fiquem sujas por protestos. E quem se lembrar de protestar na própria China vai passar por uma má experiência.

Se queremos ser solidários com os tibetanos, com os que foram chacinados na Praça Tien An Men ou com os que são perseguidos pelo capitalismo de estado chinês a solução é o boicote. Ao menos ficamos a saber quem está contra e quem está a favor.

O PCP, O TIBETE E A MATULONA DO CAROLINA MICHAELIS

Foi preciso ir ler um artigo de opinião sobre os acontecimentos na escola do Porto para conseguir ler algumas palavras de alguém do PCP sobre o que está a acontecer no Tibete. Vale a pena ler no Avante, na secção "argumentos":

«Forçosamente vinculada à televisão e aos seus conteúdos, esta dupla coluna estava hoje praticamente obrigada a abordar um de dois assuntos que recentemente dominaram a TV que nos é fornecida: a ofensiva desencadeada contra a China a partir das perturbações no Tibete e o «motim» havido na Escola Carolina Michaëllis com a quase-agressão de uma aluna à professora de Francês. Sendo preciso escolher entre um e outro tema, parece mais prudente preferir o do Porto ao do Tibete, não por este ficar substancialmente mais longe mas sim para evitar que as más-línguas do costume disparem as habituais acusações de anti-americanismo selvagem e/ou de subserviente apoio a um país dirigido por um partido comunista. Quanto a isto, registarei que até na televisão alguém disse, ainda que discretamente, que nunca, em nenhum tempo histórico, o Tibete foi independente, sempre tendo sido considerado parte integrante da China. Quanto ao resto, que é vasto mas não é misterioso, resta desejar que os Jogos Olímpicos se realizem em Pequim, como o Dalai Lama afirma desejar, e que a representação norte-americana seja lá muito feliz. Tal como todas as outras, naturalmente. Arrumada assim essa questão, é tempo de passar ao caso do Porto que, como se sabe, escandalizou e emocionou o País. »

Para o PCP, já que o artigo não é assinado esta só pode ser entendida como uma posição do PCP, no Tibete ocorreram perturbações e o que sucedeu na escola Carolina Michaelis foi nada menos que um «motim». Para o PCP os mortos do Tibete apenas perturbaram, o que importa analisar foi a "quase agressão" da aluna à professora.

Como o papel é escasso o PCP teve que escolher o tema a que dedicar a coluna, achou mais prudente tomar posição sobre a matulona para evitar as más línguas, até porque a questão do Tibete nem existe, o PCP resolveu facilmente a questão, alguém na Soeiro Pereira Gomes ligou a televisão e "ouviu alguém" dizer que o Tibete nunca foi independente. Se alguém o disse está feita a confirmação histórica, se algum tibetano protestar qualquer militar ou polícia tem todo o direito de lhe dar nos cornos ou mesmo mandá-lo desta para melhor, porque para os "nossos" modelos de virtudes democráticas do PCP isso não passará de uma perturbação, nada comparável com um tabefe ou um empurrão dado por uma matulona do Carolina Michaelis.

Bolas, tanta hipocrisia, o Avante agora avalia os direitos de uma nação por aquilo que alguém disse na televisão? Será que na televisão da sede do PCP não passam as notícias sobre os raptados das FARC, sobre o que sucedeu no Tibete ou na Praça de Tien An Men, para não falar da miséria da Coreia do Norte tão apreciada pelo Bernardino Soares?

Este PCP não sofre de ortodoxia, tem uma grave problema de arteriosclerose múltipla, não consegue justificar o seu sonho de comunsimo sem ter que apoiar e aprovar os abusos e assassínios de algumas ditaduras ou candiodatos a ditadores.

A DEMOCRACIA BOICOTADA

«As respostas demasiado suaves à crise do Tibete são um mau indício de algo que está a mudar no mundo. 2008 já não é 1989. Passaram quase duas décadas desde o ano mágico dos protestos de Tiananmen e da queda do Muro de Berlim e da hipótese da democracia universal que abriram. Essa paixão arrefeceu e os silêncios insistentes em torno dos protestos dos últimos dias mostram-no. Sim, Sarkozy falou em boicote, depois amaciou o discurso, o suficiente para ouvir uma reprimenda pesada de Pequim - o Tibete, permitiram-se dizer, é como os subúrbios de Paris. Disse pouco, mas foi o único. E não é só o realismo puro e duro que parece estar a tolher as democracias. Claro, há o peso económico da China, certo há o peso de Pequim no delicado teatro das relações mundiais e tudo isso evidentemente conta. Mas há pelo menos uma coisa pior do que o realismo: a resignação, ou a constatação da incapacidade das democracias em tornar real o mítico fim liberal da história que Francis Fukuyama inventou como alternativa ao mítico fim marxista da história. Mas Marx e Fukuyama beberam as suas ilusões aparentemente antinómicas na mesma fonte: a crença falaciosa na inevitabilidade do progresso. Sim, a história move-se, mas nem tudo o que se movimenta tem um destino. (...)» [Público assinantes]

Parecer:

Por Miguel Gaspar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

33 MIL UTENTES DO SNS RECUSAM VALES-CIRURGIA

«Nos últimos três anos, quase 33 mil doentes recusaram ser operados fora do seu hospital de origem, rejeitando a utilização dos chamados vales-cirurgia em hospitais privados ou do sector social. Em causa estão três grandes motivos, um dos quais "o facto de os doentes gostarem dos seus médicos", afirma Pedro Gomes, coordenador do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC). Os doentes com situações menos críticas são os que optam por se manter nas listas de espera.» [Diário de Notícias]

Parecer:

É porque não precisam assim tanto de ser operados.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Que vão pedir ao autarca local para os levar a Cuba.»

PROCURADOR DISTRITAL DIZ QUE FOI INDISCIPLINA

«O incidente causado pela disputa de um telemóvel no interior da sala de aula, envolvendo uma professora e uma aluna da Escola Secundária Carolina Michaëlis, "não é um crime, é um acto de indisciplina", disse ao DN o procurador distrital do Porto, Pinto Nogueira.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Se aquilo que aparece no vídeo é indisciplina o que será uma agressão?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao procurador-distrital.»

A MATULONA DO CAROLINA MICHAELIS FOI TRANSFERIDA

«Patrícia e Rafael, a aluna que agrediu a professora de Francês na Escola Secundária Carolina Michaelis e o colega que filmou o incidente, foram transferidos de escola. Os alunos conheceram ontem a sanção, mas ainda não sabem qual é o estabelecimento de ensino que vão frequentar. "Não quero falar disso", disse o jovem ao CM, enquanto a mãe de Patrícia também foi parca em palavras.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Isto é, nada lhe aconteceu.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereçam-se capacetes aos professores da nova escola da menina.»

SOMAGUE VAI TER QUE PAGAR A MULTA

«O Tribunal Constitucional (TC) indeferiu a reclamação da empresa Somague quanto à coima de 600 mil euros, decretada pelo TC após ter sido comprovado um financiamento ilícito ao PSD, durante as eleições autárquicas de 2001. Findo, assim, o processo, resta agora àquela empresa pagar a referida multa.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Estava-se mesmo a ver que o recurso apenas poderia servir para adiar a decisão.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

O GOVERNO VAI ESTAR PRESENTE NA ABERTURA DOS JOGOS

«O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, garantiu esta terça-feira que o Governo Português tem a intenção de estar representado na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, escreve a agência Lusa.

O ministro declarou ainda que «onde desfila a bandeira portuguesa os governantes de Portugal, por princípio, podem e devem estar presentes», frisando que não se trata de «uma cerimónia de abertura da China». » [Portugal Diário]

Parecer:

Ter coragem para fazer o contrário é que seria razão de espanto.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao ministro se não acha que está a falar cedo demais.»

PROFESSORA APRESENTA QUEIXA CONTRA A MATULONA DO CAROLINA MICHAELIS

«A professora da Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, que foi alegadamente vítima de agressão por uma aluna formalizou hoje uma queixa judicial contra a jovem. Além da estudante, a docente apresentou ainda uma queixa contra a turma onde ocorreu o incidente e um pedido de responsabilização para dois alunos maiores de 16 anos.» [Público assinantes]

Parecer:

O que dirão agora o bastonário da Ordem dos Advogados e o Procurador Distrital do Porto?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se a decisão da ministra.»

TÊM QUE ATRAVESSAR UM RIO COM CROCODILOS PARA IREM À ESCOLA

«Estudantes de um vilarejo na África do Sul são obrigados a cruzar um rio cheio de crocodilos a nado ou em bóias para freqüentar a escola.

Os moradores exigem a construção de uma ponte porque crianças de até 7 anos de idade passaram a ter de cruzar o rio depois que o barco que levava os moradores à outra margem foi roubado. » [BBC Brasil]

Parecer:

Que contraste com aquilo que ouço sobre as nossas escolas...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Transfira-se para essa escola as matulonas das nossas escolas.»

ADOBE LANÇA PHOTOSHOP EXPRESS ONLINE GRÁTIS

«Tal y como se anunció hace algún tiempo, Adobe ha presentado Photoshop Express, la versión gratuita y online de su conocido editor de imágenes, según recogen en News.com.

Photoshop Express, que estará un tiempo en periodo de pruebas, tiene 2GB de capacidad y necesita Flash Player 9 para funcionar.» [20 Minutos]

O MINISTRO DAS FINANÇAS VAI VIGIAR O QUÊ

Ao ouvir o ministro das Finanças dizer que ia vigiar os preços para se assegurar que a redução da taxa do IVA se vai repercutir nos preços quase dei uma gargalhada, o mesmo ministro que não conseguiu que os ginásios repercutissem uma redução imediata de 13% do iva aplicável ao sector vai agora conseguir vigiar uma redução de 1% na generalidade dos sectores? E com base em que lei o ministro pode obrigar um comerciante a reduzir os preços? Há aqui qualquer coisa de errado, quando o IVA baixou 13% para os ginásios os governantes justificaram-se dizendo que não podiam controlar os preços.

Sejamos honestos, quando até que a redução do IVA entre em vigor só a inflação poderá subir mais do que 0,5%, até pode suceder que nalguns meses a inflação possa ter aumentos superiores.

O ministro vai controlar o quê?

O JUMENTO NO TECHNORATI

  1. O "Não há mal que não se cure", "A sombra do Convento", o "Pensamentos" e o "PS Lumiar" também não acha que o professor Charrua seja agora o modelo das virtudes docentes.
  2. O "Alcáçovas" pescou a imagem de Bush feita com retratos dos soldados americanos mortos no Iraque.
  3. O "Alcáçovas" pescou duas imagens relativas aos jogos de Pequim.
  4. O "Burriqueiro" pescou um vídeo feito na Grand Central de Nova Iorque.
  5. "A Barbearia do Senhor Luís" sugere a leitura do post "os jogos da hipocrisia".
  6. O "The Watchdog" gostou de um cartaz publcitário da Tesa que manda calar Sócrates.
  7. O "Aragem do Sul" foi incluído na lista de links d'O Jumento.

NO "RAIM´S BLOG": "BEIJING I"



NO "SOBRE O TEMPO QUE PASSA"

A ler "enquanto o pau vai e vem folgam as costas":

«Ontem no tradicional "Quadratura do Círculo" gostei de ouvir os comentários de Pacheco Pereira e Jorge Coelho, denunciarem a «tendência para o silêncio cúmplice» que pressiona os professores a não apresentar queixas sobre a a vérmica violência que afecta as escolas. É assim natural que as estatísticas oficiais sobre a matéria não sejam capaz de fotografar a realidade. Apenas acrescentaria que tal acontece não apenas com alunos problemáticos contra professores, mas também com muitos outros segmentos de violação do Estado de Direito em todo o tipo de escolas, nomeadamente no ensino universitário. Eu até já vi actuais e antigos responsáveis políticos e administrativos de certas escolas emitirem solenes declarações tipo "enquanto o pau vai e vem folgam as costas", e dizendo, sobre aqueles que se sentem violados nos seus direitos, para eles irem para os tribunais, porque enquanto estes, dentro de dez anos, ainda estarão a tentar julgar a coisa, já os gestores que gostavam de ser Almerindo Marques estarão a gozar as delícias da reforma, deixando na balbúrdia a coisa que quiseram reformar. Aliás, os donos do poder até recorrem a advogados pagos pelo orçamento que devia ser de todos, enquanto os queixosos têm que pagar a coisa do seu próprio bolso.»

GALA GALANKINA

ALKA SELTZER