sábado, maio 24, 2008

Bendita crise


Portugal carece de uma boa governação se quer ultrapassar os problemas que enfrenta, a crise que de agora se fala não é mais do que um pior moimento de uma crise que se prolonga há muitos anos. Nas últimas décadas o país foi mal governado, nunca foi capaz de realizar as reformas no seu momento certo, adiou sempre as soluções condicionando o desenvolvimento aos calendários eleitorais.

Ainda há dois meses já se falava de fartura, o governo baixou o IVA em 1% e no PSD já havia quem falasse em baixa-lo para 16%, para além da redução da generalidade dos impostos. Bastou o aliviar da crise financeira para que o país entrasse em bebedeira eleitoral, até as crisálidas do PSD acordaram antes de tempos perante o anúncio de uma primavera eleitoral.

O agravar da crise teve a vantagem de repor o juízo colectivo, o secretário de estado dos Assuntos Fiscais, já não anda a prometer descidas de IVA sem consultar a evolução das receitas, a direita já abandonou o choque fiscal limitando-se a propor pequenos curto-circuitos. Sócrates terá agora que mostrar que governa bem em vez de agendar medidas em função do calendário eleitoral.

Até os portugueses estão a ser confrontados com a necessidade de mudar de hábitos, com a subida dos combustíveis vão finalmente ser confrontados com a necessidade de mudarem de hábitos, terão que conduzir de forma a consumir menos e a abandonar o carro como símbolo ambulante de estatuto social.

Perante a crise dos preços das matérias-primas Portugal tem mesmo que se confrontar com as suas dificuldades, deixando-se de as iludir. É mesmo necessário responder à crise.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Festa do Avante 2005

IMAGEM DO DIA

[Eric Gaillard / Reuters]

«Descuidos íntimos. La artista Jasmine Lafitte descuida el vuelo de su vestido sobre la alfombra roja para la proyección de La Frontiere de l'Aube en el Festival de Cine de Cannes.
ESPECIAL: Todo sobre Cannes 2008 »
[20 Minutes]

JUMENTO DO DIA

O estranho argumento de Pacheco Pereira para escolher Ferreira Leite

As intervenções de Pacheco Pereira na última edição da Quadratura do Círculo são um exemplo perfeito de cinismo político e de populismo. O homem que durante tanto tempo combateu o populismo de Pedro Santana Lopes tem como único argumento as sondagens, acha que os militantes devem escolher o candidato que é mais popular junto dos eleitores, pouco importam as ideias ou as propostas, o que mais vale é a conquista de votos.

Aliás, Pacheco Pereira usa o mesmo argumento que Manuela Ferreira Leite que tenta dizer aos militantes do PSD que se não votarem nela estão excluídos das vantagens obtidas quando o PSD governa.

Mas pior do que isso foi a tentativa de Pacheco Pereira omitir a existência de Pedro Passos Coelho tentando bipolarizar a luta no PSD entre Ferreira Leite, uma tentativa desesperada de desviar votos de Passos Coelho para Santana. Com receio de Passos Coelho o ideólogo do cavaquismo snob tenta promover Santana Lopes, os mesmo que tentou destruir no passado recente.

Em matéria de princípios Pacheco Pereira não hesitou em fazer cedências na esperança de os seus regressarem ao poder. É aquilo a que se pode chamar coerência à Pacheco Pereira.

OLIGOPÓLIO OPORTUNISTA

Para caracterizarmos o mercado português teremos que criar uma nova classificação, o oligopólio oportunista, caracterizado por um escasso número de empresas a vender o mesmo produto mas a praticar os maiores preços possíveis, enquanto os consumidores não são forçados a reduzir as compras os preços vão subindo. No mercado português e apesar de haver uma Autoridade paga com os impostos não existe concorrência. Resultado: os portugueses além de pagarem tudo mais caro ainda têm que pagar à Autoridade da Concorrência. Uma vergonha.

VOLTA PINA MOURA, ESTÁS PERDOADO

Lembram-se de quando Pina Moura baixou o ISP para manter os preços dos combustíveis? Foi queimado na praça pública por muitos dos que agora exigem uma descida do ISP, nesse tempo a decisão de Pina Moura era um case study das universidades americanos, servindo de exemplo do que não se devia fazer. Agora vemos uma procissão de liberais, neo-liberais e outros primos em primeiro grau da família liberal a defender uma baixa do imposto. A hipocrisia à portuguesa é assim.

ADIRA AO MSP - PERGUNTE-ME COMO

«Comecemos por um exemplo fácil. Temos os taxistas e as transportadoras em pé de guerra a exigir "gasóleo subsidiado". Parece que o Estado (isto é, eu, quem me lê e quem não me lê) subsidia o gasóleo para uso agrícola e eles querem o mesmo tratamento. Não querendo perder muito tempo com o subsídio para a agricultura - faz parte de um mundo hipersubsidiado que sempre tive a maior dificuldade em entender -, fico de boca aberta ante a exigência. Por que carga de água hei-de eu, com os meus impostos, subsidiar o combustível que alimenta os táxis e os camiões? Para que os táxis não aumentem e as mercadorias não subam de preço devido ao custo acrescido no transporte, respondem-me. E eu respondo de volta: e por que não hão-de as mercadorias ser transportadas de comboio e de barco, meios que têm um dispêndio inferior de energia? Por que não hão-de os táxis ser reconvertidos para trabalhar a gás, que, ao que ouvi dizer, é coisa que não custa assim tão caro, permitindo usar um combustível que é mais de 50% mais barato e ainda por cima menos poluente? E, não despiciendo, por que há-de quem não usa táxi subsidiar quem usa?» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O ÓDIO

«A entrevista de Luís Filipe Menezes da última terça-feira a Constança da Cunha e Sá foi, para mim, uma extraordinária revelação. Raramente, em 50 anos de política portuguesa, fiquei tão surpreendido e, para falar com franqueza, tão incomodado. Porquê? Por causa do ódio, que escorria de cada frase e de cada palavra daquele homem humilhado e azedo. Houve ódio no PREC e tanto que chegou à violência, mas naquela espécie de guerra civil larvar, o ódio parecia, por assim dizer, "normal". Houve algum ódio à Aliança Democrática, mas no fundo mais melodramático do que genuíno. Houve, e há, o velho ódio do PC ao PS, que pouco a pouco se tornou numa tradição inofensiva. E houve quem odiasse uma ou outra personagem simbólica ou proeminente: meia dúzia de "capitães de Abril", Álvaro Cunhal, Mário Soares, Cavaco Silva.

Resta que à medida que a sociedade e o regime readquiram um certo equilíbrio e estabilidade, a partir de Balsemão e do Bloco Central, o ódio (que o PREC em grosso provocara) diminuiu ou desapareceu da vida pública corrente. Continuou, é verdade, nos partidos. De quando em quando, uma pequena erupção mostrava que no PS, no CDS ou no PC, os sentimentos de "camaradagem" ou de "companheirismo" não iam muito longe. Felizmente, as coisas voltavam sempre a uma convivência tolerável (às vezes, com a exclusão, voluntária ou involuntária, de quem perdia). No PSD, desde o "exílio" de Cavaco sucedeu o contrário. Como quando cai uma ditadura, o sumiço do "chefe" criou o caos. No PS, embora ambíguo e maltratado, o ethos do socialismo e as raízes que o partido tinha na história de Portugal (na República e na oposição) atenuaram a transição de Mário Soares para os sucessores. O PSD, que nascera do nada, mais precisamente da ausência de uma direita democrática em 1974, e só se unira sob o regime autoritário de Sá Carneiro e, a seguir, de Cavaco, acabou por se tornar numa colecção de seitas, incapazes de coabitar e ansiosas por se destruir.

Em seis presidentes, de Nogueira a Menezes, nenhum conseguiu um apoio interno maioritário e todos, mesmo no governo, sofreram um assalto generalizado dos que se consideravam excluídos. Treze anos de conflito - de alianças, de intrigas, de traições - deixaram uma herança inevitável: a herança do ódio. Não deve existir hoje no PSD ninguém que não queira ajustar contas com alguém. Luís Filipe Menezes mostrou na televisão que, nesse capítulo, era um militante típico. E mostrou também que a paz não pode vir do próximo presidente. Seja ele qual for.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Vasco Pulido Valente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

LUCAS PIRES, O PROSCRITO

«Há dez anos, em 22 de Maio, morreu Francisco Lucas Pires. No momento em que escrevo este texto, na véspera, nem o CDS nem o PSD acharam que valesse a pena dizer uma palavra sobre isso. E, no entanto, Lucas Pires foi presidente do primeiro partido, foi eleito para o Parlamento Europeu nas listas do segundo e desempenhou a nível europeu as mais elevadas funções no âmbito da força política em que se inseriam esses dois partidos do lado direito do espectro político português.

Admito que no momento em que este texto esteja a ser lido já os partidos tenham dito alguma palavra de circunstância. Mas a questão subsiste: a importância politico-ideológica e cultural de Lucas Pires teria justificado que a efeméride tivesse sido comemorada com iniciativas pelo menos idênticas às que um grupo de amigos, entre quais me incluo, organizaram.

Lucas Pires foi um político brilhante, inovador, imaginativo. Abriu veredas para o debate ideológico e foi uma voz fresca que afirmou linhas de rumo originais e modernas. Teve um impacto político muito forte no seu tempo. Lembro-me de uma amiga, votante da UDP nas legislativas e no PCP nas autárquicas em Loures (onde reside), que votou em Lucas Pires para o Parlamento Europeu. Com toda a razão, o PSD e o CDS podiam reivindicá-lo como parte do seu património político e ideológico. Nada disso foi feito. O que sendo curioso, não é realmente estranho.

O CDS, por uma razão evidente. Habitado por um sectarismo inequívoco, o partido que mandou entregar a fotografia de Freitas do Amaral na sede do PS não saberia agir de outro modo. Apesar de Paulo Portas ter feito parte do Grupo de Ofir que Lucas Pires liderou. Ou por causa disso.

O PSD, por uma razão também evidente. Lucas Pires era um liberal social, um político que sempre fez questão em afirmar que não era socialista. Ao contrário do próprio CDS, que nos anos da revolução chegou a defender um "socialismo à portuguesa" (seguramente como o cozido). Para Lucas Pires, o PSD deveria posicionar-se como verdadeira alternativa político-ideológica ao PS e acentuar uma vertente que apostasse na sociedade civil organizada, nas liberdades políticas, económicas e sociais, que reunisse as famílias não socialistas num projecto federador. A Aliança Democrática de 1979 - de que foi coordenador a convite dos partidos que a constituíram - era a expressão desse objectivo, que nunca foi possível, por razões que talvez um dia revisite, mas que aqui e agora não pretendo detalhar.

Ora, o desnorte em que vive o PSD está a concretizar-se numa tentativa de ultrapassar o PS pela esquerda. Leia-se, por exemplo, Rui Ramos na sua lúcida análise no PÚBLICO de quarta-feira.

A tese que ouço a pessoas responsáveis do PSD é que Sócrates é um "liberal" (expressão usada como uma espécie de sinal de doença) sem preocupações sociais. Manuela Ferreira Leite ataca os seus adversários internos na luta eleitoral em curso, acusando um de ser "populista" e o outro de ser "liberal", dizendo que não é liberal, reservando para si o epíteto de "social-democrata", como se de uma espécie de "fonds de commerce" se tratasse.

Ser "liberal", no partido do liberalismo avançado de Sá Carneiro, é portanto um labéu que serve para atacar, e não para valorizar. Falar de Lucas Pires seria, neste contexto, inadmissível. No fundo, para os que detêm os direitos de autor políticos no PSD, Lucas Pires e o seu pensamento político-ideológico não cabem no âmbito programático, podendo quando muito ser tolerados na precisa medida em que, parafraseando um outro Sá Carneiro, "um voto nunca se recusa".

Mas é precisamente por isso que o debate sobre as ideias, as políticas e a estratégia de Lucas Pires fazem muito sentido dez anos depois da sua morte. A área não socialista do espectro político está numa encruzilhada e se não perceber o que significa a evolução do PS não percebe nada, correndo o risco de estar fora do poder até 2017.

Perante o desafio, o PSD está a reagir como Manuela Ferreira Leite: ela apresenta como o seu elemento de distinção com Sócrates o facto de não mentir nem fazer promessas e como factor de distinção do PSD o ser sensível aos problemas sociais, ao contrário do PS. Ainda que isso fosse verdade, não era manifestamente conjunto suficiente de factores diferenciadores e, sobretudo, não bastará para a mobilização dos eleitores que não são socialistas, afinal o activo base do PSD.

Ao contrário do que por aí constou, nunca defendi a fusão entre o PS e o PSD. Tentei fazer humor (e levaram-me a sério...) quando afirmei que se não forem capazes de se distinguir o melhor é que estes dois partidos façam uma fusão. Como é óbvio, qualquer aprendiz de ciência política sabe que exprimem realidades sociológicas tão distintas que uma fusão seria impossível. O problema é que a recusa temerosa do PSD em se diferenciar (com o extraordinário argumento de que, se o fizer, não ganha eleições!) está a deixar o seu eleitorado sociológico sem representação política adequada e, por isso, muito mais capaz de votar em Sócrates.

Nada adianta - como afinal, se calhar, já há dez anos não adiantava - tentar posicionar o PSD na área de centro-esquerda, pois essa área está ocupada por Sócrates e o PS, nada fazendo prever que voltem aos 18% de Almeida Santos ou que - para além de cosméticas alianças com Manuel Alegre - virem à esquerda, única forma de permitir que o PSD possa aspirar a lutar pela ocupação desse território político.

O sucesso surpreendente de Passos Coelho em sectores próximos do PSD é sintomático. Aconselho-o o ler Lucas Pires. Pode não ganhar uma batalha, mas com isso é capaz de ganhar uma guerra.» [Público assinantes]

Parecer:

Por José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

SANÇÕES MAIS LEVES PARA FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

«Os funcionários públicos vão ver reduzido o número de penas disciplinares a que podem ser sujeitos, sendo que, segundo a proposta do Governo para o Estatuto Disciplinar na Função Pública, desaparece por exemplo a sanção de perda de dias de férias ou a figura da aposentação compulsiva.

De acordo com a proposta governamental que será enviada à Assembleia da República elimina-se a possibilidade de um funcionário público ser sancionado através da perda do direito a férias e não se pode recorrer à aposentação compulsiva. Assim, um inquérito disciplinar pode levar à suspensão ou na expulsão.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Este é um bom exemplo de como os jornalistas se enganam, o fim da aposentação compulsiva dando lugar à expulsão significa que os funcionários deixam de ter direito a pensão quando expulsos no âmbito de um processo disciplinar. De qualquer das formas a medida justifica-se, não faz sentido que quem é expulso beneficie da aposentação antes da idade.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

A PJ ANDA DISTRAÍDA

«Dez anos depois de ter fugido de casa, os familiares de Rui Manuel, o pedófilo de Ramalde que é suspeito do abuso sexual de pelo menos 21 crianças, continuam sem saber o seu paradeiro. O caso está próximo da prescrição e a Judiciária, a quem o caso estava entregue à data dos factos, já não faz qualquer diligência há vários anos. O tempo apagou as marcas e as crianças, hoje adultas, também não querem recordar a história.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Num dia o Procurador-Geral da República defende (muito bem) que os pedófilos devem ficar impedidos de adoptar, no outro sabemos que a PJ nada fez para prender um pedófilo perigoso. É a justiça à portuguesa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao Pinto Monteiro.»

SANTANA É O CANDIDATO CONTRA O SISTEMA

«"Nestas eleições (directas) há, nalgumas candidaturas, excessiva consideração pelo engº Sócrates e por aquilo que ele representa, ou porque estão demasiadas instaladas na vida e no sistema. Há outras que querem mesmo derrotar o engº Sócrates", disse Santana. As críticas tinham dois destinatários: Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Santana recupera o discurso sportinguista.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se Santana Lopes que não concorre à presidência do SCP.»

POBREZA É PRIORIDADE DO GOVERNO

«O ministro da Presidência afirmou esta sexta-feira que a pobreza e as desigualdades sociais são matérias prioritárias na agenda social do Governo, mas contrariou os números divulgados pelo Eurostat que aponta Portugal como um dos países mais pobres da União Europeia.

«Com certeza que a situação da pobreza e das desigualdades sociais preocupam o Governo e a agenda social do Governo é dirigida a combater os problemas que temos de pobreza e de desigualdades sociais», afirmou Pedro Silva Pereira, em conferência de imprensa do Conselho de Ministros, citado pela agência «Lusa». » [Portugal Diário]

Parecer:

É uma pena que o Governo tenha andado distraído e só se lembre do problema depois de ler o relatório da UE.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reprove-se a intervenção despropositada do ministro.»

A ANEDOTA DO DIA

«Pela primeira vez durante a campanha eleitoral para o PSD, Manuela Ferreira Leite diz ter começado a sentir que começa a ser ouvida - pelo primeiro-ministro. A candidata à liderança do partido tem dito em campanha que o PSD chegou a uma fase em que não é escutado porque as pessoas, considera, perderam o respeito pelo partido.

Mas ontem, perante militantes na cidade da Guarda, Ferreira Leite considerou que o cenário começou a inverter-se. Isto porque acredita que "não foi por acaso" que o primeiro-ministro anunciou medidas de cariz social na sessão de quarta-feira da Assembleia da República. Durante o debate quinzenal, José Sócrates anunciou que irá aumentar os abonos de família em 25 por cento para os agregados familiares com menores rendimentos.» [Público assinantes]

Parecer:

Este upgrade tipo Madre Teresa de Calcutá adoptado de forma oportunista por Manuela Ferreira Leite é ridículo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Ferreira Leite que use véu azul.»

EUA: UM STAND OFERECE UMA PISTOLA A QUEM COMPRA UM AUTOMÓVEL


«Uma revendedora de carros em Butler, no Estado do Missouri, nos Estados Unidos, está oferecendo uma arma de fogo para cada cliente que comprar um automóvel.

A promoção Guns and Gas (Armas e Gasolina), da revendedora de veículos Max Motors, dá ao cliente que comprar um carro a chance de escolher entre um revólver » [BBC Brasil]

SARKOZY QUER FELIPE GONZALEZ PARA PRESIDENTE DA EUROPA

«El jefe de Estado francés, Nicolas Sarkozy, quiere que el ex presidente español, Felipe González, sea candidato a la futura presidencia estable de la Unión Europea.

Según informa el vespertino francés 'Le Monde', Sarkozy quiere un "presidente fuerte que se apoye en los grandes países y no una personalidad débil aliada con los pequeños países como el italiano". » [20 Minutos]

PENTHOUSE APROXIMA-SE DA IGREJA PARA SOBREVIVER À INTERNET

«Penthouse, la revista erótica de referencia junto a Playboy, ya no es lo que era. Gracias a internet el porno está por todos sitios, y casi siempre gratis. Las publicaciones ya no pueden competir con la búsqueda inmediata y gratuita de contenidos eróticos en la Red, de manera que ya se sabe: renovarse o morir.

Lo sorprendente, no obstante, es el camino elegido por el grupo editor para la reinvención, que no es otro que el de las redes sociales de tipo cristiano. Así, páginas web de citas como BigChurch.com, que pretender unir a "hombres y mujeres con las mismas creencias espirituales", han pasado a formar parte de las nuevas líneas de negocio del grupo.» [20 Minutos]

O JUMENTO NA BLOGOSFERA

  1. O "Der Terrorist" ficou a saber da defesa dos sacanas birmaneses feita no Avante.

ABASTECER NA GAL? NEM QUE A RAPARIGA DA BILHA ME LEVE AO COLO!

A iniciativa d'O Jumento e da Barbearia do Senhor Luís já deu os primeiros passos, são vários os blogues que já disseram não à GALP. Para já também disseram não à Galp~:

Esta é a única forma de os consumidores imporem concorrência no mercado dos combustíveis forçando as petrolíferas a assumirem uma parte dos altos preços do crude, deixando-se de financiar à custa da antecipação dos preços. Está na hora de venderam o que comprar há três meses pelos preços na bolsa para daqui a um mês, obtendo margens gigantescas que vão engrossar os capitais circulantes com que negoceiam na bolsa.

Está na hora de combater esta prática oportunista na formação dos preços. Veremos os resultados, para já é evidente que a GALP está nervosa, iremos assistir ao reforço das suas campanhas publicitárias e à mobilização dos comentadores amigos, não vão faltar personalidades a dizer que o boicote à Galp não terá resultados, o orçamento publicitário da empresa dá para encher os bolsos a muitos dos nossos opinion makers.

Por mim não vou abastecer-me à Galp, nem que a rapariga da bilha me leve ao colo.

CLAIRE McKINNEN

GIANMARCO LORENZI

sexta-feira, maio 23, 2008

Um povo explorado por elites da treta


Os bancos abusam, roubam em tudo, até nos arredondamentos e o que faz o Banco de Portugal? Nada. Por aquilo que se viu no caso do BCP nem sequer evita os abusos dos administradores que. As petrolíferas usam e abusam das cotações do crude na bolsa e o que faz a Autoridade da Concorrência? Nada! Para que houvesse um estudo aos preços dos combustíveis este teve que ser encomendado pelo ministro da Economia.

As empresas que vendem acessos à web cobram o que querem e praticam qualidades inferiores às oferecidas e o que faz a ANACOM? Nada! Os clientes que paguem e se calem.

Não admira que aconteça o que acontecer os lucros da banca, das petrolíferas e das empresas de telecomunicações não evidenciem sinais de crise. Se as cotações do crude sobem nas bolsas o preço da gasolina sobe na estação de serviço horas depois, assim as petrolíferas não precisam de aumentar os capitais para suportar o negócio, os consumidores financiam as compras a novos preços. Se os bancos enfrentam dificuldades limitam-se a aumentar os juros por questões de segurança, mas aumentam os juros a todos os clientes e independentemente do risco.

Numa economia sem regras onde reguladores e empresas são farinha no mesmo saco, num mercado sem concorrência as nossas empresas praticam os maiores preços possíveis, obtendo benefícios dignos de monopólios. As nossas elites transformaram a sociedade portuguesa numa imensa máquina de enriquecimento pessoal, de um lado as elites enriquecem, do outro lados todos os outros portugueses empobrecem.

É por isso que entre as nossas elites todos se dão bem, o dr. Constâncio é amigo dos banqueiros e até promove um funcionário do banco que está ausente, a gerir a SIBS. Os senhores da concorrência são apreciados e elogiados pelos grandes empresários. São todos amigos uns dos outros, hoje estão num organismo regulador, amanhã estarão numa empresa do ramo, hoje são governadores do Banco de Portugal, amanhã serão administradores de um banco comercial. Andaram nas mesmas escolas, fizeram a carreira juntos, todos querem enriquecer o mais depressa possível, todos juntos são os grandes detentores do poder e da riqueza, uns possuem-na, outros vivem, de migalhas generosas.

O cidadão comum ganha o menos possível a bem da competitividade das empresas e da economia, depois paga o mais possível por tudo e mais alguma coisa igualmente a bem da competitividade das mesmas empresas e da economia. Nas nossas empresas não há a menor preocupação ou sentido de Nação, os seus administradores estão indiferentes à miséria que alastra e ajudaram a provocar, apenas lhes interessa obter resultados a qualquer custo para alcançarem prémios de rendibilidade de fazer corar muitos gestores de outros países mais ricos.

Talvez esteja na hora de questionar o país que somos ou que queremos ser, se o desenvolvimento do país se consegue à custa de miséria então talvez seja melhor ter um país mais pobre mas mais justo. Estas elites da treta estão-se nas tintas para o país e para os portugueses, abotoam-se o mais depressa possível. Muitos deles já o seu apartamento em Londres ou em Paris, as contas depositadas em offshores e na hora da crise apanham o primeiro avião. Depois, quando tudo voltar à normalidade, regressam para salvar o país de mais uma crise profunda.

É tempo de os portugueses reagirem e começarem a boicotar as empresas abusadoras. A única linguagem que estes proxenetas entendem é a dos números dos lucros.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura -

FOTO JUMENTO

Évora

IMAGEM DO DIA

[BBC/Reuters]

«Tibetan spiritual leader the Dalai Lama looks at his glasses before an interview with the BBC in London.» [Washington Post]

JUMENTO DO DIA

Hipocrisia política

Paulo Porta continua a tentar salvar o CDS da extinção assumindo o papel de peixe limpa-fundos da sociedade portuguesa, onde surge caca lá aparece Porta a deliciar-se com os problemas insolúveis, da mesma forma que os limpa-fundos dos aquários se alimentam dos dejectos dos outros. Agora descobriu que a melhor forma de compensar os males dos aumentos dos preços do crude e dos alimentos se resolve com redução dos impostos e consequente crise financeira.

Se aos aumentos dos preços se juntasse mais uma crise financeira do Estado seria desastroso para o futuro do país, mas isso pouco importa para Paulo Portas mais interessado na meia dúzia de votos que lhe poderiam salvar a carreira.

O AVANTE NÃO DEFENDE OS DITADORES BIRMANESES, MAS

Seria demais para a credibilidade do PCP defender os ditadores birmaneses, mas o Avante descobriu uma forma de justificar a recusa da ajuda externa, o receio de uma invasão americana. Pois, mas todo o mundo sabe que os "amigos" birmaneses recusaram qualquer ajuda, deixaram o seu povo entregue à sorte e as primeira preocupação dos ditadores a seguir à catástrofe foi limpar s seus bairros residenciais.

Isto de ter que defender ditadores estimula a imaginação:

«Se dúvidas houvesse, elas dissipam-se quando se lê um artigo com o título: «As razões para invadir Myanmar» (Asia Times, 10.5.08). Lá se escreve: «com os navios de guerra e a força aérea dos Estados Unidos em alerta, [...] o desastre natural apresenta uma oportunidade de crise para os EUA. Uma intervenção militar unilateral – e talvez aprovada pela ONU – em nome do humanitarismo, poderia facilmente [...] reabilitar o legado das controversas políticas militares pre-emptivas do enfraquecido Presidente George W. Bush». Descobre-se que a resistência da Junta Militar birmanesa não é à entrega de ajuda em si, mas à sua distribuição «utilizando a Força Aérea dos EUA e meios navais». Porque «se uma intervenção militar dos EUA em nome do humanitarismo pode ou não transformar-se numa tentativa armada de mudança de regime [...] dependerá provavelmente da resposta da população e dos militares de Myanmar aos primeiros desembarques de tropas dos EUA». Afinal, as «preocupações humanitárias» visam a ingerência, dominação e guerra. Querem acrescentar à tragédia natural uma tragédia artificial. Como as de anteriores guerras «humanitárias» e «libertadoras». » [Avante]

GALP? NÃO OBRIGADO

Bastou algum nervosismo para que a GALP tivesse metido os pés pelas mãos e recuado num aumento de preços, num processo rocambolesco em que veio informar que houve um erro de comunicação. Alguém acredita que na petrolífera há erros de comunicação que dão lugar a aumentos de preços, e a toda uma operação de alteração das bombas?

Este processo só mostrou a forma como os preços estão a ser aumentados, cada vez que o preço do crude aumenta nas bolsas as petrolíferas encaixam milhões actualizando o valor dos seus stocks. Isto é, as petrolíferas antecipam os aumentos dos preços das matérias-primas que ainda não adquiriram obtendo lucros adicionais. As petrolíferas financiam-se à custa dos consumidores, quando compram o crude mais caro já têm o dinheiro pois os consumidores já lhes pagaram os combustíveis tendo em conta os novos preços.

Da Barbearia do Senhor Luís veio o desafio ao boicote aos combustíveis da GALP solução que tem o meu apoio. Está na hora de dizer ao presidente da GALP e aos seus accionistas que os portugueses estão fartos, que está na hora de a empresa ganhar quando os preços descem e voltar a ganhar quando os preços sobem.

Não esperamos pelo relatório da Autoridade da Concorrência que desde que existe nada fez, nem neste nem em nenhum sector, está na hora de reagir aos abusos.

Eu não vou abastecer-me na GALP, nem que a rapariga da bilha me apareça.

A "MORTE" DO PSD

«Os três "politólogos", contactados, esta semana, pelo PÚBLICO, são unânimes quanto ao futuro do PSD: apesar da actual crise de liderança, o partido não corre o risco de se extinguir. Como diz André Freire, um dos "politólogos" ouvidos, "o PSD é um partido fundamental, tem sido o garante da alternativa e é expectável que assim continue a ser", seja qual for o candidato que vier a ganhar as próximas directas. O país agradece: é sempre bom saber que, nestes tempos difíceis, quando a gasolina sobe, o desemprego cresce, a inflação aumenta e o preço dos bens alimentares dispara, os portugueses podem continuar a distrair-se com as aventuras do PSD. Custa imaginar o que seria a actualidade política sem o sublime espectáculo a que o partido nos habituou. A campanha, em curso, para escolher o novo chefe que irá pastorear as eternas desavenças da trupe revela bem a capacidade criativa dos seus organizadores. É quase impossível resistir à sofisticação dos ingredientes. Entre os laboriosos jogos dos caciques locais, a descarada "compra" de apoios, os pequenos ódios à flor da pele, o regresso do "menino guerreiro", as divisões das hostes e as velhas intrigas da praxe, o PSD transformou-se numa ficção desenjoativa que ignora olimpicamente o que se passa na realidade.

Infelizmente, este animador prognóstico, recolhido pelo PÚBLICO, tropeça nalguns obstáculos. Antes de mais, a ideia (simpática) de que o PSD tem sido o "garante da alternativa" não corresponde bem à natureza dos factos. Longe de garantir qualquer alternativa viável, o maior partido da oposição, na sua gloriosa inconsistência, tem sido, pelo contrário, o grande trunfo do eng. Sócrates, contribuindo generosamente para a reedição de uma maioria absoluta do PS. Infelizmente e tendo em conta o circo que, entretanto, se montou, não é de esperar que a situação se inverta, por milagre, e que o PSD deixe de ser, de um dia para o outro, mais do que um permanente foco de intrigas e do que um mero aglomerado de interesses particulares.

Marina Costa Lobo, outra das "politólogas" contactadas, embora garanta, com optimismo, que "é exagerado pensar no fim do PSD", acaba por apontar um "problema" que pode vir a acontecer: o facto de "haver um líder que não atinja 50 por cento dos votos" e que, ficando assim com a "legitimidade questionada", transforme a sua eleição num acto "transitório", afundando ainda mais o partido no caos em que este já está afundado. Um "problema" sério, como se vê. No estado em que o PSD se encontra, uma eleição "transitória", que não resista aos ataques internos e às dissidências previstas, terá o condão de dividir ainda mais um partido que, de há uns tempos para cá, parece ter como único objectivo a sua própria destruição. Poderá ser "exagerado pensar no fim do PSD" mas não é com certeza exagerado pensar que um PSD, feito em cacos, reduzido aos objectivos pessoais de meia dúzia de caciques e aos pequenos ódios dos seus dirigentes, ficará muito próximo do "fim", enrodilhado na sua crescente insignificância.

Assim sendo, não se compreende bem como é que António Costa Pinto, o terceiro "politólogo" ouvido, pode garantir peremptoriamente que não há nenhum cenário que torne dispensável, dissolúvel, o PSD". Basta olhar um pouco para trás para se perceber que o PSD, no seu delírio populista, se transformou, de facto, num partido "dispensável". E, como a actual campanha está a ser o que é, não é necessário ter dotes de adivinhação para antever o que aí virá: o fogo cerrado de todas as outras candidaturas contra Manuela Ferreira Leite é apenas um sinal do que se prepara, nos bastidores, para a eventualidade de ela poder ganhar contra as "bases", com o apoio dessas mesmas "bases". Isto, que pode parecer estranho ao comum dos mortais, tornou-se normal num partido, tomado pelo ressentimento, que optou abertamente por uma política de terra queimada.

Dito isto, não se está a dizer que o PSD corre o risco de vender a sede amanhã e de desaparecer de cena, de um dia para o outro, implodindo dramaticamente perante o olhar estupefacto dos seus militantes. Mas pode morrer. E pode morrer lentamente, afundando-se numa progressiva insignificância e num pequeno mundo de interesses, cada vez mais distanciado do poder e do dia-a-dia dos portugueses. O PSD que se passeia por aí, embrulhado nas suas miseráveis querelas, deixou de ser um partido que quer ganhar o país, para se transformar num partido que pretende apenas governar-se a si. É assim que se começa a morrer...» [Público assinantes]

Parecer:

Por Constança Cunha e Sá.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ALBERTO JOÃO PODERÁ NÃO VOTAR EM SANTANA

«É este o cenário que Santana Lopes vai encontrar na Madeira, por isso, segundo fontes próximas, irá sobretudo "assumir o apoio dele" [Alberto João Jardim] e alinhar estratégias entre a sua candidatura e aquele que é o líder do PSD/Madeira há três décadas. Uma tarefa que não se afigura fácil, não só pelos apoios, mas também porque Jardim poderá nem estar presente na fase crucial da campanha. O DN sabe que o líder regional tem uma viagem agendada à Venezuela a partir de dia 26 deste mês e até ao dia 1 de Junho. Sendo as eleições dia 31, a confirmar-se a viagem, significa que Jardim poderá nem sequer conseguir votar em Santana.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Ou estou muito enganado ou este apoio de Alberto João a Santana é para inglês ver.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pela contagem dos votos na Madeira.»

ACORDO NA FUNÇÃO PÚBLICA

«O Governo, a Federação dos Sindicatos da Administração Pública (Fesap) e o Sindicato dos Quadros de Estado (STE) chegaram ontem a acordo relativamente ao diploma de protecção social dos trabalhadores da Função Pública. "Daqui para o futuro, todos os trabalhadores que entrarem para a Administração Pública vão ser inscritos na Segurança Social para todas as eventualidades, e não apenas para aposentação, e terão os mesmos regimes da generalidade dos trabalhadores", disse o secretário de Estado João Figueiredo. » [Jornal de Notícias]

Parecer:

Como é costume a CGTP só esteve nas negociações para aproveitar o tempo de antena nas televisões para repetir as teses do PCP.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Carvalho da Silva se Jerónimo de Sousa o proibiu de assinar acordos.»

PORTUGAL É O PAÍS SOCIALMENTE MAIS INJUSTO DA EUROPA

«Portugal foi hoje apontado em Bruxelas como o Estado-membro com maior disparidade na repartição dos rendimentos, ultrapassando mesmo os Estados Unidos nos indicadores de desigualdade. O Relatório Sobre a Situação Social na União Europeia (UE) em 2007 conclui, no entanto, que os rendimentos se repartem mais uniformemente nos Estados-membros do que nos Estados Unidos, à excepção de Portugal.» [Público]

Parecer:

E a tendência é para que s desigualdades se agravem.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento a Sócrates.»

VISITA DE ESTADO

«O candidato à liderança do PSD Pedro Passos Coelho foi ontem recebido pelos presidentes dos dois principais órgãos de governo próprio da Região Autónoma da Madeira. Hoje é dia da rápida visita de Pedro Santana Lopes a esta ilha, em cujo aeroporto será recebido, com tratamento VIP, pelo chefe do executivo madeirense, Alberto João Jardim. que lhe concede, de imediato, uma audiência na Quinta Vigia, residência oficial, antes de um almoço em privado.» [Público assinantes]

Parecer:

É assim o país do santanismo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o espectáculo triste.»

O JUMENTO NA BLOGOSFERA

  1. O "Cu-Cu" gostou da fotografia de Marcus J. Ranun & Pavel Kisilev.
  2. O "Absorto" dá destaque ao post sobre o meu anti-comunismo primário.
  3. O "Comadres, Compadres & C.ª" gostou de saber quanto ganha a assessora de imagem do Ricardo Jorge.
  4. A "Barbearia do Senhor Luís" desafia-me para um boicote aos combustíveis da Galp. O "Colheita63" já aceitou o desafio.

JIMMY C

AMNISTIA INTERNACIONAL