sábado, junho 14, 2008

Maioria de esquerda ou maioria absoluta?


A pouco mais de um ano das legislativas já se percebeu que o resultado das próximas eleições depende mais das perturbações na Bolsa de Nova Iorque do que das manifestações da CGTP, muito representativas mas que mal dariam para eleger o presidente da Câmara Municipal de Sintra.

Ao escolherem Manuela Ferreira Leite os militantes do PSD optaram por atirar a toalha para o tapete, daqui a um ano pouco mais se poderá dizer do PSD para além de que o Joãozinho tem um ano. O PSD desistiu de ser governo, juntou-se ao PCP e ao BE na ambição de impedir uma nova maioria absoluta a Sócrates, mais do que governar passou a ter como objectivo impedir que se governe.

Daqui até às eleições assistiremos a algumas manifestações da CGTP, mas a tácticas neo-fascistas a que temos assistido nos últimos tempos vão desaparecer, deixarão de haver manifestações convocadas por sms para apupar Sócrates, a CGTP deixará de fazer esperas ao primeiro-ministro, Jerónimo de Sousa sairá da penumbra da sala de operações da Soeiro Pereira Gomes para reassumir o papel do avô dos pudins Boca Doce.

Portanto, a alternativa é entre uma maioria absoluta de Sócrates e uma “maioria de esquerda” tão apreciada pelo PCP. No primeiro cenário o PSD entrará em crise e o PCP regressará à rotina, talvez com novas estratégias copiadas do Goebels, como a calúnia e as manifestações anónimas. Se vingar a “maioria de esquerda” o PS volta a ser um partido de esquerda e o PCP exigirá um governo assente na maioria de esquerda, até que Sócrates diga não deixará de ser apupado e apelidado de fascista.

Depois volta tudo à mesma, quando as sondagens derem mais uns votos ao PCP, o PSD apresenta uma moção de censura que será penosamente votada por Jerónimo de Sousa, devolvendo-se o poder à direita. A normalidade política é retomada, a direita governa e o PCP lidera os trabalhadores contra as políticas de direita, voltará a ser manso como o foi durante o governo de Durão Barroso e até pode ser que a CGTP chegue a acordo com os patrões, como no tempo de Cavaco Silva.

Bem, mas desta vez o PCP tem um “pequeno” problema chamado Bloco de Esquerda, antes de se armar em “Congregação para a Defesa da Fé” da esquerda, tem que disputa a liderança da extrema esquerda com o Bloco, uma disputa que o tem levado a extremar posições contar o governo do PS, se o Bloco dá cabo do milho, o PCP veste os militantes de anónimos, e até de cidadãos comuns que votaram no PS, e mandam-nos para a porta do PS chamar fascista a Sócrates.

Resta a hipótese remota de a direita ter uma maioria absoluta, o que do ponto de vista do PCP seria uma vantagem, poupavam-se dois anos de luta contra o PS. Afinal, a maioria de esquerda não passa de uma antecâmara da maioria absoluta da direita, desta vez com Ferreira Leite em primeira-ministra e, quem sabe, com Paulo Portas em vice-primeiro-ministro. É esse o grande objectivo de Jerónimo de Sousa, a direita chega ao poder mas derrota o velho inimigo dos comunistas, uma luta que se trava desde os primeiros tempos do marxismo.

Conclusão, em vez de perder tempo o PCP deveria apelar ao voto no PSD, sempre se poupam dois anos de crise política, mais dois anos de atraso nas reformas de que o país carece. Em contrapartida o PCP retoma o papel de lanterna da esquerda, até pode ser que derrote o incómodo Bloco de Esquerda.

Umas no cravo e outras tanta na ferradura

FOTO JUMENTO

Chaminé, Vila Real de Santo António

MOMENTO PUBLICITÁRIO

IMAGEM DO DIA

[Caludio Onorati / EFE]

«Aliados. El presidente de Estados Unidos, George W. Bush, y el primer ministro italiano, Silvio Berlusconi, a su llegada a Villa Madama en Roma. Bush pasará dos días en Italia como parte de su viaje de despedida en Europa.» [20 Minutos]

JUMENTO DO DIA

Para quem trabalha Scolari?

Há uns dias atrás os jornais disseram que Scolari teria aconselhado Ronaldo, jogador do Manchester a emigrar para Espanha, teria mesmo combinado uma entrevista do jogador a um portal brasileiro onde aquele lançava dúvidas sobe o seu futuro na Inglaterra. Depois o treinador terá combinado com os jogadores que não falariam de contratações até ao final do Euro quando, de repente e inesperadamente é Scolari que assina pelo Chelsea e o clube interrompe o silêncio anunciando a contratação. Entretanto, Deco já não vai para o Inter e viaja a Barcelona para fechar o negócio que o leva para o ... Chelsea).

Fica a dúvida, quando Scolari sugeriu a Rolando que optasse por Espanha já tinha o negócio feito com o Chelsea, o grande rival do Mancester United onde Cristiano Ronaldo joga? O Chelsea contratou Deco sem ter ouvido o seu futuro treinador? Scolaria aproveitou o seu estatuto de seleccionador nacional para fazer e promover negócios em favor do clube que vai treinar?

Se fosse português Scolari seria despedido a meio do Euro.

O LOIO DOS CAMIÕES NÃO É DO PSD

Segundo fui informado o Loio que fez de porta-voz dos camionistas já há algum tempo não será do PSD, pelo menos não consta dos cadernos.

EURO 2008 OU FEIRA DE CARCAVELOS?

Enquanto as outras selecções se concentram no torneio, parece que na nossa vive-se um ambiente de Feira de Carcavelos, os jogadores parecem estar lá para serem transaccionados nos intervalos dos jogos, disputam um lugar do onze para exibirem as suas qualidades aos potenciais compradores. Entre tantos negócios é difícil perceber como podem os jogadores concentrar-se, descansar ou preparar o próximo jogo, até aproveitam os momentos de folga para fazerem viagens a Barcelona.

Enquanto Scolari manteve o seu segredo havia uma selecção, a partir do momento em que se soube que Scolari trocou os seus princípios por um contrato com o Chelsea deixou de haver quaisquer regras, o hotel onde está instalada a selecção transformou-se na feira de Carcavelos.

Os jogadores que cumpriram vão poder questionar os que não cumpriram, os que forma obrigados a calar-se vão questionar o seleccionador e os que negociaram com os clubes, os que não jogam têm o direito de protestar por não poderem exibir as suas capacidades aos compradores, deixámos de ter uma selecção nacional para termos a Feira de Carcavelos, com um feirante chamado Scolari.

Esperemos pelos resultados.

CHIU! O NETO DA SENHOR ESTÁ A DORMIR

Manuela Ferreira Leite que apareceu a dizer que agora sim o PSD ia fazer oposição, esteve calada, enquanto os portugueses assistiram ao barulho dos camionistas Ferreira Leite tem optado por ouvir o berreiro do neto. Governa o PSD por telefonemas, mandas as segundas figuras fazer conferências de imprensa, se não fosse o Abrupto de Pacheco Pereira, o guru da velha senhora, diríamos que o PSD trabalha a gasóleo e foi vítima do boicote dos camionistas.

Foi a pior entrada de um dirigente do PSD na história deste partido. Quando a crise passar e depois de tanto silêncio que terá Ferreira Leite a dizer aos eleitores? Desculpem lá, tive que ir a Londres mudar as fraldas ao Joãozinho?

COBARDIA E HIPOCRISIA

Cobardes os que não tiveram coragem de tomar posição sobre o bloqueio imposto por uns quantos camionistas ao país, ou seja, a generalidade dos políticos portugueses, até a líder do maior partido da oposição desapareceu, ao que parece com a desculpa de ir a Londres mudar as fraldas do Joãozinho.

Hipócritas porque já depois de não terem tomado posição vieram acusar o governo de ter sido brando, não escondendo a desilusão por a situação não ter dado lugar a uma imensa sessão de porrada.

Um bom exemplo deste silêncio oportunista, seguido da desilusão disfarçada de acusações ao governo por não ter dado umas bordoadas é-nos dado por Pacheco Pereira no seu Abrupto. Talvez fosse melhor que Pacheco Pereira em vez de se preocupar com a brandura de Sócrates, protestasse pela moleza flácida da velha senhora, fazendo ao símbolo do PSD o que fez no tempo de Menezes.

A ESTRANHA ALIANÇA

Aos comunistas e neo-nazis que venceram o referendo francês contra o Tratado juntaram-se agora os fundamentalistas anti-aborto da Irlanda, uma estranha aliança entre os que se querem vingar da derrota do fascismo, os que ainda sonham com uma Rússia soviética onde ninguém tem saudades do comunismo e os que querem que a Irlanda seja uma sacristia do Vaticano.

SALAZARISMO NO BE E NO PCP

«BE e PCP têm sempre Salazar na boca. Aqueles que não concordam com bloquistas e comunistas continuam a ser apelidados salazaristas. Parece que o velho ditador está sempre ao virar da esquina. E, atenção, esta obsessão não aparece por acaso. Convém recordar que o BE e o PCP possuem uma cultura política muito semelhante ao salazarismo. Repito: Louçã e Jerónimo são iguais a Salazar em muitos aspectos. Tal como Salazar, Louçã e Jerónimo são anticosmopolitas, isto é, querem um Portugal fechado em relação ao exterior. Bloquistas e comunistas partilham com os salazaristas o sentimento anti-EUA e anti-UE. À imagem de Salazar, Louçã e Jerónimo querem exilar Portugal; o país não deve ter contacto político, económico e cultural com a globalização. Salazar escondeu-nos do mundo através de uma política proteccionista e paternalista que colocava a sociedade na dependência do Estado. BE e PCP têm a mesma visão. O Estado socialista, dizem, deve proteger os portugueses do vírus liberal oriundo de Bruxelas e Washington. O isolacionismo provinciano e nacionalista de Salazar está vivinho da silva no BE e no PCP.

Salazar, Jerónimo e Louçã poderiam sentar-se, tomar um chá e conversar durante horas sobre aquilo que os une: o ódio visceral que sentem contra a sociedade liberal composta por indivíduos cosmopolitas e não por grupos nacionalistas. O léxico corporativista de Salazar será muito diferente do vocabulário sindical de BE e PCP? Meus amigos, votar no BE e no PCP significa legitimar uma mensagem reaccionária e nacionalista. Votar no BE e no PCP é regressar a Salazar. Não, obrigado.» [Expresso assinantes]

Parecer:

Por Henrique Raposo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A ROLETA

«Um destes dias entrei num casino e aproximei-me da mesa de roleta. Não consigo perceber qual a piada de colocar fichas sobre o pano verde e ficar a ver a boleta a rolar até estacionar no número premiado.

Ao ler a recente entrevista ao Expresso do presidente do conselho de administração executivo da TAP, Fernando Pinto, não queria acreditar.

Os combustíveis representavam, em 2002, pouco mais de 20% dos fornecimentos e serviços externos da empresa, mas em 2006 já pesavam 54%. Neste ano representaram 22% dos custos totais da companhia. Em sucessivos relatórios de actividade Fernando Pinto tem vindo a alertar para a crescente instabilidade do preço do petróleo e do jet e a empresa já antes realizou, com sucesso, políticas de cobertura de risco.

Por tudo isto fiquei boquiaberto com as cândidas declarações do responsável da TAP afirmando que em 2007: “(…) Não fizemos compras futuras, mas temos analisado a hipótese de fazer”.

Pois, muito bem. A TAP reconhece que não fez recentemente cobertura do risco de preço do combustível e que as anteriores decisões de revisão da política de cobertura do risco deste consumível, as quais deveriam ter efeitos desde finais de 2006, e que deveriam dar lugar a uma atitude mais abrangente e a uma presença mais frequente no mercado, terão ficado na gaveta.

Ora quem não faz cobertura de risco está, por natureza, a especular. Quem não se protege contra uma subida de preços dos combustíveis e está a concorrer com preços de venda agressivamente concorrenciais e lutando contra companhias que estarão a fazer essa cobertura de risco, está a apostar numa potencial descida, ou pelo menos manutenção, do preço do carburante. Se isso é razoável para uma empresa do ramo de actividade dos petróleos parece de duvidoso acerto numa empresa de aviação.

Será assim legítimo questionar: 1º) Se a empresa estivesse cotada e se o seu proprietário não fosse o Estado a atitude especulativa seria a mesma? 2º) Deverão ser os trabalhadores a pagar, sob ameaça de despedimento, os jogos de roleta da administração?

E daí, pensando bem, até que talvez nem me importe de jogar na roleta se o dinheiro for dos outros mas se o prémio for meu.» [Expresso assinantes]

Parecer:

Por João Duque.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

CAMIONISTAS, GREVISTAS, FASCISTAS?

«Há alguns anos, uma paralisação na Ponte 25 de Abril, contra a necessária e justificada subida do valor das portagens, marcou o começo do fim do consulado cavaquista. Depois de uma tentativa de evitar as cedências - em que deram a cara os ministros Dias Loureiro e Ferreira do Amaral -, a pressão da rua obrigou o Governo a recuar.

Com essa decisão adiou-se por anos o que seria uma política consequente de transportes públicos na Grande Lisboa, com os efeitos conhecidos. Cavaco Silva era o contrário de um político dado a cedências a pressões. E no entanto foi obrigado a ceder, numa luta dirigida por camionistas e seus piquetes, com o apoio dos partidos da oposição.

Lembrei-me desta história antiga quando deparei, ao regressar ao país de uma viagem profissional ao estrangeiro (sim, continuo a ser advogado...), com um país paralisado por piquetes de camionistas. As situações são paralelas, com a agravante de que as televisões actualmente são muito menos atentas, veneradoras e obrigadas em relação ao poder político.
A questão é tão velha com a História do Mundo: devem os poderes resistir à pressão da rua e contar que a opinião pública se vire contra os perturbadores da ordem pública e permita que se volte a poder fazer cumprir a lei? Ou devem ceder alguma coisa aos movimentos populares mais ou menos inorgânicos, para com isso dividir as forças opostas e obter a paz pública mínima que se encarregue de desmobilizar gradualmente as pressões?

Qualquer das hipóteses tem os seus custos e riscos, as suas vantagens e inconvenientes, pelo que é natural que em cada conjuntura existam defensores de cada uma das teses. E deve admitir-se que não é possível neste tipo de questões ter respostas abstractas - melhor seria dizer receitas prefabricadas - para aplicar automaticamente em cada caso concreto. Pelo contrário, em cada caso a melhor solução depende de um conjunto variado de factores, entre os quais a correlação de forças, a capacidade bloqueadora existente na rua, a sensibilidade da opinião pública, a estrutura das oposições políticas, a fase do ciclo político, as alternativas, a coesão do grupo mobilizado, a energia vital dos governos, a estrutura psicológica do seu líder.

Uma coisa parece ser, no entanto, comum a todas as situações. Depois deste momento de tensão-limite, a realidade político-social fica abalada e em nada se pode comparar com a realidade anterior. Para o bem e para o mal, uma nova fase do ciclo político se abre, com novos desafios e riscos, novas oportunidades e novos confrontos e contraposições. Por isso considero que nestes dias o Governo de José Sócrates está a enfrentar um dos momentos-limite em que se define a sorte de uma legislatura. A prudência dos partidos de oposição foi evidente por isso. Curiosamente, dessa prudência apenas destoou o PCP, preso talvez de uma memória romântica e soreliana da greve geral que paralise a sociedade. O que não deixa de surpreender, porque o paradigma de uma greve anárquica dirigida pela classe média dos pequenos proprietários e integrando os seus trabalhadores apela mais para os movimentos fascistas que culminaram na Marcha sobre Roma do que para a greve geral da classe operária anticapitalista.

Essa característica é muito importante para perceber o que se está a passar e as formas de reagir a tal situação. Tecnicamente, este tipo de greve - não tenhamos medo das palavras - é protofascista. Por isso se não deve estranhar ouvir pequenos industriais de camionagem a dizer que os acordos propostos pelo Governo servem apenas os grandes proprietários. Essa a lógica imanente a este tipo de confrontações, em que a tese da luta de classes sonhada pelos marxistas é, com consistência ou não, substituída por uma lógica de pequena burguesia liderante de um movimento popular capaz de "disciplinar" e agregar as classes trabalhadoras e enfrentar os interesses plutocráticos.

Os tempos já não são, como é evidente, os que se sucederam à 1.ª Grande Guerra. Pois não. Mas alguns aspectos são de molde a preocupar-nos por motivos parecidos. Para quem se não lembrar, o Mussolini anterior à tomada do poder achava que a tese leninista do imperialismo como nova forma do capitalismo estava bem inspirada, mas que a luta de classes deveria ser entre nações pobres e ricas e que as elites que vertebrassem as nações pobres poderiam aspirar a mudar o estado das coisas no mundo.

A minha tese - como sempre devendo ser assumida apenas como hipótese de trabalho e como base para reflexão sujeita ao contraditório - é que estes movimentos que agora grassam pela Europa fora têm algo de proto-fascistas; e também que por esse mundo fora existem movimentos nacionalistas que são muito mais herdeiros (por mais que o queiram recusar) do leninismo adaptado e alterado pelo fascismo italiano do que de qualquer outro tipo de inspiração ideológica.

E é isto que torna muito difícil e complexo aos partidos do arco constitucional reagir. Esta pequena burguesia trabalhadora em cólera, unida aos seus trabalhadores num combate contra o Estado, os partidos, os ricos, os bancos, as companhias de distribuição de combustíveis, os plutocratas, simboliza uma parte significativa da base eleitoral com que em tempos mais pacíficos combatem entre si. Não podem, por isso, atacá--los, mas não podem também deixá-los autonomizar-se.

O Governo conseguiu desmobilizar este movimento com cedências cirúrgicas. Globalmente, acho que vai ganhar pontos com isso. Mas se as causas desencadeadoras da mobilização se não alterarem, as confrontações vão repetir-se e os sistemas políticos por essa Europa e entre nós podem entrar numa crise que ninguém esperaria neste século XXI que se julgava destinado à prosperidade.

No fundo, como disse Fellini, "e la nave va". Veremos como, para onde, e com quem...» [Público assinantes]

Parecer:

Por José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

NEM TUDO É FRUSTRAÇÃO NO PAÍS

«Três chumbos no 5º ano, e algumas companhias que desafiavam para tudo menos para ir às aulas, fizeram soar o alarme. A escola sinalizou o caso e, aos 15 anos, Débora, em risco de cair nas malhas do trabalho infantil ou da marginalidade, voltou à sala de aula pela mão do Programa Integrado de Educação Formação (PIEF). Como ela, todos os anos 2500 jovens entre os 15 e os 18 anos integram esta medida de combate ao abandono escolar e de prevenção do trabalho infantil, dos quais 70% saem certificados com o 6 º ou 9 º ano.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Como é lógico estas notícias que dignificam a escola e os professores não interessam à Fenprof, ao seu líder só interessam as notícias desejadas pelo CC do PCP.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao CC do PCP.»

O LÍDER DOS CAMIONISTAS VOTOU PS

«O homem que fez parar o país durante três dias e que, depois de uma longa madrugada, o pôs a funcionar de novo, fez parte da maioria que votou Sócrates nas legislativas de 2005. Depois do terramoto político que abalou o Governo, não se arrepende da orientação do voto. E provavelmente voltará a colocar a cruz nos socialistas nas próximas eleições. “Este é um momento difícil da economia mundial. Com um Governo PSD, as coisas não seriam muito diferentes”, argumenta Silvino Lopes, enquanto dá um gole de Sumol de laranja num café do Carregado.

O corpulento gestor, que ninguém diria ter apenas 32 anos, garante não ser filiado em nenhum partido político. “Simpatizo com pessoas”, acrescenta. Exemplos? Vai à bola com Santana Lopes e não com Manuela Ferreira Leite. O Expresso sabe, no entanto, que os dois homens que o têm acompanhado nesta semana mais longa, António Lóios e Vieira Nunes, são militantes activos do PSD. O primeiro é engenheiro da área das energias renováveis a apoiou Patinha Antão nas últimas directas; o segundo é bancário e dirigente dos trabalhadores sociais-democratas.» [Expresso assinantes]

Parecer:

Quando haviam sinais de que havia militantes do PSD na liderança do boicote dos camionistas o Expresso descobre que o líder votou PS, pior, tenciona voltar a votar PS.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento a Manuela Ferreira Leite.»

ESTÁ NA HORA DO GOVERNO SE IR EMBORA?

«Nas reuniões que antecederam a manifestação ficará assente que um dos principais «slogans» seria “Está na hora, está na hora/ desta política se ir embora”. Só que, durante o desfile, a segunda parte do «slogan» mudou para “deste governo se ir embora” - o que significava a exigência, pela primeira vez, da queda do executivo de Sócrates. Em sinal de protesto, os principais dirigentes socialistas da Inter deixaram a manifestação. No sábado passado, a corrente socialista reuniu-se na sede do PS no Largo do Rato, para discutir com o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, o Código de Trabalho, tendo corroborado todas as críticas feitas pela central. Segundo o coordenador do PS, Carlos Trindade, “foi decidido exigir o apuramento de responsabilidades” pela alteração da palavra de ordem, que “constituiu uma violação dos princípios da unidade e do funcionamento democrático” da CGTP. Ulisses Garrido, dirigente do sector católico (que se manteve na ‘manif‘ até ao fim), desdramatizou o incidente. “Não posso estar de acordo com a mudança da palavra de ordem, até porque a queda deste governo nunca esteve na agenda da CGTP - nem na greve-geral do ano passado. Mas numa grande manifestação surgem sempre «slogans» daqueles”. Distinta foi a posição de Mariana Aiveca. “O abandono foi um perfeito disparate”, disse a sindicalista do BE, que defendeu “um endurecimento das formas de luta”. Arménio Carlos, o nº2 da CGTP, do sector comunista mais ortodoxo, escusou-se a dar uma opinião. “Não pertenço a corrente nenhuma e qualquer comentário seria entrar no jogo das correntes e sensibilidades”. Quanto a Carvalho da Silva, limitou-se a dizer que a atitude do PS “não teve significado, a não ser para alimentar especulações”.» [Expresso assinantes]

Parecer:

Alguém deveria explicar que a Constituição de que tanto fala tem regras quando à saída dos governos e que, por enquanto, as manifestações da CGTP não contam e não é o CC do PCP a decidir quem governa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se um exemplar da Constituição ao quadrilátero Jerónimo de Sousa.»

O SILÊNCIO DE MANUELA FERREIRA LEITE

«A dúvida é o que terá enervado mais os sociais-democratas: se o risco de ficarem sem gasolina, se o silêncio da nova líder do partido. Manuela Ferreira Leite assistiu ao bloqueio do ‘rectângulo’ em diferido na televisão, a partir de Londres, onde foi visitar o novo neto, e aguentou uma das semanas mais difíceis do Governo de José Sócrates sem dizer uma única palavra. Pelo telefone, ordenou que emitissem um comunicado e fizessem uma conferência de imprensa, mas ambos passaram sem deixar rasto. O PSD, naturalmente, esteve à beira de um ataque de nervos.» [Expresso assinantes]

Parecer:

Sim senhor, agora é que o PSD está a fazer oposição ... no Abrupto!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Chiu, o neto da senhor está a dormir.»

MAIS UMA MANOBRA NEO-FASCISTA

«Agentes da PSP e da GNR estão a receber mensagens por telemóvel onde se apela para que, no sábado e no domingo, não saiam das esquadras e quartéis, participando desse modo numa acção de protesto contra o Governo e a favor de melhores condições salariais e de trabalho."Camarada PSP e GNR, junta-te aos camionistas. No próximo fim-de-semana não saímos dos postos/esquadras. Os políticos que trabalhem" é a mensagem, anónima, de incitamento a uma forma de luta que, no próximo dia 30, poderá endurecer ainda mais, com cinco forças policiais a decidirem por paragens e manifestações conjuntas.» [Público assinantes]

Parecer:

Vivemos tempos de estratégias políticas fascistas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao senhor Sousa quantos SMS mandou.»

AFINAL A JUNTA MÉDICA TINHA RAZÃO?

«O autarca manifestou-se igualmente surpreendido pela alegada intenção de Ana Maria Brandão regressar ao trabalho a 30 de Junho. "Uma pessoa que estava tão mal e que de repente está boa! Alguma coisa não bate certo".A confirmarem-se estas informações, Carlos Lemos considera que o executivo "tem o direito de se sentir enganado" e com muitas reservas quanto a uma eventual readmissão. "Não sabemos se está em condições, até do ponto de vista psicológico. Não vamos entregar a secretaria da autarquia a uma pessoa que agora nos levanta muitas dúvidas". O autarca não quis prestar mais esclarecimentos sobre o caso, para, disse, não "entrar em novelas". "A junta vai aguardar e ver."» [Público assinantes]

Parecer:

Lembram-se da funcionária da Junta de Freguesia de Piães que tinha de ficar numa cama no local de trabalho? Agora há quem fale em milagre.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao Cardeal José Saraiva Martins, perfeito da Congregação para a Causa dos Santos, pode ser que o milagre sirva para ajudar à santificação dos pastorinhos.»

EGIPTO: HOMEM DE 92 ANOS IMPEDIDO DE CASAR COM JOVEM DE 17

«A Justiça egípcia impediu que um homem de 92 anos se case com uma garota de 17 anos por causa da grande diferença de idade entre eles, informou a mídia local.

As identidades do homem e da garota não foram reveladas, mas acredita-se que ele seja cidadão árabe de algum país do Golfo.

O ministério da Justiça egípcio citou uma lei, criada na década de 1980, que impede o casamento de estrangeiros com egípcios quando a diferença etária entre os noivos for maior do que 25 anos. » [BBC Brtasil]

O JUMENTO NOS OUTROS BLOGUES

  1. O "Núcleo Socialista da Faculdade de Direito de Lisboa", o "Câmara de Comuns", a "Sombra do Convento", o "Anti Tretas" e o "Pensamentos" sugerem a leitura do post dedicado à saúde da nossa democracia.
  2. O "Cu-Cu" gostou da fotografia de Jerzy Bednarski.
  3. O "Blog de Oco()rências" passou a estar na lista de links d'O Jumento.

NO "CÂMARA DE COMUNS"

Uma sugestão aos que querem mais informação sobre bloqueios e outras manifestações:

«estou a brincar obviamente, para mais informações sobre bloqueios aconselho os interessados a dirigirem-se, na cidade de Lisboa, ao Largo do Caldas, à Rua Vitor Córdon, à Rua Soeiro Pereira Gomes ou à Avenida Almirante Reis. »

NO "SOBRE O TEMPO QUE PASSA"

"Quanto mais a crise demonstra que ao povo a alma falta, mais minha alma atlântica se exalta":

«Aqui, debaixo de uma árvore, à beira da Universidade, a passarada vai animada, talvez para compensar esta depressiva primavera que, afinal, não houve. Especialmente neste dia, antes do jogo dos scolusos com os checos e antes do referendo irlandês sobre o "porreiro, pá". Especialmente, depois dos discursos do dia da pátria, da condecoração atribuída a Marques Mendes e das vaias que as correia sindicalistas do PCP lançaram contra Sócrates. Apetece apenas dizer que os analistas da antiga luta de classes e da envelhecida questão social parecem não compreender o essencial deste ensaio de maria da fonte dos camionistas.

Os que nos fizerem as regras contra o "lock out" e as greves selvagens não inventariaram a patuleia de uma baixa classe média de PMEs, onde o patrão é ele próprio trabalhador e pode ter, como empregados, os filhos e as noras. Como não assumiram que poderíamos viver num regime onde a maioria dos factores do poder já não é nacional, especialmente perante crises importadas onde a governança lusitana é obrigada a patentear a respectiva impotência. Até merece ser elogiada porque proclama boas intenções e até aumentou o abono de família, que é coisa do mesmo tempo do dia da raça.»

O ABRUPTO DE PACHECO PEREIRA E OS CAMIONISTAS

No dia 7 Pacheco Pereira escreve:

«Um dos camionistas envolvidos nos recentes protestos disse que os motoristas de pesados iam buzinar com abundância porque tinham dentro de si "o espírito da buzina".»

No dia 10 escrevia:

«Está toda a gente a fazer de conta, a começar pelo governo, que não existe hoje um grave problema de ordem pública em Portugal. Tudo na paralisação das empresas de camionagem é ilegal e ninguém quer saber. Impedir a circulação e bloquear estradas é ilegal, organizar piquetes que impedem com violência os camiões de passar é ilegal, e tudo isto é feito diante dos olhos dos agentes da GNR que passivamente assistem não se sabe bem para quê. Presumo que terão instruções para não prenderem ninguém, para não irem ver de onde vieram as pedradas, para garantir a passagem de quem quer passar e são bastantes os que o desejam fazer. Eu sei que no governo estão os que foram para a Ponte 25 de Abril incitar ao bloqueio e participar nele, mas deixar que o império da força se instale nas ruas e estradas paga-se muito caro. Os sinais que estão a ser dados são todos de fraqueza do estado e da lei.»

Depois ficou calado.

Conclusão: Pacheco Pereira que se animou com um buzinão fez silêncio quando o problema ficou resolvido, antes disso não teve a mais pequena opinião sobre a justiça da luta dos camionistas, sobre o ISP ou sobre a crise petrolífera, limitou-se a lamentar que o governo não tivesse mandado os blindados da GNR para a rua.

Enfim, nada aconteceu como Pacheco Pereira desejava.

O RODRIGO CARTOON

Vai passar a estar presente no jornal andaluz Ideal.

O MEU BARBEIRO

Embirrou com o Cão-de-Água do Algarve dizendo do pobre bicho que "não prima nem pela característica de ser bom guarda nem pela de ter o mesmo rasgo de outras raças genuínas portuguesas. Não fiquei incomodado com tal ofensa aos canídeos da minha terra, provavelmente o Luís, influenciado pelo autor da frase que relançou o debate sobre a diferença entre ser de raça e ter raça, ficou a pensar nalguns social-democratas algarvios, como o autarca de Tavira. Pois é, mas há uma diferença entre o bichano e essas personagens, o canídeo é bicho do mar e os outros raçudos algarvios são homens mais virados para o barrocal, aquilo a que na minha terra designamos por montanheiros.

Aproveito para informar que o Cão-de-Água é um bicho de grande inteligência que ajudava os pescadores na faina atirando-se à água sempre que algo caia ao mar. Tal como o Rafeiro do Alentejo, de que tive um bom exemplar, esteve à beira da extinção, mas a sua recuperação foi feita lá para as minhas bandas.

Só não lhe sugiro que faça uma visita aos bichos porque, como comentou no blogue, o apoio dos camionistas ao boicote à GALP foi tão eficaz que é muito provável que tenha dificuldades em abastecer-se no caminho.

PETER COULSON

O PROBLEMA DO FUTEBOL PORTUGUÊS JÁ NÃO ESTÁ NOS AVANÇADOS...

HEINEKEN

sexta-feira, junho 13, 2008

A democracia estará mesmo doente?


É de estranhar que nos últimos dias ninguém tenha questionado a saúde da democracia, os que andaram a chamar fascista a Sócrates, que descobriram em pequenos incidentes o regresso da ditadura, ou que viram no professor Charrua um novo símbolo da liberdade de expressão, não se tenham queixado da qualidade da democracia.

Não questionaram a legitimidade de armadores e pescadores decidirem oferecer ou destruir pescado que tinha sido pago por pequenos consumidores, não se incomodaram por uma minoria de camionistas ameaçarem, coagirem e impedirem outros de circular e até mesmo ameaçar o país com uma guerra civil.

A extrema-esquerda, cuja liderança é disputada por PCP e BE, não ficou incomodada por ver motoristas e pescadores servirem de tropa de choque de alguns dos piores patrões do país, a direita ficou silenciosa perante as restrições à liberdade e a destruição da propriedade alheia, ou o desrespeito da ordem pública, valores que lhe são tão queridos. Pior, enquanto tudo isto acontecia era evidente a mãozinha dos seus militantes nalgumas destas acções, os dirigentes calaram-se enquanto as bases se uniram na acção, o que não é novidade, uma boa parte dos manifestantes da CGTP até é transportada em autocarros de autarquias do PSD.

Para muito dos nossos políticos a democracia é a parlamentar se estiverem no governo e é a da rua se estiverem na oposição, analisam o estado de saúde da democracia pelo seu estatuto. Para o PCP e BE não é o voto dos eleitores que conta, nem os deputados do parlamento, são os manifestantes que representam os eleitores. Se alguém tem dúvidas resolve-se o problema exibindo alguém que diz que votou PS mas está nas manifestações ou a organizar a destruição de camiões da concorrência, assim o parlamento deixa de ter legitimidade.

É este o conceito de boa saúde da democracia, quem deve decidir são os que conseguem juntar uma manifestação ou que têm meios para bloquear o país, quem representa os eleitores sé o CC do PCP que vai à cabeça das manifestações da CGTP, ou os camionistas do PSD que com alguns camiões põem em causa a economia. As votações das moções de censura vão avaliadas na rua, foi isso que disse Jerónimo de Sousa quando apresentou a sua e Ana Drago durante a votação da moção de censura apresentada pelo CDS. O PS tem a legitimidade parlamentar, a direita e a extrema-esquerda juntaram-se para governarem a partir da rua.

Para estes defensores da democracia há novos heróis, o professor Charrua porque chamou filho da puta ao primeiro-ministro e os camionistas porque queimaram os camiões da concorrência. É evidente que se o PCP chegasse ao poder quem chamasse filho da puta a Jerónimo de Sousa iria uns anos para a Ilha do Pessegueiro até aprender a respeitá-lo, se a MFL estivesse no poder aconteceria aos camionistas o que aconteceu aos polícias que se manifestaram no Terreiro do Paço. Nessa altura a democracia deixaria de ser a da rua, passaria a ser uma democracia saudável.

Enfim, com políticos destes não há democracia que aguente.