sábado, junho 28, 2008

A luta de classes segundo o PCP

Aquando do lockout dos armadores de pesca o PCP assistiu impávido e sereno ao espectáculo triste dado pelos pescadores a servirem de gang dos armadores, a instabilidade interessava aos superiores interesses e por isso a CGTP nem reparou que os armadores tinham decidido despedir os pescadores para que estes recebessem o subsídio de desemprego.

Quando sucedeu o mesmo com os motoristas das empresas de camionagem o PCP já sentiu a necessidade de lavar a honra do convento e lá mandou o dr. Carvalho da Silva dizer que estes patrões eram uns piratas. O Avante foi um pouco mais longe e lá analisou a questão à luz do “socialismo científico” o que torna incontornável a questão da luta de classes.

Estes são dois bons exemplos do que é a luta de classes à portuguesa, até porque não são propriamente profissões bem remuneradas, que permitiria aos “cientistas” designar os seus profissionais como pequeno-burgueses. A verdade é que vimos gente mal paga, que trabalha muitos mais horas do que as 65 propostas pelo Conselho Europeu vir dar a cara pelos patrões. Mas como o importante era a desestabilização da economia portuguesa os estrategas do PCP esqueceram rapidamente este pecadilho.

Mas estas duas situações evidenciam também a ausência de influência do PCP naqueles que deveria ser o seu espaço social, o operariado e, entre estes, os mais pobres e explorados. Mas não é a isso que assistimos, o PCP está instalado essencialmente na pequena burguesia urbana, os sindicatos que mais dinamizam a CGTP já não são os sindicatos operários, são os sindicatos dos funcionários públicos e os das empresas públicas.

Apesar de toda a instabilidade social, de toda a precaridade e da perda de rendimentos, onde se registraram greves: no ensino, na TAP, nos transportes públicos e um simulacro na Administração Pública. E quais são as classes sociais mais aguerridas, serão os metalomecânicos ou os operários agrícolas? Nem por isso, são os magistrados (dos que melhor ganham no Estado e trabalham o que lhes apetece), os polícias, os empregados da TAP (uma empresa onde muitos portugueses gostariam de trabalhar).

As grandes lutas “operárias” do PCP são para defender os privilégios dos que alimentam a sua máquina partidária, a classe média urbana, magistrados, professores e outros quadros da Administração Pública. Quem conhece o Estado sabe que não são os funcionários auxiliares ou os menos qualificados que militam no PCP, são quadros superiores, alguns até com posições de dirigentes (devidamente contabilizados como cargos de boys quando interessa ao PCP).

A preocupação do PCP com os pobres não passa de uma palavra de ordem, as suas grandes movimentações foram conseguidas à custa da defesa dos interesses da classe média que alimenta o seu aparelho. Mesmo a CGTP defende essencialmente os que estão empregados, em prejuízo dos desempregados que, como se sabe, não são sindicalizados.

O PCP usa e abusa da bandeira da pobreza e da Luta de classes, mas a verdade é que a luta de classes é uma treta e é um dos partidos que está mais longe da pobreza

Umas no cravo e outras tanta na ferradura

FOTO JUMENTO

Mosteiro de Alcobaça

IMAGEM DO DIA

[Jonathan Ernst/Reuters]

«During another Washington appearance by Mr. Bush, a child strained to see him at the National Hispanic Prayer Breakfast. » [The New York Times]

JUMENTO DO DIA

Lockout no tribunal

Desde que Pinheiro de Azevedo, primeiro-ministro nos tempos do PREC, decidiu fazer greve que não se assistia a uma greve na justiça. Bem, isto se não considerarmos que a generalidade dos tribunais faz greve à segunda e à sexta-feira, ao que dizem para que os magistrados preparem os processos, dando a aparência de que trabalham apenas três dias por semana.

Os juízes de Santa Maria da Feira, que não terão cuidado da segurança da audiência, decidiram que não têm condições de segurança e decidiram parar os julgamentos, algo que não é greve porque são um órgão de soberania, nem lockout porque são os contribuintes que lhes pagam os altos vencimentos mais o estranho subsídio de residência. Portanto, fazem um misto de greve e lockout, mas têm mais sorte do que os grevistas pois continuam a receber vencimento, certamente vão ocupar o tempo a estudar processos.

O estranho é que o presidente do Conselho Superior da Magistratura se tenha deslocado a Santa Maria da Feira, em viatura oficial paga pelos contribuintes, só para acrescentar à falta de segurança o argumento da falta de dignidade, como se para a boa justiça não bastassem vencimentos altos e subsídios de residência, são também necessários gabinetes de luxo. Agora temos um presidente do Conselho Superior de Magistratura que se comporta como se fosse o presidente da CGTP, ainda por cima à conta dos contribuintes.

Para dizer as banalidades que disse em Santa Maria da Feira não precisava de ir tão longe, avisava as televisões e ia ao Terreiro do Paço, sempre ajudava a manter a camada de ozono. Talvez nem tivessemos reparado que aprovou uma greve não declarada e ilegítima de juízes.

O PSD NO SEU MELHOR

Manuela Ferreira Leite chegou a líder do PSD e o Pacheco Pereira é que mudou de visual. Fez bem, aquele ar de intelectual vagabundo não ficava bem a um fervoroso apoiante, conhecido como guru da velha senhora.

O SEQUESTRO DOS SENHORIOS

«E tudo isto vem a propósito de quê? Não, não saiu nenhuma lei nova esta semana, nem nas semanas anteriores, nem houve parangonas com qualquer notícia sobre a miséria dos senhorios obrigados pelo Estado a fazer de santa casa dos inquilinos com mais de 65 anos (e aos senhorios com mais de 65 anos, quem fará de santa casa deles?). Nada disso. Apenas soube de um caso prático da extraordinária "nova" lei do arrendamento. Um prédio construído nos anos 60 do século passado; inquilinos que o ocupam desde essa altura; rendas de 40 e 50 euros por apartamentos de 6 assoalhadas que na avaliação da câmara (e que custou mil euros - ao senhorio, claro) mereceram a bitola de "bom"; uma actualização calculada em cerca de 300 euros, que no caso, devido ao facto de os arrendatários terem todos mais de 65 anos, terá de ser progressiva, distribuindo--se por dez anos; protestos de todos os inquilinos. Um deles escreveu aos proprietários uma carta em que, entre outras coisas, exige a colocação de um elevador (mora num 2.º andar e, afiança, ele e a mulher têm dificuldade em subir as escadas). » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A RAZÃO INÚTIL

«Um dos maiores erros que se podem cometer na acção política - e, se calhar, na vida em geral - é manter a defesa de uma solução que se tornou inviável, em nome de razões legítimas mas "irracionais", recusando todas as alternativas que podem assegurar parte substancial do que se pretendia defender. Essa posição fixista recebe em regra grandes encómios, por ser sinal de coerência. É verdade que a coerência é um valor. Mas, muitas vezes, mascara apenas uma incapacidade de entender a realidade envolvente, uma espécie de autismo manso. E, quando assim é, torna-se um defeito.

Se forças sociais relevantes se fixam numa solução inviável tornam impossível a criação de uma coligação de forças alargada que permita algum sucesso. O efeito que disso resulta é que, mais cedo ou mais tarde, a realidade se encarrega de transportar para o arquivo morto da história essas concepções. E acaba por se implantar na prática uma solução que é muito pior - para os que recusavam qualquer mudança - do que teria sido uma sensata evolução.

Os exemplos são imensos e o espaço (e a paciência do amável leitor) não é ilimitado. Recordemos apenas o fixismo dos que defendiam uma solução pluricontinental para Portugal e que não quiseram apoiar Spínola numa solução que era basicamente federalista: no final o que tiveram foi muito mais desagregado do que a solução que recusavam. Com coerência inquebrantável, ajudaram a que tudo fosse perdido. Ou a luta do PCP contra a moderada reforma que António Barreto pretendeu fazer no Alentejo. O resultado é conhecido: hoje a terra alentejana voltou basicamente aos modelos fundiários e jurídicos que estão nos antípodas do que o PCP defendia. De novo, com coerência inquebrantável, ajudaram a que tudo fosse perdido.

Como contraponto ao elogio da coerência fixista surge, obviamente, a crítica aos que admitem evoluir, que são sumariamente atados ao pelourinho da história (ou das estórias, para os menos importantes...) para os fins conhecidos de lapidação (apedrejamento, se diria agora, pois já não se pretende chegar à morte) e mimos comparáveis.

O caso do referendo irlandês e do Tratado de Lisboa serve de boa ilustração ao que acabei de resumir. Que fique claro: defendi até ao Tratado de Maastricht a tese da Europa das Pátrias, uma solução vagamente confederal que me parecia a mais adequada à realidade complexa e cheia de "biodiversidade" da entidade europeia. Por isso também sempre defendi o alargamento da actual União Europeia para leste e para sul.

No entanto, o sentido da História foi inexorável. Por razões que agora não tenho possibilidade de detalhar, o processo de unificação europeia foi-se acentuando a um ritmo vertiginoso. E esse processo não ocorreu por causa de tratados, mas apesar deles. Como várias vezes disse - e baseando-me muito na minha experiência de advogado - a União Europeia é hoje na prática um verdadeiro Estado unitário, com algumas instituições sem relevo substantivo (embora com grande aparato formal) que sugerem que somos apenas uma estrutura de Estados nacionais independentes.

De facto, sobretudo com base no protagonismo da Comissão Europeia e no activismo dos Tribunais Europeus, os sistemas normativos e as práticas políticas estão em relevantes aspectos mais unificados na Europa do que ao fim de mais de dois séculos estão nos EUA. A moeda, o sistema bancário, a fiscalidade, o orçamento, a concorrência, os contratos públicos, as actividades com regulação pública (energia, telecomunicações, banca, seguros, profissões, ensino, ambiente, propriedade intelectual, etc.), tudo isso - e são apenas alguns exemplos - hoje em dia vem de Bruxelas.

Os defensores da Europa das Pátrias, com coerência, resistem a todos os instrumentos normativos que se afastam do paradigma que muito legitimamente defendem. Mas essa resistência tem contribuído de forma determinante para a evolução que o sistema europeu tem sofrido e que cada dia que passa torna mais longínqua a viabilidade de que o ideal pressuposto tenha oportunidade de se historicizar.

A evolução tem diminuído a "biodiversidade" europeia de forma inequívoca. Concordo. E considero isso um erro. Mas precisamente a falta de instrumentos normativos que organizem o sistema com base democrática tem sido usada por decisores não-eleitos (a burocracia europeia de Bruxelas e o Judiciário situado no Luxemburgo) para formatar a União Europeia de acordo com o modelo ideológico subjacente ao Tratado de Roma numa leitura claramente no sentido favorável a um Estado europeu unitário.

Por isso evoluí e hoje defendo uma Europa que seja uma Federação de Estados e recuso a anomia dominante e a alegria com que a derrota de instrumentos de organização é encarada. Tenho para mim que a lógica imanente ao poder central burocrático e ao activismo judiciário europeus se integra bem com a ambição determinante das potências do Directório que são basicamente as da Balança de Poderes dominante no Antigo Regime monárquico. E tudo isso serve muito bem os centros europeus de decisão económica que manifestamente são sobretudo estruturados a partir das maiores potências europeias.

Se não organizarmos o sistema europeu (ou se o deixarmos no estado anárquico e anómico em que se encontra há muitos anos), o resultado não será maior liberdade dos Estados (e neles dos cidadãos), mas antes a continuidade da expropriação de poderes a que vimos assistindo. E sem a existência de um orçamento federal que possa ser agente activo de redistribuição de rendimentos à escala europeia, o resultado será inexoravelmente uma Europa a duas velocidades, com os mais periféricos, menos desenvolvidos e com menor massa crítica a evoluir para uma lógica de protectorado, como algumas reacções ao referendo irlandês bem demonstraram.

Vamos esperar. Mas a solução que se adivinha é evidente. Os irlandeses terão de votar de novo e aprovar o tratado. Ou assumir as consequências da sua recusa. E, com isso, a coerência da tese fixista confirma a sua razão. A sua inútil razão.» [Público assinantes]

Parecer:

Por José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ESPECULANDO SOBRE ESPECULAÇÃO

«Na Idade da Pedra, quando trovejava o homem pensava que era um castigo de Deus. Hoje, quando algo de desagradável acontece é a especulação. Nos dois casos as pessoas ficam igualmente contentes com a explicação e deixam de pensar sobre o fenómeno e ver verdadeiramente o que o causa.

Primeiro, não estou a negar que existam especuladores, da mesma forma que não estou a declarar-me ateu, negando a existência de Deus. Mas Deus não deve estar muito preocupado em mandar tempestades para nos punir e o especulador não é um ser todo-poderoso.

Se tivermos uma explicação religiosa, sem mais, estamos a evitar que se estude o fenómeno. Tudo o que acontece de mau ser culpa dos especuladores está a tomar formas de explicação religiosa e leva a que ninguém olhe o problema mais a fundo. E nem se perceba como eles actuam nem as suas consequências.

Segundo, a actividade especulativa, em sentido técnico, é uma actividade de risco e, na verdade, muito mais comum do que se possa pensar. Diria mesmo, não deve haver nenhum cidadão que nalgum momento da sua vida não tenha estado numa posição de especulador. Quando, por hipótese, alguém decide adiar trocar de casa, por um ou dois anos, por pensar que o mercado da habitação está muito inflacionado, está, de facto, numa actividade especulativa.

Em sentido técnico, aquela pessoa está a apostar que o imobiliário vai cair e pode perder ou ganhar (dinheiro). A especulação é uma aposta na evolução de um mercado, logo um especulador está numa actividade com risco. Se a aposta é correcta, ganha; mas se os preços da habitação continuarem a subir, perde. É assim a vida de um especulador.Terceiro, em política fala-se de especuladores que fazem subir os preços. Ora, a actividade especulativa não é exclusiva das subidas, os especuladores podem também apostar em descidas de preços. Em qualquer mercado - habitação, petróleo, cereais, câmbios, taxas de juro... - há sempre especuladores e nos dois lados da aposta. E há sempre quem ganhe e quem perca.

Quarto e mais importante: a actividade especulativa para ser lucrativa tem de ser estabilizadora dos preços. Como vimos naquele exemplo, a pessoa que adiou mudar de casa e apostou que os preços iam baixar, só ganha com a aposta se os preços baixarem. Ou seja, se ganhou com a aposta, deixou de comprar, hoje, reduzindo (hoje) a procura e não contribuindo para a alta de preços (hoje). Decidiu comprar a habitação um ano depois, aumentando a procura quando os preços estavam baixos. Ou seja, teve uma actividade estabilizadora do mercado. Se for apenas uma pessoa, certamente que o impacto nos preços é negligenciável, mas se existirem mais pessoas na actividade especuladora neste mercado, então o impacto nos preços será visível e estabilizador, se lucrativo. Os preços hoje tendem a baixar e os preços daqui a um ano cairão menos.

Do mesmo modo, se há muitos especuladores a apostarem na subida do petróleo, eles estão a "comprar" hoje para "vender" amanhã. Ou seja, colectivamente puxam os preços para cima, hoje, e o petróleo será menos barato, hoje. E puxam os preços para baixo "amanhã", ou seja, "amanhã" será menos caro. Estaríamos na presença de especulação lucrativa e estabilizadora.

Se os especuladores se enganarem e os preços "hoje" são mais altos que no futuro, então apostaram erradamente na subida, perdem e são desestabilizadores. Puxam os preços hoje, quando "compram"; e quando os preços caem eles estão a vender, logo puxam os preços ainda mais para baixo. Desestabilizaram e perderam no negócio.

Quinto, esta actividade especulativa é levada a cabo por fundos de elevado risco. Quem conduz estas operações são os gestores financeiros dos ditos fundos e são profissionais e não aventureiros. Se perderem dinheiro, num momento como o actual, vão para a rua no dia seguinte. Em Londres ou Nova Iorque são imediatamente considerados inaptos para a função e são despedidos em minutos e sem processos judiciais nem indemnizações relevantes.

Ora - sexto ponto -, o ministro dos petróleos da Arábia Saudita podia fazê-lo se quisesse. O mercado do petróleo é um mercado complexo por estar sujeito a uma quase total cartelização da oferta. O dito ministro saudita, ao dizer que a subida de preços do barril é consequência dos especuladores, seria de um cinismo hilariante, se não fosse triste. Se ele quisesse, bastaria anunciar que iria aumentar a produção e os preços cairiam. Bastava que a ameaça fosse credível e nem precisaria de a concretizar. Os especuladores que tinham apostado na subida perderiam dinheiro; e gestores seriam despedidos. Ponto final.

Daqui a seis meses, quando virmos a evolução dos preços do petróleo, saberemos se os especuladores que apostaram na subida dos preços ganharam ou perderam dinheiro. Saberemos se a actividade for estabilizadora ou desestabilizadora (ou seja, se foi uma "bolha especulativa").

A explicação de fenómenos complexos é sempre redutora quando explicada para o grande público, num pequeno artigo. Mas é o grande público que tem sido inundado por este deus ex machina para explicar qualquer fenómeno desagradável: o especulador. Perceber o que é um especulador e como actua é importante para que não se pense que Deus é vingativo e que sobe os preços do petróleo para nos punir de algum pecado. Apesar de tudo, vale a pena tentar não pecar.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Luís Cunha.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

NOVO LÍDER PARLAMENTAR DO PSD COM POUCOS VOTOS

«Aquém dos votos que Santana Lopes obteve em Outubro de 2007, Paulo Rangel, deputado eleito pelo círculo do Porto, 40 anos, mereceu ontem os votos favoráveis de 41 dos seus pares na eleição para a liderança do grupo parlamentar do PSD. Ou seja, 57 por cento dos votos.

Vinte e três deputados votaram contra o seu nome, num boletim com três opções – a favor, contra e abstenção(leia-se branco) –, seis abstiveram-se e dois foram nulos. No fim de contas, Santana teve, em Outubro, 70,67 por cento e Rangel 56,9, acima da maioria absoluta. Um score que superou as expectativas de alguns dos seus colegas de bancada. Que previam muitos votos em branco pelo facto do deputado ter a sua militância partidária em dia, apenas, há uma semana.» [Correio das Manhã]

Parecer:

Mais uma "pequena" vitória da velha senhora.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Manuela Ferreira Leite como quer chegar a primeira-ministra mais idosa do mundo se nem os seus confiam nela e nos seus.»

ERA DE ESPERAR

«Vários tribunais de Norte a Sul do País podem vir a suspender julgamentos por falta de condições e segurança. O alerta foi feito ontem pelo presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), António Martins, após ter tido conhecimento da decisão dos magistrados do Tribunal Judicial de Santa Maria da Feira em interromperem, por tempo indeterminado, as diligências que estavam a realizar no exterior, na sequência da agressão perpetrada por arguidos e familiares destes a juízes daquela comarca.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Era de esperar que os sindicalistas dos juízes aproveitassem a deixa. Já agora poderiam aproveitar para que além de um subsídio de residência livre de impostos exigir o direito a gasóleo, gasolina e cigarros profissionais.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao sindicalista se no passado nunca o incomodou a falta de instalações.»

OS POLÍCIAS ACOMODARAM-SE

«O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, afirmou ontem que estamos a assistir a um aumento da criminalidade que resulta do "acomodamento" das polícias - e este "resulta da influência perniciosa do sindicalismo nas forças policiais". Explicação para a polémica crítica: "Durante o dia temos centenas de agentes da PSP a acotovelarem-se nas esquadras, à noite não temos polícia nas ruas para combater a criminalidade". E quando há, acrescentou ainda, é muitas vezes entregue a "jovens inexperientes".» [Diário de Notícias]

Parecer:

Marinho Pinto tem alguma razão, basta ouvir as explicações dos sindicatos para os incidentes que vão ocorrendo para o percebermos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento aos sindicatos da PSP»

TODOS OS TRABALHADORES DO ESTADO TERÃO ADSE

«A partir do próximo orçamento do Estado todos os funcionários públicos terão acesso à ADSE, independentemente do vínculo que tenham com o Estado, prometeu hoje o ministro das Finanças.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Uma medida de justiça elementar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

DIRECTORA DA DREN SELECCIONA PROFESSORES QUE CORRIGEM EXAMES

«De acordo com um relato de um professor escrito em acta, a directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, pediu aos conselhos executivos das escolas para terem atenção na escolha dos docentes que vão corrigir os exames, e disse que “talvez fosse útil excluir de correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações muito distantes da média.” Os “alunos têm direito a ter sucesso” e o que “honra o trabalho do professor é o sucesso dos alunos” terá dito imediatamente antes e depois.» [Público assinante]

Parecer:

Eu pensava que o critério era o da competência e do rigor. Como se aplicarão os princípios da senhora no caso de um exame de matemática?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à ministra da Educação se são estas as normas do ministério ou se estamos perante (mais) um abuso da desastrosa directora da DREN.»

FISCO PENHORA CAVALOS

«Três cavalos voltam a constar do rol de bens penhorados a empresas e particulares em mais um caderno com 163 anúncios de execuções fiscais do distrito de Lisboa, publicado esta sexta-feira.

Os cavalos "Trabalhador" de raça Lusitana, o "Pirilampo" e o "Jeitoso", ambos de raça cruzada, e com um valor base de venda total de 14.250 euros, pertencem à empresa "JDS Montagens Estruturas Metálicas, LDA" que tem uma dívida de 16.913,51 euros.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Se é o que há para penhorar...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

O JUMENTO NOS OUTROS BLOGUES

  1. "O Afilhado" ficou a saber que o PCP defende a despenalização do consumo de drogas.
  2. O "Homem ao Mar" deu destaque aos comentários sobre duas posições do PCP.
  3. O "Território do Caporal" gostou de uma fotografia d'O Jumento.
  4. O "Aventuras em Portugal" sugere a leitura do post "arraial luso".

O "PRÍNCIPE DA TRANSILVÂNIA" NÃO ENGANOU O "MAIS ÉVORA"

Normalmente cai quem é parvo ou quem quer:

«Muito foi aqui publicado sobre este príncipe e os vultuosos investimentos anunciados para a nossa cidade. Recordamos dois posts: «Príncipe da mentira e da ilusão», com informação chegada do Brasil, e «Da terra do Drácula para o Alentejo», artigo de Luís Maneta, no 24Horas, onde se dá conta da notável conferência de imprensa, realizada no aeródromo municipal com a presença do adjunto do presidente da Câmara, Monarca Pinheiro e Sua Alteza Real O Príncipe da Transilvânia.»

DEZ TIPOS DE NUVENS RARAS [Link]

YAN McLINE

CARTOON DEDICADO AO JUMENTO?

AMI

sexta-feira, junho 27, 2008

Arraial luso


No Reino Unido as sondagens dão ao partido conservador uma vantagem de vinte pontos sobre o partido conservador e Gordon Brown governa tranquilamente, sem que nenhum partido ou “organização representativa” questione a sua legitimidade, a rainha até promulgou o Tratado sem grande sarrabulho. Em Espanha Zapatero governa tranquilamente apesar de não contar com a maioria parlamentar, as Cortes ainda chumbaram o seu primeiro governo mas a direita, apesar da grande influência franquista, aceita que a legislatura tem quatro anos.

Todos os países da Europa governam usando a sua legitimidade para adoptar as medidas e reformas necessárias a superar as dificuldades colocadas por um ambiente económico internacional adverso?

Todos? Não, no extremo sudoeste da Europa há um país em permanente arraial, onde os governos nunca são legítimos, se contam com maioria relativa são substituídos logo que as sondagens apresentem novos resultados, se contam com a maioria absoluta cada polícia é um agente da PIDE em potência.

À esquerda há quem tenha saudades do PREC quando a vontade popular era medida na Praça do Comércio. À direita, onde muito se preza a estabilidade governativa, os valores começam a ser os mesmos, os governos só servem para governar se forem governos de direita.

O parlamento não conta, o que conta são as sondagens, as manifestações ou as opiniões dos titulares de órgãos de soberania não sujeitos a sufrágio. Os governos só são legítimos se contarem com as sondagens e mesmo assim só poderão governar um par de meses, uns tempos depois da posse e muito antes do fim da legislatura. Não podem adoptar medidas difíceis porque vão contra a vontade dos manifestantes, nem podem adoptar medidas simpáticas porque a partir do meio da legislatura já são medidas eleitoralistas.

O ambiente de PREC é apreciado por quem menos se esperava, Ferreira Leite acha que o governo não tem legitimidade para decidir obras públicas, pior do que isso, entende que as políticas de desenvolvimento devem estar condicionadas à bagunça dirigente do PSD, quem em três anos vai no quarto líder, com cada um deles a apresentar propostas distintas em relação aos dossiers mais importantes da governação, desde a saúde às obras públicas, ou do ensino à modernização do Estado.

Para as contas públicas o PSD já propôs de tudo, começou com um choque fiscal e acabou a aumentar o IVA, prometeu arrumar as contas públicas e acabou a aldrabá-las, prometeu eficácia fiscal e teve que vender património e dívidas para que mesmo aldrabado o défice não fosse escandaloso. Cada um dos últimos líderes propôs políticas fiscais antagónicas.

É evidente que todos gostamos mais desta democracia, o mais interessante seria mesmo limitar a legislatura a um ano ou seis meses, assim poderíamos mudar de governo sempre que este fosse antipático. O PCP agradeceria pois poderia medir forças com o Bloco de Esquerda quase todos os dias. O PSD também ficaria grato pois a democracia ficaria sincronizada com o ritmo a que muda de líder.

Mas não tenhamos dúvidas, com esta democracia a viver em bebedeira permanente vamos ter que pagar uma factura muito elevada, enquanto nos divertimos vamos deixar aos próximos um país tão subdesenvolvido como o encontrámos. É esse o preço que teremos de pagar por andarmos a alimentar os sonhos ideológicos de uns e a sede de poder de outros. Vamos pagar a brincadeira, diria mesmo que a pagaremos com língua de palmo.

Não são só as empresas que concorrem, os países também o fazem, basta ouvir os sucessivos lamentos de que estamos a divergir da Europa para o perceber. Se o país opta por ser gerido em ambiente de arraial dos Santos Populares é muito pouco provável que saia da cepa torta. Alguns ficarão contentes, uns porque esperam que a crise seja o ambiente mais favorável às suas revoluções, outros porque são o ambiente mais favorável ao enriquecimento fácil.

Umas no cravo e outras tanta na ferradura

FOTO JUMENTO

Évora

IMAGEM DO DIA

[Virginia Mayo / AP]

«Eurotorturas. Protesta ante el Parlamento Europeo en Bruselas por el Dïa Internacional de Apoyo a las Víctimas de Torturas.» [20 Minutos]

JUMENTO DO DIA

O silêncio oportunista dos sindicalistas da PSP

A posição dos sindicalistas da PSP em relação aos agentes que foram alvo de um processo disciplinar é hipócrita, revelando que estes sindicalistas estão mais empenhados na agenda política que lhes é determinada do que na defesa dos polícias. Quando sucederam os acontecimentos estes sindicatos mantiveram-se em silêncio, entre permitir o aproveitamento político de um incidente ridículo e defender os colegas os sindicalistas optaram pelo silêncio. Agora acabaram por tomar posição, mas mais preocupados com a honra do convento do que com os colegas. Uma vergonha de sindicalistas.

NO AVANTE DESTA SEMANA

Diverti-me com um exercício quase pré-histórico sobre a luta de classes no sector dos camionistas, só não percebi porque razão o PCP descobre agora essa luta, quando durante o lockout se manteve em silêncio, mais interessado em que o governo desancasse nos camionistas do em defender dos "proletários" do sector. Esta de os "camionistas assalariados" não terem participado de forma consciente dá-me vontade de rir, um esclarecido dirigente do PCP chama idiotas inconscientes aos trabalhadores. Pois, conscientes são apenas os do partido:

«Os camionistas assalariados não participaram na luta de forma organizada e consciente. Também aqui a crise revelou as fragilidades da sua organização como classe. Assim, foram umas vezes participantes voluntários na luta, outras vezes vítimas dessa mesma luta devido ao lock-out, e no final, viram o acordo do Governo com os patrões consignar a flexibilização das relações laborais, ou seja, o aumento da exploração dos camionistas assalariados (que já é enorme!).»

Mas o que irrita mesmo o PCP é a disciplina de história onde em vez de dizerem que Estaline era o pai dos povos os alunos são recordados dos muitos milhões de vítimas do estalinismo, tantas que por aquelas bandas logo que puderam se livraram do seu regime:

«Mas as avarias não se ficaram por aqui. Uma leitura ao exame de História A do 12.º ano, por exemplo, mostra quanto o ME se preocupa com a formação dos nossos jovens e como não olha a meios para assegurar que ao sairem da escola, seja para o mundo do trabalho (se houver) ou para a faculdade, trazem a cabeça bem espartilhada entre as orelhas. Na dita prova os infantes eram solicitados a identificar, a partir de textos escolhidos a preceito, «três das práticas políticas do estalinismo», podendo para o efeito escolher entre «controlo do aparelho partidário», «campanhas de depuração/purgas», «trabalhos forçados», «repressão policial» e «deportações».» [Avante]

Claro que PCP esquece a denúncia do estalinismo no XX Congresso do PCUS e, agora que é mais estalinista do que nunca, vem logo com a história das criancinhas, talvez porque nunca tenha reparado na obra de Estaline, para não falar da Coreia do Norte, do Camboja ou mesmo da China dos tempos do grande passo em frente. Já seria mauzinho falar do canibalismo nos primeiros tempos da expropriação de terras na revolução russa. Quando se sentem incomodados lá vem a história de comer criancinhas, para disfarçar a realidade incómoda:

«É que no tempo do fascismo o anticomunismo era tão primário que só encontrava terreno fértil no mais profundo obscurantismo, condição sine qua non para se acreditar que os malvados dos comunistas «comiam criancinhas ao pequeno almoço» e «matavam os velhos com uma injecção atrás da orelha». »

CINISMO E IRRESPONSABILIDADE POLÍTICA

É evidente que se Manuela Ferreira leite estivesse preocupada com os custos do TGV não o teria aprovado quando era ministra das Finanças e deu o seu aval ao projecto ambicioso de Durão Barroso. Vir agora perguntar quanto custa o TGV cheira a ridículo.

O que Manuela Ferreira Leite pretende não é impedir a construção do TGV é adiar o projecto para um governo seu, mas para que venha a ser primeira-ministra (cruzes canhoto) terá de ganhar eleições, e para ganhar eleições não há nada como uma crise económica. Ao questionar o TGV o que a velha senhora pretende é lançar a dúvida nos investidores levando-os a não investir antes de saberem quem é governo. O que a velha senhora quer é impedir que se governe e aprofundar a crise económica, adiando os efeitos positivos de um grande investimento. É por isso que embirra com o TGV que aproou e não embirra com o aeroporto que adiou, o TGV é o primeiro projecto a ser lançado, é este que convém adiar.

É evidente que se a velha senhora conseguisse vir a ter o estatuto de primeira-ministra mais velha do mundo viria a beneficiar ela própria com o impacto económico destas obras, para não falar das comissões para os senhores do PSD. O que a velha senhora pretende é defender os interesses do seu grupo à custa dos do seu país.

PANCADARIA NO TRIBUNAL

Depois das escolas, dos hospitais e de outros serviços públicos, foi a vez de um tribunal ser o palco de uma sessão de pancada, sinal de que nem os magistrados já metem medo a muitos portugueses que se sentem no direito de desancar nos que representam o Estado. Talvez agora alguns se interroguem sobre a necessidade de acabar com este espectáculo.

Lamenta-se, todavia, que o representante sindical dos juízes tenha aproveitado para desancar no alvo errado, são poucos os tribunais com condições para julgamentos com 18 arguidos, nem podem ser construídos palácios de justiça a prever esta hipótese, senão seriam verdadeiros edifícios de conferências.

Não sei a quem cabe assegurar as condições de segurança ou quem deve avaliar se um julgamento está a decorrer com condições de segurança ou se é necessário reforçar a presença policial. De uma coisa estou certo quem deveria proceder a essa avaliação estava no local e não em Lisboa.

OS NÓS E AS OUTRAS

«A presidência francesa da União Europeia vem aí e, para o assinalar, Nicolas Sarkozy ofereceu aos deputados uma pasta. Lá dentro, os triviais blocos-de- -notas e caneta, mais a surpresa: uma gravata cinzenta clara. O tom discreto da gravata sublinha a actual tendência de Sarkozy. Antes ele andava com aquelas grossas cebolas Breitling no pulso e, agora, aconselhado pela suave Carla Bruni, tem um Patek Philippe, dez vezes mais caro, cem vezes mais elegante. Mas a discrição galopante de Sarkozy não foi motivo de conversa, falou-se foi de ele ter posto o pé na argola, ou melhor, no laço. É que entre os 577 deputados franceses há 18 por cento que não sabem o que fazer com a gravata - são mulheres. Talvez fosse pior se 82 por cento dos deputados, os cavalheiros, recebessem sutiãs ou gargantilhas, oferecidas como prenda única. Em todo o caso, para uma Europa que procura consensos, é preocupante saber- -se que nem em matéria pacífica, receber presentes, eles se conseguem.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

É A VIDA

«De férias, segui o Congresso do PSD, que se realizou no fim-de-semana passado, pelos jornais e pelas televisões. O acontecimento, apesar de "maçador" e de "desinteressante", deu azo a inúmeros comentários e artigos de opinião que, de forma quase unânime, o consideraram... "maçador" e "desinteressante". Em menos de um ano, o partido parece ter-se transformado numa entidade anémica, exangue de guerras inúteis, inerte por falta de convicções e profundamente descrente em relação à nova liderança. Tendo em conta o que li, dá ideia de que o viço e o entusiasmo, em que o PSD vivia nos bons velhos tempos do dr. Menezes, se esboroaram, de repente, perante a "respeitabilidade" inconsequente da dra. Ferreira Leite. Nem sequer o famigerado "Bloco Central", inventado uns dias antes do Congresso, terá conseguido dar vida a um corpo morto que se arrastou penosamente pelo recinto, dando mostras de uma pelintrice ideológica digna de variadíssimas notas.

No meio deste deserto, árido de propostas e seco de alternativas, parece que se salvou apenas uma única "palmeira": o dr. Pedro Passos Coelho que, com a sua "frescura" programática, se transformou, nos últimos meses, no grande herói do liberalismo nacional. Ao contrário da dra. Ferreira Leite, irremediavelmente encostada à política do Governo, o antigo líder da JSD alcançou, por força das suas "ideias", um estatuto invejável que faz dele uma espécie de "farol" dos novos tempos, capaz de iluminar, por si só, a esterilidade em que progressivamente se afunda o PSD. Como é óbvio, ninguém se deu ao trabalho de analisar as "ideias" do dr. Passos Coelho e ainda menos de explicar a forma como estas poderiam ser postas em prática. Para os "liberais" do regime, tão exigentes com qualquer "marxista" encapuzado, basta que ele acene com umas privatizações e que recheie as suas intervenções com dúzias de banalidades sobre os abusos do Estado e as vantagens da iniciativa privada para que uma miraculosa alternativa se apresente desempoeirada ao país. Infelizmente, no país não se deu conta: entretidos com uma crise social "demagógica" que se esconde em casa da classe média e que afecta milhares de pobres e de desempregados, os portugueses não tiveram ainda oportunidade para se deliciarem com este tipo de rendilhados. É natural, no entanto, que quando souberem que, entre outras coisas, está em jogo a privatização da Caixa Geral de Depósitos, deixem a crise em paz e se convertam, de supetão, às livres oscilações do mercado.
Ao lado de uma nova direcção do PSD que, segundo consta, faz parte integrante do passado, não foram só os lugares-comuns do dr. Passos Coelho que ganharam uma consistência inexplicável: até o "populismo" dos últimos tempos conseguiu ser devidamente recuperado. Humilhado na votação para o Conselho Nacional, o dr. Santana Lopes terá surpreendido a generalidade dos observadores pelo calor das palmas com que foi premiada a sua habitual (e desarticulada) intervenção. Por essa ordem de ideias, presume-se que o dr. Ribau Esteves tenha sido também um dos grandes vencedores do Congresso. E que o dr. Menezes, mesmo depois do seu indesmentível "fracasso", tenha alcançado, em Guimarães, uma compensadora vitória.

Quem não venceu, com certeza, embora possa ter vencido todas as votações, foi a dra. Ferreira Leite. Convém dizer que a nova líder do PSD, mesmo antes de chegar ao Congresso, já tinha o seu destino traçado. O desenrolar dos trabalhos limitou-se a condimentar um consenso mais ou menos generalizado: o "seu" PSD é um partido sem propostas, com uma "credibilidade" gasta ou inútil (conforme os casos), que não galvaniza os militantes e que não se consegue diferenciar do PS. Para cúmulo, é "demagógico" nas suas preocupações sociais e "oportunista" na forma como procura tirar partido de uma crise que se resolveria, num ápice, com duas ou três vacuidades tiradas do liberalismo.

Podia enveredar pelas inúmeras fantasias que se aconchegam no espírito criativo dos nossos pretensos liberais que, não por acaso, se revêem, agora, nas fulgurantes "ideias" que ornamentam o discurso do dr. Passos Coelho. Mas as deambulações oratórias deste novo guru doutrinal encarregam-se, por si só, de desfazer qualquer veleidade que se possa ter sobre os seus estimáveis seguidores. O que, de facto, impressiona neste coro fúnebre que se ergueu à volta da nova direcção do PSD é a diferença abismal que estabelece entre o "estado de graça" que tem o Governo e o "estado de desgraça" em que cai, de imediato, a oposição. Os mesmos que, esta semana, se insurgiram contra a mera "alternância" da dra. Ferreira Leite, não se privaram, em 2005, de elogiar, com abundância de pormenores, a forma habilidosa como o eng. Sócrates se teria apropriado das "bandeiras" do PSD. Nessa altura, não havia "alternância": em contrapartida, havia "competência", "coragem", "determinação" e "capacidade" de penetrar no espaço eleitoral do PSD, deixando o dr. Marques Mendes entregue a si próprio e à sabedoria de quem não tinha querido apresentar-se como alternativa. Três anos depois, a "competência", a "coragem" e a "determinação" do Governo deram lugar à "fragilidade", à "inconsistência" e à "demagogia" da oposição. É a vida!» [Público assinantes]

Parecer:

Por Constança Cunha e Sá.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PSD INGÉNUO

«Naquela que foi a primeira intervenção parlamentar do PSD, após a eleição da direcção no congresso do último fim-de-semana, o agora vice--presidente José Pedro Aguiar-Branco desafiou José Sócrates a vir "esclarecer rapidamente o País se as relações do ministro da Agricultura com os parceiros sociais se passaram a pautar por critérios preconceituosos de opções políticas". Em causa as declarações de Jaime Silva, que acusou a CNA (Confederação Nacional de Agricultores) e a CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal) de estarem a serviço da extrema esquerda e da direita mais conservadora.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Aguiar Branco está esquecido de quando até os órgãos de soberania como os tribunais eram forças de obstrução.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Aguiar Branco se agora simpatiza com o PCP e o CDS.»

BILL CLINTON VEIO GANHAR 300.000 À CONTA DOS PAPALVOS LOCAIS

«O cachet manteve-se secreto embora fontes ligadas à organização tenham avançado ao DN um número na ordem dos 300 mil dólares, número sem confirmação oficial e que parece "curto" (há quem afirme que a vinda de Alan Greenspan a Portugal, também organizada pela mesma agência, orçou quase um milhão de euros, tanto assim que quem quis assistir à sua conferência teve de pagar). Ontem ninguém teve de pagar para assistir à palestra do ex-Presidente, que teve lugar, à hora de almoço, no Museu da Electricidade. Clinton chegou discretamente a Lisboa por volta das 23.20 de anteontem, num voo privado. Trouxe consigo a filha, Chelsea, que cada vez mais parece, como os pais, mobilizada para uma carreira política (foi uma presença permanente ao lado da mãe nas primárias dos EUA). Chelsea pouco se mostrou. E nem sequer aproveitou a conferência para ver as vistas em Lisboa - acompanhou sempre o pai. Do aeroporto da Portela, Clinton pai e Clinton filha rumaram directamente ao hotel D. Pedro, nas Amoreiras, onde, após uma ceia ligeira, pernoitaram. Fizeram-se evidentemente acompanhar de alguns elementos dos serviços secretos americanos, que lhe fazem a segurança (obrigatória por ser ex-Presidente). Como mandam as regras, a operação geral de segurança foi montada e coordenada pela PSP. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Que lhe façam bom proveito.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à ERSE se vai defender que a factura do Bill seja distribuída pelas dos clientes da EDP no próximo mês.»

INCENTIVOS À CONTRATAÇÃO EM TEMPO DE ELEIÇÕES (?)

«O Governo criou um conjunto de incentivos para a contratação de de- sempregados e conversão de vínculos precários em contratos definitivos que produzem efeitos em 2009, ano em que se realizam eleições legislativas. Estes incentivos traduzem-se essencialmente em isenções, totais ou parciais, do pagamento da taxa social única das empresas. Algumas destas isenções têm um carácter excepcional, perdendo validade ao fim de seis meses. » [Diário de Notícias]

Parecer:

No estado de revolução permanente em que o país está todos os anos da legislatura são tempo de eleições. Se não fosse possível adoptar medidas a mais de um ano das eleições o melhor seria entregar o país aos cuidados da ONU.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

OCDE DÁ CONSELHOS

«As exportações deixam de ser o balão de oxigénio e as perspectivas de curto prazo para a economia portuguesa são preocupantes. Portugal tem de aumentar o ritmo de crescimento da economia, melhorar a produtividade e cortar ainda mais no défice das contas públicas, de acordo com o relatório da OCDE, ontem divulgado em Lisboa."Não se prevê que a envolvente externa seja tão benigna quanto nos anos recentes", diz o relatório salientando que "o mercado de crédito mais apertado", a "desaceleração nos EUA e os riscos na Europa", leva a que Portugal "enfrente uma procura externa mais fraca em 2008". Isto pode levar a um abrandamento da expansão da economia. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Pelas propostas que fez quem precisa de conselhos é a velha senhora.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento à candidata a primeira-ministra mais idosa do mundo.»

O PCP E AS BANDEIRAS NEGRAS

«Um espantalho enforcado na pá do tractor exibido na marcha de protesto de ontem, entre Válega (Ovar) e Estarreja, simboliza "o que vai na alma" de muitos produtores agro-pecuários daquela região, onde o sector tem ainda um peso significativo na actividade económica.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Mais do que a foice e martelo, símbolos que o PCP deixa meio escondidos, são as bandeiras negras que denunciam as iniciativas do PCP. Fou o caso das manifs da CNA, enfim, gato escondido com rabo de fora.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Não se dê importância a uma associação representativa do senhor Jerónimo de Sousa.»

PLATINI DESCONTENTE COM PRESENÇA DO FCP NA LIGA DOS CAMPEÕES

«O presidente da UEFA, Michel Platini, manifestou-se insatisfeito com a inclusão do FC Porto na próxima edição da Liga dos Campeões em futebol, numa entrevista concedida ao diário desportivo espanhol Mundo Deportivo.

"Como presidente da UEFA não estou nada contente com a sua (FC Porto) inclusão na Liga dos Campeões. Digo-o claramente. Durante o meu mandato, a UEFA vai lutar até à morte contra a corrupção", garantiu o dirigente à edição desta quinta-feira ao jornal espanhol.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Não é o único.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao ex-namorado da Carolina Salgado.»

PCP DEFENDE DESCRIMINILAZAÇÃO DO CONSUMO DE DROGA

«Preocupado com a falta de eficácia das Comissões de Dissuasão da Toxicodepência (CDT), o grupo parlamentar do PCP propõe alterações à lei da discriminalização do consumo de drogas, entre as quais o fim das coimas aplicadas a consumidores.

O tema da toxicodepência foi ontem levado ao plenário da Assembleia da República pele deputada socialista, Maria Antónia Almeida Santos, mas os comunistas aproveitaram para anunciar a entrega de um projecto de lei que reformula o enquadramento legal do acompanhamento dos consumidores de drogas.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

É um sinal da luta entre o PCP e o BE.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao BE se vai responder ao PCP propondo um subsídio ao consumo.»

MAIS UMA PROFESSORA AGREDIDA POR PAIS

«Aconteceu tudo no último dia de aulas, a 13 de Junho. Uma professora (que quer manter o nome sob reserva) saía da Escola EB 2/3 de Paranhos, no Porto, já depois do derradeiro toque de saída, pelas 18h, quando foi interpelada por duas mulheres, que a agrediram e insultaram ainda no interior do recinto escolar. A assistir estava um funcionário da escola, que não reagiu. » [Portugal Diário]

Parecer:

Como as televisões ficaram mais preocupadas com os magistrados este caso quase não foi notícia, o qeu não se compreende pois, ao contrário dos juízes, os professores não contam com a protecção da polícia no seu local de trabalho.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Condenem-se as senhoras.»

O RELATÓRIO DA OCDE QUE O PSD PREFERIU IGNORAR

«O relatório sobre Portugal apresentado ontem pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) é o mais elogioso dos últimos anos para as políticas seguidas pelo Governo, mas isso não impede que seja pedido "mais esforço" e que não se preveja, para os próximos anos, "uma melhoria rápida das condições de vida dos portugueses".

O relatório, apresentado pelo secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, de manhã, ao lado do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, e à tarde, do primeiro-ministro, José Sócrates, faz um balanço muito positivo das medidas tomadas para reduzir o défice orçamental, reformar a administração pública e reduzir os custos associados a fazer negócios em Portugal. Como afirmou Gurría, repetindo uma ideia várias vezes defendida pelo Governo, "Portugal está agora mais bem preparado para enfrentar a crise".» [Público assinantes]

Parecer:

Lembro-me de um tempo em, que a idosa senhora até nas cotações da bolsa conseguia ver os famosos sinais de retoma, imagine-se como teria reagido se na ocasião tivesse elogios destes num relatório da OCDE, até pedia namoro ao seu colega Paulo Portas!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se cópia do relatório para a velha senhora.»

EMPRESA DE BARCELONA CRIA GELADO GAY

«La empresa badalonesa Bodn, El Gelat Social i Artesa (El Helado Social i Artesano), en la que trabajan discapacitados intelectuales han elaborado este helado de nata del tipo italiano con los seis colores de la bandera gay a petición de la entidad Xarxagay [20 Minutos]

AFINAL OS SAPATOS DO PAPA NÃO SÃO PRADA

«Después de años de especulación sobre si el Papa Benedicto XVI lleva zapatos de Prada, el periódico oficial del Vaticano ha negado el rumor acusándolo de "frívolo".

La revista Esquire nombró el año pasado al pontífice, de 81 años, el "hombre de accesorios del año" por sus mocasines de cuero rojo, que según los entendidos en moda eran probablemente obra de la casa italiana de modas.» [20 Minutos]

TÍTULO 38

  1. O "Câmara de Comuns" considerou post do mês o post dedicado dra. Bambo.
  2. O "Foleirices" e o "Barreiro por Sensei" passaram a integrar a lista de links deste palheiro.
  3. O "Vento Quente da Mudança" dá destaque ao post "política por medida".
  4. O "Mala Aviada" dá destaque a um artigo de Baptista Bastos aqui sugerido.

SOMOV EGOR

NATIONAL GEOGRAPHIC