sábado, novembro 15, 2008

Quanto gasta o Estado a defender malandros?


Imagine-se que o alto responsável do Estado é apanhado em pleno gabinete com as calças na mão pelo vigilante e que para salvaguardar a sua boa imagem tenta despedir o coitado do segurança. A situação chega ao conhecimento público e é gozada num blogger, muito preocupado com a boa imagem da instituição o distinto dirigente queixa-se ao director-geral e este à PJ que por sua vez tenta identificar o blogger. Esta situação fictícia pode suceder, há um artigo no código penal que prevê a ofensa às instituições. Neste caso fictício o dirigente descuidado também poderia apresentar queixa-crime por ele próprio ter sido ofendido, como, aliás, sucede todos os dias.

Por mais verdadeiras que sejam as acusações ou mesmo que as críticas sejam justificáveis uma ida a tribunal representa custos elevadíssimos em perda de tempo, pagamento a advogados e custas judiciais. Para os titulares de cargos políticos ou altos dirigentes do Estado não custa nada disso, é o Estado que paga. Isto é, se um cidadão ofende alguém que se comportou como um malandro tem de pagar a sua despesa e, através dos impostos, ainda está a pagar a queixa-crime apresentada pelo malandro.

Todos os dias assistimos a políticos informarem que já apresentaram a competente queixa-crime contra quem os ofendeu, é fácil, barato e até pode dar algum em indemnizações. Há mesmo políticos com vasta carteira de queixas-crimes, como é o caso de Alberto João. No caso do líder do PSD-Madeira também sucede o inverso, outros titulares de cargos públicos ofendidos pela verborreia do líder madeirense apresentam queixas em tribunal. Só que a justiça é tão lenta que mais tarde ou mais cedo o PSD chega ao poder e retira as queixas em curso, como já sucedeu com uma queixa apresentada por um director-geral dos Impostos, retirada quando Manuela Ferreira Leite chegou a ministra das Finanças.

Ainda recentemente foi notícia que a defesa de Fátima Felgueiras estava a ser paga pela Câmara Municipal de Felgueiras e o seu custo já ia em cerca de meio milhão de euros. Isto leva-me a perguntar quanto do dinheiro dos contribuintes é gasto para defender a “honra” dos titulares dos cargos públicos? Isto num país onde os cidadãos começam a ter muitas dúvidas da honorabilidade dos políticos.

Talvez seja tempo de os políticos passarem a defender a sua honra com o seu dinheiro, no final do julgamento e se os juízes considerarem que a queixa tinha fundamento e os factos afectavam o Estado, então faz sentido que a sua defesa seja paga pelo Estado. Assim, os cidadãos não seriam intimidados por políticos que usam o dinheiro do Estado para cercear a liberdade de expressão dos cidadãos com ameaças de processos, que chegam a ter contornos pidescos como sucedeu recentemente com este blogue.

Umas no cravo e outras na ferradura -

FOTO JUMENTO

Rossio, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Finbarr O'Reilly / Reuters]

«Pequeño, desnutrido y desplazado. Un bebé, en la espalda de su madre, que hace fila para recibir alimentos en una misión católica en Rutshuru, República Democrática del Congo. Es una de las localidades más afectadas por la violencia entre el ejército y milicias tutsis, que ha provocado la huida de miles de familias.» [20 Minutos]

JUMENTO DO DIA

Vasco Pulido Valente

«A natureza de um regime tanto se mostra nas pequenas coisas como nas grandes. Até muitas vezes se mostra melhor nas pequenas do que nas grandes. A cegueira mística da sra. ministra da Educação e um secretário de Estado que implicitamente ameaça "trucidar" professores não revelam, por exemplo, tão bem o carácter autoritário e "policial" do Estado de Sócrates como um pequeno episódio na EPUL (a Empresa Pública da Urbanização de Lisboa). » [Vasco Pulido Valente, no Público]

Gosto tanto do secretário de Estado que falou em "trucida" como do da pasta da Educação, mas sucede que quem falou em trucidar não foi o segundo mas sim o primeiro, e acima de tudo ninguém falou em trucidar professores. Isto não quer dizer que o secretário de Estado da Administração Pública não tenha sido um idiota, como aqui se afirmou, ou que o da Educação mereça no lugar.

Só que Vasco Pulido Valente manipulou os factos e as palavras e isso pode resultar em artigos bonitos, mas é pouco honesto.

OS PROFESSORES DE FAFE

Quando se viram os alunos a atirar ovos à ministra ninguém viu um professor a tentar evitá-lo ou a tomar posição sobre o acontecido, as imagens que passaram foi de galhofa colectiva. Passado um dia e depois da alegria por terem visto os putos fazerem o que muitos desejariam fazer, aperceberam-se que o sucedido só prejudicava a causa, ninguém acreditou na espontaneidade e quem conhece uma escola sabe muito bem que a criançada foi manipulada, a coincidência dos acontecimentos com os protestos dos professores era mais do que evidente.

É evidente que ninguém foi responsável, da mesma forma que nenhum professor ou sindicalistas organizou as dezenas de esperas ao primeiro-ministro e à ministra da Educação, a cobardia dá jeito nestas ocasiões. Como era de esperar no dia seguinte o balanço da manifestação foi muito negativo para os professores e dois dias depois os alunos vão em romaria à Câmara Municipal de Fafe para pedir desculpa e garantir que os professores não tiveram nada que ver com o assunto.

Os mesmos alunos que são muito politizados num dia fazem de escuteiros no dia seguinte. Quem acredita?

OS PUTOS

Há coincidências levadas da breca, agora que a desestabilização das escolas estava no auge e os professores precisavam de levar a sua luta para além da sua classe surge as movimentações dos putos. É evidente que os dois fenómenos estão ligados o que não significa que os professores estejam a usar as suas aulas para mandar os putos mandar ovos à ministra, é para isso que servem as estruturas da JCP e do próprio PCP, assim como é evidente que ninguém o vai conseguir provar.

Só que a manobra não surpreende ninguém e são os professores que ficam a perder, com a imagem desgastada por algumas figuras tristes que ofendem a classe o pior que poderia acontecer é que os mesmos que se queixam da violência e falta de autoridade na escola fiquem agora sorridentes quando os putos atiram ovos à ministra.

Se os professores não se demarcarem deste espectáculo é a derrota da sua luta, se até aqui não conseguiram mobilizar os pais, a partir de agora arriscam-se a contar com a hostilidade da população. Uma coisa é o discurso porreiro dos alegristas ou o oportunismo político da extrema esquerda e mesmo do PSD, outra coisa é a opinião dos portugueses. Quando os professores estavam a conquistas algumas simpatias alguém estragou tudo com esta manobra de baixo nível, organizada pelos mesmos que faziam esperas a Sócrates e organizavam manifestações por sms à porta do PS.

O "PÚBLICO" NO SEU MELHOR

Um bom par de dias depois de os americanos terem votado e quando quase todos os blogues já tinham divulgado o famoso cartaz em que se pedia para não votar em branco, ó jornal Público descobriu-o. Até aqui tudo, bem se o José Manuel Fernandes não tem melhor então que publique material já requentado.

O ridículo está no facto de quando abrimos a imagem na edição do Jornal a imagem aparecer carimbada com o carimbo de "copyright" e o mesmo se auto atribuído ao próprio jornal. Quanto terá pago o Público ao autor anónimo da brincadeira?

Mas se tivermos mais atenção vemos que o texto até está em português, não fazendo muito sentido que o Público atribua a autoria a uma página em inglês. Ou terão recorrido ao Photoshop?

Portanto meus amigos, quem usou este cartoon cometeu um abuso à anteriori, usaram uma imagem que um mês depois se tornou propriedade intelectual do Público!

UM AGRADECIMENTO À ZON

Quando mudamos de um canal a box da ZON avisa-nos do programa que está a ser transmitido. Tenho que agradecer esta funcionalidade à ZON, quando mudo para a TVI à sexta-feira e vejo que ainda está a dar o jornal nacional da esposa do director daquela estação, consigo mudar a tempo de não assustar as crianças.

A BAIXA, POR ALTO

«Nuno tem 33 anos. É crítico de arte. Em 2005, comprou um T2 na Rua dos Sapateiros. Está recenseado na Lapa. Ana tem 39 anos e é professora do Politécnico. Comprou um T4 na Rua da Prata em 2001. O José, de 49 anos, também professor, vive com ela. Tiveram a Laura, agora com 5 anos. A Ana, que é de Santarém, está recenseada na Baixa; o José em Braga. Carla tem 40 anos, é advogada e empresária. Em 2001 comprou um T5 na Rua dos Fanqueiros. Está recenseada em Queluz. Os três têm carro e muito para dizer sobre o que gostariam que a Baixa, onde decidiram viver e onde investiram as suas economias, fosse. Mas no plano de requalificação da Câmara de Lisboa para a zona as necessidades destes habitantes - aliás, a sua mera existência - não foram tidas em conta. Para o plano e para o seu principal mentor, o arquitecto Manuel Salgado, a Baixa é "para as pessoas em início e em fim de vida", e sobretudo para "habitantes de curta permanência". Porquê? Porque, explicou Salgado (numa sessão sobre a zona organizada na terça no São Luiz), a Baixa "não é um bairro" e "não tem condições" para pessoas com carro, a meio da vida, nem para crianças. Ou seja, não tem condições para o Nuno, a Ana, o José, a Laura e a Carla. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ADIAR É PRECISO

«Era uma vez um bicho que parecia um leão. Tinha juba como o leão, rugia como o leão, dava patadas no ar como o leão. Mas depois deste espectáculo saía de cena como um "burro velho e ruim", que é a definição que se dá para "sendeiro". Há muito disto no mundo e, por isso, já não é a primeira vez que o famoso provérbio ("Entradas de leão, saídas de sendeiro") se cruza comigo.

Por exemplo, há um ano escrevi aqui uma crónica intitulada precisamente "o leão e o sendeiro", de que cito a parte final: "A ministra da Educação dá respostas idênticas às que deram os seus equivalentes dos governos do PSD. Mas ela faz parte de um governo de esquerda, de um governo que tem de estar emocional e culturalmente forjado na luta pela qualidade e rigor do ensino público como instrumento de igualdade. Por isso é inconcebível o que diz, o que justifica, o que propõe. Como é incompreensível que se mantenha no Governo. É que entradas de leão são, em regra, previsíveis. Como, está a ver-se, são fáceis as saídas de sendeiro."

Passado um ano e mais algumas manifestações e cedências, esta semana - depois da manifestação dos professores - um dos secretários de Estado anunciou, como se fosse uma coisa normal, que a avaliação em curso (ou bloqueada, vá-se lá saber) só conta para as graduações que ocorram a partir de 2013, isto é, nos próximos cinco anos, os professores continuarão a ser classificados apenas pelo tempo de serviço e pela nota de licenciatura!Esperei que o dito governante fosse sumariamente afastado pela ministra da Educação. Isso não aconteceu. Esperei que a ministra da Educação fosse sumariamente afastada pelo primeiro-ministro. Isso não aconteceu. Pelo contrário, o que disseram foi que nem pode ser doutra maneira!

Em minha opinião - e avisei várias vezes, entre as quais no citado texto de há um ano - a estratégia de enfrentamento com uma classe profissional pode ser uma boa estratégia, se o Governo tiver razão, aguentar, não alienar a opinião pública, conseguir ganhar a batalha e se a vitória servir para alguma coisa. Mas se uma destas condições falhar, a estratégia é completamente errada e contraproducente.

Os professores, de um modo geral, não querem avaliações. Usam todos os pretextos para as inviabilizar. A opinião pública - por boas e más razões - sintonizava-se com a ministra nessa luta pelas avaliações. Mas dizem-me professores sensatos e equilibrados que o modelo de avaliação é um verdadeiro disparate. Não me admira. Tendo saído do Ministério da Educação, só podia ser assim. Mas a questão subsiste: a avaliação dos profissionais é essencial, nivelar bons e maus professores, os que trabalham e os que são absentistas, é um verdadeiro crime contra a igualdade de oportunidades, uma machadada no ensino público, no fundo algo que poderia ser inventado por um suposto lobby do ensino privado, pois este beneficia evidentemente deste estado de coisas.

Perante isto, várias hipóteses podiam ser admissíveis: (i) o Governo continuava as avaliações, arrostava com os ataques e manifestações e tentava ganhar a guerra com o apoio da opinião pública; (ii) o Governo reconhecia que este modelo de avaliação era um disparate, substituía o secretário de Estado que o inventou e aplicava um modelo mais simples e aceitável; (iii) o Governo tentava que fosse escolhido um mediador de comum acordo com os poderosos sindicatos, ou, (iv) se estes recusassem a mediação, arriscava pedir a uma personalidade respeitável e credível que analisasse o modelo e propusesse o que se lhe oferecesse, comprometendo-se o Governo a aplicar a recomendação.

O Governo não escolheu nenhuma destas soluções. Nem sequer escolheu a solução da Madeira: todos os professores avaliados com a nota "bom" por portaria! Optou pela única que não fazia qualquer sentido (a da Madeira faz sentido... na Madeira), como de imediato - babando-se de evidente gozo - o líder sindical Mário Nogueira explicou, dizendo com arrogância: "Não estamos aqui para adiar problemas. Estamos aqui para resolver problemas." De facto, se a avaliação em curso é má, adiar os seus efeitos para 2013 (depois de um adiamento que já ocorrera antes do Verão) não a melhora. Mas, se é boa, adiar os seus efeitos para daqui a cinco anos é um rematado absurdo.

A opção do Governo é, no entanto, óbvia. Em ano eleitoral o PS não quer guerras de efeitos imprevisíveis. Os spin doctors que apoiam os socialistas conhecem a alma portuguesa. Com esta cambalhota mediática esperam que parte relevante dos professores desista de lutar contra a avaliação, por pensarem que não vale a pena maçarem-se tentando destruir o que provavelmente acabará por não servir para nada, por nunca entrar em vigor. O resultado é que o essencial (começar a avaliar os professores e a separar o trigo do joio) se perde, sacrificado no altar do adiamento das decisões, demonstrando-se mais uma vez que em Portugal quem não faz nada safa-se e quem quer mudar as coisas soçobra. Tenho pena da ministra, que seguramente está a engolir o que não gosta, sendo derrotada e nem saindo com grandeza. Mas ela só de si própria e da equipa que escolheu se pode queixar.

"Navegar é preciso/chegar não é preciso", disse o poeta. Traduzido no português do nosso tempo, deve ler-se: "Adiar é preciso/chegar não é possível." Não rima, já sei. Mas é infelizmente verdade.» [Público assinantes]

Parecer:

Por José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

SAUDADES DE NOVA IORQUE

«Muito se escreveu, mas pouco se disse, sobre a sociedade americana que permitisse uma melhor compreensão do que por lá se passa.

A eleição de Obama trouxe à ribalta o problema das minorias étnicas e (a pergunta sacramental) se tal resultado seria possível em Portugal, ou na "Europa". Quem assim questiona são os adeptos da autoflagelação nacional (e europeia). A pergunta está mal feita e a resposta não pode ser melhor. Centremo-nos no que entendemos por integração de minorias.

O conceito de integração e não-discriminação de minorias, sejam elas étnicas, religiosas ou políticas, é muito diferente na Europa continental e nos Estados Unidos. Por simplicidade, chamemos-lhe abordagem francesa por oposição à americana.

Desde logo, na América ninguém discute integração. Esta palavra tem um sentido histórico de luta contra a segregação racial dos anos 50 e 60, nada mais. Aliás, a segregação acabou, mas a integração nunca teve lugar e deixou mesmo de ser exigida. Desde há uns anos surgiu, como alternativa, a hifenização; qualquer americano com sangue negro é americano-africano (ou seja, "african-american" e não "afro-american").

Por outro lado, em França, que é tradicionalmente um país de acolhimento de refugiados políticos e de liberdade religiosa e étnica, o tema da integração está presente. Para um francês, um imigrante tem sido considerado como integrado quando é idêntico a um francês. Ou seja, leu os mesmos livros, fala dos mesmos assuntos, tem as mesmas preocupações e come pão tipo baguette. A não discriminação envolve a possibilidade (e a permissão) de um imigrante se tornar mais um "francês". O mesmo é dizer que a discriminação não é tanto de base étnica mas linguística. Dizia-me um amigo que a primeira decisão que tomou, chegado a Paris onde ia estudar, foi apurar o seu francês para não se sentir discriminado.

É neste contexto que se entende porque, recentemente, surgiram leis em França contra formas de vestir que não estivessem de acordo com a cultura francesa. Foi uma lei que, perfeitamente natural para um francês, foi considerada discriminatória e atentatória das liberdades.

Em Portugal, naturalmente, seguiu-se o modelo francês. Os adeptos do MPLA são preferíveis aos da FNLA porque gostam de bacalhau com batatas, dizia há uns anos Rosa Coutinho. Não me interessa saber se tal era a razão, nem sequer se era uma boa razão, mas é apenas a aplicação do conceito francês de não discriminação de quem é, culturalmente, como nós. E isto é, grosso modo, verdade, independentemente da cor da pele ou da crença religiosa, desde que esta não implique diferenças culturais. Nesta concepção de não discriminação, em Portugal ou em França, a pergunta num censo de qual é a cor da pele de um cidadão é impensável. É certamente inconstitucional e resultaria num vivo protesto público.

Pelo contrário, recordo-me, quando cheguei a Nova Iorque e me matriculava em Columbia, no formulário de inscrição pediam-me para responder (facultativamente) se eu era branco, latino, asiático ou negro. Não estando ainda habituado às subtilezas americanas, não sabia como preencher: eu era branco mas também latino, como os espanhóis ou italianos.

É que nos Estados Unidos, tal como no Reino Unido, não ser discriminado significa algo completamente diferente. A não discriminação de um cidadão pertencente a uma minoria é a possibilidade de permanecer como minoria, seja étnica ou cultural. Ninguém imagina na América exigir a um chinês ou a um egípcio que mude culturalmente. Nem se exige, nem se permitiu durante muitos anos.

Não passa pela cabeça de um americano que alguém, para ser aceite, tenha de negar a sua cultura ou a sua língua: para o bom e para o mau, quem aterra em JFK Airport é um nova-iorquino.
Pondo de lado bolsas não representativas, a sociedade americana não é racista, é racial, que é uma coisa diferente. Daí a pergunta, se eu era branco ou negro, ser legítima e perfeitamente natural. É que as pessoas podem ser catalogadas pela cor da pele, da mesma forma que podem ser classificadas pela altura ou pelo sexo.

Não sei qual das abordagens - a francesa ou a americana - ao problema da não discriminação das minorias é preferível. Qualquer delas tem vantagens e inconvenientes; uma vez que ambas envolvem diferenciação, podem conduzir a outras formas de discriminação mais ou menos informal.

Vem tudo isto a propósito da eleição de Obama. Como foi possível ele ser eleito num país que oficialmente tinha segregação há 40 ou 50 anos, representando os americanos-africanos uns 20 por cento do eleitorado? É que Obama não se apresentou como tal, contrariamente ao que tinha feito Jesse Jackson.

Por outras palavras, a vitória de Obama não é só um sinal de que os americanos-europeus não discriminam os de origem africana. Mas mais interessante é o sinal de que os americanos-africanos não sentiram como uma traição alguém candidatar-se sem ter a sua representação como bandeira. Obama podia ser de qualquer origem, incluindo europeia. Há aqui uma pequena vitória da versão francesa de integração, Obama venceu porque intelectualmente era de Columbia e Harvard, etnicamente não era descendente de escravos, não era culturalmente um africano-americano...

Nesse sentido podia ter sido eleito na Europa para responder à pergunta inicial. E poderia em Portugal? Não sei. O que sei (e a maioria dos portugueses nem se lembra) é que há um quarto de século o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros - o rosto internacional do país - era de origem indiana; o ministro da Educação com maior permanência no lugar era de origem chinesa; e o ex-número dois do actual Governo tem algumas origens não europeias. Só para dar exemplos espaçados no tempo, e nada disto é recordado porque não foi relevante. Felizmente.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Luís Cunha.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

RIDÍCULO!

«Os estudantes da Escola Secundária de Fafe pediram esta sexta-feira desculpa ao presidente da Câmara por terem «manchado o nome do município» quando atiraram ovos ao carro da ministra da Educação e negaram a intervenção de professores no protesto, refere a Lusa.

Júlia Ana Lopes, a porta-voz de uma delegação de estudantes hoje recebida pelo autarca socialista, José Ribeiro, disse aos jornalistas que o gesto serviu para mostrar ao país que os estudantes da cidade «não são arruaceiros e sabem reconhecer os seus erros». » [Portugal Diário]

Parecer:

Está-se mesmo a ver quem organizou o pedido de desculpas dos meninos e lhes sugeriu o que haviam de dizer.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o espectáculo pouco digno dos que ensinam e aprendem.»

ANTÓNIO COSTA APRESENTOU A SUA CANDIDATURA A LISBOA

«O presidente da Câmara de Lisboa, o socialista António Costa, alertou na quinta-feira para que actual a relação entre os professores e o Governo pode levar o PS a perder a maioria nas próximas eleições legislativas.

Segundo António Costa, que falava no programa ‘Quadratura do Círculo’ da SIC Notícias, o descontentamento e a insatisfação da classe docente relativamente ao processo de avaliação de desempenho pode levar o PS a perder a maioria absoluta nas eleições legislativas de 2009.» [Correio da Manhã]

Parecer:

É evidente que António Costa está mais preocupado com a sua candidatura a Lisboa, essa sim que muito provavelmente está perdida, do que com a maioria absoluta do PS.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a António Costa que faça alguma coisa na Câmara Municipal de Lisboa se a quer voltar a ganhar.»

ASSESSORA DE LUXO NA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

«A vereadora da Câmara de Lisboa Manuela Júdice contratou uma assessora para o gabinete que lidera por 3950 euros. A admissão surge pouco depois de a autarca assumir o cargo de vereadora a tempo inteiro para desenvolver o projecto cultural ‘Lisboa, encruzilhada de mundos’, no âmbito do acordo que António Costa assinou com os Cidadãos por Lisboa.

Ao contrário de Helena Roseta, que prescindiu do ordenado de vereadora a tempo inteiro, Manuela Júdice abandonou os CTT e recebeu a nova atribuição. » [Correio da Manhã]

Parecer:

É sempre assim.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a António Costa que se preocupe mais com a câmara do que com os professores.»

SANTANA LOPES SOB SUSPEITA

«A Unidade Especial de Investigação (UEI), coordenada por Maria José Morgado, está a investigar dois processos de loteamento na zona oriental de Lisboa, aprovados em 2006 pelo executivo liderado por Carmona Rodrigues. Num dos casos, o promotor é a Gesfimo, empresa do Grupo Espírito Santo, e, segundo a procuradora do processo, existem suspeitas de "corrupção passiva e activa e tráfico de influências". Paralelamente existe outro inquérito sobre outra operação loteamento, impulsionada pela Obriverca, aprovada e desaprovada no espaço de um mês.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Recorde-se que o marido de Maria José Morgado foi um dos promotores da candidatura de António Costa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Coincidências.»

O CHEFE DO ESTADO MAIOR A GANHAR MENOS DO QUE UM JUIZ A MEIO DA CARREIRA?

«A partir da proposta do ministro Nuno Severiano Teixeira, o Exército concluiu que o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) fica no nível 87 - um acima do dos juízes de círculo com 15 anos de profissão e quatro abaixo dos juízes há 18 anos (91, numa escala que termina no nível remuneratório 115). Note-se que um oficial general chega a a CEMGFA com cerca de 40 anos de vida nas fileiras. Em termos financeiros, o nível 91 corresponde a 4970 euros, o 87 a 4770 euros e o 86 a 4720 euros, de acordo com os dados constantes do estudo do Exército.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Ridículo, até parece que o Governo teme mais os acórdãos dos juízes do que as armas dos militares.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Saiba-se quem fez este brilhante projecto.»

FUNCIONÁRIOS DAS LOJAS DO CIDADÃO SERÃO AS PRÓXIMAS VÍTIMAS

«O Governo pretende retirar aos funcionários públicos afectos às "Lojas do Cidadão" e aos "Postos de Atendimento ao Cidadão" o suplemento diário de dez euros, atribuídos desde 1999, alterar o horário de funcionamento das lojas e possibilitar a abertura dos serviços aos domingos e feriados.

A proposta do Executivo, que deverá abranger o poder de compra de milhares de funcionários públicos colocados nas Lojas do Cidadão, foi apresentada na semana passada em sede de concertação social, mas ainda não foi discutida com os parceiros sociais.» [Diário de Notícias]

Parecer:

É uma pena que as benesses ao BPN também não sejam alvo de concertação.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»

DESTA VEZ FORAM OS PIRRALHOS DE CHELAS

«O que era para ser uma reunião entre o Ministério da Educação e os conselhos executivos de 200 agrupamentos e escolas de Lisboa e Vale do Tejo, tornou-se numa invasão da escola Secundária D. Dinis, em Chelas. Já depois de os secretários de Estado da Educação terem começado o encontro com os professores, cerca de 200 alunos aglomeraram-se junto ao auditório e arremessaram ovos e tomates contra as paredes, depois de não terem conseguido atingir os carros dos governantes. Isto durante dez minutos e sem qualquer intervenção da polícia. No espaço de quatro dias, esta foi a segunda vez que membros do Ministério da Educação são recebidos por estudantes com ovos, reflexo do mal estar que se vive no sector.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Os efeitos negativos desta estratégia são tantos que aposto que não se volta a repetir.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aposte-se e mandem-se os parabéns aos organizadores.»

ANEDOTA DO DIA

«O ex-ministro da Administração Interna, Dias Loureiro, enviou uma carta à Assembleia da República, onde pede para ser ouvido no âmbito das irregularidades detectadas no Banco Português de Negócios.

O pedido foi dirigido ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, que o encaminhou para a comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, que agora terá de o apreciar, confirmou à Lusa, o presidente desta comissão, Jorge Neto.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Perguntem-lhe porque saiu e sobretudo o que sabe do percurso político de alguns membros da SLN, como é o caso de Daniel Sanches.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»

SINDICATOS DOS PROFESSORES LAMENTAM INSINUAÇÕES

«Os sindicatos de professores lamentam as insinuações de que os alunos estão a ser instrumentalizados por alguns docentes para a realização de manifestações de protesto contra as políticas educativas do Governo.

O secretário-geral da FENPROF lamentou que o porta-voz do PS considere que os alunos, que cometeram desacatos contra membros do Governo, estejam a ser instrumentalizados por "alguns radicais e alguns professores".» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Do que estavam à espera? Afinal o que os alunos estão a fazer, mais ovos, menos ovos, foi o que o líder da FENPROF fez durante mais de um ano, esperas a Sócrates e à ministra da Educação. Só este lamento quase permite mais insinuações.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ok, admita-se que foi uma oportuna e oportunista coincidência.»

O CARAJAU VESTIU O ALBERTO DE ADOLFO

«O Presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, disse esta sexta-feira não estar para aturar a «gajada» do PND-M quando confrontado com a primeira página do quinzenário Garajau exibindo a sua figura vestida de Hitler, noticia a Lusa.

O Garajau, quinzenário «sério e cruel», publica esta sexta-feira no espaço de toda a sua primeira página uma foto de Alberto João Jardim vestido de Hitler e com a bandeira nazi em fundo com o título «Mas, não posso estar em todo o lado e por isso peço ao povo que vá tratando deles enquanto eu vou trabalhando». » [Portugal Diário]

Parecer:

Desta vez o Alberto tem sarna com que se coçar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Compre-se um exemplar do carajau.»

SANTANA LOPES DIZ QUE NÃO ESTÁ A SER INVESTIGADO

«O social-democrata Santana Lopes afirma que o procurador-geral da República lhe comunicou que não está a investigar actos de corrupção alegadamente cometidos pelo ex-presidente da Câmara de Lisboa, informa a agência Lusa, » [Portugal Diário]

Parecer:

Quando é que eu já ouvi isto?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

MFL TEM RECEIO DE SER COPIADA

«A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, reconheceu anteontem à noite, em Ourém, que o partido está a ter dificuldade em passar a sua mensagem, sobretudo na televisão pública, chegando mesmo a afirmar que "não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite". Pressionada pelos militantes, desvalorizou a queda social-democrata nas sondagens e recusou divulgar para já a sua estratégia de alternativa ao Governo. "Se eu tivesse políticas alternativas não as anunciava até às eleições", frisou. "Eram todas copiadas pelo PS", acrescentou.» [Público assinantes]

Parecer:

Ridículo, pela primeira vez e em todo o mundo um político que quer ser primeiro ministro não propõe nada com receio de ser copiado. Como se alguma vez ao longo de toda a sua carreira MFL tivesse apresentado uma ideia nova!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se se as propostas que tem apresentado não fazem parte do seu programa e serviram apenas para entreter.»

O JUMENTO NOS OUTROS BLOGUES

  1. O "Pátio das Conversas" também encontra semelhanças entre as esperas dos putos e as esperas da FENPROF.
  2. O "Olhar Global" gostou de primeira medida de Obama.
  3. O "Pátio das Conversas" destaca o post "cada um atira o que tem à mão!".
  4. O "Voz Cívica", "A Outra Varinha Mágica" e o "Viseu, Terra de Viriato" foram incluídos na lista de Links.

O LOCAL PERFEITO PARA UM PASSEIO DE CANOA [Link]

EM FRENTE À CASA BRANCA

NIKON TRAVEL COMPETITION [Link]

URTICA

ALGURES NO ESCRITÓRIO DO FUTURO

DESPORTO RADICAL

ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA PARA DEFICIENTES