sábado, dezembro 27, 2008

Entreajuda


A necessidade de entreajuda para enfrentar a crise foi uma das ideias fortes da comunicação de Natal de Sócrates que não mereceu qualquer comentário, coincidência ou talvez não?

Entreajuda é coisa que os portugueses desconhecem a não ser no futebol e apenas nos bons momentos, se há conceito que os portugueses não têm é precisamente este, facto que é observável no dia a dia.

Com a ditadura a maioria dos portugueses acobardou-se e passou a ter uma visão paternalista do Estado e dos ditadores, era do Estado e do presidente do Concelho que se esperavam as soluções, foi preciso o regime cair de podre para os portugueses terem um momento de unidade, coisa que durou menos de um mês, talvez pouco mais de uma semana.

Com a democracia os portugueses habituaram-se a atribuir a culpa ou ao governo, primeiro vota-se e depois diz-se que se está arrependido, nenhum governo é bem sucedido. Independentemente do partido que está no governo os da oposição nunca lhe encontram qualquer mérito, quando uma personalidade conotada com a oposição fala bem do governo é mais para desfazer na liderança do seu partido do que a pensar no país, foi o que os cavaquistas (incluindo o próprio Cavaco Silva) fizeram enquanto o PSD foi liderado por Luís Filipe Menezes.

É evidente que se questionarmos qualquer político sobre a necessidade de entreajuda nenhum vai dizer que não é necessária, todavia vai acrescentar um mas. O PCP dirá que é necessário acabar com a política de direita para que o resultado dessa entreajuda vá parar às mãos dos mais ricos, é mais ou menos o mesmo que dirá Louça. Manuela Ferreira Leite dirá que sim, mas essa entreajuda não fará sentido se for para ajudar a financiar obras públicas.

As várias corporações também estarão de acordo, mas cada uma delas porá como condição para se envolver nessa entreajuda a satisfação das suas reivindicações.

A verdade é que a regra com que os portugueses se habituaram a viver nos últimos trinta e cinco anos foi a do salve-se quem puder, cada um amanha-se o melhor que pode mesmo que seja em prejuízo do seu país, do amigo, do vizinho e até do familiar.

Se Kennedy voltasse e perguntasse aos portugueses e perguntasse o que estavam dispostos a dar pelo país ouvia um imenso não, um não que iria da Madeira aos Açores e do Algarve a Trás-os-Montes. Depois temos sempre uma boa desculpa para o subdesenvolvimento, a culpa é sempre dos outros, para os professores é dos ministros da Educação. Para os magistrados é dos ministros da Justiça, para a direita é da esquerda, para a esquerda é da direita e da própria esquerda, para os trabalhadores é dos empresários e vice-versa, ninguém tem culpa.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Aldrabas, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Vahid Salemi / AP]

«Calzado de moda. Iraníes lanzando zapatos contra caricaturas del presidente estadounidense, George W. Bush, en Teherán. Esta protesta se ha puesto de moda desde que el pasado 14 de diciembre el periodista irairaquí Montazer al Zaidi le lanzara sus zapatos al presidente (sin dar en el blanco) durante una conferencia de prensa.» [20 Minutos]

JUMENTO DO DIA

José Sócrates

José Sócrates decidiu confundir as funções de primeiro-ministro com as de Pai Natal aproveitando a comunicação de Natal para fazer um tempo de antena pré-eleitoral.

O GOVERNO AJUDOU A BAIXAR AS TAXAS DE JURO?

Ouço um coro de críticas a José Sócrates por este ter referido como sendo obra sua a baixa das taxas de juro. Azar da oposição, Sócrates até pode dizer que contribuiu para essa baixa.

Como é sabido a taxa praticada pelos bancos não é a do Banco Central Europeu, mas sim a Euribor e essa não acompanhou a taxa central enquanto os governos intervieram no mercado dando garantias às operações de crédito. O governo de Sócrates até foi dos primeiros a avançar com essas garantias, para ser mais preciso foi o segundo e antecipou-se à decisão do Conselho Europeu.

Quer gostem quer não, desta vez Sócrates tem razão.

QUEM SEMEIA VENTOS COLHE TEMPESTADES

Quando os alunos de uma escola tentaram agredir a ministra da Educação com ovos a reacção de alguns professores, irresponsáveis e oportunistas foi inicialmente de galhofa, seguida de elogio e compreensão para com os pirralhos, estavam convencidos que atirar os alunos para o "campo de batalha" lhes poderia ser útil. Nessa ocasião a Fenprof não viu nada de condenável, pelo menos nos primeiros dias já que quando se apercebeu que o tiro lhe saiu pela culatra veio a reprovar o comportamento dos alunos.

Desta vez os alunos de uma escola do Porto decidiram brincar com a professora de psicologia que pelos vistos nem ficou muito incomodada. A Fenprof reagiu pedindo a condenação dos alunos, ainda que não tenha tido a coragem de relacionar os factos com as políticas ministeriais, como é sua tradição. Só que a condenação acaba por ser ridícula, quem num dia apoia tacitamente a indisciplina não pode no dia seguinte vir pedir a sua condenação. Quem semeia ventos colhe tempestades, a partir do momento em que foi tolerante com a violência só porque era dirigida para a ministra, os sindicalistas perderam toda a autoridade para se pronunciarem sobre o assunto.

"ELA É DA BALDA"

Esta caracterização da professora feita por uma encarregada de educação, a atitude da professora que até é uma brincalhona e a desvalorização do caso feita pelo conselho executivo. Naquela escola brinca-se e uma professora paga com o dinheiro dos contribuintes "é da balda".

AVES DE LISBOA

Toutinegra-de-cabeça-preta [Sylvia melanocephala], Cidade Universitária

PRIORIDADES - A ESCOLHER

«As sugestões e alertas da ICOS têm caído no saco roto do dogma proibicionista encarnado pelo Órgão de Controlo de Estupefacientes da ONU (com a incumbência de zelar pela aplicação das três convenções da ONU - de 1960 a 1981 - que proíbem o cultivo, venda e consumo de uma série de substâncias denominadas como "drogas", entre as quais o ópio e seus derivados). Parece no entanto óbvio que não é possível continuar a negar o papel central do proibicionismo no financiamento da actividade terrorista mundial, ao conferir às matérias-primas em causa uma margem de lucro extravagante e encorajando a criação de organizações criminosas para as produzir e comercializar. O conflito afegão torna transparente a necessidade de um novo paradigma em relação às "drogas" - ter a coragem de fazer disso uma prioridade, rompendo com o tradicional conservadorismo americano na área, seria realmente uma mudança histórica, à altura da promessa de Barack Obama.

Em jeito de nota: seria curioso ouvir aqueles que a cada discussão sobre os direitos dos homossexuais e o casamento das pessoas do mesmo sexo clamam tratar-se de "um assunto não prioritário" comentarem agora o facto de o Papa, depois de se ter oposto à petição da França na ONU para apelar ao fim da criminalização da homossexualidade, ter considerado as questões de género, e a homossexualidade em particular, como um dos principais perigos que ameaçam o mundo. Parece que afinal é uma prioridade - mas ao contrário. Agradece-se a Bento XVI a honestidade e a clareza.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

2009

«Falar de 2009 é fazer previsões para o próximo ano e todos sabemos que os economistas têm fraca reputação nessa tarefa.

Os meteorologistas estão em boa companhia, pois todos sabemos que olhando o pôr do sol, para além da sensação de bem-estar e de alguma experiência mais metafísica, prevemos o tempo que fará no dia seguinte com a mesma certeza que os cientistas da meteorologia.No entanto, os astrofísicos também estão longe de prever grandes fenómenos singulares por mais brutais que eles possam ser. Fazem-me lembrar a crise; em bom rigor, tudo faz lembrar a crise.

Em boa verdade, a medicina também tem prometido muito e feito pouco. Para além de pernas partidas e de uma infecção bacteriológica pouco mais curam. Têm mais capacidade para nos explicar do que padecemos do que para curar e, muito menos, prever. Nós, economistas (e, pior ainda, os professores de Economia), também explicamos bem a crise, mas prever e prevenir é para o diabo.

E, se entrarmos nos domínios da mente, psicólogos ou neurologistas explicam tudo mas nada previnem e muito menos prevêem. E a prova disso é ver tanto desvairado à rédea solta, e a crise não foi evitada.

Os engenheiros têm mais sorte: fazem casas que se seguram. Evidentemente, até haver um grande terramoto que não é possível prever porque são fenómenos singulares. É parecido com a crise.

Portanto, como se vê, os economistas estão bem acompanhados nesta matéria de previsões, prevenção e, muitas vezes, cura. É que o futuro é incerto e para o conhecermos só podemos olhar para o passado e esse é limitado.

Com todos os riscos de estar errado, façamos umas previsões para 2009. Não são votos - esses são de tudo melhor que em 2008 -, são previsões com probabilidades e custos.

Economicamente, em 2009, o mundo pode passar por problemas ainda mais graves que a crise do subprime. Uma nova onda de insolvências no crédito imobiliário nos Estados Unidos pode ainda acontecer. São empréstimos que nada têm a ver com o subprime, mas empréstimos a pessoas que tinham capacidade creditícia (não necessariamente milionários) para comprarem apartamentos e casas "na planta", na esperança de os preços continuarem a subir e terem alguns ganhos mais tarde. Eram pequenos especuladores que agora entram na falência com a queda do preço das casas.

Outro drama fora do nosso alcance de prevenção seria a cessação de pagamentos de um país da zona euro. Não é uma previsão, é um temor. A Irlanda andou próximo, há bem poucos meses, e os gregos parecem estar determinados em tal. Que Zeus lhes dê protecção e os ilumine. E que o nosso Governo tenha cautelas.

Ainda por resolver é a falta de crédito de toda e qualquer espécie. Como ando a dizer há meses, o problema não é o preço do crédito, é a sua inexistência.

Esta é a tarefa mais urgente para resolver no início de 2009. Não depende só do nosso Governo, longe disso. Mas o nosso Governo pode ser parte da solução ou parte do problema. Se se colocar na posição de fazer muito, sem regras e sem prioridades, então vai ele próprio usar o pouco crédito disponível e será parte do problema. É a política do "é preciso fazer qualquer coisa" e qualquer coisa se fará. As empresas (e as famílias) sem crédito vão falir, mais tarde ou mais cedo, mesmo as economicamente sãs e rentáveis.

Se o Governo quiser fazer parte da solução, terá antes de mais de ser realista e falar dos nossos problemas. Ralhar com os bancos não faz parte. É preferível entender por que é que eles não dão crédito: eles próprios não o têm para o poder conceder. É aí que está o problema e é aí que tem de estar a solução e essa não vai lá com ralhetes, é bem mais difícil.

Depois, é acabar com fantasias de défice de 3 por cento em 2009, sem receitas extraordinárias. Como não se fala nestas, a minha previsão é que se avizinha qualquer coisa: eu vaticino - é uma previsão e um temor - que um ou mais fundos de pensões da banca passem para a esfera pública. Aí - milagre! - temos um défice abaixo de 3 por cento, mesmo que se gaste sem limites. Esse truque pertence a Ferreira Leite; embora não o tenha inventado, foi quem lhe deu o estatuto de política. Em palavras simples, é transformar a Segurança Social num negócio tipo Madoff: quem entra paga aos que lá estão; quando chegar a vez deles, logo se verá. Os poucos ganhos, tanto de estabilização orçamental como de sustentabilidade da Segurança Social, vão pelo cano abaixo com a desculpa da crise.

Há ainda que falar verdade quanto à recessão para que os portugueses acreditem no Governo e, na medida do possível, tomem medidas para a enfrentar. Fantasias do discurso de alguns responsáveis nada resolvem e fazem-nos temer que não saibam o que dizem. E a desconfiança (que significa falta de confiança) é a mãe desta crise.

Há que pensar também na era pós-crise. Se isso for pensado, saberemos o que fazer hoje. Mas isso fica para Janeiro. Acabou o espaço e é tempo de ir celebrar o meu Natal. Que o ano de 2009 não seja pior que o de 2008, esse é o meu desejo - que não confundo com previsões.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Luís Cunha.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

UMA ESCOLA MUITO DIVERTIDA

«Silêncio e irritação. Os habitantes do bairro do Cerco, no Porto, ficaram bastante incomodados com a mediatização do episódio em que alunos do 11º ano do Agrupamento Vertical da Cerco ameaçaram uma professora de Psicologia com uma pistola de plástico. Numa zona socialmente problemática, a reacção acabou por não ser a melhor à presença de jornalistas. "A professora achou uma brincadeira e não fez queixa. Para que é que vêm vocês falar nisso agora?", questionou um dos habitantes do bairro. » [Correio da Manhã]

Parecer:

Sem dúvida que os alunos do Agrupamento Vertical do Cerco e a professora de psicologia são muito divertidos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Conceda-se um prémio à professora pelas suas inovações pedagógicas.»

SUICIDOU-SE A DONA BRANCA DOS RICOS

«O conhecido gestor de fundos Thierry-Magon de Villehuchet ter-se-á suicidado, no seu escritório em Madison Square, em Nova Iorque, por ter perdido mais de mil milhões de euros dos seus clientes na fraude de Bernard Madoff. Uma das afectadas foi Liliane Bettencourt, a mulher mais rica do Mundo e herdeira da cosmética L’Oreal.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Teve bom senso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Que a terra lhe seja leve.»

JUSTIÇA À PORTUGUESA

«O empresário António Cunha viu ser-lhe negada a possibilidade de exigir à Caixa Geral de Depósitos (CGD) uma indemnização de 16,6 milhões de euros por danos contra o seu bom nome e património, depois de as autoridades judiciárias o terem ilibado das acusações de burla de que foi alvo em 1997 e que o levaram à falência. O Tribunal de Mirandela decretou agora que, estando declarado falido, não tem "capacidade processual" para interpor uma acção judicial. O empresário entende esta decisão como um atentado ao direito de cidadania, e vai recorrer. » [Diário de Notícias]

Parecer:

A justiça portuguesa chega a ser ridícula.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se uma gargalhada que se ouça em Mirandela.»

PAPÁS RIDÍCULOS

«A Federação de Associações de Pais do Porto responsabiliza a DREN por situações como a acorrida na escola do Cerco, onde alunos apontaram uma arma de plástico à professora. A "brincadeira de mau gosto", ocorrido um dia antes das férias de Natal, foi filmada e as imagens circulam na net. Os doze alunos envolvido no incidente são ouvidos hoje pelo conselho executivo, que abriu inquérito.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Os papás não educam os meninos e agora é o ministério que tem a culpa? Culpar o ministério da Educação porque não proibiu os telemóveis nas aulas pelos acontecimentos na escola do Cerco ´+e dizer que o problema não está no comportamento dos alunos mas sim no facto de ter sido filmado e chegado ao conhecimento público.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Diga-se aos esmerados papás que não sejam ridículos.»

PASSIVO DO FUTEBOL ATINGE OS 619 MILHÕES

«F. C. Porto, Benfica e Sporting acumulam dois terços do passivo do futebol profissional português. Mesmo com modelos de gestão diferentes, é seguro que as dívidas atormentam quase todos os participantes das duas Ligas.

O passivo do futebol profissional português atinge os 619 milhões de euros, contabilizou o JN, após reunir os dados mais recentes dos participantes na Liga e Liga de Honra. As contas, incómodas para alguns dirigentes, permitem traçar cenários distintos, mas o pessimismo domina. » [Jornal de Notícias]

Parecer:

Mais ou menos o mesmo montante que Cadilhe pediu ao Estado para salvar o BPN.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Teixeira dos Santos se tenciona nacionalizar o futebol.»

O SARGENTO AGORA ACUSA O TRIBUNAL DE MAUS TRATOS À ESMERALDA

«Esta decisão surpreendeu o sargento Luís Gomes, que esperava a presença da menor em casa para passar com ela o Ano Novo. «Não conheço em concreto o despacho mas isto é mais uma continuação dos maus tratos que o tribunal tem imposto à menina», afirmou o militar, que tem a guarda da menor desde os três meses de idade.

«O tribunal impôs um mau trato no dia 19 para que a criança se sinta abandonada por nós e está a continuar nesse mau trato», criando um cenário de «rapto emocional», referiu. Para Luís Gomes, «é esse o intuito do tribunal», procurando criar na criança o «sentimento de abandono» daqueles que trata como país. » [Portugal Diário]

Parecer:

Onde chega a hipocrisia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao candidato a pai que se candidate a uma adopção nos termos da lei.»

MELHORAR A QUALIDADE DO SNS POR DECRETO

«A partir de 1 de Janeiro, se demorar mais do que 15 dias úteis no seu centro de saúde a conseguir uma consulta para uma situação não grave, tem direito oficial a protestar. O Ministério da Saúde vai publicar uma portaria com uma lista dos tempos máximos de resposta garantidos para actos não urgentes. Ultrapassados estes prazos - que têm que estar disponíveis na Internet e em locais visíveis dos estabelecimentos de saúde -, o cidadão pode fazer queixa nos gabinetes do utente das unidades, no livro de reclamações ou enviá-la para a Entidade Reguladora da Saúde .» [Público assinantes]

Parecer:

Não deixa de ser curioso o facto de serem os que não conseguem melhorar o SNS venham agora decretá-lo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se pelos resultados.»

ROBROY

WIRELESS

VISION FUNDATION OF INDIA

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Que se lixe a crise


Não tenho memória de um ano em que não tenha ouvido os governantes falarem em crise, umas maiores do que outras as crises sempre estiveram presentes na economia portuguesa. E se não houver crise adoptam-se receitas de austeridade para evitar a crise.

Os funcionários públicos há anos que vêem baixar o seu rendimento real e desde que Manuela Ferreira Leite chegou a ministra das Finanças foram diabolizados como se fossem os responsáveis de todos os males. Todas as reformas da Administração Pública foram orientadas com base em dois pressupostos: que trabalham o menos possível e que ganham demais antes e depois da aposentação.

A chamada classe média há anos que suporta uma carga fiscal crescente para compensar o excesso de despesa e a ineficácia d fisco, o défice público é sempre suportado à sua custa. Em contrapartida tem que recorrer cada vez mais aos serviços privados, depois de pagar impostos tem suportar os custos do acesso à saúde e do ensino privado porque nem o SNS nem a escola pública dão respostas de qualidade.

Para os empregados de sectores eternamente em crise, como, por exemplo, o têxtil, há anos que suportam a crise. Se a actual crise resulta num aumento do desemprego isso pouco agrava a situação dos que já eram vítimas do desemprego quando supostamente a crise não era tão grave.
A grande novidade da actual crise, para além da dimensão e complexidade, reside no facto de nesta vez alguns dos mais ricos lhe terem tomado o sabor, desde Pinto Balsemão, que está atrapalhado com o seu investimento no BPP, até ao Joe Berardo, que viu o seu investimento no BCP desvalorizado de forma abrupta, desta vez tomaram o sabor da crise. É evidente que não terão de recorrer à sopa dos pobres mas uma boa parte das suas fortunas se esfumaram.

O desemprego não é novidade para os pobres da mesma forma que o oportunismo dos governos é bem conhecido da classe média ou dos funcionários públicos, a grande novidade desta crise é que pela primeira vez alguns dos privilegiados conheceram o sentido da expressão “os ricos que paguem a crise”. Pelo menos durante algum tempo andaram assustados ao ponto de correrem ao governo para que lhes nacionalizasse o BPN, interviesse no BPP, ou lhes desse garantias para os negócios.

Os três anos de sacrifício da classe média e de dificuldades dos mais pobres serviram para alguma coisa, como disse Sócrates na sua comunicação de Natal o Estado está agora em condições de acorrer aos mais carenciados. Como se tem visto os mais carenciados são os mais ricos porque estão menos ricos e os mais pobres que nunca os deixaram de ser. No meio ficam os que são vítimas de todas as crises e que suportam os seus custos.

Agora até vão acorrer com os seus impostos aqueles que sempre defenderam que as operações dos seus capitais nunca deveriam ser sujeitas a impostos a bem do mercado de capitais. Os que em tempos enriqueceram com as operações da bolsa ou à conta da Dona Branca nova-iorquina sem pagar um tostão em impostos recorrem agora aos impostos dos outros para suportar os prejuízos.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Chaminé, Vila Real de Santo António

IMAGEM DO DIA

[Rui Vieira/Associated Press]

«A coffin was carried out of St. George's Church in Telford, England, after the funeral service for Royal Marine Damian Davies. Davies, a 27-year-old from Telford, died alongside two of his fellow marines, Sgt. John Manuel and Cpl. Marc Birch, on Dec. 12. The men were killed by an explosion south of Sangin, Afghanistan, after they were reportedly approached by a 13-year-old boy pushing a wheelbarrow in which a bomb was hidden.» [The New York Times]

AVES DE LISBOA



Periquito-rabijunco [Psittacula krameri]

JUMENTO DO DIA


Mário Nogueira, o líder designado pelo PCP para a Fenprof

Nem no dia de Natal nos livrámos dos bigodes do Mário Nogueira, aproveitou a comunicação de Natal do Cardeal Patriarca e o incidente numa escola do Porto para ser a única personalidade política a ter tempo de antena neste dia, algo que ele não dispensa. EM vez de aproveitar as palavras de D. José Policarpo, que até favorecem os professores ficou muito preocupado porque o cardeal falou em luta política e, usando o argumento típico do PCP, lá explicou que era impossível manipular toda uma classe profissional.

Só que nem toda a classe profissional pensa como ele nem ele próprio explicou a quyem se poderia estar a referir D. José Policarpo para que em vez de aproveitar a intervenção a favor dos professores Mário Nogueira tenha optado por uma posição defensiva.

Já o que disse em relação à indisciplina roça a hipocrisia, os mesmos que fizeram galhofa estão agora preocupados com as brincadeiras dos alunos? Se bem me lembro os professores disseram dos meninos que atiraram ovos à ministra precisamente o que agora se disse a propósito dos meninos que andam armados em gangsters dentro da aula, que eram bons rapazes, habitualmente exemplares e bem comportados.

MAIS UM VÍDEO DE UMA ESCOLA DO PORTO

«Um filme, colhido por telemóvel, sobre uma alegada brincadeira, simulando intimidação de uma professora com uma arma de plástico e gestos agressivos, estragou as férias de uma turma do Agrupamento Vertical do Cerco do Porto.

Amanhã, a presidente do Conselho Executivo vai chamar os alunos à escola e abrir um procedimento de inquérito, por causa de um incidente disciplinar que teria sido "resolvido" internamente se não tivessem sido captadas e imagens que circulam na internet.

Colhida de surpresa, a responsável, Ludovina Costa, não conteve a interjeição "Que chatice!", quando se deu conta da "gravidade" e da "irresponsabilidade" do caso. » [Jornal de Notícias]

Parecer:

O mais curioso deste caso é o carinho da presidente do conselho executivo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Castigue-se os excelentes meninos.»

HARI MENON


GREENPEACE