Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

A guerra dos cobardes

Como é costume o mundo assiste a mais uma guerra entre palestinianos e israelitas, de guerra em guerra em que aparentemente não há vencedores nem vencidos o território da Palestina atribuída aos palestinianos. Os vencidos são os do costume, os povos da região, e os vencedores também são sempre os mesmos, o estado de Israel e os fundamentalistas islâmicos.

Habitualmente não faço incursões lá por fora, deixo isso para as elites intelectuais da blogosfera. Até prometi não falar desta guerra, tomando uma posição do tipo “os brancos que se entenda”, afinal esta guerra está a correr como planeado quer por Israel, quer pelo Hamas. Mas vou faltar ao prometido para dizer que esta é uma guerra de cobardes.

São cobardes os que usam um imenso poder militar para fazer atacar aquilo que se assemelha mais a um campo de concentração do que a uma parcela de país.

São cobardes os que medem as suas vitórias militares em imagens de crianças do seu próprio povo mortas ou feridas, tudo fazendo para que as bombas israelitas atinjam civis usados como chamarizes.

São cobardes os países árabes e da Europa que vão dando uns guinchos de protesto enquanto espera que Israel faça o serviço.

São cobardes alguns grupo de esquerda europeus que estiveram caladas enquanto choveram mísseis Qassam sob Israel e esperaram pela fotografias do costume para se apossarem da luta dos palestinianos transformando-a na sua própria bandeira, transformando a solidariedade num mero exercício de oportunista.

São cobardes os fundamentalistas de todo o mundo que se armam em heróis enquanto são os palestinianos que morrem.

Esta guerra é um festim para os cobardes de todo o mundo, incluindo alguns cá da terra.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Intervalo, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Kirsty Wigglesworth-AP]

«Hundreds of shoes litter the road along Whitehall, as police guard the entrance to Downing Street in London. Several thousand people, many carrying Palestinian flags, marched past British Prime Minister Gordon Brown's Downing Street residence to a rally in Trafalgar Square, London. Outside Downing Street, hundreds of protesters stopped and threw shoes at the tall iron gates blocking entry to the narrow road.» [Washington Post]

JUMENTO DO DIA

Manuela Ferreira Leite

Parece que Manuela Ferreira Leite voltou a desaparecer mas mais grave do que a sua ausência é ninguém ter reparado nisso, aconteça o que acontecer são figuras menores do PSD a tomar posição, como sucedeu com as duas comunicações de Cavaco Silva. Se é para evitar o desgaste da sua imagem não faz muito sentido pois no estado em que estava só poderia melhorar.

Talvez Manuela Ferreira Leite tenha adoptado a tradição espanhola de dar as prendas no Dia de Reis e nesse caso deve estar a aparecer.

MAIORIA ABSOLUTA?

A dúvida em relação às próximas legislativas não está em saber se o PS vai ter uma maioria absoluta, está antes em saber se o PSD vai ter uma minoria absoluta.

AVES DE LISBOA

Corvo-marinho-de-faces-brancas [Phalacrocorax carbo] no Cais das Colunas

A REVOLUÇÃO EXANGUE

«Infelizmente, não há muito para celebrar no 50.º aniversário da revolução cubana, que agora passou. Pelo contrário.

É certo que a revolução cubana, ocorrida em plena era da "guerra fria" e de activa aliança dos Estados Unidos com as opressivas oligarquias e ditaduras latino-americanas, entusiasmou durante décadas as esperanças revolucionárias da esquerda na transformação social e na luta de emancipação nacional contra o imperialismo e o neocolonialismo, fazendo parte incontornável do imaginário da esquerda ocidental do século passado. No entanto, cinquenta anos depois, na sua deprimente situação actual, Cuba constitui hoje o testemunho vivo de uma revolução exangue e do fracasso global dos regimes comunistas.

Depois de assumido o projecto socialista, pouco depois da vitória da luta armada contra a ditadura corrupta de Fulgêncio Batista e contra o controlo norte-americano do país, Cuba transformou-se rapidamente no laboratório de uma nova experiência comunista fora do mundo soviético e num factor de esperança num "socialismo latino-americano", mais genuíno, mais criativo, menos burocrático e menos sacrificador da liberdade individual do que os regimes comunistas então existentes.

Embora à data da revolução Cuba estivesse longe de ser um país pobre no contexto latino-americano, as fulgurantes realizações no campo da educação, da saúde, da cultura, etc. fizeram da revolução cubana um caso de sucesso internacional em matéria de desenvolvimento humano e de progresso social. Acresce que a proximidade dos Estados Unidos e a militante política de confrontação e de cerco norte-americano ao regime cubano, incluindo o apoio à aventura da Baía dos Porcos e o embargo económico até agora mantido, deram a Cuba uma aura de "resistência ao imperialismo" que se transformou num poderoso factor de simpatia internacional, designadamente na esquerda europeia. Finalmente, o apoio de Cuba às lutas de libertação nacional, que culminaram na sua ajuda militar em "guerras internacionalistas" (como foi o caso de Angola), bem como a participação em projectos de desenvolvimento social, através do envio de médicos e de outros técnicos, firmaram os seus créditos de internacionalismo solidário, sem as exigências que tanto a União Soviética como a China impunham em termos de alinhamento político e ideológico.

A verdade, porém, é que, apesar das esperanças iniciais de um socialismo original, o "socialismo cubano" acabou por seguir o molde do marxismo-leninismo soviético (acompanhando a progressiva dependência da ajuda económica e militar da URSS), sendo vítima de todos os seus defeitos. No final, o sistema de colectivização geral e de planificação estatal da economia revelou-se o mesmo fracasso que em todo o lado, para não falar da restrição da autonomia e da liberdade individual e da castração das liberdades civis e políticas, em geral.

Economicamente, Cuba é hoje um dos países mais pobres da América Latina, sobrevivendo das remessas dos expatriados e do turismo, onde imperam o racionamento dos bens essenciais, o mercado negro e a economia paralela (com dupla moeda), com campos abandonados e cidades degradadas, de que a própria Havana, outrora uma das cidades mais prósperas da América Latina, é exemplo gritante. Politicamente, Cuba continua sob o estrito monopólio político do partido comunista, sem liberdade de expressão e de organização política, com eleições puramente aclamatórias e com periódicas operações de repressão dos opositores políticos.

Nos principais índices de bem-estar material de uma sociedade moderna, Cuba ocupa sistematicamente os lugares inferiores em termos comparados. Os níveis de rendimento são em geral muito baixos. Quem não disponha de dólares ou outras divisas não tem acesso a bens que só as lojas estatais reservadas proporcionam (a preços elevados). Mercê do fracasso da agricultura colectiva e da ausência de mecanismos de mercado, bem como da insuficiência de divisas para importações, existe uma crónica escassez de abastecimento, mesmo de bens alimentares. Os próprios serviços de saúde e de educação, outrora orgulho do regime, passam agora por carências, por causa da insuficiência de financiamento, que as dificuldades económicas geraram.

Quase vinte anos depois da queda do comunismo soviético na Europa e da deriva capitalista da China, Cuba só agora, depois da saída de Fidel Castro, parece encarar o dilema entre a manutenção do statu quo, insustentável a prazo, ou a adopção de reformas económicas e sociais, que podem permitir sair das dificuldades, mas que correm o risco de desencadear uma liberalização económica e política sem retorno, que ponha em causa os próprios alicerces do regime. As pequenas mudanças anunciadas por Raul Castro podem indicar a escolha da segunda via, mas a timidez das mesmas e a demora na sua implementação podem significar que enquanto Fidel Castro for vivo nada de substancial se alterará. Entretanto, apesar do balão de oxigénio da ajuda da Venezuela de Chávez, a situação pode degradar-se para além do suportável.

Entre os mitos revolucionários que mantêm coeso o regime cubano, o principal é ainda e sempre o anti-imperialismo e o ódio aos Estados Unidos, que o irracional boicote económico de Washington continua a acirrar. É desejável que o novo presidente dos Estados Unidos corrija sem demora a política cubana da Casa Branca, trocando a estratégia do isolamento de Havana por uma política de respeito (incluindo a questão de Guantánamo) e de apoio à abertura do regime cubano. Como mostrou o processo de democratização de outros países comunistas, especialmente na União Soviética, os regimes comunistas, quando esgotados, dificilmente resistem a um processo de liberalização económica e política.

O importante é começar a vencer bloqueios e resistências.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Vital Moreira.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

AdC SUSPENDE CARTÃO MyZonCard

«O cartão MyZonCard, através do qual a Zon Multimédia prometia aos seus clientes 52 entradas gratuitas por ano nas salas de cinema da Lusomundo, foi suspenso por um período de três meses pela Autoridade da Concorrência, na sequência de uma queixa do produtor, distribuidor e exibidor de cinema Paulo Branco.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Coisa rara, a AdC interveio no mercado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se pela decisão final.»

PROFESSORES QUE NÃO CUMPREM A LEI PODERÃO SER PENALIZADOS

«Os professores que não realizem a sua auto-avaliação podem ser alvos de processos disciplinares, revelou ao DN o secretário de Estado adjunto e da Educação. Jorge Pedreira frisa assim que os docentes que rejeitem ser avaliados podem não só ser prejudicados em termos de progressão da carreira mas também alvo de inquéritos. Durante o dia de ontem, em que foi publicado em Diário da República o decreto que simplifica a avaliação do desempenho, o secretário de Estado avisou que os avaliadores podem ser demitidos dos cargos caso não façam avançar o processo. » [Diário de Notícias]

Parecer:

É mais ou menos o que sucede com todos os trabalhadores.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se os professores que as escolas não estão em autogestão nem o Mário Nogueira é ministro da Educação.»

PROCESSOS CONTRA POLÍTICOS VÃO AVANÇAR

«O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, garante que durante este ano, apesar de contar com três eleições, os processos que estão no Ministério Público e que envolvem políticos irão avançar. Com eleições europeias, em Junho, legislativas, entre Outubro e Novembro, e autárquicas, em Dezembro, os inquéritos ganham este ano uma importância acrescida: é que o resultado pode ter influência nas eleições. Mas o PGR adianta que os "casos políticos" em curso não serão "congelados". "Os processos concluir-se-ão na altura própria, independentemente dos actos eleitorais", garantiu ao DN Pinto Monteiro. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Este PGR parece gostar mais de falar do que de fazer.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se o senhor Procurador de que ficamos à espera dos resultados da sua acção.»

FAZENDA EXCLUI PS DA CONVERGÊNCIA DA ESQUERDA

«O PS não faz parte "da convergência de esquerdas", considera Luís Fazenda. O líder parlamentar do Bloco de Esquerda referiu ao DN que em Portugal, como noutros países da Europa, está a decorrer um debate aceso, impulsionado a partir do próprio eleitorado, sobre a "coincidência entre a esquerda ideológica e a esquerda partidária".» [Diário de Notícias]

Parecer:

Este senhor que antes do BE era do PCP(R), um partido adorador de Estaline, Mao e Enver Hodja, nunca teve muito jeito para intervenções públicas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se um comentário a Manuel Alegre.»

OS MILITARES GANHAM MENOS QUE AS EMPREGADAS DOMÉSTICAS

«A Associação Nacional de Sargentos divulgou este terça-feira um documento onde demonstra que, de acordo com um anuário estatístico de 2006, os militares portugueses dos três ramos ganharam em média 2,88 euros por hora.

Segundo as contas feitas pela ANS, com 1.160.000.000 de euros gastos com 36.780.000 elementos em serviço efectivo durante 24 horas e 365 dias por ano, cada militar ganhou 2,88 euros por hora em 2006, de acordo com o anuário estatístico respectivo, "o mais recente disponível".» [ target="_blank"Jornal de Notícias]

Parecer:

Este país está de pernas para o ar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao ministro da Defesa.»

CONSTÂNCIO CONTRARIA CAVACO SILVA

«O governador do Banco de Portugal defendeu esta terça-feira que a resolução do problema português do endividamento externo não deve ser prioritária, dado o actual contexto de conjuntura recessiva.

"No curto prazo, conter mais o crescimento do endividamento externo implicaria o agravamento da recessão, que não seria aceitável face aos riscos de desemprego e perda de rendimento que implica", afirmou o governador Vítor Constâncio, em conferência de imprensa, na apresentação do boletim económico de Inverno.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

O que dirá agora Cavaco Silva?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento a Cavaco Silva.»

ESPECIALISTA ESPANHOL PROPÕE O FIM DAS PRENDAS NO DIA DE REIS

«El experto en psicología infantil Jesús Ramírez propuso hoy suprimir el Día de Reyes y pasar la entrega de regalos al 25 de diciembre con el objetivo de acortar las vacaciones escolares, al tiempo que se consigue un ahorro familiar dado que en la actualidad muchos hogares realizan un doble desembolso (Papa Noel y los Reyes Magos.

Un total de 7.419.989 escolares volverán al colegio entre el miércoles y el jueves, tras disfrutar de aproximadamente 15 días de vacaciones, según datos del Ministerio de Educación, Política Social y Deporte. Así, los menores que más descanso escolar han tenido son los catellanoleoneses, madrileños y navarros, con 18 días festivos, que los alumnos vascos se han tenido que conformar con las vacaciones más cortas, 13 días.» [ep social]

POSTCARD FROM MARS [imagens]

ICY DAYS AND NIGHTS [imagens]

DANIEL DANILOV

SUGESTÃO CARNAVALESCA PARA O ALBERTO JOÃO

ACIDENTE EMBARAÇOSO [Link]

SUEDE

Terça-feira, Janeiro 06, 2009

PSD: os senhores da guerra

Pela forma como actuam muitos dos candidatos líderes nacionais bem como dos líderes regionais do PSD lembram-me mais os senhores da guerra do Japão medieval, ou, para dar um exemplo mais recente, os senhores da guerra do Afeganistão. A forma como se organizam, como arregimentam apoios dentro do partido, como preparam os assaltos ao poder são mais próprios dos senhores da guerra do que de verdadeiros líderes políticos numa democracia moderna.

Personalidades como Pedro Santana Lopes, Luís Filipe Menezes e mesmo Manuela Ferreira Leite não se apresentam com um projecto político, o mais longe que vão é a apresentação de propostas pontuais e comentários políticos circunstanciais, ninguém lhes conhece um projecto para o país. No caso de Ferreira Leite chega-se ao ponto de a líder se esconder, de dizer que o seu projecto é secreto, evitando tomar posições sobre os problemas do seu país. Não está a participar num debate político, está organizar o exército para as próximas batalhas.

Os seguidores destes líderes também não sabem muito bem o que eles pensam nem estão interessados, sabem que se vencerem terão direito a uma maior ou menor parte do espólio, o seu apoio é uma aposta e tem como contrapartida a participação na partilha do tesouro. O que distingue um seguidor de Luís Filipe Menezes de um apoiante de Manuela Ferreira Leite não são diferenças de projecto político para o país, é o acesso ao poder no caso de o seu apoiante vencer.

As alianças tecidas entre estes políticos têm também muitas semelhanças com as que se estabelecem entre os senhores da guerra. Veja-se, por exemplo, o caso de Pedro Santana Lopes, um grande inimigo de Ferreira Leite que depois de vencido na directas se aliou a Luís Filipe Menezes para, agora que Ferreira Leite preside ao PSD abandonou Menezes para apoiar Ferreira Leite em troca da “praça” de Lisboa. Este não é um comportamento típico de um político, mas sim de um senhor da guerra, aliás, recorda-nos as alianças que se estabeleciam entre os senhores feudais em guerras de outros tempos.

Os próprios líderes regionais, detentores de pequenos exércitos mas sem ambições de conquistar a capital, vão-se aliando aos líderes nacionais com base nas contrapartidas que esperam receber. É por isso que Santana Lopes teve o apoio das bases e hoje é um homem só, o mesmo sucedendo com Luís Filipe Menezes que tinham os pequenos exércitos regionais do seu lado e hoje anda só e abandonado.

Quando chegarem as eleições todos os pequenos exércitos estarão unidos em torno da líder, mas muitos destes pequenos califas estarão apostando na derrota pois sabem, que uma vitória eleitoral da líder representará para eles uma derrota mais pesada do que a vitória do adversário. Enquanto o PSD tiver este modelo de organização assente no poder destes senhores da guerra dificilmente será um candidato sério a governar Portugal. O tempo já não é de mentalidades e modelos de organização medievais.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Samouco. Alcochete

IMAGEM DO DIA

[Reuters]

«A Jordanian attends an anti-Israel protest in Amman» [The New York Times]

JUMENTO DO DIA

Ricardo Costa, jornalista da SIC

Se a entrevista de Sócrates à SIC me tivesse apanhado de surpresa teria corrido um sério risco de pensar que Ricardo Costa em vez de jornalista era um candidato a primeiro-ministro e em vez de ser uma entrevista ao actual primeiro-ministro estaria a assistir a um debate eleitoral.

Em vez de questionar Ricardo Costa afirmava, em vez de discutir os estudos encomendados pelo Governo o jornalista invocava os seus próprios estudos como se alguém o conhecesse pelos seus conhecimentos em economia. Ricardo Costa não escondia o ar abespinhado quando as respostas de Sócrates o contrariavam.

Ricardo Costa não fez uma única pergunta, limitou-se a fazer afirmações redondas apresentadas com o claro objectivo de condicionar as respostas conduzindo-as às suas próprias conclusões. Ricardo Costa revelou ser um jornalista que tem pouca consideração pelos telespectadores da SIC, como acha que somos burros tentou a todo o custo levar Sócrates às suas próprias conclusões.

Sou defensor de um jornalismo independente e agressivo, mas aquilo a que assisti foi a um jornalismo de galo da Índia.

PARA O QUE QUER MÁRIO NOGUEIRA FORÇA NEGOCIAL?

Talvez com receio de que a próxima greve dos professores tenha menos adesão do que a anterior, questão que não se coloca pois para a CGTP todas as greves têm mais de 90% de adesão, Mário Nogueira apela aos professores para que faça greve com o argumento de que uma grande adesão reforça a sua posição negocial. O problema agora é saber de que serve aos professores o reforço da sua posição negocial já que toda a gente sabe que o militante do PCP não está interessado em negociar nada e apenas tem por objectivo ser ele a governar um ensino em auto-gestão. Será que vai voltar a propor a auto-avaliação?

ALEGRISTAS A PRODUZIR A MOÇÃO DE SÓCRATES

Este país tem o triste hábito de exibir os que mudam de opinião ou que colaboram com o "inimigo" como certificadores de qualidade, ainda que tais personalidades sejam exibidos como animais de circo. Foi rara a manifestação organizada pelo PCP/CGTP/Fenprof em que não fosse exibidos eleitores do PS a assegurar que não voltaria a votar em Sócrates como se tivessem sido enganados, Sócrates prometeu-lhes o comunismo e acabou por manter o capitalismo.

O caso mais recente desta exibição circense foi a divulgação das personalidades que vão elaborar a moção do PS, enquanto uns foram apresentados como militantes normais outros foram exibidos como ex-apoiantes de Sócrates. Um espectáculo triste e lamentável.

TROFENSE 2 - 0 BENFICA

A vontade de jogar dos jogadores foi inversamente proporcional ao dinheiro que tiveram para gastar na passagem do ano.

UM PROTESTO

De uma visitante recebi o relato de uma luta que está a travar contra o Citibank. Só me apetece perguntar: o Banco de Portugal existe apenas para proporcionar excelentes ordenados aos seus administradores e funcionários?

«Caros amigos na sequência dos diversos mails que enviei há dias, informo que amanhã, irei ter uma entrevista com a SIC. Para além disso está a circular esta petição online, pelo que vos peço que circulem pelos vossos contactos pois precisamos de 4000 assinaturas, mas se quisermos é num instante.

Vamos ver, se pela parte que nos toca conseguimos fazer algo para acabar com a impunidade destes Srs.

http://www.petitiononline.com/citibank

Já agora mando a carta objecto da minha reclamação:

Carta:

Eu nada devo nem nunca devi ao Citibank estou a ser vítima de extorsão por parte desses senhores, deixo-lhes aqui cópia da carta que enviei a diversas entidades para além da queixa que apresentei no Banco de Portugal, e meus amigos nunca se esqueçam de apresentar queixa no Banco de Portugal é fácil através do site portal do cliente bancário, quantos mais formos mais atenção despertaremos, e já agora no provedor de Justiça.

Exmos. Srs.

No dia 19 de Setembro cancelei o cartão adicional Visa do Citibank (cartão atribuído à minha filha),através da linha citiphone 24h em virtude da portadora ter dado pela falta do mesmo aquando da sua viagem da Hungria para a Áustria.

No momento em que efectuei o cancelamento informaram-me que o referido cartão já se encontrava bloqueado pois era um procedimento de segurança quando se verificavam compras no estrangeiro. Perguntei se havia movimentos já efectuados no cartão e foi-me respondido que não.

Com enorme surpresa fui contactada no início de Outubro por um elemento do Departamento Anti-fraude que não se identificou dizendo que havia compras efectuadas no mesmo dia em que cancelei o cartão, no montante de 851,03 euros, valor este superior ao plafond do cartão que era de 500 euros.

Informou que iriam enviar uma carta de disputa, a qual após o seu preenchimento, deveria ser remetida, através do fax nº 213 168 409, ou em envelope RSF para o Apartado 24218, 1269-056 Lisboa.

Procedi ao envio utilizando as duas formas no dia 20.10.2008, e passado algum tempo liguei para a linha de atendimento ao cliente e ninguém me confirmou o envio da documentação.

Durante todo este tempo continuei a pedir informações que nunca me foram prestadas.

No dia 13.11.2008 recebo nova carta datada de 04.11.2008, a solicitar novamente a carta de disputa, bem como participação policial o que nunca houvera sido solicitado.

Faço novo envio de todos os documentos bem como a participação policial e ao Ministério Público no dia 21.11.2008 por fax e também por correio para a morada constante no ofício, desta vez com registo e aviso de recepção, o qual foi recepcionado em 24.12.2008.

Cerca de oito dias após o citado envio, novamente para a linha de atendimento ao cliente e após muita insistência para me informarem da recepção da minha correspondência informam-me que tenho que esperar e que a partir do momento em que um cartão é roubado a responsabilidade é do cliente.

Em 12.12.2008, recebo nova carta datada de 28.11.2008, desta vez endereçada à minha filha (não se percebe porquê, pois sou eu a titular da conta e sempre me foi afirmado que a reclamação é da obrigação exclusiva do titular) informando-me que a minha reclamação não poderia ser atendida porque nos termos do ponto 5.1 do contrato, o extravio do cartão deveria ser comunicado de imediato através da linha Citiphone 24, o que só teria vindo a acontecer no dia 24.11.2008 (o que de todo não corresponde à verdade uma vez que o contacto para a linha, foi efectuado de imediato), pelo que as compras efectuadas no dia 19.09.2008 eram da minha responsabilidade.

A minha surpresa e indignação foi total. Cumpri todas as formalidades, quer as do ponto 5.1, ou seja a comunicação imediata do extravio, bem como as do ponto 5.2 do citado contrato que refere: "O titular do cartão ficará isento de quaisquer responsabilidades relacionadas com a utilização do cartão antes e depois do seu telefonema para o Citiphone 24h e até ao total da linha de crédito utilizada".

Hoje dia 28.12.2008 liguei novamente para o Citybank e informam que o cancelamento do cartão ocorreu em 05.12.2008, outra data nova, completamente diferente da anterior.

Perante esta resposta algumas questões se levantam:

  • Como é possível fazer compras com um cartão cancelado?
  • Como é possível utilizar um plafond superior ao contratado?
  • Até quando terei que esperar pelo envio das cópias dos talões de compras, que já solicitei em Outubro, e que até à presente data não me foram enviados?
  • O que fazer para conseguir ter acesso às gravações dos telefonemas como forma de provar a data precisa do cancelamento do cartão (dia 19.09.2008 das 20,40h às 20,50h).

Pedindo desde já desculpa pela extensão do mail, a minha intenção é avisar todos os incautos para que não acreditem nesta linha uma vez que ficamos sem provas do que quer que seja. Tenho 32 documentos em minha posse comprovativos de tudo o que acabo de escrever.»

A BÉLGICA EXISTEM SIM EM BREL E NO TINTIM

«A britânica Agatha Christie brincou como ninguém com o dilema dos belgas. O seu detective Poirot passa a vida nos romances a explicar que não é francês. Confusão facilitada por até 1898 o francês ser a única língua oficial, apesar de metade dos belgas falar flamengo, variante do holandês. E não surpreende que num alfarrabista a 50 metros do Manneken Pis (a minúscula estátua ícone de Bruxelas) se venda um livro bem-humorado sobre esses franceses que afinal são belgas. Exemplos? Jacques Brel, o nome maior da Chanson Française (!!!), mas também Amélie Nothomb, autora de Christa e outros sucessos. Também belga é Hergé, o criador de Tintim, Magritte, o pintor do Ceci n'est pas une pipe, Justine Henin e Kim Klijsters, estrelas do ténis, Edie Merckx, mito do ciclismo, ou Maurice Maeterlinck, Nobel da Literatura, já para não falar de Leopoldo II, que conseguiu tornar-se proprietário do Congo, mais tarde oferecido à Bélgica, metrópole 60 vezes mais pequena que a sua colónia africana. E na era pré-1830, entre os belgas estão Rubens e Van Dyck, cujas obras podem ser vistas num dos museus do Mont Des Arts, nessa tal Bruxelas (diz-se) sem interesse.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Leonídio Paulo Ferreira.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A VERDADE INCÓMODA

«Não é com conflitos desnecessários que se resolvem os nossos problemas, disse o Presidente da República no Ano Novo. Então, e a querela do Estatuto dos Açores?

Creio ter havido falhas na gestão desse dossier por parte da Presidência. A comunicação ao País de 31 de Julho, sem revelação prévia do tema, provocou ansiedade, logo transformada em irritação quando, afinal, se tratava de um problema açoriano aparentemente menor. Se, nessa altura, o Presidente tivesse falado com a clareza que usou em 29 de Dezembro (após, contrariado, ter promulgado o diploma), muita gente teria logo percebido o absurdo em causa.

Ainda não é claro por que não enviou Cavaco Silva esses pontos aberrantes para o Tribunal Constitucional (mandou 13 outros). E o Presidente teve, para com os Açores, uma atitude contrastante com o seu fechar de olhos a entorses madeirenses ao normal funcionamento das instituições democráticas.

Mas uma coisa é óbvia: foi Sócrates quem quis acabar com a cooperação estratégica entre Belém e S. Bento. A recusa de Sócrates a qualquer mudança no Estatuto dos Açores (contra os conselhos de constitucionalistas da área do PS), depois de não alterar uma vírgula na nova Lei do Divórcio, vetada pelo Presidente, nem sequer aceitando a sugestão presidencial de uma comissão para acompanhar a execução do diploma - tudo isso mostra que a iniciativa de arrefecer o relacionamento com Cavaco Silva partiu do primeiro-ministro.

Tem-se especulado sobre os motivos desta viragem - mostrar quem manda, numa altura em que a crise torna os portugueses mais dependentes do Governo; ou dar uma satisfação à esquerda do PS, que anda agitada. Não sei. Limito-me a verificar que se enganaram os que previam, daqui para diante, uma permanente guerrilha institucional do Presidente ao Governo, a lembrar a oposição de Mário Soares, no seu segundo mandato presidencial, ao executivo de Cavaco Silva.

Quando, na mensagem de Ano Novo, o Presidente apelou à união de esforços e ao fim das divisões inúteis não estava a fazer retórica fácil - estava a dizer como ele próprio actua. Por isso promulgou o Orçamento do Estado e o decreto sobre a avaliação dos professores.

"Devo dizer a verdade", afirmou o Presidente. E disse, fazendo um diagnóstico da nossa situação económica com um realismo a que não estamos habituados por parte dos políticos. O PS e o Governo gostam de usar óculos cor-de-rosa; os políticos da oposição caem na demagogia ou limitam-se a um tacticismo de vistas curtas; ou, ainda (caso do PSD), são incapazes de passar uma mensagem alternativa credível.

O próprio Presidente manifestou dúvidas sobre se a classe política está, de facto, centrada no combate à crise. Aliás, um dos exemplos do tal tacticismo sem princípios nem coerência encontra-se nas posições tomadas pelo PSD quanto ao Estatuto dos Açores.

O que o Presidente disse da crise estrutural portuguesa há muito é consensual entre a maioria dos economistas e comentadores, mas não aparece no discurso governamental. Por exemplo, a afirmação de que a crise financeira internacional apanhou a economia portuguesa com vulnerabilidades sérias - afinal, os nossos males não vêm só de fora. A crise global juntou-se à crise interna.

Gastamos muito acima do que produzimos, tapando a diferença com empréstimos externos. Como o crédito agora está mais difícil e caro, já não se pode disfarçar. Acentuou o Presidente que o crescimento explosivo da nossa dívida externa tem que ser travado, aumentando a capacidade competitiva dos bens e serviços que exportamos. E ponderando com prudência os custos e benefícios dos investimentos públicos (incluindo, acrescento eu, o custo acrescido do crédito). Pensemos no TGV, na multiplicação de auto-estradas...

Talvez para evitar pessimismos desmobilizadores, Cavaco Silva não falou no risco de ir por água abaixo o incompleto esforço de pôr ordem nas contas públicas, na ânsia de dar dinheiro do Estado, agora que a crise permite legitimar políticas eleitoralistas. Também não referiu o Presidente a consequência mais negativa da intervenção maciça do Estado na economia, decerto exigida para conter a recessão: o reforço da tradicional dependência dos empresários portugueses em relação ao Estado. Mas, finalmente, alguém com altas responsabilidades públicas falou verdade. Ao menos isso.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Franscisco Sarsfield Cabral.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ESMERALDA FICA MAIS UMA SEMANA COM O PAI

«O tribunal de Torres Novas conferiu provisoriamente a guarda da menor Esmeralda Porto ao pai, Baltazar Nunes, e prolongou por mais uma semana a estadia da criança com o progenitor, disse fonte judicial.

A decisão foi tomada ao final da manhã, após a menor ter sido vista por técnicas da Direcção-Geral da Reinserção Social que confirmaram a estabilidade mental da menor.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Agora é que o sargento vai bufar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se a decisão do tribunal.»

19 JOGADORES EXPULSOS NUM JOGO DE FUTEBOL

«O jogo entre o Recreativo Linense e o Saladillo de Algeciras entrou para a história. E não pelas melhores razões. O caso é que o encontro da Liga regional de Cadiz terminou com nada menos que 19 jogadores expulsos.

A história conta-se em poucas palavras e muita confusão. O Recreativo Linense vencia por 1-0, já com um jogador expulso, quando a coisa descambou. Francis, do Recreativo, envolveu-se num desaguisado com David Aguilar, do Saladillo. A coisa alargou-se a vários jogadores e, segundo conta a «Marca», até a alguns espectadores, que invadiram o encontro. » [Portugal Diário]

Parecer:

No jogo entre o Trofense e o Benfica eu teria expulsado 15 ou 16, mandava toda a equipa do Benfica descansar pois estavam cansados, sem vontade e sem reflexos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a competente gargalhada.»

GOVERNO TEVE DE EXPLICAR O ORÇAMENTO

«A promulgação do Orçamento do Estado (OE) para 2009 por parte de Cavaco Silva não foi totalmente linear. O Governo foi mesmo obrigado a prestar esclarecimentos à Presidência da República sobre o OE, depois de o documento recebido em Belém não contemplar informações fundamentais face a medidas anunciadas pelo próprio executivo de José Sócrates que, já a seguir à aprovação do OE no Parlamento, alteravam os seus pressupostos.» [Público]

Parecer:

Isso deve ser o normal, não estou a ver um presidente assinar de cruz um OE.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Esqueça-se o assunto.»

VAMOS BATER O DENTE

«Em Lisboa, as temperaturas mínimas podem descer para -2 graus centígrados na quinta e na sexta-feira, de acordo com a previsão elaborada por modelos numéricos, e segundo as expectativas dos meteorologistas não devem ultrapassar quatro graus na quarta-feira.» [Portugal Diário]

CORRUPÇÃO NO FUTEBOL DISTRITAL

«O indivíduo detido pela Polícia Judiciária, em flagrante tentativa de corrupção a um árbitro, terá tentado obter benefícios para o clube ADC A Colmeia, de Montalegre, actual terceiro classificado da I divisão Distrital da AF Vila Real. A tentativa de aliciamento ocorreu este fim-de-semana, em vésperas do jogo que opunha o ADC A Colmeia ao Sp. Régua B, último classificado da referida prova. » [Portugal Diário]

Parecer:

Digamos que é de pequenino que se torce o pepino.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «E nos outros escalões?»

A MULHER DO SARGENTO DISSE TUDO

«Por seu turno, Adelina Lagarto, mulher do sargento Luís Gomes que está a ser julgada por sequestro e subtracção de menor no Tribunal de Torres Novas, disse que as decisões judiciais «não conseguem fazer «reset» na memória da menina». «Para ela nós somos o pai e a mãe», disse, acrescentando que o casal está sempre disponível para continuar a lutar pela guarda da menor. » [Portugal Diário]

Parecer:

Isto é, formatou-se a cabeça da criança e daí resulta o direito à paternidade. A isto chama-se roubar os sentimentos de uma criança e a aceitar-se tal situação qualquer um pode ser pai do filho de outro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Entregue-se a criança ao pai, pondo fim a anos de manipulação e desrespeito da lei. As senhoras dos presidentes que ajudem o candidato a pai a adoptar uma criança que precise de ser adoptada.»

UM JÁ CHEGA

«El ex mandatario George H.W. Bush dijo el domingo que le gustaría ver a su segundo hijo, Jeb, asumiendo la presidencia de Estados Unidos algún día en una entrevista en Fox News Sunday, en la que aseguró que el ex gobernador de Florida tenía todas las aptitudes para ocupar la Casa Blanca.

Jeb Bush, de 55 años, dijo que estaba considerando competir por un escaño en el Senado estadounidense representando a Florida en 2010 después de que el actual titular de la banca, el republicano Mel Martínez, anunciara que renunciaría.» [20 Minutos]

Parecer:

É incrível como os Bush imaginam que são uma dinastia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Diga-se ao pai Bush que já chega, o mundo já se fartou da família.»

PESCADOS NO TECHNORATI

  1. O "Chez 0.3", "O teu sapo não é o meu", o "Aqui e em qualquer lugar", o "Depois Falamos" e "O Melhor e o Pior" passaram a constar na lista de links.
  2. "O Melhor e o Pior" decidiu escolher O Jumento para blogue da semana. Obrigado.
  3. O "Mais Évora" não deixou escapar uma notícia sobre o abandono a que está votado o património.

O "CAFÉ MARGOSO"

Assinala o seu aniversário convidando amigos a participar. O Jumento deu o seu contributo.

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