sábado, fevereiro 07, 2009

O que será necessário para salvar o PSD

O PSD escolheu uma líder para se colar ao Presidente da República e falhou, de nada serviu a colagem de Manuela Ferreira Leite a Cavaco Silva, nem a aparente utilização de informação de Belém convenceu os eleitores das qualidades da líder do PSD.

Os cavaquistas descobriram nos primeiros sinais de crise financeira o momento oportuno para tirarem Luís Filipe Menezes da liderança do PSD julgando que estava na hora de regressarem ao poder e falharam, a prestação de Ferreira Leite foi desastrosa e o descontentamento popular que faria Sócrates cair nas sondagens não sucedeu.

Ferreira Leite optou pelo silêncio ou pela colagem oportunista aos movimentos de contestação, mas em vez de se afirmar como candidata a líder política optou pelo estatuto de surfista social. Perante as manifestações de camionistas optou por se calar enquanto Pacheco Pereira, a Manuela Ferreira Leite não oficial, espumava de raiva porque o Governo não recorreu à polícia para promover umas sessões de batatada. Depois foi a greve dos pescadores mas o temporal passou e já ninguém se lembra dos debates acalorados por causa do preço do peixe. Por fim, Manuela Ferreira Leite aderiu às reivindicações dos professores, mas ninguém a levou a sério.

Manuela Ferreira Leite apresentou-se como a líder austera, honesta e rigorosa mas também aí falhou. Como prova de austeridade opta pelo silêncio com medo de dizer asneira mas quando as sondagens caem a pique aparece a fazer banzé pondo em pânico os seus simpatizantes, cada vez que abre a boca lá sai asneira. A imagem de honestidade ficou estilhaçada com a escolha absurda de Santana Lopes para candidato a Lisboa, uma candidatura que começa a estar fortemente inquinada por um CDS que até já tem Bagão Félix, um falso independente, como candidato à assembleia municipal.

Sem soluções para convencer os portugueses a votarem nela restava a Ferreira Leite que José Sócrates caísse sozinho e quis o destino que quando a líder do PSD já estava sem argumentos e o seu partido enlameado como o caso BPN tivesse surgido o caso Freeport. Nada melhor que Sócrates se demitir ou ser demitido com a acusação de corrupto para os portugueses se converterem ou serem convertidos à honestidade de Manuela Ferreira Leite. Mas, azar dos azares, as sondagens feitas para medir o impacto eleitoral do caso tiveram um resultado inesperado, o PS e Sócrates mantêm-se e Manuela Ferreira Leite dá um trambolhão, os eleitores poderão ter dúvidas quanto a Sócrates, mas em relação a Ferreira Leite parece terem a certeza que não a querem, nem mesmo uma boa parte dos eleitores do próprio PSD.

Quando era suposto estarmos a discutir o futuro do Governo assistimos aos protestos oficiais do PSD pelos resultados das últimas sondagens, primeiro foi o Correio da Manhã, agora foi o Expresso a dizer algo que sempre foi óbvio, Ferreira Leite dificilmente será primeira-ministra.

Que mais poderão fazer os cavaquistas para salvarem a liderança de Manuela Ferreira Leite e do próprio PSD, só se for começarem a falar bem de José Sócrates. É uma questão de experimentar, pode ser que resulte.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Cacilheiro

IMAGEM DO DIA

[AP]

«Chinese soldiers use washbasins to help irrigate crops in a field at Hejie village in Xuchang in China's Henan province. The People's Liberation Army deployed over 1,000 soldiers to help irrigate crops in Xuchang. China has declared a top-level emergency for the country's worst drought in five decades that has hit eight wheat-growing northern provinces and left more than 4 million people without proper drinking water.» [Washington Post]

JUMENTO DO DIA

Jerónimo de Sousa

O mesmo Jerónimo de Sousa que no congresso do PCP recentemente realizado excluíu qualquer aliança com o PS vem agora admitir uma aliança pós eleitoral, ainda que com condições. Já faltou mais para que o PCP volte ao discurso da maioria de esquerda.

SONDAGEM ESCLARECEDORA

Ao questionar se os portugueses querem que Sócrates seja demitido a sondagem da TVI mostra o que se pretende com o caso Freeport, a direita e a extrema-direita (que se manifesta nos telejornais de sexta da TVI) querem a demissão de Sócrates.

Não querem apenas prejudicar o PS eleitoralmente, não querem arriscar a ir a eleições sem decapitar primeiro o partido do governo. É de esperar mais vagas de peças processuais que pelo seu conteúdo começa a ser mais claro a sua origem e não parece ser o Ministério Público.

AVES DE LISBOA

Rola-do-mar [Arenaria interpres]

QUANDO NÓS SOMOS ELES

«Costuma estar sentada na escada do metro do Marquês, com um cartão pardosobre os joelhos."Ajude por favôr", soletra a esferográfica azul no cartão. Antes, há um ano ou dois, o cartão dizia mais. Acrescentava: "Sou portuguêsa". Entre os passantes houve quem anotasse o certificado de origem, o carimbo de pobre genuína, de pessoa de bem que pede porque precisa, que não é uma parasita da globalização vinda da "terra dela" para a de outros disputar a pouca esmola que resta, que é nossa, nossa responsabilidade, e a quem devemos, por solidariedade e exigência de sangue, dar o que tivermos para dar. Fotografada e analisada em colunas de opinião, a frase acabou censurada às mãos da sua legítima dona. Ficou só o "ajude por favôr", ainda com um acento circunflexo a mais mas sem atestados de raça.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O CENTRO DO ENSINO

«Gosto de publicidade e acho que se aprende muito com ela. Saber o que as pessoas e as empresas querem parecer e ser (quando forem grandes) é informativo e, às vezes, comovente.
Agora há muitas universidades e apesar de haver muitos alunos também não chegam para todas. A concorrência é cruel e há tantos cursos que se torna difícil inventar um que não exista já. Experimente. É um divertido jogo de salão. Quanto mais imaginário parecer, maior a probabilidade das inscrições estarem abertas.

A publicidade das universidades não é menos imaginosa. Ontem reparei que a Universidade Autónoma de Lisboa - cujo logótipo tem uma coroa de louro em cima do A como agradecimento a Apolo - começou a anunciar-se como "A única universidade no centro de Lisboa".

De facto, não é mentira: é no Conde Redondo, tão perto do Marquês de Pombal como do Elefante Branco. Mais central não podia ser. Dá jeito estudar numa universidade tão bem situada. Sai-se das aulas e, passados uns minutos, pode-se estar na Smarta ou no Dolce e Gabbana.

Como irão as outras universidades contra-atacar? Todas estão bem situadas, dependendo do que se pretende. Há, por exemplo, o excelente ISPA em Alfama. Seria incapaz de contra-atacar com "A única universidade no coração do Fado de Lisboa". Mas poderia, se quisesse. Cheira-me que esta guerra, que aproxima, com saborosas promessas, o mundo académico do mundo imobiliário, ainda mal começou.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

REPUTAÇÃO E CREDIBILIDADE

«A Verdade ninguém a conhece. Quem pensa conhecê-la é religioso, no melhor dos casos, ou fanático, na maioria dos exemplos. Há verdades, mentiras e meias-verdades. As meias-verdades são mentiras a dobrar, porque já o são hoje mas só a descobrimos como tal, mais tarde. E doem mais, sentimo-nos duplamente vítimas da mentira. Além disso, se não conhecemos muito bem a Verdade, sabemos muito bem o que é a mentira.

Falar verdade é meio caminho para enfrentar a crise económica e social em que estamos metidos. Melhor dizendo, não mentir nem dizer meias-verdades é a melhor política, em particular, em matéria de finanças públicas. É a única maneira de ter boa reputação, credibilidade e crédito.

O Governo, pelo menos desde meados de Outubro, dá corpo a uma sequência de trapalhadas que agora estão a sair caras, não só ao Governo, mas também ao País (o que é grave).

Em meados de Outubro, afirmava que em 2008 o PIB cresceria 0,8%, quando já se conheciam os dados para os 2 primeiros trimestres. Tal não era possível com base nos indicadores, então disponíveis. Não sabíamos que já estávamos em plena recessão, mas todos sabíamos (e sentíamos) que estávamos muito pior que no primeiro semestre. Agora, a estimativa de crescimento, para 2008, é de 0,3%. O défice público, em 2008, não é o mais baixo da democracia portuguesa. Com os dados publicados em meados de Outubro, será pelo menos 2,9% do PIB, ou seja, mais alto do que em 2007. Em ambos os casos, sem receitas extraordinárias, que é o que interessa, obviamente.

Agora temos uma correcção ao orçamento aprovado para 2009 e mais uma vez se perdeu outra oportunidade para falar verdade. Desde logo, assegura que não existiram receitas extraordinárias, em 2007 e 2008, o que é falso. Basta ler o OE de Outubro para se saber que, em 2008, serão uns significativos 0,7% do PIB e não 0,0%, como diz o Programa de Estabilidade e Crescimento apresentado (1).

Desta vez, o Governo escondeu-se atrás das previsões do Banco de Portugal, que o próprio já tinha dito estarem desactualizadas porque uma série de riscos potenciais se tinham, entretanto, materializado, tanto a nível nacional como internacional.

Mais grave, o Governo ignorou as previsões, já disponíveis, da Standard & Poors (S&P), do The Economist, da Comissão Europeia. Todas, significativamente, mais pessimistas que as do Banco. Ignorou, conscientemente, as consequências do novo rating da S&P para a República. Não quis ouvir as previsões, entretanto tornadas públicas, de vários países, nomeadamente da Espanha.

Já se discute abertamente nas páginas do Financial Times a possibilidade de um país da zona-euro - a Grécia - poder cessar pagamentos, o que, apenas como hipótese, já nos cria sérios problemas. Era assunto temido por mim há muitas semanas mas, não desejando ser ave-agoirenta, nunca o mencionei explicitamente. Mas todos vínhamos tomando conhecimento que tal hipótese estava nas cartas e seria boa política que se guardasse, desde já, alguma margem orçamental para tal eventualidade.

Note-se que em Espanha o défice orçamental ultrapassará os 6%, partindo de um excedente de 2%. E, em Portugal, embora o Governo jure que não ultrapassa os 3,9%, o défice orçamental este ano estará mais perto dos 5 que dos 4%. Tudo isto, se o Governo conseguir financiar-se internacionalmente. Explicando melhor, pode acontecer que o Estado não consiga financiar as projectadas obras de combate à crise e os grandes projectos públicos e o défice ser forçado a ser menor.

Entretanto, ninguém acredita no que o Governo diz e este limita-se a fingir acreditar.

Desta vez, a S&P fez o trabalho de casa e claramente diz que o problema está nas reformas deixadas a meio e no problema orçamental, mais uma vez, ainda por resolver. O facto da SEDES ter salientado, em Junho, o problema das meias reformas, valeu-nos uma campanha (bem organizada, chapeau!) de insultos pessoais.

Quando em Março se anunciou a descida do IVA e eu me insurgi, porque poderia ser necessário o orçamento apoiar o sector financeiro, chamaram-me (pelo menos) irresponsável.
O facto de, há meses, eu e outros chamarmos a atenção de que o problema fundamental de curto prazo é a falta de crédito, não comoveu ninguém. Mas não basta estar certo, é preciso estar certo na hora certa. Li, há dias, que Larry Summers, conhecido professor de Harvard e presidente do National Economic Council de Obama, punha como primeira prioridade o restabelecimento do crédito (a par do emprego) para a política económica americana. Quem ler a imprensa internacional relevante verá que algo de semelhante se passa no Reino Unido. Nós por cá todos bem.

Atribui-se a Keynes o aviso de que "the market can stay irrational longer than you can stay solvent". Em Portugal tal aviso é muito importante. Mais ainda, é importante que o Governo não permaneça irracional mais tempo do que os mercados sem liquidez.

1) Ver PEC (Janeiro 2009), Quadro A-7, linha 4.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Luís Cunha.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

AFINAL O PCP SEMPRE PODERÁ FAZER ALIANÇAS COM O PS

«Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, não afasta um cenário pós-eleitoral de aliança com o PS na entrevista que concedeu ao Correio da Manhã e ao Rádio Clube, que será publicada domingo.
No entanto, Jerónimo de Sousa adianta que primeiro é preciso fazer as contas, isto é, ver como é que os eleitores vão votar nas eleições legislativas do Outono. »
[Correio da Manhã]

Parecer:

Parece que Jerónimo percebeu que o isolamento o prejudica, recorrendo a este truque manhoso apesar de qualquer aliança com o PS ter sido excluída recentemente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Jerónimo se acha que o PS vai querer aliar-se com ele.»

FENPROF A CAMINHO DA DERROTA

«A Fenprof revelou hoje que cerca de 50 por cento dos professores não entregaram os objectivos individuais (OI), primeiro passo do processo de avaliação, e estima que quando os prazos estiverem concluídos em todas as escolas entre 50 e 60 mil professores não farão a entrega. Da parte do Ministério da Educação, o secretário de estado Valter Lemos já afirmou que a grande maioria dos docentes entregou os OI.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Se 50% ou mais dos professores entregaram os objectivos, incluindo sindicalistas da Fenprof, isso significa que Mário Nogueira e o PCP foram derrotados pela ministra da Educação.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Mário Nogueira se não estará a aldrabar os números como é costume.»

CASO FREEPORT AJUDA SÓCRATES E O PS

«A polémica em torno do caso Freeport não está a abalar a confiança dos portugueses no chefe do Governo. De acordo com uma sondagem CM/Aximage, 47,9 por cento dos inquiridos afirmam que preferem José Sócrates para primeiro-ministro. Apenas 22,3 por cento aponta Manuela Ferreira Leite.
O PS também resiste à polémica e subiu mesmo nas intenções de voto. Este mês, os socialistas conquistaram 38,2 por cento das intenções de voto, mais 0,9 pontos percentuais. Já o PSD, apesar de subir 0,5 pontos percentuais, reuniu apenas 23,8 por cento das preferências.»
[Correio da Manhã]

Parecer:

Isto quase merece uma gargalhada, nem o Freeport ajudou Manuela Ferreira Leite.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à líder do PSD se percebeu a mensagem subjacente aos resultados desta sondagem.»

DISTRITAIS DO PSD ESTÃO INQUIETAS

«"Inquietação" é um sentimento que espelha o clima vivido na reunião que Manuela Ferreira Leite manteve na quarta-feira com os presidentes das distritais do PSD na sede nacional. A maioria das distritais mostrou desconforto por, a apenas 120 dias do primeiro acto eleitoral, as europeias, o partido ainda não ter dado sinais de que está pronto para o combate político.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Parece que o Caso Freeport não chegou para animar o PSD.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Encomende-se outro caso Freeport.»

LOUÇÃ NÃO QUER ACORDO COM HELENA ROSETA

«O líder do BE, Francisco Louçã, admitiu ontem "que não existem condições para se concretizar um entendimento com Helena Roseta para a Câmara Municipal de Lisboa" nas autárquicas deste ano. Louçã referiu ao DN que " o BE continua a considerar importante o papel das listas de cidadãos", mas assegura que "em Lisboa vão ter listas próprias".» [Diário de Notícias]

Parecer:

É evidente que Louçã não fará qualquer acordo, o BE não desiste de medir forças com o PCP. É a isto que Louçã designa por convergência de esquerda.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Manuel Alegre o que acha desta convergência do seu camarada de esquerda Louçã.»

OS MELHORES 10 MOMENTOS DOP GOOGLE MAPS [Link]

MICHAEL PAPENDIECK

CRUZ VERMELHA

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

O outro lado da realidade

A lição que toda a classe política deveria ter aprendido com o Caso Freeport é que a maioria dos portugueses não está interessada em ver os problemas resolvidos, as tentativas de linchamento entre as elites pouco lhes interessa. O cidadão o seu dia a dia preocupado com o seu emprego, como o pagamento da prestação da casa, ou com a qualidade da escola onde o filho anda.

Políticos do governo ou da oposição fazem parte de uma classe que vive bem, que não conhece os problemas da generalidade dos portugueses, conhecem o desemprego pelas estatísticas, preocupam-se muito com o primeiro emprego mas as grandes empresas quase têm um serviço para atender as suas cunhas. Os que governam acedem às mordomias do poder, mas os que estão na oposição beneficiam de mil e uma forma de ganhar dinheiro, por exemplo, José Pacheco Pereira ganha mais com os seus programas de televisão e colunas de jornais do que qualquer ministro.

Talvez por isso os políticos da oposição tenham ficado desiludidos porque o Caso Freeport tão tenha tido nas sondagens, algo que aqui foi dito logo quando o caso surgiu. A verdade é que nem a jornalista do SOL encontrou solução para os nossos males, nem Manuela Ferreira Leite apresentou qualquer proposta consistente e dos ingleses ao mesmo tempo que veio a carta rogatória chegaram imagens de manifestações contra o emprego de portugueses numa refinaria.

Há um divórcio entre as elites urbanas e a generalidade dos portugueses, os políticos lutam pelo poder mas os eleitores estão mais preocupados com soluções, os professores querem auto-avaliação e um estatuto que lhes garanta uma carreira sem percalços mas os encarregados querem um ensino com qualidade e que os alunos tenham aulas, os magistrados agarram-se à independência do estatuto para defender as suas mordomias mas os cidadãos querem que a justiça funcione.

Enquanto as nossas elites lutam para sobreviver, para que as mudanças no mundo e as respostas aos desafios que se colocam ao país salvaguardem os muitos estatutos de privilégio, os portugueses estão mais preocupados com a sobrevivência. O desempregado que vê na formação profissional a sua sobrevivência não está tão preocupado como os jornalistas em saber se são ou não contabilizados como desempregados.

Uma boa parte do debate político não é motivado pela crise económica nem é orientado para resolver o problema dos portugueses, é estimulado por esta ou aquela elite que não está disposta a prescindir do seu próprio estatuto. Desde o magistrado que não quer perder o subsídio de residência livre de impostos ao sindicalista pago pela grande empresa a troco da paz social podre, todos estão preocupados em assegurar que a mudança do mundo lhes passe ao lado.

Desesperados por terem perdido a esperança de aceder ao poder os políticos da oposição já se esqueceram de que ganha as eleições quem convencer o eleitorado de que as suas propostas são as melhores, mesmo que não o sejam. Esqueceram-se de apresentar projectos alternativos para andarem a reboque de uma realidade que não é a da maioria dos portugueses.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Gravação de spot publicitário do Millennium, Rossio, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Press Association Photos/Landov]

«Lindsey Oil Refinery workers protested again Wednesday in North Lincolnshire, England, as their union reps held talks with the refinery. Workers staged walkouts last week over the use of foreign workers at refineries across the country as Britain faces a rapid rise in unemployment.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Manuela Ferreira Leite

Se Manuela Ferreira Leite fosse uma líder política inteligente teria desaprovado o gesto da JSD, o que só lhe ficava bem e em nada prejudicava a campanha de baixo nível iniciada pelos seus pirralhos. Ao considerar a iniciativa da JSD uma manifestação de irreverência a líder do PSD apoia esta campanha em cima do caso Freeport associando-se a uma estratégia que visa ganhar com jogo sujo o que não consegue com as suas propostas.

PORQUÊ SÓ ALGUNS CONTRIBUINTES?

A decisão de antecipar alguns reembolsos só peca pelo oportunismo da linguagem usada, o governo não está ajudar ninguém ao reembolsar o que consegue processar em tempo útil pois esse dinheiro pertence aos contribuintes e foi cobrado abusivamente para ser usado pelo Estado sem qualquer contrapartida. Uma boa parte dos reembolsos resultam de tabelas de retenção na fonte abusivamente exageradas com o objectivo de antecipar receitas, na prática estamos perante um empréstimo forçado que o Estado exigiu dos contribuintes sem estes terem tido a possibilidade de o recusar.

Se o Estado pode agora reembolsar no prazo de um mês isso significa que há muito que o podia fazer e não fez. É puro cinismo de quem se habituou a usar o poder, os senhores que passam pelo ministério das Finanças há muito que deixaram de ter respeito pelos contribuintes.

Mas se a linguagem usada é cínica e oportunista a decisão de limitar a medida aos contribuintes que apenas auferem de rendimentos do trabalho dependente e pensões é discriminatória e revela uma mentalidade enviesada por parte do ministro das Finanças. Para além de todos os cidadãos terem direito a que o Estado os reembolse o mais rapidamente possível do que foi cobrado abusivamente, o ministro não tem o direito de dividir os cidadãos entre os que precisam e os que não carecem da sua "ajuda" oportunista e , ainda por cima, revela um total desconhecimento da realidade ao partir do princípio de que todos os outros contribuintes são ricos.

Cada vez me convenço mais de que este ministro tem um grave défice de formação democrática e comporta-se como um contabilista de mercearia.

ELUANA, O PAI E O CVARDEAL

«A italiana Eluana Englaro tinha 21 anos quando teve um acidente de automóvel. Desde aí, 1992, está em estado vegetativo. Descerebrada, ligada à máquina, alimentada por sondas, esteve 17 anos numa clínica de Lecco, sob a vigilância de freiras católicas. O pai de Eluana, Beppino, pediu autorização para um "caminho natural do fim da vida." A Igreja Católica opôs-se: "Eluana está em estado vegetativo, mas não é um vegetal. Ela é uma pessoa que está a dormir." Ambos, pai e Igreja, falam por metáforas. Falar por alegorias é escape natural quando a verdade é demasiado dura. Ambos falam da morte de Eluana. A Igreja defende o princípio que é a vida. O pai defende a filha. Percebo a Igreja, estou com o pai. O que era discussão está a passar a facto. Em Novembro, o mais alto tribunal italiano autorizou o pai a desligar a máquina de Eluana. Ela foi transferida para uma clínica de Udine, onde uma equipa médica aceita participar na morte assistida. O cardeal Losano Barragan, que tem o cargo equivalente a ministro da Saúde da Santa Sé, lançou o anátema: "Parem essa mão assassina." O pai » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

OLIVEIRA E COSTA CONTINUA EM PREVENTIVA

«O Tribunal da Relação de Lisboa confirmou esta quinta-feira a prisão preventiva de José Oliveira e Costa, ex-presidente do Banco Português de Negócios (BPN).

A Relação considerou a medida de coacção, aplicada pelo Tribunal Central de Investigação Criminal, como 'proporcional e adequada', na sequência do recurso apresentado pela advogado de Oliveira e Costa.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Pudera, com um buraco de 1,8 milhões de euros...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se a decisão da Relação.»

FERREIRA LEITE APROVA CAMPANHA RASCA

«A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, não se demarcou da campanha da JSD, que compara o primeiro-ministro à personagem Pinóquio, por considerar que "há muitas promessas não cumpridas" pelo Governo de José Sócrates.

'Compreendemos que a JSD é sempre mais irreverente, mas há um ponto que me parece evidente: que vamos continuar a fazer oposição', disse a presidente social-democrata no final de uma audiência com a ANTRAM (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias).» [Correio da Manhã]

Parecer:

Mais um erro de Manuela Ferreira Leite, isto não é irreverência, é uma forma rasca de estar no debate político. Como pode uma líder do PSD que queria um debate com o primeiro-ministro apoiar gestos de baixo nível?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Diga-se a Ferreira Leite que ao apoiar uma campanha rasca torna-se ela própria uma líder rasca.»

AFINAL O FREEPORT NÃO ESTAVA SUJEITO A ESTUDO DO IMPACTO AMBIENTAL

«É mais um dado que vem lançar ainda mais confusão para o processo Freeport. Até agora, a polémica andou à volta da aprovação do segundo estudo de impacte ambiental, que deu luz verde ao projecto. Mas, um documento, a que o DN teve acesso, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDTRLVT), de Novembro de 2003, citando a Autoridade de Impacte Ambiental que analisou o caso, realça que o Freeport de Alcochete "não estava sujeito a avaliação de impacte ambiental, mas que por vontade, quer do Ministério do Ambiente quer da Câmara de Alcochete, optou-se por avançar com este procedimento em nome da transparência e do enquadramento da pretensão face à sensibilidade do local".» [Diário de Notícias]

Parecer:

E agora?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento aos directores do Sol, da Visão e do Público.»

PROFESSORES SIONDICALISTAS DA FENPROF ADEREM À AVALIAÇÃO

«A revelação de que houve delegados sindicais a entregarem os seus objectivos individuais de avaliação está a criar mal-estar na Federação Nacional dos Professores (Fenprof). O secretário-geral da estrutura, Mário Nogueira, considera mesmo que quem o fez deve deixar essas funções.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Afinal Mário Nogueira está a perder terreno o que, aliás, foi visível na última greve.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento à Comissão de Quadros do PCP para o competente processo e expulsão.»

STANLEY HO PERDEU 89% DA FORTUNA

«O magnata dos casinos de Macau, Stanley Ho, perdeu 89 % da sua fortuna em 2008 e tem agora "apenas" mil milhões de dólares sendo o último "bilionário" de Hong Kong na lista da Forbes.

Depois de um quinto lugar na lista do início de 2008 com 9.000 milhões de dólares, a fortuna do magnata dos casinos caiu 89 por cento e vale agora "apenas" mil milhões, correspondentes a um modesto 19/o lugar entre os 40 mais ricos da cidade, que continuam a ter como líder Li Ka-Shing, com interesses vários, desde o imobiliário às telecomunicações.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Desta vez os ricos não pagam a crise mas pagam com a crise.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Stanley Ho que jogue o que sobra da sua fortuna nos seus casinos.»

MULHER TENTA EXAME DE CÓDIGO PELA 772.º VEZ

«Uma mulher apresta-se a fazer o exame de código pela 772ª vez. Após 771 tentativas falhas, a última das quais na terça-feira, esta senhora coreana não desiste de tentar tirar a carta e volta a tentar sexta-feira.

A odisseia da mulher, identificada apenas por Cha, começou em Abril de 2005, quando tentou fazer pela primeira vez o exame escrito para a carta de condução. Falhou e voltou no dia seguinte. Voltou a falhar, uma e outra vez, até um número recorde.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

É mais ou menos o mesmo número de legislativas que Manuela Ferreira Leite precisaria para chegar a primeira-ministra.

YURI BONDER

HONDA GOLDWING