sábado, fevereiro 21, 2009

Pequenas, médias, grandes ou boas empresas

Sempre que se fala em apoios estatais a empresas surge o debate em torno de saber a que empresas deve ser dirigido esse apoio e inevitavelmente há quem defenda as pequenas e médias empresas, como se fossem o modelo de virtudes da economia portuguesa.

É verdade que as pequenas e médias empresas são as empresas que mais criam emprego e que um pequeno ou médio investimento tem um impacto mais rápido na criação de emprego a curto prazo do que os grandes projectos protagonizados pelas grandes empresas. Mas também é verdade que estas empresas são as mais vulneráveis às crises e que na hora de encerrarem são as primeiras a fechar as portas, muitas vezes cheias de dívidas e com salários em atraso.

É politicamente correcto defender as pequenas e médias empresas, há décadas que uma boa parte dos apoios estatais são dirigidos a estas empresas, até há organismos estatais especialmente vocacionados para as apoiar. Do , que exclui as pequenas e médias empresas da sua colecção de inimigos de classe, ao PSD de Manuela Ferreira Leite todos são defensores das PME, até porque da mesma forma que criam mais emprego, também dão mais votos do que as grandes empresas. É politicamente correcto defender as PME e crucificar as grandes. O ódio aos grandes grupos económicos é uma moda antiga em Portugal.

Mas a verdade é que é nas pequenas empresas que encontramos muitos dos males de que nos queixamos quando falamos da economia portuguesa, são os patrões das PME que transportam os equipamentos à noite e quando os trabalhadores chegam de manhã encontram as portas fechadas, são muitas da PME que não cumprem regras de segurança e que empregam trabalhadores de forma clandestina, são as PME que mais mal pagam, são as PME que reinvestem os lucros nos Ferraris para a família do patrão. E quando as grandes empresas querem cometer algumas tropelias contratam PME, como sucede na construção civil e obras públicas com os subempreiteiros.

Criar quotas de contratação pública para as PME é uma quimera, não só isso aumentaria os custos como uma boa parte dessas PME seriam subcontratadas por empresas maiores e limitar-se-iam a cobrar uma omissão. Ajudar muitas PME seria criar emprego enquanto se mantivessem as ajudas, aumentaria a compra de Mercedes e quando acabassem as ajudas fechariam ou mudariam de ramo.

EM vez de distinguirem as empresas em função da dimensão deveriam distinguir-se segundo os seus modelos de gestão, o cumprimento das regras (laborais, fiscais, etc.), a sua viabilidade e os investimentos realizados no tempo das vacas gordas em inovação e competitividade. Se o objectivo é criar emprego então que sejam criados empregos viáveis por empresas que poderão manter esses empregos e remunerar melhor os trabalhadores. Criar emprego sim, mas ao mesmo tempo apostar em empresas competitivas que vivam em função do mercado e não do mercado das ajudas estatais.

A distinção entre grandes empresas e PME é um critério meramente estatístico, o que distingue as empresas é se são ou não modernas, se cumprem ou não as normas, se são ou não competitivas, se são ou não boas empresas.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Rua da Baixa de Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Khalid Mohammed/Associated Press]

«An Iraqi Christian girl attended Mass Friday at St. Joseph’s Chaldean Church in Baghdad.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Elisa Ferreira, candidata do PS à CM do Porto

Elisa Ferreira começou mal a sua candidatura à CM do Porto ao afirmar que não se "alisboetou" como se os hábitos da capital fossem pecados ou defeitos impeditivos de alguém que até é do Porto governar a cidade. Elisa Ferreira, que afirma querer um Porto cosmopolita, começou com uma manifestação saloia e provinciana.

DOIS A UM

O processo Freeport está a ganhar ao processo BPN, o primeiro está a ganhar por dois arguidos a um. É caso para dizer que quanto menos dinheiro está em causa melhor joga a equipa.

AVES DE LISBOA

Verdilhão-comum tomando banho [Carduelis chloris]

DE QUE LADO ESTÁ?

«Há na discussão sobre o casamento civil das pessoas do mesmo sexo um desencontro essencial e insanável entre os que são contra e os que são a favor. Não vale a pena negá-lo, nem travestir de diálogo e amabilidade aquilo que é uma fissura brutal, sem conserto - aquela que divide os que vêem um casal de pessoas do mesmo sexo como igual a um casal de pessoas de sexo diferente e os que são incapazes disso. Quando alguém diz, como ontem dizia na sua coluna neste jornal Maria José Nogueira Pinto, que "não se pode tratar da mesma forma o que é diferente", falando de "usurpação" a propósito do desejo dos homossexuais de aceder ao instituto do casamento e ao que ele simboliza - a assunção e dignificação social de uma relação -, está a falar a língua da exclusão. É isso que dizem todas as propostas de "todos os direitos com um nome diferente": "vocês desculpem mas ficam à porta, ficam de fora, ficam do outro lado. Não são dignos de entrar".» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

UM CONSELHEIRO DE ESTADO

«Assembleia da República nunca devia ter permitido que o dr. Dias Loureiro lhe fosse explicar os seus negócios com o BPN e a SLN. A Assembleia da República não é um tribunal. Quem lá vai depor não está obrigado (senão pela sua honra) a dizer a verdade e não traz consigo um advogado de defesa. Do outro lado, os deputados não conhecem com a suficiente minúcia o caso em discussão (e seria estranho que o conhecessem) e, também, nenhum advogado os representa ou ajuda. Principalmente, um órgão de soberania não pode em circunstância alguma servir para ilibar ou condenar um cidadão privado ou mesmo um conselheiro de Estado. O depoimento do dr. Dias Loureiro em S. Bento não passou de um acto de publicidade, sem qualquer valor legal ou probatório.

Por isso, não compete agora à Assembleia - nem ao público em geral e com certeza que não à imprensa, à televisão ou à rádio - apreciar os lapsos de memória do dr. Dias Loureiro (que ele próprio já admitiu). O que se espera do parlamento é que não se torne a prestar a um espectáculo que o diminui e degrada. Se o dr. Loureiro se quer explicar, que arranje outra maneira de o fazer, sem envolver um órgão de soberania. Toda a gente percebe que ele precisa de se desprender depressa da infecta história do BPN e da SLN para não se embaraçar e não embaraçar o dr. Cavaco. Mas parece óbvio que não o vai conseguir com mais conversas com os srs. deputados, quando, ainda por cima, a primeira tentativa acabou mal e, acabando mal, não recomenda manifestamente a segunda.

A demissão do dr. Dias Loureiro do Conselho de Estado excede a competência do dr. Cavaco. Se, perante os sarilhos do BPN e da SLN, o dr. Cavaco se pretender livrar do dr. Loureiro (uma reacção política normal), só lhe resta o recurso, um pouco vexatório, de lhe pedir com humildade que saia. E, de resto, o dr. Cavaco hesitaria com certeza em chegar a esse ponto extremo, para não exibir a Portugal inteiro a sua desconfiança num colaborador e num amigo. Quanto à hipótese de o dr. Loureiro espontaneamente se afastar, não é de presumir que ele resolva escolher o suicídio pelo conforto e prestígio do dr. Cavaco. A longa história do BPN a da SLN continuará, portanto, como de costume, a enfraquecer o Presidente e o regime e a contribuir para esta anarquia mansa e mole em que gostamos de viver.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Vasco Pulido Valente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A ALMA DO PSD

«O PSD não tinha há muitos meses tanta visibilidade como esta semana, quando apresentou as 20 medidas anticrise: lembro-me a esse propósito de uma interessante análise feita em debate na SIC Notícias, coordenada por Ana Lourenço e em que Luís Duque e Luís Delgado trataram com detalhe, inteligência e aplauso essas medidas. No entanto - as coisas são o que são -, na passada quinta-feira nem o PÚBLICO, nem o DN referiam o assunto nas primeiras páginas. O mesmo aconteceu - e é ainda mais sintomático - com os jornais económicos, em que só o Jornal de Negócios faz uma chamada de primeira página, mas pouco relevante.

Explicações? São várias, como é evidente: (i) falta de qualidade da equipa de comunicação do PSD que teve de "vender" a notícia; (ii) convicção nos media de que Ferreira Leite não vai ganhar; (iii) irrelevância das propostas; (iv) falta de originalidade do que foi apresentado.

Admito que cada uma das explicações tenha alguma presença justificativa. Ainda que me pareça que se trata de um conjunto de propostas bem sistematizadas, coerentes, que exprimem uma diferenciação em relação ao PS e que, de um modo geral, são exequíveis e eficazes. O que levará os leitores, de imediato, a censurar-me por admitir a hipótese de serem irrelevantes, apesar de as louvar. Expliquemos, então.

A comunicação social é uma área profissional que tem as suas regras. Pode não se gostar que assim seja, como se pode não gostar que haja marés. Gostos não se discutem, mas factos evidentes também não vale a pena serem discutidos. A política precisa da comunicação social como de pão para a boca. As melhores ideias - se não forem "agarradas" pelos media - tornam-se na prática inexistentes.

Apresentar 20 ideias sem uma estratégia de comunicação é um erro. Não encontrei nenhum órgão de comunicação que as listasse todas. E, pior do que isso, cada jornal realça medidas diferentes, o que dispersa a mensagem e a torna caótica e, nessa medida, inaudível, pois o excesso de ruído equivale para estes efeitos ao silêncio.

Parece-me que teria feito muito mais sentido que o PSD tivesse concentrado o fogo em menor número de medidas - e em minha opinião deveria tê-lo feito optando claramente pelas medidas que reduzam os custos de actividade das pequenas e médias empresas, como venho defendendo há muitos e muitos meses, mesmo antes desta crise.

Só que o problema é para o PSD mais grave do que isso. Os media acham que o PSD vai perder as eleições e que o PS nenhuma vantagem tem em concentrar nele o essencial do seu fogo. O que caracteriza pequenos partidos e grupúsculos ideológicos é a enorme capacidade de produção intelectual, que é uma espécie de subproduto da falta de capacidade de concretizar uma agenda política. O que mais me surpreendeu na forma como os media trataram o tema foi a semelhança com a forma como tratam em regra as propostas oriundas do BE, do PCP e do CDS: de um modo bem educado, arrumadinho, mas "passemos à frente para tratar das coisas que verdadeiramente interessam".

A relevância ou irrelevância das propostas, agora. Esperar 6 meses depois de a crise se ter tornado evidente, ou 3 meses depois de a recessão se ter instalado, para apresentar de forma consistente e coerente estas propostas parece-me um erro. A política não se compadece com planeamentos a longo prazo estruturados com base numa visão estática. Percebe-se a lógica da opção por este momento: as eleições aproximam-se, lançar ideias cedo de mais queima-as, o Governo pode até aproveitar as melhores e surgir como o credor dos elogios. Mas isso era verdade em Julho de 2008, mas deixou rapidamente de o ser: o PSD tem um problema de credibilidade e de força. Deveria ter liderado desde início as propostas anticrise, até para que a opinião pública começasse a ver nele "a" verdadeira alternativa ao PS e surgisse como o partido "sá carneirista" das classes médias e das pequenas e médias empresas.

A irrelevância em política não coincide com a irrelevância intelectual. Aqui é a qualidade das propostas, ali é a adequação e a eficácia. O mais terrível disto tudo é que praticamente todas as propostas verdadeiramente interessantes já foram feitas nos últimos meses por várias entidades e pessoas... e até pelo PSD. E com isto fica também escrito o que julgo essencial em matéria de originalidade.

Assim se explica a atitude dos media. Se há algo que, de um modo geral, une hoje em dia os jornais é a hostilidade ao Governo e a Sócrates, que mesmo no mais favorável (claramente o DN) tem muitas vezes má imprensa. Ao tratarem como trataram as 20 propostas, agiram com razoabilidade jornalística e foram, afinal, profissionais. O caso do PÚBLICO é exemplar: sendo evidentemente o jornal mais antigovernamental em Portugal, seguramente que com gosto daria muito destaque a Manuela Ferreira Leite, se tivesse a possibilidade de o fazer.

Tudo perdido, portanto? Não, claro. O PSD tem pela frente tempo para desenvolver as suas ideias. E a inspiração básica das medidas está correcta: a força do PSD era ser - como tantas vezes escrevi há mais de 20 anos - o partido dos self made men, da pequena burguesia em processo social ascendente, dos pequenos proprietários, das donos de pequenas e médias empresas familiares, das cidades do mundo rural e do Norte.

Com Cavaco Silva, o PSD mudou de natureza. O PS soube captar parte substancial da coligação que deu ao actual Presidente da República duas maiorias absolutas. Esta gravíssima crise pode ser a ocasião para que o PSD regresse à sua matriz inicial e - ganhe ou não as próximas eleições - ganhe de novo a sua alma.» [Público assinantes]

Parecer:

Por José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

É LIMPINHO

«Falo como órfão adoptivo do vereador José Sá Fernandes, mesmo depois de abandonado nos degraus da CML pelos cruéis padrinhos do Bloco de Esquerda. Até apareci em cartazes a dizer que o "Zé" fazia falta. E continuo a achar que sim, apesar de o BE nunca me ter telefonado, sem ser para conversas eróticas.

No PÚBLICO de ontem, veio a notícia de a Cif ter pintado de branco os muros da Calçada do Carriche, apagando os graffiti e substituindo-os por stencils da Cif, apregoando "deixa(r) tudo como novo".

Há um preconceito contra a publicidade que oblitera o jeito de distinguir entre produtos bons e maus. É uma cegueira: os detergentes da Cif são muito bons e a nossa vida seria mais suja sem eles. A Unilever está associada a uma das melhores firmas portuguesas, a Jerónimo Martins. O presidente, Alexandre Soares dos Santos, é entrevistado na mesma edição por José Manuel Fernandes, porque lançou um instituto de investigação que é dirigido por ninguém menos que o António Barreto.

Daqui a duas semanas, a Calçada do Carriche - talvez o sítio mais feio de Lisboa - ficará toda pintada de branco, sem logótipos da Cif nem nada. Lisboa fica mais limpa e amealha uns tostões. A Cif, de facto, deixa tudo como novo. E ninguém me pagou para dizer isto. Digo-o por ser verdade. E estar agradecido. Mais afianço que, caso António Costa continue feito com o meu herói, votarei PS nas próximas eleições para a Câmara de Lisboa. Pela primeira vez na vida. É limpinho.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A QUESTÃO DAS TAXAS MODERADORAS É PARA APROFUNDAR NO FUTURO

«José Vera Jardim, Paulo Pedroso, Teresa Alegre Portugal, Eugénia Alho, Jorge Almeida, Ventura Leite ou Ricardo Gonçalves protagonizaram algumas das intervenções críticas, durante a reunião do grupo parlamentar. À saída, o líder da bancada, Alberto Martins, referiu que esta é uma matéria que "deve ser aprofundada" - no futuro. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Alberto Martins deveria explicar-nos, porque somos um pouco burros, o que há para aprofundar e a que futuro se refere.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Alberto Martins que se deixe de evasivas idiotas.»

MÁRIO NOGUEIRA VAI RECORRER AOS TRIBUNAIS

«Em declarações aos jornalistas, à saída de uma reunião negocial no Ministério da Educação, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, deu ontem conta de uma verdadeira avalancha de acções visando a tutela. Além de três providências cautelares, entregues em Lisboa, Beja e Coimbra a partir de quinta-feira, esta estrutura vai avançar com uma acção administrativa especial no Porto. "Tudo isto na próxima semana", disse o sindicalista, assumindo: "Se o Ministério, no plano político e administrativo, não suspende a avaliação de desempenho, nós através do tribunal levaremos a essa suspensão."» [Diário de Notícias]

Parecer:

Sempre é mais correcto do que fazer esperas para apupar Sócrates ou rir dos alunos a atirarem ovos á ministra.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Agradeça-se em nome dos advogados.»

COITADINHOS...

«Os professores do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura desfilaram hoje, ao lado dos alunos que festejavam o Carnaval. Mas vestidos de negro, amordaçados e com as mãos presas por correntes, como forma de protesto contra a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) que, contrariando uma decisão do Conselho Pedagógico, lhes ordenou que acompanhassem as cerca de 400 crianças do pré-escolar e do 1º ciclo do Ensino Básico, pelas ruas da sede do concelho.“Só antes do 25 de Abril é que as pessoas eram obrigadas, é uma vergonha!”, indignou-se uma docente que disse não se identificar por medo de represálias e que ostentava correntes em volta dos punhos e um saco preto na cabeça. Outro professor, Armando Lopes, sublinhou que a decisão da DREN “é ilegal”, por contrariar uma decisão tomada pelo conselho pedagógico, “um órgão com autonomia”.» [Público assinantes]

Parecer:

Estes professores só se esqueceram de dizer que estavam no horário de trabalho e que estavam a cumprir uma ordem legítima da entidade empregadora, mas acham que por serem funcionários públicos o patrão é o Mário Nogueira, o tal da auto-avaliação.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se os professores se não querem ir para o sector privado, talvez o PCP abra uma escola onde podem fazer o que querem.»

GRAÇAS AO "CAFÉ MARGOSO"

Fiquei a saber do vídeo"Le Bal des Blogueuses ":

«Dez mulheres blogueiras francesas arranjaram uma bela forma de promoverem os seus espaços da internet. A fotógrafa Sandrine Sauveur concebeu um cartaz intitulado Le Bal des Blogueuses (um nome e uma imagem inspirados no cartaz e no filme documentário Le Bal des Actrices), onde as mulheres aparecem tal como vieram ao mundo, o que tem deixado a blogosfera francesa em estado de agitação considerável. O cartaz tem sido divulgado um pouco por todo o lado com o seguinte slogan:

«São audaciosas, curiosas, exibicionistas, loucas, sórdidas. Vocês vão adorá-las!»

DMITRY ZAMORIN

AGARRA AÍ

COM AMOR TUDO É POSSÍVEL

"SPACESHIP BROKEN NEED PARTS" [Flickr]

CHEGOU O DIA DO JULGAMENTO

DIÁRIO ECONÓMICO

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Elogio de Oliveira e Costa

Ainda que correndo o risco de ser excomungado decidi ser o único português a vir em defesa de Oliveira e Costa, pior do que isso, vir elogiar o ex-administrador do BPN e propor a sua libertação. Oliveira e Costa não só deveria ser imediatamente libertado como, porventura, ser proposto para uma das muitas condecorações com que os nossos presidentes costumam agraciar os velhos amigos, em sinal de reconhecimento pelos serviços prestados.

Oliveira e Costa há muito que é um dos melhores entre os melhores, conseguiu dar perdões a torto e a direito sem que tenham questionado a sua integridade nem a do primeiro-ministro. A não ser o Independente, então gerido por Paulo Portas, nenhum jornal se deu ao trabalho de investigar esses perdões fiscais. Oliveira e Costa conseguiu gerir em simultâneo as suas contas, a do país e as do PSD saindo com a sua imagem incólume quando abandonou o governo.

Não é qualquer um que sai do anonimato do estatuto de remediado, constrói um grande grupo empresarial e até chega a ter direito a páginas de elogio do Expresso, como sucedeu em tempos. Como explicar que de repente seja transformado em vilão de uma história que ninguém está interessado em ler?

Não é qualquer um que consegue fazer um buraco de 1.800 milhões sem ver, não é fácil enganar administradores como Dias Loureiro, enfiar o barrete a um ex-chefe das secretas e ludibriar directores escolhidos a dedo nos serviços de informação. Enganou-os tão bem que assinaram tudo e agora nem se lembram do que leram ou assinaram. É preciso ter uma inteligência acima da média para ludibriar Dias Loureiro e ainda conseguir que este saia do negócio esquecido do que fez e ainda por cima sem ter ele perdido um tostão.

Se foi simples distrair Vítor Constâncio o mesmo não se pode dizer de enganar Miguel Cadilhe ao ponto de levar esta velha vedeta da banca a pedir 600 milhões ao Estado para resolver o problema quando, afinal, o buraco era de 1.800 milhões.

Não é fácil fazer um buraco de 1.800 milhões e não haver um único cidadão a reclamar o seu dinheiro, um único jornalista a investigar o rasto de tanta massa, um único magistrado a violar o segredo de justiça, um único político a apontar-lhe o dedo. É um milagre Oliveira e Costa ter feito desaparecer 1.800 milhões sem ninguém ter reparado e sem que ninguém apareça a queixar-se.

Assim sendo não faz muito sentido que o homem esteja preso, o seu lugar deve ser numa fila de espera para as condecorações presidenciais. Merece uma comenda por mérito empresarial ou, se isso der muito nas vistas, por dedicação ao país, afinal fez uma reforma fiscal, cobrou a receita fiscal que ajudou Cavaco Silva a conseguir maiorias absolutas, modernizou muitas instalações do PSD e, quando se esperava que fosse para o merecido descanso, ainda construiu um dos bancos de maior sucesso na praça e ainda um grupo empresarial de grandes dimensões.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

"Vou ali e já volto", Praia dos Três Pauzinhos, Algarve

IMAGEM DO DIA

[Chip Somodevilla/Getty Images]

«A girl saluted President Barack Obama Thursday as he prepared to leave the White House for Canada on his first foreign trip as president. » [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Francisco Louçã

Dizer que o capital das empresas é calculado pelo valor das suas acções na bolsa até parece ser verdade, mas talvez não seja bem assim. As cotações das acções de uma empresa na bolsa corresponde ao valor a que foram vendidas, mas não estamos a falar necessariamente de quotas de 10% do capital, como sucedeu com a compra de capital da CIMPOR feita pela CGD. Ainda há pouco tempo a filha de José Eduardo Santos comprou capital do Millennium por um valor muito acima das cotações e ninguém lhe chamou parva, até houve quem ficasse alarmado.

Louçã é professor de economia e sabe muito bem (espero eu) como funciona o mercado, sabe mas faz de conta que não sabe quando isso lhe interessa.

AVES DE LISBOA

Alvéola-cinzenta [Motacilla cinerea]

CM DE TORRES QUERIA NÚS NO MAGALHÃES

«O Ministério Público (MP) ordenou esta quinta-feira à Câmara de Torre Vedras que retirasse as imagens de nus femininos que estavam no ecrã de uma reprodução do computador Magalhães, que faz parte de um "monumento" ao Carnaval da cidade.

'Fomos surpreendidos à cerca de uma hora com um fax do Ministério Público assinado pela senhora delegada do 1º juízo, a qual nos dá um prazo até às 15h30 para retirar o conteúdo do computador Magalhães', explicou o presidente da autarquia, Carlos Miguel, em declarações à Antena 1.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Giro, giro era se a menina fosse esposa ou filha do autarca, assim é que o povo se divertia à grande.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a proposta, solicite-se ao MP que seja tolerante e explique-se ao autarca que as leis não são suspensas durante o Carnaval.»

MNE DEFENDE DURÃO DE CRÍTICAS DOS SOCIALISTAS EUROPEUS

«O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, enviou uma carta ao Parlamento Europeu (PE) a rejeitar uma acusação atribuída ao Governo de Durão Barroso na questão dos voos ilegais operados pela secreta norte-americana em Portugal. A acusação estava num proposta dos socialistas europeus para uma resolução que reprovava os Governos da UE que colaboraram activa ou passivamente com as autoridades norte-americanas. A proposta dizia, até ontem, que "novas informações veiculadas na imprensa relativas a voos da CIA em Portugal, com transporte de detidos, durante o Governo Barroso". Depois da carta das Necessidades, os socialistas europeus eliminaram a referência a Portugal. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Gostava de saber que acordo fizeram com Durão Barroso para o defenderem tanto, porque certamente não é por o presidente da Comissão ter feito jeitos a Portugal.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se que se tornem públicos os negócios de José Sócrates com Durão Barroso.»

MÁRIO NOGUEIRA: AO MAU CAGADOR ATÉ AS CALÇAS EMPATAM

«O secretário-geral da Fenprof considerou esta quinta-feira que a abolição de vagas no acesso à categoria de professor titular, hipótese admitida quarta-feira pelo Governo a sindicatos da classe, pode "restringir ainda mais" a progressão da carreira docente.

Responsáveis da Associação Sindical de Professores Licenciados (ASPL) e da Federação Nacional de Ensino e Investigação (FENEI) disseram quarta-feira à Lusa que o Ministério da Educação se mostrou disponível para abolir a existência de vagas no acesso à categoria de professor titular, a segunda e mais elevada da carreira docente.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Há muito que é evidente que para Mário Nogueira o "interesse dos professores" é aquele que se conseguir conjugar com os interesses e ordens que recebe do partido. Negociar com sindicalistas designados pelo PCP é perder tempo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Suspendam-se quaisquer negociações com a Fenprof.»

PERRY GALLAGHER

COVIDIEN