sábado, maio 09, 2009

Quanto vale Manuel Alegre?

Apesar de Manuel Alegre falar com alguma frequência dos votos que teve nas eleições presidenciais penso que nem ele próprio sabe quanto valeria numas eleições legislativas ou quantos votos o PS perderia se o seu nome não constasse na lista de candidatos a deputados. Se o soubesse há muito que Alegre se deixaria de hesitações, chantagens e pressões, limitar-se-ia a negociar o seu peso em número de deputados.

Pensar que vale os votos que teve nas presidenciais é um erro, aliás, esse votos não valeram nada já que o eleito foi Cavaco Silva e o mais que Alegre poderá fazer é candidatar-se de novo, mas sem a certeza de que os que votaram nele da primeira vez o voltarão a fazer. Da próxima vez que se candidatar poderá ter mais votos ou menos votos, mas nunca vencerá Cavaco Silva pois dificilmente conseguirá juntar o eleitorado à esquerda, dificilmente conseguirá convencer o eleitorado do PCP ou mesmo o do PS.

A verdade é que o PCP confiava mais em Mário Soares do que alguma vez confiará em Manuel Alegre, todos sabemos quem é e o que pensa Mário Soars, quanto a Alegre nunca se sabe muito bem o que pensa. Ninguém confia num candidato a Presidente da República que cada vez que diz que vai falar ouve antes o MIC, Alegre não tem pensamento próprio.

O valor político de Manuel Alegre está para o PS como as cotações da GALP estão para os preços do petróleo, quanto mais vale o PS mais vale Manuel Alegre, é este o resultado da estratégia chantagista de Manuel Alegre que tem jogado o seu peso mais pelo prejuízo que pode provocar do que pelo peso eleitoral que poderá ter. Se o apoio de Manuel Alegre for indispensável para uma maioria absoluta do PS o poeta pode chantagear Sócrates, se o PS não tiver esperança de alcançar a maioria absoluta Alegre não tem qualquer valor, mais deputado alegrista menos deputado alegrista uma maioria relativa é uma maioria relativa.

Basta olhar para a comunicação social para se perceber que desde que as sondagens aponta para um cenário em que o PS não alcança a maioria absoluta para se constatar que Manuel Alegre deixou de ser notícia de primeira página, as suas ameaças deixaram de ter interesse jornalístico, o protagonismo político (algo que envaidece Alegre) passou a ser de Loução e de Manuela Ferreira Leite, no caso desta graças à preciosa ajuda de Cavaco Silva.

O próprio Louça já se esqueceu de Manuel Alegre pois este deixou de lhe ser útil, era-o enquanto o pudesse usar para se armar em gestor da maioria absoluta do PS jogando com a vaidade do poeta, a partir do momento em que Louça espera que o PS não tenha a maioria abosluta Algre deixa de lhe ser útil, não precisa dele para criar uma situação de instabilidade política. Além disso, Louça não está nada interessado nas aventuras partidárias de Manuel Alegre, não teria nada a ganhar se o MIC se tornasse numa versão poética do PRD.

Se Manuel Alegre não ganhou as presidenciais nem conseguirá vir a ganhá-las a um candidato que já o derrotou e pouco vale na hipótese de o PS não ter a maioria absoluta então o seu valor político é muito reduzido. Se o PS perder a maioria abolsuta a primeira vítima será Manuel Alegre, não só será esquecido pelos militantes o PS como por muitos companheiros de ocasião eu o apoiam, começando pelo próprio Louça. Alegre poderá dizer adeus ao seu sonho presidencial.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

No tempo em que o Benfica marcava dois golos, Feira da Ladra, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Fayaz Kabli/Reuters]

«An Indian policeman used a slingshot to throw stones at Kashmiri protesters during an election protest in Srinagar Friday. At least 30 people were injured when police in Kashmir’s main city fired teargas to disperse thousands of Muslims protesting against India’s general election in the disputed Himalayan region.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

António Costa

Gosto de ver António Costa criticar o PS, já o fez a propósito de vários dossiers e fê-lo agora em relação à lei do financiamento dos partidos, é uma prova de que estar no governo reduz a capacidade intelectual dos políticos, o autarca parece ter começado a pensar quando foi para a Praça do Município. Só é pena que tenha a triste sensação de que as críticas de António Costa não passem de uma forma de se demarcar do governo, algo que faz quando as sondagens dão para o torto ou quando há muitas manifestações.

Esperemos que esta veia crítica de António Costa também funcione em relação à gestão da Câmara Municipal de Lisboa...

QUEM GOVERNA A CAPITAL?

Leio na comunicação social que a Frente Tejo abre caminho a peões no Terreiro do Paço e assalta-me uma dúvida: terá algum partido com este nome concorrido à autarquia da capital? Não, não é um partido, é uma empresa com gente de confiança que decide os que os lisboetas podem ou não fazer em Lisboa.

AVES DE LISBOA

Fêmea de toutinegra-de-barrete-preto [Sylvia atricapilla]
Local da fotografia: Campo das Cebolas

FLORES DE LISBOA

Estrelícias [Strelitzia reginae] no pátio do Ministério das Finanças

CRIME DE ÓDIO

«Já muito se disse sobre o ocorrido no 1º de Maio com a delegação do PS que visitou a manifestação da CGTP. Houve quem (PS) exigisse pedidos de desculpas às direcções da CGTP e do PCP, quem (PCP) exigisse desculpas por lhe terem exigido desculpas, quem (Carvalho da Silva) pedisse desculpa ao fim de um dia a desculpabilizar o ocorrido, quem (Jerónimo de Sousa) recusasse sequer tomar conhecimento do assunto, quem (Saramago) exortasse as organizações em causa a expulsar os seus associados responsáveis pelas agressões e quem (Pedro Sales, assessor do BE) garantisse que se um militante agredisse alguém naquelas circunstâncias seria expulso.

As reacções foram (ou acabaram por ser), na generalidade, de desaprovação, com a notória e iniludível excepção da direcção do PCP. Mas uma questão foi pouco ou nada abordada: a da natureza do sucedido. Essa natureza foi aliás diluída na reacção dos próprios visados, que elidiram a sua componente mais óbvia: a de crime contra a liberdade e a integridade moral e física, e portanto de caso de polícia. É um erro. Conduzir as agressões e injúrias para o plano político-partidário e exigindo apenas por elas um pedido de desculpas opera, paradoxalmente, uma espécie de banalização da violência. Mais: permite que o caso se instrumentalize numa troca de galhardetes e acusações que chegou ao ridículo dos pedidos de desculpas cruzados.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ESTE JORNAL QUE VOS DEIXO

«Ontem, comprei o jornal espanhol El País. Por 1,50 euros (dois cafés) levei um manual de vida: como empandeirar, de vez, o aldrabão do Rousseau ("o homem é naturalmente bom...") Guardei quatro páginas (da 56 à 59) para os meus netos. Valem por um curso. Estou a falar de El País, um dos melhores jornais europeus. Aquelas quatro páginas, o bom e credível jornal dedicou-as ao Chelsea-Barcelona. Quatro páginas de jornal são 15 mil caracteres. Escrever "Tom Henning" são onze caracteres com espaços. Naquelas páginas podia ter-se escrito mais de 1300 vezes "Tom Henning". Mas escreveu-se uma só, numa legenda que nada me disse sobre a importância do homem. Ora o tal Tom foi o árbitro e o actor principal do Chelsea-Barcelona. Roubou quatro penâltis aos ingleses, no mais escandaloso jogo de futebol da Liga dos Campeões de que há memória. Mas o bom e credível jornal espanhol (e é esse o problema: é mesmo bom e credível) escondeu o Tom e os penâltis. Então, é assim, queridos netos: uma instituição (e El País é uma instituição) fará o que tiver de fazer se tiver de ser feito. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

VÓRUS E BACTÉRIAS

«Um vírus é basicamente um pequeno saco com um bocado de código genético lá dentro. Por si só não é capaz de se reproduzir, alimentar ou acumular energia. Fora de outro organismo o vírus não tem qualquer actividade. Precisa de se alojar numa célula para então "despertar para a vida", ou seja, desviando a função normal desta de forma a torná-la numa máquina de fotocópias de mais vírus iguais a ele. Nalguns casos, tira tantos exemplares que acaba por matar o hospedeiro, o que acontece por estes dias com o mais recente surto de gripe.

Daquilo que se conhece, o vírus nada mais faz para além de se copiar. Nessa medida, trata-se de uma forma muito primitiva e básica de vida cujo único objectivo é garantir uma continuidade existencial. Coisa que os genes, por exemplo, também fazem. Aliás, a tese mais consensual de momento afirma que estes minúsculos seres são bocados de código genético que se separaram de grandes cadeias, mantendo contudo uma capacidade de acção sobre essas mesmas cadeias. Ou seja, os vírus são mero lixo genético à deriva.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Leonel Moura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

UM PROGRAMA

«Manuel Alegre vai finalmente decidir, ou ser forçado a decidir, se aceita ou não aceita um lugar nas listas do PS. Já falou com Sócrates e, no dia 15, irá falar com a gente que o apoia - a do MIC (Movimento de Intervenção e Cidadania) e a da "Corrente Socialista". Se Alegre recusar, grande parte do voto que ele, em princípio, encarna, provavelmente passará para a esquerda ou, se quiserem, para a extrema-esquerda. Se, apesar de tudo, seguir o PS, Sócrates será em teoria o beneficiário. Ninguém sabe ao certo o peso eleitoral de Alegre. Há quem pense que nenhum (ou perto disso) e há quem pense que talvez faça a diferença entre a maioria relativa e a maioria absoluta de Sócrates. De qualquer maneira, nesta altura, Sócrates não está com certeza disposto a correr riscos.

Da parte de Alegre, o negócio tem sempre prejuízos (não por acaso, ele hesitou durante mais de um ano). Se abandonar o PS, e o PS perder, é imediatamente promovido a "culpado" (ou mesmo, para a franja fanática, a "traidor") e liquida em definitivo qualquer ambição à Presidência. Pior: o valor de Alegre vem da ambiguidade da sua posição. Para o MIC e congéneres vale como "o homem de dentro", para o "radicalismo" do PS (aliás, sereno) vale como "o homem de fora". Sem um dos lados desta sábia mistura, não vale nada. Daí que tacticamente ele tente ameaçar o PS com o MIC e atrair o MIC com o PS, ou melhor, com a hipotética "esquerdização" do PS. No momento em que se definir - e voltar a S. Bento é uma definição - acaba para os dois lados.

Só uma coisa o pode salvar: aparecer como garantia de que o PS nunca se resignará ao Bloco Central. Em nome da salvação da Pátria ou da salvação do mundo. Porque, para lá do palavreado sobre a "governabilidade" e a "crise", o Bloco Central essencialmente se destina a isolar o PC e Louçã (a que as sondagens dão hoje 20 por cento do eleitorado). Não por acaso Alegre se apressou a dizer que o "Bloco Central não é uma solução democrática", que "é uma solução contrária à maioria sociológica do país" (que ele, evidentemente, acha de esquerda) e que, ainda por cima, representa o "bloco central de interesses". Verdade ou não, Alegre arranjou agora uma causa que o justifica. Se entrar nas listas do PS, entra com um programa taxativo e claro, que, na ausência de uma maioria absoluta, dividirá o partido. » [Público assinantes]

Parecer:

Por Vasco Pulido Valente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

QUAL SERÁ A DIFERENÇA ENTRE APOIAR E NÃO SE OPOR?

«"O Governo não deu ordem a ninguém" quanto ao empréstimo de 200 milhões de euros da CGD ao Finantia, no segundo semestre do ano passado, disse Teixeira dos Santos no Parlamento, em resposta a uma pergunta do Bloco de Esquerda.

"O Finantia não vive de depósitos e enfrentou problemas de liquidez decorrentes da difícil situação vivida pelo sistema financeiro no ano passado", precisou o ministro, acrescentando que "o Banco de Portugal, numa acção de emergência de liquidez, solicitou à Caixa que fizesse aquela operação".» [Diário de Notícias]

Parecer:

O facto é que o ministro das Finanças e isso significa que havia da parte da CGD a intenção de avançar com o empréstimo, se o governo não se apôs então deu o seu apoio tácito.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao ministro das Finanças o que entende por não se opor.»

ATÉ FIQUEI COM PENA DO SALDANHA SANCHES

«A crise económica abrandou o mercado dos pareceres jurídicos, levando a uma "grande guerra" entre juristas. Saldanha Sanches disse ao DN que Marcelo Rebelo de Sousa não devia emitir pareceres por "não publicar nada há mais de dez anos". O comentador respondeu que o fiscalista deve andar "distraído ou ignorante". Um mercado que continua a mover milhões.

"Hoje há uma crise de pareceres. O Estado e as autarquias não têm dinheiro." A frase é de Marcelo Rebelo de Sousa, que garantiu ao DN que a crise está a afectar o mercado dos pareceres jurídicos. Estas solicitações a juristas continuam a mover milhões de euros em Portugal, mas já não rendem tanto como antes. Além disso, segundo explica o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), "há cada vez mais pareceristas", o que faz com que exista uma "grande guerra" no mercado.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Esta picardia entre Saldanha Sanches e Marcelo Rebelo de Sousa com o primeiro a ter o desplante de sugerir ao segundo que deixe de fazer pareceres dá um pouco a ideia do que o mercado dos pareceres é um mundo obscuro onde se misturam influências e jogos sujos com negócios de comentadores.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Saldanha Sanches que mostre as suas contas dos últimos anos indicando o nome dos seus clientes.»

A MINHA ALMA FICOU PARVA!

«No entanto, entreguei hoje mesmo o meu pedido de demissão do Partido, no que constituiu a decisão mais dolorosa da minha vida. Fi-lo por dever de consciência: sempre protestei contra os que, violando os estatutos do Partido, pretenderam descaracterizá-lo. E não podia agora incorrer na violação da disciplina partidária.

Cada vez me sinto mais próximo, ideologicamente, do meu Partido, o único que verdadeiramente defende os trabalhadores e outras classes sociais desfavorecidas, em Portugal.» [Pedro Namora]

Resta saber se depois das eleições Pedro Namora pede o cartão e o emprego de assessor autárquico nas autarquias do PCP. Esperemos para ver.

VIKTORIYA DMITRIEVA

JÁ PODES ABRIR UM BLOGUE

ASSOCIAÇÃO SALVADOR

sexta-feira, maio 08, 2009

Cavaco põe o carro à frente dos bois

Há qualquer coisa de errado neste debate sobre o bloco central, o mesmo político que se notabilizou por ter posto fim ao governo de coligação PSD/PS e avançou para um governo minoritário, mais minoritário do que o governo do PS caso de confirmassem as sondagens vem agora falar de soluções de governo, chegando mesmo a chamar os partidos a Belém?

Que me recorde a situação do parlamento saído das eleições ganhas pelo PSD em 1985 era bem mais complexo do que o actual, Cavaco Silva formou um governo com 29,87% dos votos, isto é, menos do que os mais de 30% que as sondagens dão actualmente a Ferreira Leite e muito menos do que os 40% de Sócrates. Além disso o PS tem várias soluções de alianças à esquerda, situação que no passado não sucedia, o PSD ou se coligava ou governava sozinho, Cavaco Silva recusou qualquer coligação, nem mesmo com o CDS, e governou com um governo que nem sequer poderia ser considerado representativo da vontade dos portugueses.

Há também algo de muito errado nesta preocupação de Cavaco Silva, até parece que a crise que tanto o absorvia já é assunto do passado e que as eleições europeias já se realizaram. Quando os eleitores deveriam estar a discutir as eleições europeias Cavaco Silva, um Presidente da República, introduz a questão do Bloco Central no debate político, solução de governo que mereceria ser discutido se Manuela Ferreira Leite concretizar o objectivo com que se candidatou à liderança do PSD. Não tenho memória de um presidente ou de um monarca europeu andar a discutir soluções de governo meses antes das eleições legislativas.

Ao que parece o Presidente da República quer que seja desenhada uma solução de governo muito antes das eleições, isto é a vontade dos eleitores só conta para fins estatísticos. Cavaco começa por mandar recados cirúrgicos, depois ouve o presidente do sindicato dos magistrados do Ministério Público à margem da cadeia hierárquica, e quando são publicadas as primeiras sondagens que apontam para a possibilidade de não haver uma maioria absoluta lança o debate e apressa-se a receber os partidos para discutir as soluções de governo.

A tradição constitucional portuguesa mandava o Presidente da República ouvir os partidos a seguir às eleições, escolhido o primeiro-ministro depois de haver uma solução de governo este era escrutinado pelo parlamento. Parece que agora as coisas são diferentes, depois de publicada uma sondagem o Presidente da República chama os partidos a Belém para discutir soluções de governo vários meses antes das eleições. Será que vai ter a mesma iniciativa quando forem publicadas sondagens em relação às próximas presidenciais?

A ideia até é simpática, mas nesse caso O Jumento vai fazer a sua própria sondagem eleitoral, depois manda os resultados para a Presidência da República para que o Presidente volte a convocar os partidos para discutir as soluções governativas resultantes da nova realidade política. Dirão que O Jumento não é uma entidade credível para fazer sondagens,. São capazes de ter razão, mas nesse caso terei de questionar o valor das sondagens feitas em Portugal, se tivessem fiabilidade João Soares teria ganho a Santana Lopes e Cavaco não teria obtido a segunda maioria absoluta, só para dar dois exemplos. Por este andar ainda alguém se lembra de convidar a CIP a fazer sondagens, tal como sucedeu com os estudos da CIP, serão tão certas e científicas que algum acérrimo defensor do presidencialismo ainda se lembrar de dizer que poderíamos poupar-nos ao trabalho de organizar legislativas.

Cada vez sinto mais uma estranha sensação no nariz quando Cavaco Silva fala ou tem intervenções políticas.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Panteão Nacional, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Romeo Ranoco/Reuters]

«A street child slept under a bridge to take shelter from the rain in Manila Thursday. The Philippines is readying evacuation centers and alerted residents for possible flash floods and landslides as Typhoon Chan-Hom heads for the main northern Luzon island.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva

Ao convocar os partidos para discutir soluções de governo Cavaco Silva está a pôr o carro à frente dos bois, ainda nem sequer se realizaram as europeias e já está a discutir soluções para um dos cenários que poderão sair das eleições legislativas. Ao fazê-lo Cavaco mostra que é ele próprio que está interessado nesse cenário de crise que valorizaria Manuela Ferreira Leite. A não ser que Cavaco Silva sonhe com um governo de união nacional patrocinado por Belém.

Isto é a negação do papel do parlamento, é querer cozinhar soluções governamentais ainda antes das eleições reduzindo-as a uma celebração política. Cavaco está a ultrapassar o que se espera do Presidente da República, está a sobrepor-se à vontade dos portugueses tentando criar soluções antes deles serem ouvidos.

A MAIZENA E A FARINHA AMPARO

Se a diferença entre Rangel e Basílio Horta está no número de embalagens de Maizena que estarão por comer, teremos que concluir que só um ministro saído de um pacote da Farinha Amparo iria para a China propagandear as vantagens competitivas da mão-de-obra barata de Portugal.

Paulo Rangel pôs-se em bicos de pés para criticar Basílio Horta mas daí a justificar-se o ministro vir com piadas novas vai uma grande diferença, até porque se arriscam-se a que um dias destes sejam obrigados a juntar-se à mesma mesa.

UMA PEQUENA APOSTA

Quase aposto que à medida que se torna evidente que o caso Freeport deu o que tenha a dar os mesmos que se excitaram com a hipótese de se livrarem precocemente de Sócrates vão inventar razões para prolongar ao máximo as investigações. Vão propor que se investigue isto e aquilo com o único objectivo de levar as investigações para além das legislações legislativas.

Os mesmos que tentaram a golpada vão perceber que a maioria absoluta de Sócrates poderá estar nas mãos do Procurador-Geral e tudo vão fazer para impedir a conclusão do processo. Se isso suceder, como estou convencido de que vai acontecer, veremos se o senhor Palma vai a Belém queixar-se de pressões.

E já que estamos a falar de pressões aqui fica uma pergunta ingénua: se a investigação às supostas pressões sobre os investigadores não se confirmarem quais serão as consequências para estes? É bom lembrar que foram dois investigadores a queixarem-se parcialmente e a desencadearem suspeições sobre um colega e indirectamente sobre o primeiro-ministro. Terão condições para estar envolvidos numa investigação? Acho que não, pelo menos a mim não inspirarão a mais pequena confiança nos seus princípios deontológicos, já que quanto aos morais ndada tenho que ver.

AVES DE LISBOA

Felosa-comum [Phylloscopus collybita]

FLORES DE LISBOA

Malmequeres

UMA MÁ CRIAÇÃO PÍFIA

«O ministro Manuel Pinho disse: "Paulo Rangel tem de comer muita papa Maizena." Desatou-se uma polémica sobre termos malcriados. Também me incomodam, mas só porque a má-criação foi pífia. Se era para beliscar Rangel - para isso servem os insultos - exigia--se qualidade. A Maizena sugere bebé - e é uma tolice insultar Rangel por aí. Se há coisa que o PSD anseie é por coisa nova. Viu-se, agora, no lançamento do livro de Rangel: ele é a contratação de quem o Benfica fala sempre no defeso. Com uma vantagem: ele ainda fará uma perninha no fim da época (eleições europeias) que, se correr bem, vai fazer dele o Messias do início da época (nas legislativas). Se Pinho tinha que insultar Rangel devia seguir a política inglesa, onde se insulta com classe. Recentemente, o jornal Times escreveu: "Na Grã-Bretanha temos uma orgulhosa história de políticos malcriados", e publicou um florilégio de insultos. Churchill era imbatível, mas o melhor é de um tal Lord St. John of Fawsley sobre a sr.ª Tatcher: "Quando ela fala sem pensar, ela diz aquilo que pensa." Isso, sim, são polémicas.» [Diário de Notícias]

Parecer:

por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

FREDO

THE ROYAL NEW ZELAND RETURNED AND SERVICE ASSOCIATION