sábado, maio 23, 2009

E se a Volkswagen fosse portuguesa?

Ao assistir aos debates que por aí se vai ouvindo sobre a Autoeuropa quase me sinto transportado para ex-União Soviética, mesmo assim estarei a pecar por defeito, na URSS os debates, quando existiam, tinham mais nível do que a peixeirada proto comunista a que temos assistido. Os deputados, jornalistas, sindicalistas e demais espécimes do zoo político nacional referem-se à Autoueropa como se fosse uma empresa “pública-nossa” ou, pior ainda, no passado nunca assisti a tanto disparate em relação às grandes empresas públicas.

Os dados da empresa são devassados, as comunicações internas são objecto de divulgação e debate na comunicação social, Carvalho da Silva fala como se o seu estatuto de líder sindical, cargo que ocupa por inerência da sua condição de militante do PCP, também lhe desse direito, por inerência, à vice-presidência da empresa. Até os deputados do CDS interpelam o ministro da economia como se fossem destacados militantes do Bloico de Esquerda preocupados com o contributo da Auteuropa para a realização das metas do grandioso plano quinquena.

A ausência de propostas para o problema do país levou as nossas elites políticas a aproveitar tudo para ensaiar discursos com objectivos meramente eleitoralistas, desde as conversas de almoço de magistrados de pouca confiança até à situação da Autoeuropa, tudo serve.

E se a Volkswagen fosse portuguesa?

Carvalho da Silva, que se esqueceu do discurso da deslocalização pois a fábrica da Autoeuropa é um bom exemplo desse fenómeno, seria o primeiro a defender os interesses nacionais e em nome do progresso questionaria porque razão a capacidade excedentária da empresa não era utilizada para produzir o que está sendo produzido na Alemanha. E se vivessemos noutros tempos ainda proporiam aos trabalhadores da Autoeuropa que o trabalho ao sábado fosse considerado trabalho nacional.

Os deputados do CDS estariam a questionar a razão porque o seu partido não tinha um lugar na administração e idêntica reivindicação fariam os sindicalistas que defenderiam a co-gestão.

A forma como uma empresa privada alemã está a ser tratada por políticos e comunicação social é ridícula, como é ridícula a forma como muitos sindicalistas ainda vêm as empresas, algo mais parecido com uma manjedoura do que com uma entidade que tem quer ser competitiva para assegurar emprego e riqueza aos que nelas trabalham e investem o seu capital.

Até parece que não aprenderam nada com as asneiras do passado.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Janela, Belém, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Markus Schreiber/Associated Press]

«People painted their bodies to form a large portrait of U.S. President Barack Obama for Swiss artist Dave’s “The Fusion Journey” project in Berlin Thursday. The artist uses only a first name.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Santos Cabral, ex-Director Nacional da Polícia Judiciária

No caso de Leonor Cipriano era tão evidente que tinha havido violência como seria difícil de identificar os agressores, estamos perante investigadores que sabem muito bem como produzir ou ocultar provas. Só que este caso evidencia que no Portugal democrático há torturadores e que estes só existem porque são protegidos.

No caso de Leonor Cipriano os sinais de violência eram tão evidentes que nenhum magistrado que a tenha ouvido nos dias seguintes as poderia ignorar, seria interessante saber se nos dias seguintes à tortura Leonor Cipriano foi ouvida por algum procurador ou por um juiz. No caso d tortura não está apenas em causa a integridade física de Leonor Cipriano, mas também a integridade moral das instituições e da própria democracia. Este caso é mais um sintoma de que a investigação judicial em Portugal está podre, já ninguém acredita na justiça nem confia em magistrados e polícias.

Poderia escolher algum inspector da PJ para Jumento do Dia, mas para além de Gonçalo Amaral, condenado por mentiroso, os outros cobardes foram suficientemente cobardes para se escaparem da investigação. Mas a minha escolha vai para o mais alto responsável da PJ na época, é a Santos Cabral que deveriam ser aplicadas as penas de tortura.

OS OUTROS CULPADOS DA TORTURA DE LEONOR CIPRIANO

Recorde-se que os factos ocorreram em Setembro de 2004, na ocasião o primeiro-ministro era Santana Lopes o ministro da Justiça, que tutela a PJ, era José Pedro Aguiar-Branco. Ou seja, o responsável político pelos factos é hoje vice-presidente de Manuela Ferreira Leite.

VIVA A CLASSE ESTUDANTIL

Os protestos na escola António Arroio começaram por não poderem fumar na escola. Bem, em vez de distribuir preservativos o governo deve equacionar a hipótese de distribuir mata-ratos.

SINAIS DE RETOMA

Um dos erros de Manuela Ferreira Leite quando foi ministra das Finanças foi ter anunciado os famosos sinais de retoma, depois foi o que se viu, tudo servia para provar que a retoma tinha chegado e enquanto este no Governo a actual líder do PSD passou a ter visões de sinais de retoma. Teixeira dos Santos parece padecer do mesmo mal, também já vê sinais de retoma.

E AGORA SENHOR PROCURADOR-GERAL

Se bem me lembro Leonor Cipriano foi condenada com base numa acusação resultante de uma investigação conduzida pela PJ, a mesma polícia que agora foi acusada de tortura neste caso, condenação que não poderá ser apagada pois não há lugar a recurso de matéria de facto. Isto significa que a condenação está inquinada, até porque foi mais do que evidente que não foi apresentada qualquer prova consistente durante o julgamento, Leonor Cipriano entrou condenada para um tribunal que converteu em acórdão a condenação dos jornalistas que, por sua vez, foram brilhantemente manipulados pela estratégia de comunicação da polícia.

O que vai fazer agora senhor Procurador-Geral? Manter Leonor Cipriano na prisão com base em supostas provas obtidas por polícias torturadores? Recordo ao senhor Procurador-Geral que umas das atribuições da PGR, senão mesmo a mais importante, é a defesa da legalidade democrática.

AVES DE LISBOA

Juvenil de Chapium-real [Parus major]
Local da fotografia: Belém

FLORES DE LISBOA

Flor no Jardim Tropical

VER A BELA VISTA

«O assunto arrefeceu. Já não há “directos” da frente da esquadra a horas certas nem especialistas sortidos a fazer comparações com a “revolta grega” ou com os subúrbios em chamas da França em 2005.

Ainda bem: significa que o bairro voltou à normalidade. É dessa normalidade que é preciso falar. Muito do que se ouviu e leu sobre a Bela Vista (até sobre o nome do bairro, chamando-lhe “enganador”) demonstra uma coisa simples: muita gente não sabe do que fala. Soa presunçoso dizer isto, mas de facto não se pode concluir outra coisa quando se ouve e lê que o bairro “não tem condições” ou “foi deixado à sua sorte, degradado e maltratado”. Entendamo-nos: o bairro foi construído nos anos 70, logo a seguir ao 25 de Abril (tinha sido em parte planeado antes, o Estado Novo também fazia bairros sociais, caso haja gente esquecida). Atendendo a isso, está em razoável bom estado – muito melhor estado que grande parte da cidade de Lisboa, por exemplo. Os apartamentos são espaçosos e apreciados pelos locatários, e, o que é muito importante, o bairro faz parte de Setúbal, não se distingue da restante malha urbana nem está num descampado qualquer afastado de tudo. Tem escolas de todos os ciclos do ensino obrigatório, algumas recém construídas e outras em reconstrução, um supermercado, um mercado novo e um parque verde (o parque da Bela Vista) criado há poucos anos. Tem campos de jogos, pátios comunitários (que servem vários prédios) e, pelo menos no bairro azul, uma magnífica vista de estuário (a tal que lhe deu o nome). Tem transportes públicos, esquadra e recolha de lixo. Tem ainda várias instituições lá sediadas, entre as quais a Associação Cristã da Mocidade, com piscina e várias actividades para crianças e jovens. Tudo isto no bairro, no seu espaço físico. É isto um “gueto”, um lugar “abandonado à sua sorte”, como tanta gente o disse e descreveu? Não parece. Não é.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

HOUVE TORTURA NO CASO LEONOR CIPRIANO

«Os três inspectores da PJ acusados de tortura por Leonor Cipriano foram esta tarde absolvidos pelo Tribunal de Faro, que deu como provadas as agressões à mãe de Joana durante o inquérito ao desaparecimento da menina, em 2004, mas não identificou os agressores. O antigo coordenador Gonçalo Amaral foi condenado por falsidade de documentos e Nunes Cardoso por falsificação de depoimento.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Era uma evidência.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao Procurador-Geral da República e questione-se Cavaco Silva se vai chamar alguém a Belém para falar sobre o estado da democracia portuguesa.»

A VOTAÇÃO DO PROVEDOR DE JUSTIÇA

«O candidato do PS a provedor de Justiça, Jorge Miranda, foi esta sexta-feira o mais votado pelo Parlamento, conseguindo 113 votos, num universo de 222 votantes, enquanto Maria da Glória Garcia do PSD alcançou 59 votos. Uma vez que nenhum dos candidadtos ter atingido os dois terços dos votos, realiza-se uma segunda volta na próxima sexta-feira, dia 29.» [Correio da Manhã]

Parecer:

O facto de Jorge Miranda ter obtido qq3 votos significa que alguns deputados do PS estiveram ausentes, o mesmo sucedendo com os deputados do PSD ainda que neste caso a situação seja mais grave já que conta com 75 deputados.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Comunique-se a Manuela Ferreira Leite.»

GOVERNO FASCISTA?

«Um pequeno grupo começou a cantar "The Wall", dos Pink Floyd, o que fez com que se outros se juntassem em protesto por não poderem fumar na escola, enquanto iam surgindo críticas ao Governo.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Nota-se a presença da UEC, só mesmo o PCP tem esta mania de chamar fascitas aos adversários políticos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Jerónimo de SOusa qual o seu modelo de democracia.»

FINALMENTE ALGUÉM RESPONDE A MANUELA MOURA GUEDES

«Em entrevista dada hoje à TVI, o Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, ao ser apelidado de “bufo” por Manuela Moura Guedes, respondeu violentamente à jornalista afirmando: “você não tem autoridade nenhuma para emitir juízos de valor acerca do que se passa na justiça”, e continuando no mesmo tom, acusou a jornalista de fazer um “péssimo jornalismo” que “viola sistematicamente o código deontológico”.

A entrevista não acabou sem Marinho Pinto afirmar que “se você me quiser fazer uma entrevista decente eu estarei disponível, mas esta estação devia ter aqui uma jornalista decente e não alguém que deturpa constantemente as regras do jornalismo”.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Mais um inimigo a abater pela família Moniz.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se a atitude de Marinho Pinto.»

MAIS UM CASO DE ESCRAVIDÃO EM PORTUGAL

«"Sempre me bateu. Quando me queixava muito parava, mas depois continuava." Luís Carlos Marques, um pastor de Fornos de Algodres, comenta assim os 15 anos que passou cativo de um agricultor de Quintela, no concelho de Sernancelhe, que alegadamente o explorava, escravizava e roubava. Em Março, o pastor voltou a fugir, mas no domingo o sequestrador encontrou-o numa quinta em Fuinhas, Fornos de Algodres, para onde Luís Carlos fugia "sempre que podia". E voltou a levá-lo para a sua quinta. Desta vez, a fuga teve um final feliz: o agricultor que o empregava apresentou queixa na GNR. Na quarta-feira foi localizado e libertado pela Judiciária que deteve "o suspeito da autoria dos crimes de escravidão e sequestro de que foi vítima o pastor de 58 anos". Por esclarecer está o sumiço que levou a pensão do pastor. » [Diário de Notícias]

Parecer:

É incrível que tal ainda suceda em Portugal.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Condene-se de forma exemplar o esclavagista.»

PRESSÃO POLÍTICA, DIZ ELE

«O ex-inspector da PJ, Gonçalo Amaral, não ficou surpreendido e revela que estava mesmo à espera de ser condenado no caso das agressões a Leonor Cipriano, a mãe de Joana, menor desaparecida do Algarve, em 2004.

«Não fiquei surpreendido, estava à espera de ser condenado. Há muita pressão política sobre o caso», referiu, em declarações ao tvi24 o antigo coordenador da PJ de Portimão. » [Portugal Diário]

Parecer:

A pressão política é a melhor forma de escapar à condenação, mesmo sabendo-se de como os magistrados detestam o Governo e não se percebendo bem como podem ser pressionados.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se uma gargalhada contida pois um conivente com a tortura não merece grande consideração.»

BRILHANTE DESCOBERTA DA TVI

«Foi no final da década de 90, no âmbito do plano integrado de Setúbal, que pretendia dinamizar o mercado de habitação na cidade sadina. Uma das parcelas de terreno, um armazém ao pé do porto de Setúbal, levou a uma indemnização de mais de 78 mil contos, por 600 metros quadrados de terreno, à módica quantia de 130 contos o metro quadrado, na moeda antiga. No entanto, o armazém imediatamente ao lado só rendeu 54 contos o metro quadrado. Tudo em parceria com a câmara municipal de Setúbal, onde Júlio Monteiro, tio de José Sócrates e um dos proprietários dos terrenos, era à época deputado na assembleia municipal. » [Portugal Diário]

Parecer:

Agora Manuela Moura Guedes vai investigar o PSD pois o tio de Sócrates nunca foi do PS?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão à senhora Moniz.»

PARTIDO CHECO PEDE A "SOLUÇÃO FINAL PARA A QUESTÃO CIGANA"

«El anuncio televisivo de una formación ultraderechista checa en el que se pide "la solución final para la cuestión gitana" ha causado la indignación del gobierno centroeuropeo y las organizaciones de derechos humanos.

El ministro de Derechos Humanos y Minorías, Michael Kocab, consideró que ese vídeo del Partido Nacional (PN) para las elecciones europeas era "absolutamente escandaloso y una violación de los derechos humanos y la libertad". El primer ministro de la República Checa, Jan Fischer, considera que el PN ha cometido un crimen de incitación al odio racial y difamación de una comunidad.» [20 Minutos]

ATLANTIS [imagem]

RADU CARP

SLIM FIT

sexta-feira, maio 22, 2009

Estes portugueses estão mesmo doidos

A Autoeuropa é uma empresa privada que enfrenta um ambiente económico hostil e pertence a um grupo industrial que tem várias fábricas subutilizadas que poderão absorver a sua produção com a vantagem de poder manter emprego no seu país de origem, que enfrenta problemas tão ou mais graves do que os nossos. É natural que haja um processo negocial entre administração e trabalhadores, a primeira procura assegurar a manutenção da fábrica, os segundos defendem os seus interesses, dessa negociação resultará um acordo que manterá empregos ou uma rotura que põe em risco a manutenção da fábrica. Perante isto qual a posição dos nossos deputados? Esqueceram que estavam a falar de uma empresa privada e usaram o tema para luta partidária.

A justiça está de rastos, os portugueses confiam pouco nos juízes e quase nada no Ministério Pública, já quase ninguém liga a processos que nascem e renascem em função dos ciclos eleitorais. Era suposto o Ministério Público ser independente e os seus magistrados não usarem os poderes para influenciar a vida política e muito menos para defenderem estatutos corporativos. Mas o que vemos? Um verdadeiro regabofe de violação das mais elementares regras, magistrados a quererem protagonismo político e um sindicalista que parece achar estar acima de todos poderes cabendo-lhe vigiar um Ministério Público supostamente independente de todos os poderes, incluindo o sindical. E o que faz o Presidente da República? Recebe o senhor Palma para falar de assuntos sobre os quais apenas deveria falar com o Procurador-Geral.

Era suposto estarmos a discutir a Europa mas discutimos tudo menos isso, discutimos os bolsos do casaco de Cavaco Silva, a distribuição de preservativos nas escolas, o tipo de gripe que terá um velhote que espirrou em Trás-os-Montes, tudo menos a Europa.

Parece que os alunos do ensino básico e os respectivos encarregados e decidiram gravar conversas com o mesmo rigor como faz o Ministério Público nos casos em que estas provas são consideradas mal obtidas e tramaram uma professora. Desta vez o país foi unânime, os jornalistas, a directora da DREN, os governantes e o Mário Nogueira apostam tudo num processo disciplinar. Ninguém discutiu os métodos, ninguém questionou como foi possível ninguém ter reparado antes naquilo que agora acusam a professora, ninguém pergunta se não será possível abrir um processo aos pais que transformam crianças em investigadores amadores.

O país atravessa uma crise, o Presidente Cavaco Silva pede a quase unanimidade no parlamento como se este fosse uma Assembleia Nacional de outros tempos, mas quando questionado sobre a crise e o desemprego diz que deixou o papel no bolso do Casaco, ao que parece Cavaco não fala do país no estrangeiro. Bem, se um Presidente da República não vai ao estrangeiro falar do país do que vai falar, das couves de Boliqueime? Mas isso não é verdade, já falou dói país e até cheguei a ouvi-lo elogiar as reformas feitas por Sócrates. Mas longe vão esses tempos, desde que Manuela Ferreira Leite chegou à liderança do PSD Cavaco passou a exigir unanimidades parlamentares, a fazer declarações dramáticas, a usar piadas para não falar dos problemas e a recorrer ao veto político sempre que tem oportunidade.

Os portugueses devem estar loucos, quando deveriam estar a reflectir seriamente sobre o seu futuro fazem como o Presidente da República, contam piadolas idiotas.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Jardim da Estufa Fria, Parque Eduardo VII, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Enrique Castro-Mendivil/Reuters]

«Pregnant women had their bellies painted during Healthy Maternity Week in Lima, Peru, Wednesday.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Pinto Monteiro, Procurador-Geral da República

A decisão de Pinto Monteiro de evitar que as trocas de informação sobre o caso Freeport passem pelo Eurojust é compreensível e tanto protege a investigação de suspeições como poupa Lopes da Costa a insinuações. Embora seja uma decisão interna da Procuradoria-Geral não carece de publicidade pública, tal como muitas outras decisões de Pinto Monteiro. Todavia, compreende-se que neste caso o Procurador-Geral tenha comunicado a sua decisão, o que já não se entende é que o repita e ainda por cima a partir do Brasil. Este Procurador-Geral gosta muito de se ouvir a si próprio.

QUEM DEFENDE A PROFESSORA DE ESPINHO?

Tenho que confessar que eu próprio tomei posição com base na comunicação social sem reflectir, mas passados dois dias de reflexão começo a ter muitas dúvidas. A foram como o assunto foi tratado na comunicação social ridicularizou e condenou a professora e nem o destemido presidente da FRENPROF ousou defendê-la.

Há algo de errado neste processo independentemente de as declarações da professora serem condenáveis a qualquer título, o que não significa que ela deva ser despedida ou mesmo sujeita a qualquer condenação. A profissão de professor é altamente desgastante e isso pode perturbar qualquer pessoa, só que ao contrário de muitas profissões em que o individuo não se expõe, o professor está permanentemente perante mais de vinte testemunhas qu, não raras vezes, são isentas.

Como começou a conversa, o que desencadeou a reacção desabrida da professora? A gravação que foi algo de divulgação não se refere a toda a aula nem mostra o que sucedeu antes, quem nos garante que alunos que vão com a intenção premeditada de gravar não foram igualmente instruídos para provocar? Houve provocação, em que termos, quem nos garante que essa provocação não só serviu para a professor proferir asneiras mas também para alterar o seu estado psicológico.

A idade das crianças é usada para provar a sua inocência mas a verdade é que com 12 anos há por aí muita criança bem menos inocente do que imaginamos. Estamos no terceiro período e muitas notas finais já estão decididas, gostava de saber as notas dos alunos envolvidos pois se a professora há muito que actua desta forma só agora decidiram-lhe "fazer a cama". A expressão é mesmo esta e se todas as investigações em Portugal fossem conduzidas desta forma o melhor seria rodear o país de muros prisionais pois seriam muitos os portugueses a serem presos.

Há regras elementares e nenhuma delas foi respeitada neste caso.

IRRESPONSÁVEIS, OPORTUNISTAS E HIPÓCRITAS PARLAMENTARES

Só políticos irresponsáveis iriam para o parlamento discutir a Autoeuropa num momento em que a empresa enfrenta uma grave crise no sector. É ridículo ver partidos de direita discutir a Autoeuropa como se fosse uma empresa publica e a esquerda conservadora opinar esquecendo que a qualquer momento a empresa pode ser encerada.

Mas para os políticos portugueses os votos e os seus lugares no parlamento valem muito mais do que o emprego dos trabalhadores da Autoeuropa ou o interesse do país. Uma vergonha.

AVES DE LISBOA

Pavão no jardim da Estufa Fria, Parque Eduardo VII

AGUARELA

Aguarela de Stepan Zaporozhan, formado pela Escola de Belas Artes de Kisiney, um dos pintores expulos da Rua Augusta em nome da limpeza frente ao novo museu inaugurado em tempo de eleições. O Stepan ainda teve "sorte", ao que aprece ganhou o concurso para os novos locais de venda e poderá ocupar um lugar junto ao castelo, onde poderá vender uma aguarela de tempos a tempos e em contrapartida ajuda a CML a animar um espaço quase abandonado.

Até ao fim do mês o Stepan ainda estará a vender o seu trabalho no Terreiro do Paço.

NÓS E O JAPÃO

«Com que então o Japão tem o mesmo rating financeiro do que Portugal. Ou é preciso um ponto de interrogação? Ambos foram despromovidos para "Aa2" pela agência Moody's, que julga estas coisas. Ainda não percebi se é bom para nós ou mau para os japoneses. Teoricamente até pode ser mau para ambos. Bom para ambos é que não é de certeza.O Japão é um dos cinco países infinitamente admiráveis do mundo, acima das embirrações e dos amores. Os outros quatro até podem variar consoante o gosto do freguês - mas o Japão é sempre um dos cinco.

Se Portugal tem a mesma classificação do que o Japão, então estamos de parabéns. Mesmo que o Japão esteja financeiramente a passar por um mau bocado. Mas não será muita fruta? Cheira-me que sim. E o culpado quem é? Os bacocos contabilistas da Moody's. São tão úteis a prever o tempo como os barómetros. Se os medidores de pressões da Moody's soubessem que vai chover, poderíamos despedir todos os meteorologistas. Que não podemos, mesmo sabendo que os melhores metem água.

Moody em psicologuês significa bipolar; tem dias; tanto lhe dá para um lado como para o outro. Os pirosos que são vê-se logo pela tabela que usam. Engraxa toda a gente. É bajulador. O "Aa2" deles é um duplo A mas quer dizer "ha ha"; duas vezes. É como chamar extrafabuloso-grau 2 aos leitores que eu odeio.

Daí que à Moody's atribua Zz99. Que vá ao Japão. Que venha a Portugal. E que pense no que diz.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MAU FUNCIONAMENTO DAS COBRANÇAS DA CML

«Segundo o relatório de gestão do ano passado, a receita liquidada da CML foi de 603,2 milhões de euros face aos 568 milhões efectivamente cobrados. Para esta diferença de 35,2 milhões de euros, contribuíram em grande parte os impostos, com uma diferença de 10,3 milhões de euros, que assenta nas deduções à colecta de IMI e no IMT. Também a rubrica de taxas, multas e outras penalidades teve o seu peso, com uma diferença de cerca de 10,1 milhões de euros entre a receita liquidada e cobrada. Há ainda a venda de bens e serviços correntes, com 7,4 milhões de euros de diferença, originada pela falta de cobrança de receitas dos parquímetros da EMEL e outros serviços.

Contas feitas, no final de 2008, a receita não cobrada pela autarquia ascendeu a 183,2 milhões de euros, potenciada pelo grupo de taxas, multas e outras penalidades (51,3%), venda de bens de investimento (19,8%) e venda de bens e serviços correntes (17,5%). » [Correio da Manhã]

Parecer:

A taxa de cobrança fica aquém do aceitável.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se uma auditoria aos serviços de cobrança da CML.»

AUTORA DA GRAVAÇÃO DE ESPINHO PODE SER PROCESSADA

«A professora de História suspensa preventivamente na Escola Escola Básica do 2.º e 3.º Ciclo Sá Couto, em Espinho, está a ponderar avançar com uma queixa-crime contra a aluna do 7.º ano que gravou a aula onde a docente proferiu as polémicas declarações de cariz sexual. Ao DN, Josefina Rocha recorda que a gravação é ilegal não só à luz do regulamento interno, mas também do próprio direito penal.

Desde que o caso se tornou público, a professora de História tem procurado resguardar-se, recusando prestar declarações sobre as polémicas aulas de História. Apesar disso, ontem, contactada pelo DN, deixou antever a possibilidade de accionar uma queixa-crime. "A gravação é ilegal à luz do regulamento [interno da escola] e do próprio Direito", desabafou. Questionada se já avançou com a queixa-crime respondeu "a seu tempo...", recusando-se a tecer mais comentários "enquanto o processo está a decorrer".» [Diário de Notícias]

Parecer:

Neste caso seria importante investigar tudo, desde o envolvimento dos pais que instruiram os alunos, os alunos, a professora e o conselho executivo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»

ALEGRE ORGANIZA CONGRESSO DEPOIS DO CICLO ELEITORAL

«O congresso, segundo acrescentou, servirá, nomeadamente, para lançar a nível nacional a recolha de assinaturas para uma petição defendendo a possibilidade de candidaturas independentes à Assembleia da República. Os "alegristas" querem que o Parlamento discuta uma proposta nesse sentido e vão tentar alavancar a sua discussão nessa petição. A proposta, seja como for, dificilmente será acolhida. Precisaria de dois terços (um acordo entre o PS e o PSD) e, no quadro actual, não é de admitir que nenhum dos partidos a viabilize. Se a petição reunir mais de quatro mil assinaturas, isso torna obrigatória a discussão pelos deputados.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Veremos o que pretende Alegre.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se.»

JORNALISMO RASCA

«Questionada por uma jornalista sobre se a professora merecia uma nova oportunidade, Maria de Lurdes Rodrigues considerou "de mau gosto o trocadilho".

"Acho de mau gosto o trocadilho. O programa Novas Oportunidades é demasiado importante e exigente", frisou.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

A jornalista é que parece precisar de nova oportunidades para mudar de profissão.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a proposta.»

DREN NÃO TENCIONA PENALIZAR ALUNA

«O regulamento interno da EB 2/3 Sá Couto proíbe a utilização de "telemóveis, headphones, MP3, IPOD e outros nas salas de aula, centro de recursos escolares/biblioteca, cantina ou outros locais onde se desenvolvam actividades lectivas". No entanto, ao que JN apurou, a DREN não tenciona suspender a aluna que efectuou a gravação da aula.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Pelos vistos a directora da DREN tira todas as conclusões antes do processo disciplinar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se `*a directora da DREN se as regras são para respeitar apenas quando ela entende.»

DIRECTOR NACIONAL DA PSP VAI LANÇAR A CONFUSÃO

«Algumas esquadras da PSP podem vir a fechar, admitiu, esta quinta-feira o director nacional da PSP, Oliveira Pereira, considerando que o acesso do cidadão à polícia é «tão fácil» que o número actual de esquadras «não se justifica». A opinião do responsável promete trazer polémica, especialmente, no dia em que várias centenas de agentes saíram à rua para reivindicar melhores condições de trabalho. » [Portugal Diário]

Parecer:

Este director escolheu a melhor altura para lançar a confusão.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Dn da PSP se a sugetão veio de Manuela Ferreira Leite.»

COITADO DO VÍTOR CONSTÂNCIO

«O conselho de administração do Banco de Portugal (BdP) não será aumentado este ano. Fonte da instituição liderada por Vítor Constâncio disse à Agência Lusa que, apesar de no ano passado, por lapso, não ter havido aumentos, também este ano os aumentos não serão processados; isto apesar de os aumentos do BdP serem, por lei, iguais aos da Função Pública.
Esta quinta-feira, o jornal «i» avançou que o governador do Banco de Portugal, o presidente da Autoridade da Concorrência e o presidente da Anacom, bem como as respectivas equipas de administradores, iriam receber este ano um aumento salarial de 5%. »
[Portugal Diário]

Parecer:

Andava tão distraído no exercício das suas funções que não controlou a banca nem se lembrou do seu aumento

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a competente gargalhada.»

O CHOQUE VITAMÍNICO

«O projecto começou a ser delineado em 2008 pela equipa de Barbara Coutinho, a directora do novo espaço museológico, e pretende tirar partido das paredes existentes do edifício, uma peça emblemática da cidade de Lisboa nos anos 50 e 60. A directora partilha que «hoje é um dia de enorme alegria. Um dia de uma grande emoção», mas revela que «abrir esta porta na Rua Augusta é uma grande responsabilidade». Já o presidente da Câmara Municipal de Lisboa fala na revitalização que o MUDE vai provocar na cidade e avança mesmo que é «um choque vitamínico para a reinvenção da Baixa». » [Portugal Diário]

Parecer:

Gostei do choque vitamínico, desde que António Costa decidiu ser autarca que Lisboa anda a dieta.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a António Costa qual foi o contributo da CML para o museu.»

COITADO DO OLIVEIRA E COSTA

«O juiz Carlos Alexandre deferiu ontem um requerimento para ser declarada a “excepcional complexidade” do processo que até agora tem como único arguido o banqueiro José Oliveira e Costa. O despacho foi proferido no dia em que se completavam seis meses após a detenção do banqueiro, que poderá ficar em prisão preventiva até ao próximo dia 21 de Novembro de 2009.» [Público]

Parecer:

Serviu para boi da piranha da mega fraude do BPN.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informem-se os seus sócios de vigarice e todos os que receberam benesses do BPN que estejam descansados, o Oliveira e Costa paga as favas sozinho.»

QUEMK É ESTE SENHOR PALMA

«São versões contraditórias e ao mais alto nível. O procurador-geral da República revelou ontem que decidiu retirar o caso Freeport da esfera do Eurojust a partir do momento em que foi aberto um inquérito ao procurador Lopes da Mota, o presidente daquela instituição, que é acusado pelos investigadores do processo Freeport de ter tentado influenciá-los a arquivar o processo onde José Sócrates tem sido apontado como um dos alegados suspeitos. Falando em nome de Lopes da Mota, o porta-voz do Eurojust contrapôs que a decisão anunciada por Pinto Monteiro, na verdade, foi tomada pelo organismo europeu, que dela deu conhecimento a procurador-geral. "São declarações surpreendentes, todas elas", disse ao PÚBLICO o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, João Palma.» [Público assinantes]

Parecer:

Alguém designou o senhor Palma para auditor do Ministério Público?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao sujeito.»

FRANÇOIS BENVENISTE

PANADOL