sábado, junho 20, 2009

Bom, bom, era o país falir

Que bom que seria se o país fosse à falência, Cavaco reuniria logo o Conselho de Estado mesmo com a ausência de Dias Loureiro, Luís Cunha faria o sacrifício de se oferecer para ministro de um governo de Manuela Ferreira Leite, a mesma que o despediu do Banco de Portugal de onde saiu com uma pensão vitalícia, mo Bernardino dir-nos-ia “estão a ver? A Coreia do Norte não é assim tão mau para vive como diziam os anti-comunistas primário!”, o Manuel Alegre diria com o seu vozeirão de cá quem tinha razão era o Karl Marx e reuniria a cangalhada deserdada da política que sonha com o PRD da esquerda romântica, o Louça e o Jerónimo tentariam partilhar a caminhada vitoriosa do proletariado formando um conselho dos guardiões da revolução, a Manuela Ferreira Leite seria a salvadora da pátria porque em tempo de fome um papo-seco duro até sabe a torta de Azeitão, o Arnaldo Matos voltaria a sugerir que o seu bigode passasse a ser um símbolo da revolução, o Garcia Pereira iria no seu iate para meditar ao largo de Cascais sobre o futuro da revolução, o Pinto Monteiro continuaria entretido com a Operação Furacão, Paulo Porta proporia que Jaime Silva fosse crucificado no Terreiro do Paço, Manuela Moura Guedes teria um orgasmo em pleno Jornal Nacional enquanto Vasco Pulido Valente bebia mais um copo, os assessores do Presidente deixavam o anonimato, o Carvalho da Silva proporia negociar com o Vietname a compra da produção da Autoeuropa a fim de manter viva a chama da revolução naquela empresa, o Mário Nogueira proporia a contratação de todos os professores desempregados para participarem nas suas manifestações espontâneas a título de trabalho Cívico, Honório Novo sugeria que a Casa da Moeda comprasse a Renova para que não faltasse papel para produzir notas de quinhentos euros, o Sócrates finalmente poderia ser preso por ser maricas, ter desenhdo casas horríveis, embolsado algum com o Freeport e conseguido a licenciatura sem ir às aulas, o Manuel Monteiro seria finalmente deputado pelo círculo de Braga, o Coelhone proporia um terminal de contentores no Terreiro do Paço para salvar a exportações.

Bom, bom, era o país ir à falência, o país tremeria com o orgasmo colectivo sentido pela classe política e líderes corporativos.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Tatro Nacional de São Carlos, Lisboa

JUMENTO DO DIA

Luís Campos e Cunha

Seria normal que o professor Luís Campos e Cunha assumisse um papel de liderança da oposição se não tivesse sido membro do Governo e partilhado o seu programa. Assim o professor pode ficar com a afama de ressabiado.

AVES DE LISBOA

Pato-real [Anas platyrhynchos]

FLORES DE LISBOA

Monsanto

MOSCAS MORTAS

«Esta coisa do amor do povo é tramada - como o amor em geral, de resto. No período de enamoramento, nada há que o ser amado faça que não deslumbre - até matar uma varejeira com a mão. Uns tempos depois e aparecem os defeitos: "Viram como ele matou a mosca com a mão e nem sequer a foi lavar, ficou ali sentado? Que nojo." Ou: "Que pessoa insensível e casca grossa, olhem o exemplo que dá às crianças, matar assim um animal e rir-se por cima." E no fim: "Quer tanto saber daquela mosca como de nós. Só pensa nele"; "É mesmo típico, mata uma mosca e pensa que fez uma grande coisa"; "Aposto que fez questão de que aquilo passasse na TV para mostrar ao povo que é uma pessoa normal, mata ele as suas próprias moscas, pffff." Isto tudo com a mesma mosca morta. E talvez a mesma pessoa. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A INÚTIL E ABSURDA MOÇÃO DE CENSURA

«A moção de censura ao Governo, apresentada por Paulo Portas, apenas favoreceu José Sócrates. As frivolidades do chefe do CDS-PP são extremamente fatigantes. O que poderia ser divertido começou a transformar-se num bocejo. Sócrates desbaratou-os a todos, num terreno que lhe é propício. O registo atingiu, por vezes, as raias da agressividade. Porém, o estilo tornou-se vulgar. Ainda há dias, Vítor Constâncio, com razão ou sem ela, chamou ignorante a Nuno Melo, durante as cansativas declarações ao Parlamento sobre actividades do Banco de Portugal.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Baptista Bastos gostaria de ser líder da oposição e coordenar a actuação dos partidos da direita e da extrema-esquerda de forma a derrotar Sócrates.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Baptista Bastos se está apaixonado por Manuela Ferreira Leite.»

O RENOVAMÓMETRO

«Paulo Rangel e Pacheco Pereira afirmaram claramente: o PSD precisa de renovar muito fortemente as suas listas de deputados. Parabéns por isso. E o mesmo poderá ser dito por qualquer dos outros partidos. Espero que todos o digam e depois passem das palavras aos actos, após o que os parabenizarei, como dizem os nossos irmãos brasileiros.

O sistema partidário português nunca precisou tanto de renovação porque nunca esteve a um nível tão baixo. O episódio recente da lei de financiamento dos partidos (que publicamente pedi que fosse vetada e, por isso, grato fiquei ao Presidente da República) surgiu como apenas mais um exemplo do estado de desagregação do sistema que há muito entrou em processo de entropia negativa.

As causas são conhecidas, como já por várias vezes referi. Hoje em dia, os militantes activos dos partidos correspondem aos eleitos por esses partidos para os vários escalões políticos, desde as freguesias ao Parlamento. Vivem disso e para isso e, como é evidente, organizam-se para evitar que surjam quaisquer valores novos que venham tentar competir pelos lugares escassos que ocupam.

A única forma de penetrar no sistema - para além de alguns nomes excepcionais que são exibidos nas campanhas eleitorais e para os quais é forçoso abrir algumas vagas - é entrar quase adolescente para as organizações de juventude. Aí podem insinuar-se pelo esforço e pelo trabalho junto de uma figura grada, fazer campanhas, integrar um gabinete autárquico ou nacional, tornar-se políticos profissionalizados antes de terem qualquer profissão. Depois, com alguma sorte e muita intriga, podem ir subindo gradualmente; até porque se abrem sempre algumas vagas, pois a partir de certa idade alguns políticos afastam-se para actividades mais rentáveis para que são contratados devido à notoriedade, aos contactos e à experiência de sobrevivência num mercado muito competitivo.

Este cursus honorum sem diversidade é muito negativo para o sistema. Por um lado, porque formata um tipo de político que não tem experiência da vida, que vive em circuito fechado, que depende dos chefes e da carreira e, por isso, não tem ou não usa o espírito crítico, não se orienta por valores ou ideologia, mas tão-somente pela sua carreira pessoal. Por outro lado, porque não se abre a candidatos à vida política que tenham essa atracção mais tarde, quando ou depois de já terem exercido uma actividade profissional. Este outro tipo de candidatos traria diferenciação e novidade ao sistema, no que seria uma espécie de reforço da ecologia política baseada na diversidade e na complementaridade.

O problema agrava-se por uma razão histórica. Quando em 1974 se iniciou o processo democrático, abriram-se oportunidades para uma geração que tinha na altura entre 15 e 35 anos (e que agora tem entre 50 e 70 anos), que ocupou tudo o que havia disponível e que dominou durante este tempo o processo político, afeiçoando-o aos valores, objectivos e preocupações que ao longo dos tempos foram assumindo: agressivos, aguerridos e corajosos nos anos 70, ambiciosos nos anos 80, ávidos nos anos 90 e conservadores na primeira década do nosso século. O que significa que, para além da entropia que resulta da inexistência de factores de diferenciação, a classe política não se renovou geracionalmente, está instalada, agarrada como lapa à rocha, e não disposta a modificar as regras do jogo, aspirando apenas a manter as suas pequenas e grandes sinecuras.

Veja-se o exemplo - que tantas vezes referi sem que até hoje nem um único partido nem um único político alguma vez tenha ousado discordar de mim - do excesso de freguesias e de câmaras municipais, que contribuem para a tragédia do ordenamento do território, para o aumento dos custos do Estado e até para uma cultura de ociosidade política. Não é possível reduzir o número de autarquias porque isso tornaria a luta pelos lugares, mais escassos, ainda mais dura e agressiva; e, evidentemente, os políticos profissionais preferem ter mais lugares para distribuir do que ter de lutar ainda mais por eles.

Não nos equivoquemos: na classe política existem pessoas com imensa qualidade e a inexperiência política é algo que se paga caro. A actividade política é talvez a profissão mais exigente e difícil para aqueles que a ela se dedicam em full time e com seriedade. Não me canso de afirmar que a política é a profissão mais nobre e importante que conheço.

Acresce que Portugal atravessa dificuldades que colocam em risco a nossa sobrevivência, apesar de ainda não o estarmos a perceber bem: veja-se a esse título o que os trabalhadores da Autoeuropa fizeram a António Chora, um dos sindicalistas mais qualificados e esclarecidos que conheço e que tão bem sabe lutar com realismo pelos interesses que representa.

A dimensão dos desafios tem de aumentar o sentido de responsabilidade das elites, dos que muito ganharam com 30 anos de democracia e crescimento económico e que pouco ou nada deram ao Colectivo e ao Bem Comum. Existe, por isso, uma janela de oportunidade para a renovação do pessoal político nas próximas eleições legislativas e autárquicas. Espero que os partidos sejam capazes de candidatar mais mulheres (até porque a lei o exige), mais pessoas com experiência da vida real e que estejam com uma idade em que voltam a ter mais tempo para dedicar a causas sociais e colectivas, mais pessoas que tenham estado à esquerda e à direita envolvidas em combates cívicos, numa palavra, portugueses que vão para a política para servir e não para se servirem.

Estou convicto de que na hora de votar os portugueses vão analisar este tema e medir qual o partido que mais tenha sido capaz de renovar as suas listas. Espero até que a Critical Software ou a Y Dreams inventem um renovamómetro que permita medir instantaneamente a renovação, para assim nos ajudarem a escolher em quem votar. E, mais do que isso, nos ajudarem a decidir ir votar.» [Público assinantes]

Parecer:

Por José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

FINALMENTE UMA BOA NOTÍCIA

«O indicador da actividade económica melhorou em Maio, interrompendo "o forte movimento descendente" iniciado um ano antes, anunciou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

A Síntese Económica de Conjuntura, elaborada pelo INE, informa que o indicador de clima económico melhorou para 2,5 pontos negativos em Maio, comparativamente aos 3 pontos negativos verificados em Abril.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Pelos vistos não o foi para a miserável oposição que temos, até parece que os seus líderes preferem ver o país afundar-se.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se um comentário aos líderes dos partidos da oposição.»

RIBEIRO E CASTRO CAI NO REGAÇO DE PORTAS

«No mesmo dia em que censurou o Governo, o presidente do CDS anunciou vários cabeças de lista do partido às legislativas, entre eles Teresa Caeiro por Lisboa e José Ribeiro e Castro pelo Porto. O ex-líder centrista, que foi um dos maiores críticos de Paulo Portas, viu no convite que lhe foi feito, e que aceitou, um "sinal de união" do partido. As mesmas palavras utilizadas por Portas a justificar a decisão, depois de o ter excluído da lista às eleições europeias em nome da "renovação".» [Diário de Notícias]

Parecer:

à falta de melhor um lugar da Assembleia da República dá jeito.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Ribeiro e Castro se Portas o convidou através do Centro de Emprego onde se inscreveu depois das europeias.»

EDUARD ZENTSHIK

HONDA

sexta-feira, junho 19, 2009

Quatro milhões de euros…

Ao ouvir Manuela Ferreira Leite defender a realização simultânea das eleições autárquicas e legislativas argumentando com a necessidade de o país poupar quatro milhões de euros recordo-mo de Vale e Azevedo quando chegou à presidência do Benfica, também o ex-presidente do clube da luz ficou famoso por defender que um tostão é um tostão. Manuela Ferreira Leite foi ministra das Finanças e deixou as contas públicas no estado que todos conhecem, mais ou menos o mesmo em que ficou o Benfica quando Vale e Azevedo deixou a sua presidência. Mas não pretendo dizer que Ferreira Leite é como Vale e Azevedo, não quero ofender nem um, nem o outro.

Quantos quatro milhões de euros perdeu o país com a venda apressada de património imobiliário do Estado para que Manuela Ferreira Leite pudesse cobrir o défice excessivo que não conseguiu empurrar para debaixo do tapete? Quantos milhões de euros custou ao país o ruinoso negócio da venda das dívidas ao fisco para no ano seguinte voltar a tentar iludir as contas públicas? Quantos milhões de euros custou ao país um despacho que perdoou uma imensidão de imposto sobre património devido por alguns bancos?

São só três exemplos de negócios de Manuela Ferreira Leite enquanto ministra das Finanças que permitiria acrescentar alguns zeros ao quatro que a líder do PSD quer agora poupar. O argumento de Manuela Ferreira Leite até poderia ser razoável nalguns países africanos onde as eleições são financiadas por ajuda internacional, mas é quase vergonhoso ser usado num país europeu onde as opções resultantes de um debate sério poupam muitos mais milhões. Na perspectiva do cidadão comum quatro milhões é um euromilhões sem jackpot, na perspectiva do país é uma ninharia.

É evidente que não é o dinheiro que preocupa Manuela Ferreira Leite, realizar as duas eleições em simultâneo é um truque para que a candidata a primeira-ministra esconda as suas debilidades atrás dos seus candidatos autarcas, o que a favorece dada a implantação do PSD nas autarquias. Nas europeias escondeu-se atrás de Paulo Rangel, nas legislativas esconder-se-ia atrás de candidatos bem sucedidos. Quando lhe perguntassem o que propõe para o país responderia que naquele dia estava em campanha autárquica.

Resta saber se Cavaco Silva vai dar esta ajuda a Manuela Ferreira Leite, depois de se ter sabido do envolvimento dos seus assessores (que estranhamente andam desaparecidos desde há algum tempo) não me admiraria nada que o Presidente também se preocupasse com os quatro milhões. Seria transformar a democracia numa charada mas para os do PSD tudo vale para chegar ao poder.

Deixo aqui uma sugestão a Ferreira Leite, vamos pedir os quatro milhões à Somague, sempre é mais transparente a empresa financiar a democracia do pagar os cartazes do PSD...

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Palácio das Necessidades, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Sang Tan/Associated Press]

«British actor Sacha Baron Cohen, center, dressed as the character Bruno, arrived Wednesday for the British premiere of ‘Bruno’ in London.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Carvalho da Silva

Vale a pena reflectir sobre a posição de Carvalho da Silva sobre o conflito na Autoeuropa de que dá conta uma notícia do DN abaixo referida. O sindicalista do PCP diz coisas como "os trabalhadores da Autoreuropa são, seguramente, no seu conjunto, a entidade que melhor conhece a realidade da Autoeuropa e que melhor capta os sinais quanto ao futuro da empresa e, portanto, a sua posição não é uma posição do acaso", isto é, para Carvalho da Silva os trabalhadores fazem bem porque eles é que sabem o futuro da empresa. Isto seria verdade se Carvalho da Silva não se tivesse esquecido de que a Autoeuropa é uma empresa privada de um sector em crise e que pertence a um grupo que pode ter benefícios globais em fechá-la.

Mas Carvalho da Silva fala de cátedra sobre a gestão da empresa ao assegurar que os salário representam "apenas cinco por cento" nos custos de produção. Carvalho da Silva só não diz qual o montante desses 5% nem explica que esses são custos variáveis, ao contrário de muitos outros. Também não explica porque razão sendo os custos salariais tão poucos significativos não faltam por aí empresas a deslocalizar a produção.

Sempre quero ouvir as explicações de Carvalho da Silva se a Autoeuropa fechar. Ou será que o PCPO está disposto a sacrificar os trabalhadores da Autoeuropa se daí resultar mais um pequeno benefício eleitoral?

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS E LEGISLATIVA NO MESMO DIA

As eleições legislativas são um momento para o país debater os problemas nacionais e os projectos que os partidos apresentam, por outro lado, em muitas autarquias a disputa vai sr acesa e a sua importância também merece um debate por parte dos eleitores. Se eleições decorrerem simultaneamente haverá muitos eleitores que votarão para o governo no mesmo partido em que vota para as autárquicas, assim como em muitas autarquias as pessoas não discutirão os problemas locais para discutir os nacionais e vice-versa.

É evidente que o PSD não quer grandes debates nas legislativas, sabe que tem uma má candidata que ainda por cima é um desastre sempre que abre a boca. A realização de eleições simultâneas permitira a Ferreira Leite esconder atrás dos candidatos a autarcas, como fez com Paulo Rangel nas europeias e, de preferência, optando pelas autarquias onde a vitória está assegurada.

Poderá um Presidente que tanto fala em debates e decisões estratégicas fazer a vontade ao seu partido e promover este golpe? De Cavaco Silva espero tudo incluindo maus-tratos ao regime democrático.

Sacrificar a democracia por causa de 4 milhões de euros? O país não é propriamente um país tão pobre que precise de ajuda internacional para fazer eleições.

HIPOCRITAS E COBARDES

Depois de tanto terem criticado Sócrates pelo apoio à candidatura de Durão Barroso à presidência da Comissão Europeia alguns deputados do PCP e do BE preparam-se para se abster. São e hipócritas e cobardes, hipócritas por não serem coerente e cobardes porque deixam cair a sua posição em privado por recearem perder votos nas próximas eleições.

AVES DE LISBOA

Galionha d'água [Gallinula chloropus]
Local: Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

FLORES DE LISBOA

Parque das Nações

GRANDES GRITOS

«Já ouviram os gritos da tenista portuguesa Michelle Brito? Vale a pena ir ao YouTube tomar conhecimento deles. Só esta semana tanto o Times como o Guardian publicaram denúncias horrorizadas. Os comentários no YouTube lembram os delírios sanguinários da Revolução Francesa.

O Times deu-nos uma tabela de rugidos e tudo. Os de um leão têm 110 decibéis. Os da Maria Sharapova têm 101. O Guardian adiantou que os da Michelle atingiam os 109. São mais 19 do que os 90 que a OMS considera perigosos para a saúde humana. O problema é que não é só uma questão de decibéis. No ténis, ele há gemidos e grunhidos e ele há gritos. A nossa Michelle é de gritos. E de que maneira. Distingue-se das demais gritadoras pela frequência. O rugido de um leão faz tremer, mas é agradavelmente baixo. Já os agudos da Michelle Brito são de ameaçar a integridade física dos tímpanos.Tanto têm incomodado o público, os jornalistas e as jogadoras que não gritam tanto, que as autoridades do ténis já estão a ver se alteram o regulamento para conter a gritaria. É obra para uma rapariga de 16 anos.

No entanto, ao fim de algumas audições, percebe-se que há musicalidade naqueles gritos. Qualquer coisa de fado primitivo, talvez. As outras tenistas grunhem, gemem e gritam. Mas a Michelle de Brito canta. É certo que é mais no género da Diamanda Galas do que no da Maria Callas. Mas é uma espécie de banda sonora de vanguarda para a coreografia espectacular do ténis dela.

Deixem-na em paz!» [Público assinantes]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ELEITOR IDIOTA

«O receio de perder o subsídio de desemprego e a vontade de testar o sistema de recenseamento levaram um eleitor do distrito de Leiria a votar duas vezes nas últimas eleições. O secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, José Magalhães, considerou ontem que se tratou de "um caso pontual e excepcional", provocado pela insuficiência de dados.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Compreende-se que um eleitor teste a fiabilidade do recenseamento e tente votar duas vezes, mas depois de votar uma não precisaria de votar a segunda bastando confirmar essa possibilidades. Este eleitor é um idiota que cometeu uma fraude eleitoral e que ainda por cima se anda a gabar do crime na comunicação social, como se tivesse feito uma grande coisa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se o MP se já promoveu o competente processo-crime.»

PSD QUER AUTÁRQUICAS E LEGISLATIVAS JUNTAS

«Todos os partidos preferem a data de 11 de Outubro para a realização das eleições autárquicas, mas o PSD é o único a defender que este acto eleitoral decorra em simultâneo com as legislativas. "A simultaneidade das eleições autárquicas e das legislativas significaria uma contenção de custos e que a excessiva dinâmica de campanhas eleitorais fosse minimizada", defendeu esta quinta-feira o vice-presidente do PSD, Aguiar Branco.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Percebe-se, mas com um candidato como Pedro Santana Lopes pode sair-lhe o tiro pela culatra.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver se Cavaco Silva alinha na golpada do seu partido e transforma dois actos eleitorais numa fantochada.»

ASSALTAR BANCOS POR "AMOR"

«Viciado em ambientes de alterne, o engenheiro perdeu de vez a cabeça com ‘Denise’, prostituta brasileira que o seduziu no Elefante Branco e Black Tie, em Lisboa. Já divorciado, o funcionário do Ministério do Ambiente passou a morar com a rapariga em sua casa. Só que esta estava habituada a uma vida de luxo, à custa de 20 mil euros que ganhava por mês a fazer sexo com estranhos – e o engenheiro de 39 anos quis acabar com isso. Para a compensar, assaltou 11 bancos no último ano e meio.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Agora bem pode esperar que a namorada o visite na prisão.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se a DGCI sobre quanto é que a senhora pagou em impostos com os seus rendimentos dignos de administrador de um banco.»

E AGORA?

«"São resultados positivos, na continuidade dos que se tem verificado nos últimos anos. Portanto, melhorias ligeiras daquilo que são as competências tanto em Língua Portuguesa como em Matemática" dos alunos dos quarto e sexto anos de escolaridade, disse a ministra aos jornalistas esta manhã, à margem de um fórum internacional dedicado à inovação e às tecnologias de informação e comunicação (TIC) na Educação que decorre em Lisboa.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Nos dois últimos anos a ministra da Educação foi sistematicamente acusada de facilitar nas provas de avaliação para mostrar resultados. Este anos as provas mereceram o elogio das associações de professores pelo que ficamos à espera dos elogios dos que no passado não se cansaram de a criticar, começando por essa coisa pequena chamada Mário Nogueira nem que seja para elogiar os professores.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguardemos sentados pelos elogios.»

MÉDICOS PAGAM PARA NÃO IR PARA O FEGANISTÃO

«Uma oficial médica da Força Aérea Portuguesa (FAP) deixou recentemente o ramo, pagando uma indemnização superior a 100 mil euros, para não ir para o Afeganistão, soube o DN junto de fontes militares.

Mais dois clínicos militares da FAP já "manifestaram a intenção" de pedir o abate aos quadros, para também não prestarem serviço no Afeganistão, adiantaram as fontes. Estes dois casos, que ainda não terão sido formalizados junto do ramo, são dados como saídas certas nos bastidores da Força Aérea.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Cobardolas, tiraram o curso à conta do Estado e agora fogem com medo enquanto os soldados vão para zonas de combate.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se a cobardia destes clínicos pouco dignos de usar uma farda das forças armadas.»

IGNORÂNCIA LAMENTÁVEL DE CARVALHO DA SILVA

«"Os trabalhadores da Autoreuropa são, seguramente, no seu conjunto, a entidade que melhor conhece a realidade da Autoeuropa e que melhor capta os sinais quanto ao futuro da empresa e, portanto, a sua posição não é uma posição do acaso", disse à Lusa carvalho da Silva, à margem da tomada de posse da Comissão de Igualdade entre Mulheres e Homens, em Lisboa.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Para Carvalho da Silva são os trabalhadores da Autoeuropa quem "melhor conhece a realidade da Autoeuropa e que melhor capta os sinais quanto ao futuro da empresa". O problema é se captarem um sinal de que os alemães vão fechar a fábrica.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Carvalho da Silva se tem ideia de que a Autoeuropa pertence a uma empresa privada alemã que tem capacidade instalada excedente suficiente para fechar a fábrica a qualquer momento.»

GRIPE A A BORDO DO "OCEAN DREAM"

«No total, o navio Ocean Dream desembarcou 342 passageiros na Ilha Margarita e segue em viagem para Aruba, nas Antilhas Menores, onde chegará cerca das 22:00, para deixar os restantes passageiros e a tripulação afectada, seguindo as medidas de segurança estabelecidas pelas autoridades sanitárias.» [Diário de Notícias]

É UMA PENA...

«José Eduardo Moniz anunciou esta quinta-feira que não vai candidatar-se à presidência do Benfica nas eleições de 3 de Julho, afirmando que não estavam reunidas condições para avançar.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Matavam-se dois coelhos com uma cajadada...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao grupo Prisa quanto vai ter de desembolsar para se livrar da família Moniz.»

ALGUÉM QUER COMPRAR O BPN?

«O Banco Português de Negócios já está à venda. A revelação é do ministro das Finanças que disse esta quinta-feira na comissão de inquérito ao caso BPN que a administração do banco já tem ordens para proceder à venda.

«O conselho de administração está a implementar esse caminho para suscitar ofertas de mercado», disse o ministro, que reiterou a opinião de que «esta é a melhor opção».» [Portugal Diário]

Parecer:

Não obrigado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelas propostas dos interessados.»

TÍTULO 25

«Joaquim Coimbra lembra que não afastou o então presidente sozinho, tendo-se tratado de uma «decisão colectiva» de um grupo de accionistas, com vista a «conferir transparência à instituição e promover a substituição de Oliveira Costa, por se considerar, entre outras razões, que a direcção de um grupo da dimensão da SLN não podia ser obra de um homem só».» [Diário de Notícias]

Parecer:

Nunca a estratégia do PSD em relação ao caso BPN foi tão clara.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao Ministério Público.»

AÍ ESTÁ O NOVO PARTIDO

«Chama-se Nova Esquerda. Vai organizar-se e funcionar como movimento, mas legalmente ficará inscrito como partido no Tribunal Constitucional. É apresentado quarta-feira em Lisboa. Junta os alegristas que ficaram descontentes com a decisão de Manuel Alegre de não sair do PS.

Alexandre Azevedo Pinto, porta-voz da comissão promotora, explicou ao PÚBLICO que o novo movimento junta pessoas que estiveram com Alegre na candidatura a Presidente e que "não querem ver perdido o capital de esperança" que ela representou.» [Público]

Parecer:

Há muito que era esperado este novo PRD.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pela posição de Alegre a seguir às legislativas.»

PROTESTOS NO IRÃO [imagens]

AVKKIEV

SINAL DA CRISE: A GALP DESPEDIU A MENINA DO GAZ

BERNMOBIL