Terça-feira, Julho 07, 2009

O caso Freeport já deu o que tinha a dar?

Esta semana foi notícia um artigo publicado num jornal britânico por dois juristas em que se questionava a competência das autoridades britânicas ao incluírem o nome de José Sócrates numa lista de suspeitos. Bem, quase não chegou a ser notícia pois mereceu apenas breves referências em páginas esquecidas de dois ou três jornais.

A verdade é que o caso Freeport parece que deu o que tinha a dar e apesar de ganhar por larga margem ao caso BPN em número de arguidos vai-se arrastando nos gabinetes dos investigadores. Ao que parece Sócrates deixou de ser o visado pelas investigações e agora os investigadores vão constituindo arguidos com base numa suspeita de crime que ainda não foi privada, isto é, com base num mero palpite.

Só que este caso serviu para difamar um primeiro-ministro democraticamente eleito de um país europeu e a ter havido intenção de o usar com o objectivo de viciar o jogo democrático estamos perante um crime bem mais grave do que um erro caso de corrupção menor. Enquanto as investigações do caso Freeport se vão arrastando ao sabor da imaginação mais ou menos fértil dos investigadores ficou por investigar e apurar toda a verdade sobre uma imensa manobra de difamação em que até as mais altas personalidades do Estado se deixaram ou se quiseram envolver.

Terá sido coincidência o ressurgir deste processo com a compra da Freeport pela Carlyle? O que é verdade é que o famoso DVD surgiu por ocasião dessa aquisição e que a denúncia do buraco financeiro no Freeport foi feita pela Carlyle. A Carlyle não uma empresa nova em Portugal, em tempos ficou conhecida a tentativa de aquisição da GALP com dinheiro gentilmente emprestado pela CGD, na ocasião a ministra das Finanças, com tutela sobre a CGD e as vendas de património do Estado, era Manuela Ferreira Leite. O consórcio português que dava a cara pela Carlyle era formado por gente do PSD que por sua vez também representa a Carlyle.

O DVD em que se assistia a uma sessão de teatro onde se podia ver um artista a lançar acusações sobre Sócrates tem fundamento ou é uma peça difamatória? Parece que os investigadores estão mais preocupados com a arraia-miúda autárquica que andava na babugem do dinheiro da Freeport do que em defender a dignidade externa do Estado português, deixando passar a imagem de um Portugal governado por um corrupto. Foram os mesmos que se foram queixar ao sindicato, em vez de o fazerem junto do PGR, acusando um colega de pressões.

Aliás, nunca mais explorou a questão das supostas pressões feitas sobre a investigação, denúncia que não passava de uma insinuação indirecta de que o primeiro-ministro teria tentado livrar-se da investigação. Mas as insinuações atingiram o alvo e até tiveram a ajuda de um presidente da República que em vez de respeitar as instituições e chamar o Procurador-Geral optou por ouvir os sindicalistas que há muito não escondem o desejo de se livrarem do primeiro-ministro.

Aliás, o papel do presidente foi tudo menos transparente, pareceu mais preocupado com eventuais culpas de Sócrates do que com a sua inocência. Tanto quanto se sabe nunca mais chamou nem os sindicalistas nem o PGR, parece que estava mais atento ao processo quando este servia para lançar insinuações sobre Sócrates do que agora que se começa a perceber que José Sócrates tão é culpado de corrupção como das acusações de homossexualidade insinuadas pelo agora candidato a Lisboa escolhido por Manuela Ferreira Leite.

O certo é que o caso Freeport cumpriu o seu destino, serviu para difamar um primeiro-ministro eleito pela maioria dos portugueses e distrai-los da mega vigarice onde muita gente do PSD ganhou muito dinheiro das mais variadas formas, desde a compra e venda de acções até aos negócios ruinosos.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Constância

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

Depois do incidente em que se envolveu com o presidente da PT, Manuela Ferreira Leite decidiu levar a sua "política de verdade" mesmo a sério e garante que não vai haver segredos. Para que não subsistam dúvidas o PSD vai lançar uma nova série de outdoors:

Se Manuela Ferreira Leite assegurar que cumpre estas promessas até faço como o outro artista que apareceu na televisão e voto duas vezes nela.

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva

Isto não é uma Presidência da República, já tínhamos a guarda venatória e agora temos a guarda vetória.

E SE MANUELA FERREIRA LEITE FALASSE A VERDADE?

Agora que Manuela Ferreira Leite anda a apregoar verdade seria muito interessante se nos contasse toda a verdade sobre dois negócios que, enquanto ministra das Finanças, passaram pela sua mão.

Seria muito interessante que apresentasse as contas e o contrato da venda das dívidas do fisco ao City Bank, um negócio em que o banco internacional ganhou milhões à custa da pressa de Manuela Ferreira Leite tapar o défice orçamental que apesar das políticas restritivas e dos truques contabilísticos.

Seria também bom se Manuela Ferreira Leite contasse tudo quanto sabe sobre o negócio falhado da compra da GALP pela Carlyle, uma empresa representada em Portugal por gente do PSD e que nos últimos tempos está no centro do caso Freeport, caso que ressurgiu quando a Carlyle adquiriu a Freeport e de forma milagrosa apareceu um DVD que serviu para difamar Sócrates, coincidência das coincidências o DVD apareceu num jornal que pertence a um dirigente do PSD. O negócio consistia na compra pela Carlyle e os amigos locais do PSD da GALP com recurso a dinheiro gentilmente emprestado pelo PSD, negócio que ficou inviabilizado por causa de uma intervenção do abelhudo do Chico Anacleto.

Será que Manuela Ferreira Leite vai mesmo assumir o papel de avó verdade e contar-nos estas duas histórias?

AVES DE LISBOA

Ganso

FLORES DE LISBOA

Parque Eduardo VII

O FBI DESCOBRIU A PÓLVORA: SADAM AFINAL FAZIA "BLUFF"

«Depois de décadas como dono de um país, Saddam nunca lidou bem com as condições de detenção. Obcecado com a higiene, foi fotografado a lavar a roupa e desenvolveu uma obsessão pelos toalhetes, que usava até para limpar a fruta. Um ano antes desta divulgação da transcrição dos interrogatórios, Piro surgira na CBS a explicar a sua abordagem, dizendo que usar a força contra Saddam, tipo falso afogamento da CIA, não só era contra as regras do FBI como contraproducente. Só o tempo, com "a alternância de actos de gentileza e de provocação", garantia resultados. E foi através da paciência que o agente conseguiu também que Saddam lhe dissesse que odiava Ben Laden, a quem nunca conheceu, apesar da insistência americana em ligar o Iraque ao 11 de Setembro. Uma vez mais, nada que não se soubesse. A secreta espanhola, em vésperas da cimeira das Lajes, aconselhou o primeiro-ministro José María Aznar a não apoiar a tese da aliança entre Ben Laden e Saddam, notando que o iraquiano sempre foi uma nacionalista laico, com cristãos no Governo. Ritter afirma o mesmo no livro: "Seria absurdo o Iraque apoiar a Al-Qaeda."

Ao interrogador, Saddam disse ainda que não gostava dos Bush, pai e filho. Mais uma vez nada que não se soubesse já. Mas que o líder iraquiano achava Ronald Reagan um grande homem e apreciava Bill Clinton é mais surpreendente. De qualquer forma, seis anos depois da guerra lançada por George W. Bush com base em falsas provas da CIA, pode-se dizer que se esta nunca encontrou as tais armas de destruição maciça que justificaram o ataque preventivo a Saddam, já o FBI descobriu a pólvora. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Leonídio Paulo Ferreira.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ADVOGADOS INGLESES POEM EM CAUS O CASO FREEPORT

«Arturo John e Ben Rose, da sociedade Hickman & Rose, escreveram um artigo no ‘Times’ on-line em que arrasam o trabalho do SFO. 'O SFO está envolvido num fiasco que pode ter ditado o destino do primeiro-ministro português, José Sócrates, e determinado o resultado das eleições de Setembro', pode ler-se na internet.

Os advogados fazem uma resenha pormenorizada de todo o processo Freeport e escrevem que 'para além das questões de política interna de Portugal', o caso Freeport pode 'decapitar o Eurojust, a instituição europeia a quem compete ajudar o combate ao crime entre os vários países'. » [Correio da Manhã]

Parecer:

Toda a gente sabia menos Cavaco Silva e Pinto Monteiro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento aos diligentes assessores de Cavaco Silva.»

CAVACO SILVA VAI VETAR MAIS UM DIPLOMA

«O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, anunciou esta segunda-feira através de comunicado que vai vetar o diploma que altera a legislação sobre o Segredo de Justiça.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Até ás eleições legislativas teremos Cavaco Silva liderar a oposição, seja como vetos ou intervenções manhosas como a relativa ao caso PT.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Comece-se a defender uma alternativa a Cavaco Silva e se o homem de Boliqueime persistir em levar a direita ao colo de forma descarada defenda-se a sua demissão antecipada.»

A CHAPADA SEM MÃO DE MANUEL PINHO AO PCP

«Os trabalhadores de empresas apoiadas por Manuel Pinho enquanto ministro da Economia não quiseram faltar à despedida do governante, a qual decorreu no sábado no restaurante Solar dos Presuntos, em Lisboa.

Num ambiente de brindes e palmas, António Chora, responsável da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, afirmou que "o ministro fez muito pela indústria do País". Os responsáveis da Comissão de Trabalhadores da Bordalo Pinheiro, com quem Pinho desenvolveu uma relação estreita, chegando a afirmar que ia lanchar com eles, também marcaram presença no jantar, que juntou todo o staff do ex-ministro.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Que me recorde foi a primeira vez que um ministro da Economia teve um jantar de despedida de trabalhadores.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao Bernardino.»

MULHER DO DIRECTOR DO MI6 DIVULGA INTIMIDADES DO MARIDO NO FACEBOOK

«O ministro dos Negócios Estrangeiros David Miliband pode dizer que "o facto de John Sawers usar calções de banho Speedo não é segredo de Estado". Mas a verdade é que as imagens - e as informações sobre a vida pessoal - do futuro chefe do MI6, os serviços secretos britânicos no estrangeiro, colocadas no Facebook pela sua mulher estão a causar polémica no Reino Unido depois de uma notícia publicada pelo Mail on Sunday.

Para Miliband, Sawers "é um excelente profissional, que foi nomeado há dez dias para liderar o MI6. Irá fazer um óptimo trabalho como fez até agora na ONU", explicou o ministro trabalhista na BBC. Mas o deputado conservador Patrick Mercer, que lidera a subcomissão para o contraterrorismo, manifestou a sua preocupação com esta falha na segurança do embaixador do Reino Unido nas Nações Unidas, que em Agosto deve suceder a John Scarlett. Também à BBC, disse: "Levanta todo o tipo de questões sobre um homem que vai ser o nosso principal responsável pelas operações de contraterrorismo no estrangeiro."» [Diário d Notícias]

Parecer:

É uma pena que por cá não sucedam coisas destas, tornaria o país menos deprimente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Procure-se por quem tenha fotografias das cuecas do Paulo Portas ou da Manuela Ferreira Leite.»

A RAYNAR VAI PERMITIR VIAGENS EM PÉ

«A Ryanair prepara-se para oferecer viagens de borla a quem não se importar de ir de pé no avião.

O patrão da Ryanair, Michael O'Leary, admitiu que a companhia está a pensar em retirar algumas das filas de assentos na traseiro dos aviões. Com mais espaço, pondera instalar bancos corridos e espaços para viajar em pé.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Por este andar o passe da Carris vai dar para ir a Londres com escala na Feira do Relógio para comer uma sandes de courato.

MARVÃO À MESA COM TRADIÇÃO

Para quem não conhece Marvão, uma das mais bonitas vilas do país, pode agora sentir os cheiros e os gostos da gastronomia local desta terra da raia. À venda nas Edições Colibri.

EUGENE FRION

BOYSEN

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Crise económica ou crise da política?

A crise financeira teve o mérito de mostrar como uma boa parte dos políticos portugueses estão mais preocupados com o poder pessoal do que com a vida dos portugueses. A luta pelo poder, seja a luta pela conquista do governo, seja a luta por uma pequena autarquia como Aljustrel ou a liderança dos trabalhadores da Autoeuropa levou muitos dos nossos políticos à falta de honestidade intelectual, senão mesmo à total falta de escrúpulos.

Nenhum partido reagiu à crise de forma construtiva, defendendo propostas para a superação, avaliando as políticas governamentais segundo o mérito, criticando as medidas criticáveis e elogiando as que fossem positivas. Aquilo a que assistimos foi a políticos comportando-se perante a situação difícil que os portugueses atravessa como abutres sobre um governo ferido pela mais grave crise de origem externa que Portugal enfrentou desde sempre, já que o isolamento e o subdesenvolvimento serviram de barreira à crise de 1928.

Nos países desenvolvidos vejo os políticos da oposição esforçarem-se por apresentarem alternativas melhores do que as dos governos, até no Reino Unido onde o partido no poder parece estar derrotado há muito vemos uma oposição tranquila, desejando que o seu país ultrapasse a crise. Por cá, onde muitos portugueses passam dificuldades, muitos deles já as tinham antes de serem desempregados ou mesmo estando trabalhando, vejo políticos que nem se dão ao trabalho de esconderem a sua alegria pela ocorrência da crise, até criticam violentamente quem ouse falar no fim da crise.

O importante para alguns não é a sobrevivência da Autoeuropa, é a liderança do movimento sindical na empresa, o ministro da economia não deve ser avaliado pelo seu mérito mas sim por um gesto que poderá ter influenciado a escolha do futuro autarca de um pequeno concelho. A regra que domina o debate é a do oportunismo, até alguns brilhantes economistas tentaram demonstrar que não se deveria avançar para as grandes obras públicas por causa do endividamento externo mas abstiveram-se de propor soluções para o emprego ou para o endividamento.

Político que foram cobardes calando-se quando os armadores fecharam as lotas ou quando os camionistas e que prometiam uma estratégia de silêncio, começaram a fazer uma grande algazarra quando a economia portuguesa quebrou perante o impacto da crise. Mas até hoje não ouvi ser proposto um conjunto de propostas para superar a crise, ao que parece há um programa secreto para salvar o país, secreto para que não seja copiado, não vá o Sócrates adoptar as medidas.

Ao oportunismo, cobardia e hipocrisia só faltava mesmo juntar-se o cinismo presidencial, quando o país mais precisou de solidariedade institucional vimos Cavaco Silva silenciar-se apenas aparecendo em público com intervenções que apenas visam lançar a instabilidade e favorecer Manuela Ferreira Leite.

Com gente deste nível o país não vai longe, a crise há-de passar mas continuaremos com este presidente e mais os seus assessores pagos pelos contribuintes para se dedicarem à intriga política e com políticos mais preocupados com o poder e com o seu ego do que com o país e os portugueses.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Monsaraz

JUMENTO DO DIA

Francisco Louçã

Só mesmo este fundamentalista da extrema-esquerda é que se lembraria de se armar em cobrador de promessas e acusar Sócrates de não ter criado 150.000 empregos. Um mínimo de honestidade intelectual, coisa que o Chico Anacleto desconhece, mandaria avaliar esta promessa até a eclodir da crise financeira.

Mas para Louçã a verdade interessa tanto quanto a Ferreira Leite e o que lhe interessa é aproveitar-se da crise financeira para obter ganhos políticos. Até porque Louçã está mesmo convencido de que não houve crise financeira internacional, o que por cá se passa é uma crise económica provocada por Sócrates.

UMA PERGUNTA AO MINISTRO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA

Se a profissão de polícia não é uma profissão de risco o que é uma actividade de risco? Só se for a de ministro, há pelo menos o risco de ser incompetente.

ELEITORALISMO

Eleitoralismo foi o aumento das pensões de reforma decidida pelo então primeiro-ministro Cavaco Silva e que muito contribuiu para a sua primeira maioria absoluta. Cavaco Silva decidiu-a sozinho aproveitando-se do facto de Mira Amaral, o então ministro do Trabalho, se encontrar de férias. As contas foram feitas em segredo em reuniões com o secretário de Estado da Segurança Social a quem foi exigido segredo absoluto, mesmo em relação ao ministro.

Um bom exemplo do eleitoralismo e da interpretação do conceito de lealdade institucional do cavaquismo.

AVES DE LISBOA

Pilrito-pequeno [Calidris minuta]

FLORES DE LISBOA

Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

A SABEDORIA OPERÁRIA QUE PUXOU PELA MANGA DE PINHO

«Em Abril, Manuel Pinho estava de visita a uma corticeira de Aveiro quando uma operária lhe puxou pela manga e pediu: "Salve o nosso patrão, senhor ministro. Se o salvar a ele, salva os nossos empregos."

Apesar de ter raízes familiares em Espinho, Pinho ficou de boca aberta. Como está mais habituado a visitar as grandes empresas da cintura industrial de Lisboa, ainda não reparara que nas PME nortenhas o velho conceito marxista de luta de classes foi substituído pela colaboração no duro combate pela sobrevivência.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Jorge Fiel.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se apesar do atraso.»

ERROS SEUS

«O inventário da queda de Sócrates ainda está por fazer. Mas já é possível enumerar alguns erros fatais

Para o futuro da União e para as políticas europeias, as últimas eleições não tiveram qualquer importância. Presumia-se, justamente, que também não teriam para Portugal. Engano! Foram decisivas! Desde esse dia, tal como foi dito logo na noite eleitoral, passou a ser oficial que Sócrates não era invencível. O facto parece simples, mas não é. A partir dessa noite, tudo começou a mudar. Fidelidades foram postas em causa. A serenidade desapareceu. O nervosismo cresceu. Em duas semanas, foi o que se viu. Tudo correu mal, até um debate dito do Estado da Nação. Não há nada como os votos! Já muito vinha de trás, caso contrário os resultados eleitorais não teriam sido aqueles. Mas não era visível, nem oficial. Não havia provas. Passou a haver. » [Público assinantes]

Parecer:

António Barreto, o último dos cristãos novos do cavaquismo já festeja e explica a derrota do Sócrates.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se António Barreto que as eleições legislativas são a 27 de Setembro e que entre bruxos e más sondagens preferimos as sondagens.»

IR À BRUXA

«Uma desgraça nunca vem só e as desgraças de Sócrates têm vindo ultimamente em grande quantidade e muito depressa. A primeira foi, por culpa dele, o descrédito da imagem do "homem forte", dessa espécie de Mrs. Thatcher à portuguesa que ele quis ser. O problema com a pose da intransigência e determinação é que não fica pelo meio termo. Ao primeiro recuo (não ao primeiro erro), a fachada cai. E Sócrates recuou tanto que a certa altura pôs tudo em debandada. Recuou na avaliação dos professores (que um belo dia lhe pareceu "exigente, complexa e burocrática"); recuou no projecto do TGV, da 3.ª travessia do Tejo e do aeroporto (adiado, peça a peça); recuou no negócio PT-TVI; e - pior ainda - recuou no seu próprio estilo autoritário (e do "animal feroz", que se gabava de ser, saiu intermitentemente um doce animalzinho doméstico).

A segunda desgraça do eng. Sócrates foi a escolha de Vital Moreira para cabeça de lista do PS. Uma escolha de fraqueza, destinada a angariar o voto e a benevolência da esquerda, como se o PC não execrasse a criatura e o Bloco se deixasse seduzir por um fiel "companheiro de caminho" e defensor oficioso do Governo. Desta desgraça (não por culpa exclusiva de Vital) nasceu outra: a necessidade do "chefe" se envolver pessoalmente na campanha e a derrota final. Em 7 de Junho, Sócrates era um político vulgar, que não metia muito medo a ninguém. Até os ministros se começaram a desdizer e contradizer e o partido, tanto tempo calado, começou a desabafar. Responsável pelo desastre, Sócrates, no meio disto, balançava sem princípio entre a sua velha persona e o seu novo mundo.

Na hierarquia das desgraças, como se sabe, a quarta é a debandada. Há várias maneiras de fugir: a indiferença, o cepticismo, a abstenção. De repente, os fiéis (sempre com mágoa, claro está) descobriram erros sem remédio, desvios sem desculpa e a tradicional urgência de mudar de caminho, quando já não existia caminho algum. E, como Sócrates, naturalmente, não fazia nada, os fiéis passaram pouco a pouco à política do rato. Infelizmente para Sócrates, sobrava o inimigo - a última desgraça. O inimigo interno, que via agora uma presuntiva herança; e o inimigo externo, que o empurrava, aliviado, pela borda fora. António Costa denunciou as "nódoas" de Mário Lino; e Cavaco explicou suavemente as virtudes do programa económico de Ferreira Leite. Faltava o absurdo e, com Manuel Pinho, mesmo o absurdo se juntou à feira. Sócrates precisa de ir à bruxa.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Vasco Pulido Valente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

SÓCRATES COMPARA A DIREITA A SALAZAR

«José Sócrates acusou ontem o PSD de ter uma visão idêntica à de Salazar ao querer que Portugal permaneça "pobre e humilde" e, num discurso virado à Esquerda, insistiu que os grandes investimentos públicos, como o TGV, devem ser prioritários.

"Nós precisamos mais disso [infra-estruturas de alta velocidade] do que os outros, porque estamos mais longe dos centros geográficos (...). Isso exige visão estratégica e exige principalmente que não tenhamos a visão de alguns que nos antecederam quando afirmaram, como Salazar um dia afirmou, que Portugal e os portugueses deveriam ser pobres e humildes como a terra que trabalham. A nossa ambição é outra", afirmou o secretário-geral do PS, numa sessão do Fórum Novas Fronteiras, dedicada à Economia.» [Correio da Manhã]

Parecer:

A verdade é que um país desenvolvido em torno de pequenas estradinhas com muitos eucaliptos e alfarrobeiras nas bermas, mais ou menos o que Cavaco defendeu recentemente, é mesmo o conceito salazarista de desenvolvimento económico. Um país sem infra-estruturas e muito dinheiro nos cofres.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento aos assessores do presidente.»

FERREIRA LEITE AINDA É MAIS MAZINHA DO QUE EU PENSAVA

«A possível exclusão de Pedro Passos Coelho das listas do PSD às legislativas está a agitar o partido e são várias as vozes que defendem a sua candidatura a deputado da Assembleia da República. Para Marco António Costa, presidente da distrital do Porto, além de uma "mais-valia", a integração do ex-adversário de Ferreira Leite nas listas iria mostrar que "o PSD está unido".» [Correio da Manhã]

Parecer:

O saneamento de Passos Coelho faz-me pensar que a líder do PSD está ao lado de Bernardino Soares na admiração do regime norte-coreano.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Manuela Ferreira Leite porque exclui Passos Coelho das Listas de deputado sabendo-se que nas directas do PSD teve quase tantos votos como ela.»

ANTÓNIO COSTA EMPATADO COM SANTANA LOPES

«O socialista António Costa e o social-democrata Pedro Santana Lopes aparecem empatados nas projecções de voto para as eleições autárquicas em Lisboa. Segundo a sondagem do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica para a RTP, Antena 1, JN e DN, Costa com 38% das intenções de voto, tem apenas uma ligeira vantagem sobre Santana de um ponto percentual.

Neste estudo de opinião, os lisboetas elegem também o Bloco de Esquerda, cuja lista à Câmara é liderada por Luís Fazenda, como a terceira força na autarquia com 9% das intenções de voto. A CDU, liderada por Rúben de Carvalho, é destronada da terceira posição que actualmente ocupa no executivo camarário para a quarta posição com 7% nas intenções de voto.

A lista dos “Cidadãos por Lisboa”, encabeçada por Helena Roseta, arrecada 6% nas intenções de voto e apenas 3% dos inquiridos não quis ou não soube escolher o força em que tenciona votar a 11 de Outubro.

Quando questionados sobre quem tem mais qualidades para ser um bom presidente da Câmara de Lisboa, os inquiridos escolherem António Costa (30%), seguido de Santana Lopes (27%) e Helena Roseta (12%). Segue-se Ruben de Carvalho (4%) e, por fim, Luís Fazenda (3%).» [Diário de Notícias]

Parecer:

O mais significativo desta sondagem é a ultrapassagem do PCP pelo be e o esvaziamento da candidatura Alegrista de Helena Roseta que parece servir apenas para eleger Santana Lopes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Helena Roseta se Santana Lopes já lhe agradeceu pela sua candidatura.»

MAIS UM A DIZER QUE VAI PARA O BRASIL: MIGUEL SOUSA TAVARES

«Para ir para onde?

Para o Brasil. É um país novo, de que eu gosto há muitos anos. E sou muito bem tratado sem ser popular na rua, o que é óptimo. É um país optimista, não está cansado, não está desiludido, sem esperança. Mesmo que agora haja tanta asneira feita no Brasil, todos os dias, não é? Só que eles têm espaço e tempo para uma maior dose de asneira do que nós. Agora desvendei uma coisa que não era suposto desvendar, mas é um plano que ando a alimentar há um tempo, de facto. Nós somos muito macambúzios, eu estou muito macambúzio também. Sinto, pela primeira vez na vida, que estou a precisar de uma sacudidela e que não vai ser aqui…» [Diário de Notícias]

Parecer:

Parece que Portugal é pequeno para os nossos intelectuais.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Diga-se a Sousa Tavares que faz bem, por lá os consumidores são muitos mais pelo que terá mais mercado, isto se lhe derem ouvidos pois o Brasil também tem muito bons jornalistas.»

AGRADECIMENTO

`Q "Praça Stephens" por atribuir o prémio Lemnicasta a'O Jumento.

PAUL BURFORD

NIKE