sábado, setembro 05, 2009

Uma anedota

Os últimos desenvolvimentos do caso TVI fazem-me lembrar a anedota do compadre que foi convidado para dar um passeio num avião de acrobacias. Terminado o passeio o coitado lá contou a sua experiência: “Quando o avião subiu, já estava à espera de fazer xixi. Quando desceu a pique já estava `espera de me borrar pelas calças abaixo. Mas do que não estava à espera era que o avião desse uma pirueta e a merda e o xixi me caíssem em cima”.

Ora, no caso Freeport não fui apanhado de surpresa como o compadre, já estava `espera que a TVI e o SOL dessem a volta à “merda” para fazê-la cair novamente em cima em cima de Sócrates. Toda a gente sabe que o SOL pertence a um alto dirigente do PSD e do ódio que a família Moniz nutre pelo primeiro-ministro, nem uns nem os outros poderiam perder a oportunidade de usar este caso durante as eleições e muito menos aceitar que o mesmo tivesse a sua conclusão antes do acto eleitoral.

Com a Ferreira Leite a afundar-se depois da escolha de acusados para candidatos a deputado e exclusão de destacados militantes e com a economia a dar sinais de retoma era necessário pegar no que já se disse sobre o caso Freeport e lançar de novo a confusão, era necessário fazer esquecer que há uma investigação em curso e evitar que a mesma seja concluída.

É evidente que o PSD não toma posição, atolado no caso BPN não pode correr riscos, se no caso Freeport ainda não foi produzida prova, já no BPN todos os portugueses sabem que foi cometida a maior fraude na história de Portugal. E esta fraude foi cometida por gente grada do PSD, gente que criou um banco para se amanhar e nem o cidadão Cavaco Silva se escapou de obter alguns lucros com um estranho negócio de acções.

É evidente que os dirigentes do PSD é gente muito bem educada e não toca nestes assuntos, os seus militantes é que mandam milhões de mais e o jornal de um dos seus dirigentes, por sinal um homem da SLN, é que faz o trabalho sujo.

Há muito que aqui disse que esta campanha eleitoral seria uma das mais duras na história de Portugal, a direita aposta tudo na sua sobrevivência e no sonho de deter a Presidência da República e op governo. Sem uma candidata credível e com dimensão para o cargo resta o recurso ao golpe sujo.

Ainda por cima a evolução da economia tem desmentido as teses de Manuela Ferreira Leite, da mesma forma que as últimas decisões de Manuela Ferreira Leite desmentiram a sua tese da verdade. Uma dirigente que escolhe um candidato a deputado que no dia em que ia fazer um exame à PJ teve uma tromboflebite só pode estar a gozar com a própria verdade.

Todavia, esta campanha vai ter a vantagem de forçar muita gente a definir-se, a dizer de que lado está, a afirmar os princípios ou a fazer exercícios de oportunismo eleitoral

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Bairro da Bica, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Shruti Shrestha/Reuters]

«A boy dressed as Lord Ganesh, the remover of obstacles, looked out from a window before being brought out to the public during the Indra Jatra festival in Kathmandu, Nepal, Thursday.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Manuela Ferreira Leite, a líder do PSD que na Alemanha aceita fazer de mulher da limpeza

O meu último post no SIMplex:

«Manuela Ferreira Leite foi à Alemanha para ser recebida em audiência durante trinta minutos, sem direito a filme, nem sequer uma daquelas fotografias com o Papa que alguns dirigentes do PSD gostam de exibir nas suas escrivaninhas.

Foi deprimente ver uma candidata a primeira-ministra de um país europeu falar embevecida de um governante da União Europeia, explicando aos jornalistas a razão porque não podia mostrar imagens da visita.

Nem sequer de um governante do Borundi eu esperava espectáculo tão deprimente. Manuela Ferreira Leite tem o direito de se sujeitar aos espectáculos tristes que bem entender, mas como candidata a primeira-ministra deste país deveria respeitar a dignidade dos seus concidadãos, podemos ser um país mais pobre do que a Alemanha mas isso não nos obriga a rastejar.»

Como se não bastasse a falta de dignidade Ferreira Leite demonstrou não ter a noção do ridículo ao dizer aos jornalistas que tinha fotografias que provavam a realização do encontro.

OBRIGADO, ANÍBAL

Hoje ia vomitando ao ouvir Cavaco Silva referir-se ao 25 de Abril como a data em que "conquistámos a liberdade". Em bom português Cavaco tem razão, ao dizer conquistámos foi noi sentido de recebemos. Porque s o conquistámos se referia à sua luta pela democracia, ainda hoje o PSD era conhecido por ANP.

O DFEFENSORES DA LIBERDADE

Este caso da família Moniz teve a virtude de me fazer perceber que em Portugal há muitos mais defensores da liberdade e da democracia do que alguma vez imaginei. Sò é pena que uns nunca o tenham evidenciado e outros não vão defender esses bons princípios nas cubas e coreias do norte.

EU ERA A MANUELA MOURA GUEDES...

Uma promoção tão má que nem a própria TVI a aceitou, isto sem qualquer ingerência de Sócrates.

AVES DE LISBOA

Maçarico-das-rochas [Actitis hypoleucos]
Local: Parque das Nações

FLORES DE LISBOA

No Jardim Botânico

GUEDES, A PRISA E O ARAGON

«Em Maio de 68, na Sorbonne, o poeta Louis Aragon pediu a palavra. Foi assobiado. Aragon era comunista e o jornal comunista L'Humanité tinha insultado o movimento estudantil. Então, o líder deste, Cohn-Bendit, disse: "Estamos aqui porque defendemos a liberdade de expressão. Todos têm direito a falar, até os traidores" - e estendeu o microfone a Aragon. É o que me apetece, hoje, dizer: "O seu programa é abaixo de cão, mas até as jornalistas de programas abaixo de cão têm direito à palavra" - e estendia o microfone a Manuela Moura Guedes. Depois, eu virava-me para a Prisa, os patrões que a silenciaram, e dizia-lhe: "A vossa jornalista preveniu que vocês podiam ser muito estúpidos, mas nunca pensei que vocês o fossem tanto." A semanas das eleições, a Prisa só fez aquilo pensando que podia ganhar alguma coisa. Ora pensar que algum partido podia sentir-se agradecido é considerar que esse partido é estúpido ou imoral. E não. Nem o PS é estúpido para pensar que ganha com o fim daquela coisa, nem o PSD é imoral para agradecer a suja benesse que lhe deram. Isso digo eu, que sei que os portugueses e os seus grandes partidos valem mais do que aquilo por que a Guedes e a Prisa os tomam. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

QUE DIRIA SÁ CARNEIRO?

«Teria hoje 75 anos. Fundou em 1974 um partido chamado "Popular Democrata", três anos depois renomeado PSD (Partido Social Democrata), que dirigiu até à sua morte. Portuense, católico, oriundo de uma família abastada, Francisco Sá Carneiro era casado e pai de cinco filhos. Em 1976 conheceu a editora Snu Abecassis, num almoço com a poetisa e então deputada do PPD Natália Correia, que teria anunciado ao político ir-lhe apresentar a mulher da sua vida.

Snu, mãe de três filhos, era divorciada. Sá Carneiro apaixonou-se e foi viver com ela, na casa dela, com os filhos dela. Um dos seus filhos acompanhou-o. A mulher de Sá Carneiro recusou dar-lhe o divórcio, que então, pós-revisão da Concordata (efectuada em 1975), era já possível em casamentos católicos. Sá Carneiro e Snu passaram pois a viver em união de facto. Numa sociedade em que os divorciados eram olhados de lado e as aparências de "respeitabilidade" e moral católica mantidas laboriosamente, um político de centro-direita, que fez em 1979 uma aliança com o democratas-cristãos de Freitas do Amaral e o Partido Popular Monárquico de Gonçalo Ribeiro Teles e com ela ganhou as eleições, não só vivia numa situação que muitos qualificavam de "pecado" como teve a extraordinária coragem, vistas as circunstâncias, de a assumir. Na época em que Sá Carneiro foi líder partidário e primeiro-ministro a regra não era, como hoje, a da abjecta devassa pública das vidas privadas por publicações especializadas nessa intrusão que têm o despudor de invocar para esse efeito o direito à liberdade de expressão; a regra era a de olhar para o outro lado - desde que, bem entendido, "as coisas fossem feitas com discrição". Sá Carneiro não quis ser discreto, quis ser directo. Quis mostrar que o seu conceito de união e de família rimava com a sua liberdade e não dependia da aprovação dos outros. Consciente do risco que corria e do caldo cultural em que se movia, confrontava os seus colaboradores com a sua opção, tornando claro que trabalhar com ele era aceitá-la . Chegou mesmo a dizer, em 1977: "Se a situação for considerada incompatível com as minhas funções, escolherei a mulher que amo."

Sim, isto sucedeu: em 1977, um líder do PSD pôs a hipótese de o facto de viver com uma mulher com quem não era casado poder arruínar a sua carreira política. Felizmente a sociedade portuguesa mudou muito, tanto que parece mentira que ainda há 32 anos alguém tivesse de pesar esse risco. Parece mentira que há 32 anos se pudesse considerar que uma família é menos família e menos digna ou legítima por não incluir um casamento; que os seus membros devem ter menos direitos - incluindo civis (!) - por esse motivo; ou que as pessoas não possam divorciar-se quando consideram que o seu casamento acabou, sem serem crismadas de "destruidores da família" ou "diluidores dos pilares da sociedade" . Parece-nos mentira hoje. E já então parecia mentira ao social-democrata católico Sá Carneiro. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

LIBERDADE, DIZ O MONIZ

«O ex-editor da TVI Paulo Simão acusou hoje, sexta-feira, José Eduardo Moniz de lhe ter exigido que "alinhasse" o seu jornal da tarde pelo jornal de sexta-feira, de Manuela Moura Guedes, ordem que o levou a sair da estação.

"No dia 14 de Novembro de 2008 o então director-geral da TVI disse-me: 'O Jornal Nacional de sexta-feira lança os temas e vocês têm que os seguir'", recordou esta sexta-feira, Paulo Simão, 38 anos, ex-editor do Jornal da Tarde da TVI e de outros telejornais, nomeadamente os de fim-de-semana.

"Pediram-me para alinhar o jornal que editava com o Jornal de sexta-feira, com o qual não concordava, porque envergonha o jornalismo. Reflecti e tentei perceber se conseguia continuar a exercer a minha função editorial com liberdade – mas aquilo era demais e ainda não era o jornal das grandes polémicas em que se tornou mais tarde", disse Paulo Simão.

O ex-jornalista, com 14 anos alternados na TVI, abandonou a estação no dia 09 de Janeiro deste ano e, actualmente, encontra-se a trabalhar como director de comunicação de uma empresa privada.

"Eu acho que ser subserviente ao poder é tão grave quanto lançar uma campanha", disse Paulo Simão, que deixou palavras críticas para os jornalistas que "dizem que não se identificam com o Jornal da Sexta mas que admitem que este exista".

Acrescenta, no entanto, que aqueles jornalistas não enfrentam aquilo que ele teve que enfrentar: "Ou ficava e participava ou vinha embora", disse.

O ex-jornalista disse querer distinguir o Jornal de Sexta da redacção da TVI - "que tem pessoas sérias, isentas e rigorosas", sublinha - e acusou Manuela Moura Guedes de "sequestrar a liberdade de expressão" na estação.

"Porque estive tanto tempo calado? Essas pessoas quase que sequestraram a liberdade de expressão como uma bandeira delas quando, na prática, não se viu nada disso". E remata: "Estou a falar de uma pessoa como a Manuela Moura Guedes. Acho lamentável que ela se esconda atrás da redacção, a mesma redacção que ela insultou dez, vinte vezes".

“A única liberdade de expressão que lhe interessa defender é a dele”O ex-editor da TVI Paulo Simão, que hoje acusou José Eduardo Moniz, voltou a criticar o antigo director-geral da estação, acusando-o de só defender a liberdade de expressão para ele.

"Registo, sem surpresa, que a única liberdade de expressão que lhe interessa defender é a dele porque quando os outros exercem a liberdade de expressão, para ele são imbecilidades", disse Simão, respondendo a Moniz.

Hoje, o ex-jornalista acusou Moniz de, em Novembro de 2008, o ter obrigado a alinhar o Jornal da Tarde da TVI, que editava, pelo Jornal de Sexta, de Manuela Moura Guedes, o que o levou a demitir-se da estação, em Janeiro.

Em resposta, o agora homem forte da Ongoing, disse apenas não comentar "imbecilidades".
"Não desmentiu nada. Há estilos que não mudam mas que já não vão a lugar nenhum", retorquiu, em declarações à agência Lusa, Paulo Simão.»
[Jornal de Notícias]

Parecer:

Sem comentários.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento a esse grande lutador da democracia, que se dá pelo nome de Cavaco Silva.»

FALTA DE DIGNIDADE

«A chanceler alemã, Angela Merkel, encontrou-se esta manhã com a líder do PSD nacional, Manuela Ferreira Leite, mas chegou meia-hora atrasada à reunião e proibiu a recolha de imagens.

Do encontro que ocorreu na sede da União Democrata-Cristã (CDU, na sigla em alemão, apenas foram recolhidas algumas fotografias tiradas por um fotógrafo contratado pelo partido de Merkel.

Ferreira Leite não se incomodou com as exigências da chanceler alemã, salientando que 'em primeiro lugar, era importante ter um encontro pessoal com a senhora Merkel e, em segundo lugar, em termos de provas temos as fotografias'.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Aceitar ser recebida nestas condições e dizer qu tem fotografias para provar que houve o encontro é, no mínimo, falta de dignidade.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Ferreira Leite se não tem vergonha na cara.»

QUE ALÍVIO...

«A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, afirmou hoje em Berlim que há exemplos alemães não transferíveis para Portugal e que está "fora de causa" formar-se uma coligação de bloco central como na Alemanha.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Nunca apoiaria um governo de coligação entre este PSD e o PSD.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Manifeste-se o apoio à líder do PSD.»

PAÇOS DE FERREIRA HOMENAGEIA MANUEL PINHO

«Manuel Pinho está em boa forma física. E política. Demonstrou-o ontem, em Paços de Ferreira, onde inaugurou uma avenida com o seu nome no complexo empresarial Multipark. "A Rosa onde é que está?", perguntava, inquieto, o ex-ministro da Economia mal saiu do carro que o conduziu aos terrenos da segunda fase do Multipark, onde o esperavam dezenas de empresários que se associaram à homenagem. Manuel Pinho procurava Rosa Mota, que abraçou efusivamente, depois de ter confidenciado à sua "treinadora" ter perdido já 13 quilos. "O Governo não dá saúde a ninguém...", ouviu-se. A homenagem ao ex-ministro da Economia partiu de um punhado de empresários e contou com o apoio, sem preconceitos do "politicamente correcto", do presidente da câmara local, o social-democrata Pedro Pinto. "Já passaram muitos governos e de muitas cores. Sentíamo-nos órfãos de uma estratégia, de uma atitude governamental que olhasse para o sector empresarial de Paços de Ferreira, que vai muito para além do mobiliário. E foi com Manuel Pinho que se conseguiu avançar. Ele fez a diferença", declarou Pedro Pinto ao PÚBLICO. » [Público]

Parecer:

O país perdeu um bom ministro porque este não resistiu às provocações de um mau deputado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

JEF VAN DEN HOUTE

ROY AWARDS

sexta-feira, setembro 04, 2009

A padeira de Queluz de Baixo

Ou estou muito enganado ou num dos próximos dias o Público terá como notícia de primeira página “Sócrates aliciou assessor de Cavaco”, também aposto que o assessor em causa foi o tal que se lembrou de queixar ao mesmo jornal que os assessores de Belém estavam a ser vigiados pelo governo.

Só mesmo o tal assessor anónimo é que teria imaginação suficiente para se lembrar de aconselhar Sócrates a pedir à Media Capital o fim do jornal da dona Moniz. Se Sócrates tivesse dado tal passo, agora que Manuela Moura Guedes já tinha convencido quem tinha a convencer, teria dado um tiro do pé, em vez de ser criticado por ingerênia na linha reditorial da TVI, deveria ser demitido compulsivamente de secretário-geral do PS.

Mas o facto é que a Media Capital se livrou de Manuela Moura Guedes e nem teve de lhe pagar os três milhões de euros que o marido embolsou quando saiu da estação de televisão. Mas pelos vistos a indemnização paga a Moniz não previa o fim do controlo da estação pela família Moniz, isso viu-se na despedida, quando Moniz tentou condicionar a linha editorial da informação da estação ao dizer que o fim do jornal da esposa seria uma desgraça. A família estava tão arrogante e convencida que a própria Manuela chamou estúpidos aos patrões.

A verdade é que a indemnização paga a Moniz não incluía a demissão do seu fantasma mais a esposa, ao longo de anos o Eduardo Moniz comportou-se como patrão da estação, cultivando o culto da personalidade, a sua arrogância chegou ao ponto de ter usado a estação para tentar derrubar um governo legítimo do país.

Se a Media Capital pôs fim a um programa que visava objectivos políticos que ultrapassavam o que se espera de um telejornal fez muito bem, só pecou por ter tomado a decisão de forma tardia e num contexto em que acaba por provocar mais prejuízos do que a sua manutenção. Compreende-se que o PS tenha ficado incomodado com a decisão, foi o grande prejudicado. Compreende-se também a reacção incrédula das virgens da oposição pois mesmo sabendo que a informação da dona Moniz era um nojo isso favoreça-os.

Entretanto o país ganhou mais uma heroína da liberdade, uma Manuela Moura Guedes que muito brevemente vai ser promovida a mais uma padeira em luta contra os castelhanos da PRISA (por ironia do destino a sede da estação até fica numa rua de nome Castelhano, mais precisamente na Rua Mário Castelhano), a Padeira de Queluz de Baixo.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Miradouro em residência de Alfama, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Omar Faruk/Reuters]

«Residents rode on pickup trucks that supply milk and other items in Mogadishu, Somalia, Wednesday.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Manuela Moura Guedes

A esposa do senhor Moniz tem usado e abusado do estatuto de jornalista e das audiências da TVI para tentar decidir o resultado das próximas legislativas, durante semanas tentou usar o caso Freeport para destruir José Sócrates e, pelo que agora diz, ia fazê-lo de novo, a semanas das eleições era necessária instalar a dúvida e adiar qualquer conclusão do processo.

A arrogância de Manuela Moura Guedes é tanta que chega ao ponto de chamar estúpidos aos patrões da Media Capital afirmando que "só se fossem estúpidos é que me tiravam do ar". Isto é, enquanto conseguisse manter as audiências, mesmo rec9orrendo a um jornalismo deontologicamente reprovável, Manuela Moura Guedes estava convencida de que fazia o que queria da estação, mesmo depois de a família ter recebido uma fortuna a título de indemnização para que partisse.

Só que pelos vistos os donos da PRISA não compraram a TVI para que esta estação fosse a TVM, ou seja, a televisão dos Monizes e acabaram com o jornal privado da Manuela Moura Guedes. Como seria de esperar a jornalista lá veio dizer que tinha uma peça sobre o caso Freeport, insinuando que teria sido Sócrates a intervir.

Só que não é Sócrates quem tem interferido na TVI, é Manuela Moura Guedes que abusando o estatuto de favor que resultava do cargo do marido que tem intervido na política e condicionado a justiça.

O DEBATE ENTRE LOUÇÃ E JERÓNIMO DE SOUSA

É isto o debate democrático que Louçã e Jerónimo de Sousa exigiram? O debate entre os dois líderes da esquerda conservadora não existiu, podia muito bem ter sido desdobrado em duas entrevistas, lembra-me de um jogo entre a Alemanha e a Áustria que por já estarem apuradas para a fase seguinte da competição passaram noventa minutos a fazer passes de um lado para o outro do campo.

TÍTULO 08

Fuinha-dos-juncos [Cisticola juncidis]
Parque da Bela-Vista (Sul)

FLORES DE LISBOA

No Jardim Botânico

A SAÚDE PARA O PSD

«O PSD apresentou no seu programa uma lista de 38 propostas, recomendações ou simples sugestões, sem números. É um programa de intenções, sem compromissos. Foge das metas como o diabo da cruz. Pede aos portugueses um cheque em branco e acredita que eles confiam. Oito dessas intenções são vagas e genéricas, como aumentar a eficiência, a qualidade, a competição, a transparência ou a segurança, comuns a todos os programas. Alargar a liberdade de escolha do utente parece ser uma boa intenção, evitar conflitos de interesse nos profissionais é muito mais que isso, em termos práticos é impedir, limitar ou condicionar a prática privada pelos profissionais do sector público. Como pensa o PSD executar essa tão drástica medida?

Vinte e três sugestões (60 cento) estão já integralmente cumpridas ou em execução, com instrumentos legislativos lançados, testados e aplicados pelo actual Governo. Exemplos: reduzir tempo médio de espera em cirurgia e consultas de especialidade, gestão integrada dos cuidados de saúde primários, unidades de saúde familiares, cuidados continuados integrados, plano nacional de saúde, medidas de prevenção da doença e de promoção da saúde, gestão informatizada e integrada dos serviços e do processo clínico, parcerias público-privadas, promoção dos genéricos. Nada de novo.

O programa é inteiramente omisso sobre procriação medicamente assistida, interrupção voluntária da gravidez, planeamento de recursos humanos e de instalações, avaliação de tecnologias. Reconhecem-se os preconceitos ideológicos. Ignora as associações de doentes, o transporte e emergência pré-hospitalar, as infecções e as pandemias. Dedica uma só palavra ao cancro e às doenças cardiovasculares, responsáveis por três quartos das mortes, muitas delas evitáveis. Nem uma única vez refere como vai ser financiado o sistema e as palavras-chave Serviço Nacional de Saúde (SNS) aparecem proscritas de todo o documento. Clara rejeição ideológica de uma das mais respeitadas conquistas do Portugal dos nossos dias.

Carecendo de profunda discussão, são o aumentar a pluralidades na prestação, pela escolha de hospital e centro de saúde, dentro e fora do sistema público, a liberdade de escolha entre subsistemas, sistemas regionais (sic), economia social e mercado privado; rejeição dos co-pagamentos e de novas taxas moderadoras e seus aumentos (regulares, também?); e cessação das taxas, mesmo que diferenciadas, em internamento e cirurgia; e, um curioso pormenor, ligação directa da prescrição informática de medicamentos entre o médico e a farmácia, uma importação directa da agenda da ANF, rejeitada pelo actual Governo na versão proposta, por razões óbvias de prevenção do controlo da informação na relação médico-doente por entidade estranha, sem qualquer responsabilidade em a organizar, articular, ou financiar.

Oprograma começa por defender a universalidade no acesso aos cuidados, mas os especialistas do PSD sabem bem, ou deviam saber, que universalidade de acesso, gratuitidade no ponto de utilização e liberdade de exercício, paga por convenção (é esse afinal o modelo que o PSD quer, em vez do SNS), são na prática incompatíveis. Sabem que os sistemas convencionados consolidados na história europeia de protecção social (França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Suíça) são bem mais dispendiosos e inequitativos que os sistema de tipo SNS (Reino Unido, países nórdicos, Espanha, e mesmo Portugal). Que o modelo de base seguradora e de total liberdade de escolha, como é o que os EUA tão vivamente pretendem reformar, deixa um quarto das pessoas sem cobertura. Que, em contexto de sólido e prestigiado sector público, como é o nosso, o aumento da prestação privada é muitas vezes realizado com prejuízo da eficiência do SNS. Os autores do programa sabem, ou deviam saber, que o que propõem na Saúde em nada melhoraria nem a efectividade, nem a eficiência, nem a equidade, nem a qualidade do sistema e custaria ao país e aos contribuintes mais um ou dois pontos do PIB. Ao menos nessa matéria não enganam ninguém: são as mais claramente ideológicas, conservadoras e despesistas medidas que o PSD alguma vez apresentou para a Saúde.» [Público]

Parecer:

Por Correia de Campos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MONIZ ESCANDALIZADO

«"O que acaba de acontecer hoje é um escândalo a todos os títulos: do ponto de vista político, empresarial e da liberdade de informação em Portugal. É escandaloso que esta situação tenha ocorrido", afirmou o actual vice-presidente da Ongoing.

Moniz recordou que no dia em que deixou a TVI referiu, em entrevista ao Jornal Nacional, que seria "um escândalo se o Jornal de Sexta não fosse retomado em Setembro".» [Diário de Notícias]

Parecer:

Na opinião do Moniz quem manda na TVI é a esposa e não os donos da empresa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Moniz porque não levou a esposa consigo.»

"CAPITÃO" DA DINAMARCA ACUSA PORTUGAL DE TER COMPRADO O LIEDSON

«O "capitão" da Dinamarca, Jon Dahl Tomasson, provocou hoje Portugal, ao acusar, em tom de brincadeira, a equipa das "quinas" de "comprar" Liedson no Brasil para suprir a necessidade de um ponta-de-lança.

"Eles estão necessitados de um verdadeiro ponta-de-lança e então foram ao Brasil comprar um", disse, entre sorrisos, o avançado nórdico.

O jogador dos holandeses do Feyenoord revelou, no entanto, pouca preocupação com o assunto. "Não fazemos isso na Dinamarca, nem no resto da Escandinávia, comparando com o que acontece nos países do Sul da Europa. Mas por mim está tudo bem".» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Tem toda a razão, um dia destes terei de ver quem esta na baliza para perceber s é a selscção portuguesa ou a brasileira que está a jogar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Queiroz se agora já não há lixo na Federação.»

PS EXIGE EXPLICAÇÕES À TVI

«O PS exigiu uma explicação "cabal" da administração da TVI pela decisão de suspender o Jornal Nacional de sexta-feira.

A posição dos socialistas foi assumida em conferência de imprensa por Augusto Santos Silva, já depois de a direcção de informação da TVI se ter demitido em consequência da decisão da administração desta estação de televisão.

"A decisão da administração da TVI é completamente incompreensível, seja em si mesmo - visto que não há qualquer explicação pública sobre os seus fundamentos e razões -, seja pelo tempo em que ocorre, porque estamos em período eleitoral e desvia a atenção dos portugueses da avaliação das propostas apresentadas pelos partidos", sustentou o ministro dos Assuntos Parlamentares.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Mais notícia sobre o Caso Freeport, menos notícia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Passem-se as notícias.»

MAIS UM ATRASO NO JULGAMENTO DE ANTÓNIO PRETO?

«A Comissão de Ética da Assembleia da República (AR) considerou desnecessária qualquer autorização deste órgão de soberania para a presença de António Preto na audiência de julgamento marcada para o dia 27 de Outubro. Esta informação consta de uma carta remetida pelo presidente daquela comissão, José Matos Correia (PSD), ao presidente do colectivo de juízes da 5.ª Vara Criminal de Lisboa que irão julgar António Preto, os empresários Virgílio Sobral de Sousa e Jorge Silvério, e a sociedade de que ambos são sócios, por alegada prática de fraude fiscal qualificada.

A carta informa os juízes que vão julgar os três arguidos que, em 22 de Julho de 2009, o plenário da AR aprovou por unanimidade a suspensão de mandato do deputado António Preto a partir do dia 25 de Setembro de 2009, por um período não inferior a 50 dias. Na sequência desta informação oficial, os juízes marcaram três audiências: no dia 27 de Outubro para ouvir os arguidos e duas testemunhas; no dia 10 de Novembro para o depoimento das testemunhas de acusação; e o dia 24 de Novembro para ouvir as testemunhas de defesa.

O calendário do julgamento pode, todavia, sofrer alterações, devido ao facto de a direcção do PSD ter decidido incluir António Preto em oitavo lugar na lista de candidatos às próximas legislativas. A eventualidade desta candidatura poder ter reflexos nas datas agendadas pelo colectivo resulta da lei eleitoral para a AR prever que "quando é movido procedimento criminal contra algum candidato e indiciado este por despacho de pronúncia ou equivalente, o processo só pode seguir após a proclamação dos resultados das eleições".» [Público]

Parecer:

Digamos que se António Preto não fosse deputado estaria mais exposto.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelo julgamento.»

BORIS BRUL

DAS COMITEE