sábado, setembro 19, 2009

Maleitas profissionais

O tema não tem merecido a devida atenção mas para além de todos os males que os portugueses atribuem aos seus políticos, terão que começar a preocupar-se também com as doenças profissionais. Não são só os trabalhadores ou os desportistas que sofrem de doenças profissionais ou que ficam lesionados no desempenho das suas funções.

Veja-se o exemplo de António Preto sobre o qual se fizeram tantas insinuações de ter sofrido uma tromboflebite, logo no dia em que ia à PJ fazer uns testes de caligrafia que até poderiam provar a sua inocência. Agora sabemos que António Preto esfalfou-se dias a fio a preencher fichas de adesão de novos militantes, gente que depois da vitória do PSD aderiu em massa ao partido. Preencher milhares e milhares de fichas deixa as suas mazelas, a sorte do António Preto é que o seu cunhado é especialista em cirurgia vascular e,pelos vistos, é um admirador de Sócrates pois diagnosticou-lhe o acidente vascular na hora. Coitado do António Preto, se não fosse o primo ainda agora andaria a ganir com dores.

E como um mal nunca vem só o mesmo António Preto viciou-se em compras, tornou-se um comprador compulsivo, um “shopaholic”, só isso explica a compra de votos dos militantes, um “shopaholic” compra tudo o que pode e se o homem estava a preencher as fichas compreende-se que tenha tido uma crise e desatado a comprar os votos.

A própria Ferreira Leite que apesar da idade parece estar fresca que nem uma alface deu mostras de uma terrível doença profissional, no debate com José Sócrates apontou-lhe tanto o dedo que agora tem uma tendinite no indicador da mão direita. É isso que explica queda do PSD nas sondagens, são cada vez mais os portugueses que consideram que não se pode ter uma primeira-ministra com problema num dedo fundamental para assinar papéis, o trabalho mais importante de um primeiro-ministro.

O caso mais recente e, porventura, mais grave de uma doença profissional é o de Francisco Louçã, o "jovem" que lidera o BE. A doença está num estado tal que a sua própria esposa já equaciona a hipótese de se divorciar, algo raro num líder proletariado. Louçã sofre de socratofobia, o que o leva a estar permanentemente a falar de Sócrates. È quando vai fazer xixi, quando participa no programa dos Gatos Fedorentos, quando faz amor com a mulher, quando fai ao ginásio do Holms Place. A mulher já não suporta ouvi-lo a gritar por Sócrates desde que levanta até que adormece.

Depois das reformas dos parlamentares os portugueses terão que equacionar a hipótese de adoptar um subsistema de saúde só para tratar das maleitas dos nossos políticos.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Castelo de Alcoutim

IMAGEM DO DIA

[Rajesh Kumar Singh/Associated Press]

«A Hindu devotee performed Tarpan, a ritual for the peace of the souls of ancestors, in Allahabad, India, on Friday.» [The Wall Street Journal]

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

O novo outdoor do PSD.

Afinal é mesmo verdade, o Palácio de Belém tem estado sob vigilância. na Imagem são visíveis duas câmaras de vigilância, a de baixo foi colocada pelos serviços de segurança do palácio, ninguém sabe quem instalou a outra câmara, tudo indica que foi ali colocada por José Sócrates ao sair de uma das suas visitas semanais ao presidente.

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva

Por maiores que tenham sido os conflitos institucionais entre presidentes e primeiros-ministros nunca um Presidente da República foi tão longe na tentativa de desestabilizar a democracia com o objectivo de criar condições para chamar a si o protagonismo político. A ser verdade a notícia do DN sobre o envolvimento de um assessor na montagem de uma falsa notícias pode dizer-se actuação de Cavaco Silva viola todos os princípios da ética.

Cavaco já não preside, dirige uma matilha de assessores que desde há meses que procuram desestabilizar a democracia. Resta esperar que Cavaco consiga levar o seu mandato até ao fim.

TRÊS EM UM

O SOL diz tudo sobre a estratégia desesperada do PSD, lança a ideia de que pode haver um governo PS_BE pondo Louçã a dizer que é essa a solução que deseja, lança a nova estratégia do PSD a lançar o medo do fantasma de um governo com a extrema esquerda e coloca a solução desejada na boca de Paulo Portas. Por outras palavras, faz a festa, atira os foguetes e apanha as canas.

Até parece que o Povo Livre deu lugar ao SOL como órgão oficial do PSD, o que até poderia ser um cenário razoável, afinal o semanário, que lançou o famoso DVD numa tentativa de acabar com Sócrates, pertence a um conhecido dirigente do PSD.

Estou enganado ou Manuela Ferreira Leite está mesmo desorientada?

AVES DE LISBOA

Juvenil de Andorinha-das-chaminés [Hirundo rustica]
Local: Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

FLORES DE LISBOA

No Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

A ELISA DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Tenho tido conhecimento de casos de pardais domesticados ainda que muito raros, o caso da Elisa é mais um que me foi dado a conhecer por um visitante d'O Jumento:

«Esta pardoca foi encontrada na rua quando ainda nem sequer voava por um colega do DN e desde então está com o pessoal do jornal (presentemente na parte das revistas, no Areeiro). Começou por viver numa “gaiola T1” (embora ninguém acreditasse que um pardal pudesse sobreviver numa gaiola), depois arranjaram-lhe um “T5”, mais tarde começaram a abrir-lhe a porta do “apartamento” para ver o que ela fazia e agora só vai para a gaiola quando quer (geralmente apenas comer e dormir). O resto do tempo ocupa-o a voar pela sala, a aninhar-se nos ombros, colo ou cabeça das pessoas que ali trabalham e a cagar tudo quanto é mesa de trabalho, documento, teclado ou monitor de computador. As colegas que a tratam e alimentam começaram por lhe chamar Elias (apelido de quem a recolheu), porque pensavam que era um macho. Quando lhes disse que era fêmea, passou a Ana Elias, por terem todas elas Ana como primeiro nome (Ana Elias era só mais uma…). Elisa – mais precisamente Princesa Elisa – é acrónimo de Elias e foi o nome que eu lhe dei. Nunca tinha visto um pardal aguentar-se em cativeiro desta maneira e durante tantos anos (já lá devem ir uns seis ou sete), daí a minha óbvia conclusão de que só pode tratar-se de uma princesa encantada!»

2004 EM 2009

«O mistério prolongar-se-ia, pelo que me diz respeito, até 2009. Quando Ferreira Leite foi eleita presidente do PSD, a sua vitória sobre Santana, ainda que magra, surgiu como justiça poética. Isto, claro, foi até começar a ouvir Ferreira Leite. As primeiras entrevistas revelaram não só uma pessoa de discurso errático, impreciso, hesitante - o que não sendo uma qualidade nem desejável podia ser fruto de pouco treino mediático (ainda que justificação bizarra em alguém que anda na política e em cargos governativos desde os anos 80) - como com ideias absurdas e contraditórias,ou mesmo sem ideias nenhumas. Mas foi preciso chegarmos à recta final das legislativas para se perceber que nem na sua suposta área de especialização, a da economia e finanças, Ferreira Leite parece saber do que fala. Não se limitou a confundir a taxa máxima do IRS com a do IRC no debate com Jerónimo de Sousa; ontem de manhã na TSF mostrou não saber o que é um projecto PIN (Projecto de Interesse Nacional), ao responder a um ouvinte que "não pode ser o Governo a decidir que empresas salva". Ora até eu, que nãopercebo nem pretendo perceber de economia, sei que os projectos PIN não têm nada a ver com "salvar empresas". Um candidato a PM pode estar a favor ou contra a existência da classificação PIN e do que significa; não pode é nao fazer ideia do que é um PIN e, já agora, convém que não finja que sabe (parece que a isso se chama aldrabar, não?).» [ Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

COM RECEIO, MAS COM ESPERANÇA

«Vamos, portanto, ter eleições em 27 de Setembro. Tudo indica que o modelo de bipolarização (imperfeita), que dominou a política portuguesa desde 1979, terá chegado ao fim. E também é muito provável que o novo modelo de tripolarização (sobre que escrevi muitas vezes no passado) tenha vindo para ficar. A decorrência desta factualidade é que o PS terá uma tendência natural para se instalar mais na zona de centro-esquerda, passando a ser ele próprio uma espécie de bloco central, ou o "partido natural de governo" que em 1975/6 Mário Soares tentou construir.

Pode não ser assim; em dois cenários: se o PS quiser ilusoriamente pensar que pode ser o partido liderante ideologica e politicamente de uma esquerda que abrigue o PCP e o BE e, ao mesmo tempo, continuar a beneficiar do voto moderado e com isso guardando cerca de 35% do eleitorado, levando a "esquerda" a 55 ou 60%, o que é irrealista; desse modo cavariam o fosso em que cairiam. Ou se o PSD e o CDS conseguirem alcançar a maioria dos deputados e depois forem capazes de governar com sucesso, caso em que o PS entrará no declínio que atingiu ou está a atingir os seus congéneres na Itália, Alemanha e França.

Pelos dados consistentes das sondagens, pelos efeitos dos debates, pelas características de José Sócrates e de Manuela Ferreira Leite, pela dinâmica da campanha, e até pelo desejo oculto de muitos que normalmente votariam no PSD, tudo indica que o PS ganhará as eleições com uma muito curta diferença em relação ao PSD. E tudo indica também que o PSD e o CDS não conseguirão deputados que em conjunto lhes assegurem a maioria.

O PS e o PSD não irão provavelmente fazer qualquer coligação. Isso não desagradaria a um PS inteligente, pois poderia assegurar um governo de legislatura, a vitória (negociada) de Cavaco no início de 2011, o reforço do carácter estruturante para o sistema político do PS e a sua indispensabilidade, o aumento da votação futura no CDS e, com isso, a redução do papel liderante à direita do PSD.

Mas, talvez por muitos destes motivos, Ferreira Leite não quer a coligação; e, em função do resultado que irá obter em 27 de Setembro, tudo leva a pensar que continuará ao leme. O PSD quer que o PS tente governar durante 2010, que fracasse, que Cavaco seja reeleito com forte maioria e que depois marque eleições que darão ao PSD (eventualmente coligado com o CDS) maioria na Assembleia da República.

Nada disto é dramático, explicou há dias Pulido Valente num texto em que não usou uma única vez a palavra "reformas". Concordo que não é dramático: acho que será trágico.

Portugal precisa de profundas reformas para se aguentar no balanço das modificações que a crise financeira e o maior protagonismo de países de outros espaços historico-culturais irão cada vez mais assumir. Já precisava de reformas, aliás, antes disso. Sócrates percebeu e durante dois anos e meio teve força e convicção para as fazer. Por um conjunto variado de razões (a menor das quais não foi por certo a forma como o PSD e o CDS tentaram boicotá-las, em vez de simplesmente dizerem que eram poucas as reformas e só por isso más) o ímpeto reformista diminuiu em 2008 e quase se extinguiu em 2009. Em minha opinião, esta alteração foi importante para as dificuldades que está a sentir. Realmente, abrandar as reformas não lhe deu um voto à esquerda e fez perder votos à direita.

Os próximos anos vão ser decisivos para nós. Corremos o risco de não acompanhar a retoma que deverá acontecer na Europa em 2010 e, com isso, ficarmos ainda mais para trás. Todos os especialistas estão convictos de que Portugal precisa de levar até ao fim a reforma da administração pública, desburocratizar, colocar o sistema público de ensino a funcionar, conter os gastos de saúde, diminuir o peso do Estado, retirar privilégios aos funcionários públicos, flexibilizar o emprego, fazer funcionar com eficiência o sistema judicial, aumentar a accountability e diminuir a corrupção dos decisores administrativos, reorganizar político-administrativamente o território, melhorar a investigação criminal, favorecer mais o investimento com políticas activas, defender o território da degradação urbanística. Ninguém tem dúvidas, também, que o número de funcionários tem de diminuir. Portugal não tem massa crítica para sustentar um Estado tão pesado, sobretudo quando a União Europeia está a retirar aos Estados parte importante das suas funções.

Não acredito que um governo minoritário do PS consiga encetar ou aprofundar nenhuma destas reformas. Até porque para ele começa infelizmente a ser evidente que a salvação passa pela derrota de Cavaco Silva e, por isso, vai olhar mais para a esquerda. Mas também não acredito que um governo minoritário do PSD tenha mais possibilidades. Ferreira Leite é muito menos reformista do que Sócrates, e sendo mais idosa olha para o futuro de modo diverso. E o próprio Cavaco - que se exporá muito mais com um governo PSD - não é propriamente um adepto de reformas... sobretudo se lhe fizerem perder as eleições.

Um governo de coligação entre o PS e o PSD poderia ser a boa solução. Mas para isso seria essencial que os dois partidos se conseguissem colocar de acordo com um programa claro de reformas para realizar em quatro anos. Nada permite admitir que seja viável. Do ponto de vista ideológico, nada o impede. Roçamos o caricato quando a grande contraposição entre o PS e o PSD é a suspensão do TGV. Não tenho dúvida nenhuma de que pouco ou nada separa estes dois partidos no desejo de salvarem o modelo social em que vivemos e na convicção de que sem reformas profundas ele será cada vez mais insustentável.

Mas a luta política é raras vezes definível por contraposições ideológicas. Os partidos políticos combatem em regra com base em slogans, apriorismos, tensões e rivalidades pessoais, pintam com as cores da ética e dos valores o que quase nunca é mais do que a vontade de ganhar a qualquer preço e, por isso, sem quaisquer regras. Na política vale tudo e até tirar olhos. E por isso ninguém se deve admirar que, após anos de combates, seja a cegueira a característica que melhor define os dirigentes políticos portugueses.

Perante isto, que fazer? Não sou socialista e não tenciono vir a ser no futuro. Não tenho qualquer intenção de assumir nenhuma responsabilidade pública e, como será mais evidente no final deste artigo, quero concentrar-me cada vez mais na minha vida profissional. Não acredito nas capacidades de Manuela Ferreira Leite para governar Portugal e enfrentar os desafios que estão à nossa frente, sobretudo com um PS que - sem Sócrates, provavelmente - virará mais à esquerda. Se ela tivesse seguido o exemplo de Sónia Ghandi, talvez outro galo cantasse.

Para além disso, encontrei em José Sócrates uma vontade reformista que ninguém antes dele teve com tanta intensidade (excepção feita a Sá Carneiro, que só governou um ano). É certo que estou algo desiludido pela diminuição do ímpeto reformista, que compreendo, mas lamento. Espero que depois das eleições ele volte a tentar retomar o processo reformista e que o PSD se não coloque na posição negativista que o tem caracterizado, pois agora já não há maioria absoluta para fazer aprovar tudo sem necessidade do PSD apoiar, mesmo quando concorde.

Tudo medido, e nesse pressuposto, vou dar o meu voto ao PS - pela primeira vez em eleições legislativas. Será um voto em José Sócrates, que fique claro. E que não voltarei a dar no futuro se o ímpeto reformista que espero se não vier a concretizar. Digamos que é um voto receoso, mas com esperança. Julgo, aliás, que será assim o voto de muitos portugueses moderados. Que pouco precisam para si, mas que muito querem para Portugal e para os seus filhos e netos.Vou interromper a minha colaboração com o PÚBLICO a partir de hoje. A vida profissional de advogado e árbitro será ainda mais a minha prioridade. Quero agradecer ao José Manuel Fernandes o convite que me fez, vai para quatro anos. E a forma como sempre aceitou - sem uma crítica - que expressasse opiniões nem sempre coincidentes, por vários motivos, com a linha ideológica dominante no jornal. Desejo ao PÚBLICO, também por isso, as maiores felicidades e sucesso.» [Público]

Parecer:

Por José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A SACANICE SEM LIMITES DO ASSESSOR DO PRESIDENTE

«As suspeitas de escutas por parte do gabinete do primeiro-ministro à Presidência da República foram levantadas por Fernando Lima, assessor de imprensa e homem de confiança de Cavaco Silva. Lima terá, segundo documentos a que o DN teve acesso, procurado o jornalista do Público Luciano Alvarez, segundo este último, em nome do próprio Presidente. Num encontro, que terá decorrido em Abril de 2008, "num café discreto da Av. de Roma", o assessor de Belém entregou a Luciano Alvarez um dossier sobre Rui Paulo de Figueiredo, adjunto jurídico de José Sócrates, cujo comportamento levantou suspeitas aquando da visita de Cavaco Silva à Madeira. Lima estaria convencido que este adjunto de Sócrates integrou a comitiva para "observar, o mais dentro possível, os passos da visita do Presidente e o modo de funcionamento interno do staff presidencial".

Todas estas informações constam de um e-mail enviado por Alvarez ao correspondente na Madeira, Tolentino de Nóbrega, no qual relata o encontro com Fernando Lima e sugere que até seria bom que a história viesse da Madeira, para que o ónus não recaísse sobre a Presidência: "O Lima sugere e eu acho bem duas perguntas para o início do trabalho (até porque a eles também interessa que isto comece na Madeira para não parecer que foi Belém que passou esta informação, mas sim alguém ligado ao Jardim)."» [Diário de Notícias]

Parecer:

Os assessores de Cavaco Silva estão a transformar o país numa república das bananas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Cavaco Silva que termine o mandato com dignidade.»

O IDIOTA DO DIA

«O empresário Belmiro de Azevedo recomendou hoje à equipa do diário Público, do Grupo Sonae, "que não se deixe assustar por opiniões um bocado desastradas de alguns governantes que querem mandar no Público sem pôr lá dinheiro nenhum".

"Não me importo nada que eles mandem, mas comprem o jornal", afirmou o presidente não executivo da Sonae, à margem da inauguração do parque de negócios das empresas do grupo na Maia.» [Diário de Notícias]

Parecer:

O Belmiro de Azevedo acha que ainda ninguém percebeu que o jornal Público é um pasquim ao serviço dos seus objectivos pessoais.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a devida gargalhada.»

COMPRA DE VOTOS É CRIME PÚBLICO

«Cinco militantes e ex-militantes do PSD acusaram António Preto e Helena Lopes da Costa, ambos integrados nas listas do PSD às lesgislativas, de estarem envolvidos num esquema de compra de votos e filiações partidárias. Segundo o DN apurou, depois dos depoimentos dados à revista 'Sábado' pelos militantes, o Ministério Público pode investigar por iniciativa própria.

A compra de votos a troco de dinheiro é crime público. Assim, depois de a revista Sábado ter colocado ontem online depoimentos de cinco militantes e ex-militantes sociais-democratas, que acusam ex- -dirigentes do PSD/Lisboa de compra de votos e filiações partidárias a troco de dinheiro e empregos, o Ministério Público pode investigar o caso por iniciativa própria.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Não se compreende que Pinto Monteiro, tão lesto noutros casos, ande agora a assobiar para o ar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se a postura preguiçosa do Procurador-Geral da República.»

UM ENCONTRO INTERESSANTE

«José Sócrates encontrou-se, esta noite, com o presidente da SONAE, na Casa de Serralves, no Porto, onde decorreu um jantar de comemoração dos 50 anos deste grupo económico.

O primeiro-ministro fez saber que se deslocou ao Porto "para homenagear uma grande empresa". Questionado pelos jornalistas se, durante o encontro, o caso das alegadas escutas à presidência da República tinha sido abordado, José Sócrates respondeu com a frase "tenham dó".» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Depois do que o Público de Belmiro já lhe fez é preciso ter estômago.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Sócrates se o jantar não lhe fez mal.»

ANA GOMES PASSOU-SE

«A eurodeputada socialista e candidata à Câmara de Sintra pelo PS Ana Gomes afirmou hoje, em relação ao Rádio Clube Português, que o PS deveria chamar o Bloco de Esquerda a formar Governo, caso não consiga uma maioria absoluta.

Ana Gomes frisou que não só entende que esse entendimento é possível como seria “benéfico para o país”.» [Público]

Parecer:

Se o PS avançar nesse sentido não voto.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Ana Gomes que não diga disparates.»

PRZEMYSLAW KRUK

LA CONDONERIA

sexta-feira, setembro 18, 2009

Isto é muito grave

Vale a pena ler a notícia do DN aqui reproduzida no essencial pelo Jornal de Notícias:

«Fernando Lima, assessor de Cavaco Silva, é apontado como o responsável pela notícia do Público a sugerir que a presidêncida da República suspeita que está a ser escutada. No jornal que avançou a notícia, em Agosto, cresce também "a suspeita" de ingerência dos Serviços Secretos.

Fernando Lima, assessor de longa data de Cavaco Silva, é apontado como o homem que sugeriu ao jornal “Público” a ideia de que a presidência da República suspeitava estar sob escuta do Governo ou do PS. A informação terá sido divulgada ao editor de política daquele jornal, Luciano Alvarez, numa conversa num “café discreto da Avenida de Roma”, em Lisboa, em Abril de 2008.
O DN apoia-se num email, supostamente enviado por Luciano Alvarez ao jornalista Tolentino Nóbrega, correspondente do Público na Madeira, a contar a história, datada de 23 de Abril de 2008. Mais de uma ano depois, a notícia chegou à primeira página do “Público”, porque “outras fontes revelaram novos dados de uma história que ainda não está toda contada” disse José Manuel Fernandes, director de o “Público”, em declarações à rádio Antena 1.

Considerando que não era possível alguém ter acesso ao email, José Manuel Fernandes levanta a “suspeita” de que o jornal “Público” possa estar sob escuta dos Serviços Secretos. “Não sei se há em Portugal muita gente com capacidade técnica e de meios para fazer isso”, disse, hoje de manhã, à Antena 1.

“Agora, é preciso saber a quem interessa que esta informação tenha chegado a vários jornais”, disse, apontando as suspeitas ao Governo e ao PS.

No email que o DN replica na página 2, com frases sublinhadas a amarelo, Luciano Alvarez conta a Tolentino Nóbrega que recebeu um telefonema de Fernando Lima a solicitar um encontro, que aconteceu, no dia seguinte ao primeiro contacto, num café em Lisboa. “Foi direito ao assunto, estava ali para falar comigo a pedido do presidente da República”, lê-se no documento publicado pelo Diário de Notícias.

“O presidente da República acha que o gabinete do primeiro-ministro o anda a espiar”, escreve Alvarez a Tolentino, “e a prova grande disso terá sido dada na Madeira”. Surge, assim, a justificação para o caso ser tratado pelo jornalista na Madeira, “para não parecer que não foi Belém que passou esta informação, mas alguém ligado ao Jardim”, lê-se ainda no documento, que Alvarez, contactado pelo DN, diz ser forjado. Nóbrega não quis comentar, mas, em editorial, o DN diz que “a autenticidade” do documento foi “confirmada por um dos destinatários”.

No email, Alvarez revela que Fernando Lima levanta suspeitas sobre Rui Paulo Figueiredo, assessor jurídico de Sócrates, que viajou para a Madeira na comitiva de Cavaco aquando da visita ao arquipélago governado por Jardim. O editor de política do Público revela a Tolentino Nóbrega algumas das perguntas sugeridas pelo assessor de Cavaco Silva, que terá facultado, ainda, um dossiê sobre Rui Paulo.

“Isto pode ser paranóia do PR e do Lima, mas, mesmo sendo paranóia, não deixa de ser grave que o PR pense isto e que ande a passar a informação ao Público”, pode ainda ler-se no suposto email de Alvarez para Nóbrega. “O Lima sugeriu que tratasse com ele desta história por email porque estão com medo das escutas”, lê-se ainda.»

Da notícia resulta o envolvimento claro de um assessor do Presidente, senão mesmo de Cavaco Silva na tentativa de criação de um facto político que criasse a suspeita em relação ao comportamento democrático do primeiro-ministro. Uma estratégia montada a partir de Abril que encaixa na perfeição no tema preferido de Manuela Ferreira Leite, a suposta asfixia democrática.

O envolvimento de Cavaco Silva e dos seus assessores na tentativa de levar Manuela Ferreira Leite a São Bento concentrando no PSD cavaquista o poder da República não passou apenas, percebe-se agora, pelo envolvimento de assessores de Belém e votos comprados na eleição de Ferreira Leite para a liderança do PS, pela colaboração na elaboração do programa ou nas insinuações que Cavaco tem lançado, esse envolvimento inclui também o assassínio político de José Sócrates.

As declarações de José Manuel Fernandes, director do jornal Público são, no mínimo patéticas, diz que o mail foi forjado e ao mesmo tempo insinua que o Público também estará sob escuta, lança mesmo a insinuação de envolvimento dos serviços de informações. O director do Público, que em breve vai abandonar a direcção do jornal e, ao que parece, vai para assessor de Durão Barroso, parece ter pouca consideração intelectual pelos portugueses. Se o mail foi forjado para que seria necessário os envolvimento dos serviços de informações? Como pode garantir que esse mail não chegou a ninguém de fora do jornal? Porque razão não solicita uma investigação à PGR se acha que houve um crime de intrusão no sistema informático do jornal.

Porque razão sai esta notícia neste momento? É evidente que esta notícia ajuda a desmontar a teoria da asfixia democrática, não faz sentido falar de asfixia democrática quando os assessores do Presidente da República tratam os portugueses como idiotas e tudo fazem para transformar o país numa república das bananas. Mas também o é que sai num momento em que a campanha de Manuela Ferreira Leite entra num impasse com o esgotamento da sua imagem e dos seus argumentos, desta forma as eleições legislativas são transformadas naquilo que sempre foram, a primeira volta das presidenciais.

Qual o papel de Cavaco em tudo isto? É evidente que Fernando Lima nada fez sem o conhecimento, apoio ou mesmo inspiração de Cavaco Silva, é evidente que as notícias do jornal Público foram lançadas quando os assessores do Presidente entenderam ser conveniente, a crítica de dirigentes do PS ao envolvimento de uma assessora de Cavaco Silva na elaboração do programa do PSD foi apenas uma oportunidade que surge no momento certo. Uma oportunidade idiota mas mesmo assim uma uma oportunidade, o que passou foi as supostas dúvidas de Belém em relação ao governo.

Porque sai esta notícia num momento crítico da campanha eleitoral para as legislativas? É provável que tenha sido agendada segundo os critérios jornalísticos do Diário de Notícias, mas também se pode sugerir que obedece a uma campanha negra.

O PS pouco ganha com esta notícia num momento em que as sondagens e o comportamento dos dirigentes do PSD evidenciam dificuldades por parte deste partido. Mas isso não exclui a possibilidade de ou a Presidência ou o PSD estar interessado neste debate, neste caso teremos de concluir que perante o receio de derrota de Manuela Ferreira Leite os homens de Belém tenham decido meter “toda a carne no grelhador”, com esta notícia Ferreira Leite desaparece e a disputa eleitoral passa a ser entre José Sócrates e Cavaco Silva, a líder do PSD não passa de uma marioneta do cavaquismo.

De qualquer das formas é evidente que o grande candidato a primeiro-ministro não é Manuela Ferreira Leite, há muito que Cavaco Silva lançou o tema da ingovernabilidade, o termo é dele e foi lançado quando muito antes das legislativas já falava que ia reunir com os partidos para discutir a situação de ingovernabilidade que sairia das eleições legislativas. A própria Manuela Ferreira Leite apontou como objectivo político da sua candidatura retirar a maioria absoluta a José Sócrates, ou seja, dar o poder e o protagonismo político ao Presidente da República.

É cada vez mais evidente que a candidatura de Manuela Ferreira Leite não passa de uma encenação cavaquista, o seu governo não passaria de um governo de assessores do Presidente, o seu programa mais não seria do que o ditado pelos interesses desses assessores e dos sectores empresariais do cavaquismo, de que o BPN e o BPP são dois bons exemplos.

Os objectivos políticos de Manuela Ferreira Leite são claros, lançar a crise política devolvendo o poder a Cavaco Silva e salvar o cavaquismo e todos os interesses que ao longo de mais de duas décadas nasceram, cresceram e viveram à sua sombra.

Os cavaquistas não hesitam em pôr em causa os fundamentos da democracia portuguesa para defenderem os seus interesses. Cabe agora aos eleitores decidir que querem uma democracia ou um caudilho.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Alcoutim

IMAGEM DO DIA

[Oceania]

«Cabecinegro o moma nariguda (Tripterygion delais) que ha sido descubierta en punta Los Abades, Los Gigantes, Tenerife, por la expedición de Oceana. La expedición de Oceana, en colaboración con la Fundación de la Biodiversidad, ha hallado una decena de especies en aguas de las Islas Canarias cuya existencia en el archipiélago era desconocida hasta ahora.» [20 Minutos]

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

Ao contrário do que sugere a fotografia Francisco Louçã estava a falar verdade ao ter dito no programa dos Gatos Fedorentos "nunca usarei gravata". Resta agora investigar em que circunstâncias usou gravata, se estava a ensaiar a postura de primeiro-ministro para o dia em que conseguir roubar os votos do PS ou se estava a vestir-se para ir fazer a primeira comunhão.

O Jumento consegui provar que os votos dos militantes do PSD têm mesmo preço!

Quem n]ao se incomodou nada com o negócio dos votos dos militantes do PSD foi António Borges que, fiel aos seus princípios liberais, considera que tudo o que se compra ou vende é uma mercadoria que deve ser colocada no mercado. Por isso mesmo já combinou com Belmiro de Azevedo que a grande novidade dos 50 Anos da SONAE que hoje estão a ser comemorados no Porto vai ser a colocação à venda dos votos dos militantes do PSD nas bancas da rede do Continente.

Quem poderá não gostar desta opção é Manuela Ferreira Leite que teria preferido reservar este negócio para o seu pacote de ajuda às PME.

JUMENTO DO DIA

José Manuel Fernandes, director do jornal "Público"

É preciso muita imaginação para ignorar que a liderança de Manuela Ferreira Leite está inquinada pela vergonhosa compra de votos de militantes feita por António Preto e equiparar este caso à velha questão da licenciatura de José Sócrates. Só alguém que vê a democracia a partir do furinho de saída do intestino grosso pode comparar qualidade das habilitações de Sócrates com a destruição indigna dos mais elementares princípios da democracia.

Pessoalmente não pediria a Sócrates que me desenhasse uma casa, da mesma forma que não votaria nalguns dos nossos melhores arquitectos para primeiro-ministro. Mas sentiria vergonha de mim próprio se votasse num primeiro-ministro de uma democracia europeia depois de ter chegado a líder de um partido graças aos votos comprados por um cacique.

É isto que está em causa, a credibilidade da própria democracia, mas José Manuel Fernandes não é director do Público para informar, há muito que o director do Público chamou a si o papel de decidir quem vai governar Portugal. Só é pena que ainda escreva editoriais sobre Manuela Moura Guedes a rezar pela independência dos jornalistas... Talvez fosse mais interessante explicar como é que o Público mudou de posição em relação ao Governo a partir do momento em que Sócrates não escolheu a localização desejada pela SONAE para o novo aeroporto de Lisboa.

UM LOUÇÃ DEFORENTO

Um líder do proletariado que se preze leva tudo a sério, Louçã não poderia ir a um programa humorístico de grande audiência dizer piadas como fazem os líderes dos partidos burgueses. Ainda por cima, os revolucionários não podem perder uma oportunidade oferecida para fazer a sua mensagem.

Foi o que fez Louçã no programa dos Gatos Fedorentos, como é um líder mais sério do que todos os outros e pensa na revolução cada minuto da sua vida. O resultado foi um cara de pau deprimente, tentando desesperadamente transformar um programa humorístico num tempo de antena pessoal sem direito a qualquer contraditórios.

Frustrado pela tareia que Sócrates lhe deu no debate televisivo o líder do BE tem dedicado toda a campanha numa tentativa desesperada de demonstrar que o seu programa não diz aquilo que é evidente. Este é um Louçã derrotado, desmontado, desmascarado e em decadência acelerada a tentar desesperadamente a sobreviver à queda nas eleições. Talvez tenha sorte, as eleições são já daqui a pouco mais de uma semana porque esta campanha eleitoral ficará na memória de Louçã como o princípio da desmistificação do BE.

O Louçã foi ao programa dos Gatos Fedorentos e comportou-se como um Louçã fedorento, tresandando bafio.

AVES DE LISBOA

Chapim-azul [Parus caeruleus]
Local: Bairro de Santos [25-01-2009]

FLORES DE LISBOA

No Jardim Botânico

O NOTÁVEL SENTIDO DA OPORTUNIDADE DE CAVACO SILVA

«O alerta é do Presidente da República: “Os meses que aí vêm serão difíceis e o ano de 2010 não será fácil”, refere num artigo publicado na revista ‘Egoísta’, dedicada ao tema ‘Crise de Bolso’, em formato reduzido.

Cavaco dá uma nota de confiança aos portugueses, mas refere que é possível que Portugal enfrente um período de contracção económica “mais prolongado do que muitos pensariam no início da crise”. » [Correio da Manhã]

Parecer:

Só não entendo porque razão Cavaco optou pela revista "Egoísta” para mandar estes palpites, fazia todo o sentido que o tivesse feito num tempo de antena do PSD!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Este "presidentito" está a perder a credibilidade.»

FERREIRA LEITE DESCONHECE COMPRA DE VOTOS

«A edição online da revista Sábado noticiou quarta-feira que é prática corrente a "compra" de votos a militantes das várias secções de Lisboa do PSD, a quem os candidatos pagam as quotas em troca do voto nas eleições internas.

Questionada hoje sobre este assunto no Fórum da TSF, Manuela Ferreira Leite disse que a notícia é "sobre factos que desconhece e sobre atitudes que evidentemente condena".

"É um assunto que está a ser retomado a oito dias [do fim] da campanha eleitoral. Vamos ver quantas mais notícias vão surgir, é uma história dentro da campanha", afirmou, recusando responder se, depois das eleições, admite investigar o tema.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Pois, o António Preto esqueceu-se de lhe dizer.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

NEM O VELHO AMIGO RAJOY CONCORDA COM FERREIRA LEITE

«Mariano Rajoy é "favorável à conexão entre Lisboa e Madrid por uma linha de alta velocidade". O presidente do Partido Popular espanhol, contactado através do seu gabinete, sustenta, em declarações exclusivas ao DN, que a ligação de TVG entre os dois países vizinhos "fortalece a integração, o desenvolvimento e é boa para os dois lados".» [Diário de Notícias]

Parecer:

Pois.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento a MFL.»

DISTRITAL DO PSD VAI INVESTIGAR COMPRA DE VOTOS

«Conselho de jurisdição da distrital do PSD de Lisboa vai instaurar um processo de averiguações à alegada compra de votos em campanhas internas.
Em comunicado, o conselho de jurisdição da distrital do PSD de Lisboa adianta que vai reunir-se sexta-feira "extraordinariamente para as primeiras diligências" do processo de averiguações. »
[Jornal de Notícias]

Parecer:

Pois, mas como a compra de votos é crime público quem deve investigar é o Ministério Público.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte a Pinto Monteiro s teve conhecimento dos indícios fortes do crime.»

AO QUE PARECE A PGR ACHA QUE NÃO HÁ CRIME

«O nervosismo tomou conta da campanha do PSD. O caso António Preto e as sondagens que colocam Manuela Ferreira Leite atrás de José Sócrates trouxeram desorientação à comitiva laranja num dia desenhado para fugir a outra controvérsia: o TGV e a querela espanhola. Por enquanto, as denúncias de compra de votos por António Preto para as eleições na distrital de Lisboa do partido não vão ser investigadas pela Procuradoria-Geral da República.

“Os factos tal como são relatados na imprensa não preenchem qualquer tipo de crime, situando-se a questão no plano político. Não há, por ora, fundamento legal para abrir inquérito”, disse fonte do gabinete de imprensa da PGR, questionada pelo PÚBLICO sobre o assunto.» [Público]

Parecer:

E nas casas supostamente desenhadas por Sócrates havia?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

ILYA RASHAP

ZEISS