Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Estranha forma de democracia (2)

A ideia de Manuela Ferreira Leite, de que o PS não pode governar com o seu programa, não é nova, pelos comentários parece acolher opiniões favoráveis e pelo discurso político de Cavaco Silva pode ser a fórmula desejada pela equipa dos “belenenses de Boliqueime”. Aliás, as insistências de Cavaco Silva para que fossem feitos pactos de regime com o PSD de Marques Mendes, as exigências de maiorias alargadas e os apelos de unidade que Cavaco fez na sua cerimónia paralela do 5 de Outubro apontam nesse sentido. Este discurso também não é novo em Manuela Ferreira Leite, chegou a interromper a sua exigência de suspensão das grandes obras públicas para, como Luís Filipe Menezes já tinha feito, sugerir que nas decisões relativas a estas obras o PSD tivesse uma palavra a dizer.

Se questionar a legitimidade de governar com 36% dos votos é um exercício intelectual legítimo, também o será questionar se deve ser Sócrates a escolher todos os membros do governo ou se deve limitar a escolher apenas um terço do governo ficando a escolha dos restantes a quem representa os restantes eleitores. Mas se é legítimo colocar este tipo de questões com 36% porque não o fazer com qualquer resultado eleitoral? Não vejo nenhum motivo que justifique adoptar os programas dos partidos da oposição apenas por uma margem de 8% dos votos, os necessários para a maioria absoluta. Se no plano dos princípios a proposta de Manuela Ferreira Leite é válida também o seria no caso de o partido no poder contar com uma maioria absoluta. Só não o seria se fosse o PSD a governar, Cavaco Silva já governou com 35,11% dos votos e não me recordo de o ouvir falar em unidade, pactos de regime e, como se sabe, nem se dava muito ao trabalho de ir ao Parlamento. Bem, também não me recordo de a UDP, PSR ou PCP se terem batido tão violentamente contra as maiorias absolutas da direita, mas isso são contas de outro rosário.

Se no plano dos princípios é possível especular sobre a solução defendida pela líder do PSD, resta saber como poderia ser implementada. Por exemplo, o ministro da Economia deveria adoptar do programa do PSD o apoio às PME, do PCP o apoio às micro-empresas e do programa do BE a expropriação das empresas do sector energético? No domínio da energia seria de esperar a continuação da aposta nas energias renováveis, a construção de uma central nuclear por conta da direita e a oferta de bicicletas para atender às preocupações do BE. Não imagino o que fazer em relação às chamadas questões fracturantes, imagino que para atender à direita o PS deveria voltar a condenar o aborto, em nome do BE legislaria sobre a adopção de crianças por casais homossexuais cuja legalização tinha sido viabilizada pelo PS com o apoio do BE e do PCP.

Calculo que nesta situação todas as votações seria adoptadas por consenso e unanimidade, o que deixaria Cavaco e o seu clube de assessores, os Belenenses de Boliqueime, felizes com tanta unidade nacional. E o que fazer nas próximas eleições, contra quem votaríamos? Bem, votaríamos contra a maioria relativa de Sócrates e não faltariam motivos, pela opção nuclear, pelo fim da instituição família, pelas expropriações, etc.. Em alta ficaria Cavaco Silva, por ter conseguido a unidade nacional.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Sintra

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva

Cavaco Silva sentiu necessidade de vir explicar a sua ausência nas comemorações do 5 de Outubro, argumentando que houve vários precedentes. Nesse ponto tem razão, mas o problema é que Cavaco não se limitou a estar ausente das comemorações oficiais, aproveitou a data para organizar comemorações paralelas no Palácio de Belém, numa tentativa de tratar da sua imagem.

AVES DE LISBOA

Chapim-real [Parus major] Local: Quinta das Conchas

FLORES DE LISBOA

No Palácio do Monteiro-Mor

A POLÍTICA E AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

«Deixei Portugal num estado de grande perplexidade, como eu próprio fiquei, a seguir ao discurso (incompreensível) do Senhor Presidente da República. Iríamos entrar num conflito institucional insolúvel, à saída de um acto eleitoral, claro e limpo, que deu ao PS uma vitória confortável, embora sem maioria absoluta, e num momento nacional de crise aguda, que importa, acima de tudo, ultrapassar? E, para mais, à entrada de eleições autárquicas de grande importância? Saí muito preocupado, confesso, temendo o pior.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Mário Soares.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

EU CONSPIRO, TU CONSPIRAS, ELE CONSPIRA, NÓS CONSPIRAMOS

«Só que ver Cavaco Silva assumir tão convictamente o seu papel de comadre agrava tudo, porque aquilo que costuma ser sussurrado ao ouvido transformou-se subitamente numa declaração para todo o País. Em vez de fato e gravata, o Presidente da República deveria ter aparecido de xaile de lã preta pelas costas - o cenário ficaria bem mais composto, tendo em conta aquilo que ele (não) tinha para dizer. Defendendo que os assessores do Presidente têm todo o direito de partilhar com o mundo os boatos que circulam pelas suas cabeças ("qual é o crime?"), Cavaco inaugurou um novo capítulo na história da teoria política e deu abrigo institucional aos mais aberrantes delírios. E a coisa, evidentemente, não vai ficar por aqui.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por João Miguel Tavares.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

GOVERNAR À ESQUERDA

«Aqui, muita atenção às palavras. Reparem que, para eles, "governar à esquerda" significa governar com cedências e acordos com o Bloco de Esquerda e PCP. Para estes políticos passionais, o facto de o PS poder governar sozinho em minoria, negociando pontualmente no Parlamento não significa "governar à esquerda". Para o PS ser de esquerda tem de contar forçosamente com os desejos do PCP e do Bloco. Trata-se, sem dúvida, de uma interpretação original. Mas é nestes instantes que importa lembrar ao Bloco e ao PCP que, embora tivessem crescido nas últimas eleições, ocupam ainda um espaço minoritário. Percebo o objectivo, mas convém não esquecer que PS e PSD (e CDS) ainda representam o grosso essencial do eleitorado. E há uma lista interminável de matérias a respeito das quais as pontes entre PS e PSD são mais claras do que as existentes entre os partidos de esquerda. Os eleitores do PS não foram os eleitores do Bloco. É simples.» [Diário Económico]

Parecer:

Por Pedro Lomba.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MAIS UM PROCESSO POR DÉFICE EXCESSIVO

«Portugal, Áustria, Bélgica, República Checa, Alemanha, Itália, Holanda, Eslováquia e Eslovénia juntam-se assim a um grupo de 11 países que já é alvo do procedimento previsto no Pacto de Estabilidade e Crescimento para os países com "défice excessivo".

Fonte comunitária explicou à Lusa que as actuais aberturas de procedimento de défice Excessivo não assumem a gravidade habitual porque os desequilíbrios generalizados são considerados "excepcionais" por resultarem de "uma recessão económica grave".» [Diário de Notícias]

Parecer:

Isto é uma farsa, se não tivessem havido défices excessivos teriam havido em consequência do agravar da crise.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelo desenrolar do processo.»

ALEC EE

GREEN PARTY

Terça-feira, Outubro 06, 2009

Estranha forma de democracia

Manuela Ferreira Leite, a líder do PSD em regime de gestão, foi a Alcobaça dizer o que pensa de com se deve governar quando não se conta com uma maioria absoluta, só resta saber se esta posição é meramente pessoal ou, como Ferreira Leite nos habituou, antecipa a opinião de Cavaco Silva. Ferreira Leite defendeu que Sócrates não deve governar com o seu programa porque não tem a maioria absoluta deve governar com um programa que respeite o parlamento.

Este tipo de raciocínio não é novo, no início da legislatura Cavaco Silva foi um defensor dos pactos, só os esqueceu quando Menezes liderou o PSD e nunca mais pensou nisso quando Menezes cedeu o lugar a Manuela Ferreira Leite. Aliás, por várias ocasiões Cavaco Silva assou por cima da Constituição e vetou diplomas com o argumento de que deveriam ter sido aprovados com uma maioria alargada, o mesmo é dizer que mesmo tendo o PS a maioria absoluta Cavaco Silva achava que para alguns temas (nunca disse quais) essa maioria absoluta era insuficiente.

Seguindo o raciocino de ferreira Leite o governo do PS deve ser um governo com um programa fornecido à consignação pelos partidos da oposição. Resta saber se esse programa deve ter contributos e todos os partidos ou se basta o contributo de deputados em número suficiente para contar com a maioria absoluta. O problema depois está em saber se os ministros do PS serão os melhores para executar propostas alheiras e Ferreira Leite vem defender que Sócrates deve convidar os outros partidos a indicarem ministros.

Manuela Ferreira Leite tem um problema com programas, quando o PS governava com maioria absoluta queixava-se de que este partido lhe roubava as propostas, até chegou a passar meses em silêncio para evitar que Sócrates roubasse as suas brilhantes ideias, resultado da mistura dos telefonemas para Belém com os artigos do filósofo da Marmeleira. Quando se candidatou ao lugar de primeiro-ministro apresentou-se sem programa com o argumento de que no seu mini programa apenas dizia o que ia mexer ou rasgar, agora que o PS governa sem maioria absoluta acha que deve aplicar os programas dos outros partidos, incluindo o seu.

Será que se Sócrates for buscar as propostas do programa do PSD a sua líder vai mandar os seus deputados votarem sempre a favor do Governo? Será que o próximo líder do PSD vai partilhar com Sócrates o ónus eleitoral da governação?

A opinião de Manuela Ferreira Leite é uma idiotice, mas pode ser uma idiotice inspirada em Belém o que nos tempos que correm não seria novidade. Cavaco Silva tem dado mostras de não saber ser Presidente da República, tem evidenciado muito pouco respeito pela maioria parlamentar, mesmo quando o Parlamento vota por unanimidade. Não ficaria nada admirado se Cavaco viesse a defender esta ideia peregrina de Ferreira Leite, usando o resultado das últimas presidenciais para se transformar num primeiro-ministro sombra, contando para isso com o apoio da direita ou parte da direita parlamentar, senão mesmo do PCP que nos últimos tempos anda muito apaixonado por Cavaco Silva.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Alfama, Lisboa

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva

Mais do que por uma questão de isenção, Cavaco não compareceu na cerimónia tradicionalmente organizada na Praça do Município para chamar a si o protagonismo da data, não era por aparecer a uns metros de António Costa que iria favorecer o candidato do PS a Lisboa, aliás, a imagem de Cavaco anda tão mal que seria mais provável que António Costa perdesse votos com tão inconveniente companhia.

Com o seu discurso cavaco Silva fez mais um acto da sua pré-campanha para as presidências, pré-campanha que teve início logo no primeiro dia do seu mandato. Ouvir Cavaco Silva apelar "um esforço acrescido para a concretização da ética republicana e para a transparência na vida pública" quase dá vontade de rir, será um exemplo de ética republicana o comportamento do seu ex-assessor para a comunicação ou a sua comunicação ao país repleta de inverdades? Será transparência a forma como ajudou a prolongar durante vários meses as falsas suspeitas que o seu assessor lançou sobre o primeiro-ministro?

UMA PERGUNTA A MANUELA FERREIRA LEITE

Não vai dar uma ajudinha a Pedro Santana Lopes na campanha autárquica de Lisboa? Sempre fica mais perto do que o Porto ou mesmo Alcobaça.

AVES DE LISBOA

Pato-marreco no Jardim do Campo Grande

FLORES DE LISBOA

No Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

O QUE TEM DE SER TEM MUITA FORÇA

«Rebelo da Silva era um romântico. Em 1848 - estava Karl Marx a publicar O Manifesto Comunista - Rebelo da Silva escrevia sobre as trombetas e as charamelas da praça de Salvaterra, os veludos do conde dos Arcos a cavalo, a dama que num camarote escondia as rosas vivíssimas do rosto, o touro negro que investe e espera que o corpo ferido do conde lhe entre nos cornos, a dor do velho marquês de Marialvas, que vinga a morte do filho, e o rei D. José que toma uma decisão. Disso Rebelo da Silva escreveu um texto célebre: A Última Corrida de Touros em Salvaterra. Claro que não foi a última, era conversa de romântico... Herdeiro do Manifesto de Marx, o Bloco de Esquerda fez um programa eleitoral em que diz o que lhe repugnam as touradas. O BE tem uma única câmara e, essa, é a de Salvaterra de Magos. É no Ribatejo, a sua festa maior é dos Toiros e do Fandango, e os seus doces mais conhecidos são os barretes. Qual o espectáculo preferido da presidente da vila, Ana Cristina Ribeiro, que é do BE? Touradas. Há quem veja contradição nisto. Eu prefiro ver a confirmação do provérbio quioco: "As águias voam alto mas têm de baixar para comer." Isto é, Ana Ribeiro só é, nisto, o que o BE há de ser, no resto, quando for preciso. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

QUANDO É OUTONO

«No PÚBLICO de ontem saiu uma crónica minha a dizer que, no dia anterior, tinha tomado o último e melhor banho de mar deste ano. Mais uma vez, bastou eu escrever para se tornar mentira. Porque ontem tomei um banho, na mesma Praia das Maçãs, ainda melhor e mais comprido. Hoje e amanhã é provável que piore ainda mais a mentira. Quem sabe? Não há maneira de saber. Mas a água estava uma esmeralda fresca, passe a poesia rasca. Só a fome de ver a minha mulher (e de almoçarmos uma posta descomunal de badejo, confesso) me arrancou dobalancé daquele berço atlântico que bóia como se o oceano ainda fosse o nosso líquido amniótico.

Compreendi então que o tempo português não é como os outros. Ninguém sabe quando começa o Outono: o Outono, em Portugal, é muito curto. Por isso deve-se apreciá-lo mais. Só resta adivinhar quando começa...

Em Setembro não foi, com certeza. Em Outubro - até aqui - só ocorreu a parte botânica e cinematográfica, das folhas vermelhas a cair. Compreende-se porque é que Orlando Ribeiro passou tantas noites sem dormir, antes de perceber que tanto éramos mediterrânicos como atlânticos; sulistas como nortenhos; africanos como europeus.

Acho que é em Novembro que vem o nosso Outono. Num Novembro já um pouco adiantado e invernoso, para não dizer miserável. Está feito com o Inverno, mas comprometido ainda com uma Primavera que já não ama mas que não pode desiludir.

O Verão é o que se vê; o contrário do futuro do verbo ver.» [Público]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

SANTANA LOPES FOI VER O PREÇO DAS MALAS DE VIAGEM NA FEIRA DO RELÓGIO

«Na Feira do Relógio , Santana esteve atento aos preços de malas de viagem. O candidato confessou que depois das autárquicas consegue tirar “umas feriazinhas”, antes da posse. “Talvez uma semana porque a tomada de posse na Câmara é daqui a três semanas”, explicou. Questionado sobre o destino, a resposta foi Figueira da Foz, porque nunca vai para longe, ou não fosse o responsável pela frase “vou andar por aí”, como o próprio recordou: “Antes dizia vou andar sempre por aí, agora vou estar aqui.”» [Correio da Manhã]

Parecer:

É um bom sinal, se vai comprar as malas à Feira do Relógio é porque vai viajar à sua custa, se viajasse à custa da CML o mais certo era comprar malas Luis Vuitton.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereçam-se umas malinhas de cartão a Pedro Santana Lopes.»

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TETU MAGAZINE