sábado, outubro 24, 2009

Entre Saramago e a Igreja que venha o diabo e escolha

Compreendo perfeitamente a inimizade entre Saramago e a Igreja, o primeiro é um comunista que durante toda a vida prometeu o céu na terra, por outro lado a Igreja exige sacrifícios na vida terrena e promete o céu aos defuntos. Comunistas e Igreja propõem o mesmo e disputam as mesmas almas, são concorrentes no mesmo mercado.

Saramago tem alguma razão ao embirrar com os livros sagrados das duas igrejas monoteístas, de facto não faz muito sentido que em pleno século XXI a humanidade seja condiciona nos valores ou no desenvolvimento científico por uma obra que não se sabe bem quem escreveu, que foi censurada dela sendo retirados os evangelhos apócrifos e interpretada por frades medievais.

É verdade que muitos foram mortos por carrascos que empunhavam a bíblia, ainda hoje cheira em locais como o Terreiro do Paço ou o Rossio. A Igreja tem um longo historial de violência, genocídio e morte, em nome dos seus princípios bíblicos povos foram escravizados, convertidos à força ou eliminados em nome de Deus. É Não é de esperar que a Igreja que levou séculos a reconhecer o erro da condenação de Galileu aceite as suas culpas nas orgias de morte e canibalismo dos cruzados ou a destruição das civilizações da América Central.

Mas se a Igreja nunca aceitará que a mesma obra que hoje invoca para aquilo que entende por defesa da vida foi durante séculos imposta pela espada, Saramago também não aceitará que uma boa parte dos seus heróis não são mais do que criminosos, nem mesmo o idílico Che se escaparia de umas quantas perpétuas se fosse julgado por magistrados e não por românticos. Em nome das obras do marxismo-leninismo foram chacinados povos, perseguidos todos os que se opuseram à ditadura do proletariado. Os carrascos de Estaline ou Pol Pot mataram com a mesma convicção dos os da Santa Inquisição. Nem sequer diferiram muito nos métodos de tortura e de julgamento.

Saramago tem razão, só é pena que não aplique os seus raciocínios às obras do marxismo-leninismo.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Cacilheiro

IMAGEM DO DIA

[Beawiharta / REUTERS]

«Este enfermo mental, llamado Totok, se ducha en la Fundación Galuh en Yakarta, Indonesia. Esta fundación, que fue fundada en 1982 por Gendu Mulatip, acoge a 285 enfermos.» [20 Minutos]

JUMENTO DO DIA

Vítor Constâncio, Governador do Banco de Portugal

Na hora de defender baixas ou congelamentos salariais o governador do Banco de Portugal é sempre o primeiro a aparecer. Até compreendo as preocupações de Constâncio com a política económica, ainda que algumas das suas intervenções o transformem mais num controleiro do que no representante local do Banco Central Europeu. Só lamento que nem o Banco de Portugal dê o exemplo nesta matéria nem Constâncio apareça para falar de muitos outros temas e ainda menos para defender correcções do profundo e injusto desequilíbrio de rendimentos que se verifica em Portugal.

AVES DE LISBOA

Cisnes no Parque Eduardo VII

FLORES DE LISBOA

No Parque das Nações

AMENO COMENTÁRIO SOBRE A FOME, A MISÉRIA E A POBREZA

«Não vejo um resquício de generosidade, uma minúscula fatia de sensibilidade humana nas últimas declarações do eng.º Francisco Van Zeller, patrão dos patrões da CIP. Pesarosamente o escrevo. O senhor surgia como um avô bondoso, voz limpa e pausada, voz sorridente se assim me posso exprimir. Agora, não. Parece outro homem. Até perdeu a dignidade do porte, Deus lhe perdoe. O eng.º Van Zeller opõe-se a quase tudo, menos aos interesses da classe que representa.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Baptista Bastos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

FERREIRA LEITE

«Manuela Ferreira Leite garantiu ontem ao Conselho Nacional que vai convocar eleições internas para a liderança do partido após a discussão do Orçamento do Estado para 2010, que deverá decorrer no primeiro trimestre do próximo ano.

O seu principal adversário e único candidato assumido à liderança falou logo a seguir e advertiu a direcção social-democrata que vai esperar pela marcação das directas. Pedro Passos Coelho deixou ainda subentendido que o processo de renovação de via ser mais rápido ao disparar com o "o pior cego é o que não quer ver". À hora do fecho desta edição, o conselheiro nacional ainda discursava e já uma bateria de inscrições para novas intervenções aguardava na mesa daquele órgão. Mas poucos membros da Comissão Política Nacional quiseram falar após a líder» [Diário de Notícias]

Parecer:

É evidente que Ferreira Leite quer escolher o seu sucessor.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Manuela Ferreira Leite que apoie António Preto.»

OUTRA VEZ CONSTÂNCIO

«O Governador do Banco de Portugal declarou que "se não houver realismo salarial haverá mais desemprego" em Portugal e apelou à "lucidez e sentido de Estado" dos líderes nacionais.

No Congresso Nacional dos Economistas, na Madeira, Constâncio apontou que os "ajustamentos a fazer são ainda difíceis, num contexto de concorrência internacional, sendo preciso grande persistência na realização das reformas" que são necessárias.» [Diário Económico]

Parecer:

Quando Vítor Constâncio der o exemplo com os funcionários do Banco de Portugal dar-lhe-ei ouvidos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se sentado.»

JOSEPHINE

MIDWEST TRADER

sexta-feira, outubro 23, 2009

As cotações de corredor dos funcionários públicos

Um dos aspectos mais interessantes na gestão dos serviços de uma Administração Pública que foi partidarizada ao longo de anos é o facto de os funcionários de muitos serviços já não valerem pela sua competência e honestidade, mas por uma cotação de corredor, que corresponde ao poder que se pensa que um funcionário tem em função das suas amizades com gente do poder. Já quando entrei para o Estado, vão mais de vinte anos conheci funcionários sem qualquer qualificação que nas cotações de corredor estavam quase ao nível dos directores-gerais.

Como se ganha esta cotação de corredor? Antes de mais pelos laços com o poder, basta ser militante do PS ou do PSD para se subir na cotação, se for militante do parido do pode sobe-se, mas se for militante do partido da oposição é-se respeitado porque com a alternância convém evitar militâncias. A partir daqui há todo um conjunto de parâmetros que podem valorizar um funcionário.

Se o funcionário for conhecido como sendo amigo de um alto dirigente do PS ou do PSD a sua cotação sobe exponencialmente, pouco importa se o dirigente for do partido da oposição porque a partir de certo nível as inimizades são apenas para consumo público. Se um funcionário se encontra neste grupo nem precisa de meter a cunha para alcançar os cargos que pretender, com a sua alta cotação é tratado como se fosse portador de uma espécie de passe social válido para ascender a todo e qualquer cargo ou para todas as promoções.

Depois há os conhecidos, basta ter-se a fama de se ter um namorico com algum figurão ou constar que se toma a bica do Sábado com alguém importante da praça para se subir na cotação, basta ser primo do primo ou pouco mais. Com uma Administração Pública onde nos lugares de direcção pontuam muitos cobardes e lambe-botas esta situação leva a quês haja uma total inversão de valores, a competência é desvalorizada em favor do amiguismo, a honestidade dá lugar a um sistema de cunhas.

Não bastam os “simplexes” para modernizar o Estado, não basta melhorar na aparência para manter uma máquina podre geradora de maus valores, onde muito inútil se torna um pequeno déspota e ainda é pago com dinheiro dos contribuintes.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Castelo de Almourol

IMAGEM DO DIA

[Javier Soriano/Agence France-Presse]

«Real Madrid forward Karim Benzema winced in pain during a soccer match against A.C. Milan at Santiago Bernabeu Stadium in Madrid Wednesday. Real lost 3-2.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Henrique Neto

É lamentável quando um economista não é honesto intelectualmente a comentar a política do governo e isso é muito mais grave quando esse economista é do PS, fazendo recear que a pouca honestidade pode resultar de ressabiamentos. Dizer que uma empresa privada, mesmo com uma golden share do Estado, é uma empresa do regime é pouco honesto, é menos ainda dizer que a EDP pode aumentar os preços sem dar explicações quando se sabe que não o pode fazer, e confundir os investimentos da EDP com investimentos decididos pelo governo é o cúmulo da desonestidade intelectual.

Há formas mais honestas de ter protagonismo político ou para protestar por não ser mimado no partido em que se milita.

O "NOVO" GOVERNO DE SÓCRATES

Parece que Sócrates não arriscou com a escolha dos ministros, evitando erros como o da escolha de Luís Cunha para ministro das Finanças. Estava à espera de mais arrojo, mas admito que mais do que de vedetas da comunicação social José Sócrates prefira gente que goste mais de trabalhar do que de dar palpites.

Todavia tenho algumas dúvidas, não estou certo de que o ministro da Defesa tenha perfil para o cargo, é um político que fala muito para se ouvir, gosta muito da visibilidade das televisões e sempre que tem oportunidade diz umas "bojardas". Para lidar com os militares é preciso ser um homem forte, ser dialogante e ter maturidade, o futuro ministro parece só ter a primeira das três qualidade.

Um segundo erro pode ter sido a manutenção de Mariano Gago, um ministro que não deixou muitas saudades nalgumas universidades. Mais do que ministro das universidades parece ter sido ministro do Técnico.

Agora importa esperar pelas escolhas dos secretários de Estado, esperando-se que Sócrates não volte a cometer os erros que cometeu na legislatura anterior, deixando aos ministros ou ao aparelho do PS a escolha de uma boa parte dos governantes. Em pastas como a educação ou a agricultura a escolhas dos secretários de Estado foram desastrosas.

AVES DE LISBOA

Andorinhas-doas-chaminés [Hirundo rustica]
Local: Parque José Gomes Ferreira

FLORES DE LISBOA

No Jardim Botânico

GROUXO TENDÊNCIA MARCELO

«O problema com alguns políticos não é tanto a obrigação de traduzi-los, esgaravatar nas vísceras ainda fumegantes, deitar búzios, enfim, tentar saber o que eles dizem. O problema é que, esses, dizem coisas de oráculo ("A senhora não é ingénua? Eu também não..."), tentamos encontrar algum sentido para isso e (é esse o problema!) nada encontramos. Já ouvir Marcelo Rebelo de Sousa não é problema nenhum. Claro, também temos de o traduzir, esgaravatar nas vísceras e deitar búzios - mas, no fim, sempre se encontra um sentido. Aliás, o problema com Marcelo é encontrarmos geralmente mais do que um sentido. Ele é críptico como todos os jogadores de xadrez o são, mas conduz-nos para a clareza do seu xeque-mate. Ou, pelo menos, pretende isso. Não há palavras grátis quando nos pomos a ouvir Marcelo. Mas como o jogo é esse (é sempre esse, é a única monotonia com Marcelo...) é refrescante ouvi- -lo. À rédea solta num lugar como o d'Os Gato Fedorento, ele é soberbo. Com ar de Buster Keaton, Manuela Ferreira Leite apontou para a "asfixia democrática"; com ar de Grouxo Marx, Marcelo falou de censura ao seu programa de domingo. Não me pronuncio sobre verdade das teses; digo é que a distância de uma para outro é igual à que vai do cinema mudo ao sonoro.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PSD, ESTADO DE EMERGÊNCIA

«O PSD perdeu quatro de cinco eleições legislativas, realizadas no pós-cavaquismo. Em 14 anos de exercício de poder governativo, esteve na sua liderança menos de três anos.

Com a derrota nas legislativas de Setembro vão passar 18 anos em que se limitará a ter exercido responsabilidades governativas em escassos 16 por cento desse período temporal! Em 27 de Setembro obteve 29 por cento de votos, o pior desempenho em 30 anos, enquanto partido de oposição (igualando o resultado da injustamente "diabolizada" liderança de Pedro Santana Lopes)! Tudo isto após quatro anos de governação socialista crispada, tur-bulenta e contestada, como nenhuma outra o havia sido antes.

José Sócrates, em pouco mais de quatro anos, confrontou-se com cinco presidentes do PSD (Durão Barroso, Santana Lopes, Marques Mendes, Ferreira Leite e comigo próprio)! Nos últimos seis anos a oposição democrática espanhola é liderada pelo mesmo político, Mariano Rajoy, que já perdeu duas eleições legislativas e que se prepara para ser candidato de novo a chefe do Governo daqui a três anos!

Se enquadrarmos todo o período pós-cavaquista, confirma-se a regra da instabilidade doentia. O PS teve, desde então, três secretários-gerais (Guterres, Ferro Rodrigues e Sócrates) e os sociais-democratas tiveram "só" sete presidentes (os atrás referidos e ainda Marcelo Rebelo de Sousa e Fernando Nogueira). Paradoxalmente, três deles não tiveram sequer a oportunidade de sobreviver à permanente conspiração intrapartidária e submeterem-se ao sufrágio do eleitorado.

Se este quadro é por si só muito preocupante, a situação actual somou-lhe novos ingredientes que o tornam pré-apocalíptico. No Parlamento, ganharam um novo protagonismo quantitativo os partidos minoritários das franjas do sistema (CDS e BE). O Presidente da República fragilizou-se com as últimas intervenções públicas e colocou-se em dificuldade para a corrida da reeleição. O PS, ao recuperar um diferencial de 18 presidências de câmara, posicionou-se na pole position para o próximo embate autárquico, estruturante, porque vão sair de cena mais de uma centena de autarcas - a larga maioria, cerca de oitenta, sociais-democratas. Ou seja, um PSD fragilizado na importante frente parlamentar vê ameaçados os seus outros redutos de afirmação de soberania - a Presidência da República e o poder local. O cenário da desagregação, ainda não evidente, tem que ser imediatamente contrariado. O sistema político português pode, a partir de agora, seguir dois caminhos: o da consolidação de um partido hegemónico que se apoia circunstancialmente em partidos minoritários da esquerda e da direita, ou o de retomar um bipartidarismo consistente. O segundo cenário é o ideal e o que mais preserva a defesa de uma sociedade plural. Para isso é necessário um PSD forte, credível e renovado.» [Público]

Parecer:

Luís Filipe Menezes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

UM COLÉGIO QUE PAROU NO TEMPO

«Banhos gelados, agressões com uma moca ou uma escova e a chamada bofetada de "luva castanha". Estes foram alguns dos castigos relatados por alunos do Colégio Militar ao Ministério Público (MP) e investigados à lupa. Em cinco dos episódios, o MP considerou não haver crime, mas sim disciplina, e arquivou. Mas os maus tratos infligidos a quatro alunos por oito colegas mais velhos deverão chegar a tribunal.

De acordo com um amigo de B.A., uma das vítimas de 14 anos, eram comuns "os banhos gelados, pendurar alunos pelas pernas na janela do refeitório, ou chamar os alunos mal comportados à casa-de-banho de porta fechada", disse o colega da vítima ao MP, segundo o processo que o DN consultou. » [Diário de Notícias]

Parecer:

O espectáculo dado pela manifestação de pais e de antigos alunos do Colégio Militar foi um espectáculo lamentável, não tanto pela presença dos manifestantes mas pelo aproveitamento ridículo feito pelo director do colégio. A verdade é que as práticas "educativas" ali praticadas são pouco dignificantes e o director deveria estar envergonhado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao director do colégio que se demita.»

AINDA A MINISTRA NÃO TOMOU POSSE E A FENPROF JÁ FAZ AMEAÇAS

«Depois de se ter encontrado com o PCP, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, foi à Lapa, reunir-se com Manuela Ferreira leite, na sede do PSD. No final, o sindicalista salientou que está confiante que haja um novo ambiente de diálogo para a resolução da suspensão do actual modelo de avaliação dos professores e da revisão do estatuto da carreira docente. Mas avisou: «Se for preciso, para os resolver, voltar para as ruas, nós voltaremos». » [Portugal Diário]

Parecer:

Será um erro aceitar a chantagem da Fenprof, Sócrates ganha meia dúzia de votos de professores mas perde o voto dos pais.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o Mário Nogueira à fava.»

INGLESES MANDARAM TODA A DOCUMENTAÇÃO DO FREEPORT

«As autoridades britânicas já enviaram todos os documentos solicitados pela equipa do Ministério Público (MP) que investiga o caso Freeport, o que permitirá aos procuradores, investigadores e peritos envolvidos no esclarecimento da aprovação do outlet de Alcochete perceber o chamado "rasto do dinheiro".» [Público]

Parecer:

Quase aposto que antes de ser lida pelos investigadores vai ser publicada nos jornais.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aposte-se.»

IRIHA

VW