sábado, dezembro 12, 2009

O simplesmente deputado

Passei ao lado da palhaçada parlamentar de Sua Ex.ª. Dra. Nogueira Pinto porque não sou grande apologista das boas maneiras parlamentares, estou tão interessado em saber o que a digníssima esposa do senhor doutor não sei quantos chama aos deputados dos outros partidos como em saber se no momentos de esplendor orgásticos a deputada apela à presença divina ou chama nomes feios ao marido.

Cá por mim há uma grande semelhança entre a cama e o hemiciclo e não a insinuar que em ambos os casos estamos perante um bordel, sendo certo que no segundo as putas têm a mania de usar bigode, o que não é o caso de Sua Ex.ª a doutora de que falamos. Acho que a cama e o hemiciclo são dois sítios onde cada um diz o que lhe apetece, na cama diz-se o que vai no corpo, no hemiciclo diz-se o que se pensa, o que não se pensa, o que nos mandam dizer e, no caso da esmagadora maioria dos deputados nem dizem nada, chegam ao fim da legislatura em plena virgindande sem terem experimentado um momento de desabafo parmanetar.

Mas hoje ouvi um belo argumento em defesa da prima dona da direita, não mer perguntem a quem ou em que estação, era a única estação que o rádio sintoniza, o que assegura que ainda vou ouvindo umas missas de vez em quando, quanto à personagem não me dei ao trabalho de lhe tentar saber o nome. A pobre alma perdoava Sua Ex.ª. Dra. Nogueira Pinto argumentando que ela estava tão acima do baixo nível do parlamento que tinha o direito a tratar os outros deputados por palhaço.

Durante todo o programa a deputada era tratada por Dra. Nogueira Pinto e o deputado por “melga”, aliás, mais ou menos o mesmo sucedeu com a generalidade da comunicação os títulos das notícias eram invariavelmente “Nogueira Pinto chamou palhaço a deputado do PS”, até parece que um é apenas deputado e a outra foi eleita a prima dona do parlamento.

Esta abordagem não é nova, ara uma boa parte da nossa direita é uma chatice terem de ir a eleições para governarem de vez em quando, quando deveriam governar sempre já que só a direita é competente. Ninguém como Vasco Graça Moura conseguiu expressar este desprezo pelo voto popular chamando idiotas aos eleitores por não terem votado na sua pileca.

É evidente que o mandato de deputada da Sua Ex.ª. Dra. Nogueira Pinto vale mais do que o do “melga”, a primeira foi eleita por gente fina, o outro foi eleito por gente rasca, aliás, é uma pena que não haja diferenciação do números de deputados eleitos em função do rendimento per capita. Fazia todo o sentido que a Quinta da Marinha elegesse dois ou três deputados enquanto Alfama se ficasse pela escolha do presidente da junta, é inaceitável que alguém que veste Boss e se perfuma com Dior esteja tão representado como o que usa ténis com cheiro a cholé, comprados da loja do chinês.

Na génese das ditaduras está este conceito de superioridade de um grupo social, esta abordagem nem sequer é um exclusivo da direita, Álvaro Cunhal chegou mesmo a escrever um livro com o título “A superioridade moral dos comunistas”.

Note-se que este tipo de valores não se manifesta apenas na política, compare-se a forma como o nome de Armando Vara e o de Horta e Costa foram tratados pela comunicação social e pela própria justiça, de um dizem coisas que não provaram e foi o que se viu, ao outro que participou num negócio de milhões quase lhe pediram desculpa por o terem acusado. Há uma grande diferença entre nascer numa aldeia transmontana ou em Cascais, uns são gatunos, com os outros deve haver engano, um é condenado muito antes de haver provas e acusação, o outro vai a tribunal para ter a oportunidade de esclarecer tudo.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Loja de vinhos, Cascais

IMAGEN DO DIA

[Reuters]

«Models walk in a lingerie fashion show by Triumph International in Mumbai.» [The Washington Post]

[Amy Sancetta-AP]

«Fawn Man, a bearded collie, runs with handler Greg Strong in the competition ring at the Crown Classic Dog Show in Cleveland, the last big national dog show before the Westminster Show in New York City.» [The Washington Post]

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva

Como era de esperar Cavaco Silva aproveitou o repto que lhe foi lançado para fazer campanha pessoa, recordando-nos os tempos em que governou sem maioria absoluta, outra coisa não seria de esperar pois nem Cavaco está interessado em instabilidade, nem consegue colocar os interesses do país à frente da sua campanha presidencial. Cavaco Silva está em campanha para ser reeleito desde o dia que tomou posse.

Só que ao lembrar o seu governo esqueceu-se de muita coisa, o líder da oposição não era uma senhora sem dimensão e que actua motivada pela raiva, não teve de enfrentar alianças entre um partido de direita e a extrema-esquerda e, tanto quanto me recordo, a oposição não se coligou para usar os poderes do parlamento para se substituir ao governo. Além disso tinha como Presidente Ramalho Eanes, um homem cujos assessores nunca ultrapassaram os limites nem se envolveram em conspirações golpistas. Se Portugal tivesse agora um Presidente como o que Cavaco teve não contar com uma maioria absoluta não seria um grande problema.

UM POST DO VISITANTE BETTENCOURT DE LIMA

«Do alto do monte – Conto de Natal

... Pacheco deixa arrastar a âncora, perde o norte e encalha. Com a água pelo pescoço, agita-se freneticamente, mas não pede ajuda. Da sua boca, houve-se, disparadas, as palavras: «....Sócrates maldito... Corrupt… Soc.... glu.... glu.... gl....». Depois, silêncio. Do alto do monte, o velho assiste à cena e abana a cabeça. Um pensamento, todavia, absorve-o... nunca mais acabam com a publicidade no canal público… «Comenda!!!», berra, olhando ligeiramente por cima do ombro. O fiel amigo, ouvindo a voz do dono, aproxima-se correndo nas quatro patas e agitando a cauda num frenesim. O velho pousa a mão direita sobre a cabeça do cão e faz-lhe distraidamente uma festa. «Comenda...» diz novamente... … agora que a golden share vai à vida, o Belmiro pode outra vez tentar vender aquilo aos bocados e fazer uma pipa de massa,» e conclui com tristeza... «O país afunda-se». O rafeiro desanimado volta a deitar-se em cima do jornal. O velho cogita. A vida passou depressa. Como num filme agitado, imagens apressadas percorrem-lhe o pensamento. Olha novamente para o sítio onde desaparecera Pacheco. Nunca gostara muito dele. A situação piorara depois daquela insistência obsessiva com que alimentara os ódios dela e a conduziu àquela derrota estrondosa. Olhou demoradamente para o mastro que boiava no sítio do naufrágio. Julgou ver um objecto que emergia. Semicerrou os olhos, concentrando-se na imagem. Pareceu-lhe ver um dedo espetado, depois um punho e, finalmente, o corpo de Pacheco emerge de rompante à superfície separando as águas com estrondo. O mar devolvia Pacheco à vida. Os pulmões de Pacheco congestionados recusam-se a aceitar o sopro da vida. Pacheco estrebucha e consegue, num ronco cavo, começar a respirar. Os olhos arregalados percorrem a costa em redor, ávidos de vida. De repente, Pacheco avista o velho no alto do monte, e, na sua agitação, confunde-o com Deus. Não era Deus, longe disso, mas, para Pacheco, aqueles cabelos desgrenhados e a cara bexigosa personificavam o Criador e o milagre do seu regresso à vida. O mastro arrastado pela corrente dá à costa e, com ele, Pacheco. Sentindo terra firme, Pacheco beija a rocha e enterra fundo as mãos na areia. De repente, ouve uma voz. Era uma voz sem som, que se lhe cravava no cérebro. Uma voz simultaneamente maternal e paternal, que lhe fazia lembrar recordações de infância. Maternal porque o aconchegava, o acarinhava e lhe dava segurança. Paternal porque se tornava rapidamente exigente, não lhe dava espaço para solilóquios e o encurralava. Esta era mesmo a voz de Deus. “Pacheco”, disse a Voz, “Eu amo todas as coisas, vivas ou inertes. A uma espécie dei consciência e responsabilidade. Nesta espécie não dei a todos as mesmas condições de vida. Tu nasceste privilegiado, com carinho, bens materiais e numa família de antigas tradições. Cresceste e fizeste-te homem. No meio onde vives, foste considerado e admirado por fazeres muitas concessões à liberdade de pensamento e, fartas vezes, sorri quando abocanhavas aquele teu correligionário mulherengo.” Mas”, continuou a voz, “algo explodiu dentro de ti e, de repente, dei contigo a vociferar, escumar e arrastar a barriga pela lama. Pacheco, Eu não te fiz réptil! Devolvi-te a vida. Sê Homem.” Pacheco chorou primeiro silenciosamente, depois convulsivamente, mas o rosto resplandecia. O choro era de alegria, e murmurou: “Deus é grande”. E, na costa, vinda não se sabe de onde, espraia-se a Ode à Alegria do compositor surdo.

Bettencourt de Lima»

CUSPIR NO PRATO ONDE SE COME

Rui Hebron coloca n'"A Escada de Pensroe" um post que é quase um manifesto anti-cuspo, só peca por colocar a imagem de um escarrador pois aquilo a que assitsimos neste país é muita gente a escarrar no prato onde come, gente que enriqueceu à custa dos portugueses sem terem dado nada ao país e que agora se sentem grandes demais só porque os portugueses não elegem os governantes que lhes iria servir a sobremesa.

Vale a pena ler o post "Não digas. Não cuspas...":

«É talvez uma das notas do provincianismo português, que já Pessoa detectava nos basbaques que se maravilhavam de boca aberta das monumentalidades alheias. O sentido pacóvio dos espantos alarga-se muitas vezes à ideia do país como uma espécie de fatalidade do mal, onde só o que é pulha triunfa. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. É verdade que esse traço persistente de desvalorizar tudo à nossa volta, essa menorização do país, essa ideia de que tudo o que é nacional é mau, refinou-se de forma surpreendente. Alguns por puro analfabetismo, outros por sobranceria intelectual, outros ainda por um sentimento de inveja (visível, apesar de disfarçado), dão curso a essa retórica pacóvia e vazia de apoucamento. Parece que não gostam do sol, nem do mar, abominam a realidade e inventam universos em que, provavelmente, eles são reis e felizes na doce ilusão de um paraíso perdido para consumo próprio. Muitos deles têm responsabilidades no estado a que chegámos, mas falam como se jamais tivessem posto a mão na coisa pública. Dizem nada aos costumes. É um discurso que rende, geralmente associado a um catastrofismo idiota, apaniguados do quanto pior melhor, trampolim para a glória dos painéis de comentadores de televisão (sempre os mesmos, claro) ou para colunas de cátedra de jornais onde destilam venenos (Vasco Pulido Valente) e dilúvios (Medina Carreira). Também ilustres milionários, que dilataram cifrões à sombra do Estado, à mínima beliscadela nos seus interesses logo se apressam a ameaçar com a ida para o estrangeiro.

Ainda a semana passada, Vasco Graça Moura retomava o seu registo apocalíptico da actualidade: ele só vê porcaria na banda dos socialistas, que derrotaram por voto popular o partido em que milita VGM e de onde, por sinal, tantas porcarias têm emergido (basta lembrarmo-nos dos figurões do BPN). Mas essas serão porcarias quimicamente puras… «O país votou nessa cambada. O país prefere a porcaria. Já está formatado para viver nela e com ela», escreve Graça Moura. Faziam bem, ele e os outros arautos que gostam de parir ideias abaixo de zero, em parar um pouco para lerem um aviso de Virgílio Ferreira (Escrever, página 215), que aqui com gosto e a custo zero lhes ofereço: «Não digas. Não digas mal do país, ou seja, de ti. Terás talvez a ideia de que o dizeres mal te separa do resto e te alça a ti a uma posição altaneira. Não penses. Fazes parte daquilo em que cospes, és pertença dessa sujidade. A grandeza de uma ofensa tem que ver com ela própria. A grandeza do cuspo é o escarrador que és tu. Aprende o orgulho de ti na grandeza ou na miséria. E se queres condenar a miséria que também é tua, fala um pouco grosso que não te fica mal. Podes talvez lamentar mas não escarnecer. Se cospes tornas visível o cuspo naquilo em que cuspiste. Como queres que os outros te respeitem se tu mesmo não o fizeres? Para o lixo há recipientes apropriados em que esse lixo não se vê. Não cuspas mais no país para que os outros não se enojem do cuspo em que revelas a terra que é tua e que, portanto, és tu». Não digas. Não cuspas...»

Sobre Vasco Graça Moura que perante a falta de escarrador parece optar por escarrar nos seus artigos do DN vou contar aqui uma história. Em tempos ele foi o responsável pela segurança social numa mesma altura em que um amigo meu era director dos serviços em Bragança. Esse meu amigo veio a Lisboa reunir com o VGM e tudo correu na maior normalidade, só que quando chegou a Bragança no seu lugar já estava um homem da confiança de VGM.

Passados muitos anos o VGM voltou a encontrar-se com esse meu amigo numa qualquer cerimónia, não reparando que estava a falar com o director de Bragança que ele tinha demitido sem ter tido a dignidade de o informar na reunião que teve com ele no mesmo dia em que o substituiu. Mas como cá se fazem, cá se pagam desta vez tinha sido o VGM a ser demitido da Comissão para os Descobrimentos Portugueses, lamuriava-se de que o tinha sabido pela comunicação social.

A vida tem destas partidas e perante o choradinho do VGM esse meu amigo, num gesto de pena, disse-lhe que compreendia muito bem o que lhe estava a suceder, há muitos anos, quando era director em Bragança, tinham-lhe feito o mesmo. Só nesse momento o VGM percebeu que se estava a queixar a quem tinha demitido em condições ainda mais indignas do que supostamente tinha acontecido consigo.

VFM tem toda a razão, neste país há mesmo muita porcaria e, pior do que isso, há porcaria como ele quem nem sequer é reciclável, é mesmo porcaria.

O PSD ESTÁ A VENCER NO CAMPEONATO DA CORRUPÇÃO

Se considerarmos o que se tem passado nos últimos cinco anos o PSD está a ganhar o campeonato da corrupção ao PS, está a suceder com a corrupção o mesmo que acontece com a bola, o Porto e o Sporting bem podem ganhar os jogos e o Benfica perder que a capa do jornal A Bola destaca o Benfica, é quem mais vende.

Se considerarmos apenas as acusações o PSD marcou nos financiamentos ilegais que recebeu da Somague, no caso BPN, no edifício dos CTT e no autarca de Oeiras, enquanto o PS apenas marcou através de Fátima Felgueiras. Mas se considerarmos apenas as condenações o PSD está a ganhar por dois a zero, pois Fátima Felgueiras escapou-se e o caso CTT ainda não foi a julgamento.

Compreendo porque razão o PSD está tão empenhado em combater a corrupção, envolvido em escândalos como a compra de votos para ajudar a eleger líderes como muito provavelmente terá sucedido com a Manuela Ferreira Leite, com a sua velha guarda cavaquista cheia de dinheiro e com os seus jovens tigres a receberem sacos de dinheiro dos industriais das inspecções automóveis a corrupção está no seu DNA. Combatê-la é uma condição necessária para fazer renascer o partido.

Mas o PSD prestaria um serviço maior ao país se em vez de propor alterações legislativas procedesse a uma limpeza dos seus quadros, de nada serve propor tais medidas quando as suas listas pareciam uma sala de espera de um tribunal penal.

UMA PERGUNTA A MANUEL ALEGRE

É este o BE que Manuel Alegre nos queria impingir com as suas reuniões da esquerda?

BISPOS 1, ESTADO LAICO 0

«Em Setembro de 2007, rebentou a guerra das capelanias. Nunca se viu tal ira na prelatura católica. Qual aborto, qual casamento de pessoas do mesmo sexo: nada foi capaz de levantar os bispos como um pré-diploma do Ministério da Saúde, então liderado por Correia de Campos, que, segundo eles, "retirava aos doentes o direito à assistência religiosa", era "um ataque aos mais pobres dos pobres" e seria até, asseveravam, "inconstitucional". Porquê? Porque, garantiam, passava a ser obrigatório solicitar a assistência religiosa por escrito e apenas na admissão no hospital, e esta era restringida às horas das visitas. Com base nesta versão, choveram as críticas: o governo jacobino queria acabar com a religião, roubar aos doentes o seu único consolo, negar a extrema-unção aos moribundos.

Quando o diploma apareceu nos jornais, porém, as alegações dos bispos provaram ser falsas: os assistentes religiosos podiam ter acesso aos doentes a qualquer hora, desde que autorizados para o efeito (tanto pelo doente como pela unidade de saúde) e a solicitação de assistência religiosa podia ser efectuada a qualquer altura do internamento. As razões de queixa da hierarquia católica eram outras: ao colocar a assistência religiosa de acordo com a lei da liberdade religiosa de 2001, que prevê, de acordo com a Constituição (de 1976!), a igualdade religiosa, o diploma retirava aos ministros católicos o monopólio desse serviço. Os capelães existentes - todos católicos - permaneceriam nos hospitais, como funcionários públicos que são (por via da Concordata salazarista de 1940, extinta pela de 2004), até à reforma, mas não haveria mais contratações; os assistentes religiosos de todas as confissões teriam igual acesso aos pacientes e seriam pagos de acordo com a mesma tabela e critérios em regime de prestação de serviço. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MAIS UMA DERROTA DA SUPER-PROCURADORA

«O Tribunal da Relação do Porto rejeitou os três recursos do Ministério Público e confirmou a absolvição de Pinto da Costa, e restantes arguidos, no caso do envelope, um dos processos conexos com o Apito Dourado.

Segundo o acórdão a que a Agência Lusa teve acesso, a Relação rejeitou as alegações do Ministério Público, encerrando assim, no que à matéria de facto diz respeito, as acusações contra Pinto da Costa, presidente do FC Porto.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Depois a culpa é das leis...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se as contas a quanto é que o MP já gastou no caso Apito Dourado.»

UM PROCESSO DE GENTE FINA

«O Ministério Público (MP) acusou 16 arguidos do inquérito relacionado com actos de gestão dos CTT entre os anos de 2002 e 2005, quando a administração da empresa era liderada por Carlos Horta e Costa. O gestor é acusado da prática de sete crimes (um de administração danosa e seis de participação económica em negócio). Em causa estão crimes que geraram prejuízos de 13,5 milhões de euros, segundo a acusação.

Os magistrados arquivaram os crimes de prevaricação em que estavam indiciados autarcas de Coimbra, entre eles o presidente da câmara, Carlos Encarnação, e ilibaram de responsabilidades criminais membros do conselho de administração dos CTT.

Além de Horta e Costa, o MP acusou dois ex-administradores dos correios, Manuel Baptista e Gonçalo Ferreira da Rocha. A Baptista imputou cinco crimes de participação económica em negócio e um de administração danosa, ao passo que Rocha está acusado por um crime de corrupção passiva para acto ilícito e outro de administração danosa. Para os três ex-gestores dos CTT, o MP propõe a pena acessória de proibição do exercício de funções como titular de cargo público.» [Público]

Parecer:

No caso CTT o Ministério Público mostrou que quando os seus magistrados querem até conseguem evitar grandes fugas ao segredo de justiça e a condenação antecipada dos arguidos na praça pública. Terão os magistrados sido escolhidos criteriosamente para evitar oi espectáculo a que estamos habituados ou quando está em causa gente fina do PSD os métodos são outros? Se Carlos Encarnação, autarca de Coimbra, fosse amigo íntimo ou primo de Sócrates teria sido ilibado e poupado ao escândalo?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Procurador-Geral da República, apesar das respostas serem óbvias.»

NO "DA LITERATURA"

"Gente fina é outra coisa":

«No âmbito do Caso CTT, o Ministério Público acusou 16 pessoas de gestão danosa, branqueamento, participação económica em negócio e outros crimes. Em português: acusou-os de corrupção. Em causa, a venda de dois edifícios, um em Lisboa, outro em Coimbra. Prejuízo: 13,5 milhões de euros.

Um desses 16 arguidos chama-se Carlos Horta e Costa. Foi secretário-geral do PSD durante a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa. Foi nomeado presidente dos CTT em 2002, por decisão de Durão Barroso. Mas como, ao contrário de Armando Vara, Carlos Horta e Costa não nasceu em Vilar de Ossos, nem foi caixa de banco, nem almoça (I Presume!) com sucateiros, os media tratam-no como deviam tratar toda a gente: com respeito. Nada contra.

Lembrar a quem não se lembra: os edifícios em pauta foram vendidos sem concurso público, por decisão de Manuela Ferreira Leite, então ministra das Finanças. O de Lisboa estava avaliado em 20 milhões de euros, mas foi vendido por 12,5 milhões (o governo de Barroso queria receitas extraordinárias); o de Coimbra, que se vê na imagem, estava avaliado em 28,4 milhões de euros quando foi vendido duas vezes no mesmo dia: de manhã por 14,8 milhões, à tarde por 20 milhões. Quem denunciou a banhada foi o advogado António Marinho Pinto.

Aguardar as reacções indignadas (e os trocadilhos) dos bloggers da direita e dos articulistas anti-corrupção.»

ROBERT MINNICK

CMS

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Quererão mesmo acabar com a corrupção?


Imaginem se em Portugal tivesse sido banida a corrupção, o Dr. Pinto Monteiro era um modesto funcionário público, um pouco mais independente do que os outros mas funcionário na mesma, o senhor Palma era um desconhecido que para fazer política teria que andar a colar uns cartazes, o PSD de Durão Barroso não teria mudado a imagem e enchido o país com os famosos outdoors da netinha, a Zezinha era uma procuradora tão desconhecida como todos os seus colegas, muitos dos nossos ilustres advogados e comentadores televisivos teriam que ir trabalhar para a barra do tribunal como vão muitos dos seus colegas que precisam de trabalhar para comer.

Fala-se por aí muito de tráfico de influências de mistura com robalos, envelopes e sucata, mas o que seria de muitos dos nossos jurisconsultos se não fosse o tráfico de influências? Muitos dos famosos pareceres pagos a peso de ouro cheios de artigos e banalidades apenas são encomendados a contar com a influência de quem os assina, não raras vezes acompanhadas de um telefonema para o director-geral ou quem decide no processo.

Um pequeno exemplo muitas vezes aqui denunciado, mas vá o diabo perceber porque razão nunca ninguém se interessou pelo tema. Nos últimos dias do mandato de Manuela Ferreira Leite o seu secretário de Estado produziu um despacho sem qualquer fundamento legal que permitiu que os bancos que tinham procedido a fusões se escapassem ao IMI e ao IMT cuja propriedade foi transferida. Estavam em causa milhares de imóveis que eram propriedade dos bancos, quer os seus próprios edifícios, quer os que pertenciam às suas empresas de leasing que foram alvo das fusões. Será que decisões obtusas como estas caem dos céus aos trambolhões.

Perguntem aos directores-gerais cujas decisões valem milhões de euros quantas vezes recebem telefonemas de alguns dos nossos jurisconsultos que aprecem com frequência nas televisões, alguns até andam armados em paladinos do combate à corrupção e ao tráfico de influências. Pior, se, como sucedeu com um muito conhecido, ouvirem uma nega usam o poder que têm na comunicação para perseguirem quem lhes diz não.

Não é só a corrupção e o tráfico de influências do sucateiro, cuja dimensão e envolvimentos ainda estão em investigação e por provar, que empestam a nossa sociedade. Há muitas corrupção e tráfico de influências feito ao abrigo de pareceres e de intervenções de advogados e que nunca cairão sob a alçada do Código Penal. Basta olhar à volta de instituições como o fisco e ver quais são os escritórios de advogados, dominam os ex-secretários de Estado e os seus assessores e adjuntos, uma boa parte dos dirigentes do fisco que se aposentam transitam directamente para os escritórios que na véspera lhes endereçavam requerimentos.

Mas é evidente que parece estar interessado em falar desta corrupção e tráfico de influências, com dimensões muitos superiores ao imaginável, conduzida por gente influente que fazem do sucateiro Godinho um menino dos escuteiros. Se ela acabasse muito boa gente que anda por aí armada em paladinos do combate à corrupção sofreria um duro golpe nos seus rendimentos.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

ALTERAR O TEMPLATE D'O JUMENTO?

A mudança do layout d'O Jumento era inevitável a fim de assegurar novas funcionalidades e assegurar maior compatibilidade com todos suportes em que pode ser visto. Em geral a mudança foi bem aceite, já quanto ao modelo a adoptar mais de 70% dos visitantes manifestaram-se a favor do fundo branco.

Confesso que prefiro o branco apesar do argumento demolidor do meu amigo do Café Margoso, que um fundo azul poupa energia, o que me deixa problemas de consciência. De qualquer das formas a flatulência de um bezerro produz mais gases com efeito estufa do que a adopção do fundo branco pelo Jumento durante umas décadas, até porque este burro não converte palha em CO2.

O novo layout está pronto e já pode ser visto. Farei o que os visitantes decidirem na sondagem na coluna da direita.

FOTO JUMENTO

Calçada lisboeta

IMAGEM DO DIA

[Lucas Jackson/Reuters]

«SANTA’S ELF SPEAKING: A broker dressed like an elf traded over the phone at ICAP in Jersey City, N.J., Wednesday.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Armando Vara

Eu, por acaso, tenho um amigo que é administrador da EDP, quando andar perdido à procura da sede da PT vou ter com esse amigo à EDP para me dizer onde fica a empresa de telecomunicações. Até acredito na explicação de Vara, é tão ingénua que acho pouco crível que o administrador do BCP tenha imaginação para a inventar.

De qualquer das formas na ocasião em que o tal Godinho foi ver o Vara nem sequer era arguido ou estava em prisão preventiva, uma boa parte da nossa classe política aceitaria almoçar à conta do seu cartão de crédito se o tema do almoço fosse um financiamento para o partido. Recordo-me, por exemplo, que Pinto Monteiro recebeu numa visita cordial um administrador do BCP, um banco que pouco tempo antes tinha sido envolvido na Operação Furacão e que tempos depois deu o estoiro que deu. Tanto quanto sei nenhum procurador se lembrou de questionar a honorabilidade do Procurador-Geral.

Aliás, Vara não tem de dar justificações públicas a não ser para denunciar as manhas do processo, o ónus da prova é de quem o difamou, constituiu arguido e agora tem de produzir provas que fundamentem de forma clara e inequívoca tais decisões.

OS RICOS QUE SE CUIDEM

A partir de agora qualquer pessoa que compre um fato novo pode ser suspeito de corrupção, basta que algum procurador se lembre de o colocar sob escuta, depois é só ir ao Código Penal e verificar se algum artigo se encaixa no que ouviu.

O JUMENTO METEU OS PÉS PELAS MÃOS

Não costumo nem confiar nos jornais, nem acreditar nas atoardas do BE, mas estando em causa a honorabilidade de um vereador da CM de Odivelas achei que um jornal tentaria apurar toda a verdade e que o BE não seria oportunista ao ponto de querer dar nas vistas usando para isso um processo duvidoso.

Mas foi isso o que sucedeu, quando li no DN que o vereador Hugo Martins tinha destruído um carro da autarquia quando vinha com os copos de uma discoteca, lá para as cinco da manhã [Diário de Notícias]. Quando li a posição do BE pensei que o assunto era mesmo sério, alguém do BE dizia que « "Estamos perante uma situação escandalosa, que é tudo menos normal. Naturalmente, pensava que só por ser vereador podia fazer aquilo que lhe apetecia, até mesmo estragar carros que são do erário público", disse o deputado municipal do BE na Câmara de Odivelas, José Falcão. "A única atitude sensata de Hugo Martins é apresentar a sua demissão e não esperar que o demitam", referiu.».

Mas o facto é que a crer num mail que recebi juntou-se um jornalista pouco preocupado com a verdade e os dirigentes do BE empenhados em usar a mentira. Parece que a história não foi bem a que se conta e anda tudo embrulhado. Senão vejam:

«Caro "Jumento",

Primeiro, uma confissão: sou leitor do seu blog já há muito tempo e admirador do mesmo.

***Agora, ao que venho:

Às vezes, caímos no erro que apontamos aos outros...

De facto, depois de neste blog tantas vezes se ter denunciado a instrumentalização dos ocs pelas fontes judiciais e policiais, eis que o \"Jumento\" é vítima de tais estratagemas.

Durante este dias quase todos os jornais (e televisões) noticiaram que um vereador da CMO teve um despiste na CREL, destruindo o carro municipal, por estar \"bêbado\" com uma taxa de 1,65 e ainda ter \"sovado 4 militares da GNR\" que acudiram ao acidente.

Pois bem: não houve qualquer despiste e logicamente nem o carro ficou destruido. Apenas ele parou na berma da CREL, porque sentiu um barulho na roda esquerda da frente. Foi abordado por uma patrulha da GNR do Carregado, que o questionou por não ter o colete vestido. Desconfiaram que ele estava bêbado e fizeram-no soprar o balão. Como acusou 1,65 e ele, embora reconhecendo que tinha bebido 2 cervejas, não era causa para aquele valor tão elevado, pediu uma contra-prova num hospital. Os problemas começaram aí...não queriam levá-lo ao hospital e deram-lhe logo ordem de prisão, tendo tentado algemá-lo...ele reagiu e foi \"à força\", com pontapés, murros e outros mimos, físicos e verbais, que o meteram num carro da GNR, rumo ao quartel, tendo a violência continuado dentro do carro...a meio caminho, tiveram que mudar de rumo e ir ao Hospital de VFX, pois tal era o estado em que o deixaram...um dos militares tb partiu um dedo (a dar-lhe murros) e foi lá assistido...quando se aperceberam que ele era vereador e face ao estado em que ficou, a GNR enviou logo um comunicado para a LUSA com a sua versão dos factos...o resto da história, já nós sabemos...

E assim se \"planta\" uma notícia nos jornais ou a forma como se fazem as notícias no nosso País: manda-se um comunicado para a Lusa, que o distribuiu pelos diversos jornais, assumindo todos eles aquela \"notícia\" como a verdade dos factos, com uma visão acrítica e acéfala da \"realidade\" que lhes vendem...

Nem era preciso fazer \"jornalismo de investigação\", bastava irem ver as provas físicas e materiais que podiam confirmar ou infirmar a história: onde está o carro? em que estado está ele? onde está o relatório do Hospital de VFX relativo ao vereador? o que diz esse relatório sobre as feridas que o vereador apresenta? qual é a taxa resultante da contra-prova feita no Hospital? e, já agora, como é possivel a um jovem, e ainda para mais \"bêbado\", sovar sozinho 4 militares da GNR?!?!

E assim se faz jornalismo no nosso País e assim se prejudica irremediavelmente a imagem, a reputação, a vida de um cidadão.
Claro que ele já constitui advogado e vai proces

ar aqueles militares por violência policial, bem como os jornais que publicaram a notícia, sem sequer respeitarem o princípio do contraditório. Mas já sabemos, infelizmente, qual vai ser a marcha e celeridade desse processo...a \"justiça\" já se fez nas páginas do jornais e na praça pública, com comentários muito inflamados e \"fundamentados\" contra o autarca, um \"jovem socialista bêbado que bateu nos GNR\"...(\"estes políticos são uma vergonha...demita-se já...este País assim não vai lá...\")

Depois disto tudo, só faltou ver o BE de Odivelas, através do inefável Jose Falcão, a julgar sumariamente o vereador...ironia cómica (ou trágica) de quem devia ou podia, localmente, confirmar aquela notícia, vendo o carro, o estado físico do vereador e pedir os relatórios ao Hospital...e de quem advoga as drogas leves e se insurge contra a violência policial.
Atentamente,»

PAPA SALVA NOGUEIRA

«O Papa Bento XVI anunciou que vai antecipar a Missa do Galo, este ano. Em vez da meia-noite, será às 22 horas. A missa não foi sempre à meia-noite, por isso se chama do galo (começou por ser ao raiar do dia, quando ele canta). A hora foi recuando e, desde o séc. VIII, estacionou na meia-noite. Já faz muito tempo, já faz tradição e surpreende que o tradicionalista Bento XVI queira mudar. Correm rumores sobre doença, o que foi desmentido. Até porque João Paulo II, já muito doente, rezou aquela missa à hora de sempre. Assim de repente, só vejo uma razão: salvar o Nogueira. Vocês sabem, o jovem de um dos mais belos contos de Machado de Assis e que se chama, claro, Missa do Galo. Em 1861, Nogueira estava no Rio de Janeiro, hospedado em casa de um primo distante, casado com Conceição. O primo tinha uma amante e foi ter com ela na noite da consoada. Nogueira ficou na sala, à espera de fazer horas para a missa da meia-noite. Apareceu Conceição e a conversa foi suave e casta, mas Nogueira viu as chinelas dela, pretas, sob o roupão. Enfim, chegou a hora e ele foi à missa. Mas nunca mais esqueceu as chinelas. É pouco, mas talvez este Papa, tão estrito, tenha querido cortar com todas as sombras de pecado. Este ano, às dez da noite, os Nogueiras não vão poder ter certas conversas. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MINARETES E BARRETES

«A democracia é velhaca e é por isso que há certas perguntas que não se fazem. Não se referenda a pena de morte. Não se pergunta aos portugueses se 10 por cento dos ordenados dos políticos deveria ir para os pobres. Porque já se sabe a resposta. O referendo mais desejado pelo povo é: "Acha que, dada a recessão, o Estado português deveria contrair uma pequena dívida de 140 mil milhões de euros para que cada português, fosse de que idade fosse, pudesse receber mais 1000 euros por mês, mais 1000 de subsídio de férias e 1000 de subsídio de Natal?"

Quantos votariam sim? Na questão dos minaretes na Suíça, ninguém (nem o Governo suíço) reparou que o mal não está na resposta: está no perguntar. Está no excesso de democracia. Tendo perguntado aos suíços se queriam mais minaretes, o mal já estava feito. Viu-se que a maioria (por pouco, como sempre) não quer. Até parece que perguntaram para se defenderem atrás da resposta.

Aqui não há direito a opiniões. A liberdade religiosa, que é a separação da religião do Estado, é um direito humano só recentemente conquistado, à custa de muito sangue. Não querem muçulmanos, judeus, cristãos, budistas, crentes de seja o que for? Não os deixem entrar. Mas, se tiverem deixado entrar (porque precisavam), deixem-nos estar. Não os expulsem. Não os reprimam. Deixem-nos praticar a religião que têm.

Haja normas arquitectónicas e regras de poluição sonora - mas que se apliquem a todos.
A democracia é a justiça. Duh.»
[Público]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

AINDA O DIA CONTRA A CORRUPÇÃO

«Comemoraram-se ontem seis anos desde a adopção da Convenção Internacional das Nações Unidas contra a Corrupção, devendo salientar-se com especial ênfase a importância da consciência cívica e da responsabilidade social em relação ao fenómeno da corrupção.

Ao contrário do que muitas vezes se faz crer, o melhor combate deve partir dos próprios cidadãos, em vez das grandes proclamações ou dos discursos moralistas. As afirmações demagógicas e imediatistas apenas contribuem para o desenvolvimento da desesperança e do fatalismo, em lugar da mobilização positiva de esforços e energias para a afirmação da democracia. De facto, a promoção de um espírito negativo e derrotista em nada contribui para o progresso da sociedade e da economia e para erradicar os males colectivos. Mais importante do que a multiplicação de leis, precisamos de instrumentos eficazes, de medidas e de vontade. E importa distinguir as áreas da política legislativa, da investigação criminal e da prevenção. São três domínios distintos mas complementares.

Falo-vos apenas do terceiro domínio - a prevenção. E devo começar por afirmar e reconhecer que os dois últimos anos têm sido muito importantes em Portugal pela adopção efectiva de medidas que, estou certo, produzirão efeitos positivos no futuro próximo. Houve e há medidas concretas, e o Governo e o Parlamento têm-se empenhado activamente no cumprimento das recomendações do Greco, grupo de países do Conselho da Europa contra a corrupção. Portugal está, assim, empenhado na sua efectivação. Há vontade e sinais efectivos, para além das palavras. A Convenção das Nações Unidas de 1983, as recomendações do Greco, as orientações internacionais no combate e prevenção da corrupção estão a ser seguidas. Não se trata, pois, de meras declarações de intenções. Foi criado, e está em funcionamento há mais de um ano, o Conselho de Prevenção da Corrupção, com condições de independência, está em concretização (até ao final do ano), na sequência das recomendações do conselho, a adopção pela administração pública (central, regional e local) e pelo sector empresarial dos planos de prevenção de riscos - com envolvimento activo dos responsáveis - e o Governo acaba de lançar o processo que levará à aprovação dos códigos de conduta.

Há, pois, sinais de esperança, que importa salientar e prosseguir. O discurso negativo e depressivo em nada contribui para atacar as raízes da corrupção. Há, por isso, um desafio lançado a todos os cidadãos, que importa cumprir. » [Público]

Parecer:

Por Guilherme d'Oliveira Martins.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

GODINHO NÃO TEM GPS

«O ex-vice presidente do BCP, Armando Vara, arguido no caso Face Oculta disse esta noite na Grande Entrevista da RTP que tinha "Manuel Godinho como uma pessoa de bem" e que o único arguido do processo em prisão preventiva foi ter com ele naquele dia em que o Ministério Público o acusa de ter recebido um envelope com 10 mil euros porque "não sabia onde era a EDP".

Armando Vara quer "o segredo de justiça liberto para que as pessoas possam ver a sua inocência". O que existem "são indícios de indícios de indícios", afirmou.

Durante a Grande Entrevista na RTP1 Vara manifestou-se novamente inocente mas utilizou o segredo de justiça para justificar a falta de resposta a muitas das questões de Judite de Sousa.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Convenhamos que esse tal Godinho tinha melhores formas de saber onde era a EDP.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Elogie-se a coragem de Vara por não ter medo dos vingadores de toga.»

O PAÍS ESTÁ DE PERNAS PARA O AR

«O projecto de lei do PSD foi aprovado, na generalidade, com os votos favoráveis dos sociais-democratas, BE, PCP e PEV, com a abstenção do CDS-PP e o voto contra do PS.

Por um engano da mesa na soma dos votos, o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, começou por anunciar a aprovação do projecto de lei do BE de criminalização do enriquecimento ilícito.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Um partido de direita propõe uma lei para que os polícias possam suspeitar dos que tenham dinheiro e fá-lo com o apoio dos partidos da esquerda conservadora.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reserve-se uma vaga no Júlio de Matos para a Manuela Ferreira Leite.»

UMA PEQUENA COMPENSAÇÃO POR CAUSA DO FREEPORT E FACE OCULTA

«O Ministério Público acusou 16 arguidos de corrupção passiva e activa, branqueamento de capitais, participação económica em negócio, administração danosa e fraude fiscal no caso CTT, relacionado com a gestão dos Correios entre 2002 e 2005, quando Horta e Costa presidia ao Conselho de Administração.

O Ministério Público (MP) deduziu acusação contra 16 arguidos por três crimes de corrupção passiva para acto ilícito, um de corrupção activa para acto ilícito, com referência à Lei dos Crimes de Responsabilidade de Titulares de Cargo Político, dois de corrupção activa para acto ilícito, um de branqueamento de capitais, seis de participação económica em negócio, um de administração danosa e cinco crimes de fraude fiscal.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Enfim, pataco a ti, pataco a mim.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

ATENTADO AO PUDOR

«Um casal foi apanhado a praticar sexo oral no interior de um carro, no Largo José Barbosa, a menos de cem metros da Avenida da República. A cena, que ocorreu em plena manhã, foi denunciada pelos moradores de uma das mais movimentadas artérias da cidade de Paredes que, "escandalizados", não hesitaram em chamar a Polícia Municipal. O caso foi comunicado ao Ministério Público e os dois vão responder pelo crime de atentado ao pudor.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Convenhamos no meio da rua e a meio da manhã é um exagero.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Os jovens fizeram sexo oral, agora o MP vai f. o dinheiro dos contribuintes com um processo da treta. O problema tinha-se resolvido com um balde de água para arrefecer os ânimos.»

LULA QUER TIRAR O POVO DA MERDA

«O Presidente brasileiro, Lula da Silva, usou uma palavra de baixo calão ao dizer hoje, quinta-feira, que o seu Governo investe em saneamento básico "para tirar o povo da merda". Veja o vídeo.

"Eu quero saber se o povo está na merda e eu quero tirar o povo da merda em que ele se encontra", afirmou o Presidente brasileiro num discurso na capital do Maranhão, São Luís, destacando que não importa o partido dos políticos eleitos mas o que eles fazem para o bem estar do povo. » [ Link]

Parecer:

Ainda bem que não o disse por estas bandas, teria o MP à perna por atentado ao pudor.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

PORTAS PROTEGE CAVACO

«O líder do CDS-PP, Paulo Portas, afirmou esperar que o Governo «não comece com pressões ilegítimas» sobre o Presidente da República, defendendo a legitimidade do Parlamento para adiar a entrada em vigor do Código Contributivo.

«Espero que o Governo aceite com espírito democrático o adiamento do Código Contributivo e não comece com pressões ilegítimas sobre o Presidente da República. Adiar o Código Contributivo é respeitar a opinião de 5 dos 6 parceiros sociais e é evitar um aumento de impostos», afirmou Paulo Portas. » [Portugal Diário]

Parecer:

É bonito ver o antigo director do Independente preocupado com Cavaco Silva, mais um pouco e vai com a família Silva à missa do galo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Esta merece uma boa gargalhada.»

ACUSAÇÃO OU BOMBA DE FRAGMENTAÇÃO?

«O ministério Publico acusou 16 arguidos no caso relacionado com actos de gestão do CTT entre os anos de 2002 e 2005, quando a administração da empresa era liderada por Carlos Horta e Costa, a quem são imputados sete crimes (um de administração danosa, e seis de participação económica em negócio.» [Público]

Parecer:

Alguém acredita que 18 pessoas tenham participado simultaneamente num negócio corrupto.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «acreditam os nossos polícias-procuradores, eles têm muita imaginação.»

GIULIANO S

WWF