Quinta-feira, Janeiro 07, 2010

Tanta energia ...

Sempre que a direita fica incomodada por ser adoptada uma medida que não pode impedir por não ter maioria parlamentar usa o argumento do tempo mal empregue, quando há problemas maiores para resolver. O próprio Cavaco Silva fez essa crítica subtil a propósito do casamento gay, a líder do PSD também usa este tipo de argumento com alguma frequência, fê-lo de uma forma subtil para criticar a presença do secretário-geral do PS no congresso sugerindo que deveria estar em Bruxelas.

Mas no caso do casamento, que uns designam por gay e outro por casamento de pessoas do mesmo sexo, quem gastou menos tempo com o assunto foi o governo, basta a alteração de uma linha do Código Civil e duas horas de debate parlamentar, o que não me parece qualquer prejuízo para o país.

Já do lado dos que se opõem a que os outros se casem como eles houve tanta iniciativa e empenho que fiquei com a impressão de que ou não têm nada que fazer ou andam preocupados com os problemas errados. Desdobraram-se em entrevistas, recolheram assinaturas, promoveram debates, escreveram artigos para os jornais, até houve um senhor juiz que puxou da pena e escreveu um livro que, por sua vez, deu lugar a uma apresentação pública e mais algumas entrevistas.

Deputados que ninguém conhece tiveram o seu momento de glória, magistrados desconhecidos alcançaram a fama, líderes de sacristia transformaram-se em personalidades públicas, até o PSD se deu ao trabalho de encontrar uma lei alternativa. De repente o país silencioso mobilizou-se para resolver aquele que entendem ser um grande problema.

Até compreendo que muito boa gente tenha receio de um dia destes passar à porta de uma conservatório do registo civil e apanharem com um ramos de grinaldas pecaminosas, por aquilo que posso ver muito destes senhores ou têm boas reformas ou não sabem o que será o desemprego, mas concordo com ele num ponto, há coisas bem mais importantes para gastar tanta energia do que o casamento gay.

A verdade é que nenhum dos grandes problemas do país, do desemprego ao papão do endividamento, levou esta boa gente a escrever um artigo, a recolher uma assinatura, a dar uma entrevista e, muito menos, a escrever um livro. E não podem dizer que problemas como o desemprego não colidam com os seus bons princípios, por exemplo, o desemprego causa a destruição de mais famílias do que o número de casamentos gays a que iremos assistir.

Desta vez concordo com o tal argumento da perda de tempo, é uma pena ver tanta gente válida a dar o litro contra o casamento gay, se todos dedicassem igual energia aos verdadeiros problemas do país Portugal conseguiria mais facilmente sair da crise.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Aldeia de Monsanto

(imagens de A. Cabral)

IMAGEM DO DIA

[Ted S. Warren/Associated Press]

«FOLDING THE FLAG: Pierce County, Wash., sheriff’s deputies folded the flag that covered the casket of slain deputy Kent Mundell during a memorial service in Tacoma, Wash., Tuesday. Mr. Mundell was shot last month while responding to a domestic dispute.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva, pré-candidato a Belém

Na sua mensagem de Ano Novo Cavaco Silva lançou o pânico no país, alertando para explosões sociais e outras catástrofes. Passados poucos dias e depois de o PS ter mandado umas cartas aos partidos da oposição Cavaco Silva apressou-se a apanhar os louros assegurando que tudo ia correr bem. Cavaco anda tão animado que já prevê um crescimento com algum vigor na economia durante o ano que agora começou.

Nada melhor do que pensar no seu futuro político para vermos um Cavaco Silva ultra optimista, só é uma pena que o pré-candidato á presidência confunda os seus objectivos políticos com o interesse do país.

OS DISCURSOS DO VAZIO

«O eng.º Sócrates e o dr. Cavaco falaram à pátria. A pátria ficou estarrecida. O primeiro teceu um plissado de banalidades, e procurou aliviar as nossas angústias inesgotáveis dizendo que as coisas corriam o melhor possível. O segundo reduziu a subnitrato o júbilo do orador. A situação é «catastrófica» e o horizonte é horroroso. O pior do pensamento do dr. Cavaco, se é que o tem ou alguma vez o teve, é que se ordena na desordem. Não há ponta de originalidade nem pingo de lirismo. Estamos danificados por dentro e por fora: falta-nos competitividade, andamos cheios de lazeira, devemos dinheiro a toda a gente, possuímos uma alma adormecida, não somos coerentes nem fluentes, o sol apagou-se dentro de nós. Enfim, segundo o dr. Cavaco, somos uns grandes desgraçados. Nem uma palavra, uma escassa, módica e tímida palavra sobre cultura, ciência, arte.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Baptista Bastos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

NUS OU MORTOS A ESCOLHA É ÓBVIA

«Na quinta-feira passada, no aeroporto de Salt Lake City, Utah, nos voos que obrigavam a passagem pelos scanners corporais, só três passageiros, em dois mil, preferiram serem vasculhados à mão. Os outros deixaram que o famoso scanner lhes mostrasse o corpo nu e em três dimensões. O exemplo de Salt Lake City repetiu-se nos Estados Unidos: os passageiros acolhem bem aquilo que uns excitados chamam "a violação da privacidade". Como se a violação da privacidade não fosse um facto quotidiano. Para não sairmos do universo dos aeroportos: não temos de mostrar a um desconhecido um documento que revela o nosso nome? Claro que a aceitação da nova medida de segurança deveu-se à proximidade do atentado do terrorista nigeriano, no dia de Natal. Amanhã, se não houver mais atentados, haverá mais recalcitrantes. Mas, por estes dias, é como se o título do célebre romance de Norman Mailer, Os Nus e os Mortos, fosse uma alternativa, à qual se faz a escolha óbvia: antes nus. Em 2002, o Parlamento Europeu comprou seis scanners para o seu edifício. Custaram 720 mil euros e ficaram nas caves sem utilização - bom sinal, nada rebentou por Estrasburgo. Mas se no próximo dia 15 esses scanners vão a leilão, não é para se libertarem de tais aparelhos, é para comprarem mais sofisticados. Mau pressentimento.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

OK, EU AMO-TE

«O Telegraph de sábado passado gritava: Traditional English spellings could be killed by Internet, says language expert. Só porque David Crystal disse que, daqui a umas décadas, o conjunto de convenções da actual ortografia inglesa será substituído por um novo conjunto de convenções, com origem na Internet, nos SMS, etc.

Há para chorar e para agradecer nos dicionários SMS e Net de língua inglesa. A expressão da indiferença melhorou. Começou antes da Internet com o perene whatever. Na Net diz-se meh e significa "isso não me interessa". É um encolher de ombros.

Até no OK houve progressos. Digitar só K mostra que é um acordo mole, tipo "se-tu-o-dizes". É um whatever de uma letra só e reproduz o OK pouco convencido de quem diz só kay em vez de oh kay. É bonito porque a letra K pronuncia-se kay. O OK fica para quem está mesmo de acordo. E, quando alguém está a insistir connosco, há o KK, que corresponde ao Okay, Okay! É, em duas letras, o "pronto, pronto; cala-te lá com isso!"

Há acrónimos bons, como SSDD (same stuff, different day), LIC (like I care) e FICCL (frankly, I couldn"t care less).

O contrário da indiferença é o amor. Gosto de 143 e de 831. 143 dito em voz alta é I for three. Tirando o último R, dá I for thee. Thee é a forma antiga e poética de you. Logo, 143 quer dizer I love you. 831 é melhor ainda. Significa: 8 caracteres, 3 palavras, 1 significado. Ou seja, a frase I love you.

P.S.: Há um bom dicionário SMS em http://bit.ly/13FyF.» [Público]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

CASAMENTO GAY: SÓCRATES IMPÕE DISCIPLINA DE VOTO

«José Sócrates impôs esta quarta-feira disciplina de voto à bancada socialista relativamente aos projectos-lei do BE e do PEV sobre o casamento homossexual, que vão a votos na Assembleia da República depois de amanhã.

A decisão do secretário-geral do PS foi tomada durante um almoço com o líder parlamentar, Francisco Assis, no Palácio de São Bento. Os deputados socialistas estão obrigados, por disciplina partidária, a votar contra os projectos do BE e do PEV, que além do casamento prevêem a adopção.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Tratando-se de matéria que não tivesse constado de forma objectiva no programa eleitoral do PS esta posição seria questionável, mas neste caso o programa era claro e os deputados sabiam disso quando se candidataram.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

(DES)"I"NFORMAÇÃO À PORTUGUESA

«José Sócrates concordou com a opção da TAP de não pagar prémios de desempenho às dez trabalhadoras que estiveram de baixa por maternidade em 2007. A empresa defendeu que, como as 10 empregadas estiveram ausentes, não cumpriram os mínimos de trabalho para ter prémios, justificando a decisão com o Acordo de Empresa (AE). Porém, um parecer da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) rotulou a decisão de "discriminação".

Instado a pronunciar-se sobre o caso, o gabinete do primeiro-ministro (PM) acabou por concordar com a posição da transportadora, apesar da mesma contrariar também acórdãos de Bruxelas que estipulam que "excluir os períodos de protecção da mãe dos períodos de trabalho, para efeitos da concessão de uma gratificação que visasse remunerar retroactivamente o trabalho cumprido, constituiria uma discriminação do trabalhador do sexo feminino." Esta é uma opinião idêntica à da CITE, constituída por representantes governamentais e parceiros sociais e que funciona sob a tutela do Ministério do Trabalho.» [i]

«A TAP negou que tenha discriminado funcionárias grávidas na atribuição de prémios de desempenho, afirmando que no ano de 2007 atribuiu estes prémios a 37 mulheres que gozaram licenças de parto mas que não estiveram ausentes do trabalho mais de seis meses.

O Acordo de Empresa da TAP estipula que ficam excluídos de receber eventuais prémios os funcionários que no ano em causa "tenham tido absentismo e/ou suspensão do contrato com duração (acumulada) igual ou superior a cinco meses".» [Diário de Notícias]

Parecer:

Parece que tudo o que possa servir para atirar a Sócrates excita os nossos jornalistas. O mais ridículo é que nem o jornalista, nem o PCP que se apressou a questionar o governo, repararam que a norma está no "acordo de empresa" que supostamente foi acordado com os sindicatos. Enfim, mais uma palhaçada à portuguesa, coisa que começa a ser comum nestes dias.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao jornalista e ao director do "I" se confirmaram a informação antes de irem à procura de uma grávida para fotografarem.»

É UMA QUESTÃO DE PREÇO...

«Saldos sim, mas não na revista Playboy. Jessica, irmã de Ruth Marlene, a dupla que ilustra a edição deste mês da publicação, garante que não posaram sem roupa por menos dinheiro do que aquele que vinha sendo oferecido às anteriores fotografadas. "É humilhante dizerem que me despi por 800 euros", reage em declarações ao DN, contrariando uma notícia do Correio da Manhã. "É absurdo. É um nu, não é posar em lingerie", acrescenta. » [Diário de Notícias]

ORÇAMENTO: CAVACO ACREDITA NUM ACORDO

«Interpelado sobre como vê a disponibilidade do Governo em negociar com os partidos o Orçamento de Estado para 2010, Cavaco Silva reiterou que a saída de Portugal da "difícil situação em que se encontra" passa por um "entendimento inter-partidário".

Um entendimento inter-partidário, continuou o chefe de Estado, "que resolva um conjunto de dificuldades que são complexas e que requerem uma união de esforços vindos dos diferentes partidos políticos".» [Diário de Notícias]

Parecer:

Depois destas declarações quase aposto que o orçamento será aprovado sem dificuldades pois Manuela Ferreira Leite já deve ter recebido as "instruções" de um qualquer assessor anónimo de Belém. Se assim for, a dramatização feita por Cavaco só serviu para trabalhar a sua imagem com vista às eleições preidenciais, por outras palavras a preocupação com explosões sociais não passa de uma treta artificial.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aposte-se.»

MONA LISA TINHA EXCESSO DE COLESTROL

«A expressão facial de Mona Lisa, um dos mais famosos quadros na História de Arte pintado por Leonardo DaVinci, foi estudada de forma detalhada por Vito Franco, académico e cientista da Universidade de Palermo, em Itália.

Pequenas manchas nas pálpebras da mulher pintada no quadro - que se acredita ser Lisa del Giocondo - seriam acumulações subcutâneas de gordura designadas por xantelasma, sinal de elevados níveis de colesterol. » [Expresso]

Parecer:

Se a senhor ainda fosse viva recomendar-lhe-ia alguns cuidados na alimentação.

NADA COMO UM ANO DE PRESIDENCIAIS PARA CAVACO FICAR OPTIMISTA

«O Presidente da República afirmou hoje acreditar que 2010 será um ano melhor do que o anterior e que será possível Portugal arrancar para uma recuperação económica de "algum vigor".

Questionado sobre se acredita que o novo ano será melhor do que 2009, o chefe de Estado manifestou-se optimista, considerando que a crise económica e financeira internacional irá diminuir.» [Diário Económico]

Parecer:

Este Cavaco é mesmo milagroso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

PORTUGAL É SEGUNDO NAS EÓLICAS

«Por cada 100 Watt de electricidade consumidos no ano passado nos lares portugueses, 15,03 Watt vieram do vento, um valor que eleva o país do terceiro para o segundo lugar mundial no contributo de energia eólica, atrás da Dinamarca e agora à frente da Espanha.

Os dados publicados ontem pela Redes Energéticas Nacionais (REN) sobre a produção de energia eléctrica em Portugal, em 2009, mostram que, por cada 24 horas, três horas e 36 minutos, em média, vieram do vento, ou seja, mais 31,6 por cento do que no ano transacto.» [Público]

Parecer:

E há quem diga que nada se fez.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Elogie-se o esforço feito no domínio da energia.»

TÍTUNO "MUITA PAPRIKA"

A ler o post "ser de esquerda":

«Os partidos à esquerda do PS, de há uns anos a esta parte, preocupam-se exclusivamente com o seu umbigo. Excluem à partida qualquer tipo de negociação, bem patente na posição do BE em relação ao orçamento de estado: tem "pouca expectativa sobre a real disponibilidade negocial do Governo". O PCP "reclama uma mudança completa de políticas para “inverter um caminho que se revelou desastroso para o país”". Os sindicatos preocupam-se mais com os interesses deles próprios que os dos trabalhadores que supostamente representam. Tudo em nome do reforço eleitoral. O problema é que os seus eleitores vêem os seus votos desperdiçados, porque estes partidos dão oportunidade à direita para influenciar as decisões do governo. E ainda terão o desplante de dizer que Sócrates não é de esquerda, porque negoceia com PSD e CDS, mas que outra alternativa lhe resta?

O partido comunista espanhol dá o seu apoio ao governo de Zapatero por dois motivos, para impedir que os radicais de direita do PP voltem a governar e influenciar algumas das decisões do executivo. Os seus meros 2% influenciam mais a política espanhola que os mais de 15% dos votos do PCP e BE em Portugal.»

MAREK JEDZER

PUBLICIS/UNICEF

Quarta-feira, Janeiro 06, 2010

PSD, a borra da direita

A direita portuguesa está a pagar uma pesada factura por ter tido vergonha de ser direita, preferindo esconder-se atrás de falsos centrismos ou, pior ainda, terem usado abusivamente a etiqueta de social-democrata. O resultado está à vista, a direita portuguesa não tem líderes credíveis, não tem um projecto político, não tem um programa de governo, mete dó.

Chegamos ao ridículo de ver a direita andar a reboque dos movimentos sindicais inspirados pela estratégia política do PCP ou mesmo alinhar com a extrema-esquerda parlamentar dando ao seu líder o estatuto de primeiro-ministro sombra.

Por exemplo, o que distingue os discursos económicos do PSD e do PCP? O primeiro está preocupado com as PME e o segundo com estas e as micro-empresas, o que vai dar na mesma pois uma micro empresa mais não é do que uma pequena empresa. Chegamos ao ridículo de ver a direita alinhar com a extrema-esquerda na estigmatização das grandes empresas, o BE desconfia de quem é rico e o PSD concorda que quem tem muito dinheiro deve ser suspeito. Este populismo oportunista começou com Pedro Santana Lopes e foi aprofundado por Manuela Ferreira Leite.

O PSD chegou a um estado tal em que os antigos líderes fogem dele, a maioria das personalidades de direita do país demarcam-se da sua liderança, até mesmo alguns vices de Manuela Ferreira Leite parecem ter vergonha de aparecer em público, como é o caso de António Borges que desapareceu depois do frete eleitoral das legislativas.

Durante algum tempo o caso Face Oculta ocultou a crise interna do PSD, até parece que muito boa gente esperou que com este processo se conseguisse o que não conseguiram com o caso Freeport. Perdida a esperança de chegar ao poder sem o voto dos portugueses a crise voltou a instalar-se no PSD.

Temos uma líder que num dia diz que concorda com o congresso santanista para uns dias depois ensaiar soluções que evitem esse congresso, temos um candidato perpétuo à liderança que tenta lançar um congresso para ganhar por aclamação sem ter que enfrentar as directas, até temos um candidato que já anda em campanha pelas regiões autónomas propondo a construção de túneis que unam as ilhas açorianas. Já só falta mesmo o autarca de Faro entrar na liça para propor um túnel que una o Algarve a Tânger.

A verdade é que há muito que em vez de ser a nata o PSD é a borra da direita, são cada vez menos as personalidades com alguma credibilidade que assumem a simpatia pelo partido. Os que são militantes desde sempre lá têm que assumir esse fardo mas fazem os possíveis para que ninguém repare neles, os que têm a sorte de nunca terem assinado a ficha assumem as suas posições em público mas demarcam-se do PSD como quem foge das cruz.

Quando Santana Lopes foi derrotado por Sócrates foram muitas as vozes que falaram em refundar a direita, Marques Mendes ainda percebeu que era preciso reflectir e avançou com a renovação programática. Mas com a crise financeira a tralha cavaquista tomou conta do PSD, colocou na sua liderança essa nulidade intelectual que se dá pelo nome de Manuela Ferreira Leite (se não fosse ofensa ao velho treinador do Benfica, diria que foram buscar o Mário Wilson do PSD), devidamente apoiada pelos dotes intelectuais do Pacheco Pereira e foi o que se viu, o PSD concorreu às legislativas sem programa, pensavam que o caso Freeport e as falsas escutas a Belém faziam o resto.

Este PSD não tem condições para governar, já não é mais do que a borra da direita.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Alfama, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Charles Crowell/Bloomberg]

«DUBAI ON DISPLAY: Dubai opened the world’s tallest skyscraper Monday in a blaze of fireworks. The 2,717-foot Burj Khalifa is a $1.5 billion “vertical city” of luxury apartments, offices and a hotel designed by Giorgio Armani. It also will contain the world’s highest mosque (on the 158th floor) and a swimming pool. » [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Castanheira Barros, candidato à liderança do PSD

Na Europa, ou melhor, em Portugal existe um partido que de vez em quando governa e até tem um "ex"-militante na Presidência da República que defende a construção de dois túneis entre a ilha do Pico e as ilhas do Faial de São Jorge, à semelhança do túnel que une o Reino Unido e a França.

Parece que a oposição às obras públicas feita por Manuela Ferreira Leite não foi levada muito a sério pelos militantes do seu partido. Neste caso não me admiraria que alguém exigisse um referendo à população da ilha do Pico para que decidissem se queriam os túneis ou preferiam que o dinheiro necessário à sua construção fosse dividido pelos seus habitantes.

O mais grave é que este e mesmo o estado a que chegou o PSD.

DEPUTADOS REFERENDÁRIOS

É lamentável ver deputados a exigir a realização de um referendo quando se sabe que com esse referendo apenas se pretende fugir às regras do jogo numa democracia parlamentar. Se esses deputados acham que o parlamento não representa os portugueses o que estão lá fazendo?

O DIREITO À BLASFÉMIA

«As leis são para proteger os homens, não as ideias. Discutir (dizer alto) as ideias, as justas e as más, só tem feito bem aos homens. Foi pondo em causa a ideia de que os trovões eram ira dos deuses é que chegámos à ciência sobre os anticiclones e nos permitiu ver belas raparigas nos boletins meteorológicos. O mesmo sobre a capacidade de o homem voar: Leonardo da Vinci foi corrido como blasfemo pelos camponeses toscanos, mas graças à sua persistência, e de outros, em construir objectos voadores temos hoje as hospedeiras do ar. Certamente que há outros argumentos para defender as blasfémias, mas gosto dos argumentos que dei, lavam os olhos. Desde o primeiro dia do ano, é proibido, por lei, blasfemar na Irlanda: quem pecar paga 25 mil euros. Eu sei que há outros países em que posso ficar sem uma mão só por ter estendido um dedo àquela ideia que, sendo todo-poderosa (dizem-me), fica nervosíssima por eu lhe apontar o dedo. Mas nesses países é comum defender-se como justos os homens que fazem explodir as hospedeiras do ar. Já a Irlanda, pátria da Ryanair, põe mais aviões a blasfemar no ar do que os antiblasfemos das bombas são capazes de deitar abaixo. Daí o meu protesto por este atraso irlandês e a evocação daquela frase um dia escrita num muro lisboeta: "Se Deus existe, o problema é dele." » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

HETERODOXIA ORTOGRÁFICA

«Na semana passada, um editorial do PÚBLICO veio declarar que este jornal rejeita o acordo ortográfico estabelecido entre os países de língua portuguesa, pelo que continuará a seguir a antiga norma ortográfica (respeitando, porém, a liberdade de opção dos seus colaboradores). Como leitor deste jornal desde o início e como colaborador regular desde há mais de uma década, discordo desta posição (a que, aliás, não auguro grande duração), tanto mais que são improcedentes os argumentos que a sustentam.

Antes de mais, importa lembrar que se trata de um tratado internacional (acordado em 1990), que se tornou norma jurídica obrigatória nos países que o ratificaram juntamente com o protocolo adicional de 2004 respeitante à sua entrada em vigor, entre os quais se contam desde já o Brasil, Cabo Verde e Portugal (esperando-se que a breve trecho os demais países lusófonos o façam). Entre nós, sucede até que os tratados internacionais são de aplicação direta na ordem interna, sem necessidade de serem transpostos por lei nacional, e têm mesmo força superior às leis internas, que não os podem contrariar. Não estamos portanto perante uma simples recomendação ou orientação, sem força vinculativa, cujo seguimento fique à livre disposição dos destinatários. Tal como em relação às leis, a discordância não legitima o seu incumprimento.

A obrigatoriedade da reforma ortográfica da Língua Portuguesa vale desde logo para as publicações oficiais e para os serviços públicos, incluindo o ensino oficial (ou equiparado), de acordo com o calendário estabelecido pelas normas de implementação que sejam estabelecidas internamente. Embora nada impedisse que a reforma ortográfica seja tornada formalmente obrigatória para outros veículos institucionais da língua, nomeadamente os órgãos de comunicação social, não é provável que tal suceda. Todavia, compreende-se mal que os media não se considerem vinculados pela ortografia legalmente vigente. Independentemente da obrigação jurídica, há a responsabilidade social da imprensa. Se existe uma norma oficial, não se justifica que os órgãos de comunicação social contribuam para o estabelecimento de uma confusão duradoura em matéria ortográfica.

São conhecidos os argumentos dos opositores ao acordo ortográfico, mil vezes repetidos, mil vezes refutados. Obviamente, não há normas ortográficas incontroversas. A ortografia é sempre um compromisso. Todas as anteriores intervenções oficiais nas regras ortográficas, tanto as unilaterais (como a de 1911, que iniciou a divergência ortográfica entre o Português europeu e o Português do Brasil), como as internacionalmente acordadas, encontraram sempre opositores, seja em nome de um conservadorismo assumido, seja em nome de argumentos mais ou menos ponderosos.

Todavia, a atual reforma ortográfica pode reivindicar a seu favor dois fatores de que as anteriores não beneficiaram. Por um lado, desde a sua elaboração até à sua entrada em vigor, passando pela sua aprovação e ratificação, o acordo ortográfico levou mais de duas décadas de intensas discussões académicas e políticas. Nunca uma reforma ortográfica do Português foi tão intensamente nem tão duradouramente debatida como esta. Em segundo lugar, pela primeira vez, uma revisão ortográfica do Português envolveu desde a sua aprovação inicial todos os países que têm o Português como língua oficial - embora alguns ainda o não tenham ratificado internamente -, não sendo mais, como nos casos anteriores, uma medida unilateral de Portugal ou do Brasil, ou um acordo a dois. Isso traduz explicitamente o novo estatuto do Português como língua plurinacionalmente partilhada, sem donos nem senhores privativos.

Ao contrário do que sustenta o PÚBLICO, uma das características das grandes línguas plurinacionais está na sua fundamental identidade ortográfica, seja ela imposta por via de acordos internacionais entre Estados ou entre autoridades linguísticas nacionais (como sucede com o Francês, o Espanhol e o Alemão), quer seja resultante de um processo orgânico, como sucede com o Inglês, sendo muito escassas as divergências ortográficas entre o Inglês britânico e o Inglês norte-americano. Em todos os casos, a identidade ortográfica (ressalvadas algumas exceções) coexiste com numerosas variantes de pronúncia nacionais.

Com o Português sucedia que, para além de óbvias divergências fonéticas (caso notório de "facto" e "fato" ou "jacto" e "jato", nas versões euro-africana e brasileira, respetivamente) permaneciam inúmeras divergências ortográficas para os mesmos termos (de que as consoantes mudas no Português europeu constituíam o caso mais notório). A reforma ortográfica institui uma norma tanto quanto possível única para a escrita do Português, sem prejuízo, porém, como não poderia deixar de ser, dos casos em que se não trata de simples divergência ortográfica mas sim de divergência fonética. Para além dos casos mencionados de dupla grafia, podem referir-se vários outros, entre eles o caso de "Antônio" e "António", que o PÚBLICO precipitadamente invoca como prova da inconcludência da reforma, ao permitir duas grafias para a mesma palavra. Ora, uma convergência ortográfica não poderia nunca aproveitar para forçar uma uniformidade fonética, onde ela não existe na língua falada. À ortografia o que releva da ortografia.

Mesmo um jornal de referência pode obviamente invocar um "direito de resistência" às leis ou acordos internacionais de que discorda. Duvida-se porém, no caso vertente, que o conservadorismo ortográfico seja prova de heterodoxia virtuosa. » [Público]

Parecer:

Por Vital Moreira.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «fixe-se.»

JUIZ DE AVEIRO NÃO QUER FALAR

«Depois dos "zigue-zagues" do Procurador-geral da República e do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, chegou a vez de o juiz de instrução do processo "Face Oculta", António Gomes, envolver-se em declarações contraditórias. No passado fim de semana, o magistrado manifestou publicamente vontade de esclarecer a questão das escutas entre Armando Vara e José Sócrates. Hoje, numa declaração enviada aos jornais, invoca o segredo de justiça para não prestar qualquer esclarecimento.

"As questões que existem quanto ao cumprimento da decisão do Exmo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça relativas à « destruição de escutas» são de ordem meramente processual, as quais não podem ser enunciadas publicamente, neste momento, por estarem a coberto do segredo de justiça". Foi esta a resposta enviada pelo juiz António Gomes ao Conselho Superior da Magistratura (CSM), depois de vários órgãos de comunicação social terem questionado o CSM acerca dos esclarecimentos públicos do juiz.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Compreende-se, prefere ouvir mesmo quando não pode nem deve.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se o CSM sobre se ouviu falar no caso.»

ALEGRE VAI ANUNCIAR O QUE TODA A GENTE SABE

«Manuel Alegre está a semanas de anunciar uma decisão sobre a sua candidatura às eleições presidenciais de 2011. O DN soube que o anúncio formal poderá ainda ocorrer este mês.

No âmbito dos seus encontros com antigos apoiantes da sua candidatura presidencial de 2006, Manuel Alegre tem já marcados dois jantares para este mês: o primeiro dia 15, em Portimão; o segundo no Porto, dia 31. Neste, a data tem um particular simbolismo: nesse dia, em 1891, deu-se na "Invicta" um levantamento militar que veio a ser considerado como a primeira tentativa de destronar a monarquia e implantar um regime republicano em Portugal. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Uma candidatura da extrema-esquerda para ajudar Cavaco Silva.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

SANTANA LOPES INSISTE NO CONGRESSO

«Pedro Santana Lopes (na foto), em declarações ao Diário Económico, diz que conta ter “assinaturas para um congresso extraordinário do PSD já na próxima semana”.

Pedro Santana Lopes mantém intacta a vontade de obrigar o PSD a ter um congresso extraordinário no início de Março para debater a actual situação política, mesmo depois de alguns membros da direcção do PSD ponderarem antecipar as eleições directas - o que esvaziaria a iniciativa do ex-primeiro-ministro.» [Diário Económico]

Parecer:

Começa a ser mais do que evidente a intenção de Santana Lopes se candidatar à liderança, pretendendo fazê-lo no seu terreno favorito pois receia as directas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

AGUIAR BRANCO NÃO QUER PSD VIRADO PARA DENTRO

«O líder parlamentar do PSD considerou esta terça-feira que seria «incompreensível» que o partido estivesse «virado para dentro» neste momento, insistindo que só depois da aprovação do Orçamento de Estado se deverá discutir questões internas.

«Ter o partido virado para dentro neste momento seria incompreensível para os portugueses, a matéria do Orçamento de Estado é extraordinariamente importante», afirmou o líder da bancada social-democrata e vice-presidente do partido, José Pedro Aguiar Branco, quando questionado sobre a possibilidade da realização de um congresso extraordinário e de eleições directas a curto prazo. » [Portugal Diário]

Parecer:

O que Aguiar Branco não quer é enfrentar Santana Lopes, o primeiro-ministro que o tirou da obscuridade.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelo espectáculo.»

RAY YEAGER

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