sábado, fevereiro 06, 2010

Há uma nova maioria capaz de governar

Cavaco Silva tem todas as condições para demitir o governo de José Sócrates muito antes do que alguma vez poderá ter desejado pois já não precisa de contar com uma cada ma vez menos provável maioria do PSD. Conta no parlamento com uma nova maioria capaz de se entender em temas que algum tempo ninguém imaginava um acordo entre a direita e as esquerdas conservadoras.

Diria mesmo que Cavaco Silva conta no parlamento com uma maioria presidencial, ao PSD e CDS que serem o apoiaram, junta-se o PCP que em muitas ocasiões já veio a público defendê-lo e o próprio Bloco de Esquerda a quem deve a derrota antecipada de Manuel Alegre. Que mais poderia desejar um político que sempre ambicionou deter em simultâneo a Presidência da República e o governo e, de preferência, governando sem empecilhos como o Ministério Públicos, dantes designados forças de obstrução?

Se a esquerda conservadora está disponível para se juntar á direita em questões como a suspensão do Código Contributivo ou a ajuda ao Alberto João á custa dos portugueses, não há nada que os impeça de formarem uma maioria governamental tutelada por Cavaco Silva, um novo corporativismo do século XXI. O que os une, o ódio a um governo PS, é bem mais forte do que o que separa direita da esquerda conservadora, só alguns complexos poderão dificultar o processo, mas isso é coisa que se resolve. Até porque o grande objectivo do PCP e do BE é a destruição do PS e a absorção do seu eleitorado à esquerda, depois é só uma questão de esperar por uma crise financeira ou que o país se afunde na crise em que está metido.

Será assim tão difícil? Talvez, mas hoje ninguém tem dúvidas de que se Cavaco avançasse com um governo da sua iniciativa formado por personalidades da sua confiança política teria muito menos oposição, senão mesmo o apoio velado da esquerda conservador. Nunca esta esquerda se empenhou tanto em qualquer negociação com um governo do PS como temos visto reentemente, nem mesmo a figura pornográfica da Madeira lhes provocou alguma repulsa.

Alguém viu o Bloco de Esquerda antecipar-se às iniciativas da direita como fez com o casamento gay ou mesmo apresentar um projecto alternativo como fizeram, os verdes a mando do PCP? Não, a esquerda conservadora só apresenta propostas alternativas quando concorda com as iniciativas do PS, quando a direita avança com as suas propostas a esquerda conservadora limita-se a apoiar e se lhe derem oportunidade até o Louçã chama a si o protagonismo político, como sucedeu quando da aprovação do Código Contributivo.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

IMAGEM JUMENTO

Rã no Jardim Gulbenkian

IMAGEM DOS VISITANTES

Varanda de Bragança (foto de A. Cabral)

IMAGEM DO DIA

[Eduardo Munoz-Reuters]

«Mud cakes are among the few sources of nutrition in the slums of Haiti as aid workers have encountered difficulty distributing resources.» [The Washington Post]

JUMENTO DO DIA

Eduardo Moniz

É preciso ser mesmo muito mau jornalista para confundir um mero despacho de um juiz de instrução com uma verdade absoluta, ainda por cima quando se sabe que o Supremo Tribunal de Justiça e o Procurador-Geral da República não alinharam com a imaginação criativa do magistrado de Aveiro. Mas a verdade pouco importa a Eduardo Moniz, há muito que não é jornalista e tanto quando dizem por aí a esposa nunca o terá sido.

A postura da família Moniz só prova que para o casal nunca esteve em causa a informação, move-os um ódio a Sócrates que seria interessante se o explicassem.

«O ex-director-geral da TVI, José Eduardo Moniz, considera "assustador" o teor da notícia publicada hoje no semanário Sol, sobre o alegado plano do Governo para controlar os media, por "confirmar os indícios" de ingerência governamental na TVI e defende que o primeiro-ministro "não tem condições" para continuar a governar.

"É assustador termos a confirmação daquilo que eram indícios sérios de intervenção governamental no que diz respeito à TVI e às relações com a sua administração, nomeadamente com a administração da Media Capital", disse hoje à Lusa José Eduardo Moniz.» [Diário de Notícias]

O IMPÉRIO CONTRA-ATACA

Estava a estranhar o silêncio dos magistrados e dos seus amigos (ou "amiga") do SOL, mas eis que apareceu o contra-ataque, apenas estavam a aguardar pelos primeiros sinais de crise política. É assim que actuam os Idi Amins Dada da nossa justiça.

A PRECIOSA AJUDA DE LOUÇÃ A CAVACO SILVA

Fazer tudo o que pode para derrotar o governo do PS no parlamento, chegando a unir-se à direita para ajudar financeiramente o Alberto João, Francisco Louçã está a revelar-se um grande apoiante de Cavaco Silva. Cavaco só a ganhar com o protagonismo político que lhe está a ser dado por esta aliança entre a esquerda e a direita conservadoras.

Enquanto isso Alegre permanece cobardemente calado, não fala sobre nada, se toma uma posição pró-PS fica mal perante o partido que o promove, se critica o seu partido, como fez nos últimos quatro anos, perde ainda mais votos no seu partido. Enfim, há sempre uma voz que se cala.

A LIBERDADE E OS SEUS FALSOS AMIGOS

«Não sei quando é que se cunhou a ideia de que se "se vivem tempos maus pa- ra a liberdade de expressão". Não me lembro por exemplo de ter ouvido tal coisa quando o jornalista João Carreira Bom foi dispensado do Expresso por ter escrito uma crónica a chamar rei do tele-lixo a Balsemão - crónica que o então director do Expresso (agora no Sol) disse só ter sido publicada por não a ter lido antes. Ou quando Joaquim Vieira saiu do mesmo jornal por, segundo ele, divergências com o director em relação à redacção de uma notícia sobre Joe Berardo, anunciado accionista da SIC. Ou quando em 2008 Dóris Graça Dias denunciou a não publicação de um seu texto sobre um romance de Miguel Sousa Tavares, cronista do jornal.

Os três casos, mais aquele que ocorreu no DN quando em Agosto de 2004 a direcção de Fernando Lima decidiu não publicar uma crónica minha por ser "política", podem ser qualificados como clássicos atentados à liberdade de expressão. Foram até denunciados como "censura". No entanto, não só não foram pretexto para caracterização de "um clima" como parecem, inexplicavelmente, ter-se varrido da memória dos que, caso do director actual do Expresso, declaram nunca ter visto ou feito algo de parecido.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PLANO A PASSA A PLANO B (OU C)

«A coisa podia ter sido tratada de forma abrupta. Em vez de Teixeira dos Santos a explicar-se, aparecia Santos Silva. O ministro da Defesa mandava a Sagres, que anda à volta ao mundo, regressar e aportar no Funchal. Eu sei que a Sagres é mais velas, mas cada país tem a política de canhoneira que pode. A coisa, porém, aconteceu mais branda, viu-se ontem. Apareceu Teixeira dos Santos, que começou por dizer um par de vezes "não posso aceitar...", indício de demissão. Mas, afinal, isso ainda era da fase anterior. Fase anterior: já que o liberal CDS e o PSD da contenção de despesas queriam dar mais dinheiro ao Estado madeirense, e a eles se juntavam o PCP e o Bloco, novos amigos de Jardim, o Governo dava a entender que se demitia. Um bluff ousado, é certo, mas justificado pelo risco: o mau sinal que dava lá para fora o aumento de verbas para a Madeira. Para dentro, Teixeira dos Santos atirou este argumento : será o Continente a pagar o que vai dos 14% do IVA madeirense para os 20% por cá cobrados... Dito isto, Teixeira dos Santos, já podendo ser generoso, abandonou o plano A (demissão). E deixou a decisão para Cavaco (plano B). E adiantou, não vá Cavaco tecê-las, o plano C: em todo o caso, não paga mais à Madeira. Afinal, sempre foi política de canhoneira.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A ANEDOTA DO DIA

«O procurador-geral da República (PGR) anunciou hoje a abertura de um inquérito (investigação) à divulgação pelo semanário "Sol" de notícias sobre as escutas telefónicas efectuadas no processo "Face Oculta", que envolvem figuras do PS como Armando Vara e Paulo Penedos.

Uma nota da Procuradoria-Geral da República adianta que, na sequência daquelas notícias sobre matéria em segredo de justiça, foi ordenada a abertura de um outro inquérito pelo procurador-geral distrital de Coimbra.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Toda a gente sabia que mais tarde ou mais cedo as escutas seriam divulgadas pelo SOL, um autêntico órgão oficial do Ministério Público.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao Procurador-Geral que poupe o dinheiro dos contribuintes pois toda a gente sabe que os responsáveis po aquilo a que temos assistido nunca irão a tribunal.»

PACHECO CRITICA FERREIRA LEITE

«Pacheco Pereira lançou ontem, na reunião semanal da bancada parlamentar, fortes críticas à direcção nacional do PSD pela estratégia seguida nas negociações do Orçamento do Estado, segundo disseram ao DN fontes parlamentares do PSD. O deputado social-democrata considerou que na opinião pública ficou a sensação negativa de que a abstenção do seu partido no OE para 2010 está directamente ligada à Lei de Finanças Regionais.

O que, na opinião de Pacheco Pereira, dá margem ao Executivo de José Sócrates para continuar a fustigar a bancada do PSD, tendo já garantida a aprovação do Orçamento.» [Diário de Notícias]

Parecer:

É evidente que Pacheco Pereira tem razão, só que parece não querer perceber que Manuela ferreira Leite é refém da estratégia da candidatura presidencial de Cavaco Silva.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Pacheco Pereira se quer estragar a candidatura de Cavaco Silva.»

O QUE FARÁ CAVACO COM A LEI DAS FINANÇAS REGIONAIS

«A posição final do Presidente da República sobre a proposta de Lei das Finanças Regionais aprovada ontem pelo Parlamento na especialidade, com o sim da oposição e o não do PS, é decisiva sobre o futuro da lei. E é, apesar do esvaziar da crise política, politicamente delicada. A sua decisão será sempre lida assim: ou fica ao lado da oposição ou ao lado do Governo.

Neste caso, o poder do Presidente é reforçado. Por se tratar de uma lei orgânica - que está dentro das competências exclusivas do Parlamento -, a sua confirmação pelos deputados, após um eventual veto presidencial, obriga a que dois terços dos deputados tenham de confirmar a lei. E, com a óbvia oposição do PS, essa confirmação torna-se impossível. Resultado: um veto do Presidente põe um ponto final às pretensões da oposição.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Cavaco tem aqui a oportunidade de tirar o tapete a Manuel Alegre.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

SARAMAGO DIRIA NÃO A UM CONVITE DO PAPA

«A um eventual convite para participar no encontro que Bento XVI terá com personalidades da cultura portuguesa, na sua visita ao País, José Saramago diria não. O Nobel da Literatura explicou ao DN porquê. "Não temos nada para dizer um ao outro", garantiu o escritor que recentemente se envolveu numa polémica com a Igreja Católica, com a obra Caim.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Pois, já que não me convidas...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se uma gargalhada.»

GOOGLE PEDE AJUDA À SEGURANÇA DOS EUA

«A Google está prestes a assinar um acordo com a Agência Nacional de Segurança dos EUA para prevenir o acesso de “hackers” aos seus serviços.

A decisão foi tomada depois de, em Janeiro, a Google ter descoberto uma falha de segurança que permitiu um ataque com origem provável na China.

A Agência Nacional de Segurança (NSA), considerada a mais poderosa organização de vigilância electrónica do Mundo, de acordo com jornal "The Guardian", é a responsável pela protecção dos computadores da administração dos Estados Unidos da América e irá ajudar a Google a perceber como melhorar a segurança dos serviços que presta na Internet.» [Jornal de Notícias]

NEIL PETERS

DEAN'S

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Um agradecimento às agências de rating


Dantes tínhamos o FMI que de vez em quando nos puxava as orelhas, os governo armavam-se em simpáticos, metiam a economia em sarilhos e mais tarde ou mais cedo vinha uma missão do FMI e dizia-nos que ou tínhamos juízo ou passaríamos a andar de alpargatas. Os governos entravam na linha, os sindicatos ficavam mais comedidos, O José Mário Branco animava a extrema-esquerda (hoje esquerda moderna e fiel apoiante do mesmo Manuel Alegre que nesse tempo estava ao lado de Soares e de Constâncio) e editava um disco com o título “FMI”, o povo lá percebia que era mesmo água que chovia e não ouro.

Só que com a entrada no Euro passou a haver algum cuidado, as contas públicas ou entraram na linha ou passaram a ser bem aldrabadas, a dívida externa passou a ser em euros pelo que nos deixámos de preocupar com a necessidade de arranjar dólares, a balança de transacções correntes deixou de ser problema.

Mal surgiu a oportunidade de escapar à rigidez das regras do Pacto de Estabilidade foi o que se viu, o pior ano da economia mundial nos últimos cinquenta anos foi para muitos portugueses um excelente ano, ao salários reais aumentaram como não se via há muito tempo, choveram subsídios e ajudas estatais, o Estado resolveu o problema de todos os que lhes bateram à porta, ficaram de fora os desempregados e os clientes do BPP. Houve dinheiro para tudo e ainda sobrou, a crise foi um excelente argumento para que os partidos se digladiassem para se ver qual era o que prometia mais dinheiro e menos impostos.

O resultado foi o que se viu, o défice disparou para quase 10%, o desemprego não foi travado, as empresas não tiraram grande partido das ajudas e os bancos não deixaram de ser mais restritivos na concessão de crédito ou de aproveitar a oportunidade para cobrar mais juros e comissões. Se não fossem as agências de rating governo e oposição concluiriam que era necessário intervir mais, conceder mais ajudas às empresas, aumentar os subsídios para tudo e para todos, os mesmos que agora se dizem preocupados com o défice voltariam a exigir descidas de impostos o que, aliás, alguns continuam a propor.

Mas tivemos azar, o FMI já não nos chateia, os relatórios da OCDE só são lidos pelos economistas mas apareceram as empresas os desmancha prazeres das empresas de rating e eis que caímos de novo na realidade. Ainda por cima dantes assinávamos um acordo com o FMI e tudo ficava esclarecido para dois ou três anos, agora andamos a roer as unhas ansiosos por saber como a alta finança nos olha como credores.

Só não entendo a admiração de alguns responsáveis políticos, aquilo que está a suceder ao país no mercado financeiro internacional é o que sucede a qualquer cidadão ou empresa portuguesa que entra num banco para pedir um financiamento bancário, se não oferece garantias de que o vai pagar sujeita-se a taxas de juro mais elevadas senão mesmo a sair sem o crédito solicitado.

O que as empresas de rating estão a fazer mais não é do que aquilo que qualquer chefe de uma agência bancária faz todos os dias. Nenhum chefe de uma agência concede um crédito a alguém sem emprego, sem património e viciado no jogo, da mesma forma um casal desavindo ou mesmo uma “união de facto” não é grande ajuda no caso de ser solicitado um crédito à habitação. Ora, se toda a gente sabe que a oposição aprovou o orçamento na generalidade só para inglês ver e que na primeira oportunidade começam as disputas para ver quem consegue ser mais simpático aumentado a despesa, é natural que a finança internacional tenha tanta confiança no país como o chefe da agência bancária terá num casal que lhe vai pedir um crédito à habitação e entra no banco à estalada.

Ainda bem que as agências de rating fizeram o que tinham a fazer, desconfiar de um país onde os políticos só têm imaginação para aumentar a despesa pública, não ousando lançar uma crise política se daí resultarem sinais positivos em meras sondagens eleitorais. Quem confia num país onde o braço direito do Presidente anda a conspirar contra o primeiro-ministro, o maior partido da oposição é liderado por Manuela Ferreira Leite, o ministro das Finanças não sabe a quantas anda o défice e onde 18% dos eleitores acham que o problema se resolve com um Hugo Chavez com uma ditadura do proletariado e o candidato de um partido social-democrata se apresenta aos eleitores apoiado e empurrado pela extrema-esquerda.

Se por cá ninguém tem juízo resta-nos agradecer às agências de rating para que se ponha fim ao ambiente de PREC criado por uma classe política que parece andar com os copos.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

IMAGEM JUMENTO

Mértola

IMAGENS DOS VISITANTES

Marvão (imagem de A. Cabral)

IMAGEM DO DIA

[Rajesh Kumar Singh-AP]

«A woman begs at the roadside in the old part of New Delhi.» [The Washington Post]

JUMENTO DO DIA

Manuela Ferreira Leite

Com a revisão da lei das finanças regionais a pedido de Alberto João e com o objectivo de favorecer eleitoralmente o seu próprio partido Manuela Ferreira Leite mostra a que ponto pode ser oportunista, incompetente e irresponsável. É deprimente ver uma ex ministra das Finanças e candidata recente a primeiro-ministro desprezar o impacto financeiro do favor que pretende fazer á Madeira esquecendo que mais do que o montante está em causa o sinal dado.

O sinal que Ferreira Leite dá ao mercado financeiro é o de que em Portugal os favores políticos à clientela estão acima do interesse nacional e que todo e qualquer acordo orçamental não passou de uma fachada, a seguir promove-se a bandalhice financeira a todos os níveis.

HÁ SEMPE UMA VOZ QUE SE CALA?

Por onde andará Manuel Alegre? O que terá ele a dizer do ambiente de crise política? O que pensa ele das alianças à direita de Louçã, o seu afilhado no fórum da esquerda"? Pois, há sempre uma voz que se cala.

POBREZA DE OPOSIÇÃO

Há alguns dias Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas com muito sério e compenetrados da sua importância para salvar o país entravam para reuniões com o governo para discutir a aprovação do orçamento. Aprovado o orçamento na generalidade os partidos da oposição regressaram à bandalhice financeira que já tinham iniciado com a suspensão do Código Contributivo e fazem tudo, agora com o apoio de uma esquerda conservadora convertida ao perfume da direita, para aprovar a bandalhice financeira na Madeira.

Estes políticos devem achar que os analistas internacionais são parvos e se deixam enganar por aprovações de fachada, quando se sabe que em leis avulso e na discussão do orçamento na especialidade se pode dar o dito pelo não dito e acrescentar uns pontos ao défice orçamental.

SÓCRATES DEVE DEMITIR-SE?

Se através do debate da especialidade do orçamento ou em leis avulsas a direita se juntar à extrema-esquerda para aprovar medidas cujo único objectivo parece ser servir clientelas à custa do aumento do défice e à custa deste infligir derrotas políticas ao governo só resta a Sócrates pedir a demissão e sugerir a Cavaco Silva que nomeie Ferreira Leite pois esta conta com o apoio parlamentar do PCP e do BE.

NÃO CAISAS, s.f.f., PEDE A OPOSIÇÃO

«Há, sem dúvida, uma crise ("risco da dívida portuguesa dispara para dívida recorde", "bolsas portuguesas e espanholas têm as maiores quedas do mundo" - notícias de ontem, com nuvens negras de crise mundial, velhas de mais de um ano, como pano de fundo). Mas quando sabemos que há uma crise séria? Uma crise, mesmo? É quando nos acontece o que nos acontece. Passo a narrar. A Oposição vai votar - e, se unida, vai ganhar a votação - o aumento de verbas para a Madeira. Aprovado o projecto de lei, o Presidente da República promulga-o ou veta- -o. Seria natural que o Governo, colocado em minoria neste caso, gostasse que o PR vetasse e, por uma vez, fosse seu aliado. Mas os sinais que temos é que o PS prefere que a corda fique esticada, com Oposição e PR juntos, de forma a dar pretexto ao Governo para cair. Pelo seu lado, seria também natural que a Oposição visse com bons olhos que o PR promulgasse a lei que ela votou. Mas há também sinais de que, perante a possibilidade de queda do Governo, a Oposição preferia, afinal, que o PR vete. Os que votaram a lei querem a sua perda, os que a recusaram, a sua vitória. Confusos? Era aí que eu queria chegar: isso é que é a tal crise, mesmo. Crise, mesmo, é quando o Governo quer cair e a Oposição quer é segurá-lo.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

APARECEU MORTO

«Na última coluna de Joaquim Vieira como provedor, sugeria mais atenção ao crime. Também acho. E o PÚBLICO ouviu-o. No de anteontem até usaram, como título, uma das minhas expressões predilectas: apareceu morto.

O título era: Dono de cervejaria em Benfica apareceu morto. Logo se aprende que foi encontrado morto na casa de banho. Os populares (outra figura perene de que não poderemos abrir mão) logo se precipitaram a descrever a vítima como "bom vizinho" e "boa pessoa"; duas coisas diferentes, para quem sabe ou já sofreu a diferença - embora, milagrosamente, acumuláveis.

Parecer morto e aparecer morto também são mais diferentes do que se pensa. Embora aparecer (surgir, apresentar-se) pareça uma acção voluntária, exclusiva dos vivos; o choque de encontrar uma pessoa morta justifica atribuir-lhe o aparecimento. O "cresce e aparece" não exclui o "morre e aparece". Tudo o que parece; é ou não é; independemente da mulher de César. Um morto, mesmo quando não é tão estimado como o desafortunado senhor de Benfica, aparece. É uma aparição. Quando se descobre que está morto; é uma coisa que surge do nada, mais do que um nada que desapareceu do tudo.

Parecer morto é um susto que passa. Aparecer morto é uma partida por que não se esperava. Por alguma razão dizemos assim: está certo. A percepção também tem grau. Também a sempre tão viva Rosa Lobato Faria nos apareceu morta. E continua a parecer.

A expressão está certa. Como é que não podia ser assim?» [Público]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

OMINISTÉRIO PÚBLICO INSISTE NA ACUSAÇÃO A VEREADORA DA CM DO PORTO

«O Ministério Público de Gaia não tem dúvidas de que a vereadora do Conhecimento e da Coesão Social da Câmara do Porto, Guilhermina Rego, lesou o Estado em mais de cem milhões de euros. Segundo a Acusação, "Guilhermina – juntamente com um irmão e mais três arguidos – formou uma associação criminosa para defraudar o Fisco".

O MP diz ainda que os lucros da actividade revertiam integralmente a favor dos cinco arguidos e que aqueles apenas entregaram pequenas quantias aos "colaboradores" (os demais arguidos).» [Correio da Manhã]

Parecer:

O problema é que neste país já ninguém acredita no Ministério Público, uma instituição que de processo em processo tem destruído a sua credibilidade e a pouca confiança que os portugueses tinham na justiça. Esta apetência para "prender" políticos, com os processos a atingirem um partido de cada vez não ajuda nada, até parece que os magistrados querem tomar conta do país depois de terem destruído o sistema político e a democracia. Não é por ser uma vereadora do PSD que vou embarcar nos processos de um Ministério Público que considero incompetente e que usa a comunicação de forma manhosa e duvidosa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelas conclusões de um eventual julgamento.»

MAIS UMA DO LIMA?

«Ao contrário do que avança a edição online do jornal 'Público', o gabinete do primeiro-ministro garante ser "totalmente falso" que José Sócrates tenha avisado o Presidente da República de que se iria demitir e que o Conselho de Estado tenha sido convocado por essa razão.

Segundo a edição de hoje do jornal Público, o Presidente da República, Cavaco Silva, só convocou o Conselho de Estado depois de perceber que a ameaça de demissão de José Sócrates e do Governo era um cenário para ser levado a sério.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Quando o Público divulga notícias que envolvem o pessoal do Fernando Lima o melhor é ter um pé atrás.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Fernando Lima se foi tomar café à Av. de Roma nos últimos dias.»

PLANO FUNDAMENTALISTA

«Há um obstáculo comprometedor para os vários investimentos em curso na península de Tróia e no que resta de frente marítima do concelho de Grândola. Desde a Comporta até Melides. A proposta do novo Plano Regional de Ordenamento do Território (PROT) do Alentejo prevê apenas a construção de uma cama turística por cada habitante residente nos respectivos concelhos. No caso de Grândola equivalia a um total de 15 mil camas, mas só Tróia vai ter 15 307 e já estão aprovadas mais 18 mil para todo o concelho.

O autarca local eleito pelo PS a título independente, Carlos Beato, nem queria acreditar no que ouvia quando há dias foi informado da proposta pelo Ministério do Ambiente, alertando estar na disposição de "ir até às últimas consequências" para que o documento, que ainda está em debate entre várias entidades, não chegue à mesa do Conselho de Ministros na actual versão. O edil alerta que o simples facto de a proposta ter passado a existir já se revelou "suficientemente alarmista" para alguns grupos económicos que têm projectos aprovados no concelho.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Reduzir o número de camas ao número de habitantes como se o problema ambiental do turismo resulte de qualquer pressão sore a população local é uma ideia peregrina de ambientalistas fundamentalistas. A verdade é que ao mesmo tempo que surgem planos a limitar investimentos de qualidade que bem geridos até podem contribuir para proteger o ambiente, surgem verdadeiros bairros da lata junto das nossas praias.

Grândola é um dos maiores concelhos do país e ao mesmo tempo um dos menos populosos, limitar dezenas de quilómetros de praia a 15.000 é próprio de gente que acha que o país descobriu petróleo e pode desprezar o aproveitamento da indústria turística, umas das poucas que tem resistido a crises sucessivas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se aos senhores que vão fazer planos para o deserto do Saara»

MR G.Q

DNKY