sábado, maio 15, 2010

O que deram ao país?

Num país onde parece que tudo gira em torno de uma conta de deve e haver em torno dos impostos que se pagam e dos subsídios e borlas que se recebem, começa a ser tempo de questionar os portugueses e, em particular, as elites sobre o que deram ao país.

Por exemplo, o que terão dado ao país alguns dos ministros das Finanças que foram recebidos pelo Presidente da República? Sabemos que receberam cursos gratuitos, que alguns receberam bolsas para se doutorarem no estrangeiro, que coleccionam pensões abusivas, avenças e honorários de comentadores televisivos, isto é, recebem muito e tanto quanto parece deram muito pouco.

O que deram os magistrados ao país? Estudaram à borla, estiveram no Centro de Estudos Judiciários quase à borla, arranjaram emprego certo, ganham muito acima da maioria dos portugueses, recebem mordomias diversas, até tinham mais férias que os alunos da escola primária, mas a nossa justiça é uma desgraça, é quase uma anedota chamar justiça ao que se passa nos nossos tribunais. Ultimamente ultrapassaram mesmo os limites, decidiram intervir na política e fazerem golpes de estado com canhoneiras processuais.

Poderia enumerar quase todas as classes privilegiadas do país, grupos corporativos, ou opinion makers e lançar-lhes a mesma questão, o que têm dado ao país? Pouco, muitos deles nada e uma boa parte até só têm dado prejuízo. Uma boa parte das nossas elites enriquece com o subdesenvolvimento do país, seguem à risca a regra segundo a qual em terra de cegos quem tem olho é rei.

Começa a ser tempo de os portugueses começarem a identificar quem neste país está empenhado no seu desenvolvimento de quem em nome de falsas preocupações com o desenvolvimento está a enriquecer à custa do país, mesmo que esse enriquecimento fácil o esteja a destruir.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Alfama, Lisboa

PORTUGAL VISTO PELOS VISITANTES D'O JUMENTO

Ir ao fundo (fotografia de A. Cabral)

IMAGEM DO DIA

[Jahi Chikwendiu-The Washington Post]

«Lt. Col. John Klatt of the Aerobatic Team from the Air National Guard's 148th Fighter Wing in Duluth, Minn., does aerobatic stunts in his Staudacher S-300D aircraft near Stafford Regional Airport in Fredericksburg, Va. Klatt is in the Washington area to perform at the Joint Services Open House and Air Show at Andrews Air Force Base. » [The Washington Post]

JUMENTO DO DIA

Pacheco Pereira, deputado do PSD

Pacheco Pereira devia explicar aos portugueses e, em particular, aos que o elegeram porque razão os deputados devem não acompanhar os restantes titulares nos sacrifícios para enfrentar a crise por terem sido eleitos. Parece que a legitimidade democrática funciona como argumento para que os deputados façam sacrifícios menores.

«Da parte do PSD, a única proposta concreta foi o corte de 2,9 por cento nos salários dos políticos e gestores públicos, justificada, segundo Passos Coelho, porque "a classe política deve dar o exemplo". E admitiu que até podia ser pedido mais do que 2,9 por cento. Foi quase só neste ponto que incidiu um reparo às propostas do PSD na bancada parlamentar. Pacheco Pereira defendeu a separação entre as duas categorias, alegando a legitimidade democrática de quem é eleito. » [Público]

PATÉTICO

Ouvir um Presidente da República todo babado dizendo que o Papa disse o nome dos seus netos e quando a jornalista o questionou se o papa sabia os nomes respondeu que foi ele que os ia dizendo. Por este andar ainda vou ver um torneio de dominó nos jardins do Palácio de Belém.

RECESSÃO

Muitos dos que receiam a recessão como consequência das medidas adoptadas pelo governo com o apoio prévio do PSD parecem ignorar o que poderia suceder na ausência dessas medidas. Se estas medidas restringem o consumo e por essa via podem conduzir a uma redução do crescimento económico, a falta de confiança dos investidores na economia portuguesa poderia ter consequências bem mais graves, quer ao nível do acesso ao crédito, quer no plano do investimento.

É cedo para prever as consequências económicas, não é difícil prever se o efeito positivo da confiança dos investidores compensará a retracção do consumo. Tudo vai depender do que for feito para promover e facilitar o investimento. O governo já anunciou uma reforma da legislação laboral, resta agora anunciar o fim da infinidade de esquemas montados pela burocracia para "cravar" todos os que decidem investir.

São necessárias medidas que acelerem a implementação de novos investimentos, que reduzam os custos iniciais desses investimentos e que aligeirem a carga fiscal às novas empresas.

MARGOS DE BOCA

«A decisão tomada pelos chefes de Estado e de Governo da União Europeia de criarem um quadro de emergência para estabilização do euro, seguida pela sua concretização na reunião dos ministros das Finanças no passado fim-de-semana, foi por muitos considerada tardia. Mas pode-se dizer que veio ainda a tempo de estancar o apertar do cerco que vinha a desenvolver-se a partir da crise grega, ameaçando já directamente a economia portuguesa e a espanhola e, assim, pondo em causa a credibilidade da moeda comum europeia.

Importa, desde logo, retirar duas lições preliminares.

Por um lado, os mecanismos de decisão da União e o sentido de responsabilidade comum por uma moeda com vocação global mostram-se desadequados e insuficientes face à realidade do mundo global em que vivemos. A agilização desses mecanismos e o reforço da vontade política que preside ao seu accionamento constitui um desafio central. A que começou a responder a Comissão com as propostas que avançou esta semana quanto à coordenação das políticas económicas dos Estados membros.» [DN]

Parecer:

Por António Vitorino.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A PROFESSORA, A VACA E O ESSENCIAL

«A editora Civilização foi tola. Já alguém disse e bem: "Posso contar todo o tipo de anedotas. Não as conto é a toda a gente." Judeus que contam anedotas sobre campos de concentração só o fazem depois de olhar à volta e confirmar que não há nazis na sala. Porque o humor é sempre uma cumplicidade entre quem conta e quem ouve. Que tácito acordo, que cumplicidade, que piscar de olho os responsáveis daquela editora esperam encontrar nos miúdos a quem eles contam a anedota que chama vaca às professoras? Publicaram- -na no livro 365 Piadas Novas, numa colecção "infanto-juvenil" dirigida a crianças a partir dos 7 anos. Pelo que se pode ler no texto publicado hoje no DN (pág. 31), várias organizações profissionais de professores protestam pelo insulto aos professores. O lamento destes não me impressiona. Mal seria que uma profissão não aguentasse as aleivosias que se contam sobre ela. Políticos, médicos, jornalistas, professores, quase todos têm a sua quota de "racismo" social, para o qual não há remédio. Remédio há, e até santo, mostrando à editora que ela, se continuar a ser tola, perde comercialmente. E essa reacção é salutar por haver vítimas indefesas: uma criança não pode ver na professora uma vaca. Não por causa da professora (que bem deve poder com isso) mas pela criança. » [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

LADRÕES SEM CASACA

«Bom, lá veio o apocalipse: aumentos em praticamente todos os impostos, retracção no investimento público e um recuo do governo em várias das suas apostas e promessas nas últimas eleições. Isto sucede, estranhamente, no momento em que se descobre que Portugal é, na UE, o país cuja economia mais cresceu - ou seja, melhor recuperou da recessão. Bem sei que não percebo nada de economia (é sempre bom avisar) mas isto é, até para uma néscia como eu, um bocado paradoxal de mais.

Faz sentido sufocar e castigar uma economia quando ela dá mostras de recuperação? Não poderão estas medidas ter efeitos recessivos, ou seja, agravar a situação do País? E se os motivos próximos ou mesmo directos destas medidas são as avaliações desfavoráveis das empresas de rating, que se deveriam à noção de que a economia portuguesa não iria recuperar, se está a recuperar como se explica que se funcione como se não estivesse? Mais: se ainda anteontem o Governo, o Presidente da República e até os responsáveis da UE frisavam que Portugal e toda a zona euro estavam a ser objecto de um ataque "dos especuladores" sob a forma das avaliações das empresas de rating, por que motivo agora se conformam com funcionar de acordo com regras e parâmetros cuja justeza, veracidade e eficácia não reconhecem?» [DN]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

EU QUERO UM TGV

«Para cada coisa que se faz há sempre muitos argumentos para não se fazer. Dos mais plausíveis aos mais absurdos. É assim a vida. Mas em Portugal gerou-se uma onda contra todo e qualquer empreendimento que escape à vulgar rotina da conjuntura. São muitos os que perante qualquer projeto logo encontram mil maneiras de se oporem.

O caso do TGV é paradigmático. O tema tem anos. Foram feitos todos os estudos. Além dos aspetos positivos, e são muitos, existe um compromisso de ligação a Espanha. Está assinado e celebrado. Mesmo assim a negatividade e maledicência nunca descansam. Primeiro foi a polémica das geometrias. Gente que não entende do assunto manifestou-se contra os percursos, sugeriu outros, exigiu a alta velocidade à porta ou nada. O PSD, que hoje é contra o Lisboa-Madrid, desenhou nada menos de 5 linhas de forma a satisfazer clientela e autarcas. Depois, foi a questão das bitolas, das mercadorias, do número de passageiros, do preço do bilhete, da rendibilidade, até se chegar a este argumento dos argumentos que é a falta de dinheiro.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Leonel Moura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

GOVERNO NÃO PRESSIONOU A PRISA PARA FAZER NEGÓCIO COM A TVI

«Manuel Polanco garante que nunca exisitiu pressão do Governo para que a Prisa fizesse o negócio com a PT. “Planeamos esta operação sempre do ponto de vista comercial. Era um grande negócio para ambas as partes. Nunca, em absoluto, houve uma pressão de nenhum membro do Governo”.

O administrador da Prisa explicou ainda que o negócio só não avançou por “temas financeiros, muito financeiros”. “Tinhamos uma série de necessidades e necessitávamos que os nossos credores aceitassem uma serie de condições que não estavam nesse ‘term sheet’”. Manuel Polanco disse ainda que recebeu uma chamada de Zeinal Bava, a 26 de Junho [data em que Mário Lino comunicou a oposição do Governo ao negócio] “a dizer que o negócio ficava suspenso”. “Creio que comentou que o tempo da operação não era o adequado e que tinhamos de esperar”» [CM]

Parecer:

Já se sabia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Esperemos que o inspector da Marmeleira encontre as provas que tanto procura.»

PROFESSORES INDIGNADOS COM LIVRO QUE OS COMPARA A VACAS

«Uma anedota destinada a crianças que compara o professor a uma vaca está a causar mal-estar junto da classe e até já levou docentes a queixarem-se à editora Civilização, responsável pelo livro infantil onde foi publicada (ver imagem). Os professores entendem que a piada surge na pior altura, precisamente quando sucedem casos de ataques de alunos à sua autoridade.

A editora já anunciou que vai retirar a anedota do livro 365 Piadas Novas, indicado para crianças a partir dos sete anos. "Recebemos duas ou três cartas de professores e como estamos a fazer uma nova impressão decidimos retirar essa anedota. Por isso, na nova edição já não aparece", adiantou ao DN a directora editorial da Civilização, Simona Cattabiani.» [DN]

Parecer:

Convenhamos que é demais:

"- Meninos! que é que dão os carneiros?
- Os carneiros dão-nos lã.
- Muito bem! E a galinha?
- A galinha dá-nos ovos.
- Perfeiro! E a vaca?
- A vaca dá-nos trabalhos para casa."

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se aos professores que peçam ao Mário Nogueira para fazer uma manif do tipo "espera" ao director da editora.»

MAIS UMA REFORMA DO MERCADO LABORAL

«O Governo quer tranquilizar os mercados. E nas medidas adicionais do Programa de Estabilidade e Crescimento que entregará segunda-feira em Bruxelas inscreveu uma promessa: "implementar um programa de aprofundamento de reformas estruturais", nomeadamente do "mercado de trabalho, em linha com recomendações da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico)]".

O compromisso consta do documento que o Governo fez chegar ao PSD com a síntese de medidas a aplicar. Porém, não constou do comunicado do Conselho de Ministros sobre o "pacote de austeridade". O gabinete do primeiro--ministro garantiu ao DN que se tratou de um "lapso" ao terem sido "sintetizadas as medidas", mas admitiu que esse ponto faz parte do caderno de encargos que Portugal vai assumir perante os seus parceiros da União Europeia. O que ninguém no Governo esclareceu foi que orientação será dada a essa reforma - que promete ser sensível, em momento de crise social.» [DN]

Parecer:

E vão três.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelas propostas.»

QUEREM DESPEDIR UMA PROFESSORA POR TER POSADO PARA A PLAYBOY

«Bruna, professora responsável pelas Actividades Extra-Curriculares (AEC) na escola de Torre de Dona Chama, no concelho de Mirandela, corre o risco de ser despedida depois de ter aparecido na edição de Maio da revista Playboy em poses ousadas com outra mulher.

O director do Agrupamento de Escolas da Torre de Dona Chama, José Pires Garcia, garantiu que pediu à Câmara Municipal que tome “uma atitude”.”Mal tive conhecimento do assunto, há poucos dias, contactei a autarquia por correio electrónico”, uma vez que a contratação dos professores das AEC é da responsabilidade do município e não da escola, disse ao JN.» [DN]

Parecer:

Palermas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se aos rapazes se compraram a revista para ver a colega nua.»

PENA LEVE

«Os ex-presidentes do BCP, Jorge Jardim Gonçalves e Filipe Pinhal, e os ex-gestores Christopher de Beck, Alípio Dias e António Rodrigues foram castigados pelo Banco de Portugal com coimas entre um milhão de euros e 450 mil euros, e com a inibição de exercício de actividade na banca entre nove e quatro anos. Ao fim de quase três anos, e a duas semanas de abandonar as funções no Banco de Portugal (BdP), Vítor Constâncio acusou de dolo cinco gestores do BCP e um ex-director, por prestação de informações falsas e de adulteração das contas com prejuízo no conhecimento da situação patrimonial e financeira do banco.» [Público]

Parecer:

O prejuízo que deram ao BCP parece ter sido muito superior às multas que vão pagar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se a mão leve do Banco de Portugal.»

AGORA O PROBLEMA É DA CURA

«O PSI 20 perdia 4,05% para 7.027,31 pontos, um dos piores desempenhos no monitor da Bloomberg que acompanha a evolução de 93 índices accionistas mundiais.

As principais praças europeias também seguem com perdas acentuadas, assim como os índices norte-americanos. O índice espanhol IBEX 35 afundava 5,5%, enquanto o principal índice grego recuava 4,1%.

Na origem das quedas estão os receios dos investidores de que as medidas tomadas pelos países europeus, como Portugal e Espanha, para reduzirem os seus elevados défices, comprometam o crescimento económico da região.» [DE]

Parecer:

O mercado financeiro anda muito nervoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se calma.»

SÓCRATES, O OPTIMISTA

«No final de uma visita às obras de conversão da refinaria de Sines, o "maior projecto industrial português" em curso, avaliado em 1300 milhões de euros, o chefe de Governo apresentou "três factos" para sustentar a sua confiança.

"Portugal foi um dos primeiros países a sair da condição de recessão técnica depois da eclosão crise e mundial; foi também um dos países que melhor resistiu à crise em toda a Europa; e finalmente Portugal teve este trimestre o maior crescimento da Europa", enfatizou.

"Isto são factos, não são opiniões nem pontos de vista", observou, salientando: "Portugal teve um comportamento que lhe permitiu ser dos primeiros a sair da recessão, que permitiu apresentar-se como um dos países que melhor resistiu à crise e que mais cresceu economicamente em 2010".» [DE]

Parecer:

A cada crise de optimismo de Sócrates costuma seguir-se mais um furo no cinto.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao primeiro-ministro que seja mais modesto no optimismo.»

QUEM FALOU EM ASFIXIA

«O presidente do Governo Regional da Madeira disse hoje “estar-se nas tintas” para as críticas que o ex-diretor do Diário de Notícias do Funchal lhe dirigiu em editorial de quinta feira explicando as razões por que se demitia do cargo.

O diretor do Diário de Notícias do Funchal, Luís Calisto, anunciou quinta feira em editorial a demissão do cargo que exercia desde outubro de 2005, acusando o presidente do Governo Regional de estar a “fazer bullying à imprensa regional”.

“Toda a gente sabe que o diretor cessante não tinha categoria para desempenhar aquele lugar, depois, para disfarçar as suas limitações, foi para aí abaixo numa série de ataques pessoais e não só”, começou por comentar Alberto João Jardim o caso da demissão de Luís Calisto.

“O referido senhor acabou por deitar para cima de mim, o que não deita porque estou-me nas tintas, as razões do seu fracasso e da sua má política empresarial que tem sido seguida no Diário de Notícias”, disse.» [i]

Parecer:

Curiosamente na Comissão de Ética do Parlamento ninguém falou da Madeira.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento à Comissão de Ética.»

BANCOS PORTUGUESES ENTERRADOS NA GRÉCIA

«Os activos gregos que os bancos portugueses detêm, em proporção do seu capital, excedem os das outras entidades financeiras dos restantes países que compõem a Zona Euro, segundo um relatório da Moody’s Capital Markets Research Group.

Os bancos sedeados em Portugal detêm activos gregos num valor total de quase 23% do seu capital, referiu a Moody’s, citando os dados compilados pelo Banco de Pagamentos Internacionais e pela Moody’s Investors Service.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

O que terá levado os nossos banqueiros tão cuidadosos com os clientes portugueses a enterrarem-se na aldrabona Grécia?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»

FRANQUISTAS VENCERAM MAIS UMA BATALHA DA GUERRA CIVIL DE ESPANHA

«Emocionado, com os olhos em lágrimas, Baltasar Garzón abandonou ao fim da manhã a Audiência Nacional após ter sido suspenso de funções ao estar pendente o seu julgamento por ter assumido competências que não tinha na investigação dos crimes do franquismo.» [Público]

Parecer:

Hão-de pagá-las!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»

AVK

RESIDENT EVIL

sexta-feira, maio 14, 2010

A crise tem costas largas

Quando a receita fiscal aumentava a comunicação social e os governos elegeram o director-geral como herói nacional, modelo de gestor moderno, modernizador do fisco, a Impresa até o elegeu como gestor do ano. Se tivesse sido seguido o mesmo agora que as receitas fiscais baixaram o lógico seria fazer um auto de fé e queimar o director-geral dos Impostos no Terreiro do Paço.

É evidente que não tenho o mais pequeno desejo de ver o coitado do director-geral dos Impostos transformado em churrasco até porque muito provavelmente não tem qualquer culpa. Mas não deixa de ser curioso que ninguém se interrogue sobre as razões da queda da receita fiscal, deixando-se no ar de que é uma mera consequência da crise financeira.

Só que a queda brutal da receita fiscal deveu-se a uma queda da receita do iva, queda tão grande que não pode ser explicada pela redução da actividade económica. Se a crise não explica a acentuada redução da receita fiscal e tanto quanto se sabe não foi instituída nenhuma nova off-shore em território nacional esta só pode ter três explicações, a ineficácia da máquina fiscal, a adopção de medidas desastrosas no domínio das normas fiscais, ou o falhanço no combate à evasão fiscal.

É imoral pedir sacrifícios aos portugueses sem se dar uma explicação sobre o sucedido, sem apurar causas e, se for caso disso, identificar responsabilidades e responsáveis, sejam dirigentes do fisco, membros do governo ou mesmo assessores (ou assessoras) governamentais. Se no passado os dirigentes da DGCI foram agraciados com louvores e promoções a administradores de banco enquanto o governo decretava o sucesso no combate à evasão fiscal, seria lógico que agora fosse seguido o mesmo critério.

Mas fiquem os gestores do fisco e os membros e assessores do governo descansados porque a crise tem as costas largas, em nome da crise os portugueses cumpridores, os que costumam pagar as despesas do país mesmo que para isso deixem de ter dinheiro para comer, vão mais uma vez serem sacrificados com aumentos de impostos.

Os incompetentes podem continuar a passar por competentes, os advogados e jurisconsultos da arte da fiscalidade podem continuar a enriquecer com a bênção governamental, os professores de direito podem continuar a fazer currículo, ninguém vai ter que explicar ou responder pela falência da receita fiscal. A crise tudo explica, a crise tem as costas largas, os pobres poderão continuar a suportar os custos da incompetência ou oportunismo alheio.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Cadeiras À espera do Papa no Terreiro do Paço, Lisboa

PORTUGAL VISTO PELOS VISITANTES D'O JUMENTO

Falcoeiro na Aldeia de Monsanto (fotografia de A. Cabral)

IMAGEM DO DIA

[Javier Soriano/Agence France-Presse/Getty Images]

«FEELING FAINT: A pilgrim was carried on a stretcher during the pope’s Mass in Fatima Thursday. Many pilgrims spent the night outdoors to attend the event.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

José Sócrates e Pedro Passos Coelho

Ainda há poucos dias Sócrates assegurava que todas as grandes obras seriam realizadas e que não haveriam aumento de impostos, isso significa que alguém o enganou ou que era ele que estava enganado. Passos Coelho assegurava que o problema se resolvia com a redução da despesa intermédia do Estado, no debate com os seus rivais nas directas do PSD até chegou a invocar as conclusões de um grupo de sábios que o apoiava, agora vem subscrever um aumento de impostos.

TIRAR PARTIDO DO CINTO APERTADO

«Os irlandeses, por causa da mãe de todas as crises (importada dos banqueiros americanos), já apertam o cinto há dois anos. E deles não ouvimos queixumes. É gente que desconfiava do seu próprio sucesso recente. E, depois, é gente com memória, têm os anos da fome da batata registados no ADN. Eles baixaram salários e reformas e não abriram telejornais queimando bancos. Com os gregos foi outra coisa. Os gregos são outra coisa. Eles não são vítimas só da irresponsabilidade dos financeiros, são vítimas de si próprios. Os de cima aldrabaram nas contas públicas e os de baixo, como todos os que caem no conto-do-vigário, foram vítimas da própria cupidez. Sim, ser reformado aos 58 anos (qualquer um ser reformado aos 58 anos, não só os mineiros) é cupidez e esta só não a pagam os ricos. Agora, chegou-nos a vez de apertar o cinto. Apertar, apertaremos sempre, por mais ou menos que estrebuchemos (como os irlandeses ou os gregos). Podemos é partir para o sacrifício mais ou menos convencidos. E poderemos ser encarreirados para um ou outro caminho consoante as medidas políticas. As medidas financeiras doerão a todos. As políticas ajudarão a suportar a dor. Bater em fundações imprestáveis e cargos inúteis, por exemplo, seriam medidas políticas. E há outra coisa: talvez nos criassem bons hábitos. » [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PASSOS COELHO FOI AO "PERDOA-ME"?

«O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, pediu esta quinta-feira desculpas aos portugueses pelo conjunto de medidas acordadas com o Governo, não porque se sinta “pessoalmente responsável” pelo caminho seguido até agora pelo Executivo, mas pelos sacrifícios que elas [as medidas] representam.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Passos Coelho esquece que o último governo do PSD fez o mesmo e nem sequer havia uma crise financeira internacional.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se às televisões que façam uma reedição do "Perdoa-me".»

SÓ NOS EUA

«Mark Seamand, que mora numa zona rural do estado de Washington, diz ter marcado os filhos com as iniciais 'SK' ('Seamand's Kids' - os Filhos de Seamand) para que toda a gente saiba que são seus filhos.

O filho mais novo, de 13 anos, foi marcado no peito; o do meio, de 15, foi marcado num braço; e a filha mais velha, de 18 anos, foi marcada numa perna.

Segundo as autoridades os filhos aceitaram de bom grado ser marcados com um ferro a ferver. Ainda por cima, mostram-se orgulhosos das marcas e tencionam defender o pai em tribunal...» [Correio da Manhã]

SÓCRATES ESQUECE COMBATE À EVASÃO FISCAL

«No anúncio oficial, o primeiro-ministro disse que a meta é diminuir o défice já este ano para 7,3%, em vez dos 8,3 previstos no Programa de Estabilidade e Crescimento, e para 4,6% em 2011.

"O esforço tem de ser feito por todos", afirmou Sócrates na habitual conferência de imprensa realizada após o Conselho de Ministros, que hoje discutiu e aprovou o plano de combate ao défice, negociado previamente com o PSD. O primeiro-ministro (PM) vincou que o programa será dividido em duas partes iguais: “esforço do Estado, com redução da despesa, e a outra metade distribuída pela sociedade, com aumento de impostos”.» [DN]

Parecer:

Pagam os que cumprem com as suas obrigações.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

CM DO PORTO BOICOTA MENSAGEM DO FCP AO PAPA

«O FC Porto acusou hoje a Câmara do Porto de "boicotar" a sua mensagem para Bento XVI já que os fiscais da autarquia "ordenaram a remoção" de um pendão que estava na antiga sede do clube na Avenida dos Aliados.

"A Câmara Municipal do Porto decidiu impedir que o FC Porto exibisse uma mensagem ao Papa Bento XVI, aquando da sua passagem pela Avenida dos Aliados", diz hoje o clube em comunicado divulgado no seu site oficial.» [DN]

Parecer:

Isto dá vontade de rir.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

EMPRESA ISLANDESA VENDE CINZAS DE VULCÃO

«Uma pequena empresa islandesa está a vender cinzas do vulcão Eyjafjöll pela Internet e desfruta já de um sucesso enorme, tendo recebido pedidos de mais de 130 países.

A loja on-line Nammi.is, que vende produtos diversos da Islândia, está a vender, há 10 dias, potes de 160 gramas de cinzas vulcânicas a 3.900 coroas islandesas, o que equivale a 23,80 euros, sendo que os lucros das vendas são doados para a caridade. » [JN]

PASSOS COELHO DIZ QUE NÃO DÁ CHEQUE EM BRANCO PARA O PRÓXIMO OE

«O líder do PSD Pedro Passos Coelho explicou hoje, após reunião com o Governo, a razão pela qual os sociais-democratas decidiram acordar com o Governo um aumento de impostos e uma política de contenção orçamental para recuperar as finanças portuguesas, falando de uma situação de emergência.» [Público]

Parecer:

Pois não, com as medidas agora acordadas deu um cheque visado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

ANNA MOROZOVA

PAPA SUSPENDEU VISITA AO PORTO

Mal chegou à capital do norte foi confundido com um adepto benfiquista que pretendia festejar o campeonato na Av. dos Aliados.

ENERGIZER