sábado, junho 26, 2010

Só os pobres são portugueses?

Neste mundo globalizado, com mobilidade de capitais, off-shores para todas as facilidades começa a ser difícil falar em nação, a não ser que seja a propósito da bola e, mesmo assim, isso começa a ser difícil com treinadores como Queiroz, que acham que a selecção é daqueles que o apoiam. Dantes a justificação do capitalismo assentava no pressuposto de que capitalistas e trabalhadores concorriam para um mesmo objectivo nacional uns dando o seu trabalho, outros contribuindo com o capital.

Agora, no domínio da economia apenas os que trabalham entram no conceito de nação, há trabalhadores nacionais enquanto o capital é internacional. Poderão dizer-me que tal como há livre circulação dos capitais também existe livre circulação de trabalhadores. Mas não é bem assim, enquanto o capitalista pode dar uma ordem ao banco e segundos depois o seu capital é investido algures no mundo, o trabalhador não pode fazer o mesmo, aliás, sai mais caro a um trabalhador sair de Portugal para ir procurar trabalho na Alemaha no que investir em acções na Wall Street. Em limite, todos os capitais poderiam migrar para praças financeiras no estrangeiro enquanto tal cenário é impossível para os trabalhadores, os primeiros têm mobilidade total e quase instantânea, os segundos têm raízes e limites da mais diversa ordem.

O país é forçado a adoptar políticas de austeridade para tranquilizar os investidores e como alguns dizem, com razão, são os que trabalham que pagam a crise. A realidade é pior ainda, as poupanças de muitos dos portugueses ricos estão aplicadas nos grandes bancos internacionais e quando se diz que os investigadores seguem os conselhos das empresas de rating esquecemos que muito provavelmente entre esses investidores estão capitais exportados por portugueses, que os aplicaram na banca internacional, directamente ou via off-shores.

Isto é, enquanto os trabalhadores portugueses sofrem com a crise, alguns dos nossos capitais são melhor remunerados quando emprestados ao próprio país graças à especulação promovida pelas empresas de rating. Assim sendo temos três tipos de capitalistas portugueses, os que exigem a liberalização do despedimento para investirem, os que ajudam o país a afundar-se exportando os capitais e beneficiam dos ataques especulativos e os outros, que são cada vez menos.

Se apenas o trabalho assume objectivos nacionais independentemente da saúde da economia portuguesa e os capitais portugueses são investidos depois de transvertidos de crédito externo teremos de questionar se os donos desses capitais serão portugueses. Poderão sê-lo de um ponto de vista administrativo, nasceram cá e têm direito à nacionalidade, mas não o são enquanto nação, tal como o seu dinheiro não têm bandeira.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Cacilheiro, Lisboa

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva, pré-candidato às presidenciais

É cada vez mais evidente o conceito de cooperação estratégica de Cavaco Silva, quando o governo fica bem na fotografia, quando enfrenta dificuldades o presidente da república assume o estatuto de líder da oposição. Não sei se Sócrates se estava a referir directamente a Cavaco Silva quando criticou os arautos do pessimismo, mas a verdade é que se as empresas de rating considerassem apenas as declarações de Cavaco Silva o país já estaria "proibido" de se financiar no mercado de capitais.

Quem é honesto ou fala sempre verdade, como disse Cavaco Silva, não o precisa de afirmar e reafirmar sempre que está em dificuldades. De qualquer das formas mesmo que Cavaco seja muito honesto não conseguiu explicar aos portugueses como é que ganhou 100% num negócio de compra e venda de acções em que os preços foram fixados administrativamente por Oliveira e Costa. Até poderá falar sempre verdade mas as suas declarações acerca das suspeitas de que a Presidência da República estava sob escuta deixaram muitas dúvidas nos portugueses.

Cavaco Silva está cada vez mais em campanha eleitoral não assumida o que até pode ser bom, tendo a percepção de que está a ser visto com maior atenção tenderá a ser mais agressivo como vimos hoje, dando-se a conhecer. Só que pode poupar o país a declarações de honestidade, como a que fez hoje, ou as que fez em relação a Dias Loureiro ou quando (não) explicou os seus negócios no mercado de acções não cotadas.

ROBERTO JUMÉNEZ, O NOVO "GUARDA METAS" DO BENFICA

O QUE OS 22 DEVEM A PORTUGAL

«Esta tarde, reparem nos jogadores mais escuros, de Miguel a Maicon, passando por Liedson e Robinho. Nenhum usa pó-de-arroz! O porquê da exclamação? Eu conto: em 1914, Carlos Alberto, vago moreno, para jogar ao lado dos grã-finos e brancos do Fluminense, clube do Rio, usava aquele artifício para parecer igual aos colegas - e, ainda hoje, esse é o nome, "pó-de-arroz", lançado aos do Fluminense. Mero episódio? Não, era o costume do tempo. Em 1921, o Presidente brasileiro Epitácio Pessoa deu ordens para só haver brancos na equipa brasileira que ia jogar à Argentina. Sabem quando tudo mudou? Em 1922, o Vasco da Gama subiu ao campeonato principal - era o clube dos comerciantes portugueses do Rio de Janeiro. Clube dos Manuéis, vendendo bacalhau e usando tamanco, tá vendo? Pois, mas o primeiro clube a alinhar brancos, negros e mulatos. Já em 1904, o Vasco da Gama tinha eleito para presidente um tal Cândido José de Araújo, mulato: "Nunca tinha acontecido num clube desportivo brasileiro" (Histoire du Football au Brésil, de Michel Raspaud, livro lançado este mês em Paris). Um dia, o clube fez este anúncio: "Clube de Regatas Vasco da Gama - um clube tão preto e branco quanto o Brasil". Portugal há muitos, o meu é este, o do Vasco da Gama e o do Coluna em 66. Sem pó--de-arroz. Por isso, olho antes de o jogo começar e vejo que estou a ganhar. » [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

HÁ MAIS 600 NOVOS "MILIONÁRIOS"

«A crise em que mergulhou o País durante o ano passado não impediu que a lista de portugueses com uma fortuna avaliada em mais de um milhão de dólares (815 mil euros) ganhasse 600 novos nomes. De acordo com o estudo World Wealth Report 2009, elaborado em conjunto pela Capgemini e Merrill Lynch, no final de 2009 havia em Portugal um total de 11 mil milionários, um número que representa um crescimento de 5,5% face aos 10 400 milionários registados no relatório de 2008.

Segundo o relatório da Capgemini e Merrill Lynch - que exclui da contabilização do património as casas e restantes bens consumíveis -, a subida do número de milionários em Portugal foi alimentada pelo aumento dos preços do imobiliário (em 0,2%) e pela forte descida das taxas de juro. Outro factor apontado no World Wealth Report para o crescimento de mais de 5% no número de milionários portugueses foi a valorização da Bolsa portuguesa, que cresceu 33,5% em relação a 2008. A valorização de muitos títulos - principalmente no terceiro trimestre do ano, quando o PSI-20 valorizou 19,2% - terá contribuído fortemente para o crescimento de fortunas no País, salienta o estudo.» [DN]

Parecer:

Convenhamos que um milhão de dólares já não torna ninguém milionário.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Analise-se.»

CAVACO AINDA TEM DÚVIDAS SOBRE CONSTITUCIONALIDADE DO AUMENTO DO IRS

«Cavaco Silva confessou ontem ter pedido "pareceres jurídicos" sobre as leis do PEC aprovadas no Parlamento. O Presidente quer, apurou o DN, tirar a limpo se há ou não inconstitucionalidade na sobretaxa do IRS. Só depois de tirar as dúvidas, e de juntar à análise jurídica a económica e a política, é que o Presidente vai anunciar o que fará com a lei.

Numa declaração incomum, Cavaco revelou que os diplomas chegaram a Belém na terça-feira. O Presidente tem oito dias para pedir ao Tribunal Constitucional a fiscalização preventiva dos projectos. Se o fizer, abrirá a porta ao veto.» [DN]

Parecer:

É aquilo a que se chama cooperação estratégica, primeira pressiona para que haja acordo nas medidas e depois arma-se em bonzinho junto dos que são contra.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Contem-se os dias até às eleições presidenciais.»

CAVACO QUER VER DECISÕES AVALIADAS EM FUNÇÃO DA COMPETITIVIDADE

«O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou hoje "urgente que toda a política pública seja avaliada" em função da competitividade externa das empresas, encaminhando o financiamento para sectores capazes de contribuir para a "recuperação económica sustentável do país".

"Na situação em que nós nos encontramos parece-me urgente que toda a política pública seja avaliada em termos do seu efeito sobre a competitividade externa das empresas", começou por afirmar o Chefe de Estado, perante uma plateia de jovens empresários, no final do primeiro dia do seu V Roteiro para a Juventude. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

É uma pena que não tenha seguido este critério quando foi primeiro-ministro ou ainda antes, poderia, por exemplo, começar por avaliar a revalorização do escudo quendo era ministro das Finanças.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso amarelo.»

REGRESSO MASSIVO A ESPANHA DE DINHEIRO COLOCADO EM OFF-SHORES

«A administração fiscal espanhola espera a maior regularização de dinheiro da democracia. O processo desencadeado pela revelação das contas da filial suiça do HSBC levará à repatriação de um montante difícil de calcular, mas que segundo fontes ouvidas pelo jornal "Expansión" poderá chegar a quinze mil milhões de euros.

O processo é despoletado pela revelação de dados de até 1.500 clientes do HSBC, com três mil contas na Suiça no valor de seis mil milhões de euros, segundo dados da própria entidade.

Os clientes em causa deverão declarar à administração fiscal todo o montante em fundos no estrangeiro que está a salvo dos impostos espanhóis, em qualquer entidade ou jurisdição. A administração fiscal argumenta que é preferível regularizar a situação e escapar a uma investigação mais profunda.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

E por cá?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao ministro das Finanças.»

BÉLGICA: MAIS SUSPEITAS DE PEDOFILIA NAS SACRISTIAS

«Depois de várias acusações de menores contra padres por abuso sexual, a polícia belga revistou, na quinta-feira, a sede da Igreja católica em Malines, a norte de Bruxelas.

«A promotoria foi informada de acusações que denunciavam abusos contra menores cometidos por um determinado número de pessoas da Igreja», explicou à agência AFP um porta-voz da promotoria da capital, Jean-Marc Meilleur. » [Portugal Diário]

Parecer:

Parece que a pedofilia continua.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelas investigações.»

EDDI GER

WWF

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sexta-feira, junho 25, 2010

Igualdade estatística

Segundo as estatística eu sou rico, por viver em Lisboa partilho dos rendimentos da PT, sou possuidor de uma parte da fortuna da família Espírito Santo e ainda tenho uns trocos gentilmente cedidos por Belmiro de Azevedo, por conta da actividade das suas empresas em Lisboa. Em contrapartida, um grande armador da Póvoa do Varzim é um pobretanas ao meu lado, quando me cruzo com ele na auto-estrada ainda posso gritar-lhe desde a janela do meu velho Hyundai (estou a mentir, acabei de comprar um Honda) “então seu grande teso, quando manda esse chasso de Mercedes SL S AMG para a sucata?”.

É por eu ser rico que quando vou a São Domingos de Rana tenho que pagar portagem na auto-estrada de Cascais, mesmo não havendo alternativa, enquanto que se ele for passar a noite com a amante num apartamento na Foz beneficia de uma borla em nome da solidariedade a que a condição de rico estatístico estou obrigado. No fim ficamos os dois mais ou menos na mesma, ele deixa de ser estatisticamente rico à conta das borlas pagas pelos meus impostos que, nesta situação, desempenham na plenitude o seu papel distributivo. Além disso, o país conseguiu o milagre, sem criar riqueza acabou com a pobreza!

Esta forma generosa e cega de distribuir dinheiro recorda os velhos métodos de aplicação dos adubos, para adubar a terra onde se encontra a semente espalhava-se adubo à volta, desperdiçando-se uma boa parte dos fertilizantes, gastava-se mais, produzia-se o mesmo ou menos e ainda por cima os terrenos ficavam intoxicados.

Neste país em vez de se pensar em criar riqueza perde-se a maior parte do tempo a discutir um cada vez maior esquema de borlas que servem para que a riqueza de uns vá parar à mão de outros, com a agravante de a máquina burocrática do Estado enquanto faz a gestão dessa redistribuição de riqueza consumir uma boa parte dos recursos. À conta da borla generosamente dada ao nosso armador da Póvoa do Varzim, há uma imensidão de administrativas, técnicos assessores principais, subdirectores-gerais e directores-gerais que fazem estudos preciosos para que o nosso amigo não só não pague a portagem como não seja incomodado no momento em que beneficia do direito inalienável à solidariedade nacional. Isto é, não só se consegue combater a riqueza como ainda se cria emprego, se algum dia um político se lembrar de acabar com isso terá a forte oposição dos sindicatos que nunca aceitarão a eliminação dos empregos estatais e muito menos que esses funcionários sejam deslocados para outros locais de trabalho.

Não sou contra a ajuda aos que mais necessitam e que devido a circunstâncias aceitáveis não estão em condições de atingir um patamar de rendimento que lhes assegure uma vida com dignidade. Sou a favor de ajudas ao rendimento a regiões que, por serem interiores ou por quaisquer outro motivo são penalizadas na competitividade, concordo que se deve usar o investimento público para promover o desenvolvimento de regiões desfavorecidas.

Mas a forma como o Estado polvilha regiões e grupos sociais com dinheiro fácil a título de ajuda não só não resolve os problemas de pobreza como gera injustiças, o que motiva muito dos argumentos oportunistas que nestes dias temos ouvido a propósito das SCUT. Há gente pobre que depois de pagar a casa e os impostos tem menos rendimento disponível do que muitos dos que recebem casa do Estado e rendimento mínimo, há empresas de Lisboa menos competitivas do que as dos interior mas que têm que suportar custos elevados na capital.

Esta cultura de oportunismo estimulada a todos os níveis, famílias, empresas e regiões, terá como resultado a preguiça nacional o que, aliás, é evidente no debate político dos últimos dias. Num país em crise em vez de vermos os políticos a discutir a melhor forma de criar mais riqueza, andam todos embrulhados a discutir a melhor forma de se dar o pouco que se tem ou, pior ainda, o que nem sequer se tem pois uma boa parte da generosidade estatal está a ser financiada com dívida externa.

Portugal é um país de políticos idiotas, doidos e irresponsáveis.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

A 200ª flor selvagem que fotografei em Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Dusan Vranic/Associated Press]

«WORKING THE LAND: Farmers harvested wheat near Kabul, Afghanistan, Thursday.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Miguel Macedo, líder parlamentar do PSD

Miguel Macedo tem toda a razão ao não querer o Estado no banco traseiro do seu automóvel, no meu caso até seria mais complicado pois teria que vir no porta-bagagens, vindo de um líder parlamentar de uma direita com forte apego às polícias esta posição até é meritória.

O problema é que quando estão em causa os chips Miguel Macedo vê o Estado no banco traseiro, mas quando a justiça portuguesa soçobra ao desrespeito sistemático e intencional do segredo de justiça o líder parlamentar olha pelo retrovisor e não vê ninguém. É pena ou tem falta de vista, se olhasse com mais cuidado encontraria magistrados e polícias no banco de trás, na bagageira, no banco do pendura e até debaixo das suas pernas.

Mas o país policiados por magistrados até é coisa boa que nunca levou Miguel Macedo ao mais pequeno protesto ou manifestação de indignação. Se o Estado quer apanhar ladrões e faltosos é muito mau, mas se os justiceiros e outros latifundiários do PSD conspirarem para favorecer eleitoralmente o PSD o líder parlamentar do PSD não se importa, se for necessário até troca o carro por uma carrinha!

AMÉRICA SEGUE O MUNDO, ENFIM

«Chama-se Dempsey, o que para desportista é uma blasfémia na América. Há um século, Jack Dempsey, o único, começou por ganhar a vida lançando este desafio nos saloons: "Não sei cantar, não sei dançar, mas aposto que dou cabo de qualquer mariquinhas desta sala." Mais tarde - já Jack "O Demolidor de Manassas" Dempsey - foi campeão mundial de pesos-pesados (1919-1926), com 51 KO. Este que agora lhe porta o nome, Clint Dempsey, é de futebol, um desporto que mais parece dos mariquinhas que não aceitavam o desafio do verdadeiro Dempsey nos saloons. A prova é que, ontem, no começo da 2.ª parte do Argélia-EUA, esse Dempsey caiu e rebolou-se todo. Quando Dempsey, o outro, tirou o título de campeão a Jess Willard, partiu--lhe a queixada, vários dentes e duas costelas. O árbitro chamou Jack Dempsey a um canto do ring e mandou-o tirar as luvas. Suspeitava que houvesse gesso entre os dedos - e nada. Jogo limpo. Ontem, as televisões repetiram a hipotética agressão ao futebolista - e nada. Jogo sujo. Admirem-se, depois, o que leva o mais popular desporto do mundo a ser suspeito na América. Felizmente o futebolista Dempsey caiu de novo e, dessa vez, levantou- -se com os lábios em sangue. Há esperanças para o futebol, perdão, soccer! Sobretudo, quando se ganha a um minuto do fim. Um desporto que segue as regras de Hitchcock tem de ser boa pessoa.» [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

CEM MIL EUROS

«Este título poderá parecer o anúncio de uma qualquer lotaria mas na realidade é apenas o montante que o Governo indicou como referencial de controlo relativamente ao património mobiliário daqueles que beneficiam do rendimento social de inserção.

É um anúncio absurdo qualquer que seja a perspectiva que se tome. Se o objectivo é o de sinalizar o aperto da fiscalização, a ideia que antes gera na opinião pública é a de que há pessoas com um património mobiliário superior a cem mil euros e que recebem o rendimento social de inserção, ou seja, evidencia uma situação de aparente laxismo e descontrole, dando adicional razão a quem tem muito criticado este apoio social, em especial no que concerne à bondade da sua concessão. Assim, apenas fomenta a crítica a uma medida que tem todo o sentido num Estado de direito, o de minimizar as dificuldades dos extractos sociais que se confrontam com uma situação de manifesta pobreza.

Se, pelo contrário, não se venha a detectar praticamente ninguém naquela situação, o que até acredito que seja o cenário mais provável, o anúncio é ainda mais absurdo, pois está-se a dar apenas um enorme tiro no pé, desvalorizando o valor deste tipo de apoios e abrindo o caminho para novas frentes de contestação.

Seja em tempos de austeridade ou de alguma prosperidade o caminho certo é sempre o do reforço do controlo e da fiscalização, que deve quando muito ser genericamente anunciado como objectivo geral e depois acompanhado por planos e acções coerentes e continuadas no tempo que minimizem os abusos e as indevidas apropriações de apoios.

Creio que a nível das prestações sociais nunca se mobilizaram os meios necessários, humanos, informáticos, materiais, para se ter um controlo cada vez mais sistemático, universal e de crescente eficácia, ao contrário do que se tem verificado na área fiscal, onde é manifesto, ao longo da última década, um consistente esforço de investimento no apetrechamento da máquina de fiscalização e com resultados muito positivos.

Na área das prestações sociais porventura o retorno de um forte investimento na área de fiscalização não seja tão elevado, em matéria de poupanças para o Estado, mas terá o mérito de condicionar práticas e expedientes quase rotineiros que representam esquemas de vida à sombra do Estado e dos respectivos contribuintes, que não incentivam a luta pelo retorno à vida activa, com efeitos disruptivos no normal funcionamento do mercado de trabalho e que desmoralizam quem não envereda por tais caminhos.» [DE]

Parecer:

Por António Gomes Mota.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

CAVACO PROSSEGUE A SUA CAMPANHA

«O Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou esta quinta-feira a vontade de continuar o que considera serem as suas responsabilidades enquanto chefe de Estado. “Não é pelo facto de irem ocorrer eleições em 2011 que eu vou deixar de desempenhar as minhas funções”, disse.» [CM]

Parecer:

Está em campanha desde o dia que tomou posse.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco se está melhor dos tremeliques na mão e se vai dizer aos portugueses se tem algum problema de saúde.»

O MALANDRECO DO AL GORE

«A massagista subiu ao quarto de hotel em que o autor de 'Uma Verdade Inconveniente' estava alojado na noite de 24 de Outubro de 2006 - registado como "Mr. Stone" - e começou a massajá-lo no abdómen até que Gore terá começado a dar-lhe instruções para "ir mais abaixo".

Nesse momento a queixosa pediu-lhe para especificar o que pretendia, e o homem que já então se dedicava a denunciar o aquecimento global agarrou-lhe a mão e dirigiu-a para a região púbica, levando a que os dedos da massagista lhe tocassem no pénis. "Senti que estava a dançar no fio da navalha", disse a mulher no interrogatório.» [CM]

DERROTA COM O BRASIL FOI NO TEMPO DE ÁLVARES CABRAL

«O seleccionador português de futebol, Carlos Queiroz, disse hoje que já esqueceu a goleada com o Brasil e ironizou ao afirmar que esta aconteceu no tempo em que Pedro Álvares Cabral chegou a terras de Vera Cruz.

A 19 de Novembro de 2008, na localidade de Gama, nos arredores de Brasília, Portugal foi goleado, por 6-2, pelo Brasil, na última derrota da "equipas das quinas", selecção que volta a defrontar, sexta feira, na terceira e última jornada do Grupo G do Mundial2010.» [DN]

Parecer:

Pois, e o Queiroz é o Vasco da Gama... E o empate com a Costa do Marfim foi no tempo da pedra lascada.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

MAIS UM MAGISTRADO APOSTADO EM TRAMAR SÓCRATES

«Magistrado constituiu o primeiro-ministro como arguido sem dar conhecimento superior e arrisca, no mínimo, um processo disciplinar. Caso foi, agora, para o Supremo.

A decisão apanhou de surpresa toda a cadeia de comando do Ministério Público: o primeiro-ministro ia ser constituído arguido, e nem a directora do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, Maria José Morgado, nem o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, tinham sido "tidos ou achados". A iniciativa partiu de um procurador da 12.ª secção do DIAP de Lisboa que, agora, arrisca um processo disciplinar.

Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República adiantou: "A tramitação do processo até este momento será apreciada oportunamente e em sede própria." Isto porque se verificou que só "após insistências" do procurador do DIAP é que o juiz de instrução despachou o requerimento para a Assembleia da República.» [DN]

Parecer:

Mas este meteu o pé na argola e a confirmar-se que tinha intenções políticas deve ser expulso da magistratura, que vá procurar emprego a colar cartazes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelo processo disciplinar.»

GOMES GANHA PROCESSO A MANUELA MOURA GUEDES

«O ex-autarca do Porto Fernando Gomes avançou para a penhora de bens da TVI e dos ex-responsáveis da estação Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes, como forma de receber uma indemnização fixada judicialmente.

Em causa está uma indemnização de 40 mil euros decidida pelo Tribunal Cível de Oeiras e confirmada em Maio passado pela última instância de recurso, o Supremo Tribunal de Jus-tiça. Em causa estão notícias da TVI, de 2004, que indicavam que a PJ teria feito buscas na casa de Fernando Gomes, para recolher provas no âmbito do "Apito Dourado", sobre corrupção no futebol. Em concreto, estaria em causa um suposto favorecimento do Futebol Clube do Porto.» [DN]

Parecer:

Se Manuela Moura Guedes fosse processada por muito do que disse na TVI não teria dinheiro para indemnizações.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se um comentário à dona Moniz.»

O JOGO DE TÉNIS MAIS LONGO DE SEMPRE

«John Isner e Nicolas Mahut protagonizaram o encontro mais longo da história centenária do ténis.

A vitória coube ao gigante norte-americano, de 2,06 metros, após 11h05, três dias diferentes de jogo e cinco ‘sets', com os parciais 4-6, 6-3, 7-6, 6-7 e uns inacreditáveis 70-68.

A ausência de ‘tie-break' no último ‘set' transformou este jogo no mais incrível de sempre, ao ponto de a organização britânica ter feito uma espécie de cerimónia final para homenagear o árbitro do encontro e os dois jogadores.» [DE]

PSD QUER OBRIGAR O PAAÍS A GASTAR 450 MILHÕES DE EUROS

«A construção de praças de portagem nas Scut custaria 450 milhões de euros e levaria 3 anos, segundo disse hoje o secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos. Por isso é que foi escolhida a via electrónica de pagamento.

O governante disse ainda que há “investimentos e logística” que foram negociados nos últimos 13 meses com as concessionárias que teriam que ser abandonados. Paralelamente, Paulo Campos adiantou que com a construção se reduziriam as entradas e saídas nestas concessõees de 92 para 31, o que diminuiria a mobilidade dos utentes. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Apoiou o aumento do IVA para gastar nas portagens.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Pedro Passos Coelho que dê a cara.»

PRÉ-CAMPANHA DE ALEGRE COMEÇA AMANHÃ

«Manuel Alegre acredita que as eleições presidenciais serão uma "difícil batalha" para si, mas também para Cavaco Silva. "Vai ser uma grande disputa pela vitória", afirmou, hoje de manhã, na apresentação dos seus mandatários regionais e distritais, num hotel lisboeta. A pré-campanha do candidato, apoiado pelo PS e BE, arranca amanhã "para o terreno", com um jantar em Setúbal.

Alegre considera que Cavaco Silva tem manifestado "nervosismo" e "crispação" nas suas declarações, especialmente no discurso do 10 de Junho. O ex-deputado do PS sublinha que não é só "o estilo" que o distingue do actual chefe de Estado mas também o entendimento do mandato presidencial e o seu exercício - por exemplo, "como o presidente deve ser factor de moderação e mobilização e não fonte de problemas e conflitos".» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Está aberto o novo tabu de Cavaco Silva.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

ROMA NÃO PAGA A TRAIDORES

A brilhante e digna rejieção da delação feito por Jacinto Bettencourt no post "Singularidades de um Carlos Santos, ou o tetra incompetente" publicado no "31 da Armada:

«1. Intróito. Começou por me dizer que se chamava Carlos − e que o seu caso era simples. Há muito, muito tempo, era uma vez um blogue chamado simplex, que agregou, durante a campanha para as últimas eleições legislativas, apoiantes do Partido Socialista. Entre os participantes mais activos contava-se o senhor Carlos Santos, professor universitário com obra publicada numa área do saber a que se convencionou chamar de econometria. Concluídas as eleições e reeleito o candidato do Partido Socialista, decidiu o senhor Carlos Santos repudiar a sua participação no simplex e as mais diversas tomadas de posição que havia tomado até então, nesse e noutros blogues, enveredando por uma campanha de denúncias sequencialmente programadas, envolvendo, ainda hoje, a divulgação pública de mensagens trocadas entre os participantes no simplex. O senhor Carlos Santos escreve hoje no blogue corta-fitas, assume-se liberal, conservador e de direita, afirma amar o Papa, insinua simpatia pelo pensamento monárquico e algum desprezo por homossexuais e divorciados.
2. Reminiscências esclarecedoras ou tudo o que teríamos que ler sobre o assunto. Antes de perscrutarmos os segredos do fascinante senhor Carlos Santos, deve o leitor ter presentes as minhas sábias e prudentes palavras quando afirmei, há tempos, que «[u]m membro de um gabinete ministerial não é, em Portugal ou em qualquer outra democracia ocidental, um agente administrativo numa relação jurídica de emprego público. Um adjunto e um chefe de um gabinete ministerial são, bem pelo contrário, agentes de confiança política e livre nomeação», que «os membros dos gabinetes ministeriais não são funcionários públicos», antes «existem, são nomeados e remunerados para desempenharem uma função específica, a qual essencialmente consiste, no nosso Direito e no nosso sistema político, na prestação de apoio ao titular do cargo político (ministro, secretário-de-estado, etc.) em tudo (ou quase tudo) aquilo que o mesmo entender conveniente», e, finalmente, que «um gabinete político sem membros a fazer política trata-se de uma impossibilidade ôntica».

3. Conclusões preliminares ou da ausência de assunto. Dito isto, e sem querer retomar os traços da trama alegadamente descoberta pelo senhor Carlos Santos, importa concluir que a mesma não constitui, desde logo, uma trama, que os factos relatados pelo senhor Carlos Santos nada contêm de ilícito (salvo no que se refere a eventuais actos do próprio) e que aquilo que neles conseguimos detectar diz sobretudo respeito à aborrecida e inócua organização interna de um blogue de apoio a um partido e um programa políticos, a comunicações dos seus membros entre si e com terceiros (agentes políticos) e à coordenação geral de quem nele escreve (independentes, membros de gabinetes ministeriais e meros filiados no PS). Lamentavelmente (para o denunciante), não vislumbramos, por não existir, qualquer utilização abusiva de meios públicos (computadores; Internet), mas a mera utilização profissional (no caso dos agentes políticos) ou pessoal (no caso dos voluntários e demais filiados) dos mesmos. Consequentemente, as historietas que o senhor Carlos Santos nos tem vindo a impingir diariamente ao longo dos últimos meses nada mais revelam do que uma monumental demonstração de incompetência do próprio para a interpretação de normas e deveres de natureza jurídica ou ética e a compreensão do mundo da vida. Uma maçada.



Fig. 1: um membro do simplex a tentar manter Carlos Santos à distância.


4. Da segunda incompetência. Convém também acrescentar que o senhor Carlos Santos, o mesmíssimo Carlos Santos que activamente participou no simplex e assim contribuiu para a reeleição do engenheiro José Sócrates, que ao longo dessa participação fez amplo uso da informação que lhe foi transmitida (que não recusou) por pessoas que hoje censura, e que em diversas ocasiões propôs ou aceitou alegremente as agendas e temas que foram sendo sugeridas e debatidas internamente pelos membros do blogue, não era membro de um gabinete ministerial, não desempenhava funções políticas nem foi candidato a cargo algum durante as últimas eleições legislativas, pelo que não se encontrava, à data, cometido de tarefas que vagamente se relacionassem com as eleições legislativas em causa ou abrangido pelas habituais atenuações laborais que a lei estabelece a favor de candidatos. Ou seja: o senhor Carlos Santos, membro do simplex, não passava, à data dos factos relatados pelo próprio, de um singelo professor universitário que, nessa qualidade, fez uso intensivo do computador, do tempo, dos electrões e do contrato de comunicações electrónicas afectos ao serviço que prestava, e presta, à Universidade que o acolhe. E escapando-me em que medida a defesa do Partido Socialista e do programa do engenheiro José Sócrates, através da escrita regular e entusiástica no simplex, se enquadra nas funções académicas do senhor Carlos Santos, creio que o senhor Carlos Santos vai abrangido (e bem) na crítica que antes havia apontado (e mal) a terceiros, e que a respectiva participação no simplex, ao envolver o recurso a meios que não se encontram afectos ao desempenho de funções políticas, constitui a menos legítima e a mais abusiva de todas as participações no referido blogue.

5. Da terceira incompetência. Podemos legitimamente questionar-nos se tudo isto é pura incompetência ou, pelo contrário, obra de um génio do mal. Na busca de respostas, penetremos no senhor Carlos Santos, recordando a recente insinuação pelo mesmo divulgada (aqui; post posteriormente alterado)quanto à família de um chefe de gabinete ou adjunto de um gabinete e assistente da Faculdade de Direito de Lisboa, que dá pelo nome Tiago Antunes. No entender do senhor Carlos Santos, as funções públicas hoje exercidas pela mãe e pelo irmão do senhor Tiago Antunes (o alvo), justificam a afirmação de que os três constituem uma família que se senta à mesa do orçamento. Depois de receber um e-mail de Tiago Antunes, o alvo, no qual o senhor Carlos Santos terá sido virilmente informado de que o alvo não toleraria insinuações futuras envolvendo a sua família (eu teria optado por aplicar uma sova no senhor Carlos Santos) e que, na hipótese de as mesmas virem a repetir-se, o senhor Carlos Santos sofreria prontas represálias legais, decidiu este (again) revelar publicamente o teor da interpelação recebida, com algumas (e habituais) patetices à mistura. Até aqui, nada de novo, atendendo a que a delação é algo a que o senhor Carlos Santos se dedica com grande afinco e regularidade. O problema é que o senhor Carlos Santos não só persiste na revelação pública e indevida de comunicações privadas (e de fotografias e outros factos de natureza pessoal dos diversos alvos), como decidiu, recentemente, partilhar com o mundo um segundo conjunto de construções mentais envolvendo os familiares e amigos de curso dos seus alvos. Também nestas intrigas o senhor Carlos Santos se revelou penosamente incompetente. Basta notar que ao apontar a nomeação da senhora mãe do senhor Tiago Antunes como directora de uma escola pública como o exemplo acabado de uma complexa teia de interesses socráticos em movimento, o senhor Carlos Santos ignorou o pequeno detalhe de a pessoa visada ter carreira feita como professora e dirigente do sistema de ensino público, e, nessa qualidade, ter já sido nomeada directora de uma (outra) escola pública era David Justino o ministro da Educação (para quem não se recorda, David Justino não foi ministro num governo socialista). Cedo piou, o senhor Carlos Santos, e todos sabemos, adulterando uma célebre frase de um prussiano falecido, que o segredo de um competente é saber estar calado o tempo suficiente.

6. Uma tetralogia de disparates. Mas não fiquemos por aqui e pela tríplice incompetência do senhor Carlos Santos; o senhor Carlos Santos não é apenas incompetente para a interpretação de factos jurídicos e humanos, para a estruturação de argumentos que se lhe podem aplicar e para a construção mental das intrigas que gera e dissemina; o senhor Carlos Santos é, também ou sobretudo, um tetra incompetente. Com efeito, de que outra forma nos é permitido qualificar um professor universitário que há pouco mais de seis meses militava no simplex, contribuindo com o seu inesgotável labor para a reeleição de José Sócrates (e para a coordenação interna do simplex), apregoando que o crescimento português iria convergir com o crescimento na UE em 2010 (pressupondo um crescimento de 1%), defendendo acerrimamente a manutenção do investimento público e a posição do governo em matéria de combate ao desemprego (isto em Dezembro), ridicularizando os fundamentos cristãos de Manuela Ferreira Leite na cruzada pela mesma movida contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, atirando-se furiosamente às posições expressas pela Igreja e católicos na sociedade civil relativamente a diversas questões fracturantes (contestando o referendo por estes exigido, afirmando tratar-se de uma «arma de remesso», e exortando o PS a não cometer o mesmo erro que havia cometido anos antes), nisto cantando loas à «derrota da "visão da direita do mercado"»? Sim, refiro-me ao mesmo senhor Carlos Santos que agora se apresenta como liberal, católico e de direita, que puerilmente declara o seu amor pelo Papa em posts de café, que se arrependeu e não mais se assume partidário do investimento público (como se ainda existissem muitos partidários de tal coisa) ou de qualquer sugestão do actual governo, que entende que Portugal não irá convergir com coisa nenhuma e que hoje milita fervorosamente contra a homossexualidade. Sim, refiro-me ao senhor Carlos Santos que em 27 de Dezembro de 2009 se apresentava «enquanto apologista do direito ao casamento civil de pessoas do mesmo sexo»; dois dias depois, em 29 de Dezembro de 2009, questionava, sobranceiramente, e a propósito de uma notícia dando conta que a Ordem dos Médicos não considera a homossexualidade como uma doença, se «havia quem duvidasse?»; mas que em Junho deste ano se referia à homossexualidade como um estado de «desordem emocional». Sim, o mesmo senhor Carlos Santos que em 3 de Maio de 2009 mencionava Fernanda Câncio como uma «profissional conceituada» e «alvo dos mais cobardes e violentos ataques da blogosfera e da imprensa, da oposição de direita», para, há menos de uma semana, debitar isto. Enfim, o mesmo senhor Carlos Santos que nos oferece de tudo, incluindo a defesa de Otelo Saraiva de Carvalho.

7. A verdade que o apóstolo Carlos Santos nos transmitiu. Não obstante o rasto de incompetência que o precede, há no entanto reconhecer que o senhor Carlos Santos tem insistentemente apregoado uma grande verdade: isto é, que os membros do simplex não contavam com ele, Carlos Santos, e com os seus princípios. De facto, algo na minha experiência de vida me diz que a generalidade dos membros do simplex (refiro-me à generalidade pois não sei quem são os Abrantes e não gosto deles), pessoas normais com simpatias políticas (infelizes, é certo), não contavam com a presença, entre eles, de pessoas sem coluna e cujos princípios omitem o respeito pela privacidade alheia. Suum cuique tribuere, ou, neste caso, ao senhor Carlos Santos que, carregado de razão, constata que os membros do simplex foram por si surpreendidos. Fomos todos, aliás.


Fig. 2: outro membro do simplex a tentar manter Carlos Santos à distância.

8. O pouco que descobrimos e o muito que nos interrogamos. Certo é que sabemos já alguma coisa e que podemos definir com alguma segurança dois dos traços que parecem caracterizar o senhor Carlos Santos: Carlos Santos é, por um lado, alguém que se engana regularmente e nessa constatação muda, como quem muda de cuecas, de opinião sobre a pessoa que deve governar Portugal, o papel que a religião tem na sua vida, a teoria económica que devemos adoptar, o espaço político a que pertence e, last but not least, o conteúdo de todos os anteriores textos publicados; e, por outro lado, alguém que regularmente elimina ou modifica posts por si escritos e consegue, com surpreendente eficácia, esconder a respectiva natureza plástica de todos aqueles que, em boa-fé, lhe dão corda, a ponto tal que as suas teorias desvairadas obtêm tímidas repercussões na imprensa. Infelizmente, aquilo que já sabemos gera novas interrogações. Afinal, como foi isto possível, questionamo-nos? Como conseguiu um louco começar no simplex e acabar a escrever no corta-fitas, um blogue de gente séria e da maior estima? Como conseguiu o senhor Carlos Santos persuadir jornalistas experientes, fazendo-os crer que a sua história tinha algum tipo de substância e novidade, e que aquilo que o próprio tem feito ficará para a história como algo distinto do mero e desolador processo de enterro da reputação do senhor Carlos Santos?

(Confesso que ao fazer estas perguntas, sinto dó. Quem, provido de coração e de um nome, teria o desplante de, em consciência, agir assim? Não serão os factos acima relatados indício de um algo muito sério que se manifesta no (ou através do) senhor Carlos Santos, porventura de foro clínico? Quem sabe se não é o senhor Carlos Santos um daqueles espíritos teóricos de poucos amigos, que calcorreiam ruas cinzentas, cabisbaixos e em passo arrastado, fechados sobre as suas econometrias e saudosos por aquilo que não viveram? E porque não se chama ele Dâmaso?)


Fig. 3: Carlos Santos, depois de descobrir que a sua história não tem substrato algum.

9. As três coisas. Lamentavelmente, a minha vida não está para perguntas e este post vai longo e chato − e o seu tema pior ainda. Por certas tenho duas coisas, que julgo partilhar com muitas e boas pessoas e que o senhor Carlos Santos faria bem em recordar (agradecido): que a minha direita despreza delatores, criaturas gelatinosas e pouco masculinas que tudo fazem e penhoram por um momento de fama ou calor humano; e que no mundo da política como eu o vejo e desejo, serão sempre bem vindos adversários políticos como o João Galamba e o Guilherme Oliveira Martins, mas não haverá, junto a mim e aos meus, espaço para entusiastas convertidos da filigrana do senhor Carlos Santos.

Finis, laos Deo et Benfica.»

REMEMBERING THE COREAN WAR [Link]

JEAN DE PASSY