sábado, setembro 11, 2010

Qual será a estratégia de Sócrates nas presidenciais?

É evidente que o PSD vai tentar surfar na vaga das presidenciais aproveitando os erros do PS, tentará igualmente confundir o secretário-geral do PS com o primeiro-ministro aproveitando o que Sócrates diz enquanto líder partidário para fomentar um conflito institucional entre o primeiro-ministro e o Presidente da República. Se Sócrates não cometer erros não será difícil ao PSD aproveitar os disparates de outros dirigentes do PS, como sucedeu com o comunicado disparatado de Edite Estrela.

O Bloco de Esquerda tentará a todo o custo passar a imagem de que Manuel Alegre é o seu candidato e que são os seus militantes os mais fervorosos apoiantes da candidatura pressionando o PS e Sócrates a envolver-se num discurso político mais radical. Se o PS cair no erro de transformar Manuel Alegre no seu Otelo não só fornecerá a Pedro Passos Coelho a oportunidade de ganhar votos ao centro como dará ao PSD os louros de uma vitória provável de Cavaco Silva.

Curiosamente a estratégia do PCP será a mais neutra na perspectiva da posição de Sócrates, o seu candidato bate-se por princípios e enquanto o BE pretende criar roturas e divisões no PS o PCP procura proteger o seu eleitorado e aproveitar-se da estratégia manhosa da extrema-esquerda de Francisco Louçã. O BE sairá vitorioso se conseguir dividir o PS com uma derrota de Manuel Alegre ou se o seu candidato conseguir passar à segunda volta com uma votação expressiva. O PCP ganha se o seu candidato tiver uma boa votação estando interessado em que Alegre passe à segunda volta com uma votação fraca para que uma possível vitória dependa do apoio do PCP, numa altura em que O BE deixa de contar.

O problema de Sócrates é saber como sair ileso da presidenciais, sem comprometer o relacionamento com o futuro presidente (principalmente se este for Cavaco Silva), sem permitir que uma eventual vitória de Cavaco Silva se traduza numa vaga de fundo para Passos Coelho e sem que uma vitória de Manuel Alegre seja uma vitória do Bloco de Esquerda.

Enquanto secretário-geral do PS e, por inerência, apoiante de Manuel Alegre tem por adversário Cavaco Silva. Mas como primeiro-ministro tem como adversários os partidos que apoiam Cavaco, o BE que apoia Manuel Alegre,e o pessoal do MIC que já tem como explicação para uma eventual derrota de Alegre a falta de empenho de Sócrates pois é sabido que o primeiro-ministro não vai andar a disputar as câmaras de televisão com o Francisco Louçã, pode sair a ganhar ou a perder destas presidenciais independentemente de quem vencer as eleições.

É uma ironia do destino que seja o PCP e o seu candidato os que têm uma estratégia menos perigosa para Sócrates, não me admiraria nada que muitos apoiantes de Sócrates que desejam a vitória de Manuel Alegre optem por votar no Francisco Lopes na primeira volta livrando-se assim da “sarna” dos bloquistas. Para muitos eleitores a escolha é votar em Alegre tramando o Sócrates ou votar por este candidato não fazendo o jogo de Louçã.

Resta agora saber qual será a estratégia de José Sócrates.

11 de Setembro

(foto de AllWaysNY)

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Flor na Praça de Espanha, Lisboa

JUMENTO DO DIA

Cândida Almeida, directora do DCIAP

Parece que os mesmos magistrados que gostam de investigar ficam desagradados quando são investigados.

«Cândida Almeida defendeu por escrito os magistrados que investigaram os casos Freeport e dos submarinos. E fez questão de lembrar que o seu lugar, bem como o destes magistrados, estão sempre à disposição do Procurador Geral da República (PGR), Pinto Monteiro.

Esta foi, segundo e edição de hoje do jornal Sol, a reacção da directora do Departamento Central e Investigação Penal (DCIAP) aos inquéritos ordenados pelo PGR aos procuradores que investigaram aqueles dois mediáticos casos.

Num ofício enviado a Pinto Monteiro, Cândida Almeida descreveu detalhadamente todo o trabalho que a investigação envolveu, salientou a especial complexidade dos casos e a mediatização que eles obtiveram, escreve hoje o semanário. E lembrou que os seus lugares estão sempre à disposição do PGR.» [DN]

QUERERÃO CALAR CARLOS CRUZ?

Enquanto se sucediam as violações ao segredo de justiça e a comunicação se banqueteou com as acusações a Carlos Cruz ninguém questionou os órgão de comunicação social e nenhum magistrado tentou travar a enxurrada de informação que parecia vir do interior da investigação.

Agora que o julgamento chegou ao fim e não existe um limite do segredo de justiça os magistrados querem impedir a divulgação de informação do processo e há quem queira limitar Carlos Cruz. Ora, se o julgamento foi bem feito quem tem medo de Carlos Crus ou de que chegue ao conhecimento público a informação com base na qual ele foi condenado?

Como é possível confiar numa justiça que se esconde e tenta calar os condenados como se os mesmos que antes de julgados foram condenados na opinião pública não possam recorrer a essa mesma opinião pública manipulada ao longo de anos para clamar justiça.

Se Carlos Cruz foi bem condenado e as provas foram suficientes quem receia as opiniões de Carlos Cruz e a divulgação das propostas?

COISAS QUE NÃO INTERESSAM AOS JORNALISTAS PORTUGUESES

Link

PALAVRAS QUE O VENTO LEVA

«Esta semana, o Conselho e o Parlamento Europeu chegaram (finalmente!) a acordo sobre a nova arquitectura de regulação e supervisão financeira da União Europeia. Em paralelo, o Conselho de Ministros das Finanças (Ecofin) adoptou também as regras de conduta que regularão a coordenação dos processos orçamentais nacionais.

Ao fim de larguíssimos meses a União posiciona-se, assim, num plano paralelo ao dos EUA no tocante às lições a tirar da crise financeira de 2008, colocando no tabuleiro do jogo instituições, regras e procedimentos que visam prevenir crises futuras.

O sinal dado pelo acordo entre as duas instituições legislativas da União (Conselho e Parlamento) é muito positivo, na medida em que para combater uma crise de confiança como aquela que ciclicamente retoma vigor nos mercados financeiros o mais importante é a clarificação das regras do jogo. Nos próximos meses, estas medidas terão de ser completadas por outras, atinentes aos produtos derivados, à taxação das instituições bancárias e das transacções financeiras e ao funcionamento dos chamados hedge funds, que representarão outras tantas batalhas políticas que importa seguir com atenção.» [DN]

Parecer:

Por António Vitorino.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

23 SUICÍDIOS NA FRANCE TELECOM

«Entre 2008 e 2009, registaram-se 35 suicídios na empresa. As contas foram feitas e divulgadas por fontes sindicais, que consideram que a onda de suicídios no grupo demonstra que o plano da empresa para os evitar não tem dado frutos.

A France Télécom não confirmou o número de suicídios, afirmando apenas que houve vários casos e que está a averiguar as circunstâncias em que sucederam. » [CM]

Parecer:

Quem quer trabalhar na France Telecom?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»

ERC CRITICA MEDIATISMO DE CARLOS CRUZ

«A Entidade Reguladora para a Comunicação Social reprovou hoje a mediatização conferida a Carlos Cruz pela generalidade dos órgãos de comunicação social, em particular a RTP por esta lhe ter concedido "lugar de especial destaque, e mesmo protagonismo".

Em comunicado, o Conselho Regulador da ERC afirma estar preocupado com a situação, reprovando a mediatização conferida assim como o protagonismo dado pela RTP em pelo menos três dos seus programas de informação.

"Sem colocar em causa os princípios consagrados na Constituição e na Lei sobre a liberdade de imprensa -- antes os reafirmando --, o Conselho Regulador recorda as especiais responsabilidades do serviço público de televisão no cumprimento dos princípios éticos e deontológicos do jornalismo e no respeito pelas decisões dos tribunais num Estado de Direito", lê-se no documento.» [DN]

Parecer:

Não me recordo de a ERC ter criticado o excesso de mediatismo de algumas personalidades no processo Casa Pia, como os falsos representantes dos alunos que chamaram a si a tarefa de decapitar a liderança do PS.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso amarelo.»

UM PROBLEMA DE FORMATAÇÃO

«O Conselho Superior da Magistratura (CSM) emitiu um comunicado em que explica que o atraso na entrega do acórdão do processo Casa Pia se deve a um problema de formatação de texto, que está a ser resolvido por "especialistas da Microsoft" disponibilizados pelo Ministério da Justiça.

(...) "Na data inicialmente indicada para a entrega, em suporte papel ou em suporte digital [quarta feira] (...), ao efectuar-se a junção dos referidos ficheiros, verificou-se que, nesses suportes, o texto do acórdão se apresentava desformatado, com blocos de texto contendo indicações de índole informática, anotações essas que não tinham interesse nem devem constar no texto desta -- ou de qualquer outra - peça processual", explica o comunicado.

O CSM refere também que estes contratempos informáticos foram verificados pelo advogado de um dos arguidos.» [DN]

Parecer:

Este acórdão vai tornar-se num case study do Microsoft Word...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

ENXURRADA ARRASA VILA ITALIANA

«Um enorme rio de lama criado pela chuva que se abateu na noite de ontem numa pequena vila no Sul de Itália provocou o caos e destruição. Uma mulher está desaparecida.» [DN]

MAIS UMA DA EDITE ESTRELA

«Cavaco Silva é violentamente atacado numa carta que a direcção do PS enviou esta semana por correio electrónico aos militantes do partido, mobilizando-os para se empenharem na candidatura presidencial de Manuel Alegre.

Assinada por Edite Estrela, que invoca a sua dupla qualidade de membro do Secretariado Nacional do PS e de presidente da delegação socialista portuguesa no Parlamento Europeu, na missiva é pedido aos militantes que colaborem com o processo de recolha de assinaturas do "camarada Manuel Alegre", apresentado como um "histórico do PS" e "uma referência do Portugal democrático" a quem o PS "deu o seu apoio inequívoco".» [DN]

Parecer:

O candidato do PS não ganha um único voto com estes ataques e será lamentável que sejam necessárias vacinas com doses cavalares de ataques a outros candidatos para mobilizar os militantes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

UMA ANEDOTA CHAMADA PROJECTO DE REVISÃO CONSTITUCIONAL

«O PSD vai entregar formalmente o projecto de revisão constitucional no Parlamento na terça-feira, após apresentado aos deputados do partido.

Será assim cumprido o prazo que tinha sido indicado, em Julho, pela direcção social-democrata para a entrega do projecto de revisão constitucional do PSD: até 15 de Setembro.
Está previsto que o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, receba o documento da comissão de redacção final na segunda-feira à tarde, dia 13, adiantou à Lusa fonte do partido.»
[DE]

Parecer:

Afinal ainda havia uma comissão de redacção final...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho se também quer ajuda da Microsoft para formatar o documento e apagar artigos incómodos.»

MARCELO DÁ EXPLICAÇÕES A COELHO

«Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas sobre as mais recentes sondagens no final da cerimónia que assinalou a conclusão das obras de requalificação da Escola Secundária Pedro Nunes, na qual foi aluno na década de 60.

"A solução para o PSD é rever o discurso. Penso que na próxima semana, na entrevista a Judite de Sousa, na RTP, Pedro Passos Coelho vai apresentar a versão definitiva da revisão constitucional", declarou Marcelo Rebelo de Sousa, depois de confrontado com sondagens que indiciam uma recuperação do PS face ao PSD.» [DE]

Parecer:

O problema é que o Passos Coelho dá mais ouvidos ao Ângelo Correia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se pela próximas sondagens.»

HÁ DIVISÕES NO MP

«O Conselho Superior do Ministério Público manifestou-se hoje preocupado com notícias e opiniões que denunciam "conflitualidades" no seio do MP, recomendando aos seus agentes que usem "sempre de rigorosa ponderação nos atos e declarações que produzem".

Num comunicado distribuído aos jornalistas no fim de uma reunião de várias horas na Procuradoria Geral da República, em Lisboa, o Conselho Superior defende que todos os agentes do Ministério Público devem ser ponderados para que "os atos processuais que praticam ou as declarações que produzem" não permitam supor que "atuam fora de um quadro estritamente jurídico".» [i]

Parecer:

Quando um magistrado é tramado por colegas com base em conversas de almoço está tudo dito.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Não se preocupem, são meras contradições "no seio da classe operária".»

BdP DIZ QUE ALTERAÇÃO DOS SPREADS É UM PROBLEMA DOS TRIBUNAIS

«Depois do Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor ter enviado uma carta ao Banco de Portugal a questionar sobre a existência de cláusulas abusivas nos novos contratos de crédito à habitação, que possibilitam aos bancos alterar de forma unilateral os juros e os encargos cobrados aos clientes, o banco central emitiu uma nota de esclarecimento.

A instituição liderada por Carlos Costa diz que a questão das cláusulas que permitem a alteração unilateral da taxa de juro e de outros encargos nos contratos de crédito à habitação, é algo que compete “aos tribunais, e não ao Banco de Portugal”.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

A violação dos contratos talvez seja um problema para os tribunais, mas utilização do poder da banca para incluir cláusulas abusivas que permite aos bancos aumentar os lucros parece-me ser um problema do regulador.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se a actuação do BdP.»

MEHMET OZGUR

WILBERT CASTILLO, UM POLÍCIA DE NOVA IORQUE

sexta-feira, setembro 10, 2010

Confiar na justiça?

É frequente vermos magistrados a dar entrevistas à comunicação, apresentam-se bem vestidos e com a barba impecável, falam com ar de sabedoria, interpelam com autoridade, quase nos convencem da sua competência, independência e infalibilidade. Mas quando o cenário é o dos corredores da justiça a imagem desmorona-se, assistimos a manifestações de prepotência, a manipulações, a erros sucessivos, a atrasos, a trapalhadas e a um rol de injustiças.
Quem pode confiar numa justiça onde uma juíza apresenta um comunicado de imprensa e passados seis dias depois os arguidos ainda não puderam conhecer os factos e argumentos que levaram à sua condenação?

Poderão dizer-me que passaram estes dias a limpar os nomes das vítimas mas isso é argumento para papalvos, recorrendo ao processador de texto utilizado, muito provavelmente o Word isso faz-se num par de minutos. Dizer que há problemas com os computadores só pode suscitar uma gargalhada, até um Magalhães permite a manipulação do texto, a sua conversão em PDF ou a sua gravação numa pen.

A verdade é que não há nenhuma razão plausível para este atraso e na profissão da maior parte dos portugueses esta situação tinha um nome para a designar, incompetência. Em circunstância alguma a sentença deveria ter sido lida sem que os magistrados tivesse cópias do acórdão para entregar aos advogados. Só que a preocupação dos magistrados não foram os interessados, acusadores ou arguidos, foi o espectáculo, e em vez de uma sentença montaram um sketch para as televisões.

Até admito que tivessem lido o comunicado de imprensa e se despedissem dizendo que “um dia destes” mandavam o acórdão às partes, mas nesse caso deixavam um exemplar ao cuidado do Conselho Superior de Magistratura, assim teríamos a certeza de que o acórdão foi feito antes do resumo e não o contrário.

Infelizmente esta não foi uma situação isolada, nos últimos anos a justiça tem sido uma contínua exibição de incompetência, manipulação, tentativas de golpes de estado e outras manobras inaceitáveis. Mas os magistrados têm sorte, os portugueses podem não ter respeito mas têm boas razões para terem medo deles, poderão ser incompetentes mas as suas decisões valem e quem lhes fizer frente corre riscos.

Ninguém nos garante que não apareça um pacote de cocaína no bolso, que nos gravem uma conversa mal explicada ao telefone, que não lhes mandam uma carta anónima denunciando um crime que supostamente cometemos.

Ninguém neste país tem a mais pequena consideração pelos magistrados, temos confiança a menos e medo a mais, algo que é inacceitável numa democracia. O medo é próprio das ditaduras e se em Portugal há medo dos magistrados isso significa que começa a faltar o ar nos corredores da justiça portuguesa.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Elevador da Bica, Lisboa

JUMENTO DO DIA

Ana Peres, juíza presidente do processo Casa Pia

É uma vergonha que passados seis dias desde a condenação os arguidos do processo Casa Pia ainda não conheçam os fundamentos dessa condenação, é inaceitável que uma juíza leia uma sentença para a comunicação social em vez de o fazer para os arguidos, é um absurdo que no momento da leitura da sentença o acórdão não esteja disponível nem sequer se faça prova de que ao menos existe.

Quem nos garante que esse acórdão não foi completado ou corrigido nestes seis dias? Quem nos garante que a condenação de Hugo Marçal por abusos já constava no acórdão? Ninguém a não ser a suposta idoneidade dos juízes de que não há forma de provar. pois ninguém conhece a cor deste acórdão.

Os magistrados poderiam ter optado por apenas ler a sentença quando o acórdão pudesse ser entregue, ao não fazerem não há desculpas para o espectáculo triste a que estamos a assistir. Quem pode confiar nestes magistrados? Poder pode-se, mas eu não tenho grandes motivos para meter as mãos no lume por eles.«O colectivo de juízes do processo Casa Pia voltou a faltar ao prometido ao não entregar às partes, esta manhã às 09:30, o acórdão que deveria ser depositado em secretaria para acesso dos advogados e Ministério Público. A hora prevista de entrega passou para as 13:30 e depois para às 16:00.

Mas o colectivo de juízes presidido por Ana Peres afinal vai depositar no tribunal apenas amanhã e não hoje como tinha sido prometido, o acórdão do julgamento do processo Casa Pia, que ficará acessível às partes. » [DN]

EMPREGO

O GOVERNO A BRINCAR COM O FOGO

«A política é a arte do possível. Hoje é possível impedir o caos financeiro que nos ameaça constantemente. Desde que a classe política, com relevo para os protagonistas do PSD e PS, deixe de brincar com o fogo. Não tomar medidas é querer ser uma nova Grécia. É chamar o FMI.

O ministro da Economia disse ontem que "os nossos caminhos são estreitos" para combater a recente e assustadora subida das taxas de juro portuguesas nos mercados financeiros e o risco crescente com que os investidores vêem o País. Vieira da Silva até pode ter razão. Podem ser estreitos, mas nem esses caminhos estão a ser percorridos.

A evolução das contas públicas nos primeiros sete meses deste ano revela-se hoje ainda mais preocupante do que no dia em que foi divulgada, em meados de Agosto. Hoje sabemos que, no conjunto dos países mais frágeis da Zona Euro, Portugal é o único que não está a conseguir controlar o défice público. Um facto que já está a aparecer nas análises dos economistas dos bancos, com os inevitáveis alertas sobre os riscos elevados de emprestar dinheiro ao Estado português.

Ontem conhecemos mais um resultado. O consumo público - onde estão fundamentalmente os gastos com os salários da Função Pública - registou no primeiro semestre deste ano o maior aumento da era Sócrates iniciada em 2005. O Parlamento vai hoje debater as contas públicas, com a presença do secretário de Estado do Orçamento. Aguardam-se melhores explicações para a ausência de efeitos das medidas de austeridade na despesa pública. O pagamento do submarino "Trident" não pode justificar a dimensão do aumento dos gastos. É incompreensível, a subida de 5,7% na despesa corrente do Estado, excluindo os juros da dívida durante os primeiros sete meses deste ano. Em 2009, ano da recessão e de eleições, com os seus habituais efeitos do "bacalhau a pataco", o mesmo tipo de gastos aumentou apenas 4,1%. O que se está a passar tem de ser desvendado. Não queremos acreditar que, após a crise que quase levou a Grécia ao colapso, o governo português tenha fingido adoptar medidas de austeridade para o Estado, quando, na realidade, apenas aumentou os impostos a todos os portugueses. É de uma enorme irresponsabilidade se o Governo apostou na passagem do tempo como o caminho para ultrapassar a pressão financeira dos mercados.

Uma táctica do género: "fazemos agora este "bruáa" com o aumento de impostos para os mercados verem, mas não cortamos a despesa e, se for preciso, até a aumentamos", apostando na acalmia dos mercados financeiros ou na mudança de opinião dos líderes europeus, caso tenha sido seguida, revela uma enorme irresponsabilidade e subvalorização da crise que o mundo vive desde 2007.

Países pequenos e endividados como Portugal, no tipo de crise de excesso de dívida como é a que vivemos no mundo, está sob uma perigosíssima ameaça. A qualquer momento, a mão do investidor que empresta pode transformar-se na mão de um algoz que nos atira para o colapso financeiro como aconteceu com os gregos. A tempestade financeira aparece sem avisar, como uma "gota que faz transbordar o copo" e com razões em geral tão difíceis de descortinar como a recente subida acentuada das taxas de juro da dívida portuguesa.

José Sócrates tem de ter coragem de arriscar a sua eleição e controlar a despesa pública. E Pedro Passos Coelho tem de fazer acordos que não se fiquem apenas pela promessa de moderação dos gastos públicos. O tempo é de política, e não de politiquice.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Helena Garrido.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A AUTOFLAGELAÇÃO DA JUSTIÇA

«O adiamento para amanhã da entrega pública do acórdão do processo Casa Pia aos advogados é mais um episódio de autoflagelação da justiça. Não que este atraso tenha uma relevância substantiva, mas porque contribui para dilapidar o pouco que resta da imagem do nosso sistema judicial. Num processo com o mediatismo e o impacto social como o da Casa Pia, a justiça falhar um compromisso, como o que a juíza Ana Peres assumiu com os advogados na sexta-feira, e justificar a falha com a falta de meios técnicos é incompreensível.

A tarefa, sem dúvida exaustiva, de apagar do texto os nomes das vítimas também não serve de defesa ou desculpa, até porque a leitura da sentença já tinha sido adiada várias vezes antes de sexta-feira. » [DN]

Parecer:

Editorial do DN.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A RYANAIR A REINAR CONOSCO

«Da primeira vez que andei de avião davam-nos um saquinho de viagem, comia-se bem e podia ler-se o jornal de braços estendidos. Mais tarde, um célebre filme (Emmanuelle) explicou que um avião podia proporcionar ainda outros prazeres. Mas eis que nos fazem aterrar na mais banal das realidades: "Nós demos cabo do mito de que viajar de avião era uma espécie de experiência sexual única. Não é. É só um meio de chegar do ponto A ao ponto B", diz Michael O'Leary, o patrão da Ryanair. Regularmente a Ryanair aparece nos noticiários com um destaque que as outras companhias de aviação só conseguem com grandes azares. Lembram-se, certamente, daquela ideia da Ryanair de fazer os passageiros pagar as idas à casa de banho. Há sempre coisas que descolam da cabecinha de O'Leary. Desta vez, ele tirou do seu cockpit mais do que uma ideia: o co-piloto. Segundo o Financial Times, a Ryanair pediu autorização para cortar o posto de co-piloto, que com os computadores se tornou "desnecessário". Deve ser uma experiência, talvez não sexual, mas única, os passageiros saberem que, a 10 mil pés, o solitário piloto sem substituto teve um ataque cardíaco. As autoridades, claro, já disseram que aviões comerciais só vão de A para B com X (piloto) e Y (co-piloto). Mas, mais uma vez, O'Leary transportou-nos para a convicção de que a Ryanair é a mais barata. E era só isso o que ele queria. » [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

SOLDADOS AMERICANOS MATARAM CIVIS AMERICANOS POR DIVERTIMENTO

«Doze militares norte-americanos em serviço no Afeganistão foram detidos por, alegadamente, matarem a tiro vários civis afegãos apenas para se divertirem. Um dos soldados guardava os dedos das vítimas como "troféus".» [CM]

Parecer:

É assim que se perdem as guerras.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se por uma condenação exemplar.»

A ANEDOTA DO DIA

«O Ministério Público (MP), além de constituir arguido o oftalmologista holandês Franciscus Versteeg, poderá questionar a actuação da Ordem dos Médicos sobre os processos de 2004 e 2007 contra o mesmo clínico, agora envolvido no caso da cegueira de três dos quatro pacientes operados na sua clínica I-QMed, em Lagoa.

Quanto aos dois processos disciplinares contra aquele médico, a Ordem contactou-o em 2004 e 2005, mas só em 2007 fez uma visita à clínica. E, em 2010, ainda não há conclusões desses processos.

Contactado pelo CM, o bastonário Pedro Nunes afirmou que a Ordem está disponível para colaborar com o MP. Sobre os processos disciplinares, o bastonário afirmou que as conclusões deverão ser conhecidas "dentro de 8 a 15 dias". » [CM]

Parecer:

Agora que várias pessoas ficaram cegas e quando se torna público que o MP vai ser ouvido é que se anuncia a conclusão de um processo disciplinar ao médico holandês.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se a actuação da Ordem dos Médicos e se for caso disso leve-se o seu bastonário a responder na justiça por negligência.»

O HOMEM DIZ QUE ELE É O FUTEBOL

«António Simões, antigo internacional e ex-treinador da FPF, deixou a sede da Federação após ser ouvido como testemunha abonatória de Carlos Queiroz no processo movido pelo vice-presidente Amândio de Carvalho, muito crítico e pedindo a demissão do secretário de Estado do Desporto Laurentino Dias: "Não temos de perguntar se Carlos Queiroz tem condições para continuar ou não, temos de perguntar se o senhor secretário de Estado tem condições para continuar. Eu acho que não. Tem de se demitir."

António Simões disse ainda que "o caso Carlos Queiroz é primeiro o caso do senhor Laurentino Dias". Já sobre a actuação do presidente da Federação, considera que "Gilberto Madaíl não deixa de ser uma vítima da interferência política no caso do controlo antidoping", pois devia ter dito "ao senhor secretário de Estado: o senhor não tem nada a ver com isto, eu resolvo se ele [Carlos Queiroz] tem de ser punido ou não".» [DN]

Parecer:

Já era evidente que a estratégia de Carlos Queiroz é a politização do processo talvez para se juntar ao professor Charrua como vítima de Sócrates, ambos ficaram famosos pelas suas ofensas às progenitoras de personalidades de que não gosta. A intervenção disparatada de António Simões só prova esta estratégia.

Mas é ridículo António Simões arvorar-se em representar o futebol, eu diria que nos dias de hoje o futebol são os jogadores humilhados com uma saída do mundial, um empate com o Chile e uma derrota com a Noruega. Simões foi um bom jogador de futebol, foi um entre muitos bons jogadores, alguns muito melhores do que eles, terminada a carreira futebolística pouco mais contributos deu à excelência do futebol português.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

E AGORA CAMARADAS?

«'O modelo cubano não serve nem para nós', afirma Castro, que fez 84 anos a 13 de agosto e reapareceu na vida pública da ilha no início de Julho, depois de quatro anos a convalescer de uma doença grave, que o obrigou a transmitir a presidência para o seu irmão, Raúl.

Goldberg fez uma entrevista extensa a Fidel Castro, que está a revelar aos pedaços no blogue http://www.theatlantic.com/jeffrey-goldberg.

Ao ouvir agora aquela afirmação, Goldberg teve dúvidas sobre o que tinha escutado, pelo que consultou Julia Sweig, uma analista do Conselho de Relações Externas (um centro de reflexão norte-americano, que publica a revista Foreign Affairs), que o acompanhou na conversa com o ex-dirigente cubano.

Segundo Goldberg, Sweig matizou as declarações de Castro, dizendo que este 'não estava a recusar as ideias da revolução', mas a reconhecer 'que o Estado, sob 'o modelo cubano', tem um papel excessivo na vida económica do país'. » [DN]

Parecer:

Vai ser interessante ver como os nossos comunistas e o regime cubano reagem a estas declarações.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se um comentário a Jerónimo de Sousa.»

A ANEDOTA DO DIA


«Ana Peres prometeu, mas não cumpriu. Na passada sexta-feira, a magistrada responsável pelo processo Casa Pia garantia que o acórdão - que condenou seis dos sete arguidos no processo - seria entregue aos advogados, ontem, quarta-feira. Porém, isso não aconteceu. As razões? "A exma. juíza presidente do tribunal colectivo, muito embora tivesse já o acórdão pronto para depósito, entendeu fazê-lo apenas amanhã, dia 9 deste mês, logo pela manhã, pois que só então o Tribunal disporá dos suportes informáticos e em papel para entrega a todos os intervenientes processuais", diz a nota do Conselho Superior da Magistratura (CSM).» [DN]

Parecer:

Que problema informático poderá ter um pedido de manipular um ficheiro em Word, algo que se pode fazer em qualquer portátil?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

JEF VAN DER HOUTE