sábado, setembro 25, 2010

Pedro Passos Coelho quer o FMI

Manuela Ferreira Leite disse a brincar que seria necessário suspender a democracia durante uns meses para promover as reformas de que o país carece. Retirada do contexto do debate eleitoral e despida do humor com que foi dito começa a ser evidente que tinha alguma razão, quando o país foi governado com a maioria absoluta todos se opunham às reformas e exigiam diálogo, agora que o falso fantasma do autoritarismo não pode ser agitado faz-se do diálogo um jogo de cartas, cheio de bluff.

A frontalidade, a honestidade, o saber e o humor que Manuela Ferreira Leite tinha em demasia, tem Pedro Passos Coelho a mais. Faz um ar sério quando fala mas as suas propostas não só não têm seriedade como mudam de dia para dia, Faz um ar sabedor mas se começa a ser evidente que se limita a dar a voz ao que Ângelo Correia ou Nogueira Leite pensam. Quanto a humor foi o que se viu no congresso quando Alberto João Jardim o deixou a falar sozinho no palco.

Passos Coelho descobriu uma alternativa à ditadura de que Ferreira Leite falou a brincar, não se suspende a democracia mas põe-se Sócrates a fazer o que o FMI mandar durante um ano ou dois, depois vai-se a eleições colher os frutos das medidas duras e já se pode governar com a sensação de que se vive em tempo de vacas gordas, até já será vantajoso promover os grandes projectos que agora reprova. Com alguma sorte o FMI exige a liberalização dos despedimentos e a privatização de alguns serviços do Estado e terá aí o argumento para impor a revisão constitucional do Paulo Teixeira Pinto.

Passos Coelho e os seus mais próximos perceberam que não está à altura para defrontar Sócrates e, pior do que isso, a quebra abrupta nas sondagens, a maior queda em tão pouco tempo de um partido português em muitos anos, não corresponde apenas à incompreensão dos portugueses ou a uma suposta intoxicação, uma queda tão grande e tão rápida só pode ser entendida como uma perda de credibilidade.

Sabendo que não podem ir a eleições nos próximos meses e com a economia a dar sinais de recuperação perceberam que correm um sério risco de ver o líder do PSD substituído antes de se realizarem eleições legislativas. Sem mais processos do tipo Freeport ou Face Oculta para derrubar Sócrates, em margem para lançarem e se aproveitarem eleitoralmente de uma crise política resta-lhes a política da terra queimada, apostam na crise financeira para retirarem margem de manobra ao governo e impondo-lhe as medidas que a direita exige mas não quer assumir.

Para isso nada como vir o FMI evitar que tenham de dar a cara concretizando as medidas de redução da despesa pública que exigem mas não concretizam. Quando Ângelo Correia defende que se for necessário governa-se sem orçamento, quando Pedro Passos Coelho condiciona a aprovação do orçamento à não adopção das medidas do PEC que aprovou e foram assumidas por Portugal como um compromisso perante as instituições internacionais e os investidores estrangeiros, está a apostar tudo numa crise financeira.

Tanto Passos Coelho como Nogueira Leite sabem que sem mexer nos impostos Portugal caminha para a crise financeira, e é por o saberem que põem como condição para qualquer diálogo que não se mexam nos impostos. É o argumento perfeito para fazendo de conta que defendem os portugueses, defenderem acima de tudo os negociantes do sector da saúde fortemente representados na actual liderança do PSD.

Depois de perder credibilidade política Pedro Passos Coelho mostra a sua falta de dimensão política ao não hesitar em lançar o país no descrédito e na crise financeira para salvar-se a si próprio, actuando como se o país fosse uma associação de estudantes. É uma estratégia velhaca, mas a velhacaria é a arma intelectual dos meenos dotados.

Ferreira Leite tinha razão, com políticos destes a democracia é uma brincadeira perigosa.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Cartaxo-comum [Saxicola torquatus], Barroca d'Alva

IMAGEM DO DIA

Duas perspectivas do Rio Douro (Imagens de A. Cabral)

JUMENTO DO DIA

Manuel Alegre, candidato ausente às eleições presidenciais

Enquanto Cavaco Silva ganha pontos como candidato não assumido à presidência, o candidato Manuel Alegre deve andar a tentar conquistar os votos dos peixinhos do Rio Águeda, desde o princípio do Verão que quase não tem uma intervenção pública, por maior que seja a crise que a vida política atravessa.

Quando seria de esperar uma posição de Manuel Alegre, pelo menos apelando aos partidos para encontrarem um entendimento que não exponha o país à especulação dos mercados financeiros, o candidato opta pelo silêncio dando pontos sucessivos a Cavaco Silva.

Entendo o silêncio de Manuel Alegre, prisioneiro do BE e esperando vir a ter os votos do PCP não pode ser solidário com um orçamento em tempos de crise. Assim, prefere não se expor deixando a crise ao cuidado de Cavaco Silva.

De um candidato a presidente espera-se mais coragem política em momentos de crise, só que Manuel Alegre é cada vez mais o candidato do Bloco de Esquerda.

DOUTRINA JORNALÍSTICA

«A semana passada, escrevi neste espaço sobre o Avante!, órgão central do Partido Comunista Português, maravilhando-me com o que nele li sob a forma de notícia, entrevista e opinião. Contudo, na minha ignorância, passei ao lado do fundamental: parte dessas maravilhas foram produzidas por jornalistas com carteira profissional, o que de tão inverosímil nem sob tortura norte-coreana me ocorreria delirar. Alertada, porém, descobri que pelo menos em mais dois órgãos informativos (chamemos-lhes assim) de partidos, o Acção Socialista, do PS, e o Esquerda, do BE, há jornalistas com carteira profissional no activo (de acordo com o assessor de imprensa do PSD, o Povo Livre não emprega jornalistas).


Assente o impensável, acorri a reler a lei que regula a actividade jornalística. E sim, lá está a definição de jornalista ("quem como ocupação principal, permanente e remunerada, exerce com capacidade editorial funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões") e o que não pode ser considerado jornalismo - funções semelhantes desde que com objectivos de promoção de "actividades, produtos, serviços ou entidades de natureza comercial ou industrial". É certo que não se encontra (estranhamente, de resto) algo específico sobre órgãos de doutrinação, como é o caso dos citados (assim classificados no registo da ERC). Mas referem-se como incompatíveis com o jornalismo as funções de "angariação, concepção ou apresentação de mensagens publicitárias", assim como "de marketing, relações públicas, assessoria de imprensa e consultoria em comunicação ou imagem".

Ora bem: se um assessor de imprensa, cuja função é a de veicular a informação que o seu contratador lhe fornece (geralmente parcial e não raro até falsa), não pode acumular, e bem, essa função com o estatuto de jornalista, alguém me explica como pode alguém que trabalha num órgão de informação com os mesmo objectivos ser considerado jornalista? Mistério. E maior mistério saber como se compagina isso com os deveres de "informar com rigor e isenção, demarcando claramente os factos da opinião", "procurar a diversificação das suas fontes de informação e ouvir as partes com interesses atendíveis nos casos de que se ocupem" e "recusar funções ou tarefas susceptíveis de comprometer a sua independência e integridade profissional". Mas quando se tem como órgão fiscalizador das violações ao Estatuto uma entidade - a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista - que prima pela catalepsia e se sabe que o sindicato dos jornalistas já teve na direcção alguém que fez toda a carreira jornalística (sem aspas, pois) no Avante!, não é de crer que a deontologia corra algum risco de se transformar em doutrina. Não: a doutrina é mais vale tudo - menos, claro, dizer que não pode valer. » [DN]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PORTUGAL TECNOLÓGICO

«Está na moda criticar um tal "deslumbramento tecnológico" que estaria na base do discurso e de muitas iniciativas do atual governo e de alguns setores da nossa vida empresarial e coletiva.

Da distribuição de computadores nas escolas à generalização da Internet na administração pública, tudo serve para lançar alertas contra os malefícios deste alegado súbito fascínio pelo tecnológico.

Para começar, não é certo que exista realmente qualquer tipo de deslumbramento. Viver no nosso próprio tempo não é uma fantasia, mas um imperativo civilizacional. Eventualmente toma-se por deslumbre a adesão imediata a tanta novidade, ou, a insistência na necessidade de mais e mais inovação. Acontece que uma das características das novas tecnologias é precisamente a sua incessante mutação. Ou seja, trata-se de um tipo de conhecimento que só se realiza plenamente através da sua própria superação. Vide, por exemplo, os telemóveis que com uma velocidade vertiginosa passaram de telefone a computador e de computador a interface com múltiplas redes globais.

Por outro lado, estamos perante uma tecnologia que a cada passo abre caminho para um mundo inexplorado de novas possibilidades. Estar atualizado é, por isso, uma condição essencial para se conseguir produzir algo de significativo, ou pelo menos, se fazer parte da conversa. Não se trata de deslumbramento mas de sagacidade e inteligência.

É claro que muita gente se dá mal com esta nova condição tecnológica. Conservadores na política, sobretudo e estupidamente os de esquerda; intelectuais parados no tempo; gente da cultura decadente; meros reacionários de todo o tipo. Contudo, é duvidoso que o asco tecnológico que tanto alimentam possa dar qualquer contributo positivo. Uma reflexão séria sobre as novas tecnologias e os seus efeitos nas vidas e na sociedade só pode ser feita a partir do entendimento pleno dessas mesmas tecnologias. Não é o caso da maioria dos críticos.

Sucede que entretanto os cães ladram e a caravana passa. A Feira do Portugal Tecnológico, que se encontra atualmente na FIL, em Lisboa, é bem reveladora do muito que se tem conseguido fazer, não com deslumbramento, mas com ambição, empenho e conhecimento. O salto é impressionante. Em poucos anos Portugal, de país dependente das ideias dos outros, passou a ser capaz de se colocar na vanguarda da inovação tecnológica em muitas áreas.

Muitas das ideias, invenções e produtos apresentados nesta Feira são inovações em qualquer parte do mundo. A maioria tem, por isso mesmo, vocação global. São, aliás, processos que envolvem empresas, universidades, investigadores e, amiúde, indivíduos e grupos simplesmente com uma boa ideia. Não só portugueses mas em cooperação com parceiros de todo o planeta, pois não há outra forma de realmente inovar. O caldo heterogéneo e combinatório é essencial para a evolução tecnológica atual. Nesse sentido, estas tecnologias são um contributo decisivo para quebrar o isolamento e contrariar a visão nacionalista e fechada que desde Salazar continua a afetar alguma mentalidade local, à esquerda e à direita.

Mas é no plano económico que os efeitos positivos são mais evidentes. A crise que Portugal atravessa, sendo financeira, é sobretudo de modelo de desenvolvimento. A insistência nos velhos mecanismos produtivos já provou que gera mais falências do que riqueza. As dores de adaptação são intensas, mas incontornáveis. Muito do nosso tecido produtivo está obsoleto. Muitas das nossas empresas e atividades são francamente anacrónicas. Só a renovação tecnológica permitirá dar o salto.

Enfim, não se trata de ficar deslumbrado com as novas tecnologias, mas de perceber que elas representam uma oportunidade única de modernização do país e sua participação ativa no curso das coisas do mundo. Quanto mais tempo se gasta em hesitações e resistências mais se perde em talento, criatividade e ímpeto civilizacional. Que não nos faltam. Basta visitar a Feira do Portugal Tecnológico.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Leonel Moura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

SE É UMA CRISE POLÍTICA QUE DESEJAM

«O primeiro-ministro afirmou hoje que o Governo não poderá continuar em funções se o Orçamento para 2011 for rejeitado.

José Sócrates falava aos jornalistas nas Nações Unidas, em Nova Iorque, depois de interrogado se o seu Governo se demite caso a proposta de Orçamento do Estado para 2011 seja rejeitada na Assembleia da República.

"Parece-me que decorre do bom senso político que, quando um Governo não tem um Orçamento aprovado, também não tem condições para governar, ainda para mais na actual conjuntura", respondeu.

Em relação aos dois encontros que teve esta semana com o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, o líder do executivo disse que pretendeu que tudo "ficasse bem claro" em relação a essas reuniões.» [DE]

Parecer:

Sirva-se uma crise política a Pedro Passos Coelho e Ângelo Correia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

O PSD SÓ DIZ O QUE NÃO QUER

«O PSD diz que está disposto a negociar o próximo orçamento, desde que o Governo cumpra o que prometeu e não agrave a carga fiscal.

António Nogueira Leite, conselheiro económico do PSD, disse hoje, em conferência de imprensa na sede do partido, que pedir um novo aumento de impostos é "uma falta de respeito absoluto", mas que o PSD "tem a esperança de que o Governo ainda encontre uma réstia de orgulho para cumprir os acordos que fez com os portugueses e com o PSD, e não venha pedir sacrifícios adicionais".» [DE]

Parecer:

O PS que assuma o preço político do que Pedro Passos Coelho quer não não assume.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Adopte-se um orçamento de acordo com o PEC e o PSD que assuma as consequências da sua estratégia velhaca.»

NÃO HÁ CARROS NOVOS PARA AS ÁGUAS DE PORTUGAL

«O Governo ordenou a suspensão imediata da renovação da frota automóvel das empresas do Grupo Águas de Portugal.

Numa portaria conjunta do Ministério das Finanças e do Ministério do Ambiente a que a Lusa teve acesso é exigida a suspensão de "imediato, em todo o universo de empresas pertencentes ao Grupo Águas de Portugal, o plano de renovação da frota automóvel", abrindo, no entanto, uma porta para "situações excepcionais de carácter urgente e inadiável, susceptíveis de comprometer a eficácia do desempenho operacional da empresa".

O grupo fica ainda obrigado a apresentar até dia 15 de Outubro de 2010 "um plano detalhado de necessidades de renovação da referida frota, incluindo designadamente as denominadas viaturas de serviço, respectivos impactos em termos de custos anuais e plurianuais, critérios de atribuição de viaturas de serviço personalizadas e regulamentação da respectiva utilização".» [DE]

Parecer:

Se a empresa não explicar bem a decisão o presidente do grupo deve apresentar a demissão ou demitir-se.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Apresente-se a exigência.»

PSD JÁ FALA EM APROVAR O ORÇAMENTO

«O líder do PSD repetiu esta tarde que o partido está disponível para aprovar o Orçamento do Estado para o próximo ano, desde que o documento não introduza um agravamento de impostos.

O “PSD está disponível para viabilizar o Orçamento do Estado desde que não traga mais impostos para os portugueses, mas sim aquilo que o governo já devia ter feito: medidas sérias e inequívocas de corte na despesa”, afirmou Passos Coelho, citado pela SIC Notícias.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Está a brincar com o país.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se Pedro Passos Coelho para um sítio malcheiroso.»

CAVACO CHAMA PARTIDOS

«O Presidente da República vai receber na terça e quarta feira "em audiências sucessivas" os partidos com assento parlamentar para uma auscultação sobre a "situação política, económica e social do país", anunciou a Presidência da República.

"Com vista a uma auscultação acerca da situação política, económica e social do país, o Presidente da República vai receber, na próxima semana e em audiências sucessivas, os representantes dos partidos políticos com assento parlamentar", lê-se numa nota da Presidência da República.» [DN]

Parecer:

Mais um ponto para a sua candidatura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

MANUEL PINHO ADORA ESTAR EM NOVA IORQUE

«"Foi importante ter sido ministro cinco anos, mas agora estou a adorar a minha vida em Nova Iorque", declarou Manuel Pinho à agência Lusa, depois de ter assistido na primeira fila a um discurso do primeiro ministro, José Sócrates, sobre energia, na quinta feira ao fim da tarde, na Universidade de Columbia.

Nesta universidade, Manuel Pinho começou este mês a leccionar uma cadeira de mestrado na área das energias renováveis, tendo cerca de 80 alunos.

"Dou aulas quatro horas seguidas e, como já não sou nenhum menino, ao fim dessas quatro horas já me sinto um pouco cansado. Preparo as aulas com pormenor e levanto-me às 05:30 todas as manhãs para que a coisa corra bem", acentuou, enquanto entrava num dos refeitórios da Universidade de Columbia, local onde aproveitou para virar a agulha da conversa, elogiando o clima de "informalidade a todos os níveis" entre alunos, professores e funcionários.» [DN]

Parecer:

É bem melhor do que andar por cá a aturar Bernardinos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Manuel pinho se não tem mais uma vaga.»

PENSIONISTAS AÇAMBARCAM MEDICAMENTOS

«Ana Maria Gonçalves, 57 anos, saiu da farmácia com 24 embalagens de medicamentos. Metade delas são de Omeprazol, um dos medicamentos para tratar úlceras de estômago mais vendidos no País. As restantes eram de Sinvastatina, uma substância que reduz o colesterol. Não pagou nada. Mas a partir de Outubro pagará 25,8 euros pelas mesmas receitas. "Para quem tem a reforma mínima, 200 euros, todos os cêntimos contam", afirma ao DN.

Este é apenas um dos muitos exemplos que encontrámos nas várias farmácias contactadas em Lisboa e no Porto. Há estabelecimentos que - apurou o DN - nos últimos dias duplicaram o valor normal que cobram ao Estado pela comparticipação. Isto por causa da "corrida" dos pensionistas que, até agora, levam medicamentos gratuitos para casa, e daqueles que consomem remédios que vão perder comparticipação e pelos quais passarão a pagar o dobro a partir de 1 de Outubro.» [DN]

Parecer:

E os médicos devem estar a ajudar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pela factura.»

FENPROF ARMA-SE EM INPECÇÃO BUFA

«A Inspecção-Geral da Educação (IGE) vai investigar a constituição das turmas e a elaboração dos horários nas escolas do País. A averiguação é feita habitualmente no início do ano lectivo mas este ano a Fenprof já entrou ao organismo uma lista de irregularidades encontradas em vários estabelecimentos.

Há escolas em que as turmas têm mais alunos do que o número máximo (28) permitido ou mais do que dois alunos com necessidades educativas especiais, diz o secretário-geral da Fenprof. "Como sabemos que a IGE faz sempre nesta altura o levantamento das falhas para regularizar as situações quisemos alertar para alguns casos que não estão a respeitar a lei", diz Mário Nogueira.» [DN]

Parecer:

A dúvida está em saber se "inspeccionou" todas as escolas, incluindo as dirigidas pelos amigos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se Mário Nogueira sobre se a sua denúncia abrange todas as escolas em situação irregular.»

GOVERNO BRITÂNICO RECUSOU-SE A AJUDAR A RAINHA A PAGAR A ÁGUA E A LUZ

«A rainha Isabel II solicitou há seis anos um subsídio social estatal para pagar as contas de electricidade e de gás dos palácios reais, mas o pedido foi negado pelo Governo, divulgou hoje a imprensa britânica.

O subsídio solicitado então pela casa real britânica está vocacionado para a ajudar famílias carenciadas, hospitais ou associações comunitárias.

Segundo documentos, datados de 2004, hoje publicados pelos jornais The Independent e Daily Express, os conselheiros da monarca referiram que o consumo de electricidade e de gás nos palácios reais tinha duplicado e superava um milhão de libras (cerca de 1,2 milhões de euros). Um montante "insustentável", segundo os mesmos conselheiros.» [DN]

Parecer:

Imaginem se Cavaco Silva viesse pedir o rendimento mínimo...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

SERGEY SERDYUK

sexta-feira, setembro 24, 2010

A burguesia política

A democracia portuguesa está cada vez mais prisioneira de uma classe restrita que se aburguesou e enriqueceu facilmente graças à política, são jornalistas de “sucesso”, administradores de uma infinidade de empresas e institutos públicos, dirigentes da Administração Pública, opinion makers diversos e as caras do costume dos grupos corporativos, incluindo líderes sindicais que não trabalham há décadas.

Fico a saber pela comunicação social que o governo não vai reconduzir o presidente das Águas de Portugal, ao que parece o senhor é dado a bons carros e ainda promoveu a esposa, um país onde um cidadão desempregado fica sem água se não pagar a conta da água este distinto burguês andava de Mercedes E 350 CDi. Mas será este burguês o único que em tempos de crise e enquanto muitos portugueses sofrem os efeitos da crise abusou dos dinheiros públicos?

Duvido, vivemos num país onde o governador do Banco de Portugal ganha mais do que o presidente do poderoso FED americano, onde muitos ex-administradores desse mesmo BdP usufruem de pensões vitalícias. A verdade é que são raros os casos de dirigentes do Estado demitidos por incompetência ou abusos na gestão, administradores de empresas e institutos públicos acusados de má gestão ou de apropriação indevida de dinheiros públicos com recursos a esquemas de prémios ou de auto-concessão de mordomia.

Com o argumento de que ganhariam mais se exercessem funções privadas acabam por ganhar mais, viverem tranquilamente nos cargos, beneficiar familiares, abusarem de mordomias, tudo isto sem a incomodidade dos prejuízos e acesso ilimitados a recursos públicos e a crédito garantido pelo Estado.

Há demasiada gente a ganhar fortunas num país onde a riqueza escasseia, é uma imensidão de recursos retirado da economia para enriquecimento de uns quantos e o mais caricato da situação reside no facto de serem estes os primeiros defensores de medidas de austeridade ou da vinda do FMI.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Papa-moscas-cinzento na Quinta das Conchas, Lisboa

IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO

Trânsito condicionado (imagem de A. Cabral)

JUMENTO DO DIA

João Marcelino, director do DN

Já é habitual que os líderes políticos quando estão na oposição sofram do síndroma da ponte de Entre-os-Rios e rezem para que aconteça algo de mau ao país, que os banqueiros delirem com os juros que Portugal paga pela sua dívida pois pagar juros de depósitos a prazo a 3% e emprestar em segurança ao Estado a mais de 6% é um negócio da China. Mas algo está mal quando um jornal supostamente sério produz notícias falsas para fazer fretes políticos não se sabe bem a quem, ou talvez não.

São tantas as vozes a querer lançar a dúvida sobre a credibilidade do país que começo a concordar com quem diz que anda por aí gente interessada na vinda do FMI.

O DN sabia que ao dizer que o comissário europeu vinha a Portugal fiscalizar o orçamento estava a mentir, mas apesar do desmentido formal da Comissão Europeia ao jornalista este insistiu na manchete falsa.

Depois de manter a mentira na manchete o jornal volta ao tema na edição online mas não tem a coragem de assumir o erro, limita-se a informar que :

«O Diário de Notícias publica hoje que a Comissão Europeia vai enviar uma equipa chefiada pelo comissário Janusz Lewandoski para "passar a pente fino as contas públicas portuguesas, tal como fez com a Irlanda"» [DN]

Quanto a desmentido ou pedido de desculpas aos leitores nada, a mensagem mentirosa passou e era esse o objectivo do jornalista e do jornal. o mais curioso deste acto de jornalismo sujo é que entre as "fontes parlamentares" que deram a matéria para a manchete e a Comissão Europeia o jornalista do DN preferiu a mentira das suas fontes parlamentares. Pois, num dia Passos Coelho começa a lançar dúvidas sobre as contas públicas e no outro o zeloso jornalista do DN fica a saber graças às suas credíveis "fontes parlamentares" que o comissário europeu vem verificar as fontes.

Onde está o respeito do DN pelos seus leitores? Não só o jornal demonstra falta de respeito por quem (ainda) o lê como, pior ainda, acha que os seus leitores são idiotas ao ponto de nenhum deles ser capaz de desmontar a falsidade inventada pelos seus jornalistas. Terá havido mesmo alguma fonte parlamentar? Sou capaz de duvidar, quem mente premeditadamente até pode inventar fontes. Isto é, a credibilidade do DN está muito abaixo da das contas públicas.

GOOGLE TRANSPARENCY REPORT

Com o objectivo de combater a censura o Google lançou uma nova ferramenta, o 'Google Transparency Report' onde se dá a conhecer o número de pedidos de informação ou de bloqueio de sites formulados pelos governos de todo o mundo e o números destes pedidos que foram atendidos.

No caso de Portugal o número de pedidos formulados ao Google entre Janeiro e Junho deste ano foi de 73, um número apreciável se o compararmos com Israel, um país em guerra e que enfrenta diariamente o terrorismo que fez apenas 30 pedidos. Espanha, outro país que enfrenta o fenómeno do terrorismo formulou 372 pedidos, um número que depois de corrigido pela diferença de utilização da internet será certamente um número inferior ao de Portugal.

Destes pedidos formulados pelas autoridades portuguesas menos de 10 deram lugar à remoção total ou parcial de conteúdos, isto é, o Google entendeu que não havia fundamentos jurídicos ou que a natureza dos conteúdos justificassem a censura. Quem formulou estes pedidos? Entidades governamentais, polícias, Ministério Público?

Quem foram os portugueses que alguém tentou silenciar, que conteúdos estão em causa, quem os tentou silenciar? Infelizmente não sabemos.

É uma pena que num parlamento onde anda tanta gente com sintomas de asfixia ou de intoxicação, onde se fazem comissões parlamentares de inquérito para apurar as causas da baixa médica da Manuela Moura Guedes, ninguém se incomoda muito com a qualidade da democracia na perspectiva do cidadão comum, daqueles que não têm tempo de antena nas televisões, que não lideram partidos e que apenas acham que podem fazer uso da sua liberdade.

O CONSULTÓRIO

De um visitante d'O Jumento recebi a imagem da placa do "consultório" de um deputado e o comentário que reproduzo:

«Quando passar numa das principais artérias da cidade de Lamego, não vai precisar de muita atenção para esbarrar numa original placa. Não se trata de um escritório de advogado, ou um consultório médico, nem mesmo de um gabinete de contabilidade, mas sim da novíssima profissão liberal de, imagine lá... deputado!! A mediocridade não enxerga além de si mesma, já dizia Doyle e, antigamente este tipo de pessoas recebiam apropriado adjectivo mas hoje, ainda que tal aconteça pouco lhes importa... já perderam a noção do ridículo e a vergonha!». [in "Viseu, Senhora da Beira"]

Bem, até se compreende que um deputado dedicado às populações que o elegeram tenha um espaço para eleger oe eleitores. Um dia destes vamos ver muitas placas destas, até é provável que alguns deputados, principalmente os das grandes cidades, a especializarem-se. Vamos ver placas do género "deputado fulano tal, especializado e lutar pela privatização da saúde", as áreas de especialização não vão faltar, "especialista em pedir mais polícias", "em defender os professores", "em protestar contra encerramento de maternidades", etc.

QUEM MATOU O JAIME DO Ó, CONHECIDO EM PROENÇA-A-VELHA PELO 'JAIME GALINHA'?

Não foi o primeiro a tentar abusar de um burro, anda por a'i' um conhecido jornalista que tentou fazer o mesmo.

VÃO OU NÃO VÃO?

«De qualquer modo é um tema aliciante, e como estas crónicas são lidas por muitos leitores no formato ‘online', desafio esses leitores a fazerem as suas apostas. Isto é: o défice orçamental de Portugal vai ficar acima dos 7,3% ou fica igual ou abaixo disso? Quanto é que apostavam hoje para receber €100 no final do ano se ganhassem a aposta do lado do Governo? E quanto é que pagavam hoje para receber €100 no final do ano se ganhassem a aposta pelo lado da oposição?» [DE]

Parecer:

Esperava mais de um professor de economia e presidente do ISEG do que um desafios aos leitores para que façam apostas em relação ao défice de 2010. Num contexto de ataques especulativos João Duque sabe muito bem que com estas coisas não se brinca.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Arquive-se.»

GENTE FINA É OUTRA COISA

«É mais uma farpa a alimentar o folhetim sobre a demissão de Manuel Maria Carrilho. O embaixador português na UNESCO disse ontem que a decisão para que cessasse funções em Paris foi tomada ao mais alto nível: "É natural. A nomeação, como a demissão, de um embaixador político, como é o meu caso, é uma decisão do primeiro-ministro", explicou à Lusa.

A polémica estalou segunda- -feira quando a Lusa noticiou que Carrilho iria abandonar o cargo junto da organização para a Educação da ONU na "rotação de Outono" de diplomatas. No dia seguinte, o ex-ministro socialista e o actual ministro dos Negócios Estrangeiros envolveram-se numa troca de desmentidos. » [DN]

Parecer:

E Carrilho é tão cremoso que não poderia ser demitido por ninguém abaixo do primeiro-ministro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

CHEGOU O SIMPLEGIS

«Setenta e quatros anos depois de aprovado, o Código Administrativo de António de Oliveira Salazar vai passar à história. O Conselho de Ministros aprecia hoje uma proposta para revogar essa e outras 432 leis que não se aplicam mais. A medida é o primeiro passo do Simplegis, um programa de simplificação legislativa.

O Código Administrativo de 1936 era composto por cerca de 600 artigos, mas de acordo com o Governo apenas dez ainda se mantêm em vigor. A intenção do Executivo é inscrever essas normas noutros diplomas, retirando os obstáculos à revogação do código.» [DN]

Parecer:

A verdade é que depois de tanta revisão o código pouco tinha que ver com o original.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

O DICIONÁRIO AZUL TEM PALAVRÕES

«As escolas que recomendaram a compra de um dicionário com palavrões aos alunos do 1.º ciclo admitem ter-se tratado de um "lapso" na indicação da cor da capa da obra da Porto Editora. Escolheram a capa azul, com a designação de Dicionário de Língua Portuguesa, mas deveriam antes ter sugerido o Dicionário Básico de Língua Portuguesa cor de laranja, que a editora garante ter elaborado "especificamente" para o 1.° e 2.º ciclos do básico. Apesar disso, as crianças dos seis aos dez anos vão continuar a usá-lo.» [DN]

Parecer:

Boa desculpa!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

CENTO E QUANTOS?

«Mais de uma centena de polícias encontrava-se às 18h00 no Terreiro do Paço para dar início a uma concentração pelo descongelamento das promoções na Polícia de Segurança Pública (PSP).

"Determinados e unidos, lutamos por direitos - distrital de Coimbra", lê-se num dos cartazes colocados junto à estátua de D. José por sindicalistas da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), que convocou o protesto, a que aderiram outras estruturas sindicais.» [Expresso]

Parecer:

São menos polícias do que num dia de semana anda na caça à multa na Baixa de Lisboa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso amarelo.»

DEPOIS DA INTOXICAÇÃO PASSOS COELHO TEME SER ENVENENADO

«O líder do PSD afirmou hoje em Arouca que não aceita "presentes envenenados do Governo" e respondeu ao Governo dizendo que "o que o País não precisa neste momento é que se comece a falar de mais impostos".Pedro Passos Coelho, falando após o anúncio do ministro Pedro Silva Pereira no final do Conselho de Ministros de que o PSD recusou negociar previamente a viabilização do Orçamento do Estado para 2011, lamentou os termos em que o governo anunciou o resultado da conversa entre ele e o primeiro ministro e frisou que não aceita a vinculação do PSD a um novo aumento de impostos para além dos já previamente acordados.» [i]

Parecer:

Parece que Pedro Passos Coelho tem a fobia dos venenos e intoxicações.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho qual é o presente.»

NO 'ALBERGUE ESPANHOL'

O post "Redes sociais: dos alfinetes e dos elefantes", da responsabilidade de Francisco Moreira de Sá:

«As Redes Sociais atingiram um ponto tal que hoje é impossível ser indiferente à sua influência e importância enquanto ferramenta de comunicação de massas. As Empresas, as Instituições Públicas e os Particulares utilizam-nas para os mais variados fins.
De quando em vez alguém se lembra de proibir ou limitar o acesso a estas ferramentas. A desculpa é sempre a mesma: os trabalhadores não trabalham pois andam entretidos nas redes sociais. Ontem não trabalhavam por causa do cigarrito ou da casa de banho ou do telemóvel ou por serem judeus, quiçá pretos, maybe ciganos e de certeza gays!
Nestas alturas lembro-me sempre do filme “Je vous salue, Marie” e da fantochada contra o dito via brigada dos bons costumes. Resultado, um filme fracote tornou-se um mega sucesso de bilheteira. Proibir o acesso às redes sociais, ao mais puro estilo Kim Il Sung, não é apenas uma estupidez, é um rematado disparate – se não entra pela porta, entra pela janela e aqui a janela tanto pode ser o telemóvel como o iPad ou um mero atalho digital criado para contornar a proibição.

(...)»

A MENINA DANÇA?

As hostes de Passos Coelho estão inspiradas, é o que se pode concluir da justificação dada por Vasco Campilho, um coelhista militante, para a recusa do PSD de negociar o orçamento:

«O ministro Silva Pereira veio-se queixar de que o Governo levou uma tampa do PSD. Pudera! É que o convite para “negociar previamente o Orçamento” é o equivalente político a convidar uma moça a ir directamente para o quarto sem sequer lhe fazer a corte. O ministro sabe bem que, aconteça o que acontecer dentro do quarto, à saída é sempre a moça que fica mal vista. Poupe-nos o ministro Silva Pereira à sua cara compungida de rapazote bem-comportado: é evidente que à proposta indecente do Governo o PSD só podia dizer não. Se o Governo quer ter parceiros de boa-fé, faça o que lhe compete, apresente uma proposta orçamental em termos e aceite debatê-la aonde ela deve ser debatida – no Parlamento. O resto são truques de Casanova estafado.» [vascocampilho.net]

Deixem-me tentar perceber qual a posição do PSD, quanto à dança tudo bem mas antes de decidir se dança Pedro Passos Coelho exige que a menina seja virgem e apresente provas disso, que tenha boa perna, que saiba dançar e, se possível, que dance sozinha enquanto ele decide se dança ou se o melhor é esperar pelo próximo baile.

Enfim, o ridículo chegou ao orçamento, estes rapazes andam tão endiabrados com o poder que têm graças a uma minoria de deputados que se esquecem que um dia destes vão a eleições.

THORSTEN