sábado, outubro 23, 2010

A insustentável candidatura de Cavaco Silva

Quando a distância temporal o permitir e se fizer a história da vida política portuguesa dos últimos tempos é muito provável que se chegue à conclusão de terá sido um dos períodos mais vergonhosos da democracia, senão de um período de tempo mais vasto da história do nosso país. E no centro deste processo está um homem de parca dimensão que um dia chegou ao poder para se glorificar esbanjando os recursos colocados à disposição de Portugal pela CEE.

Cavaco Silva não presidiu à República, presidiu uma comissão unipessoal de recandidatura presidencial tendo em vista a sua eleição segura para um segundo mandato na esperança de nesse segundo mandato conseguir o seu grande objectivo, um presidente e um primeiro-ministro com o primeiro a ser o segundo por interposta pessoa. Tentou-o com Manuela Ferreira Leite mas abortou a tentativa quando percebeu a derrota e não hesitou em recorrer ao famoso episódio das escutas para salvar a pele condenado o PSD à derrota. O velho sonho de Sá Carneiro de o PSD ter o governo e a presidência transformou-se num projecto de ambição pessoal de Cavaco Silva.

Um dia saberemos quanto da crise nos mercados se deve ao contágio da crise grega, à instabilidade resultante da crise do subprime ou à manipulação da crise política conduzida por Cavaco Silva. Não foram as empresas de rating que lançaram a dúvida sobre a situação da dívida portuguesa, ela já existia à muito, foi Cavaco que fez a famosa intervenção da insustentabilidade, da mesma forma que em tempos lançou a bolsa portuguesa num crash quando questionou o valor dos títulos que lá se negociavam.

Cavaco boicotou à partida qualquer acordo quando desautorizou Pedro Passos Coelho dizendo que decorriam negociações e o acordo estava para breve, obrigou o líder do PSD a endurecer o discurso e a entrincheirar-se numa oposição radical ao OE2011, ou tomava esta posição ou seria visto como um moço de recados de Cavaco Silva. Quando o PSD se preparava discutir a posição a tomar em relação ao OE2011 Cavaco Silva voltou a ter uma das suas intervenções manhosas, desta vez foi Marcelo que divulgou publicamente a data do anúncio da recandidatura de Cavaco Silva justificando a escolha da data com a certeza da aprovação do orçamento, mais uma vez desautorizou Pedro Passos Coelho colocando-o na posição de mero palhaço, inviabilizou uma posição de abertura pró parte do PSD que em vez de duas condições para aprovar o orçamento passou a fazer seis exigências.

Por fim, aparece um negociador de Cavaco Silva a liderar a negociação do OE2011 com Teixeira dos Santos, acompanhado de um ou outro próximo de Pedro Passos Coelho, o líder do PSD que dizia que da próxima vez que se encontrasse com Sócrates levaria testemunhas, acaba por nomear testemunhas para observarem a negociação entre Catroga, um representantes de Cavaco Silva, com Teixeira dos Santos. É evidente que antes da apresentação da recandidatura de Cavaco Silva haverá acordo orçamental, que este será obra do salvador da pátria e Cavaco Silva dirá que finalmente cumpriu a promessa de ajudar o país com os seus conhecimentos de economia.

A crise política e uma boa parte da crise financeira do Estado foi ensaiada por Cavaco Silva desde o princípio, numa manobra manhosa para se certificar de que ganharia as eleições presidenciais antes de apresentar a candidatura. Cavaco fez a festa, atirou os foguetes e na próxima terça-feira vai apanhar as canas. Pouco importa quanto custou ao país e aos portugueses a estratégia manhosa da candidatura de Cavaco Silva, para os que se julgam iluminados e estão convencidos de que só o seu poder poderá salvar o país os fins justificam os meios.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Diploma de "Curso de Corte", Feira da Ladra, Lisboa

IMAGEM DO DIA

Alandroal [de A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

José António Saraiva

Foi público que quando o oficial de justiça tentou notificar o director do Sol da decisão que proibia o Sol de divulgar as escutas do processo Face Oculta José António Saraiva andou desaparecido em parte incerta. Agora defende-se em Tribunal dizendo que nada teve que ver com isso, ou seja, que a responsabilidade é toda dos jornalistas?

Uma defesa muito pouco digna de um director de um jornal. Com directores destes a vida dos jornalistas não deve ser muito fácil...

«O director do jornal Sol, José António Saraiva, "lavou as mãos" das notícias sobre o processo "Face Oculta" publicadas por aquele semanário, colocando, na prática, toda a responsabilidade nas jornalistas Ana Paula Azevedo e Felícia Cabrita. A posição do director do Sol foi assumida no processo movido por Rui Pedro Soares, ex--administrador da PT, contra o jornal, os jornalistas e os responsáveis editoriais.

De acordo com elementos do processo cível em curso, a que o DN teve acesso, José António Saraiva alegou junto da 8.ª Vara Cível de Lisboa que, enquanto director do semanário, "não lê previamente, nem decide a publicação das notícias que são publicadas no jornal". Porém, Rui Pedro Soares, que reclama uma indemnização de 750 mil euros pela publicação das escutas do processo "Face Oculta", contrapôs a tese do director do Sol com as palavras do próprio José António Saraiva. » [DN]

A ESPINHA DA DEMOCRACIA

«Esta semana, o presidente da associação sindical dos juízes, António Martins, protestou contra as medidas de austeridade orçamental, afirmando serem os juízes os principais destinatários por, e cito, "terem incomodado os boys do PS". Martins garantiu mesmo que desde 2005 estaria em causa "partir a espinha aos juízes". Seria natural que, face a estas extraordinárias acusações, os media acorressem a ouvir os pares de Martins e solicitassem ao Conselho Superior da Magistratura uma reacção; seria curial que juízes viessem a terreiro para, por iniciativa própria, se demarcarem daquilo que, apresentado como reacção a uma alegada guerra do Governo e do PS aos juízes, é antes uma declaração de guerra de um representante dos juízes a um governo e a um partido, pondo em causa a dignidade e a independência de toda a judicatura. Mas nada, silêncio. Apenas o também juiz desembargador Rui Rangel, na sua coluna no Correio da Manhã, qualificou as declarações de Martins de "tiro de canhão no pé" que "abala a confiança do povo nos juízes e na Justiça".

Não está em causa o direito de Martins, enquanto dirigente sindical ou mero juiz, protestar contra a diminuição do seu pecúlio; mas as acusações que faz ao Governo são do mesmo teor difamatório e injurioso que as que, a propósito da sua actividade como juiz, garantissem ser a sua obsessão com o PS e o Governo tal que não hesitaria em, caso a ocasião se lhe deparasse em tribunal, decidir contra tudo o que lhe cheirasse a um ou outro. Adivinha-se que o juiz Martins consideraria tal uma calúnia e exigiria dela provas em tribunal; mas adivinha-se também que o juiz Martins acha que a lei não se lhe aplica. É crível que ache até do Estatuto dos Magistrados Judiciais, que proíbe qualquer actividade político-partidária, ser só para enfeitar (ou então actividade político-partidária é só participar em comícios ou tempos de antena de partidos, vai-se a ver).

Afinal, o juiz Martins faz parte de uma classe que, criada para julgar os erros dos outros, faz profissão de fé de nunca admitir os seus e de se colocar imperialmente acima dos restantes mortais e até da lei. É muito comum nas corporações este tipo de atitude: considerar que a dignidade advém do privilégio (vide a decisão do Supremo Tribunal Administrativo que, em nome do "estatuto único" dos magistrados, fixa a respectiva idade de aposentação nos 60 anos, considerando não se lhes aplicar a lei de 2005 que aumenta progressivamente a idade de reforma até aos 65 anos em 2015 para todos os servidores do Estado), em vez de, como é evidente, admitir e praticar o contrário.

Ao garantir aos juízes irresponsabilidade quanto aos efeitos das suas decisões, a Constituição multiplicou-lhes, em tudo o resto, responsabilidade. Fez deles a espinha dorsal da democracia - assim o mereçam, assim provem tê-la. » [DN]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

REINVENTAR PORTUGAL

«Mais do que a esperada recessão, devíamos, neste momento, preocuparmo-nos, sobretudo, com a depressão. Portugal entrou na já habitual espiral negativista, justificada pelos dados financeiros, mas muito ampliada por esta tendência mórbida do ser português que sempre sobrevaloriza a dificuldade, o triste, o sórdido, o desgraçado. Definitivamente, temos mais de fado do que de samba. O entusiasmo ou, no caso presente, a falta dele, também é uma componente importante da economia. O desânimo sai muito caro. Para além do facto de que a prostração em que o país se encontra não ajuda nem ajudará a recuperação. É preciso partir para outra.

Nem todos os projetos se concretizam. Muitas vezes trabalhamos afincadamente numa ideia, investimos tempo e meios, para um dia se chegar à conclusão de que a coisa afinal não funciona ou não tem viabilidade. É assim nas artes, na ciência, no mundo empresarial e, também, na vida corrente. Um divórcio, por exemplo, é um projeto que falhou. Mas enquanto durou o casamento teve os seus bons momentos. Por muito frustrante ou traumático que qualquer fracasso represente, não é o fim de tudo. Há que recomeçar com novo vigor, com a vantagem de que um insucesso é sempre uma lição. Aprende-se muito com os erros.

Portugal está nesta exata situação. O modelo de desenvolvimento seguido nas últimas décadas mostrou que gera muitas disfunções e é incapaz de suster o impacto de uma crise global. Esse modelo não é uma invenção nossa, mas um sistema global que entrou em crise. Não somos, como se sabe, o único país falido no mundo. Na Europa há vários e mesmo alguns grandes, como os Estados Unidos ou o Japão também o estão. A diferença está na capacidade de reagir. Baixar os braços não é solução. As aves agoirentas que pairam nos nossos telejornais não ajudam nada. Aqueles que propõem um regresso ao 'orgulhosamente sós' ainda menos.

A situação é conhecida. A despesa do Estado, que a tudo tem de acudir, não deixa grande margem para o investimento produtivo. Grande parte do dinheiro que é recolhido nos impostos e angariado por via de empréstimos serve para pagar despesas sociais correntes, o funcionalismo, a saúde, a educação, a defesa e adiante. Mesmo as empresas, das grandes às pequenas, só sobrevivem com ajudas, incentivos, deduções, bonificações. O governo, qualquer que seja, é sobretudo um gestor de falências. Sobra pouco para a estratégia.

Mas a contabilidade não é tudo. A energia positiva vale muito. O ânimo move montanhas. Ou, ao estilo de Júlio Verne, vai até ao fundo de buracos profundos salvar mineiros. Se a crise é tamanha como se diz, se está tudo errado no nosso país, então há que reinventar Portugal. Não só o governo, ou os partidos, mas todos nós.

Quem muito refletiu sobre esta ideia da reinvenção de Portugal foi o meu amigo, hoje muito esquecido et pour cause, Ernesto de Sousa. Um dos grandes visionários do século 20 que está por redescobrir. Lá chegarão. Num texto publicado em 1978, na revista "Opção", escrevia no seu estilo único e criativo: "Mas como aportar às Índias, ao novo, sem ter passado pelas tormentas!? Tormentas do passado, até perder o Sol para manter a boa direção, contra o vento, contra a maré; tormentas de hoje, horas ganhas contra a perdição do sono, contra o bem-estar, as paredes cómodas, os espaços protegidos. Sem nunca perder de vista a diferença. Isto os Velhos do Restelo, pior os velhos inconfessos, dificilmente o poderão compreender. Sobretudo que: só aprende bem a diferença quem a deseja, apesar de tudo, ardentemente.

Apaixonadamente."

Para mudar, radicalmente, para fazer a diferença, é preciso paixão. Não vamos lá com lamentos e derrotismos. E nunca se irá a parte alguma sob este matraquear incessante dos "velhos inconfessos" que sempre foram contra tudo e nunca realmente a favor de qualquer coisa. Não se pode deixar que o rancor e a impotência agravem aquilo que é da ordem da contabilidade. Se há que poupar tudo bem. Mas que isso não nos tire a energia para recriar o mundo todos os dias.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Leonel Moura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PROMISCUIDADE

«O deputado do PSD Agostinho Branquinho está a caminho da Ongoing Brasil Participações, assim que deixar de ser deputado, algo que acontecerá a 1 de Novembro, depois de ter entregue, na última segunda-feira, a carta de renúncia a Jaime Gama, presidente da Assembleia da República.

Em declarações ao Negócios, Rafael Mora avançou que irá formalizar o convite, no sentido de Agostinho Branquinho integrar os quadros da Ongoing, assim que o social-democrata deixar de ser deputado. "É uma pessoa que tem total disponibilidade para ir para o Brasil e que percebe muito de media e de televisão", diz Mora, vice-presidente da Ongoing Brasil.

Agostinho Branquinho, quando for formalizado o acordo, irá supervisionar a actividade da Ejesa, empresa de media onde a Ongoing tem uma participação de 30%, referiu Mora. Os restantes 70% pertencem a Maria Alexandra Vasconcelos, mulher de Nuno Vasconcelos, que é o presidente do grupo dono do "Diário Económico". A Ejesa tem neste momento no portefólio de publicações o "Meia-Hora" (publicado no Rio de Janeiro e em São Paulo), o "Dia", o "Brasil Económico", a "Marca" e o "O Campeão". "Tendo em conta que temos seis jornais e cerca de mil trabalhadores no Brasil, é necessário ter uma pessoa sempre presente naquele país a controlar as operações", explica Mora. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

De interrogador a colaborador? Vale a pena ler o post que o "Câmara Corporativa" fez a este propósito:

Divertida é a resposta do "Albergue Espanhol", esquece a comissão de inquérito e acha que nada impedia o deputado de acumular as funções de deputado com as de assalariado na Ongoing. Já agora, até poderia vir a acumular com alguma comissão de inquérito a um negócio da Ongoing!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

GOVERNO DIZ QUE QUER CORTAR 1,6 MIL MILÕES NAS EMPRESAS PÚBLICAS

«O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, esteve ontem reunido com cerca de uma centena de responsáveis de empresas públicas para transmitir que o Governo espera que os organismos do Sector Empresarial do Estado (SEE) reduzam os seus custos operacionais em 1,6 mil milhões de euros no próximo ano.

As orientações estratégicas do Executivo para os gestores das empresas da esfera do Estado foram apresentadas pelo secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Carlos Costa Pina, que explicou que esta redução é relativa a 15% dos custos referentes a 2009. Na reunião à porta fechada, que durou cerca de uma hora, Costa Pina revelou ainda que, em relação ao crescimento do stock de dívida remunerado, o limite que em 2010 se situa nos 7% passará a ser de 6% no próximo ano, mas será aplicado "por grupo de empresas de cada ministério", que será também responsável, em articulação com o Ministério das Finanças, pela gestão do plafond total. De fora destas orientações ficam as empresas "estruturalmente não deficitárias" e as "operações necessárias à captação de fundos comunitários", como já havia sido anunciado pelo Executivo aquando da apresentação do PEC III, no final de Setembro.» [DN]

Parecer:

Veremos se vai mesmo cortar ou se não passa de uma encenação para inglês ver.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

DENUNCIA CORRUPÇÃO E LEVA COM UM PROCESSO DISCIPLINAR

«Uma directora de serviço do Instituto Português de Oncologia de Lisboa, que denunciou suspeitas à volta de um concurso para a compra de equipamentos, acabou "premiada" com um processo disciplinar. Este é o último capítulo de um caso que começou em 2004 e que já está a ser investigado pelo Ministério Público. Em causa está uma triangulação entre o IPO/Lisboa e duas empresas, a Medical Consult e a Varian, a fornecedora do equipamento.

O processo começou em 2004 com a abertura de um concurso para aquisição de dois equipamento para o tratamento de doentes com cancro. Um em IMRT (Intensity-Modulated Radiation Therapy) com a valência de radiocirurgia. O concurso, no valor de quatro milhões de euros, foi ganho pela empresa Varian. Porém, segundo informações recolhidas pelo DN, após a adjudicação àquela empresa, a administração do IPO decidiu retirar a valência da radiocirurgia dos requisitos para o concurso.

Uma das suspeitas prende-se com as ligações entre a empresa vencedora do concurso, a Varian, e a Medical Consult, uma empresa de prestação de serviços, e um técnico do IPO, Paulo Ferreira. Este técnico integrou o júri do concurso para a aquisição de equipamento, sendo, ao mesmo tempo, sócio na empresa Medical Consult. Ora esta empresa, ao que o DN apurou, prestava serviços de formação profissional na área da radioprotecção à Varian.

As ligações de quadros do IPO à Medical Consult passam ainda por Miguel Teixeira, ex-quadro do Instituto, actualmente administrador da empresa. O seu pai, Vivaldo Teixeira, é o presidente do conselho da administração.» [DN]

Parecer:

Algo cheira mal, no mínimo o concurso deveria ter sido anulado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pela conclusão das investigações.»

CAVACO PREPARA AMBIENTE PARA TERÇA-FEIRA

«Cavaco Silva pediu aos conselheiros de Estado para estarem de prevenção para uma situação de emergência, se por exemplo Governo e PSD não chegarem a acordo na viabilização do Orçamento do Estado. Segundo o Jornal de Negócios, o Conselho de Estado está preparado para qualquer cenário, e vários conselheiros foram alertados para a eventualidade de uma reunião súbita.» [i]

Parecer:

Está criado o ambiente para aparecer como o salvador.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pela rápida negociação do OE.»

O EXEMPLO QUE VEM DA AUTOEUROPA

«Os trabalhadores de Autoeuropa chegaram a acordo com a administração da empresa para um aumento salarial de 3,9 por cento para os próximos dois anos, no âmbito de um novo acordo pré-acordo laboral, foi hoje anunciado.

“Foi um acordo complicado. Começámos a negociar em agosto com reuniões constantes nas últimas duas semanas com mais de duas/três horas em cada uma delas”, disse à Lusa António Chora, coordenador da Comissão de Trabalhadores.» [i]

Parecer:

Vale a pena negociar com bom senso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Elogie-se.»

FT FAZ SUGESTÕES A PORTUGAL

«O "Financial Times" destaca na sua edição de hoje as "dores de crescimento portuguesas", com um editorial onde avalia os problemas políticos e orçamentais que Portugal enfrenta, considerando, ainda assim, que "a maior parte das medidas [do Orçamento do Estado para 2011] faz sentido". Lembrando que o Governo português "pelo menos, está a reduzir despesa, mais do que aumentar impostos, para reduzir o défice", o "Financial Times" diz que "Lisboa precisa de acelerar as suas reformas" para evitar cair no fundo europeu de estabilidade financeira. "Viabilizar este Orçamento imperfeito já seria um começo", comenta o editorial daquele jornal.

O "Financial Times" assinala, contudo, que mesmo que o Orçamento do Estado para 2011 seja aprovado, "não resolverá os problemas de dívida de Portugal". Referindo que o crescimento económico de Portugal é "anémico", o editorial daquela publicação refere que o programa do Governo pelo menos conseguirá ganhar algum tempo. "Deverá usá-lo para iniciar as reformas estruturais de que a economia tanto precisa".

No artigo, lê-se também que "os trabalhadores de Portugal estão entre os mais protegidos da Europa" e que o sistema judicial é um entrave aos negócios, sendo ainda classificado o sistema educativo português como "fraco".

"Portugal é um líder mundial nas energias limpas. No entanto, além disso, produz poucas coisas para as quais haja uma elevada procura global", refere o "Financial Times". » [Jornal de Negócios]

Parecer:

O porblema é que enquanto um pequeno partido como o PCP mandar no país as reformas são impossíveis.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelo próximo orçamento.»

O ORÇAMENTO DO LEITE CCOM CHOCOLATE?

«Ainda antes do arranque formal das negociações entre o PSD e o Governo foi lançada uma pequena nuvem de fumo branco: os socialistas estarão disponíveis para recuar no aumento da taxa de IVA nalguns produtos alimentares.

A abertura dos socialistas foi manifestada por Francisco Assis, à agência Lusa, durante a tarde de ontem. O líder da bancada dos deputados socialistas no Parlamento considerou mesmo "evidente" haver nessa matéria "um espaço para algum debate e, eventualmente, para alguma tomada de decisão". » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Em tempos tivemos o orçamento limiano, o de 2011 será o orçamento do leite com chocolate.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão de nome.»

AVELINO FERREIRA TORRES ESTÁ DE VOLTA

«» [ Link]

Parecer:

A política portuguesa não é a mesma sem esta personagem,

do Director-Geral do Palheiro: «»

AVELINO FERREIRA TORRES ESTÁ DE VOLTA

«Perdeu em 2005 em Amarante, perdeu em 2009 em Marco de Canaveses, mas nada lhe tira a vontade de voltar «com força» à política. Avelino Ferreira Torres é o novo presidente da concelhia do CDS-PP e promete um regresso em grande.

«Fui convidado pelo presidente da distrital [Campos Cunha], porque o anterior presidente [da concelhia do Marco] já não tinha mais disponibilidade para o cargo. E eu já vinha a ser assediado por centenas de simpatizantes do CDS», contou ao tvi24.pt. » [Portugal Diário]

Parecer:

A política portuguesa não é a mesma coisa desde que ele desapareceu.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Agradeça a Paulo Portas pelo regresso desta personagem ao Big Brother da vida política.»

HEM TRIPATHI

sexta-feira, outubro 22, 2010

FMI

Ao mesmo tempo que acenam com o risco da vinda do FMI os interlocutores do debate orçamental (PSD, PSD e Cavaco Silva) negoceiam as medidas duras que por serem as que ou pelo menos parte das que seriam exigidas pelo FMI. Se dessas negociações não resultar a solução unidose que seria exigida pelo FMI é certo que a prescrição apresentar-se-á em duas doses, os PEC1 e PEC dois darão lugar ao FMI1 e FMI2, sendo este último ministrado no OE para 2012. Como a vacina dada no OE perde uma boa parte da eficácia porque a dose era insuficiente, é certo que voltará a suceder o mesmo que ocorreu com o PEC2, em 2012 os portugueses levarão uma “dose de cavalo”.

O mais graves é que os interlocutores do debate entraram num jogo eleitoral, as suas posições serão melhor entendidas se aplicarmos a teoria dos jogos num contexto de luta eleitoral do que se as analisarmos à luz do interesse dos portugueses, a pouca vergonha instalou-se e a desgraça dos portugueses é usada como arma de arremesso, não estão preocupado com o sofrimento que lhes querem impor, tentam a todo o custo que sejam adoptadas medidas duras, cada vez mais duras mas que seja o outro a arcar com as perdas eleitorais. Para Cavaco Silva, José Sócrates ou Pedro Passos Coelho são mais importantes as perdas eleitorais nas próximas sondagens.

Cavaco Silva tudo faz para capitalizar votos para a sua candidatura, chegou ao ponto de “mandar” Marcelo Rebelo de Sousa anunciar a data de apresentação da sua candidatura presidencial fundamentando-a com a certeza de que o problema do OE2011 já estaria resolvido. Ao longo dos últimos meses condicionou Pedro Passos Coelho com pequenas provocações, começou por dizer que haviam negociações que estavam a correr bom, acabou por dar por aprovado o OE2011 antes da apresentação da sua candidatura. O velho sonho de Sá Carneiro de o PSD ter um presidente e um primeiro-ministro deu lugar ao sonho de Cavaco Silva de ser ele próprio o presidente e o primeiro-ministro, ainda que por interposta pessoa. Cavaco quer um orçamento tão duro quanto possível para ter condições para derrubar Sócrates e para que todo o trabalho sujo esteja feito antes dele convocar eleições.

Passos Coelho jogou mal desde o princípio, hesitou entre a crise política e o exigir que Sócrates assumisse a responsabilidade pela adopção de medidas duras, exigiu cortes nas despesas, não criticou nenhum dos cortes propostos no OE2011 para deixar passar o orçamento exige ainda mais cortes. Quer matar dois coelhos com uma cajadada, que o PS se auto-destrua eleitoralmente e que as medidas duras estejam aprovadas antes de assumir o poder. O problema é que em vez de dois coelhos foram três os apanhados por uma cajadada que, afinal, foi dada por Cavaco Silva, quem está a negociar o OE2011 com o ministro das Finanças é Eduardo Catroga, o virtual ministro das Finanças do governo que Cavaco sonha e não António Nogueira Leite, até aqui o negociador das teses do líder do PSD.

Sócrates tudo faz para se chamar a si o papel de salvador pelas medidas duras que foi obrigado a adoptar, cortou na despesa porque Passos Coelho exigiu, endureceu as medidas como foi defendido por Catroga e outras personalidades que costumam dar os recados de Cavaco Silva. Sem margem de manobra tenta encurralar Pedro Passos Coelho, mas acaba por fazer o jogo de Cavaco Silva que também deseja ver-se livre de Pedro Passos Coelho.

Com o argumento da crise política ou da vinda do FMI mais não estão a fazer do que a gerir a crise política em função das suas estratégias eleitorais e a adoptar medidas tão duras como as que seriam exigidas pelo FMI, mas condicionando-as ao impacto eleitoral que poderão ter. Da aprovação do orçamento apenas resultará o adiamento da crise política que, entretanto, ficará em banho-maria, mais tarde será mais complexa pois se agora é uma luta entre Sócrates, mais tarde terá em Cavaco Silva o principal interveniente, ainda veremos Sócrates a torcer pela manutenção de Pedro Passos Coelho na liderança do PSD para ir com ele a votos, enquanto Cavaco apenas convocará eleições antecipadas depois de mudar a liderança do PS. Resta saber se com a aceitação de Catroga para negociar o OE2011 o líder do PSD não está a tentar ser ele o homem de Cavaco Silva.

Em resultado deste jogo político acabaremos por ter um OE2011 que foi feito mais a pensar em objectivos políticos do que nos portugueses, que corta onde menos dói aos políticos mesmo que doa muito mais aos portugueses, que acabará por ser um PEC2 para em 2012 os portugueses pagarem a dobrar pelo falhanço do PEC2 e do OE2011. Nessa altura os que governarem dirão que a culpa é dos antecessores e nessa ocasião já poderão chamar o FMI para lhes ditar as políticas que até então não quererão assumir.

Talvez fosse melhor para os portugueses que viesse já o FMI e que se realizassem eleições o mais cedo possível, pagaríamos mais uns juros por conta da dívida, provavelmente muito menos do eu iremos pagar por um OE2011 que não foi elaborado a pensar nos portugueses. Incrivelmente um OE ditado pelo FMI seria feito a pensar mais nos reais problemas da economia portuguesa do que aquele que vai resultar das negociações entre Eduardo Catroga e Teixeira dos Santos. Talvez seja melhor sermos sacrificados por um OE2011 ditado por técnicos do FMI do que por aquele que vai resultar de negociações manhosas entre o PS e o PSD tuteladas por Cavaco Silva.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Pato-mandarim [Aix galericulata] na Quinta das Conchas, Lisboa

IMAGEM DO DIA

Santiago do Cacém [de A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

José Sócrates

Já ouvi as mais variadas justificações para a crise financeira do Estado, desde a crise internacional ao ataque especulativo ao euro, a mais original é a de que um OE brutal como o proposto para 2010 resulta do falhanço do PEC2.

«José Sócrates deseja que Portugal tenha um Orçamento do Estado "rapidamente" para dar confiança aos mercados internacionais. À chegada ao Instituto Superior Técnico, esta tarde, para a abertura da conferência "Novas Energias, Melhor Economia", o primeiro-ministro sublinhou que este OE se justifica pelas falhas do "anterior pacto", lamentando "que o país tenha perdido este tempo".» [i]

HOMEM DE CAVACO SILVA NEGOCEIA OE EM NOME DO PSD

«O PSD indicou hoje ao Governo a equipa que vai iniciar conversações sobre o Orçamento do Estado para 2011, que inclui o antigo ministro das Finanças de Cavaco Silva, Eduardo Catroga, disse à Lusa fonte oficial social democrata.» [DN]

Parecer:

O problema surgirá quando Catroga chegar a acordo e não cumprir todas as exigências de Passos Coelho, isso se entretanto o líder do PSD não inventar mais exigências.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelo acordo orçamental entre Sócrates e Cavaco Silva e pergunte-se a Catroga se durante as negociações vai telefonar ao Presidente da República ou ao líder do PSD.»

ZAPATERO FAZ REMODELAÇÃO

«José Luis Rodríguez Zapatero anunciou ontem uma remodelação governamental surpresa, com mudanças em seis pastas e extinção de outras duas. Trata-se da segunda e maior remodelação deste mandato.

O primeiro-ministro espanhol e secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol espera assim acalmar os críticos das medidas de austeridade do seu Executivo e manter-se no poder até às eleições de 2012. » [DN]

Parecer:

Sócrates deveria pensar em fazer o mesmo o mesmo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se.»

PS DEIXA CAIR NORMA IDIOTA

«O PS pensou em colocar no seu projecto de revisão constitucional uma norma que limitaria fortemente os direitos da oposição na discussão do Orçamento do Estado (OE), mas protestos vários da bancada fizeram a direcção do partido recuar.

No projecto final, aprovado domingo passado na comissão política nacional do partido e entregue um dia depois no Parlamento, já não consta a dita norma, apresentada três dias antes aos deputados por Pedro Silva Pereira, coordenador do grupo de trabalho que preparou o projecto socialista para rever a Lei Fundamental.

A intenção inicial do PS resumia-se em poucas palavras: colocar na Constituição uma norma sobre "equilíbrio financeiro" pela qual nenhum partido poderia apresentar propostas de alteração em sede de discussão do OE que alterassem o balanço receitas/ /despesas. Se alguém propusesse, por exemplo, um abaixamento na carga fiscal, teria de apresentar propostas de cortes na despesa em valor equivalente. » [DN]

Parecer:

Quem propôs esta norma tem uma concepção muito questionável da democracia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso amarelo.»

DISSIDENTE CUBANO GANHA PRÉMIO SKHAROV

«O Parlamento Europeu atribuiu hoje o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento ao dissidente cubano Guillermo Farinas, que realizou 23 greves de fome contra o regime castrista, disseram fontes parlamentares citadas pela agência noticiosa francesa AFP.

Esta decisão deverá ser anunciada formalmente às 12:00 (11:00 em Lisboa) pelo presidente do Parlamento Europeu (PE), Jerzy Buzek, perante os deputados reunidos em plenário em Estrasburgo (França). » [DN]

Parecer:

Deixem-me adivinhar o que vai dizer o PCP, que é uma provocação à democracia cubana!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelo comunicado do PCP.»

RU ADOPTA PLANO DE AUSTERIDADE MAIS DURO DA EUROPA

«O Governo britânico divulgou ontem um plano de quatro anos que pretende reduzir o défice orçamental do Reino Unido de 10,1% para 1,1% do PIB em 2015. Trata-se do maior corte de despesas públicas desde o fim da II Guerra Mundial e o maior na UE, com reduções de um quinto, em média, no orçamento dos ministérios e de 14% na Casa Real britânica.

Meio milhão de empregos públicos estão em risco e o plano está a ser fortemente contestado pelos trabalhistas, na oposição, mas também por activistas liberal-democratas (lib-dem), um dos partidos da coligação do Governo.» [DN]

Parecer:

E não foi alvo da especulação, nem está no euro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questionem-se os economistas que têm criticado o euro com base na actual crise.»

HIPERMERCADOS VÃO ESTAR ABERTOS NO PRÓXIMO DOMINGO

«A Sonae (Continente) e o Grupo Auchan (Pão de Açucar e Jumbo) confirmaram hoje que vão ter os respectivos hipermercados abertos durante todo o dia no próximo domingo, altura em que entra em vigor a nova lei que visa harmonizar o horário de funcionamento das superfícies comerciais.

Em comunicado, a Sonae realça que "a decisão é geradora de emprego e riqueza para a economia nacional", reiterando a sua intenção de criar um número significativo de postos de trabalho, estando para tal a recorrer aos centros de emprego das cidades onde se situam as lojas que, a partir de agora, verão os seus horários de abertura alargados. » [DN]

Parecer:

Ironia do destino, quanto mais tesos estamos mais hiper temos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Desejem-se bons negócios a Belmiro de Azevedo.»

REVOLTA NA DGCI

«Além da já prometida greve de 20 organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), surge agora outro movimento - independente do STI - que propõe uma greve de 30 dias alargada a todos os funcionários.

Na nota, a que o Económico teve acesso propõe-se que esta greve seja feita em Dezembro deste ano ou Janeiro do próximo ano - "momentos em que, por recebimento do subsídio de Natal ou do FET, se torna mais suportável um mês sem vencimento". Em causa está a redução dos vencimentos dos trabalhadores anunciada pelo Governo no âmbito do Orçamento do Estado para 2001, que oscilam entre 3,5 e 10%.» [DE]

Parecer:

Isto parece a facção do exército vermelho do fisco.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se por Dezembro.»

FT: PORTUGAL PODERÁ FALHAR OBJECTIVO ORÇAMENTAL PARA 2009

«Os últimos números sobre as finanças nacionais não passaram despercebidos lá fora. Portugal faz manchete no FT.

E para o jornal britânico nesta altura é o objectivo de reduzir o défice para 7,3% do PIB este ano que está em causa. "Portugal poderá falhar a meta orçamental fixada para este ano e a incerteza quanto às propostas orçamentais para 2011 colocou pressão renovada nos custos de financiamento do país", escreve Peter Wise, o correspondente do FT em Lisboa.

Nesse artigo o jornal descreve, número por número, a última síntese de execução orçamental, ontem revelada, que mostrou um agravamento de 200 milhões de euros no défice do subsector Estado entre Janeiro e Setembro.» [DE]

Parecer:

Eu diria que Portugal está a falhar tudo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelos truques do fim do ano.»

AL GORE ELOGIA O TRABALHO FEITO POR PORTUGAL NAS RENOVÁVEIS

«"Portugal está a fazer um trabalho fantástico nas energias renováveis. Parabéns. Eu vanglorio-me da liderança Portugal quando falo em sítios um pouco por todo o mundo sobre energia solar, eólica, energia das ondas, sustentabilidade. Dou-vos os parabéns por todos os progressos que têm sido feitos aqui nesta área", disse o antigo vice-presidente de Bill Clinton.

Al Gore falava no 'SAP Business Forum 2010 - Sustentabilidade e Transparência Empresarial', numa intervenção centrada sobre a estratégia económica para a área ambiental no século XXI, e que esta manhã decorreu no Centro de Congressos do Estoril. » [JN]

Parecer:

Haja alguém que elogia Portugal!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

ISALTINO MORAIS ARGUIDO EM MAIS UM PROCESSO POR CORRUPÇÃO

«Isaltino Morais foi constituído arguido, ontem, quarta-feira, no âmbito de um processo em que são investigados factos ocorridos ao tempo em que este era ministro do Ambiente, no Governo chefiado por Durão Barroso.» [JN]

Parecer:

Será o último?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Não se tome posição em relação a um processo em investigação.»

RALI NO SANTUÁRIO DE FÁTIMA

«Um indivíduo foi detido, ontem à noite, pela GNR, depois de ter feito vários peões e acelerado a sua viatura, durante 30 minutos, no recinto do Santuário de Fátima. É a segunda vez que é apanhado a fazer rali no local.» [JN]

N'O EXTINTOR'

Estão explicados os erros de previsão e a dificuldade em apurar a situação real das contas públicas, o ministério das Finanças contratou a loura das anedotas para lhe fazer as contas.

MARIELOU DHUMEZ