sábado, outubro 30, 2010

Um tempo de antena oportunista e pouco digno


Seria impossível a um candidato à Presidência da República criar um ambiente de crise nacional, reunir um Conselho de Estado e levar todas as televisões a interromper as programações para perante um país expectante dirigirem-se a todos os eleitores. Como vimos ontem isso não é totalmente impossível, se o candidato a Presidente for o próprio Presidente da República.

Aquilo a que os portugueses assistiram ontem foi a propaganda pessoal de um candidato que já não tem capacidade para elaborar o discurso e que mesmo sabendo que já havia acordo entre o governo e o PSD insistiu em ler um discurso que aparentemente já estava escrito ainda antes de se realizar a reunião do Conselho de Estado. Como alguém estragou a festa a Cavaco Silva que não teve a possibilidade de apresentar o acordo orçamental como troféu eleitoral na apresentação da recandidatura, restou-lhe dramatizar a situação, reuniu o Conselho de Estado para poder ter direito a um tempo de antena extra.

Quem ouviu a sua intervenção quando apresentou a sua recandidatura percebeu que estava perante a continuação do discurso anterior, o capítulo relativo ao acordo orçamental que constaria no discurso da terça-feira deu lugar a um capítulo dramático lido três dias depois. Cavaco reúne o Conselho de Estado e dirige-se ao país sem fazer referência a uma única conclusão ou reflexão da reunião a que a comunicação dizia respeita, assistimos à continuação do “eu isto” e “eu aquilo” que todos tinham ouvido dias nates.

Vejamos para que serviu a Cavaco Silva reunir o Conselho de Estado:

“Reuni hoje o Conselho de Estado”, “Decidi convocar o Conselho de Estado”, Esta situação resulta de um problema para o qual venho alertando”, “Conheço de perto as dificuldades”, “Por isso, acompanho atentamente, há vários meses”, “Em face disso, reuni de imediato com os partidos políticos”, “A todos alertei para as graves consequências de uma crise política”, “Referi também aos partidos”, “Decidi de imediato ouvir os membros do Conselho de Estado”, “Enquanto Presidente da República, tenho a obrigação de voltar a dizer”, “Confio no sentido de responsabilidade do Governo e da oposição”.

Isto é, eu, eu e mais eu, nem uma única frase que nos faça acreditar que o discurso não estava escrito antes da reunião do Conselho de Estado que nos permita acreditar que um Presidente da República não tenha usado o órgão institucional para promover uma encenação que lhe permitiu continuar três dias depois o discurso de recandidatura.

Ainda por cima muitos portugueses terão ficado atónitos perante um discurso dramático quando toda a comunicação social já tinha noticiado o acordo entre o governo e o PSD. É evidente que Cavaco não teve tempo de reunir com os seus assessores durante a reunião do Conselho de Estado e nenhum lhe sugeriu que o discurso que estava preparado já não fazia sentido porque enquanto a reunião decorria tinha sido divulgado o acordo orçamental.

É provável que alguém tão egocêntrico tenha pouca consideração pela inteligência dos portugueses e insistido num tempo de antena que estava minuciosamente preparado e já com os figurantes do Conselho de Estado a dispersar. Ou então as capacidades intelectuais do Presidente da República já não chegam para fazer uma intervenção espontânea ou, pior ainda, para ter a noção da realidade, ainda por cima o ddiscurso já estava pronto para ser colocado online no site da Presidência, só faltavam as fotografias oficiais para proceder à actualização da página.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Bairro de São Bento, Lisboa

JUMENTO DO DIA

José Sócrates e Pedro Passos Coelho

Como poderão explicar os líderes do PS e do PSD que tenham chegado a acordo em torno de algo que é do interesse nacional pressionados pelos mercados e políticos estrangeiros?

«Segundo apurou o Económico, Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga preparam-se para formalizar um acordo que contempla cedências de parte a parte e que irá permitir, no próximo dia 3 de Novembro, que o Orçamento de 2011 seja viabilizado no Parlamento com a abstenção dos deputados social-democratas.

Governo e PSD terão chegado a um entendimento enquanto em Belém o Presidente da República ausculta o seu Conselho de Estado, convocado pouco tempo depois de, na quarta-feira passada, Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga terem rompido negociações.» [DE]

ESTÁ RESOLVIDO O COMPLEXO CASO DA MORTE DO JAIME OVELHA

Ainda há quem defenda o burro!

PATÉTICO

Quando todos os portugueses já sabiam do acordo entre governo e PSD para o OE Cavaco Silva aproveitou a reunião do Conselho de Estado para, ao contrário do habital comunicado lacónico, fazer um tempo de antena da sua campanha eleitoral, dramatizando uma situação já inexistente.

LAMENTO POR UMA POLÍTICA PERDIDA

«Na semana em que Sócrates foi reeleito, perguntaram-me na SIC pelas medidas que ele devia tomar. Fiquei-me por uma só e, mesmo essa, óbvia. Era como aconselhar Álvaro Siza quando desenhou a pala da Expo: "Arquitecto, faça-a de maneira que ela não caia." Disse eu naquele debate da SIC: "Sócrates devia manter a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues." Grande espanto, no debate... Não sendo uma águia em análise política, uma coisa eu tinha por certa do primeiro mandato de Sócrates. Num sector prioritário, a Educação, tentou-se que os seus trabalhadores seguissem a mais elementar das normas profissionais: subir na carreira só por mérito. Maria de Lurdes Rodrigues (MLR) fora a cara dessa revolução (e aqui está uma definição de Portugal: revolução, por cá, é tentar que aconteça a um professor o mesmo que ao merceeiro que eu escolho para me fornecer e aos astronautas seleccionados pela NASA - ser examinado). Mas a ministra foi muito contestada e tinha de ser chutada no novo Governo. Daí o espanto pela minha proposta, no debate da SIC. E, de facto, MLR foi despedida. À custa da popularidade perdeu-se uma ministra com política certa. Hoje, as sondagens são desastrosas para o PS. Isso é o problema do PS. O problema de Portugal é que, com o receio de chegar mais cedo a essa impopularidade, o PS não nos garantiu como herança aquela política certa. » [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O INCÓMODO DA DEMOCRACIA

«Na semana passada, o presidente da Associação Sindical dos Juízes informou-nos de que as medidas de austeridade do Orçamento de 2011 são uma retaliação contra os juízes pelo facto de terem andado a "incomodar os boys do PS". Nesta, descobrimos que quando um juiz sindicalista se pronuncia sobre processos, qualificando-os como incómodos para membros de um partido e estabelecendo uma ligação entre esses processos e a política governamental e os reflexos desta nos juízes, o órgão que tem o dever de apreciar as violações do Estatuto dos Magistrados Judiciais (por exemplo quebras do dever de reserva, que estabelece não poder um magistrado pronunciar-se sobre processos a não ser em casos muito específicos) desaprova, pela voz do seu presidente - falo do Conselho Superior da Magistratura -, mas considera que o juiz falou enquanto sindicalista. O que deverá indiciar que só poderá ser chamado à pedra pelo Conselho Superior dos Sindicalistas, ou seja, por ninguém.

Aliás, a ASJ é que chama toda a gente à pedra. Os media dizem que um relatório europeu coloca a relação entre os salários dos juízes portugueses nos tribunais superiores e o salário médio no País entre as mais elevadas da Europa, e dá Portugal como uma das nações com mais juízes por cem mil habitantes? Ó da guarda que estão a "atacar" os juízes. A culpa, lê-se num comunicado da ASJ, é da Lusa (a agência pública de notícias, tutelada pelo Governo), que procurou "passar a ideia de que os juízes em Portugal são muitos, trabalham pouco e ganham demasiado". De seguida, a ASJ desmente as notícias "rotundamente falsas" que imputa à agência. O curioso não é só que várias das afirmações do comunicado - por exemplo que Portugal esteja a meio da tabela quanto à relação entre número de juízes e população total, quando na Europa Ocidental só quatro países têm um rácio mais elevado - sejam no mínimo um torção da realidade; o melhor é que aquilo que a ASJ desmente não estava na notícia da Lusa reproduzida nos jornais. "Rotundamente falsa, portanto, a afirmação de que Portugal é o País com mais juízes", diz a ASJ. "Rotundamente falsa, portanto, a afirmação de que Portugal é o País em que os juízes são melhor remunerados". Indiferente que nem a Lusa nem outro meio tivesse afirmado tal; na hora de desfazer aquilo que considera ser um ultraje à judicatura (a ideia de que possa ser menos que perfeita), a ASJ não se engulha com minudências. Aliás, ASJ não se engulha com nada. "Os juízes ascendem à função que ocupam por mérito próprio, mediante concurso público, depois de 20 anos de estudo e formação, e não por eleição ou nomeação, ou com base em favores ou privilégios", conclui o comunicado.

Repita-se, porque vale a pena: "mérito próprio" versus "eleição". "Eleição" na mesma categoria de "favores". É obra, é. É, nem mais nem menos, que a apologia dos déspotas iluminados versus essa porcaria da política e das decisões do povo - a coisa desprezível também conhecida por democracia. E o melhor de tudo é que pagamos a gente desta para nos julgar. » [DN]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A FANTOCHADA

«Jovem e com a frescura própria de quem nunca teve grande protagonismo político, surgiu como o redentor de um partido marcado por sucessivas lideranças falhadas. Mas o estado de graça depressa foi esmorecendo. A trapalhada com a inoportuna e inusitada revisão constitucional revelou um político com dificuldade em distinguir o essencial do acessório, perdendo tempo, o dele e o nosso, com batalhas sem sentido. Tanto mais que, nessa altura, o país já se encontrava no meio de um furacão financeiro. Embora de origem internacional, veio trazer à tona a realidade de uma economia excessivamente dependente do Estado e do dinheiro dos contribuintes.

Mas é na gestão política da viabilização do orçamento que Passos Coelho tem revelado a sua incrível impreparação. Há semanas que o país vem assistindo a contradições diárias, ora mostrando-se disposição para deixar passar, ora ameaçando com o chumbo, num jogo totalmente irresponsável. Para cúmulo, depois de mais uma negociação falhada, na quarta-feira passada o PSD convoca os jornalistas, à hora dos telejornais, para anunciar a sua decisão definitiva. Chegado o momento mágico, a decisão é afinal o anúncio de novo adiamento da decisão.

É claro que todos percebemos a razão de tanta vacilação. Passos Coelho sabe que, no final, terá de deixar passar o orçamento mas quer fazê-lo de forma a ficar o melhor possível na fotografia eleitoralista. Como esse tipo de fotogenia é difícil de construir, já que o sistema é complexo, a hesitação e manobrismo imperam. A situação concreta do país e dos portugueses é, para este efeito, uma variante menor. Aliás, alguém poderia fazer as contas de quanto já custou ao Estado português este jogo insano do PSD. E não falo de custo de credibilidade interna e externa, mas de dinheiro contado com os juros da dívida a subirem a cada vez que Passos Coelho se dá ares de jovem irreverente. E inconsciente.

Bem vistas as coisas, Passos Coelho ainda não saiu da JSD.

Mas, infelizmente, a insânia não afeta só a direção do maior partido da oposição. É no mínimo curioso que toda a gente diga que o orçamento é mau, mesmo péssimo para alguns, mas todos acham que deve ser aprovado. Aqui desconta-se o Partido Comunista e o Bloco que há muito não habitam o planeta Terra e, enquanto extraterrestres, tanto se lhes dá se vamos para a bancarrota ou não.

Até Pacheco Pereira, pouco dado a moderação como se sabe e sem o mais leve resquício de apreço pelo Governo, diz que ou se aprova o orçamento ou temos o caos. Mas caso mais caricato é o da UGT. Aderiu à greve geral contra um orçamento que exige que seja aprovado. De tanta figura patética que João Proença tem feito, na sua dupla condição de ser do PS e contra o Governo, esta é realmente inacreditável.

Há dias, Manuel Salgado disse-me que o problema da gestão política podia ser descrito com um exemplo simples. Há gente que quer divertir-se no Bairro Alto mas há outros que querem dormir. A conciliação é impossível. Qualquer coisa que a Câmara faça desagrada sempre a alguém. Aqueles que por estes dias dão inúmeros conselhos ao Governo para cortar aqui e ali, apontando defeitos no orçamento com a ligeireza das aparições nos telejornais, omitem que as coisas nunca são tão simples como parecem. Basta dizer que o próprio PSD que agora é tão radical no corte, sempre que esteve no governo aumentou significativamente a despesa pública. Tanto com Cavaco Silva, grande despesista aliás, como com Manuela Ferreira Leite.

Sendo certo que de momento o corte tem de ser brutal, dada a urgência, o estado de coisas só se altera mudando lentamente a estrutura económica do país. E isso não é feito com as demagogias do costume, estilo o vão trabalhar malandros do CDS ou a visão tradicionalista e nacionalista do PC, mas com um processo continuado de formação e modernização cultural, científica e tecnológica.

Hoje pode existir uma união nacional do ódio a Sócrates. Mas uma coisa já ninguém lhe tira. Só a geração Magalhães poderá realmente mudar Portugal. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Leonel Moura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

OS TRISTES DIAS DO NOSSO INFORTÚNIO

«O dr. Cavaco consumiu vinte minutos, no Centro Cultural de Belém, a esclarecer os portugueses que não havia português como ele. Os portugueses, diminuídos com a presunção e esmagados pela soberba, escutaram a criatura de olhos arregalados. Elogio em boca própria é vitupério, mas o dr. Cavaco ignora essa verdade axiomática, como, aliás, ignora um número quase infindável de coisas.

O discurso, além de tolo, era um arrazoado de banalidades, redigido num idioma de eguariço. São conhecidas as amargas dificuldades que aquele senhor demonstra em expressar-se com exactidão. Mas, desta vez, o assunto atingiu as raias da nossa indignação. Segundo ele de si próprio diz, tem sido um estadista exemplar, repleto de êxitos políticos e de realizações ímpares. E acrescentou que, moralmente, é inatacável.

O passado dele não o recomenda. Infelizmente. Foi um dos piores primeiros-ministros, depois do 25 de Abril. Recebeu, de Bruxelas, oceanos de dinheiro e esbanjou-os nas futilidades de regime que, habitualmente, são para "encher o olho" e cuja utilidade é duvidosa. Preferiu o betão ao desenvolvimento harmonioso do nosso estrato educacional; desprezou a memória colectiva como projecto ideológico, nisso associando-se ao ideário da senhora Tatcher e do senhor Regan; incentivou, desbragadamente, o culto da juventude pela juventude, característica das doutrinas fascistas; crispou a sociedade portuguesa com uma cultura de espeque e atrabiliária e, não o esqueçamos nunca, recusou a pensão de sangue à viúva de Salgueiro Maia, um dos mais abnegados heróis de Abril, atribuindo outras a agentes da PIDE, "por serviços relevantes à pátria." A lista de anomalias é medonha.

Como Presidente é um homem indeciso, cheio de fragilidades e de ressentimentos, com a ausência de grandeza exigida pela função. O caso, sinistro, das "escutas a Belém" é um dos episódios mais vis da história da II República. Sobre o caso escrevi, no Negócios, o que tinha de escrever. Mas não esqueço o manobrismo nem a desvergonha, minimizados por uma Imprensa minada por simpatizantes de jornalismos e por estipendiados inquietantes. Em qualquer país do mundo, seriamente democrático, o dr. Cavaco teria sido corrido a sete pés.

O lastro de opróbrio, de fiasco e de humilhação que tem deixado atrás de si, chega para acreditar que as forças que o sustentam, a manipulação a que os cidadãos têm sido sujeitos, é da ordem da mancha histórica. E os panegíricos que lhe tecem são ultrajantes para aqueles que o antecederam em Belém e ferem a nossa elementar decência.

É este homem de poucas qualidades que, no Centro Cultural de Belém, teve o descoco de se apresentar como símbolo de virtudes e sinónimo de impolutabilidade. É este homem, que as circunstâncias determinadas pelas torções da História alisaram um caminho sem pedras e empurraram para um destino que não merece - é este homem sem jeito de estar com as mãos, de sorriso hediondo e de embaraços múltiplos, que quer, pela segunda vez, ser Presidente da nossa República. Triste República, nas mãos de gente que a não ama, que a não desenvolve, que a não resguarda e a não protege!

Estamos a assistir ao fim de muitas esperanças, de muitos sonhos acalentados, e à traição imposta a gerações de homens e de mulheres. É gente deste jaez e estilo que corrói os alicerces intelectuais, políticos e morais de uma democracia que, cada vez mais, existe, apenas, na superfície. O estado a que chegámos é, substancialmente, da responsabilidade deste cavalheiro e de outros como ele.

Como é possível que, estando o País de pantanas, o homem que se apresenta como candidato ao mais alto emprego do Estado, não tenha, nem agora nem antes, actuado com o poder de que dispõe? Como é possível? Há outros problemas que se põem: foi o dr. Cavaco que escreveu o discurso? Se foi, a sua conhecida mediocridade pode ser atenuante. Se não foi, há alguém, em Belém, que o quer tramar.

Um amigo meu, fundador de PSD, antigo companheiro de Sá Carneiro e leitor omnívoro de literatura de todos os géneros e projecções, que me dizia: "Como é que você quer que isto se endireite se o dr. Cavaco e a maioria dos políticos no activo diz 'competividade' em vez de 'competitividade' e julga que o Padre António Vieira é um pároco de qualquer igreja?"

Pessoalmente, não quero nada. Mas desejava, ardentemente desejava, ter um Presidente da República que, pelo menos, soubesse quantos cantos tem "Os Lusíadas."» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Baptista-Bastos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

INROCK

sexta-feira, outubro 29, 2010

O país dos pensionistas

Se perguntarem a um jovem português o que mais ambiciona para o seu futuro a resposta mais provável é reformar-se com uma boa pensão, somos um país de velhos, de jovens velho e de velhos de meia idade, estamos todos velhos. Não admira que os dois principais candidatos a Presidente da República sejam dois velhos, que na hora de negociar com o governo do PS Passos Coelho tenha ido buscar um velho, que os presidentes dos dois maiores bancos sejam dois velhos.
Quando se debate economia não se vê um jovem e há muitos bem sucedidos na liderança das maiores empresas portuguesas, aparece um conselho de anciãos formados por ex-ministros das Finanças, precisamente os grandes responsáveis pela desgraça a que chegou o Estado português.

Nas elites há uma verdadeira caça às pensões, há pensões para todas as idades, os ex-governadores do Banco de Portugal recebem pensões como se tivessem sido bailarinos do Ballet Gulbenkian, o Presidente da República é um papa pensões, uma boa parte dos nossos políticos já são pensionistas, até houve um que em tempos esteve uns meses no parlamento contra a vontade do seu partido só para completar o tempo necessário para receber a pensão.

Não admira que muitos dos nossos jovens tenham por ambição ser pensionistas, a lista da Caixa Geral de Aposentações distribui mais riqueza do que a dos prémios do Euromilhões, o maior aumento dos funcionários públicos ocorre quando estes se reformam. Pior ainda, todos queremos reformar-nos quanto antes pois cada ano que passa o dinheiro para distribuir pela burguesia pensionista é cada vez menos.

Daqui a vinte anos deixarão de haver classes sociais no sentido marxista do termo, os portugueses passarão a ser classificados como os vinhos, quanto mais velhos melhor, teremos os reformados de 2000 que são ricos, ganham várias pensões de montantes elevados, os reformados de 2010 que ganham um pouco menos do que os de 2000, os reformados de 2020 que ganham metade dos de 2010 e quando chegarem os reformados de 2030 não só receberão nada como ainda terão de pagar as reformas dos de 2010 e 2020.

No Portugal de 2030 não haverá lutas sindicais, haverá confrontos na rua com os velhos reformados de 2030 à cajadada com os de 2020.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Constância

IMAGEM DO DIA

"O nó, quem o desata?" [de A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

Pedro Silva Pereira, ministro da Presidência

O ministro Silva Pereira tem razão, faltam menos dias para a votação e, portanto, estamos mais próximos da aprovação do orçamento. Depois de Cavaco ter tirado o tapete a Passos Coelho é a vez do ministro seguir a mesma estratégia condicionando a decisão do líder do PSD. Começa a ser tempo de haver seriedade no debate.

«O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, disse hoje, na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, que "estamos hoje mais perto da aprovação do Orçamento do Estado do que no início das negociações", salientando o que considera ser "um esforço muito relevante do Governo" para aproximar-se das condições do PSD.» [CM]

TENHO UMA NOTÍCIA, DIA 3 O ORÇAMENTO PASSA

«Pelo fim da manhã, soube-se que o acordo PS/PSD se rompera. Criou-se a convicção de que o Orçamento seria chumbado. Eu, que não tenho jeito para a Bolsa, fui jogar onde domino mais os mecanismos: apostas de jantares com amigos. Apostei que o Orçamento de 2011 será aprovado - esse era valor em baixa, ontem, pelas 11 da manhã, e era nele que se devia apostar. À noite, Miguel Relvas prolongou o tabu: só na véspera da votação o PSD dirá o que fazer. Vou dar uma notícia: no Palácio de São Bento, no próximo dia 3 (só não sei a hora, ainda não sou um Marcelo perfeito), o PSD vai abster-se. O bom para países que não sabem negociar maiorias, seria que as maiores minorias eleitas governassem sem que lhes pudessem retirar o tapete do Orçamento - mas isso pressupõe reformas constitucionais e não é assunto para agora. O bom para agora seria que os políticos soubessem fazer política. E reconhecendo todos (daqueles que estão lá para governar, se não hoje, amanhã) que o Orçamento tem de passar (como vai passar) teriam de dizer já anteontem o que vão dizer na véspera da votação: por imperativos nacionais, vamos fazer o que temos de fazer para o Orçamento passar... Portugal não ganharia mais estes dias de crise. Faltou a alguém a sabedoria cínica de John Kenneth Galbraith: "A política não é a arte do possível. Consiste em escolher entre o desastroso e o intragável."» [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

QUAL CRISE?

«O lucro ajustado da Galp Energia subiu 48 por cento nos nove primeiros meses do ano, para 266 milhões de euros, face a período homólogo de 2009, indicou esta quinta-feira a empresa.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Galp Energia explica o crescimento com "o bom desempenho de todos os segmentos de negócio, por sua vez impulsionado pelo aumento do preço e da produção de crude, pelo aumento da margem de refinação e do volume de crude processado e pelo aumento do volume de gás natural vendido".» [CM]

Parecer:

É curioso como a GALP associa o aumento dos lucros ao aumento do preço do crude.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao presidente da Autoridade da Concorrência se já se coçou e finalmente tem tempo para ver o que se passa nos mercados.»

CAMPOS E CUNHA EVOLUI COM AS SONDAGENS?

«Em artigo de opinião publicado hoje no PÚBLICO, a primeira escolha de José Sócrates para a pasta das Finanças levanta dúvidas sobre os números para o défice orçamental de 2007» [DN]

Parecer:

Quanto mais Campos e Cunha acha que o PSD está mais próximo do poder mais ataca quem o promoveu a ministro, até se fica com a sensação de que espera vir a ser governador do BdP, talvez para ficar com duas pensões parasitas como aquela de que beneficia há anos apesar de estar muito aquém da idade com que se reformam aqueles que neste país pagam estes parasitismos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se e sugira-se ao PSD que não se esqueça de um velho princípio, Roma não paga a traidores.»

UMA SONDAGEM PREOCUPANTE PARA SÓCRATES

«O PSD venceria as eleições legislativas com 40% dos votos, caso se realizassem hoje, de acordo com os resultados da sondagem da Universidade Católica para o JN, o DN, a RTP e a Antena 1.

O score dos social-democratas resulta não apenas de uma subida de três pontos em relação ao estudo de opinião de Junho passado, mas também da queda abrupta do PS, de 8%. Os socialistas tinham então alcançado 34% e, agora, ficam-se pelos 26%.

Surpreendente, nesta sondagem, é o facto de duplicar a intenção de voto no Bloco de Esquerda, que passa de 6 para 12%. O partido de Francisco Louçã capitaliza, aparentemente, o descontentamento que, à Esquerda, o "pacote de austeridade" suscitou. Isto porque a CDU também desce, de 10 para 8%. Quanto ao CDS, que até regista uma subida - de 6 para 7% - continua a ser indispensável à formação de um Governo de Direita, uma vez que o PSD não atingiria a maioria absoluta.» [DN]

Parecer:

Sócrates deve reflectir sobre estes números ainda que possam suscitar algumas dúvidas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento a José Sócrates.»

TINHAM BONS CARROS À CUSTA DO BPN

«A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, divulgou, hoje, quinta-feira, fotos tiradas a alguns dos objectos de luxo (entre eles dez carros de gama alta) apreendidos a indivíduos ligados a empresas, falidas, que terão lesado o BPN em cerca de 100 milhões de euros em empréstimos fraudulentos obtidos em 2007.» [JN]

Parecer:

Imagine-se quantos dos carros de luxo com que nos cruzamos em Lisboa foram pagos pelo BPN ou, para ser mais preciso, por todos nós idiotas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investiguem-se todos os negócios do BPN.»

CHINA TEM O COMPUTADOR MAIS RÁPIDO DO MUNDO

«Um novo supercomputador deixa a China no pódio dos computadores mais rápidos do mundo, atirando o rival tecnológico EUA para o segundo lugar.

O Tianhe-1 (Rio do Céu em português) tem a capacidade de realizar 2,5 mil milhões de cálculos - 2,5 petaflops - por segundo embora tenha sido desenhado para alcançar uma actividade ainda mais rápidas, revelam os engenheiros que o desenvolveram.

Para atingir esta velocidade, a máquina usa cerca de 7 mil processadores gráficos Nvidia Tesla e 14 mil chips da Intel, ambas empresas norte-americanas. Até agora, o computador mais rápido do mundo pertencia ao Laboratório Nacional Oak Ridge, no estado americano do Tennessee, com um velocidade máxima que corresponde apenas a 70% da capacidade do novo supercomputador chinês. » [Portugal Diário]

Parecer:

Feito com peças americanas...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um soriso.»

PENSIONISTA É MANDATÁRIO DE CAVACO EM LISBOA

«O ex-ministro Luís Campos e Cunha é o mandatário distrital de Lisboa da candidatura de Cavaco Silva, enquanto o democrata-cristão António Lobo Xavier é o mandatário distrital do Porto, disse à Lusa fonte próxima da candidatura.» [Público]

Parecer:

Campos e Cunha está a subir.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

BREAST CANCER AWARENESS MONTH [Boston.com]

DUAL DISASTERs IN INDONESIA [Boston.com]

OLEG & ALEX

REPÓRTERES SEM FRONTEIRAS