sábado, novembro 27, 2010

Uma política económica errática

Quem só veste o que lhe dão
Vive Sempre num inferno;
Traz sobretudo no v'rão
E anda em camisa no inverno.

António Aleixo

Os especuladores poderão ter conduzido ao aumento dos juros pagos ou a pagar pela dívida pública mas não foram eles que conduziram a uma dívida absurda, não foram eles que aumentaram o défice público, que introduziram as SCUTS, que enterraram quatro mil milhões de euros no BPN. Mais tarde ou mais cedo seria inevitável tomar medidas.A situação não aterou substancialmente e há muito que era previsível.

A perda de competitivida da economia portuguesa não é consequência da crise financeira internacional, é uma evidência desde que Portugal entrou no euro e prescindiu dos instrumentos de política económica que sustentava um modelo económico assente em exportações tradicionais.
Os constrangimentos impostos pela legislação laboral ao investimento é uma evidência desde há muito, não há organização internacional, economista independente ou associação empresarial que não o diga.

São três entre vários problemas de uma magnitude tal que deveriam ter constituído um eixo da política económica desde há vários anos, independentemente de conjunturas políticas eleitorais. Mas em vez disso temos tido uma política económica errática que não corrigiu os problemas, que tornou a economia portuguesa mais vulnerável e descedibilizou o país.

Quem é o investidor estrangeiro que confia num ministro que num ano promete a fartura e no outro corta salários, que num ano não dedica uma única palavra à legislação laboral e no outro pede alterações na lei e sugere ao sector privado que imite o Estado nos cortes salariais, que num ano deita as reformas no ensino para o caixote e gasta 400 milhões de euros para calar os professores e no outro vem dizer que é necessária uma profunda reforma do ensino, que num ano deixa o PRACE á porta da DGCI e no outro extingue as Alfândegas. Quem garante aos investidores que o ministro não muda de opinião e manda a execução orçamental às urtigas se no próximo ano se realizarem eleições legislativas?

Para promover as mudanças necessárias é mais necessário um contrato social do que uma coligação que assegure um governo maioritário. Para que os portugueses se envolvam num projecto é necessário que confiam nele, que saibam o que têm a ganhar e que os benefícios dos sacrifícios colectivos são distribuídos equitativamente. Uma coligação pode assegurar votações parlamentares que promovam mais sacrifícios, mas daí não resultará o empenho colectivo.

Não é aceitável que num ano os portugueses sejam levados com falinhas mansas e falsas estimativas do défice públcio e que depois seja adoptado um plano de austeridade que distribui de forma desigual o esforço de austeridade, pior ainda, com medidas que visam virar uns portugueses contra os outros. Nestas condições a maioria dos portugueses não acredita na política económica por mais adequada que ela seja, têm bons motivos para desconfiar da manipulação na distribuição dos custos e dos benefícios.

Para que uma política económica seja credível e mereça a confiança dos portugueses deve ser transparente, bem explicada e conduzida por alguém que tenha dado provas de competência, honestidade política e isenção. Esta política económica 'à la carte' em que não se tem uma visão de médio e longo prazo e as medidas são adoptadas em função dos accontecimentos ou das conveniêencias eleitorais é ineficaz e implica sacrifícios desproporcionais, acaba-se por se fazer com grandes custos sociais o que não se fez por falta de coragem ou por oportunismo no momento adequado.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Barbearia de Lisboa

IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO

Lagos [A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

José Sócrates

É uma ironia do destino, depois de o PS ter feito acusado o PSD de querer aprovar o orçamento a troco da sua revisão constitucional, o debate orçamental acaba com um desorientado ministro das Finanças a defender aquilo que só será viável se for aprovado o que Pedro Passos Coelho propõe em matéria de legislação laboral.

Sócrates é mais soft e fala em melhorias da legislação labora, melhorias que só podem servir para que haja uma redução de salários no sector privado, algo sugerido há poucos dias por Teixeira dos Santos que exibiu os cortes nos vencimentos de alguns funcionários como um exemplo para o sector privado.

Resta agora esperar que Sócrates prossiga com a sua política de copy/paste de tudo o que de mau se vai adoptando noutros países e defenda o despedimento de funcionários públicos. É uma questão de tempo, em nome dos interesses do país Sócrates fará o que for necessário para salvar o seu governo, mantendo uma equipa onde sobram ministros incompetentes.

«O primeiro-ministro afirmou esta sexta-feira que pretende discutir com os parceiros sociais "melhorias" nas condições do mercado de trabalho e advertiu que em 2011 não há "a mínima alternativa" ao "esforço colectivo" para Portugal enfrentar a crise.» [CM]

UM MAU ORÇAMENTO

O orçamento para 2011 é mau por muitos motivos, desde logo porque assenta em perspectivas económicas duvidosas, mas também porque as medidas de austeridade foram desenhadas mais com objectivos eleitorais do que a pensar no país, porque os cortes na despesa ficam aquém do desejável.

O governo poderia ter cortado os vencimentos de funcionários públicos e imposto um corte no financiamento das empresas públicas na percentagem aplicada aos vencimentos da Função Pública, poderia ter reduzido o número de funcionários acabando com contratos a prazo, incluindo os de muitos assessores do governo, poderia ter fixado uma taxa única no corte dos vencimentos de todos os funcionários, poderia ter aumentado todos os impostos, poderia ter tributado as operações bolsitas e as transacções financeiras com as off-shores. Desta forma teria promovido uma distribuição mais equitativa dos sacrifícios e conseguido um corte maior na despesa e um aumento das receitas fiscais.

Mas o governo pensou mais na sua agenda eleitoral e optou por concentrar os sacrifícios naqueles que muito provavelmente não votariam PS ao mesmo tempo que mantém a ilusão do crescimento económico. Apostou em eleições no próximo ano e tentou minimizar os prejuízos eleitorais resultantes da adopção de uma política de austeridade.

Mas é muito provável que Sócrates e o PS venham a pagar caro esta política orçamental manhosa, a especulação nos mercados continua, a situação económica da Europa pode ser penalizada pela incerteza nos mercados e o impacto sobre a economia nacional poderá ser maior do que o esperado pois o país não atrairá investimento estrangeiro enquanto a dívida soberana for alvo dos especuladores.

O PS arrisca-se agora a uma derrota eleitoral histórica e, pior do que isso, a perder uma boa parte da sua base social de apoio, os quadros da Administração Pública.

BOAS INTENÇÕES

«Esta foi a semana em que os irlandeses explicaram que não eram gregos, que os portugueses explicaram que não eram irlandeses, que os espanhóis proclamaram que não eram portugueses e que os italianos tentaram que ninguém lhes perguntasse se não eram espanhóis!
A semana acabou com a Irlanda a recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira e com a chanceler alemã a declarar o euro em sério risco face à hipótese de novos pedidos do mesmo tipo!
Choca que ninguém tenha lembrado que somos todos europeus e que só por essa via é possível evitar o terrível "efeito dominó" que coloca agora as duas economias ibéricas na primeira linha da mira dos famigerados mercados financeiros!»
[DN]

Parecer:

Por António Vitorino.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A GRANDE MENTIRA

«Em tempos, greves gerais e manifestações derrubaram governos. Hoje, são breves momentos de televisão que se dissipam na notícia seguinte. O efeito político é diminuto. O efeito social nulo.

Isto sucede por duas razões. O aumento, a velocidade e a dispersão da informação tendem a relativizar e a fragmentar os eventos. A perceção do que acontece só muito vagamente atende a factos específicos, tornados demasiado segmentados e individualizados. Numa era em que as notícias eram escassas, uma greve geral abalava a sociedade e os poderes. Mas hoje não é assim. Eventualmente, quem participa numa manifestação fica com a sensação de que esteve lá "toda a gente" e de que o ato foi muito importante. Mas, para o resto da sociedade, trata-se simplesmente de mais um evento a juntar a muitos outros que brotam a cada hora. A relativização é inevitável.

Mas a principal razão da desvalorização de greves e manifestações prende-se com os objetivos dos próprios promotores destas iniciativas. Sindicalismo e partidos entendem estas ações como um dos argumentos, entre outros, de uma negociação em curso ou pretendida. Ou seja, já não há nada de revolucionário numa greve geral. Ninguém quer deitar abaixo o governo ou sequer abalar minimamente o poder. Tudo o que se pretende é conquistar um fugaz tempo de antena.

Daí que a potência subversiva dos atos tenha sido substituída pelo jogo de palavras e, sobretudo, por uma evidente manipulação dos factos. A greve geral não foi geral, mas, como já é hábito, somente de parte da função pública. Essa parte, transportes, escolas e hospitais, pela perturbação que provocam criam a ilusão da grande adesão. A função pública é hoje a carne para canhão dos sindicatos. O destino é a morte certa.

Os sindicatos e os partidos que os apoiam tornaram-se mestres neste tipo de imposturas. Com uma força social e política diminuta servem-se destas irrisórias manobras mediáticas para iludirem o seu desgaste e arcaísmo.

O empolamento sistemático dos números, de adesão às greves ou de manifestantes, é uma componente essencial dessas manobras. É sabido como a contabilidade varia muito conforme a origem da fonte. Sindicatos inflacionam os números, enquanto governos os minimizam. A habitual guerra dos números, de um lado e doutro, não tem qualquer fundamento estatístico, servindo simplesmente para valorizar ou desvalorizar. E, há que referir, também nunca ninguém se importou com isso.

Até que apareceu por cá um professor de jornalismo americano, de seu nome Steve Doig, disposto a clarificar o assunto. Munido dalguma tecnologia e sobretudo de uma atitude em vias de extinção, a do jornalismo como relato (o mais próximo possível) da verdade, foi para a rua contar manifestantes de forma científica. Contagem mecânica ao nível do solo e contagem digital com a ajuda de um computador e imagens aéreas. Nada de muito complicado mas bastante rigoroso.

O resultado surpreendeu muita gente e irritou os sindicatos e os partidos do costume. A manifestação da função pública no início de Novembro não contou com mais de 10.000 pessoas, enquanto a manifestação contra a NATO teve menos de 8.000. Promotores e maioria da comunicação social falaram então de 100.000 e 30.000 respetivamente.

Uma tamanha discrepância não deriva de um pequeno erro de cálculo. Estamos perante uma fraude premeditada e inqualificável. A qual visa os promotores mas também um jornalismo preguiçoso que se satisfaz com a reprodução em vez de questionar e buscar confirmação independente.

Uma coisa é certa. Após a passagem por Portugal de Steve Doig, a contagem do número de manifestantes ou de adesão às greves não poderá mais ser feita da forma displicente habitual. Mas acima de tudo, esta questão vem, mais uma vez, demonstrar a decadência do sindicalismo e das formas de protesto clássicas, num tempo de acelerada mutação das relações sociais e da emergência de redes e interações que não se reconhecem já nas velhas divisões de classe.

Basta pensar como na recordação televisiva da última greve geral de 1988 apareceu o mesmíssimo Carvalho da Silva, embora mais novo e mais mal vestido, a dizer exatamente o mesmo que disse esta semana. Em 22 anos nada mudou para esta gente? » [Jornal de Negócios]

Autor:

Leonel Moura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

GOVERNANTE DEFENDE PAGAMENTO DOS TRANSPORTES POR QUEM OS USA

«O secretário de Estado dos Transportes afirmou hoje ser “urgente encontrar outras formas de financiamento” para o transporte público, além do Orçamento do Estado, defendendo o co-financiamento por parte de quem dele beneficia.

“Não devíamos pôr a financiar o sistema de transportes quem dos transportes beneficia?”, questionou Carlos Correia da Fonseca na abertura do III Fórum da Associação Nacional de Transportes Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP), no Porto.» [CM]

Parecer:

Só nos transportes?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Sócrates até quando acha que o Estado vai ter dinheiro para pagar tudo.»

A NOVIDDADE DO DIA

«O patrão da Sonae, Belmiro de Azevedo, escreveu um artigo de apoio ao actual chefe de Estado, Cavaco Silva, nas próximas eleições presidenciais.» [CM]

Parecer:

Estava convencido de que o Belmiro ia apoiar o Alegre do Loução.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

TEIXEIRA DOS SANTOS QUER LIBERALIZAÇÃO DAS NORMAS LABORAIS

«O ministro de Estado e das Finanças advertiu hoje que Portugal, a par do processo de consolidação orçamental, terá de "aprofundar" reformas no mercado de trabalho que promovam um ajustamento às actuais condições económicas.

A posição de Teixeira dos Santos foi assumida na sessão de encerramento do debate do Orçamento do Estado para 2001, num discurso em que defendeu a ideia de que Portugal só pode ter condições de competitividade se aprofundar reformas em sectores como a educação, mercados e trabalho.

Ainda esta madrugada, no final da reunião do Grupo Parlamentar do PS, o líder da bancada socialista, Francisco Assis, rejeitou em absoluto a hipótese de haver esta legislatura alterações ao Código de Trabalho, tal como recomendam instituições internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Perante os jornalistas, Francisco Assis disse mesmo que o FMI "não manda em Portugal".» [DN]

Parecer:

O ministro quer salvar-se com crescimento a qualquer custo, pouco se importando com o que defendeu até cair em desgraça.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o espectáculo triste.»

MAIS UM MONO

«O aeroporto de Beja, cuja construção foi adjudicada por cerca de 24,235 milhões de euros, acabou por custar 10% mais, devido a revisões de preços, erros e omissões de projecto e trabalhos a mais, num total de 26,582 milhões de euros. Além disso acumulou, entre 2001 e 2009, quatro milhões de euros de "custos de estrutura/funcionamento" devido ao sistemático adiamento da inauguração da infra-estrutura.

A conclusão é de uma auditoria do Tribunal de Contas que acrescenta que, "para a operacionalização da infra-estrutura e para dar cobertura a défices de exploração" da Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja (EDAB), é ainda necessário gastar "cerca de 39 milhões de euros". Todos estes valores não incluem IVA.» [DN]

Parecer:

Para que servirá um aeroporto em Beja?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao ministro da Economia.»

AS ATENÇÕES VOLTAM-SE PARA A ESPANHA

«O economista Michael McDonough, que escreve para a “Bloomberg Brief: Economics”, é peremptório: tudo indica que Espanha seja, actualmente, mais arriscada do que Portugal.

Segundo os seus cálculos, os problemas de Espanha poderão ser uma praga no futuro próximo e pesar fortemente nos mercados internacionais, “dado que o seu PIB representa 12% da economia da Zona Euro, mais do que o PIB acumulado da Irlanda, Grécia e Portugal”.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Já faltou mais para chegar a vez da Itália, talvez nessa altura a Europa decida acordar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se.»

O 'CONTRA-INFORMAÇÃO' ACABOU

«O “Contra-Informação”, programa de sátira política exibido há quase 15 anos na televisão pública, acabou. A RTP não renovou para o próximo ano o contrato com a Mandala, produtora do programa, e os bonecos de “Acabado da Silva” e “José Trocas-te” vão deixar de aparecer na estação pública.» [Público]

Parecer:

Não resistiu à concorrência da informação.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

TAMTAM TAMTAM

sexta-feira, novembro 26, 2010

Em defesa do aeroporto de Beja


Antevisão do futuro canal de ligação entres as barragem de Alvito e do Alqueva


O país não está a dar a devida importância ao Aeroporto de Beja, uma infra-estrutura aeroportuária fundamental para o desenvolvimento do sul do país e mesmo do sul da Península Ibérica. Só isso explica a posição assumida pelo o Tribunal de Contas de Guilherme Martins, o sponsor familiar da secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais onde colocou um filho em adjunto e um genro como chefe de gabinete, ainda se pensou na hipótese de colocar o podengo “Benfica” mas o bichano ainda não tirou uma licenciatura.

Para perceber a importância do aeroporto de Beja para a economia nacional é preciso ter visão estratégica e perceber como pode contribuir para o cluster económico daquela região de onde se destacam o girassol das terras negra, o porco preto alimentado a bolota nas terras de Barrancos e a importante indústria aeronáutica de Évora, para não falar dos petiscos gastronómicos como os do Fialho ou, mais para o interior, “A Maria” do Alandroal.

O aeroporto de Beja pode mesmo contribuir para o renascimento do nosso sector dos transportes marítimos, reerguendo a Companhia Nacional de Navegação. Bastaria promover a construção de um porto com um cais do tipo roll on roll off na barragem do Alvito e escavar um canal navegável ente esta barragem e a do Alqueva, de onde os semi-reboques poderiam seguir para Espanha através d auto-estrada de Évora, a mais bucólica da Europa.

Com um pouco mais de ambição poder-se-ia alargar esta ligação entre o ar e o mar ao transporte ferroviário, dando uma preciosa ajuda à CP. Poder-se-ia ligar os importantes nós ferroviários de Casa Branca e da Funcheira ao terminal portuário do Alqueva, o que ajudaria a projectar ainda mais os novos terminais de mercadorias do porto de Sines que tem sido penalizado precisamente pela carência de infra-estruturas de transportes terrestres. A confirmar-se a aposta do transporte de mercadorias através da linha de TGV, faria todo o sentido construir um terminal de carga próximo de Alqueva, com a escassez de matéria prima para os famosos chouriços de Barrancos poderiam promover-se a participação da indústria metalomecânica nas encomendas do TGV, promovendo a construção de carruagens especiais para transportar os porcos pretos da Estremadura espanhola, assegurando que a viagem sem stress dos preciosos animais garantiria a qualidade dos famosos chouriços.

Com estas estruturas poder-se-ia apostar numa importante plataforma logística evitando a transferência de muitas multinacionais para Espanha. Além disso este importante investimento teria um forte impacto no crescimento económico e mesmo nas receitas fiscais, tão preciosas nos tempos que correm. Como o Estado não gastaria nada de início, graças às parcerias público-privadas as obras e a actividade gerada por esta gerariam receitas fiscais significativas.

Com tantos lugares de administradores até se poderia equacionar a hipótese de colocar a família de Oliveira Martins em altos cargos de administração, por exemplo, na Companhia de Navegação do Interior Alentejano. No seu lugar na secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais poder-se-ia colocar o “Benfica” que certamente não faria pior do que os donos.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Travessa do Fala-só, Lisboa

IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO

Rio Lis, Leiria [J. Barbosa]

Ericeira [P. Santos]

Malaguetas a secar na Aldeia de Monsanto [A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

Vieira da Silva, ministro da Economia

Logo nas primeiras horas do dia da greve geral já era evidente a estratégia de comunicação do governo visando desvalorizar a greve geral convocada pela CGTP e UGT, que era uma greve geral, que com greves não se resolvia o problema e que os sindicatos não tinam apresentado alternativas. Alguém percebeu que o segundo argumento cheirava a mofo, que o segundo criado por um idiota que alguém promoveu a secretário de Estado era ridículo, restava o argumento de que a greve não foi geral.

É evidente que dificilmente todos os portugueses parariam e como não há qualquer regra que defina o que é uma greve geral e o que é uma greve parcial esta greve estaria condenada a ser parcial. Passado um dia o ministro da Economia não encontrou novos argumentos e repete a cassete que lhe foi enviada ainda antes da primeira hora de greve.

Todo o governo parece sofrer de autismo e insistir em não perceber que está a perder autoridade, que os cortes nos vencimentos dos quadros qualificados da Administração Pública é uma medida com consequências negativas que vão para além do corte na despesa e que o PS caminha para uma derrota eleitoral histórica que porá em causa a sua sobrevivência enquanto partido do poder.

«O ministro da Economia pronunciou-se esta quinta-feira sobre a greve geral, considerando que foi uma “greve parcial” com “algum impacto” na Administração Pública e “muito minoritário” no privado. José Vieira da Silva sublinhou que as medidas de austeridade são "imprescindíveis".» [CM]

PARA LÁ DA REMODELAÇÃO

«O tema da remodelação impõe-se - e pensar para lá dela, ainda mais. Quanto à remodelação, o que a impõe não são, apesar do que alguns infelizes fait-divers podem levar a pensar, razões de circunstância. Não, o que impõe a sua necessidade é um balanço honesto do primeiro ano desta legislatura.
Sobretudo por três razões. A primeira é que a maioria relativa resvalou progressivamente, por falta de capacidade de diálogo e de negociação (e com a inegável cumplicidade da oposição), para o impasse político. Impasse que, dada a sua conjugação com a prolongada negação da evidência da crise até ao último Verão, ameaça ter consequências pesadas para o País. Como o caso da Irlanda acaba de mostrar, as evidências acabam sempre por ganhar à teimosia...

A segunda é que, tendo o seu programa eleitoral (obras públicas, impostos, etc.) sido em boa parte abandonado por força das circunstâncias, o País ficou sem estratégia, política ou económica, tudo se reconduzindo casuisticamente à contabilidade corrente e à execução orçamental. Quando a austeridade sem mais se transforma no programa de governo, o desespero torna-se num generalizado sentimento nacional.

A terceira é que, enquanto uma parte dos membros do Governo escolhidos mostrou pouca capacidade para a função, uma outra parte revelou grande desadequação às respectivas pastas, tendo entretanto o primeiro-ministro vindo a perder a indispensável autoridade sobre os ministros, bem como capacidade de coordenação do colectivo governamental.» [DN]

Por:

Manuel Maria Carrilho.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

QUAIS DADOS SENHORA SECRETÁRIA DE ESTADO

«A secretária de Estado para a Igualdade estimou esta quinta-feira que o fenómeno da violência doméstica tenha registado uma redução de 10 por cento na última década, apesar do aumento do número de participações.

Elza Pais falava no final do Conselho de Ministros, depois de o Governo ter aprovado o IV Plano Nacional de Combate à Violência Doméstica, cuja aplicação vai estender-se a 2013.

"Temos dados que indicam que, nos últimos dez anos, a violência doméstica diminuiu dez por cento na sua dimensão real. No entanto, as participações às forças de segurança aumentaram em média 10 por cento ao ano", disse. » [CM]

Parecer:

As participações aumentam, o numero de mulheres assassinadas aumenta, os governos pouco ou nada fizeram e a secretária de Estado diz que nos últimos dez anos, por coincidência os de governação do PS, a violência doméstica diminuiu? De um lado dados evidentes, dos outro temos os dados da governante e que só ela os conhece.

Alguém devia dizer à governante que o problema é demasiado sério e vergonhoso para que sirva de propaganda.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se á secretária de Estado que prove o que afirma com os tais dados que afirma possuir, dados e não palpites oportunistas.»

O DESESPERO LEVA A EXCESSOS

«A reacção do deputado socialista Eduardo Cabrita surgiu após Bernardino Soares, do PCP, ter afirmado que a greve geral de quarta-feira “provoca grande incómodo na bancada socialista [...] porque é a bancada que vai aprovar em conjunto com o PSD este orçamento”.

Eduardo Cabrita respondeu ao deputado do PCP que a greve “existe em Portugal” muito “por acção do PS” e que “não existe é na Coreia do Norte do senhor deputado Bernardino Soares”. Afirmou ainda que os partidos à esquerda do PS são “uma esquerda inútil” que em nada contribuem para as soluções.»
[CM]

Parecer:

Portugal deve muito à luta do Cabrita pela democracia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso amarelo.»

CINCO JORNALISTA DO SOL VÃO A JULGAMENTO

«A divulgação de escutas telefónicas e de outras informações relacionadas com o processo "Face Oculta" vai levar cinco jornalistas do jornal "Sol" a julgamento pelo crime de violação do segredo de justiça. A decisão de pronunciar os jornalistas foi tomada hoje. Fátima Esteves, advogada do jornal, não foi pronunciada.

De acordo com a decisão instrutória, a que o DN teve acesso, o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa considerou que os jornalistas Vítor Rainho, Felícia Cabrita, Luís Rosa, Ana Paula Azevedo e Graça Rosendo tiveram acesso "de maneira ilícita" a dados do processo "Face Oculta", que estava a ser investigado na comarca de Aveiro. Isto porque, segundo a decisão, o sub-director do semanário Vítor Rainho constituiu-se como assistente no processo, e "deu conhecimento" das peças processuais aos restantes jornalistas. » [DN]

Parecer:

Acabou a impunidade?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao MP se sabe ou investigou quem deu as escutas aos jornalistas.»

MARIA DE MEDEIROS QUER SER ESPANHOL

«Maria de Medeiros, de 45 anos, falava numa conferência de imprensa para anunciar o recital que vai dar na sexta-feira na ilha de La Palma (Canárias) e sublinhou que "está na hora" de fazer a união dos dois países num único estado, visto que "as identidades culturais e linguísticas estão muito definidas e, além disso, a união faz a força".

Na opinião da actriz, os dois países "têm tantas coisas que os unem e tanta riqueza cultural em cada uma das suas regiões que devemos tentar a união".» [DN]

Parecer:

Já vi melhores argumentos para acabar com a independência de Portugal.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Maria de Medeiros se tem a certeza de que a Espanha nos quer.»

PORTUGAL ESCAPA A FALÊNCIA MAS TERÁ DE PEDIR AJUDA

«Portugal vai ter mesmo de pedir ajuda à União Europeia (UE) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas evitará uma falência técnica, cenário cada vez mais provável na Grécia, diz a Economist Intelligence Unit (EIU), o gabinete de estudos da conceituada revista The Economist. O pior é que quanto mais tarde o País pedir ajuda, mais caro ficará o empréstimo, avisa a entidade.

A equipa de economistas da EIU - que nos últimos anos têm tido uma relação muito próxima com Portugal, promovendo debates alargados sobre a economia - está agora convencida de que Portugal conhecerá o mesmo destino da Irlanda: deixará de conseguir ir ao mercado pedir crédito a preços razoáveis, projectando a entrada das verbas de socorro no decorrer do próximo ano. Há analistas que apontam já para o início de 2011. » [DN]

Parecer:

E com as excepções aos cortes nos vencimentos a situação será cada vez mais duvidosa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

AINDA HÁ DÚVIDAS QUANTO À INCOMPETÊNCIA DE TEIXEIRA DOS SANTOS?

«Sobre Portugal, o banco alemão refere que "não houve qualquer sinal de uma bolha de crédito, com o montante total dos empréstimos a avançar a um ritmo moderado, médio, de apenas 6% por ano." Ao contrário do que sucedeu na Irlanda, que entre 2002 e 2007 registou um aumento médio superior a 26% por ano, ao mesmo tempo que a dívida nominal das empresas triplicou em menos de cinco anos.

Para Schildbach, a crise económica e financeira de Portugal e da Grécia prendeu-se, sobretudo, pela prática de "políticas orçamentais que conduziram a uma enorme perda de confiança nos mercados de capitais, nos tempos actuais de recessão."» [DE]

Parecer:

Sócrates vai pagar cara a escolha de Teixeira dos Santos para ministro das Finanças.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver até onde Teixeira dos Santos vai afundar o país.»

A AUSTERIDADE NÃO É PARA TODOS

«Os sociais-democratas não vão voltar atrás na votação e vão abster-se na votação do projecto do PCP que prevê um agravamento em 1,5% das taxas das mais valias bolsistas o que vai levar a um chumbo no plenário.

"O Orçamento que estamos a apreciar é da exclusiva responsabilidade do PS com opções que foram tomadas pelo PS. Há normas que o PSD queria ver diferentes? Claro que existem", explicou, mas mesmo assim o PSD não voltou atrás.» [i]

Parecer:

Quando op país declarar a bancarrota acabam-se as brincadeiras.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se.»

AZAR, NÃO ESTIVE NO PROGRAMA DA OPRAH

E APOIA A CANDIDATURA DE CAVACO SILVA?

«Ao longo dos últimos 30 anos, o pensamento político de Francisco Sá Carneiro desapareceu no PSD, apesar de as sucessivas lideranças invocarem constantemente o legado do fundador do partido. Mas terá sido nos governos de Cavaco Silva (1985/1995) que a mensagem política de Sá Carneiro foi completamente banida. Em 10 anos, assistiu-se à acentuada alteração da "matriz ideológica" do PSD, à "destruição do pensamento estratégico" do antigo primeiro-ministro da AD e à "mudança da natureza sociológica" do partido.
Um retrato muito pouco simpático de Cavaco Silva e do consulado cavaquista consta do livro O meu Sá Carneiro - Reflexões sobre o seu pensamento político (D. Quixote), do advogado José Miguel Júdice, que, à semelhança do que aconteceu nas últimas presidenciais, voltou a ser convidado para integrar a Comissão de Honra da recandidatura do Presidente da República. A obra chega às livrarias no fim-de-semana e será apresentada no dia 30, às 18h30, no El Corte Inglés, por Manuel Braga da Cruz, reitor da Universidade Católica.

Cavaco Silva, que "entrou na cena política como o verdadeiro herdeiro" de Sá Carneiro, "procurando assumir o seu estilo frontal e sem cedências", acabou por transformar o PSD num partido "feito à sua imagem e semelhança: um partido tecnocrático, um catch all party, ou seja, um partido sem fronteiras, onde todos poderiam vir plantar a sua tenda, desde que aceitassem a liderança indiscutida do então primeiro-ministro, e assim ajudassem a conquistar votos e a manter suseranias". » [Público]

Parecer:

Será que Cavaco vai manter o convite a Júdice?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se aos responsáveis da candidatura de Cavaco Silva.»

SACRIFÍCIOS DISTRIBUÍDOS POR TODOS?

«O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, disse hoje esperar que os sacrifícios sejam distribuídos por todos e prometeu estar atento à adaptação dos cortes salariais ao sector empresarial do Estado.» [Público]

Parecer:

Este Passos Coelho tem um estranho sentido de humor.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

AUTISMO CONTABILÍSTICO

Não faltaria argumentos para questionar se o número de 3.000.000 de grevistas adiantado pela CGTP, muitos trabalhadores estão mais preocupados com o pouco que resta do ordenados, os precários vivem sob chantagem, o receio das chefias do Estado de uma vingança divina, na véspera o governo abriu uma excepção manhosa ao cortes de vencimentos, etc.

É evidente que o número peca por exagero, da mesma forma que também é evidente que os que não aderiram à greve manifestaram apoio a Sócrates ou concordância com as medidas. Do lado do governo também não faltaram argumentos e números ridículos, desde logo as declarações do trucidador Castilho porque tudo o que esta pobre alma diz é ridículo, ou a declaração da ministra do Trabalho de que o Metro encerrou por questões de segurança.

Estes números ciosamente combatidos pela Câmara Corporativa, tal como sucede com todos os números desagradáveis valem o que valem, os números que contarão serão os das próximas legislativas. Vou esperar para ver como os autistas os vão contestar.

DIMITRE PELTEKOV