sábado, dezembro 25, 2010

Generosidade natalícia

O normal nesta ocasião seria brincar com as prendas para os políticos, por exemplo adoraria oferecer uma máquina de calcular a Teixeira dos Santos para que em 2011 consiga fazer previsões, ainda que me pareça que não é por falta de calculadoras que o ministro não acerta uma, talvez fosse mais adequado oferecer-lhe uma cartas de tarot.

Outra hipótese seria dedicar este post aos pobrezinhos, os tais que preenchem as nossas televisões, que lavam os pecados de muito boa gente e que até já se casam em festas de Natal abrilhantadas pelo casal presidencial como se fosse a cereja em cima do bolo dos roteiros que Cavaco dedicou aos pobretanas. Mas ao contrário dos que os ricos pensam os pobres não têm um sofrimento especial nesta data, depois de 365 dias do anos sem saber o que comer não é por a ementa estar estabelecida que vão sentir mais fome neste dia.

Outra hipótese seria bincar com a forretice da família Silva e imaginar os netinhos a receberem peúgas, chapéus de chuva da Regina ou tabletes de "Coma com pão", mas com os lucros das acções da SLN há dinheiro para dar boas prendas aos netos durante um bom par de anos.

Não, a minha solidariedade vai mesmo para os que mais estão sofrendo nesta quadra natalícia, os que poderiam ter e não têm, os que deveriam receber e não recebem, os que esperaram uma ano pela prenda natalícia e recebem um corno e aponta do outro devidamente embrulhados, ainda que sem o embrulho de marca ou o selo do El Corte Ingles.

Até me dói a alma só de pensar no sofrimento das filhas mais velhas de Pedro Passos Coelho que decidiu trazer o FMI para a sua própria casa e suspendeu-lhes as prendas de Natal para evitar o crescente endividamento familiar. Quando um homem que era visto com frequência em restaurantes de luxo, que gasta mais em cabeleireiro do que a maioria dos portugueses com a educação dos filhos e que tem fatos que davam para alimentar um pobre durante três anos chega a este ponto, isso sim é sofrimento. Se um pobre está à espera de um par de calças e no sapatinho só estão umas cuecas no sapatinho o sofrimento não é muito, mas quando se espera um i-Pad, um Mini da BMW ou um telemóvel que faz tudo e se chega ao sapatinho e está vazio, isso sim é sofrimento.

É um pouco como uma boa parte dos nossos bispos que dedicaram a homilia da missa do galo e que neste momento deverão estar a pensar neles, rezando por eles enquanto fazem o sacrifício de se banquetearem nas mesas de fartura das famílias mais abastadas da diocese. Deste sim te tenho pena, imaginem o que custa trinchar uma bela perna de cabrito assado sem nos conseguirmos livrar da imagem da pobreza tão bem retratada na noite anterior.

Para estes sim que vai a minha solidariedade natalícia.

Umas no cravo e outras na ferradura

JOSÉ AFONFO EM "NATAL DOS SIMPLES"

FOTO JUMENTO

Natal no Terreiro do Paço, Lisboa

IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO

Badajoz [A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

Pedro Passos Coelho

Quando ouço um ex-administrador da Fomentivest, líder de uma instituição onde ganha o ordenado do primeiro-ministro e professor universitário vir armado em parvo falar de prendas de natal como se ganhasse o ordenado mínimo desculpem-me os leitores pela linguagem, mas só me apetece mandá-lo à merda. Que faça política tudo bem, mas é demais que nos faça a todos de parvos armado em neto do Salazar, ele que gasta mais em cabeleireiro do que a maioria dos portugueses vai gastar em prendas de Natal para os filhos.

«Para Pedro Passos Coelho a crise está instalada e há que poupar, principalmente na hora de comprar presentes de Natal. O líder do Partido Social Democrata confessa que este ano se viu obrigado a fazer "uma poupança forçada" e reduziu a sua lista de presentes à filha mais nova, Júlia, de três anos, e aos sobrinhos.

As suas outras duas filhas, Catarina, de 18 anos, e Joana, de 23, assim com a filha da sua mulher Laura, Teresa, de 15, não terão nada para desembrulhar à meia-noite de dia 24 de Dezembro.
"Só há prenda para a mais nova, as outras já não são crianças. Os adultos este ano não têm presentes porque não há meios para isso", revelou o líder do PSD à margem do lançamento do livro de Luísa Castel-Branco, ‘Para Ti'.

"Não me vou endividar para estimular a economia. Cada um deve gastar aquilo que pode e eu não gosto de gastar aquilo que não posso", confidenciou, revelando ainda que o Natal deverá ser passado na casa dos sogros. » [CM]

TÍTULO 10

«Claro que quando vemos o advogado sueco de Assange reagir à publicação, pelo The Guardian, de documentos policiais inéditos relativos ao processo em que o australiano é acusado com uma queixa formal à polícia no sentido de esta investigar como "material tão sensível foi passado [leaked, no original] à imprensa" e acrescentar "não gosto da ideia de que Julian seja colocado na situação de ser julgado nos media" temos a tentação de sentenciar: justiça poética. Mas, precisamente, não é de justiça que se trata; e precisamos de saber mais, muito mais, para saber se é sequer justo. » [DN]

Parecer:

Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «AFixe-se.»

BOAS FESTAS EM BELÉM

«Sócrates e Cavaco desejaram-se Boas Frestas. Frestas, fendas, fissuras, rachas... Sócrates falou um minuto, Cavaco falou dois minutos (ele agora vale sempre por dois, candidato e Presidente). Sócrates garantiu a Cavaco "fidelidade do Governo aos valores da lealdade". Meter dois conceitos tão similares (fidelidade e lealdade) e em discurso tão curto deveria fazer desconfiar o destinatário. Cavaco respondeu a Sócrates que estes cumprimentos natalícios são "uma tradição a preservar". É insinuar de que daqui a um ano eles poderiam voltar a encontrar-se naquela sala - o que soa a anestesiar a vítima antes da chicotada psicológica. Nestas trocas sibilinas ouviu-se Sócrates a pedir a Cavaco (ele pedia a todos mas era a Cavaco que se dirigia) "empenhamento". Por seu lado, Cavaco deixou cair, e, por duas vezes (já disse: ele, agora, é só em dose dupla), a palavra "responsabilidade". Passou-se tudo no Palácio de Belém, na Sala dos Embaixadores, onde, se não chegou a haver diplomacia de canhoneira, a de florete foi evidente. Cavaco desejou aos ministros "um ano tão próspero quanto possível, tão feliz quanto possível"... Mais agoirento era impossível. No fim, Sócrates convidou Cavaco a fazer a fotografia no meio do Governo, e todos sorriram. Só faltou o ministro das Finanças e faltar as finanças foi a única coisa sincera no meio de tudo isto.» [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

UNS MAGISTRADOS MUITO TRABALHADORES

«Pinto Monteiro ainda não decidiu se aceita a total disponibilidade dos dois procuradores de Aveiro para acompanharem a fase de instrução que vai decorrer no Tribunal Central, em Lisboa.» [CM]

Parecer:

Não terão nada que fazer em Aveiro?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se aos voluntariosos magistrados se lhe falta trabalho, talvez queiram ser voluntários do Banco Alimentar contra a Fome, até pode ter que tenham mais jeito para carregar caixotes do que para conduzir processos contra personalidades politicas.»

CHINESES DÃO LIÇÕES À EUROPA

«A China diz que as medidas tomadas na Europa para resolver a crise da dívida “estão a transformar uma doença grave numa doença crónica”.

"É difícil dizer se os países atolados na crise da dívida poderão recuperar dentro de três ou cinco anos", disse o ministro do Comércio chinês, Chen Deming, citado pelo jornal Shanghai Securities News.» [DE]

Parecer:

Pobre Europa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao Cherne.»

DEPOIS DO MAGALHÃES SÓCRATES VENDE DÍVIDA

«O primeiro-ministro vai passar o fim de ano no Brasil. O objectivo é assistir à tomada de posse de Dilma Roussef no Palácio do Planalto e confirmar a venda de parte da dívida pública portuguesa ao Brasil, como escreve o jornal «i». » [Portugal Diário]

Parecer:

O que venderá a seguir?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Sócrates.»

É O VALE TUDO NA ADMINISTRAÇÃO DO ESTADO

«O Ministério da Justiça usou em 2008 e no ano passado 326,1 milhões de euros, que estavam afectos a processos judiciais e que, por isso, não lhe pertenciam, para tapar o buraco das contas desses dois anos, sem garantir as responsabilidades perante terceiros. A situação foi detectada numa auditoria do Tribunal de Contas (TC) ao Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça (IGFIJ), que gere os recursos do ministério, divulgada recentemente.

No documento, o TC critica o facto de o IGFIJ contabilizar 160 milhões de euros em 2008 e 166,1 milhões em 2009, dos chamados depósitos autónomos - rendas, cauções e outros quantias afectas a um determinado processo judicial - como receitas extraordinárias, sem reflectir as correspondentes responsabilidades perantes terceiros. O tribunal lembra que foram violadas vários princípios da contabilidade pública e acrescenta que os membros do Conselho Directivo do IGFIJ que, em 2008 e 2009, aprovaram as contas do organismo, sem discordância das mesmas, são responsáveis por estas irregularidades, que "eventualmente configuram infracções financeiras sancionatórias". Isso significa, que estes responsáveis podem ser multados pelo TC. » [Público]

Parecer:

Usar dinheiro alheio não é crime?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao ministro da Justiça se foi ele que deu instruções para usar abusivamente o dinheiro que não pertence ao ministério.»

ONDE É QUE CAVACO PASSA O NATAL

«Alegre e Francisco Lopes festejam o Natal onde nasceram. Nobre opta por Lisboa, enquanto Defensor Moura escolhe Viana do Castelo. Cavaco passa as festas com a família.» [Público]

Parecer:

O tratamento especial dado a Cavaco pelos jornalistas é tão ridículo que até confundem a família com a terra!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

GUIDO RUSTICHINI

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Querido Pai Natal

Eu entendo que tenhas de pedir autorização a Espanha para evitar o nosso espaço aéreo, se vieres cá corres um sério risco de a DGCI se enganar e te penhorar o saco, de o Teixeira dos Santos se lembrar de te aplicar um imposto extraordinário para compensar o que não aplicou aos dividendos antecipados ou, pior ainda, de algum cavaquista do BPN de ticar com o saco das prendas, com as renas, o trenós e o fato deixando-te em cuecas.

Há ainda a hipótese de esperar pelos Reis e vires disfarçado de Pai Natal, mas nesse caso é certo e sabido que as prendas serão mal distribuídas, o que, aliás, não é novidade, em nome da preocupação com os pobres o défice disparou com apoios sociais e foram os bancos que ficaram com mais de 60% dessa ajuda. Agora cortaram as ajudas aos pobres e aumentaram-lhe os impostos enquanto os banqueiros continuam a beneficiar dos apoios e das benesses fiscais. Enfim, neste país é Natal todos os dias, como se pode ver.

Mas se vires a estas bandas não fosse mais perigoso do que aterrares no páteo de um centro de treinos do Bin-Laden teria umas coisitas para te pedir, enfim, se não achasses um abuso pois da última vez que te lembraste de nós deixaste um monte de sacos de dinheiro de fundos comunitários e foi o que se viu, apareceu uma lamparinha mágica de onde saiu um Cavaco que transformou metade do dinheiro em betão e quando tentou responder ao segundo pedido enganou-se e o dinheiro desapareceu.

Mas pedia-te saúde, principalmente para o futuro Presidente da República que bem vai precisar dela para chegar ao fim do mandato. Até porque depois de tanto défice e tolerâncias de ponto o país não aguentava mais uma balda para irmos ao velório mais o pagamento de um enterro presidencial e as consequentes eleições presidenciais antecipadas. Já tivemos antecipadas em Lisboa, tudo aponta para antecipadas nas legislativas e já era demais antecipadas nas presidenciais.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Cogumelo da Quinta das Conchas, Lisboa

IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO

Sagres [A. Cabral]

IMAGEM DO DIA

[AP]

«Adrian Sobaru, un electricista de la televisión estatal rumana, se encaramó a lo alto de un balcón del parlamento rumano en Bucarest durante una sesión que estaba tratando una moción de confianza contra el primer ministro Emil Boc.

En el momento en el que Boc se dirigiría al plenario, el electricista se subió a la barandilla. Padre de dos hijos, protestaba contra la situación económica y los recortes llevados a cabo por el Gobierno. Sobaru vestía una camiseta con inscripciones como "habéis matado el futuro de nuestros hijos, nos habéis vendido". Terminó precipitándose contra el suelo, desde una altura de unos siete metros.

El hombre, de unos 40 años, se encuentra en estado muy grave, con traumatismos en la cabeza y resto del cuerpo, según la agencia rumana Agerpres, aunque los médicos no temen por su vida.» [El Pais]

JUMENTO DO DIA

Pedro Passos Coelho

Eu tenho as mesmas preocupações de Pedro Passos Coelho em relação ao BPN, mas há uma grande diferença entre mim e o líder do PSD, nenhum dos meus amigos, dos meus "camaradas" e muito menos um candidato presidencial que tenha o meu apoio andou a lambuzar as mãos no dinheiro do BPN, não ganhámos com acções, os nossos familiares não tiveram créditos fáceis e não tivemos direito a gabinetes de luxo no BPN.

O mínimo que se pode esperar da família política do PSD, agora que estão todos imbuídos de pensamento cavaquista, é terem aquilo a que o povo designa por vergonha na cara, era ficarem calados pelo menos enquanto não denunciarem a burla colectiva com uma pequena parte do empenho que demonstraram sempre que pensaram ter hipóteses de fuzilar politicamente os adversários políticos, como sucedeu nos casos Freeport, Face Oculta ou TVI.

É vergonhoso que Pedro Passos Coelho tente tirar partido do caso BPN quando foram os seus companheiros de partido que beneficiam de um imenso nevoeiro junto da comunicação social que roubaram o país, que usaram o banco para se enriquecerem facilmente deixando ao Estado o prejuízo.

Enquanto Passos Coelho não tiver neste caso a coragem que quis demonstrar noutros casos não tem autoridade moral para se pronunciar, é ridículo apoiar Cavaco Silva num dia e depois conseguir tempo de antena à custa do caso BPN. Falar agora em transparência no caso BPN é gozar com os portugueses.

«O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, pediu esta quinta-feira ao Governo "transparência" e uma "informação clara e concisa", sobre as suas intenções para o Banco Português de Negócios (BPN) e sobre os custos que elas vão ter para o Estado.» [CM]

OPORTUNISMO NATALÍCIO

Até apetece dizer: "e eu acredito no Pai Natal"!

ORDENADO MÍNIMO

No mesmo país onde os patrões choram com receito de um aumento de uma dúzia de euros nos ordenados mínimos os gestores ganham ordenados absurdos, isto é, num país de empresas mal geridas a incompetência é premiada à custa dos que menos ganham.

O PAÍS ESTARÁ COM ALZHEIMER?

Quando Cavaco disse que o governo teria responsabilidades se o FMI viesse nem uma única alma se recordou de que a última vez que o FMI cá esteve, no ano de 1983, foi em consequência da política incompetente do ministro das Finanças da AD, precisamente este mesmo Cavaco Silva, fez o OE desastroso e se isso não bastasse revalorizou o escudo. O resultado foi o que se viu, o país ficou sem um dólar para ir às compras.

E ninguém recorda a Cavaco Silva que ele é quem neste país tem menos autoridade moral para cobrar a quem quer que seja pela vinda do FMI?

LER É UM PRAZER LEIA SÓ DO BOM

«Isto de teclar, mesmo para amadores, tem que se lhe diga. A Internet é como aqueles jogos de vídeo para derrubar tijolos onde, de repente, aparecem bolas múltiplas. Muitas, rápidas e quase todas baratas tontas. Mas uma e outra, precisas, acertam na lógica do jogo e derrubam tijolos. A tal ponto que a média da escrita quotidiana em Portugal é melhor nos blogues do que entre os profissionais. Ninguém me agrada mais, pela enésima vez o digo, que maradona, assinado assim, em minúsculas, que já passou (uma só vez, julgo) pelos jornais e falhou. O seu blogue A Causa Foi Modificada é quase sempre bom - e compensa-me por eu não ter tido os Nelson Rodrigues, Rubem Braga, Millôr e Stanislaw Ponte Preta que fizeram dos jornais brasileiros o que nunca foi nem será a tosca e retorcida escrita oficiosa caseira. Há em maradona um não se tomar ao sério, próprio de quem sabe que é muito bom mas que também suspeita de que não chega aos calcanhares de uma formiga a andar. Outra coisa, maradona arrasta comentadores que também sabem escrever. Anteontem ele falou da morte de Pôncio Monteiro. Um seu leitor lembrou que a gente importante em Portugal morre sempre aos três: Carlos Pinto Coelho, Aurélio Márcio e Pôncio Monteiro... E outro escreveu: "Aurélio, Pôncio e Carlos, que raio de nomes haviam de inventar." Por um momento pensei que estava no bar Antonio's, em Ipanema, anos 60.» [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

CORAGEM PORTUGUESES

«O tempo está cinzento e o país está chato. Embora a entropia já tenha tomado conta das más notícias e a maioria das pessoas não tenha mais paciência para saber se o FMI vem ou não vem, se a taxa de juro sobe ou desce ou se a catástrofe está iminente ou nos safámos desta, nada de realmente excitante acontece. Portugal está entorpecido à espera que o tempo passe. Mais uma vez já que este é um fado recorrente.

As presidenciais também não animam. A explicação é simples. Nenhum dos candidatos é do nosso tempo. Vêm todos do passado e para lá nos puxam. Os debates são desoladores. Cavaco explica que não pode fazer nada por causa das limitações do cargo; os outros explicam o que fariam se fossem primeiros-ministros. Todos falham a eleição. O interesse é nulo, a abstenção será grande e Cavaco já ganhou, não por ser o melhor, mas por ser o menos mau.Quanto ao resto dois comentários.

É realmente notável dizer-se que o facto de a esquerda ter quatro candidatos é muito bom. Não é. Só mostra que a esquerda não conseguiu arranjar um candidato decente. Aliás essa fragilidade está bem patente no objetivo da eleição, ou seja, conseguir uma segunda volta. Quando a política se reduz a esquemas é porque faltam as boas ideias e as boas pessoas.

Também é notável ouvir Fernando Nobre insistir que falta um grande objetivo para Portugal.

Desde logo porque quando um país tem um GRANDE objetivo é melhor fugir porque vem aí uma ditadura qualquer. O mundo é plural, as vidas são plurais, os objetivos são múltiplos e diversos. Um país, livre e democrático, tem uma multitude de objetivos que derivam da ação livre e empreendedora dos seus cidadãos. Fernando Nobre fez muita coisa louvável na vida, mas, talvez por isso, não teve tempo para pensar. A sua candidatura é, de todas, a mais confusa e anacrónica. Se tiver 5% tem lugar garantido em telejornais futuros. E vai ser uma chatice. Nessa circunstância até é possível que alguém o convença a fazer um partido. E, nesse caso, vai ser uma tragédia.

Aliás, esse é um dos dramas da vida política portuguesa. Cada vez temos mais gente com lugares cativos a perorar sobre todos os assuntos. A política local vai-se enchendo de ex. Ex-primeiros-ministros, ex-presidentes, ex-líderes partidários, ex-ministros das finanças, ex-banqueiros, ex-famosos e até ex-eternos-derrotados como Freitas do Amaral que com a frequência do anticiclone dos Açores é chamado a dar a sua opinião sobre os mais variados temas e raramente diz alguma coisa digna de registo. O seu último contributo foi sugerir mais uma comissão de inquérito sobre o caso Camarate, folhetim nacional muito ao estilo da série "Cold Case", "Casos Arquivados" em português. Com um único senão, por cá nunca se descobre nada e a papelada, cada vez mais numerosa, volta para a caixa de cartão. A propósito, no Brasil a série chama-se Arquivo Morto, o que me parece bem mais apropriado.

Recapitulando: o tempo está cinzento e o país está chato. E, no entanto, há tanta coisa em que se podia ocupar este momento de tédio. Ainda recentemente li um artigo muito interessante sobre o futuro das cidades. O autor considera que a competitividade das cidades assenta cada vez mais nas suas condições de mobilidade. Mais e novos meios de transportes são fundamentais para diminuir radicalmente a dependência do automóvel, do espaço totalitário que ocupam e da energia poluente que consomem. As cidades cresceram à volta das vias rodoviárias, dando primazia aos veículos e nunca aos cidadãos. Está na hora de mudar de paradigma. Agora que tanto se fala de renovação urbana, como contributo para a superação da crise, talvez não fosse má ideia pensar também em novas formas de circular, combinando os meios físicos e as plataformas digitais. Tanto mais que muita da economia do futuro vai também passar por aí. A mobilidade é um grande negócio, a par de grande serviço público, que está por descobrir e montar.

Enfim, a cada momento da história está tudo por fazer. Só que a maioria perde-se em discursos e lamentações, enquanto uns poucos se empenham na difícil, mas muito gratificante, tarefa da realização transformadora. É desses que fica a marca.

E como dizia Almada Negreiros, "um país é o conjunto de todos os defeitos e qualidades. Coragem portugueses pois já só vos faltam as qualidades".» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Leonel Moura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PARÁBOLA DAS TRISTES DÉCADAS

«Há trinta e cinco anos que vocês nos manipulam, nos dominam, nos mentem, nos omitem, nos desprezam.

Há trinta e cinco anos que vocês nos manipulam, nos dominam, nos mentem, nos omitem, nos desprezam.

Há trinta e cinco anos que nos roubam, não só os bens imediatos de que carecemos, como a esperança que alimenta as almas e favorece os sonhos.

Há trinta e cinco anos que cometem o pior dos pecados, aquele que consiste na imolação da nossa vida em favor da vossa gordura.

Há trinta e cinco anos que traem a Deus e aos homens, sem que a vossa boca se encha da lama da mentira.

Há trinta e cinco anos que criam legiões e legiões de desempregados, de desesperados, de açoitados pelo azorrague da vossa indignidade.

Há trinta e cinco anos que tripudiam sobre o que de mais sagrado existe em nós.

Há trinta e cinco anos que embalam as dores de duas gerações de jovens, e atiram-nos para as drogas, para o álcool, para uma existência sem rumo, sem direcção e sem sentido.

Há trinta e cinco anos que caminham, altaneiros e desprezíveis, pelo lado oposto ao das coisas justas.

Há trinta e cinco anos que são desonrados, torpes, vergonhosos e impróprios.

Há trinta e cinco anos que, nas vossas luras e covis, se acoitam os mais indecentes dos canalhas.

Há trinta e cinco anos que se alternam no mando, e o mando é a distribuição de benesses, prebendas, privilégios entre vocês.

Há trinta e cinco anos que fazem subir as escarpas da miséria e da fome milhões de pessoas que em vocês melancolicamente continuam a acreditar.

Há trinta e cinco anos que se protegem uns aos outros, que se não incriminam, que se resguardam, que se enriquecem, que não permitem que uns e outros sejam presos por crimes inomináveis.

Há trinta e cinco anos que vocês são sempre os mesmos, embora com rostos diferentes.

Há trinta e cinco anos que os mesmos jornais, sendo outros, e os mesmos jornalistas de outra configuração, sendo a mesma, disfarçam as vossas infâmias, ocultam as vossas ignomínias, dissimulam a dimensão imensa dos vossos crimes.

Há trinta e cinco anos sem vergonha, sem pudor, sem escrúpulo e sem remorso.

Há trinta e cinco anos que não estão dispostos a defender coisa alguma que concilie o respeito mútuo com a dimensão colectiva.

Há trinta e cinco anos que praticam o desacato moral contra a grandeza da justiça e a elevação do humano.

Há trinta e cinco anos que, com minúcia e zelo, construíram um país só para vocês.

Há trinta e cinco anos que moldaram a exclusão social, que esculpiram as várias faces da miséria e, agora, sem recato e sem pejo, um de vocês faz o discurso da indignação.

Há trinta e cinco anos começaram a edificar o medo, e o medo está em todo o lado: nas oficinas, nos escritórios, nos entreolhares, nas frases murmuradas, na cidade, na rua. O medo está vigilante. E está aqui mesmo, ao nosso lado.

Há trinta e cinco anos encenaram e negociaram, conforme a situação, o modo de criar novas submissões e impor o registo das variantes que vos interessavam.

Há trinta e cinco anos engendraram, sobre as nossas esperanças confusas, uma outra história natural da pulhice.

Há trinta e cinco anos que traíram os testamentos legados, que traíram os vossos mortos, que traíram os vossos mártires.

Há trinta e cinco anos que asfixiam o pensamento construtivo; que liquidaram as referências norteadoras; que escarneceram da nossa pessoal identidade; que a vossa ascensão não corresponde ao vosso mérito; que ignoram a conciliação entre semelhança e diferença; que condenam a norma imperativa do equilíbrio social.Riam-se, riam-se. Vocês são uma gente que não presta para nada; que não vale nada.

Malditos sejam!» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Baptista-Bastos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

´MALDITAS AGÊNCIAS DE RATING...

«"O ‘downgrade' reflecte uma redução ainda mais lenta que o previsto do défice da balança de pagamentos e um ambiente de financiamento muito mais difícil para o governo português, bem como uma deterioração do ‘outlook' de curto prazo para a economia", explica o analista da Fitch Douglas Renwick, lembrando que a dívida externa (líquida) portuguesa equivale a 90% do PIB, sendo a terceira mais elevada na zona euro.

No mesmo documento, a agência nota que o Governo deve conseguir atingir o objectivo de 7,3% de défice para este ano, mas avisa que a meta de 2011, de 4,6% do PIB, "será extremamente mais desafiante, especialmente se, tal como a Fitch espera, a economia entrar em recessão". Douglas Renwick admite mesmo que essa recessão poderá ser mais aguda que a contracção de 1% estimada pela Fitch.» [DE]

Parecer:

É uma pena que não comecem também a atribuir notações aos ministros das Finanças.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a proposta.»

A ONGOING É QUE ESTÁ A DAR

«O ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) já aceitou o convite do presidente da Ongoing, Nuno Vasconcellos, para trabalhar nesta empresa. Jorge Silva Carvalho confirmou ao DN esta decisão, mas sublinhou que a sua entrada "ainda não está formalizada, faltando apenas a assinatura do contrato".

O ex-chefe dos 'espiões', que se demitiu da direcção do SIED em conflito com os cortes orçamentais impostos pelo Governo, já tinha manifestado publicamente a sua proximidade a Nuno Vasconcellos, de quem é amigo pessoal há vários anos, bem como o seu interesse nos projectos da Ongoing na comunidades de países de língua portuguesa.» [DN]

Parecer:

Dantes era o BPN.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver o que dá tanto político num grupo de comunicação.»

ORDENADO MÍNIMO TEM AUMENTO (MISERÁVEL)

«O salário mínimo médio projectado para 2011 rondará os 491 euros brutos, pois a subida ontem anunciada será feita em três fases ao longo do próximo ano. Este valor representa 7% do ordenado-base mais baixo atribuído a executivos de topo, sem contar com prémios e outros benefícios. Dito de outra forma, um salário topo de gama equivale a mais de 14 salários mínimos. E as contas estão feitas por baixo.

O acordo do salário mínimo ontem anunciado no final da Concertação Social - ainda que sem garantias de vir a ser cumprido - determina um aumento de dez euros a 1 de Janeiro, dos actuais 475 para 485 euros. Ao longo do ano haverá mais duas actualizações: uma em Junho, que poderá ser de cinco euros, e outra em Outubro, de dez euros, prefazendo assim os 500 euros enunciados no acordo de 2006.» [DN]

Parecer:

É triste ver a ministra do Trabalho toda feliz com o acordo miserável que conseguiu na concertação social quando o corte no rendimento dos que ganham o ordenado mínimo resultante do OE é bem maior do que o aumento agora conseguido.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à ministra se fez as contas a quanto perdem os que ganham o ordenado mínimo em consequência das medidas dos PEC e do OE.»

ANTIGO DITADOR ARGENTINO CONDENADO A PRISÃO PERPÉTUA

«O antigo ditador argentino Jorge Videla (1976-1981) foi condenado ontem a prisão perpétua por um tribunal de Córdoba pela execução de opositores e outros crimes contra a humanidade.

O antigo general, de 85 anos, tinha já sido condenado à pena perpétua em 1985, num julgamento histórico da junta militar por crimes cometidos durante a ditadura, de que resultaram 30 mil desaparecidos, segundo organizações de defesa dos direitos humanos.

No entanto, a pena foi anulada em 1990 por indulto do então Presidente Carlos Menem, decisão que foi declarada inconstitucional em 2007 e confirmada em abril passado pelo Supremo Tribunal.» [DN]

Parecer:

É bom haver justiça para ditadores sanguinários mesmo que décadas depois.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

PSD QUER ELIMINAR FREGUESIAS EM LISBOA

«O presidente da distrital do PSD de Lisboa, Carlos Carreiras, disse hoje que está a analisar com o presidente da câmara de Lisboa um plano de revisão administrativa para reduzir o número de freguesias em Lisboa.

Em declarações à agência Lusa, Carlos Carreiras adiantou que o assunto já vem sido discutido há largos meses com o presidente da câmara de Lisboa, António Costa, mas só agora houve um primeiro entendimento, após uma reunião realizada na passada sexta-feira. » [DN]

Parecer:

E no resto do país?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao PSD.»

LUCIANA AYMAR É (MUITO) MELHOR DO QUE MESSI

«Luciana Paula Aymar, jogadora de hóquei em campo, foi eleita pela imprensa argentina como a desportista do ano, protagonizando a surpresa dos prémios já que Messi também estava na corrida. » [JN]

Parecer:

Digamos que nem era necessária a fotografia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Além de melhor é mais boa, como diria o outro!»

A CHILLY SOLSTICE (AND LUNAR ECLIPSE) [Boston.com]

ALBENA MARKOVA