Quinta-feira, Abril 07, 2011

O país absurdo

Só num país absurdo um Presidente da República afirma na sua tomada de posse que há limites para a austeridade e menos de um mês depois demite o governo e pressiona-o para pedir ajuda financeira internacional.

Só num país absurdo um líder da oposição se opõe a um pacote de medidas de austeridade dizendo que há um limite para a austeridade e dias depois declara a uma agência de informação estrangeira que vetou a proposta governamental porque as medidas eram insuficientemente duras.

Só num país absurdo se derruba um governo legítimo e se dissolve o parlamento por este ter adoptado medidas de austeridade sem ter dialogado e depois se exige que um governo de gestão, sem poderes e sem parlamento onde dialogar apresente um pedido de austeridade.

Só num país absurdo a maioria das “cabeças pensantes” ou, para ser mais preciso, as que as televisões exibem, procuram por todos os meios lançar o país no descrédito para depois chegarem à brilhante conclusão de que os mercado não confiam nele.

Só num país absurdo se negoceia um pedido de ajuda internacional sem governo e em vésperas de eleições, apenas para que o líder da oposição não tenha de explicar como resolve os problemas e porque espera que os credores imponham ao país o seu programa eleitoral e a sua revisão constitucional.

Só num país absurdo numa empresa falida, com uma dívida colossal, sem capacidade de financiamento nos mercados e com o rating da sua dívida ao nível do lixo os seus trabalhadores fazem greve dia sim dia não com o único objectivo de fustigar os seus concidadãos.

Só num país absurdo o presidente apela ao sobressalto social e à adesão a manifestações num contexto social de grande gravidade e com sob ataque dos mercados financeiros e que corre o risco de ir em direcção à bancarrota.

Só num país absurdo os políticos regionais e organizações representativas que não se sabe muito bem como nasceram e quem as promoveu exigem borlas para serviços públicos que cidadãos de outras regiões sempre pagaram.

Só num país absurdo que apesar de ser dos mais pequenos da Europa e tem muitas centenas de autarquias há políticos que acham que resolvem o problema com mais regionalização.

Quem vai negociar o acordo? O Catroga em nome de Cavaco? É o Fernando Lima que vai tentar convencer o Passos Coelho enquanto a dona Maria persuade o Paulo Portas? E o Passos Coelho vai dar conferências de imprensa todos os dias para enunciar as suas condições?

E quem vai assumir as responsabilidades políticas por tudo isto? Esperemos pelas próximas sondagens, pode ser que lhes sai o tiro pela culatra e o país conclua que em vez de ajuda internacional o país precisa de se livrar quem ande na política a pensar pouco nos seus interesses.

Umas no cravo e outras na ferradura




FOTO JUMENTO


  
Parque das Nações, Lisboa
JUMENTO DO DIA


Pedro Passos Coelho

O líder do PSD venceu, conseguiu encostar o país à bancarrota, agora já vai aprovar o PEC IV mas desta vez ao quadrado.

 

 O CASO DO SANTO EM BELÉM

«O primeiro-ministro é entrevistado na televisão. O jornalista faz uma pergunta embrulhada - "(...) o recurso ao FMI e àquelas linhas de emergência que o Fundo tem, que foram criadas a seguir à crise de 2008, numa situação de emergência..." - e Sócrates tenta desviar a questão, manifestamente não quer falar sobre o que se passou no Conselho de Estado (CE). Mas o jornalista, na sua função, insiste: "Essa questão não foi tratada na reunião do CE?" Sócrates: "Não foi." Pode ser mentira, pode não ser. Muito provavelmente não foi totalmente uma verdade. Para quem não queria falar sobre o que se passou no CE (e entendo que um primeiro-ministro, membro do CE, não o queira) é possível encaixar um "não" verdadeiro numa das muitas variantes da pergunta. A questão era sobre "o recurso ao FMI"? Às "linhas de emergência"? Às criadas em 2008?... O jornalista tinha direito em perguntar o que se disse no CE. E Sócrates, em não dizê-lo. Num país menos excitado isto ficaria por aqui. Mas Bagão Félix, membro do CE, achou que devia ("porque há limites de ética e de decência na política") dizer isto de Sócrates: "Mentiu." Já dois socialistas, também membros do CE, confirmaram Sócrates, e outro membro, do PSD, confirmou Bagão, mas este 2-1 conta pouco. Interessante, e raro na política, vai ser acompanhar Bagão Félix. Ele passará a dizer tudo, de tudo, sem subterfúgios e sempre. São Bagão, portanto.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.



 JUDITE DE SOUSA NUNCA FOI FUNCIONÁRIA PÚBLICA
  
«Mas ressalva: "Sempre estive na RTP como se estivesse numa empresa privada. Nunca fui uma funcionária pública. Sempre tive uma postura competitiva e exigente. Sempre trabalhei para conseguir resultados e audiências. Desse ponto de vista não senti nem deverei sentir grandes diferenças."» [CM]

Parecer:

Lamentável.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se a jornalista de que no Estado há muita gente com mais valor e dinamismo do que ela.»

 PORTUGAL PAGA MENOS NO MERCADO DO QUE PAGARIA AO FUNDO

«Portugal acabou de colocar no mercado 1.005 milhões de euros em leilão de bilhetes do Tesouro mas aceitou pagar uma taxa de juros muito elevada, de 5,902% no prazo a 12 meses quando em anteriores emissões comparáveis tinha pago um juro de 4,331%.
     
Já no prazo mais curto, a seis meses, a subida do juro médio foi ainda maior, tendo Portugal aceitado pagar uma taxa de 5,117%, face aos 2,984% nas anteriores emissões comparáveis.
  
Portugal vendeu 455 milhões de euros em dívida a 12 meses e 550milhões a seis meses. A procura superou em 2,6 vezes a oferta na dívida a 12 meses e em 2,3 vezes no prazo mais curto.» [CM]

Parecer:

As taxas são elevadas mas a verdade é que as taxas cobradas pelo fundo europeu à Grécia e à Irlanda são de 5,7%.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se o negócio.»

 O ORG FALA DO RATO MICKEY
  
«Luís Filipe Menezes, à margem de uma conferência de imprensa sobre investimentos em Gaia, classificou de "anedota" os últimos dias, em que "Ana Gomes, Eduardo Cabrita e outros amplificadores do discurso ridículo do primeiro-ministro têm dito que 50 por cento da culpa da crise é de Cavaco e 46 ou 47 é de Passos Coelho".

"Penso que três por cento é do Rato Mickey ou de Bufallo Bill. Penso que o único que não tem culpa nenhuma é o engenheiro Sócrates. Está no poder há 16 anos e não tem culpa nenhuma. O Rato Mickey tem com certeza culpa da crise portuguesa", ironizou o social-democrata.» [DN]

Parecer:

Este líder vencido do PSD chega a ser ridículo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso condescendente.»

 RICHARD BRANSON QUER EXPLORAR FUNDO DOS OCEANOS
  
 
«O milionário britânico Richard Branson apresentou ontem, terça-feira, na Califórnia (oeste dos EUA), o projecto que implica conduzir um minissubmarino, com o qual deseja explorar as profundezas dos oceanos.
  
O aparelho, Virgin Oceanic, tem como objectivo chegar aos pontos mais profundos dos cinco oceanos do planeta, o que significa uma aventura sem precedentes, explicou Branson aos jornalistas no porto de Newport Beach, 80 km a sudoeste de Los Angeles.» [DN]

 UMA VACA QUE SALTA OBSTÁCULOS

  
«Regina Mayer não esteve com meias medidas. Os pais não lhe deram o cavalo que tanto queria e por isso começou a treinar saltos com uma vaca a quem deu o nome de "Luna". E em poucas horas conseguiu o resultado desejado à custa de carícias e doces.» [DN]

 CARRILHO, NETO E BENAVENTE NÃO VÃO AO CONGRESSO DO PS

«Os maiores críticos de José Sócrates não subirão ao palanque do congresso do PS para discursar, no próximo fim-de-semana, já que não estão entre os mais de 1800 delegados que participam na reunião magna. Nomes como Manuel Maria Carrilho, Henrique Neto ou Ana Benavente - que já pediram a substituição da actual liderança - estão radicalmente contra a estratégia com que o PS se vai apresentar às legislativas e colocam em causa a utilidade da reunião magna dos socialistas.

  
"Temo que seja um congresso inútil em que se vão adiar os problemas", diz ao i Manuel Maria Carrilho, que opta por deixar a dúvida sobre se vai marcar presença em Matosinhos. "Veremos. É uma questão que está em aberto", diz.» [i]

Parecer:

Carrilho cai no ridículo ao dizer que não vai sabendo que não foi eleito.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Que se inscrevam no próximo congresso do PSD, que serão muito bem recebidos e aplaudidos.»

Quarta-feira, Abril 06, 2011

A manif dos banqueiros à rasca

Depois de tudo o que é enrascado que anda por aí a manifestar-se, desde os que estão à rasca por terem de pagar portagens aos que se enrascaram por terem mais olhos do que barriga e provocaram uma crise convencidos de que ganharão as eleições, foi a vez dos banqueiros à rasca se manifestarem. Mas como é gente fina não precisaram de convocar a manif nem de pedir autorização legal ao Governo Civil, telefonaram ao presidente do Banco de Portugal e lá foram para entre chazinhos e scones dizerem o que querem.

Nunca como agora o balanço da privatização da banca e a liberalização do sector evidencia um resultado tão negativo para o país. A seguir à nacionalização os bancos andaram de mão em mão e ajudaram a enriquecer muitos, praticaram taxas de juro altíssimas, graças a esquemas em off-shores ou a engenharias fiscais agressivas quase deixaram de pagar impostos, encheram os tribunais de recursos pois não pagam um tostão de impostos sem que recorram a todos os esquemas legais para retardarem o cumprimento das obrigações fiscais, alguns só pagam mesmo quando sabem que o nome vai constar na lista negra, corromperam o Estado promovendo a promiscuidade entre a banca e altos cargos da Administração Pública, assaltaram o poder estando presentes em quase todos os governos, reorganizaram-se internamente para promover a precariedade e a proletarização dos seus funcionários, emagreceram os custos à custa de fusões e de despedimentos.

O país pouco ou nada deve a estes banqueiros, antes pelo contrário, são eles que enriqueceram à custa do país, praticam comissões absurdas nas transacções das empresas, dão prioridade ao crédito ao consumo onde as taxas são mais elevadas e chegam ao ponto de terem criado bancos paralelos para explorarem o agiotismo sob a forma de crédito instantâneo, aproveitaram-se dos juros baixos para estimularem o consumo e conduzirem a economia para um beco sem saída.

Quando a coisa deu para o torto empurraram o problema para o Estado, face à falência do BPN e do BPP assobiaram para o ar e em privado empurraram o governo para uma intervenção à custa dos contribuintes. O governo interveio para evitar o contágio aos outros bancos mas estes não deram qualquer contributo, salvaram-se deixando o Estado quase na bancarrota e foram os portugueses a pagar a factura com cortes de vencimentos e aumentos de impostos. Quando deixaram de ter acesso a financiamento beneficiaram dos avais do Estado, mais uma vez foram os contribuintes que assumirem o risco em caso de incumprimento

Agora que o país foi atirado para o limiar do caixote do lixo do sistema financeiro e são penalizados porque dependem mais do Estado do que os pensionistas da Função Pública estão atrapalhados, as agências de rating reduziram-lhes o acesso ao crédito internacional. Não esperaram nem um dia, mal as agências de rating os desclassificaram pediram uma entrevista ao presidente do Banco de Portugal que como sucede sempre com os seus pedidos foi logo confirmada e realizada. E o que foram pedir? Pediram ao governador do Banco de Portugal que dissesse ao primeiro-ministro que entale mais os portugueses porque eles estão à rasca.

Neste país as empresas podem falir, os governos podem cair, os portugueses podem morrer à fome, mas os banqueiros não podem cair, deixar de ter lucros ou pagar impostos. Nestes tempos difíceis ficámos a saber que não são os portugueses ou o Estado que precisam dos banqueiros, são estes que vivem à custa dos portugueses e do país.

Umas no cravo e outras na ferradura




FOTO JUMENTO


Flor do Parque Florestal de Monsanto, Lisboa
IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO


Pelourinho de Óbidos [A. Cabral]
IMAGEM DO DIA

[Reuters]

«IN THE MIDDLE: A worker napped near ducklings at a farm on the outskirts of Jiaxing, Zhejiang Province, China, Tuesday. » [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA


Bagão Félix, conselheiro de Cavaco

Desde que foi convidado para conselheiro de Estado Bagão Félix tem andado numa tal exitação que não sai das primeiras páginas dos jornais, tem gostado tanto do protagonismo que decidiu chamar a si o papel de julgador de Sócrates, o que não é nada de novo, quando chegou a ministro do Trabalho o ministério começou a vasculhar os arquivos em busca de acusações a Ferro Rodrigues, mais tarde destacou-se como um dos homens mais activos no Processo Casa Pia.

Desta vez meteu-se decidiu confundir o Conselho de Estado com uma roda de amigos e veio acusar Sócrates de ser mentiroso, coisa que, convenhamos, neste país já não surpreende ninguém, não há idiota que não lhe chame isso e da fama não se vai livrar. Mas de entre todos os conselheiros de Estado porque razão só Bagão veio a público chamar mentiroso a Sócrates?
  
A resposta é simples, porque não está à altura do cargo e o facto é que Almeida Santos já o desmentiu e nenhum dos seus amigos do Conselho de Estado veio em sua defesa. Enfim, Cavaco anda mesmo bem aconselhado.
 
Resta-nos esperar que Bagão Félix venha esclarecer que no momento em que imaginava que estava a ser discutido a ajuda intercalar tinha ido fazer xixi.
 
«Bagão Félix disse esta terça-feira à Antena 1 que José Sócrates mentiu ontem na entrevista que deu à RTP ao negar que um pedido de empréstimo intercalar tenha sido assunto de conversa no Conselho de Estado.



«Não vou revelar o que se passou no Conselho de Estado, mas ouvi ontem o primeiro-ministro a dizer que esta questão não tinha sido abordada no Conselho de Estado..., acho que o senhor primeiro-ministro ou é surdo - o que não é - ou estava distraído - o que não estava - ou é mentiroso», disse aos microfones da Antena 1. «Na ética política não vale tudo. E lamento dizer isto do primeiro-ministro do meu país».» [Portugal Diário]

 A ESTRATÉGIA DA DIREITA

A estratégia política de Cavaco Silva e de Pedro Passos Coelho lembra-me os incendiários que ateiam fogo às matas e depois vão a correr para o quartel de bombeiros oferecerem-se para serem os primeiros a combater o incêndio.


 

 OS MONSTROS DO NOSSO TEMPO

«A União Europeia vive um dos momentos mais difíceis da sua história, desde que foi criada pelo célebre Tratado de Roma, em 1957. A economia especulativa, engendrada pelo neoliberalismo, comanda em absoluto a política, através desses monstros sagrados que são os sacrossantos mercados. São eles que, impunemente, obrigam os Estados a ajoelhar-se, sempre que necessário, em função dos interesses do momento, mediante a vontade dos multimilionários que os controlam, com a ajuda dessa invenção diabólica: as chamadas agências de rating, que classificam os Estados e os bancos nacionais, sem qualquer objectividade, em virtude dos interesses (que variam) dos senhores dos mercados. Mas nunca falam dos escândalos dos paraísos fiscais nem dos negócios multimilionários da chamada economia virtual...
  
Tudo isso, e a dependência intolerável da política, em relação à economia - e não, ao contrário, como sempre sucedeu, até à vitória do neoliberalismo -, bem como o conúbio entre certos políticos e o negocismo, e a perda dos valores éticos, conduziu-nos à crise global, que paralisa a União Europeia que está a levar-nos à decadência e, porventura, à desintegração.
  
Trata-se de uma situação que aflige todos os Estados-membros da União Europeia, uns mais e outros menos, como é natural, sobretudo os da Zona Euro - mas não só, tenha-se em conta a dramática situação do Reino Unido - e das respectivas populações, que cada vez menos se revêem nos seus líderes...
  
Como sair, então, desta tão grave crise, global e múltipla? Falo agora do Ocidente e, em especial, da União Europeia, à qual Portugal pertence e deve continuar a pertencer. Respondo: só vejo um caminho, dado o colapso evidente da ideologia neoliberal: mudar o modelo de desenvolvimento económico - como disse o Presidente Obama, no discurso que proferiu na cerimónia de posse e que ainda não conseguiu concretizar -, criando um novo paradigma. Curiosamente, como demonstra a rapidez do tempo actual, em escassos vinte anos assistimos ao fracasso de duas ideologias contrárias, que marcaram o século xx: o comunismo e o neoliberalismo.
  
Estamos agora a viver uma nova revolução, que espero seja pacífica, até ao fim: criar um novo paradigma, que reestabeleça o primado da política, com valores éticos estritos, sobre a economia, que controle e regularize os mercados, acabando com os paraísos fiscais, as economias virtuais, as agências de rating e todas as malfeitorias do género, punindo os responsáveis sem escrúpulos, políticos e económicos, que nos conduziram à crise em que nos encontramos. Continuam a existir, infelizmente, no interior dos Estados-membros da União Europeia, vários Madoffs à solta... O que é uma vergonha e um péssimo sintoma, que urge acabar.» [DN]

Autor:

Mário Soares.

 ACHEGA PARA UMA LÓGICA NACIONAL

«Li, juro. O jornalista foi esperar os passageiros do voo Rio-Lisboa que teve de fazer uma aterragem de emergência em Salvador. Houve uma explosão, sentiu-se cheiro a queimado, viu-se fumo na cabina, até que o avião aterrou na pista cercada por ambulâncias e carros de bombeiros. Que susto, não é? Pois ainda não viram nada... No texto da agência publicado pelos jornais, cito o parágrafo a seguir ao susto: "O pior mesmo, segundo o testemunho [de uma] passageira, passou-se já em pleno aeroporto de Salvador..." E a testemunha, confirmada por outros passageiros, insistiu (e os jornais publicaram): "Aí é que foi pior..." Ali, no aeroporto de Salvador. Ali, pois, aconteceu o indizível mesmo para as pessoas curtidas por uma quase desgraça recentíssima. Mas aconteceu, o quê? Uma bomba, como a da ETA em Barajas? Um homem-bomba, como recentemente no moscovita aeroporto de Domodedovo? Racketing da polícia como no aeroporto de Kinshasa?... Vou directo ao horror sofrido pelos passageiros: "Estiveram até depois das 06.00 até que foram transferidos para um hotel." Vocês dão-se conta? Horas até ser transferido para um hotel! Sou mesmo um artolas. Estivesse eu naquele voo, tinha ido para o bar comemorar não ter ido para o galheiro e escapava-me a oportunidade de pôr nos meus cartões de visita: "Fulano de Tal - Ex-sobrevivente de uma transferência demorada para um hotel em Salvador." Nunca me faltaria conversa nos jantares sociais.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.



 BASÍLIO HORTA INCRÉDULO

«Falando à margem de do lançamento da iniciativa empresarial Global Management Challenge, que decorreu em Lisboa, o responsável abordou ainda o papel da oposição sobre a eventual intervenção do Governo de gestão no pedido de ajuda externa.
   
"Deitaram abaixo o Governo, não aprovaram o PEC e agora vão pedir a quem deitaram abaixo para fazer as coisas? Eu não percebo nada, se calhar sou eu que estou a ver mal", disse em tom coloquial o responsável da AICEP.
  
Já na sexta-feira Basílio Horta que recordou ter lidado "directamente" com a presença do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Portugal, em 1978, e lembrou que "o FMI é cego" e "não tem a humanidade que um qualquer Governo, por muito pior que seja, tem".» [DN]

Parecer:

Ninguém percebe.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelas eleições.»

 PASSOS COELHO JÁ SE DESENRASCOU

«O presidente social democrata, Pedro Passos Coelho, garantiu hoje que fará tudo para evitar subidas de impostos mas que prefere, caso tudo o resto falhe, "mexer na estrutura do IVA a ter que cortar pensões e reformas".
 
O líder do PSD esteve segunda-feira no Clube dos Pensadores, em Gaia, tendo, após as questões do público, voltado a falar da situação fiscal do país. "A resposta dos impostos torna-se inevitável quando mais nada resulta - não foi por acaso que um dia tive que condescender em dar ao Governo essa possibilidade - mas ela não pode transformar-se, como resposta emergente, na resposta normal e contínua", criticou. Para Passos Coelho quando esta se transforma numa resposta normal e contínua "significa que os governos não fazem aquilo que é necessário e portanto estão sempre na última instância de ter que fazer o que não deviam".» [DN]

Parecer:

Ao fim de uma semana arranjou um argumento ridículo para justificar aumento do IVA.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 AJUDA INTERCALAR

«A Comissão Europeia afastou hoje a possibilidade de Portugal poder recorrer a outro mecanismo de ajuda diferente daquele que está previsto desde há um ano e que pressupõe a negociação de um programa de ajustamento económico com condições estritas.
 
"Os Estados-membros da Zona Euro chegaram a acordo para criar um mecanismo em maio último e é apenas isso que existe hoje", disse o porta-voz comunitário para os Assuntos Económicos e Monetários, acrescentando que "para além disto não existem outros mecanismos".» [Expresso]
  
«A ideia foi sugerida pelos conselheiros Vítor Bento e Bagão Félix e teve a recetividade do Presidente.

  
Um empréstimo intercalar de urgência do FMI, sem a intervenção da União Europeia, foi a solução apontada para Portugal enfrentar o novo período crítico dos mercados em junho.» [Expresso]

Parecer:

Os conselheiros de Estado convidados por Cavaco Silva devem achar que a Comissão Europeia é a tasca da coxa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns pela ideia a Bagão Félix e Vítor Bento.»

 PASSOS COELHO PROMETE O IMPOSSÍVEL

«Apesar do quadro recessivo apontado para este ano e que para alguns economistas se irá prolongar por mais anos, o líder do PSD entende que é decisivo um crescimento económico de pelo menos "3 a 3,5% nos próximos dois, três anos". Se tal não acontecer, Passos Coelho alerta que "não há pacotes de austeridade que valham".
  
Durante a sessão do Clube dos Pensadores, ontem em Gaia, Passos Coelho deu ainda a receita:"Para pôr a economia a crescer temos que olhar para as PME e para as condições de canalizar recursos financeiros para essa actividade. Temos de fazer a aposta no empreendedorismo, valorizar o mérito, pôr de lado a batota e dar incentivo quer à entrada de capitais externos ", valorizou.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Resta saber como conseguirá tais taxas de crescimento.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao líder do PSD.»
  


 LESZEK BUJNOWSKI 
  




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Terça-feira, Abril 05, 2011

Parabéns ao FCP

O FCP ganhou o campeonato porque o mereceu e ganhou no Estádio da Luz porque jogou melhor, foi melhor orientado pelo treinado e mereceu ganhar. Lamentavelmente os portugueses estão a deixar se saber perder proporcionando espectáculos miseráveis como aquele a que se assistiu no domingo, sinal de que as suas instituições estão a ser entregues aos piores.

O Benfica foi mal orientado ao longo de toda a época, perdeu pontos sempre que enfrentou equipas bem orientadas, demonstrou um desconhecimento da forma de jogar de muitos dos seus adversários o que só se pode explicar pelo amadorismo dos seus técnicos e chegou-se ao ponto de ver o treinador desiludido por um dos seus jogadores marcar um golo.

Infelizmente o espectáculo do futebol está a dar lugar a lutas de gladiadores e os responsáveis pelos clubes permitem que claques infiltradas por marginais, que se estão a tornar escolas de marginais, sejam a imagem dos clubes, dando cobertura a actos de violência cada vez mais sistemáticos e violentos. Em estádios como os de Braga, das Antas ou da Luz tenta-se condicionar os jogadores com o arremesso de bolas de golfe, os autocarros são apedrejados e a vida dos jogadores posta em causa, as sedes de associações de adeptos são atacadas. E em vez de condenarem estes actos os responsáveis dos clubes estimulam-nos em relação aos adversários e armam-se em vítimas quando são o alvo.

Infelizmente esta realidade não é exclusiva do futebol e muitos dos nossos políticos actuam como se fossem dirigentes desportivos irresponsáveis. Tal como aqueles querem ganhar campeonatos mesmo que um dia os estádios estejam vazios, também na política há quem queria governar nem que para isso tenham que governar um país falido. O que importa já não é a qualidade dos argumentos, os valores das lideranças políticas, a qualidade dos projectos, o que importa é conquistar o poder nem que para isso se tenha de recorrer a todo o tipo de bolas de golfe para agredir o adversário.

Não vejo grande diferença entre o que se passa no desporto e aquilo a que assistimos na política e não é por acaso que há tanta promiscuidade entre o mundo da bola e o mundo dos partidos. Aliás, alguns políticos de partidos antagónicos ainda se conseguem entender na política e nos estádios de futebol ainda só atiram bolas de golfe aos adversários enquanto no mundo da política já vemos marginais a atirar bolas de golfe aos seus próprio jogadores e a tentarem mudar de clube cada campeonato à espera de ganharem uma taça.

O FCP ganhou de forma limpa e merece os parabéns, oxalá os políticos portugueses e, em particular, o Presidente da República mereçam os mesmos parabéns no dia a seguir às eleições, e que nesse dia sejam capazes de dar os parabéns aos adversários em vez de apagarem a luz do estádio ou de ligarem o sistema de rega. Começa a ser tempo de limpar as claques deste país dos marginais que tomaram conta delas.

Umas no cravo e outras na ferradura




FOTO JUMENTO


Mosca do Parque Florestal de Monsanto, Lisboa
  
JUMENTO DO DIA


António Serrano

A ideia de sugerir aos desempregados que vão trabalhar para a agricultura é brilhante, já estamos a ver um metalomecânico de Lisboa ir apanhar tomate para Santarém prescindindo do subsídio de desemprego e da profissão para ganhar o ordenado mínimo. A ideia é boa mas deslocada geográfica e temporalmente, fazia todo o sentido nos tempos de Mao.
  
Bem, mas como o ministro poderá estar à beira do "desemprego", pode ser que dê o exemplo.
  
«O ministro da Agricultura desafiou hoje, no Algarve, os desempregados nacionais com capacidade para trabalhar no sector agrícola a aceitarem as propostas de emprego existentes em Portugal e recordou que os empresários estão a contratar mão de obra externa.

  
"Gostaria de ver mais gente que está no desemprego a aproveitar a oportunidade que o sector da Agricultura cria, porque há de facto uma criação de postos de trabalho na área", disse António Serrano, à margem de uma visita a diversos investimentos do Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER) na região algarvia.
  
Questionado pela Agência Lusa sobre o porquê de haver falta de mão de obra portuguesa no setor hortícola e frutícola por todo o país, o ministro explicou que os empresários têm dificuldades em encontrar portugueses que queiram trabalhar na Agricultura e, por isso, estão a recorrer à mão de obra externa, nomeadamente tailandesa.» [DN]

 QUEREM CHAMAR O FMI

A solução é fácil, Cavaco demite Sócrates e nomeia um primeiro-ministro da sua confiança, que até pode ser o Passos Coelho. Com um governo de iniciativa presidencial e como Cavaco acha que é constitucional fazê-lo esse pedido de ajuda pode ser feito. Pode mandar o seu ministro negociar em roda livre e depois dá conhecimento do que decidiu.

 RANGEL 1 - 0 PASSOS COELHO

 
Passos Coelho preferiu ir para Bruxelas lançar insinuações sobre as contas públicas portuguesas.

 RANGEL 1 - 0 CAVACO
  
  
Mais claro é impossível. Não tarda muito enforcam o Rangel.

 KITTY DANCE


 BORN TO CREATE DRAMA


 

 ONTEM FUI À BOLA

«Ontem fui à bola mas esta crónica não é sobre bola. É um desdém sobre os únicos donos da única bola, os especialistas definitivos. Com que então, a entrada do FMI era evidente há meses? Ou, com que então, ainda hoje nos podemos passar do FMI? Lembro-me do especialista típico, o das lapelas largas que ocupa as noites de domingo da SIC Notícias, esse, dizer antes do Mundial que não tínhamos jogadores. Tínhamos Cristiano, Pepe, Nani e Ricardo Carvalho, efectivos nas melhores equipas do mundo, mas não é essa evidência que conta. O importante é que esse especialista não soube (nem nenhum) prever o Coentrão, uma pérola mundial. Daí que sobre a crise eu só oiça os especialistas com a timidez dos sábios: "Sobre o FMI, eu acho, mas não estou seguro, que talvez..." Os definitivos têm a sua agenda: o das lapelas protegia o seu amigo seleccionador, e os "pró-FMI já!" e os "pelo adiar do FMI" protegem os seus votos a 5 de Junho. Continuando a não falar de bola, detesto os que só vêem o argueiro no olho do outro. A biografia de Passos Coelho ser escrita por Felícia Cabrita vale a biografia de Sócrates ser apresentada por Dias Loureiro. Ambas baixezas, mas como não tenho nenhum por santo, não vejo essas circunstâncias das suas biografias como desilusão. Ontem, fui com olhos disponíveis para ver Hulk e Coentrão. Definitiva, só a minha opinião sobre os que queimam um autocarro portista e os que apedrejam dirigentes benfiquistas.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.

 VAMOS A VOTOS

«Em menos de dez dias, após a rejeição doméstica do pacote apresentado pelo Governo em Bruxelas, os juros da dívida subiram três pontos e meio, mais do que haviam subido nos três meses anteriores; algumas das grandes empresas públicas de transporte, deficitárias em todos os países, passaram a lixo; a banca nacional vê as fontes externas secarem; a reputação financeira da República baixa cinco escalões.
  
Impossível dissociar estes acontecimentos da coligação negativa, destrutiva e demagógica gerada e abençoada para demolir o governo na altura mais prejudicial ao País. A loucura continuou com revogações de reformas arduamente conseguidas, como a da avaliação dos professores.
  
Impossível igualmente dissociar a súbita crise, no seu súbito agravamento, da vertigem de contradições de que dá mostras a alternativa opositora. É a proposta de descida e de subida do IVA, a justificação da recusa do pacote por excessivo, com o argumento, para Wall Street, de que afinal seria insuficiente, a privatização "parcial" da Caixa, as pífias, incolores e inodoras "linhas de orientação para elaboração do programa eleitoral". Mesmo os prometidos estados gerais, até agora limitaram-se a um curto espectáculo de uma tarde, para mostrar sintonia com Belém, com homens do Presidente na primeira fila. Pouco, muito pouco e mau, como notaram os avaliadores que nos desgraduam. E como estão já os eleitores a notar, pelas primeiras sondagens após crise.
  
O ponto de encontro de oposições e alguns comentadores passou a ser o ataque ‘ad hominem' a José Sócrates. Desde "delinquente político, a "Drácula que culpa a vítima de lhe sugar o sangue", não há limites ao insulto. Cabeças outrora respeitáveis e agora desvairadas por ódio e intolerância usam linguagem política de contornos inaceitáveis. Fazem-se "apelos" ao PS para se libertar do seu líder, esquecendo que vivemos em democracia e que ela tem partidos, eleições e autonomia decisória.
  
A Pátria perde ânimo, por serem mais os que a puxam para trás que os que empurram para seguir caminho. A estrada perdeu sinais de trânsito e sobretudo o seu necessário regulador. Neste teatro, o contra-regra saiu do palco para a plateia.
  
E no entanto a Terra move-se, os dias sucedem-se. Sabemos como vai ser injusta, dura, incerta, quiçá improfícua a campanha. Alguns prefeririam homens providenciais, governos de salvações nacionais, coligações inviáveis, de súbito possíveis. Não é assim. Em democracia, cada voto conta e são os votos que vão contar, mesmo em difícil aritmética. Os dois meses que aí vêm não serão fáceis, seriam dispensáveis, mas tornaram-se necessários.» [DE]

Autor:

Correia de Campos.

 É O PETRÓLEO, ESTÚPIDO!

«Khadafi é um ditador abominável, dizem-nos as grandes potências ocidentais.

Os insurrectos armados são seres virtuosos, amantes da liberdade, dizem-nos as grandes potências ocidentais. Só derrubando o líder histórico se alcançará a democracia e o progresso na Líbia, dizem-nos as grandes potências ocidentais. Só uma intervenção militar estrangeira, a cargo das grandes potências ocidentais, garantirá a segurança das tribos e a paz, dizem-nos as grandes potências ocidentais. O que as grandes potências ocidentais não nos dizem é sobre as suas reais motivações. Petróleo é o nome do jogo.
 
Khadafi é um ditador? Sim, sem dúvida, tal como todos os dirigentes supremos do mundo árabe. Só Marrocos e o Líbano, por via de uma proximidade histórica e cultural mais acentuada com a Europa, exibem indicadores de autocracia algo abaixo do comum. No espectro mais largo do mundo muçulmano, o Irão, o Paquistão e a Indonésia não são exemplos que se recomendem. A Turquia, esperemos, poderá ser um caso à parte, se o legado de Ataturk não for desbaratado pela deriva fundamentalista.
  
Khadafi é exuberante e imprevisível? Sim. Na exuberância e noutras coisas não andará longe de Berlusconi, nos ziguezagues dos alinhamentos internacionais pós-guerra fria pede meças à generalidade dos líderes dos países ditos emergentes. Tem culpas em actos terroristas? Muito provavelmente. Condenável? Sem margem para dúvidas. Tanto quanto as grandes potências ocidentais pelas inúmeras atrocidades cometidas em nome de valores que só um juízo benevolente e dúbio poderá justificar. Não me esqueço do rebentamento do Rainbow Warrior perpetrado pelos serviços secretos franceses (em que um português perdeu a vida), para não falar dos actos de barbárie cometidos por tropas americanas em cenários bem recentes. Não me falem em supremacias morais, em valores inquestionáveis e coisas quejandas, uma atrocidade é uma atrocidade. Ponto final.
  
E a Líbia, é um "mau" país? No mundo árabe, não. Possui índices educacionais, de esperança de vida e de rendimento per capita acima da média. O fundamentalismo islâmico está contido, o grau de participação das mulheres na vida social é elevado, não se conhecem casos de decepação de membros por roubo nem de lapidação por adultério, ao contrário do que se passa nos países do Golfo, onde imperam os interesses petrolíferos das grandes potências ocidentais, sem ponta de recriminação quanto aos costumes e às práticas de justiça, bárbaras e medievais, que por lá se praticam. Na Península Arábica, onde as mulheres não têm sequer direito a carta de condução e a Al-Qaeda medra, as grandes potências ocidentais não vêem tiranos nem se preocupam com valores "civilizacionais".
  
Não, não é o déspota Khadafi, nem os alegados ataques dos seus exércitos sobre a população civil (não confundir com civis insurrectos armados, coisa bem diferente), que justificam os bombardeamentos de franceses e ingleses. O motivo é outro, bem mais prosaico.
  
Dias antes da intervenção militar das grandes potências ocidentais, Khadafi havia declarado que, face às ameaças externas, a Líbia se preparava para abrir concessões petrolíferas a russos e a chineses. É uma curiosa coincidência com as semanas que antecederam a infeliz intervenção militar norte-americana no Iraque. Sadam havia então declarado que as exportações iraquianas de crude iriam passar a ser denominadas em euros, em vez de dólares.
 
Dentro de meses, quando o ditador Khadafi já tiver sido deposto, a Irmandade Muçulmana tiver alcançado o poder no Egipto, a Itália a transbordar de exilados árabes (egípcios, líbios e tunisinos), a laicidade da Argélia de novo ameaçada pela FIS e os interesses das companhias petrolíferas ocidentais reforçados na região, veremos como os "mártires da liberdade" se comportam. Oxalá me engane.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Luís Nazaré.



 OUTRO A NÃO RESISTIR À TENTAÇÃO DO PODER

«Mariano Rajoy, que ecoou assim os comentários feitos no fim-de-semana por outros dirigentes do PP, considerou que as eleições antecipadas são essenciais para garantir "estabilidade, confiança e certeza" no momento económico atual.

  
Para Rajoy, que falava à Cadena Ser, seria "uma boa notícia" que se clarificasse a liderança do país e se "produzisse uma mudança política".» [DN]

Parecer:

Parece que o exemplo de Portugal não lhe serve de lição.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 MARCELO JÁ DIZ QUE ERA PREFERÍVEL NÃO HAVER ELEIÇÕES

«"As eleições são sempre respeitáveis em democracia, porque, em última análise, é o povo quem mais ordena e recorrer ao povo é sempre certo em termos teóricos. Neste momento, no meio da crise económica e financeira, era preferível não haver eleições", disse Marcelo no habitual comentário do Jornal Nacional.
  
O comentador político explica que o Presidente da República não tinha outra alternativa a não ser dissolver o Parlamento e convocar as eleições, uma vez que essa era a vontade de todos os partidos. "Não foi possível formar um Governo de coligação entre os partidos ou um Governo baseado num acordo entre partidos, porque todos os partidos da oposição disseram que não aceitavam coligações com o PS e queriam ir para eleições", explicou.» [DE]

Parecer:

Nem o professor Marcelo é insensível às sondagens.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Marcelo se já se esqueceu de quando defendeu que deveriam haver eleições depois de aprovado o PEC.»

 DIGO LEITE CAMPOS ESTÁ NOVAMENTE NA MODA

«Diogo Leite de Campos, vice-presidente do partido, adiantou ao “Diário de Notícias” que o PSD pretende acabar com o limite legal que permite aos trabalhadores recusarem a mobilidade sempre que o novo serviço esteja fora dos concelhos limítrofes. “Uma pessoa pode ir da Guarda para Trás-os-montes”, exemplifica o fiscalista.
  
Em contrapartida, caso o partido chegue ao poder, são prometidas ajudas à mudança de casa, à inscrição dos filhos na escola e garantias bancárias à compra de casa, diz o responsável.» [DE]

Parecer:

Neste PSD não se sabe muito bem quem manda.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho se costuma saber o que este vice-presidente vai dizer aos jornais.»

 PSD É A FAVOR DAS SCUT

«O líder do grupo parlamentar do PSD, Miguel Macedo, defendeu a necessidade de serem encontrados "critérios de discriminação positiva" para as regiões do Interior onde vão ser aplicadas portagens nas SCUT.
  
O líder do grupo parlamentar do PSD, Miguel Macedo, defendeu a necessidade de serem encontrados "critérios de discriminação positiva" para as regiões do Interior onde vão ser aplicadas portagens nas SCUT (autoestradas Sem Custos para o Utilizador).» [JN]

Parecer:

Aos poucos vamos conhecendo o programa do PSD, rigor lá fora e bandalheira cá dentro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho se esta é a sua posição.»

 BE NA CDU?

«Numa nota de imprensa, o Bloco de Esquerda anuncia que convidou a direcção do PCP para uma reunião destinada a debater a “situação política e social”. É um dos primeiros passos para uma eventual aliança entre os dois partidos.
  
O encontro entre as cúpulas do Bloco e do PCP acontecerá na próxima sexta-feira, a partir das 11h00, na Assembleia da República.
   
Refira-se que a abertura dos bloquistas a uma eventual aliança com os comunistas, que o PÚBLICO avançou na passada semana, está expressa na moção de orientação cujo primeiro subscritor é Francisco Louçã e que será apresentada na Convenção do partido, agendada para o início de Maio.» [Público]

Parecer:

É mais o que os une do que o que os divide.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «O Jerónimo que tenha cuidado com o Francisco.»
  


 OLIVIER GUETIN