sábado, maio 07, 2011

Mudar o quê senhor Silva?

A intervenção de ontem do Presidente Cavaco Silva foi desnecessária a não ser que seja entendida como a comunicação de um dos ex-presidentes do PSD presentes no jantar de Santa Maria da Feira ou como um esforço para melhorar a sua imagem.

Como era de esperar o discurso permite uma interpretação no sentido de ser um claro apoio eleitoral ao PSD, a mensagem subliminar que transparece ao longo de todo o discurso é “mudar”, coincidência ou não, é o refrão do jingle anedótico da campanha de Pedro Passos Coelho.

«De uma forma muito clara, quero dizer aos Portugueses que, se não mudarmos, estaremos, daqui a três anos, ou até antes disso, pior do que nos encontramos hoje.»

E depois de apelar à mudança e de dizer o que terá de se fazer recorda os bons tempos da governação do PSD:

«Já houve um tempo em que Portugal projectava no exterior uma imagem prestigiada de Estado cumpridor e rigoroso, em quem os investidores acreditavam e confiavam.»

Se retirarmos do discurso as banalidades do costume, as habituais referências auto elogiosas e as palavras de circunstância fica-se com a ideia de tudo tem de mudar.

Quando se sabe que quem protagonizou as negociações entre o PSD e a troika que, aliás, não chegaram a acontecer porque este partido preferiu fazer perguntas insidiosas, foi Eduardo Catroga, percebe-se até que ponto Belém está envolvido numa tentativa de mudança que parece ter começado com um estranho chumbo do PEC e pela dissolução do parlamento.

Este alinhamento do discurso oficial de Cavaco Silva com a estratégia eleitoral do PSD não é novidade, quando Manuela Ferreira Leite se candidatou a primeiro-ministro houve um claro alinhamento do discurso da “verdade” entre a líder do PSD e o Presidente da República. Esse alinhamento foi bem mais longe e ao discurso da “asfixia democrática” correspondeu em Belém as suspeitas de escutas mandadas fazer pelo governo. Agora Pedro Passos Coelho fala em mudar tudo e mais o governo e Cavaco Silva passou a ter a palavra mudar no centro das suas intervenções.

Já no discurso de posse a palavra mudar esteve bem presente e sempre de forma a permitir muitas interpretações:

«Os cidadãos devem ter a consciência de que é preciso mudar, pondo termo à cultura dominante nas mais diversas áreas. Eles próprios têm de mudar a sua atitude, assumindo de forma activa e determinada um compromisso de futuro que traga de novo a esperança às gerações mais novas.»

O mesmo voltou a suceder na mensagem de Ano Novo:

«Não iludir a realidade é um sinal positivo e uma atitude responsável, pois representa o primeiro passo para mudar de rumo e corrigir a trajectória.»

Este apelo sistemático à mudança por parte de Cavaco Silva traz-me à memória os versos de António Aleixo:
               Vós que lá do nosso império
               Prometeis um mundo novo,
               Calai– vos, que pode o povo
               Querer um mundo novo a serio.

Cavaco Silva tanto apela à mudança que corre o sério risco de levar o povo a pensar numa mudança a sério, mudar o político que mais gastou e menos fez, o político que mais tem usado a Presidência da República e menos lhe tem dado, o político que mais tem sido um factor de crise política.

Umas no cravo e outras na ferradura




FOTO JUMENTO


Insectos do Parque Florestal de Monsanto, Lisboa
  
JUMENTO DO DIA


Miguel Macedo, líder parlamentar do PSD

Começa a ser difícil perceber este PSD, o Passos elogia o acordo enquanto o Nobre considera-o um ataque violento ao Estado social, o Catroga disse que o acordo foi bom porque resultou das suas cartas agora vem Miguel Macedo dizer que foi péssimo, o PSD dizia que o país estava na bancarrota, agora o líder parlamentar já se fica pelo quase.
 
Miguel Macedo parece não percebe que esta criatividade é negativa para o seu partido, só põe em evidência a fragilidade do seu líder.
  
«"No caso do primeiro-ministro é cobardia política. Dirigir-se ao País a dizer o que ficou de fora é não assumir as suas responsabilidades," disse Miguel Macedo na reunião da Comissão Permanente, no Parlamento.

  
"O primeiro-ministro escondeu que o desemprego vai subir até aos 13%, escondeu a tributação dos apoios sociais, escondeu os cortes no subsídio de desemprego, escondeu o aumento do gás e da electricidade," acrescentou.
 
Macedo insistiu que o desgoverno socialista deixou o país à beira da bancarrota. "O Governo gastou até ao ultimo minuto e escondeu até ao ultimo segundo." Depois de reafirmar o apoio do PSD ao programa, citou os representantes internacionais para dizer que o Governo devia ter pedido ajuda mais cedo.» [DN]

 A COMUNICAÇÃO DE CAVACO SILVA

Cavaco Silva estava a dirigir-se ao país ou a gravar um vídeo para ser visto em Santa Maria da Feira onde os antigos líderes do PSD se juntaram a Passos Coelho fazendo de conta que no PSD só há paz e amor?
  
  
 

 COMO O PSD PERDEU AS ELEIÇÕES
  
«Durante dias a fio, políticos, jornalistas e comentadores, pintaram a situação do país o mais negro possível, que vinha aí o dilúvio, que iam cortar salários, acabar com as pensões, despedir em massa.
  
Na ânsia de dizer o pior possível do primeiro-ministro nem se deram conta de que estavam afinal a criar as condições para ajudar Sócrates a recuperar folgo. Aquilo que parecia uma impossibilidade há algumas semanas é agora o mais provável. O PS vai ganhar as próximas eleições.
  
Isto deve-se, antes de tudo, ao amadorismo político do atual PSD. O afogadilho de chegar ao poder tem levado este partido a cometer erros atrás de erros. O PSD esteve mal ao deitar abaixo o governo abrindo uma crise política irresponsável. Esteve mal, muito mal, durante o período de negociação com a troika em que tudo fez para prejudicar a posição portuguesa. Mal na escolha dos candidatos; pior ainda ao prometer lugares e benesses antes das eleições; péssimo porque não consegue apresentar uma única ideia coerente.
  
Como se isto não bastasse, a promoção do inenarrável Dr. Catroga a número dois do partido e aspirante a ministro das Finanças, tem-se revelado desastrosa. Já ouvi um comentário dizer que Catroga faz lembrar aqueles idosos que entram em contramão na autoestrada. De facto, o homem não parece viver no mundo real. O discurso é titubeante, desregrado, repleto de dislates. Talvez por isso escreva tantas cartas. Mas estas não são menos incoerentes. Passou os dias a dizer mal do país, a mandar recados indignos para a troika, a exigir mais austeridade, para no fim afirmar que foi ele (como? quando? onde?) que conseguiu um acordo que está longe da hecatombe anunciada. Na verdade o acordo é essencialmente o que estava definido no PEC IV que era tão mau e agora já é bom.
  
Em resumo. Os portugueses não esquecerão que este PSD tudo fez para lesar os interesses de Portugal. E isso não se desculpa.
  
Mas esta história tem outros protagonistas. O nosso jornalismo não pára de perder credibilidade. Num ambiente que funciona em circuito fechado, em que só valem as más notícias, em que as pessoas têm medo de dizer bem do governo, e, sobretudo, em que se perdeu independência e objetividade, já ninguém acredita no que lê, ouve ou vê. O nível de censura é preocupante. Ainda há dias criticou-se o diretor da TSF porque num programa em canal aberto a maioria dos ouvintes exprimiam opiniões favoráveis ao governo. Como se fosse um crime. Mas pior. Para além da parolice de andarem atrás dos senhores da troika, os nossos media reproduziram nas últimas semanas uma quantidade impressionante de notícias falsas; publicaram inúmeras análises totalmente erradas; veicularam insinuações sem o mínimo de fundamento. O que só demonstra o estado pantanoso a que chegou o nosso jornalismo. Sorte que a troika não teve tempo para ler jornais e concentrou-se nos factos.
  
A este propósito convém não esquecer a absoluta vergonha que foi pôr em causa as contas públicas, certificadas por várias instâncias independentes, diga-se, com o objetivo claro e pérfido de minar a capacidade negocial do governo. 
  
É certo que a campanha não vai parar. Já está aliás de novo em marcha. Basta ver os títulos de alguns jornais, ouvir os mesmos de sempre. Aqueles que anunciaram a catástrofe, vão agora esmiuçar o acordo à procura das vírgulas mais desfavoráveis. Mas o jogo é perigoso. Os que defenderam a vinda da troika como muito bom, não podem agora dizer que o resultado é muito mau. Afinal trata-se de entidades independentes do delírio local.
  
Aliás, vai ficando evidente que o matraquear constante nas televisões e jornais por esse pequeno núcleo de comentadores, ubíquos e venais, não tem o efeito esperado junto da opinião pública. A maioria dos portugueses agarra-se ao concreto. E, por muito que insistam no tremendismo, a sensação de alívio é generalizada.
  
O PSD perde as eleições por erros próprios. Pelo incrível amadorismo. Por prejudicar o país. Por não ter uma ideia. E também, já agora, por assustar as pessoas. Agora não digam que a culpa é mais uma vez de Sócrates. » [Jornal de Negócios]

Autor:

Leonel Moura.
  

 MAS QUE GRANDE ADESÃO À GREVE

«Um assessor do Ministério das Finanças explicou à Lusa que a rectificação, publicada no site, se devia a um lapso, mas garantindo que o valor correcto é o mais recente. Ou seja, que, às 12:00, dos 390.559 trabalhadores da Administração Pública Central, 5.451 tinham aderido à greve que decorre hoje, o que corresponde a 1,4 por cento do total.
  
O maior número registava-se no Ministério da Educação, que somava 1.914 funcionários em greve, estando encerradas 19 escolas, de acordo com os números da direcção-geral da Administração e do Emprego Público.
  
Em contraponto, a coordenadora da Federação dos Sindicatos da Função Pública, Ana Avoila, garante que a adesão à greve de hoje da função pública é de 60 por cento. Muito acima dos 2,54 avançados pelo Governo. » [DN]

Parecer:

Só reparei que era dia de greve quando me cruzei com três ou quatro velhotes que pareciam estar todos contentes por terem vindo passear a Lisboa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns pelos 60% de adesão à Avoila.»

 POBE PASSOS, COMEÇOU A MARCAR PASSO

«As negociações com a troika a decorrerem já há semanas, Catroga a multiplicar as cartas a pedir informações fiáveis ao Governo, os desfiles do 25 de Abril e do 1º de Maio a juntarem os partidos mais à esquerda e, mesmo assim, de acordo com o barómetro do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP) da Universidade Católica, o PS sobe nas intenções de voto, ultrapassa o PSD e, apesar do crescimento do CDS, quase inviabiliza uma maioria de direita. [DN]
 
Na sondagem feita para o DN/JN/Antena 1 e RTP, nos dias 30 de Abril e 1 de Maio (antes do anúncio do catálogo de medidas da troika), na estimativa de resultados eleitorais o PS passa dos 33% registados em Abril para 36% (e já vinha a subir no anterior barómetro); enquanto o PSD desce de 39% (estava à frente, no mês passado, com seis pontos percentuais de vantagem) para 34% - o que, dado a margem de erro de 2,6 %, dá um empate técnico. O CDS sobe de 7% para 10% e troca de posição com o PCP-PEV, que, mesmo assim, sobe de 8% para 9%. O BE cai de 6% para 5% - resultado que, associado a outros itens do barómetro, revela uma tendência de queda acentuada.»

Parecer:

E a procissão ainda vai no adro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelo dia 5 de Junho.»

 COMEÇOU A TREMIDEIRA ENTRE OS AUTARCAS

«Os critérios ainda não estão definidos, mas o acordo entre o Governo e a "troika" internacional exige uma "redução substancial" de autarquias até às eleições autárquicas de 2013, além de uma redução de dois por cento por ano no número de funcionários da administração local. [DN]

  
"Se for pela demografia, estou liquidado. Se for por resultados, dou cartas em relação a concelhos maiores", desabafa Carlos Esteves, presidente da câmara de Penedono (PSD), no distrito de Viseu, com pouco mais de 3.200 habitantes»

Parecer:

Não queriam regionalizar? É fácil, façam de conta que estão a regionalizar e criem pequenas regiões.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão aos autarcas.»

 BAGÃO PROPÕE UM MUSEU DA DÍVIDA EXTERNA
  
«O economista e conselheiro de Estado Bagão Félix apoiou, em declarações à agência Lusa, a criação em Portugal de um museu da dívida externa, que tenha uma função pedagógica e mostre a evolução do endividamento português ao exterior.

  
“É bom aprender com as coisas do passado, com as dificuldades, com as soluções que se encontraram ao longo da história económica portuguesa”, afirmou Bagão Félix, acrescentando que “um acervo, um estudo completo e sistematizado seria um instrumento bastante interessante e bastante pedagógico para evitar situações no futuro”.» [i]

Parecer:

Sente-se a raiva, deve ser das sondagens.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Bagão que diga qual é a sua pensão no BCP e em que circunstâncias a negociou.»

 A ANEDOTA DO DIA

«O responsável frisou que "o sindicato tem uma visão mais humanista da justiça que a reforma", mas garantiu que "os magistrados estão empenhados em colaborar e que os objetivos da reforma são bons, mas ambiciosos", nomeadamente o da redução da pendência processual em 24 meses.» [i]

Parecer:

O senhor João palma tem uma visão mais humanista da justiça...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 AGORA QUEREM CORRER COM A GRÉCIA
  
«A Grécia está a considerar a saída da Zona Euro, segundo uma informação do "site" da "Der Spiegel". Uma reunião de emergência dos ministros das Finanças da Europa terá lugar hoje à noite em Luxemburgo, depois de ter sido convocada pela Comissão Europeia.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Foi com notícias destas que tudo começou.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 BANQUEIROS ESPERAM QUE POLÍTICOS HOREM O ACORDO

«Faria de Oliveira, Santos Ferreira, Nuno Amado, Ricardo Salgado e Fernando Ulrich concordam que o plano de ajuda é "credível", mas o importante será implementar adequadamente o pacote de ajuda, sem recurso a interpretações, num encontro realizado pelo "Diário Económico".

  
"Aquilo que desejo é que honrem com o que se comprometeram e que não comecem agora a interpretar" o acordo, salientou Carlos Santos Ferreira, presidente do BCP.» [i]

Parecer:

A falarem desta forma os nossos banqueiros até parecem uns rapazes exemplares, tão exemplares que quando precisaram recorreram ao Estado e quando o seu parceiro BPN faliu deixaram ao Estado o custo da nacionalização. Até parece que são uns rapazes exemplares e que por isso se sentem no direito de dar lições ao país.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se esses senhores para um sítio malcheiroso.»
  

     




sexta-feira, maio 06, 2011

Economistas da treta

Se estiver a ouvir as intervenções de alguns dos nossos economistas John Stuart Mill deve estar a dar voltas na sepultura, como é possível reduzir tudo o que se passa na economia mundial e na economia portuguesa a uma questão de política orçamental de dois ou três governos? Não admira tamanha falta de honestidade colectiva quando um Presidente que queria ajudar o país consegue fazer no seu discurso de posse um diagnóstico da economia portuguesa como se vivêssemos em autarcia, como se a economia portuguesa estivesse tão à margem da economia mundial quanto estava a Albânia de Henver Hodja.

  
Como é possível falar de finanças ignorando a maior crise financeira mundial desde o crash de 1929? Como é possível ignorar o maior desarmamento pautal desde que o GATT foi criado? Como é possível falar do euro ignorando os desequilíbrios que foram gerados na zona de uma nova união monetária com a sua dimensão? Como é possível ignorar o maior aumento dos preços do petróleo desde a crise de 1973-74? Como é possível falar de desemprego ignorando o encerramento de centenas de empresas que faliram em consequência da concorrência externa ou se deslocalizaram para outros país? Como é possível falar de despesa pública ignorando o esforço financeiro que a crise exigiu do Estado? Alguns dos nossos ilustres economistas falam como se tudo fosse um erro de um plano quinquenal, como se os governos tivessem planeado gastar muito mais do que previram produzir.
  
Questões como o desarmamento pautal, a formação profissional, a criação de empresas competitivas à escala internacional, a mudança da educação ou as tensões crescentes do mercado do petróleo são questões de gerações e não de um governo e muito menos de um governo que nem conseguiu governar. Discutir a situação económica portuguesa apenas como se fosse o resultado de quatro ou cinco orçamentos revela não só falta de honestidade como ignorância e incompetência.
  
Estes ilustres senhores, desde o engenheiro com MBA, ao antigo ministro das Finanças que ficou célebre por penhorar um WC, desde o tal que tem uma pensão de 8.000 euros desde os 49 anos por ter trabalhado seis ao patrão dos telelés, teriam chumbado na cadeira de Política Económica no velho ISEG. Chumbariam por ignorância, falta de rigor e por charlatanice. É como se um ilustre professor de medicina fizesse o diagnósticos em função da cor política, se o governante fosse de direita tinha uma mera constipação, se fosse de esquerda a doença era tuberculose.
 
Compreendo que tenham aparecido tantos “economistas” engalfinhando-se com cada um a dizer o pior possível do governo, promovendo uma orgia demagógica. É como se se tivessem reunido as condições para o aparecimento de uma praga de gafanhotos, a mudança de um governo depois de um longo ciclo de oposição gera uma imensidão de oportunidades de emprego para compensar o longo período de carência. Administrações da CGD e das suas empresas, administrações de grandes empresas públicas, altos quadros do Estado como os reguladores apetitosos pelo seu poder, lugares na administração no Banco de Portugal, tudo tachos para resolver os problemas económicos de uma família para o resto da vida.
  
Tal como no passado aos exércitos medievais se juntavam imensos mercenários nos cercos à cidade para partilharem dos saques, as elevadas expectativas eleitorais do PSD levou muita desta gente a um corrida desenfreada contra o governo, com cada um a dizer o pior possível, a tentar aparecer ao lado de Passos Coelho, a querer conquistar o estatuto de conselheiro do líder do PSD. A excitação da proximidade de uma batalha fácil levou-os a comportarem-se como um cardume de piranhas.
 
Pode ser que se enganem e fiquem mais uns anos a roer os ossos.

Umas no cravo e outras na ferradura




FOTO JUMENTO


O "28" na Graça, Lisboa

JUMENTO DO DIA


Fernando Ulrich, banqueiro simpatizante da direita

Quando um banqueiro se porta como o está fazendo Fernando Ulrich algo tem de estar muito podre, ou é o banco cujos accionistas e clientes estão a ser desrespeitados ou é a democracia onde os políticos já não conseguem separar os interesses do país dos da banca. Ainda por cima o homem revela pouca inteligência, não percebe que a sua credibilidade não é assim tanta e que as suas posições só fazem os eleitores desconfiar do partido onde ele quer que votemos, quando um banqueiro fala assim é porque "está feito" com o candidato a troco de favores, é assim que o povo pensa e tavez tenha razão.
 
Por acaso não sou cliente do BPI, mas se o fosse iria amanhã ao banco fechar a minha conta e no papel que tivesse que assinar escreveria no campo observações "o senhor Fernando Ulrich que vá à bardamerda!".
  
«"Estou agradecido a todos os que fizeram com que o Governo caísse e o PEC IV fosse chumbado", disse hoje Fernando Ulrich, na conferência sobre Administração Pública na Universidade Católica no Porto.

  
O presidente do BPI disse estar muito contente com o programa que foi apresentado pela troika por este ser muito "mais abrangente e completo".
  
"Foi comovente, ainda ontem, ver na televisão o Dr. Silva Pereira a pedir aos partidos da oposição para defender o memorando de entendimento, quando este tem pouco a ver com as ideias que levaram o Dr. Silva Pereira e Eng. José Sócrates ao poder e são muito mais próximos do que o PSD e PP defendem. Se agora estão contentes com estas medidas, melhor", afirmou o presidente do BPI.» [Jornal de Negócios]

 SE NÃO FOSSE A AJUDA DO CATROGA....

  
(Link)
  
O que terá o senhor Ulrich a dizer sobre estas declarações?

 FERNANDO NOBRE É SANTANISTA, BARROSISTA, CAVAQUISTA?
  
Uma coisa parece ser evidente, ainda nem preencheu a ficha de militante e já é o líder da oposição interna, é a maldita mania das grandezas.
  

 FENPROF CONTRA PROVAS DE AFERIÇÃO
  
As declarações de Mário Nogueira contra as provas de aferição são um sinal eidente de como os sindicatos e, em especial, os controlados pelo PCP continuam a conceber o país à imagem da URSS. Que têm os sindicatos a ver coma gestão do sistema de ensino? Por esta lógica as associações de polícia escolheriam as leis penais, os da marinha fariam as opções de equipamento e por aí adiante.
 
É bom recordar a Mário Nogueira que vive numa democracia e numa democracia os governos governam legitimamente porque para isso foram eleitos e é perante os eleitores que respondem e não perante os Mários Nogueiras designados por Jerónimo de Sousa. Se Mário Nogueira e o PCP são contra as provas de aferição inscrevam essa posição no seu programa eleitoral e se ganharem as eleições então acabem com essas provas.
 
Se ainda esta semana, a propósito da avaliação dos professores, o Tribunal Constitucional vetou uma decisão do parlamento como se pode aceitar que este senhor ache que o estatuto de sindicalista lhe dá o direito de se pronunciar sobre o sistema de ensino? Tanto quanto sei é (ou era há muitos anos) professor de ginástica e é sindicalista, é para esses temas que tem legitimidade para falar, pelo menos enquanto isto não for o Portugal dos sovietes.

 A DÚVIDA DO DIA

Agora que se chegou a acordo com a troika e que o Presidente da República agendou uma comunicação desnecessária ao país, talvez seja um momento oportuno para perguntar se Cavaco Silva não soube mesmo do conteúdo do PEC IV antes deste ser apresentado em Bruxelas. Apesar de isso ter sido um dado adquirido e Cavaco nunca o ter desmentido, a verdade é que nem Cavaco nem ninguém o Belém o disse expressamente.
  
Está na hora de saber toda a verdade sobe o PEC IV e o derrube do governo.
  
 

 CORREIO INDISCRETO

«As fúrias do primeiro-ministro são bem conhecidas em São Bento. Mas não só. Nas reuniões com a oposição, particularmente com Pedro Passos Coelho, as coisas nunca decorreram pacificamente. A última, com testemunhas, ia mesmo acabando muito mal. Valeu na altura a intervenção do ministro Silva Pereira.     


Não se conhecem pormenores do encontro a sós na noite de 10 de Março, quando José Sócrates recebeu Pedro Passos Coelho em São Bento, pela calada da noite. Talvez tenha sido calmo e sereno. Mas o que acontece cá dentro também se passa lá fora. Como nos Conselhos Europeus. E, agora, com a troika em Lisboa, as coisas não podiam ser muito diferentes. Ao longo dos dias, os representantes da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI sentiram na pele o mau feitio tradicional do primeiro-ministro. As discussões com Teixeira dos Santos e Pedro Silva Pereira até correram razoavelmente bem. O pior era quando os ministros levavam a José Sócrates as sucessivas propostas da troika. Aí tudo era diferente. O primeiro--ministro atirava uns papéis ao ar, recusava isto e aquilo, foi um osso duro de roer. Ao ponto de um dos membros da troika ter desabafado: "O tipo é mesmo intratável." [CM]
  
PSD I
  
NECESSIDADES GERAM ACESA LUTA INTERNA
  
O PSD ainda não ganhou as eleições de 5 de Junho. Longe disso. Mas na São Caetano já se discutem há muito cargos, lugares e o próximo Governo. Nem mesmo os avisos de Passos Coelho sobre os cortes nos Ministérios e o fim das mordomias dos ministros e companhia conseguem arrefecer o entusiasmo de muita gente. O lugar mais apetecível é o do Ministério dos Negócios Estrangeiros. E até candidatos improváveis, como Vasco Rato, andam por lá a falar inglês.
  
PSD II
  
DO BRASIL COM MUITO AMOR
  
O PSD foi ao Brasil buscar dois marketeiros para a sua campanha eleitoral. Um deles é Marcos Martinelli. A outra, sim, a outra, é Alessandra Augusta, e foi o próprio Miguel Relvas, secretário-geral laranja, que foi buscar esta especialista nascida em Minas Gerais. Com muito, muito amor e carinho.
  
PSD III
 
NOBRE PODE TORNAR-SE CONSELHEIRO
 
O PSD parece ter resolvido de vez a polémica com Fernando Nobre. A solução foi encontrada em casa de Fernando Nogueira, ex-líder social-democrata, numa reunião que contou com a presença do presidente da AMI e de Passos Coelho. Como a sua eleição para presidente do Parlamento é mais do que duvidosa mesmo que os sociais-democratas ganhem as eleições, a solução passa por indicar o médico para o Conselho de Estado. Sempre fica ao lado de ex-presidentes.»

Autor:

António Ribeiro Ferreira.

 REPITO: PSD-PSD-CDS

«Um erudito mal-intencionado varreria a genialidade de Eça de Queiroz reduzindo-o a um erro: em Singularidades de Uma Rapariga Loura, o protagonista, Macário, parte para Cabo Verde, onde atravessa "rios tranquilos". Ora, em Cabo Verde não há rios... Nos tempos que correm, de informação abundante, esses caça picuinhas são risco de confusão, fujo deles. Tento perceber a linha geral. Entendi, por exemplo, pelas notícias do acordo com a troika, que isto está diferente do que se dizia, perdão, gritava. Amanhã talvez estude as incidências da subida do IMI e da descida do IMT, isto é, irei catar descuidos de Eça. Mas, por enquanto, fico-me nas linhas gerais: a troika, estrangeiros imunes à propaganda do Governo, acordou com ele condições melhores do que estávamos à espera. A causa só pode ser uma de duas, ou ambas. Ou não estávamos tão mal como Cavaco Silva disse em discurso catastrófico na tomada de posse. Ou a troika ajuda Portugal por razões que nos ultrapassam: preocupada com a falência iminente da Grécia, quer dar um sinal de apaziguamento aos mercados. A primeira hipótese é de conclusão menor: só confirma a irresponsabilidade política de Cavaco. A segunda prova mais. Para lá de termos de resolver um problema que só nós podemos resolver, a falta de crescimento, sobre a dívida há que reconhecer um inimigo externo. Nos próximos três anos, os partidos deveriam expressar uma vontade nacional.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.

PS: O FF terá de ter cuidado, pela ordem em que põe as siglas dos partidos algum simpatizante do Passos no DN ainda lhe vai dizer que está a passar a mensagem subliminar de o PS será o maior partido a seguir às eleições e isso é coisa que não se pode dizer antes do dia 5 de Junho e ainda por cima quando o líder começa a pedir uma maioria absoluta. Bem, e o controladores destacados pela São Caetano para educar O Jumento também vão dizer que a sigla de post-scriptim é mais uma manifestação socrática.
  


 A ANEDOTA DO DIA

«"O PSD está profundamente empenhado na implementação dos objectivos do programa se, como tudo indica, for eleito o próximo governo de Portugal", lê-se no documento assinado pelo presidente do partido, Pedro Passos Coelho, cuja cópia foi cedida à agência Lusa. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Está escrito nas estrelas ou foi a esposa que lhe disse enquanto batia as claras de ovos?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 PORTUGALK BENEFICIA DE TAXAS MAIS BAIXAS QUE A IRLANDA E A GRÉCIA

«As taxas de juro associadas ao empréstimo de 78 mil milhões de euros serão de 3,25 por cento no início, mas irão mudando ao longo do tempo. [DN]

  
"As taxas de juro do empréstimo serão de 3,25 por cento no início, mas irão mudando. São taxas flexíveis", disse, anunciando depois que nos primeiros três anos será então esta a taxa, mas que a partir do quarto ano será de 4,25 por cento.»

Parecer:

Temos de agradecer a Eduardo Catroga pelas suas cartas de perguntas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Obrigadinho ó Eduardo!»

 MÁRIO SOARES TEVE MAIS UM MOMENTO MANUEL MARIA CARRILHO

«No livro "No Centro do Furacão - Reflexões Sobre a Europa e Portugal em Tempo de Mudança", que é hoje lançado, Mário Soares reúne artigos publicados nos últimos meses no Diário de Notícias e na revista Visão e uma conferência que protagonizou em Paris com o título "Portugal e a Europa: Do fim da ditadura aos dias de hoje". O antigo chefe de Estado junta à obra um texto de abertura e uma nota final originais, escritos em Fevereiro e Abril deste ano, respectivamente. [DN]
  
No primeiro, Soares afirma que a "política, os políticos e os partidos estão num caminho de descrédito progressivo", antes de sublinhar que o Governo de José Sócrates "tardou a reconhecer a crise global" que se adivinhava antes de 2008. "Esse atraso do Governo, que, de algum modo ignorou a crise global, foi grave para Portugal. Note-se, porém, que não fomos um caso único na União Europeia. Bem pelo contrário", afirma Mário Soares.»

Parecer:

xxxO que andará a tramar Mário Soares?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 CASAMENTO DE WILLIAM E KATE JÁ TEM VERSÃO PORNO

 
«Uma produtora inglesa não perdeu tempo e já lançou um filme porno baseado na boda do príncipe inglês intitulado "The Royal Romp".» [DN]
 
 O APOIO DE FUTRE AOS "HOMENS DA LUTA"
  
  
«Os Homens da Luta têm mais um fã de peso - nada mais nada menos do que Paulo Futre. O ex-futebolista gravou uma mensagem de apoio aos representantes de Portugal no festival da Eurovisão, cuja meia-final acontece já na próxima terça-feira, 10 de Maio.» [DN]
  
 PREPAREM-SE PARA MAIS UMA REVOLTA DA MARIA DA FONTE

«"Ninguém pode negar que após tão profundas modificações no território e tão grandes transformações no desenvolvimento urbano a reorganização administrativa é uma incontornável prioridade", afirmou Jorge Sampaio, numa mensagem gravada que foi apresentada de manhã, no Seminário de Vilar, Porto, no âmbito da conferência "Reorganização Administrativa do País", organizada pela TSF, Jornal de Notícias e Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas.» [DN]
  
 AGORA É QUE ELE VAI FALAR?

«O Presidente da República vai fazer uma comunicação ao País sexta-feira às 20h no Palácio de Belém, anunciou fonte oficial.
  
Questionada sobre o teor desta comunicação, a mesma fonte precisou que será sobre o auxílio financeiro a Portugal. Portugal vai receber um empréstimo de 78 mil milhões de euros nos próximos três anos ao abrigo de um acordo de ajuda financeira com o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia, cujos detalhes foram hoje anunciados publicamente, ficando obrigado a aprovar um conjunto de medidas para reduzir os gastos do Estado que abrangem diversos sectores.» [DE]

Parecer:

Preparemo-nos para mais uma ajudinha ao PSD.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se.»

 ERA O QUE FALTAVA!

«O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) diz que a banca cumprirá o acordo com a ‘troika' sem o apoio do Estado.
   
"Os bancos chegam facilmente aos 9% de core capital. Aos 10%, no próximo ano, com o programa de desalavancagem, venda de activos e aumentos de capital, chegarão a esse rácio sem recorrer a fundos do Estado", disse hoje António de Sousa, em Lisboa, durante um almoço organizado pela Associação Comercial de Lisboa.» [DE]

Parecer:

Esta dispensa da ajuda do Estado revela como a banca está habituada a recorrer ao dinheiro dos contribuintes quando está em apuros.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»

 A DESPEDIDA DE TEIXEIRA DOS SANTOS

«"Tenho uma sensação de dever cumprido", disse hoje Teixeira dos Santos na apresentação das linhas gerais do programa de austeridade desenhado pela ‘troika'.» [DE]

Parecer:

Ufa... e espero que com ele vá toda a sua equipa.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Que vá com Deus.»

 AÍ VEM O POPULISMOS
  
«Pedro Passos Coelho disse ontem, no programa 5 para a Meia Noite, da RTP2, que admite a redução do número de deputados na Assembleia da República dos atuais 230 para os 181 parlamentares.» [Expresso]

Parecer:

Passos Coelho esquece que a promessa que faz não é competência do governo nem pode ser decidido sem maioria qualificada.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Passos Coelho que se deixe de tretas, apresente um programa eleitoral e explique à sua marketeira que os portugueses não são tão parvos quanto ela julga.»

 O QUE MUDOU DE ONTEM PARA HOJE?

«O risco de incumprimento da dívida soberana portuguesa subiu para perto dos 42%, ultrapassando o risco atribuído ao Paquistão. Portugal regressa, assim, ao 4º lugar no "clube" dos 10 de maior risco à escala mundial, segundo o monitor de probabilidade de incumprimento da CMA Datavision.

  
No mesmo sentido de percepção de uma deterioração da situação de crédito do país, as yields (juros implícitos) das Obrigações do Tesouro portuguesas em todas as maturidades continuam a subir. Uma tendência de alta - comum à Grécia e Irlanda - que contrasta com a descida dos juros dos títulos alemães (Bunds) em todas as maturidades.» [Expresso]

Parecer:

E há quem defenda que devemos tratar os mercados como se fossem uma vaca sagrada.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao mísero professor.»

 PARECE QUE O PSD VAI TER MESMO UM PROGRAMA ELEITORAL

«A direção do PSD convocou hoje para domingo uma reunião do Conselho Nacional do partido, que irá aprovar o programa eleitoral com que Passos Coelho irá a eleições.» [Expresso]

Parecer:

Será que vai propor o cartão do pobre?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 A IDIOTICE DO DIA

«O cabeça de lista do PSD pelo Porto, José Pedro Aguiar-Branco, acusou hoje Francisco Assis de confundir Estado Social com Estado socialista, considerando que o “próprio FMI governa melhor do que o PS”.» [Expresso]

Parecer:

Parece que Aguiar-Branco conta com uma derrota de Passos Coelho e com estas intervenções tenta renascer das cinzas. Mas podia fazê-lo com mais inteligência, o PSD aprovou o PEC IV agravado e sem resmungar e apesar de não o ter negociado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Aguiar-Branco se já está a preparar uma candidatura à liderança do PSD.»

 DEMOCRATA AMERICANO D´OS PARABÉNS A PORTUGAL

«O democrata americano Howard Dean, um dos principais estrategas para as grandes vitórias alcançadas pelo Partido Democrata nas eleições americanas de 2006 e 2008, deu esta quarta-feira os parabéns ao Governo português “pelas condições de resgate negociadas” com a troika. “Conseguiram melhores condições do que as obtidas pela Irlanda e Grécia”. » [Expresso]

Parecer:

Compreende-se que os estrangeiros elogiem mais o acordo do que os portugueses, está escrito em inglês.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao dino Catroga.»

 PSD AINDA MANDOU UMA CARTINHA À TROIKA

«O líder do PSD revelou, no programa da RTP2 "Cinco para a meia-noite" que o partido "ao fim do dia questões técnicas" à equipa da troika, "como saber se a ligação Lisboa-Madrid por TGV é para parar". Passos Coelho garantiu ainda que o PSD vai suspender este investimento: "O engenheiro Sócrates não quer, mas para o PSD essa obra é para parar".

  
A Alta Velocidade desapareceu do programa eleitoral do PS, em comparação com o documento que Sócrates levou a votos em 2009. Ainda assim, na última semana, o govero já veio garantir que o TGV não vai parar, pela voz do ministro das Obras Públicas, António Mendonça.» [Expresso]

Parecer:

Espectáculo deprimente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pobre Eduardo.»



O post "Não foi o governo que perdeu... foi o país!"

«Evolução das taxas de juro desde que o governo de José Sócrates sem maioria entra em funções (outubro de 2009) até ao momento em que é assinado o acordo entre a troika FMI-BCE-CE (maio de 2011).


Legenda:

A. A 12 de Abril de 2010, Simon Johnson diz que a UE deve colocar um pacote de ajuda “preemptiva” a Portugal.

A 15 de Abril de 2010, Socrates nega que tal ajuda seja necessária (os juros estavam a menos de 4.5%) [NY Times].


B. A 13 de Maio de 2010, reunião de Sócrates com Passos Coelho onde foram aprovadas medidas para o PEC extraordinário [JNeg].

C. Período de discussão entre PS e PSD para aprovação do orçamento de estado OE2011.

A 27 de Outubro há uma ruptura nas negociações [AF1][AF2]. Teixeira dos santos diz que propostas do PSD comprometiam meta de défice [AF]. Às 23h19 do dia 29 de Outubro, o acordo para aprovação do orçamento é assinado entre Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga.[JNeg].

D. Teixeira dos Santos diz que se a taxa de juro atingir os 7% pede ajuda externa.

Os mercados de imediato fizeram subir as taxas de juro até aos 7% como que a forçar o pedido de ajuda.

Depois estabilizam à volta dos 7% como quem está à espera que a ajuda seja pedida.

A 9 de Março de 2011, o leilão de dívida portuguesa a 2 anos é um sucesso, impulsionando o Euro e ganhos consideráveis nas bolsas [Market Watch] [US Today] [Irish Times] [Reuters].

E. A 23 de Março de 2011 o PEC IV é chumbado, com impactos imediatos [Económico] [Reuters] [LA Times] [Wall Street Journal] [ABC News].

F. O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, tinha "avisado que a disputa política à volta das novas medidas pode pôr em causa uma solução para a crise da dívida pública portuguesa" [Público @ 2011-03-13].

Comentários:

Analisando a cronologia dos acontecimentos e comparando-a com a evolução das taxas de juro verifica-se que a aprovação do PEC (em B) conseguiu conter os efeitos que se seguiram à publicação do artigo do senhor Simon Johnson (em A).

Repara-se também que a crise começa com a crise de identidade do PSD.

«O Governo tem estado bastante bem nas respostas que tem encontrado para a crise financeira, que, de resto, não são respostas muito originais, são concertadas ao nível europeu, mas que têm funcionado bem em Portugal» - Passos Coelho (10.12.2008)

Mas agora Passos é líder, já não pode defender o governo. Aprovou o PEC mas tem de fazer caro o orçamento.

Devido à necessidade do PSD de fazer oposição e a rumores de que a aprovação do OE2011 não vai ser tão fácil como foi a aprovação do PEC, verifica-se alguma instabilidade em julho de 2010.

E a tendência clara de subida começou exactamente quando o PSD se começou a fazer de difícil para aprovar o orçamento.

A motivação que me levou a fazer este post foi ver Catroga a dizer na TV (em 3-maio-2011) que «o governo perdeu».

Oh senhor Catroga, não foi o governo que perdeu. Foi o país!!!!!!!

O país perdeu imenso com o facto de ter uma oposição irresponsável.»