sábado, maio 21, 2011

Formas estranhas de criar emprego

É verdade que a longo prazo a liberalização do mercado de trabalho pode gerar emprego, mas prometer reduzir o desemprego num horizonte temporal de curto prazo facilitando o despedimento é tentar enganar os eleitores, as empresas aproveitarão para se livrarem dos empregados que consideram inconvenientes. Se ao mesmo tempo se permite a generalização dos contratos temporários é certo que muitas empresas tenderão a despedir para substituir trabalhadores efectivos por trabalhadores temporários. Muito antes de se sentirem os efeitos a longo prazo o desemprego disparará.

É verdade que a médio e longo prazo a redução das contribuições para a Segurança social poderão criar emprego, ao reduzir os custos do factor trabalho funciona como um estímulo ao investimento. Mas também é verdade que nenhum dos muitos desempregados encontrará emprego nos próximos meses graças a esta redução, aliás, por força da contracção da procura em consequência do aumento dos impostos sobre o consumo para compensar as despesas financeiras da redução nas contribuições é muito provável que sejam muito mais os que perdem o emprego devido à contracção da procura do que os que o encontram em consequência do aumento do investimento. Leva muito menos tempo a encerrar uma empresa que faliu por quebra da procura dos seus produtos do que a criar emprego com um novo investimento que levará muitos meses a ser concretizado.

Combinando as duas medidas poder-se-á dizer que as empresas penalizadas pela quebra do consumo aproveitar-se-ão da liberação dos despedimentos para despedir empregados. As duas medidas combinadas poderão criar emprego a longo prazo, mas a curto e médio prazo gerarão muito desemprego e nada nos garante que o saldo seja positivo. Além disso, ambas as medidas contribuem para a recessão, traduzir-se-ão numa redução dos impostos e contribuições ao mesmo tempo que aumentarão as despesas sociais, a consequência disso serão novos aumentos de impostos para manter os objectivos do défice e ao mesmo tempo pagar a dívida externa. Isto é, financia-se a redução dos impostos sobre o trabalho com mais impostos e a redução desta poderá implicar ainda mais aumentos de impostos, ao invés de promover o crescimento a redução brutal da TSU poder empurrar a economia para uma espiral de recessão.

Uma boa parte do desemprego resultou da deslocalização de empresas para países onde o factor trabalho é bem mais barato, uma empresa que se deslocalizou para a Roménia onde os salários são menos de metade dos portugueses não regressará porque a TSU baixou em 10%. Os únicos beneficiados com esta redução são os grandes empregadores que transferirão as reduções nas contribuição directamente para os lucros, um ano depois o dinheiro que os portugueses pagaram em aumentos do IVA sobre produtos básicos será transferido para dividendos dos accionistas da PT, da EDP, dos Bancos, da SONAE, do Pingo Doce e de outras empresas que exploram um mercado onde a a concorrência é tão escassa que nem faz sentido falar de competitividade.

Poder-se-á dizer que as pequenas e médias empresas poderão beneficiar destas medidas, mas a verdade é que para que estas empresas receberem uma pequena fatia do bolo são os grupos todos a levar um imenso bolo à borla. Além disso, é entre as pequenas e médias empresas, a que poderemos acrescentar as micro de que PCP tanto fala que menos se cumprem as obrigações fiscais e contributivas, que mais alimentam o mercado paralelo. Não há nenhuma pequena ou média empresa de construção civil que não pague uma parte do vencimento e as horas extraordinárias “por fora”, é nestas empresas que é empregada a emigração ilegal, a maioria delas vive de subempreitadas a que as grandes empresas de construção civil recorrem precisamente porque a fuga a impostos e contribuições gera maiores lucros. Não há nenhum, café, restaurante ou mercearia deste país que deposite todo o IVA que cobrou, que tenha uma contabilidade que corresponda à verdade, que não pague uma parte dos ordenados “por fora”. Não há nenhuma das dezenas de milhares de oficinas de reparações dos mais diversos tipos, desde os automóveis à construção civil, que não receba a maior parte das suas recitas em emitir facturas ou que não recorra ao trabalho ilegal.

As propostas só fazem sentido porque vão equiparar o estatuto dos que cumprem com as facilidades dos que não cumprem e operam no mercado paralelo, e para isso aumenta-se os impostos sobre os mais pobres. Não vão criar empresas lucrativas, vão alimentar os lucros fáceis das que já os têm.

Não acredito nestas propostas e penso ser uma grande desonestidade intelectual a sua apresentação com o argumento de que vão aumentar o emprego.

Umas no cravo e outras na ferradura




FOTO JUMENTO


Flores do Palácio dos Marqueses de Fronteira, Lisboa
IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO


Sapatilhas em Vila Nova de Cerveira [A. Cabral]
JUMENTO DO DIA


António Saraiva, presidente da CIP
 
Quem ouve António Saraiva falar sobre a competitividade das empresas portuguesas conclui que esta apenas depende dos custos salariais ou que as empresas portuguesas já fizeram tudo para se tornarem competitivas. Um exemplo: A Auto Europa que paga salários muito inferiores aos pagos na Alemanha precisa das medidas propostas pela CIP para recuperar a sua competitividade em relação às empresas alemãs? Recorde-se que muitos inputs na Auto Europa são produzidos por outras empresas portuguesas e por isso esta empresa pode servir para avaliar em que medida a perda de competitividade das empresas portuguesas depende dos ou apenas dos custos salariais, ou se também resulta da má qualidade na sua gestão e na preguiça de empresários que só sabem aumentar lucros à custa dos seus trabalhadores.
«Os patrões da indústria querem aumentar o número de horas de trabalho. O objectivo, defende a CIP - Confederação Empresarial de Portugal, é reduzir o "custo unitário do trabalho" para ganhar mais competitividade, um argumento que também já levou a organização patronal a propor o corte nas indemnizações por despedimento. "É preciso reduzir o custo unitário do trabalho, e isso pode ser feito com a redução da taxa social única e o aumento das horas de trabalho, ou um mix de ambos", defendeu ontem António Saraiva. "Porque não voltar às 42 horas semanais?", questionou o presidente da CIP na apresentação das propostas para o programa do novo Governo. Isso representaria um aumento de cerca de 20 minutos diários.» [DN]
  
 AS NOVAS OPORTUNIDADES E OS DINHEIROS DO FSE

Se o debate é sobre a situação da economia portuguesa faz mais sentido discutir o que o país conseguiu com os muitos milhões de ajudas do FSE que Portugal recebeu quando aderiu à CEE do que as Novas Oportunidades, sem que, todavia, se dispense a avaliação destas. A verdade é que Portugal recebeu dinheiro suficiente para ultrapassar as suas insuficiências na qualificação profissional dos trabalhadores.
 
Terá esse dinheiro sido gasto em formação? A formação que foi financiada realizou-se? Foram implementados mecanismos de auditoria e/ou controlo da qualidade da formação? Foi avaliado o impacto deste investimento na qualificação dos trabalhadores portugueses?
  
De uma coisa tenho a certeza, se tivesse sido Sócrates a gastar esse dinheiro em vez de Cavaco Silva teria sido melhor utilizado e Portugal não estaria a enfrentar alguns dos problemas que resultam na perda da competitividade das empresas portuguesas.
 
Como o povo costuma dizer "atrás de mim virá quem bem de mim falará".
 
 

 A FÁBULA DE LA MERKEL

«As declarações de terça da chanceler alemã sobre "os países do Sul" suscitam várias reflexões e reacções. Diz ela que nós - as bronzeadas cigarras - temos mais férias e nos reformamos mais cedo que as branquelas formiguinhas do Norte, as quais se esfalfam a trabalhar para nos salvarem da miséria. Sucede que, diz um quadro publicado quarta no Jornal de Negócios, a chanceler não sabe do que fala: afinal, não só a generalidade dos trabalhadores germânicos terá, mercê de acordos colectivos, 30 dias de férias - mais cinco que o máximo possível por exemplo em Portugal (a média na UE é 24,5) -, como o mínimo em vigor por cá (22) está muito próximo da média da UE (21,5, sendo que na Suécia, Luxemburgo, França, Áustria e Dinamarca é 25). Quanto à idade da reforma, a portuguesa (indexada à esperança de vida, o que significa que vai aumentando) e a alemã são actualmente iguais (65 anos). Curiosamente, um debate na TV espanhola apresentava anteontem dados diferentes - a idade da reforma para os alemães surgia nos 67 anos, como para os espanhóis (o que só ocorrerá bem depois de 2020), enquanto a nossa surgia como sendo 65 - e frisava-se: "Não se pode pôr a Espanha no mesmo saco de Portugal e da Grécia."
 
Sim, é mesmo isso: as imputações falsas de Merkel fazem pandã com as preconceituosas "avaliações dos mercados" que lançaram, com espasmódicas baixas de rating, os países periféricos numa espiral de dívida. Puxando de galões de honestidade trabalhadora versus o que caracteriza como a preguiça dos países do Sul, a chanceler roça a xenofobia; sabendo-se desprovida de qualquer legitimidade democrática para dar ordens aos outros europeus, evidencia um pendor dirigista que é um muito mau presságio para uma União já em fanicos.
 
Perante isto, esperar-se-ia uma enérgica reacção dos governos e demais representantes políticos dos países assim atacados e difamados (e de preferência conjunta); mas só PCP e BE mostraram indignação. É pena. E é pena não por qualquer serôdio nacionalismo, mas porque está em causa a verdade e, já agora, a defesa da dignidade de trabalhadores que se vêem assim insultados. E que, perante reformas em catadupa impostas pelos respectivos governos e pelas intervenções externas, só podem questionar-se sobre que sentido faz subir a idade da reforma quando se insiste na necessidade de "vagar postos de trabalho para os jovens", se baixa o preço dos despedimentos - o que só é relevante para os casos dos trabalhadores mais antigos - e se diminui o tempo e o valor do subsídio de desemprego. Num país no qual toda a gente parece tão preocupada com as histórias de filhos adultos que vivem com os pais por alegadamente não auferirem o suficiente para terem uma casa sua, talvez seja altura de pensar no que sucede quando os pais perdem o emprego a 20 anos da idade legal da reforma. Formigas condenadas a ser cigarras - em pleno Inverno.» [DN]

Autor:

Por Fernanda Câncio.
 
 NOVA INOPORTUNIDADE

«Que Pedro Passos Coelho não está preparado para ser primeiro-ministro é uma evidência.
  
Aliás, não está sequer preparado para fazer uma campanha eleitoral digna desse nome. Os dislates são diários. A necessidade de explicar, emendar e desdizer uma constante.
  
O mais recente episódio (atenção, escrevo à quarta-feira e ele é prolífico) prende-se com o programa das Novas Oportunidades. Passos Coelho decidiu insultar as centenas de milhares de portugueses que nos últimos anos se esforçaram por melhorar a sua formação. Não se coibiu, com a arrogância habitual, de passar, a todos, um atestado de ignorância. Mas, bem vistas as coisas, neste assunto o maior ignorante é mesmo ele.
  
Criado inicialmente pelo governo de Durão Barroso com o objetivo de certificar competências, foi bastante ampliado nos governos de José Sócrates no contexto da sua política de forte aposta na educação. Com dois grandes propósitos, "upgrade" escolar e profissionalização, o programa revelou-se um sucesso num país com um evidente défice de escolaridade e qualificação profissional. O que lhe valeu reconhecimento e aplauso europeu e internacional, nomeadamente da Unesco.
 
O reacionarismo local nunca gostou da ideia. Uns por elitismo, outros por atraso cultural. Os primeiros, na sua maioria senhores doutores, não gostam de ver a ralé aceder ao conhecimento. Os segundos, ainda não perceberam do que é feito o mundo de hoje e vivem noutro tempo, lá muito para trás. Vale a pena explicar.
  
A aceleração do conhecimento nas últimas décadas, muito impulsionada pelas novas tecnologias, veio alterar significativamente o contexto e o papel do ensino convencional. A escola, no sentido lato do termo, deixou de ser o único centro do saber, aquele sítio que guardava e transmitia o conhecimento disponível. Pelo contrário, a escola passou a ter dificuldade em acompanhar a rápida evolução dos saberes. Hoje, quem termina um curso depara-se frequentemente com o facto de ver aquilo que estudou tornado obsoleto por via dos constantes progressos da ciência. Estudar ao longo da vida tornou-se indispensável. Estudar de formas não convencionais também. O que significa estudar fora da escola através dos novos mecanismos de partilha e cooperação que a Internet, entre outras coisas, proporciona, ou por meio da própria experiência profissional adquirida no trabalho e na vocação. Tanto mais que as competências não se resumem mais ao ainda restrito e restritivo padrão académico. Novas áreas do saber não param de emergir. Novas aptidões também.
 
Isto é importante porque se no passado, a capacidade de inovação residia quase exclusivamente na dinâmica dos meios universitários, hoje está em todo o lado. Basta pensar como alguns dos grandes feitos tecnológicos e empresariais dos últimos tempos nasceram em garagens (caso da HP) pela mão de jovens que muitas vezes nem terminaram os seus cursos. O exemplo de Bill Gates é certamente o mais famoso.
 
Assim, novos modelos, como o das Novas Oportunidades, são determinantes para os processos continuados de aquisição de conhecimentos e competências. Representam uma oportunidade efetiva para muitos milhares de pessoas que de outro modo estagnariam. Sobrevalorizar alguns casos particulares de aproveitamento fraudulento, como sempre fazem os demagogos, é não perceber o que está em causa.
 
Passos Coelho claramente não percebe. Ainda jovem tem uma visão arcaica da educação. Considera que a requalificação das escolas é um luxo e que a profissionalização dos adultos um embuste. São "slogans" que lhe ficam mal e que só mostram impreparação. Como alguém disse, quem acha que a educação é cara, então faça as contas a quanto custa a ignorância.
 
Na ânsia de desfazer tudo o que Sócrates fez, Passos Coelho vai assim alinhando com as posições mais retrógradas. Hoje o PSD, que em tempos foi social-democrata, define-se como um partido contra a educação, a ciência e a cultura.
  
Por isso, com tantas e tão frequentes inoportunidades, talvez não fosse má ideia Passos Coelho ir até ao Brasil fazer companhia a Eduardo Catroga e esperar, na praia, pelo resultado das eleições. O país agradecia. » [Jornal de Negócios]

Autor:

Leonel Moura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»
  

 PORTUGUESES COM MÃO LEVEZINHA

«Dois adeptos portugueses foram detidos pela polícia metropolitana de Londres, na terça-feira, um dia antes do jogo entre FC Porto e Sp. Braga, no Aeroporto de Heathrow, por terem roubado um telemóvel de um passageiro a bordo e dinheiro aos tripulantes do avião, da companhia espanhola Vueling.

Fontes da assessoria de imprensa da polícia metropolitana de Londres e da assessoria da companhia espanhola confirmaram ao CM os incidentes e as detenções. O voo VU 7212, de Vigo, Espanha, aterrou em Londres, o destino final, às 17h30. A polícia britânica entrou no avião mal este aterrou, no terminal três, e deteve os adeptos, um com cerca de 20 anos e outro com 30. Foram libertados pouco depois, após os objectos roubados terem sido recuperados. Não foi possível apurar se os dois eram adeptos do Braga ou do Porto.» [CM]

Parecer:

Ainda bem que não eram lampiões.... já teríamos ouvido uma piada de Pinto da Costa. E ainda bem que não se sabe de clube eram adeptos, assim ninguém se pode aproveitar da notícia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»

 NÚMEROS DE QUE A OPOSIÇÃO NÃO FALA

«O défice do subsector Estado nos quatro primeiros meses do ano foi de 2.539 milhões de euros, uma redução de 45,3 por cento quando comparado com igual período do ano passado, segundo a execução orçamental.

De acordo com os dados da execução orçamental, divulgados esta sexta-feira pela Direcção Geral do Orçamento, as contas públicas beneficiaram ainda de uma melhoria de 181 milhões de euros no saldo dos Serviços e Fundos Autónomos, incluindo o Serviço Nacional de Saúde, apresentando um saldo positivo de 991 millhões de euros.  » [CM]

Parecer:

Não interessa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao Passos Coelho e Paulo Portas.»

 UMA MAGISTRADA POUCO EXEMPLAR
  
«Uma nota da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) indica que "os autos já foram remetidos pelo Tribunal de Cascais ao Tribunal da Relação de Lisboa, onde serão autuados, distribuídos e tramitados como inquérito crime, a cargo de um procurador-geral adjunto".
 
A mesma nota indica que os factos são suscetíveis de integrar ilícito criminal, punido com pena de prisão até um ano, segundo o artigo 292 do Código Penal sobre "condução de veículo em estado de embriaguez".» [DN]

Parecer:

Será que também bebe desta forma em serviço, situação em que nem sequer está a violar a lei?
 
PS: porque será que em processos envolvendo magistrados nunca se sabe o nome deles, ao contrário do que sucede com todos os outros cidadãos e em especial os políticos?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a opinião ao senhor Palma, será que a procuradora se meteu nos copos por causa da incompetência de José Sócrates.»
  
  
 NO CÂMARA CORPORATIVA O POST


«A CMVM publicou o Relatório Anual sobre o Governo das Sociedades Cotadas em Portugal - 2009, no qual sustenta que há várias situações que deveriam ser motivo de reflexão para os accionistas destas empresas.
  
Por exemplo, esta situação:
 
“Entre os 426 administradores, pouco menos de um em cada quatro desempenhava funções de administração em apenas uma empresa. Constatou-se, porém, que cerca de 20 administradores acumulavam funções em 30 ou mais empresas distintas, ocupando, em conjunto, mais de 1000 lugares de administração, entre eles os das sociedades cotadas. A acumulação de funções patente nestes números poderá ser um motivo de reflexão para os accionistas destas empresas.”

Ou esta outra situação (condensada na notícia do Diário Económico):

“(…) mais de 75% dos 426 administradores desempenhavam funções de administração em mais de uma empresa. Por cada um destes lugares recebiam, em média, 297 mil euros por ano, ou, no caso de serem administradores executivos, 513 mil euros. O valor máximo registado para a remuneração média paga a este tipo de administradores foi de 2,5 mil milhões de euros e o valor médio mínimo foi de 49 mil euros.”

Julgo que estes dois nacos de prosa (e outros há no relatório que não são menos interessantes) poderão ser um bom motivo de reflexão, não apenas para os accionistas das empresas cotadas, mas para todos nós:

1. São as personagens a que se refere a CMVM que costumamos encontrar nos órgãos dirigentes ou em iniciativas promovidas pelo PSD (ou, pelo menos, nas comissões de honra).

2. É esta gente que diariamente fala na redução dos custos do trabalho.

3. É o que esta gente defende que aparece vertido no programa radical do PSD.»
 

   




sexta-feira, maio 20, 2011

A chantagem

Incapazes de convencer os portugueses das virtudes dos seus programas políticos os partidos da direita usam agora um único argumento eleitoral, rejeitam a participação em qualquer governo que envolva o PS, a condenação sumária começou por ser em relação a Sócrates, agora já é o PS, brevemente incluirá a próxima geração do PS. Ainda assim há subtilezas, Portas invoca a posições de Passos Coelho para ameaçar com a ingovernabilidade mas quando é directamente confrontado surgem dúvidas. Passos Coelho percebeu que estava a fazer chantagem e agora diz uma verdade de La Palice, se os portugueses não o escolherem não formará governo, termina a declaração com um sorriso cínico onde se percebe a sugestão "agora desenrasquem-se".


Depois de apostarem tudo na crise financeira forçando Portugal a negociar um pedido de apoio externo com um governo de gestão, os partidos da direita ameaçam agora com a bancarrota total criando uma situação de ingovernabilidade. A lógica é simples, ou os eleitores votam na direita mesmo que discordem dos seus projectos ou serão penalizados por uma crise política insolúvel e sofrerão consequências piores do que as que resultariam das medidas defendidas pela direita.

As sondagens davam uma queda contínua e desamparada do PSD, mas quando chegou ao empate técnico a direita deixou de discutir o IVA ou a TSU e até as Novas Oportunidades, agora o único tema em debate é a governabilidade, os jornalistas que acompanham os candidatos da direita deixaram de os questionar sobre o projecto de governo, agora questionam-nos até à exaustão. E as sondagens congelaram no empate técnico, o jornal Sol até descobriu que os hesitantes não hesitam em detestar Sócrates, poderão votar Portas ou Jerónimo de Sousa, mas no PS nem pensar. Não é difícil de adivinhar que enquanto Pedro Passos Coelho não recuperar as sondagens continuarão a prognosticar um empate técnico, o cenário que dá força à chantagem da ingovernabilidade.

A dúvida agora é saber se os portugueses estão dispostos a votar sobre chantagem ou se a rejeitam optando por votar no partido que apresenta o projecto com que mais se identificam. Certamente alguns ficarão na dúvida dando razão à estratégia da marketeira que o Relvas foi ao Brasil e que na viagem de avião foi-se informando sobre o que se pretendia dela entre umas marmeladas como secretário-geral do PSD (a crer no CM) e umas alcagoitas servidas pelas hospedeiras de bordo. Outros não só insistirão em votar em democracia e sentir-se-ão revoltados por se sentirem chantageados pela direita. A estratégia é perigosa para a direita e apenas revela que este é o único caminho que a direita encontrou para evitar a derrota.

A estratégia pode ser inteligente mas revela um grande desprezo pela liberdade de escolha que são o primeiro pressuposto de umas eleições democráticas. Revela também falta de consideração pelos eleitores, em vez de justificar as suas propostas e tentar convencer os eleitores das suas vantagens, a direita optou por criticar tudo o que foi feito e iniciar um exercício de exorcismo tentando forçar os eleitores que tencionem votar no PS de que estão possuídos por um diabo chamado Sócrates.

São estes senhores que estavam muito preocupados com a saúde da democracia e que durante muito tempo se queixaram da asfixia democra´tica.

Umas no cravo e outras na ferradura




FOTO JUMENTO


Elevador da Bica, Lisboa
IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO


Flores da Serra da Lousã [A. Cabral]
  
JUMENTO DO DIA


José Manuel Coelho, candidato do PTP

José Manuel Coelho nem se adaptou à perda de visibilidade ao passar de candidato a presidente para candidato a deputado, nem foi capaz de capitalizar o capital que acumulou nas presidenciais. Em queda José Manuel Coelho recorreu à palhaçada para ganhar protagonismo, foi patético e pôs fim à sua curta carreira na política nacional.

«Já depois de lhe ter sido dada pela primeira vez a palavra, e enquanto outros candidatos falavam, José Manuel Coelho ostentou a faixa "Não Podem Calar o Povo", obrigando a moderadora do debate a fazer intempestivamente um intervalo depois de Garcia Pereira ter ameaçado sair do estúdio em protesto contra o "circo" montado pelo candidato do Partido Trabalhista Português (PTP).
  
"O senhor é um provocador, não perturba mais o debate. Não vim para uma palhaçada", vociferou, na segunda parte, o candidato do PCTP/MRPP às legislativas de 05 de Junho, após José Manuel Coelho ter indignado José Pinto Coelho (Partido Nacional Renovador) quando criticou as suas "bacoradas": a defesa do nacionalismo e da saída de Portugal da União Europeia e da moeda única.» [DN]

 AS COISAS QUE O PPM DESCOBRE!

(via cc)
  
Depois de já ter descoberto que o perigoso autor d'O Jumento, um foragido conhecido internacionalmente, era supostamente um funcionário público, o ex-grande repórter do "i" agora a investigar para o Correio da Manhã descobriu que o PS arrebanha os seus militantes para organizar as suas actividades partidária!

Já estou a próxima grande manchete do CM: "O nosso grande jornalista PPM descobriu que o CM está a ser feito por jornalistas do CM!"
  
 

 CHAMÁMOS A SR.ª MERKEL
  
«Angela Merkel diz que temos de ter menos férias e de entrar na reforma mais tarde. Apetece mandá-la bugiar, mas são os alemães que nos emprestam dinheiro para as férias com mais dias e para a reforma mais cedo. O que fazer? Polemizar ou estender a mão, a escolha é nossa. Ou se calhar nem essa, porque o estender da mão é inevitável e o assomo da polémica é mero estrebuchar de impotente. Mas vale a pena lembrar que caímos nisto, na mão estendida, porque abusámos. Sei que o bom-tom é dizer que a culpa é do Governo actual e/ou dos governos PS, PSD e CDS que nos governam há décadas - e é. Partidos e líderes imprevidentes. Mas suspeito de que eles beberam parte dessa imprevidência na pressão que lhes fizemos na base, na chantagem do votinho para termos uma vida que não devíamos porque não produzíamos para isso. Vou falar do que vivi: houve na minha profissão uma campanha pela reforma dos jornalistas aos 55 anos. Uma tolice: primeiro, porque os jornais já viviam acima das suas posses, segundo, porque nada na vida dos jornalistas justifica (como nos mineiros, por exemplo) a antecipação da reforma e, terceiro, porque essa medida, além de economicamente irreal, retirava dos jornais a mais-valia de jornalistas experientes (um jornalista, mesmo mau, melhora com a idade, tem memória). Felizmente, a medida não foi avante - mas não foi porque muitos de nós não se batessem por ela. É, fomos nós que chamámos a Sr.ª Merkel.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
   
 ÀS SUAS ORDENS SENHORA MERKEL!

«Saindo a observação de um comício, podia até dar-se algum desconto. Angela Merkel anda apertada internamente, a ver o chão político fugir-lhe debaixo dos pés, e seria natural perdoar um ou outro excesso de linguagem. A chanceler precisa de mostrar-se forte à Nação alemã, descansando a opinião pública doméstica quanto ao suposto risco de ser o cofre da Europa do Sul, povoada por gente preguiçosa por natureza, abrigada sob o guarda-chuva do Estado e dona de outros inconfessáveis defeitos. É o canalizador polaco em versão mais moderna a irromper na velha Prússia.
 
Ser forte perante os fracos não é proeza que fique nos anais, mas o ponto da questão não é bem esse. A "recomendação" de Merkel" sobre o período de férias e a idade da reforma de gregos, espanhóis e portugueses constitui, em si, mais do que uma demonstração de arrogância, um sinal sobre quem verdadeiramente manda na "Eurolândia" - e, já agora, na União Europeia.
  
É por isso que interessa menos contra-argumentar - que muitos cidadãos alemães fazem mais férias do que os portugueses, graças à contratação colectiva, por lá ainda uma alternativa forte, ou que se Merkel quer comparar férias também deve comparar salários - do que avaliar o significado da manifestação de força. A chanceler subiu mais um degrau: as "instruções" que, noutros momentos, debitava ao ouvido dos governantes (Sócrates também as recebeu) são agora verbalizadas em público. Alto e bom som.
 
Berlim engoliu definitivamente Bruxelas, sem o mais pequeno prurido. Até na deferência do trato isso se nota. Sarkozy é tratado por Sarkozy, Berlusconi por Berlusconi e assim por diante. Mas a Merkel todos lhe anexam o "prefixo" senhora, que encaixa na perfeição no seu papel de suserana, perante tantos vassalos.
  
Cada vez mais frágil enquanto entidade política, a União Europeia vai sucumbindo aos egoísmos nacionais. É a Alemanha a dar ordens aos outros estados-membros. É a França a querer repor fronteiras, para travar a invasão de imigrantes que a Itália deixa passar. No turbilhão de um Mundo em mudança, se a Europa implodir - às suas ordens, senhora Merkel - só os países periféricos perdem? Ninguém acredita.» [JN]

Autor:

Paulo Martins.
 

 CAVACO QUER PRIORIDADE AO AUMENTO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA

«O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou hoje "da maior importância" que os decisores políticos atribuam "forte prioridade" ao aumento da produção agrícola e sugeriu a criação de um "espaço de diálogo" permanente entre jovens agricultores e Governo.» [DN]

Parecer:

É fácil, em vez de chamar o senhor Palma e outro a Belém que chame o Belmiro de Azevedo e o Soares dos Santos que lhe sugira que nas compras das suas mercearias prefiram produtos portugueses.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Cavaco Silva que visite a área das frutas e legumes de um Pingo Doce.»

 MERKEL ENGANOU-SE

«Merkel aponta baterias ao Sul, em defesa da unificação das férias e da idade de reforma na UE. Os dados mostram que alemães saem beneficiados na comparação.
 
Um erro de cálculo da chanceler alemã abriu ontem uma frente de batalha entre Berlim e os países do sul. Frases como "na Grécia, Espanha e Portugal não se devia poder reformar mais cedo do que na Alemanha" ou "não podemos ter uma moeda única onde uns têm muitas férias e outros poucas" chegaram mais longe que a audiência doméstica da pequena cidade de Meschede, na Renânia do Norte-Vestefália, onde Angela Merkel discursava num acto de campanha.» [DE]

Parecer:

Confundiu Portugal com a Grécia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Adoptem-se as regras da Alemanha para se fazer a vontade à senhora.»

 QUEM FALOU EM CAMPANHA SUJA

«O social-democrata José Mendes Bota defendeu na quarta-feira à noite que Portugal pode ter com o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, "um primeiro-ministro ministro sério, que não está metido em trapalhadas, que não tem qualquer conversa gravada comprometedora".

Num discurso durante um jantar de campanha do PSD, em Albufeira, Mendes Bota chamou ao primeiro-ministro, José Sócrates, "cangalheiro da nação" e comparou-o a um camionista que só causa acidentes e a um empreiteiro que viu ruir todos os prédios que construiu.» [JN]

Parecer:

Anda muito nervosismo no ar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Mendes Bota que se dedique antes à poesia erótica.»

 PASSOS COELHO MUDA DE OPINIÃO NA TSU

«O líder do PSD admitiu hoje que gostaria de reduzir a Taxa Social Única (TSU) em quatro pontos percentuais já em 2012, mas fez depender a sua concretização dos resultados da execução orçamental deste ano.
  
O líder do PSD admitiu hoje que gostaria de reduzir a Taxa Social Única (TSU) em quatro pontos percentuais já em 2012, mas fez depender a sua concretização dos resultados da execução orçamental deste ano.» [Público]

Parecer:

Agora já gostaria, mais um pouco e concorda com Sócrates.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho se acha que alguma vez os resultados poderão financiar uma redução de 4% na TSU.»

 ATÉ TU MIGUEL?

«O secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, admitiu esta quinta-feira, no julgamento do caso Portucale, que tentou agilizar alguns processos no final do Governo de gestão PSD-CDS (2004) e que funcionava como "coordenador" político entre partidos e elementos do Executivo.

"Funcionei como coordenador e nunca como mensageiro. Saí do Governo para fazer a ligação política com o CDS. A minha intervenção foi visível e passou por tentar acelerar e criar condições para que alguns processos fossem resolvidos", afirmou Miguel Relvas, que depôs como testemunha no caso Portucale, que está a ser julgado nas Varas Criminais de Lisboa.» [CM]

Parecer:

No caso Freeport a motivação das suspeitas foi o processo ter sido aprovado mais rapidamente do que o costume.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Miguel Relvas se o fez por interesse ou por estar empenhado no progresso do país.»

 BASTONÁRIO DOS ADVOGADOS DEFENDE O FIM DAS CUSTAS JUDICIAIS

«Marinho Pinto justifica que "as custas judiciais são um factor de afastamento dos cidadãos da Justiça, quando os tribunais foram feitos para os cidadãos e não para os magistrados". O bastonário, que falou na sessão de abertura do Dia do Advogado, comemorações que este ano se centraram em Castelo Branco, reitera a necessidade do acesso de todos os cidadãos à Justiça. "Ninguém vai a tribunal por turismo, por capricho ou por prazer, mas sim quando se é obrigado", disse, lamentando que as pessoas sejam "escorraçadas dos tribunais, quer pelo mecanismo das custas judiciais, quer pela impossibilidade de encontrarem lá, para os seus litígios, uma resolução equilibrada, ponderada e proporcional aos interesses em conflito". » [DN]

Parecer:

Pois, os processos nos tribunais aumentavam exponencialmente por tudo e por nada e o que o que se poupava em custas gastar-se-ia em honorários a advogados. O país parece estar a saque.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se parabéns ao espertalhão do bastonário da Ordem dos Advogados.»