sábado, junho 04, 2011

Balanço de uma campanha eleitoral

Os jornalistas


A actuação dos jornalistas nesta campanha roçou o vergonhoso, muitos jornalistas foram-nos durante a noite, durante a manhã eram bloggers e à tarde eram militantes partidários e ao longo do dia misturaram as funções. A informação foi manipulada, as fotografias criteriosamente escolhidas para favorecer uns e prejudicar outros, foram os jornais a dar as dicas e a antecipar as estratégias partidárias.

A participação cívica

Portugal regressou aos anos 70, ao tempo do boicote dos comícios políticos, só que nesse tempo os líderes dos partidos democráticos eram senhores da democracia e condenaram de forma clara todos os comportamentos anti-democráticos. Desta vez isso não sucedeu, o Presidente da República nem usou o seu Facebbok para fazer um comentário e houve mesmo um líder partidário que em vez de condenar comportamentos fascistas optou por manifestar preocupação em relação à actuação da polícia que se fez dentro dos limites da lei.

O marketing

O marketing do PSD apoiado pela comunicação social e pelos mais diversos instrumentos, incluindo mesmo os altifalantes da cadeia Pingo Doce foi demolidor. Com o seu adversário silenciado pela comunicação social Passos Coelho recuperou de uma situação de derrota.

As empresas

Nem mesmo no tempo do fascismo assistimos ao envolvimento dos grandes interesses empresariais na política como sucedeu nesta campanha, tudo começou com o empenho de Soares dos Santos na destruição de um governo legítimo e no linchamento de um partido democrático, depois foi uma procissão de interesses empresariais acabando com a participação de Belmiro de Azevedo numa arruada, ele a quem nunca tínhamos visto no meio da plebe.

Os órgãos de comunicação social

É difícil acreditar que o comportamento de algumas televisões e jornais resultasse da actuação espontânea dos seus jornalistas, tal coordenação só seria possível com estratégias decididas ao nível da direcção desses órgãos de comunicação social.

Os líderes partidários

Passos Coelho esteve ao seu melhor nível e Sócrates só nos últimos dois dias foi igual a si próprio.

O Presidente da República

Cavaco Silva não interveio tal como prometeu e realçou durante a campanha, o problema é que perante tentativas de boicotes de comícios deveria ter tomado posição apelando ao regular exercício da democracia. Porque ficou calado o Presidente da República?

Os militantes

Nos partidos há milhares de militantes que dão o seu melhor pelos seus ideais sem nada receber em troca, diria que estes são a nata da militância política e a maioria em qualquer dos partidos. Mas também há a borra, gente que aparece e desaparece em função das circunstâncias e nesta campanha foram muitos, apareceu muita borra a apoiar Pedro Passos Coelho e desapareceu muita da borra que num passado recente apoiava José Sócrates. No caso de Sócrates isso foi visível, deputados que abandonaram o parlamento logo que conseguiram o que queriam hibernaram durante esta campanha eleitoral como se já não existissem causas a defender.

Os eleitores

A partir do momento em que Passos Coelho percebeu que o seu programa não seria aceite pelos portugueses atacou com fait divers e com mentiras, como sucedeu, por exemplo, com a falsa nomeação de boys agendada para depois das eleições, falsa denúncia que a comunicação social divulgou intencionalmente como verdadeira, sendo este o momento de inflexão das tendências. Os truques de uma marketeira eleitoral vinda dos trópicos deram resultado num país democrático da velha Europa, sinal de que a maturidade política da democracia portuguesa é duvidosa.

Os resultados

Costuma dizer que em Portugal não são as oposições que ganham mas os governos que perdem, os portugueses não votam em função das qualidades dos que se candidatam, as eleições serão um indicador da “fartação” dos portugueses. Talvez assim seja, mas se as sondagens dos últimos dias indicavam nesse sentido, durante muito tempo derrotavam os candidatos.
O próximo governo

Seja quem for que ganhe destas elições sairá um governo legitimado pelo voto popular e com o direito e a obrigação de cumprir com o seu programa eleitoral.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Garça-real [Ardea cinerea] na Quinta das Conchas, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Azulejaria portuguesa, "Praia das Mulheres", Chamusca [A. Cabral]
  
Jumento do dia


Jerónimo de Sousa

O líder do PCP foi um dos que ajudaram a direita a forçar eleições e se esta as ganhar muito deve a Jerónimo de Sousa, aliás, não é por acaso que uma personagem como Bagão Félix chegou mesmo a sugerir a sua entrada para o governo, ainda que já se tenha esquecido da promessa e agora diga que a aliança natural é entre o PSD e o CDS.
 
Jerónimo de Sousa desejou uma mudança de governo mesmo sabendo que se a direita ganhar vai ter mesmo políticas de direita a sério, vai mobilizar os seus camaradas para defender o que está, isto é, o que no passado recente acusou de política de direita.
 
Mas Jerónimo de Sousa está contente, está convencido de que a direita terá a maioria parlamentar e o PCP terá a maioria da rua. O problema é que esquece que não estamos a viver a revolução russa, qualquer que seja o governo que aia das eleições é um governo legítimo e com legitimidade para implementar o seu programa e que em democracia não há legitimidade da rua ou como o líder comunista prefere chamar, legitimidade social. Jerónimo de Sousa continua fiel à sua rejeição da democracia e não aceita que em democracia a única legitimidade é a que decorre da escolha dos eleitores.
 
O PCP não representará mais do que os deputados que elegeu e a sua legitimidade social será apenas a que corresponde aos eleitores que nele votaram.

«Interessante para o líder comunista é, também, "ver Belmiro de Azevedo, que em tempos apoiou o PS", apoiar agora o PSD. Jerónimo sublinhou que, mesmo que a Direita tenha mais votos nestas eleições, não terá "força social suficiente para impor essas medidas drakonianas" que estão previstas.
 
"A Direita social não chega para ter essa força social", reforçou o candidato da CDU, lembrando que, ao longo das três últimas décadas, viu "grandes maiorias absolutas". "Já experimentaram todas as formas, mas, passados uns meses, perante a luta social, acabaram por ser derrotados", destacou Jerónimo, prometendo luta após as eleições deste domingo. "Estamos convictos de que isto não vai acabar dia 5", assegurou, após já ter apelado à reacção dos portugueses que se sentirem "enganados". Se PS, PSD e CDS pensam que, "votos contados e arrecadados, tudo vai ser como um passeio pela alameda estão enganados".» [DN]

 Solidariedade entre hiper-merceeiros
 
Compreende-se a participação de Belmiro de Azevedo na campanha de Passos Coelho, se Sócrates tivesse permitido a Belmiro comprar a PT ao preço da uva mijona o hiper-merceeiro do Continente estaria hoje mais rico e recatado. ´E depois da participação do empenho do hiper-merceeiro do Pingo Doce o Belmiro não só não quereria ficar atrás como desta forma impede o boicote aos empresários oportunistas, quem boicotar um terá de comprar ao outro pois o mercado é um oligopólio.

 ATRÁS DE MIM VIRÁ QUEM BEM DE MIM FALARÁ

Nos últimos anos assisti a muita coisa, vi muita oposição a medidas governamentais, eu próprio me opus a algumas medidas e me senti atingido pelos meus interesses, quando um país sofre reformas isso é inevitável e se tiver de enfrentar a maior crise financeira mundial de que os vivos têm memória estão reunidas as condições para todos terem razão para protestar.
 
Vi muito boa gente dizer que eram eleitores arrependidos, alguns eram figurantes e outros estariam mesmo arrependendidos. Mas se a direita governar vou ver muito boa gente que no passado se arrependeu por pouca coisa vir a arrepender-se novamente por muito mais.
 
Vi muita manifestação em defesa de serviços de saúde sem qualidade que foram encerrados porque o Estado disponibilizou serviços mais modernos. Não tenho dúvidas de que muitos desses vão ter saudade dos serviços que rejeitaram.
 
Vi muitos professores estarem dispostos a entregar o país a qualquer um desde que os deixassem sossegados com os seus pequenos privilégios. Vou ver muitos professores descontentes por deixarem de ter tido avaliações, mas sim porque com o apoio ao ensino privado será necessário poupar recursos no ensino público, basta aumentar uma ou duas horas de trabalho por semana dando razão ao argumento de que se queriam dedicar ao ensino ou aumentar o número de alunos por turma para quinze ou vinte mil professores se verem definitivamente livres da avaliação porque os desempregados não são avaliados.

Vi muitos polícia protestarem por tudo e mais alguma coisa, protestarem porque as suas ex-esposas deixaram de ter acesso ao sistema de saúde dos polícias e por outras aberrações. Mas vou vê-los protestar novamente quando se puser fim aos serviços remunerados que fazem concorrência desleal à custa do uso dos recursos públicos.

Na hora de defender os nossos interesses é fácil esquecer o que se fez, é por isso que o povo costuma dizer que atrás de mim virá quem bem de mim falará.
     
 

 Por nós

«Houve muito quem pedisse uma campanha diferente, "positiva". Não aconteceu. Andamos há um mês a ouvir acusações mútuas. É pena. É pena que não se tenha aproveitado este tempo para esclarecer as pessoas sobre o momento terrível que passamos e a forma de sair dele, em vez de o usar para arranjar culpados de circunstância. É lamentável que haja partidos a querer fazer crer ao País que a crise que se vive e o elevado nível de desemprego são exclusivo resultado do desempenho do Governo em funções - e se não vale a pena invocar os exemplos de países da UE, como Espanha, com desemprego a níveis históricos mas com governos socialistas, que tal lembrar que os mui liberais EUA, do despedimento sem justa causa, dos contratos libérrimos e do "muito pouco Estado", contam mais de 9% de desemprego? É lamentável que haja quem insista em confundir a elevada dívida do País com dívida do Estado, quando grande parte dela é de origem privada; é triste que haja quem se vanglorie de "sermos o único país do mundo em recessão", quando a Dinamarca (por acaso governada por dois partidos de centro direita liberal) acaba de entrar no mesmo estado.
 
E é lamentável que o PS tenha escolhido fazer uma campanha contra o PSD, sem se dar conta de que era preciso diagnosticar erros e apresentar claramente soluções. É verdade que tinha a tarefa mais difícil: todos os executivos, de direita ou esquerda, estão a ser penalizados nas urnas e sondagens. E é verdade também que mesmo assim, e a crer nas sondagens, não é óbvio que o País estivesse doido para mudar de Governo - por mais que o discurso de toda a oposição se concerte em culpar Sócrates por todos os males possíveis e imaginários e portanto em prometer, implicitamente, que basta removê-lo para que os amanhãs cantem e o sol brilhe para todos.
 
Ora, como é óbvio, ninguém nos pode prometer tal. Porque aquilo a que se dá o nome de "atrasos estruturais" do País não se resolve numa legislatura; porque há demasiado - e como aprendemos isso no último ano - que não depende só de nós. Como decerto não depende das dezenas de medidas do memorando. Há lá coisas razoáveis, certo. Mas alguém crê, por exemplo, que facilitar despedimentos cria emprego aos molhos, e, como alguns prometem, "de qualidade"? Que aumentar o IMI incrementa o mercado de arrendamento? Nada mais saloiamente português que esta coisa de achar que "os estrangeiros" pensam melhor; nada mais infantilmente salazarista que atribuir a técnicos uma superioridade intrínseca e uma "virgindade" ideológica que negamos aos políticos, esses malandros.
 
Está na hora de crescer. De percebermos que, se não há homens providenciais - e deus nos livre -, querer atribuir as culpas de tudo a alguém, como quem exorciza um demónio, não é programa de governo, é negacionismo. Não precisamos de autos da fé; precisamos de coragem. Como na célebre frase de Kennedy, perguntemos que pode cada um fazer. Por si, por nós. E depressa, porque cada dia, como cada voto, conta.» [DN]
       

 Jerusalém: cão condenado à morte por apedrejamento

«Um tribunal de rabis de Jerusálem condenou um cão à pena de morte por lapidação, alegando que o animal estava possuído pelo espírito de um advogado que havia sido amaldiçoado vinte anos antes.

O caso, segundo conta o diário ‘Yediot Aharonot, ocorreu na passada quarta-feira quando o cão entrou no tribunal de uma das comunidades ultra ortodoxas do bairro Meã Shearim e se negou a abandoná-lo, apesar das repetidas tentativas dos guardas.» [CM]
     
 Ladrão descuidado
 

«Um norte-americano a quem roubaram o computador portátil teve a brilhante ideia de activar à distância a câmara fotográfica do mesmo para fotografar o ladrão com a mão na massa... Joshua Kaufman conseguiu fotografar o ladrão a usar o computador em vários locais, incluindo na cama e no carro. O dono do portátil ainda conseguiu descobrir a localização do homem, facilitando o trabalho da polícia, que só teve de ir lá apanhá-lo.» [CM]
     
 Político da direita italiana recusa-se a cumprir promessa eleitoral

«Os políticos poderão começar a pensar duas vezes antes de fazerem certas promessas. Clemente Mastella, por exemplo, prometeu suicidar-se caso o seu maior inimigo fosse eleito presidente da Câmara de Nápoles.
 
O ex-ministro da Justiça italiano não contava que Luigi de Magistris vencesse a segunda volta das eleições municipais. O certo é que venceu e é desde segunda-feira o novo autarca da maior cidade do sul de Itália. » [DN]
   

   


  


sexta-feira, junho 03, 2011

Governar bem

De pouco serve aos que votem num governo de direita ou num governo de Sócrates se esse governo não governar bem, de pouco serve ao país um bom projecto se for mal conduzido ou se o país for mal governado. O país pode correr com Sócrates e escolher Passos Coelho de olhos fechados ou confiar em Sócrates e rejeitar a revolução liberal se for mal governado, a situação em que a crise financeira o deixou é má e a que resultou de uma crise política desnecessária é ainda pior.

Governar bem exige competência, capacidade de decisão, coragem política, saber escolher os governantes e as suas equipas e, acima de tudo, governar para, com e pensando nos portugueses. Segundo este critério o actual governo esteve aquém das minhas expectativas como o disse pouco depois de ter sido constituído, nunca confiei na competência do ministério das Finanças como o disse aqui muitas vezes, também segundo esse critério não posso confiar em Passos Coelho, não me convenceu de que tm qualidades para primeiro-ministro e algumas personagens que o acompanham fazem-me sentir calafrios na espinha.

Sempre aqui defendi orçamentos equilibrados, por vezes chego mesmo a pensar que sou dos poucos portugueses que considera que os défices orçamentais devem ser uma excepção e não uma regra. Mas para ter orçamentos equilibrados não é necessário acrescentar à miséria e às brutais assimetrias na distribuição de rendimento um SNS e um sistema educativo público para pobres. É necessário sim gastar menos e com mais critério, combater a evasão fiscal e fechar a torneira a uma imensidão de esquemas de evasão fiscal legalizada, como é o caso da zona franca da Madeira ou a imensidão de ofshores e de fundações privadas oportunistas.

Governar significa restabelecer ou impor a concorrência nos mercados e adoptar a meritocracia nas instituições do Estado e nas empresas públicas, acabar com a criação de empresas municipais para empregar as clientelas partidárias ou usar os cargos no topo do Estado e das Empresas Públicas para colocar os amigos. Os prejuízos que a burrocracia instalada pelos partidos em todos os níveis do Estado nos últimos trinta anos provocaram prejuízos incalculáveis, tal como um mercado onde impera o oportunismo impediu o aparecimento de milhares de empresas competitivas que hoje poderiam ser projectos empresariais de dimensão internacional, mas que nem chegaram a nascer ou morreram precocemente, asfixiadas pela concorrência desleal, pelos abusos do poder, pela corrupção e pela burocracia.

Sócrates cometeu erros, talvez o mais dramático e elementar foi ter nacionalizado o BPN em vez de nacionalizar a SLN, talvez um dia possamos conhecer tudo o que nos bastidores levou a esta decisão, mas por agora é Sócrates que se arrisca a ver a direita ganhar, a mesma direita que defraudou o país com o BPN. Mas financiar uma descida brutal da TSU com os dinheiros da segurança social ou com um aumento do IVA sobre o cabaz de compras dos mais carenciados não será um erro, será um crime premeditado. Sócrates errou e foram os portugueses a pagar esse erro com impostos enquanto os senhores da SLN ficaram com o património e daqui a uns dias até poderão rir de Sócrates e dos portugueses. Mas financiar os lucros das grandes empresas com a desculpa de criar alguns empregos não será um erro, será uma manobra premeditada de enriquecimento dos que já são ricos à custa dos que ficaram mais pobres. Governar bem é na actual situação pensar acima de tudo nos mais carenciados e proteger a classe média, os problemas da economia não resultam da falta de ricos ,resulta sim do número crescente de pobres e da destruição da classe média.

Governar bem é pensar no país, tudo fazer para que exista um projecto que consiga unir os portugueses em torno de um projecto que os mobilizes, é fazer do programa do próximo governo um verdadeiro contrato social com todos os portugueses, um contrato capaz de conciliar as necessidades das empresas com a esperança dos mais pobres e da classe média que ainda resta. Governar bem é governar para o país e não para testar ideologias, o país não está em condições para servir de laboratório para a reencarnação de Milton Friedman, até porque em Portugal vive-se em democracia e não se conta com os algozes de Pinochet para implementar a receita de Chicago. Governar bem é ser capaz de garantir aos que fazem os sacrifícios de que serão ressarcidos do que perderam e não o que sucedeu ao longo dos últimos trinta anos em que todos os programas de austeridade levaram a que os ricos ficassem mais ricos e todos os outros ficassem mais pobres.

Sempre aqui defendem maiorias absolutas, sou mesmo partidário de um sistema maioritário ponde fim a um sistema utópico que tem conduzido ao empobrecimento do país. Mas governar com uma maioria absoluta obriga a que quem governa tenha a capacidade de governar para uma maioria mais vasta do que a maioria parlamentar de que dispõe. Isso não significa soçobrar aos interesses corporativos ou aceitar que sejam esses mesmos interesses a gerir uma boa parte do Estado, á margem da vontade dos portugueses

Neste último dia de campanha eleitoral confesso que tenho dúvidas, de que sinto receios, de que não tenho certezas. Não acredito nos programas eleitorais, a única garantia que tenho é o acordo com a troika mas qualquer governo pode e deve fazer muito mais do que transformar aquele programa em programa de governo, seria como se o departamento de contabilidade de uma empresa se substituísse a todos os outros e o contabilista passasse a substituir todos os outros administradores e directores da empresa. No programa da troika não se fala de questões fundamentais como o ambiente, a agricultura, a investigação científica, a qualificação de várias gerações que com ou sem habilitações académicas não tem qualificações profissionais, das universidade, da qualidade do ensino ou da taxa de natalidade e da protecção da infância. E há muito Portugal, há mesmo muito mais Portugal para além do défice público, da dívida soberana ou da competitividade das empresas mal geridas e que apostam na mão de obra intensiva pois foi o encerramento ou deslocalização dessas empresas que conduziu o desemprego aos actuais níveis.

E se alguém não tiver dúvida ainda que como eu tenham a certeza quanto ao partido onde vai votar que me digam, que me ajudem, a mim e a muitos portugueses, a termos certezas.

Mesmo que o próximo governo governe bem não á garantias de sucesso e a verdade é que são poucos os indicadores de que o próximo governo, seja ele qual for, será um bom governo. Nos últimos anos muitas manifestações usaram figurantes que diziam estarem arrependidos de ter votado num determinado partido, receio que daqui a dois anos em vez de figurantes sejam eleitores de verdade a fazê-lo. E quando isso suceder a democracia portuguesa terá fracassado e os portugueses terão de repensar seriamente o seu modelo constitucional,

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Preparando a estátua na Rua Augusta, Lisboa
Jumento do dia


A direita portuguesa

Um dia Mário Soares disse, repetindo uma frase célebre de Miterrand em relação à direita francesa, que a direita portuguesa era a mais estúpida da Europa e, pelo que se está a ver, desde então não melhorou muito, antes pelo contrário piorou. Alguns dos protagonistas são os mesmos e isto da inteligência não se pode comprar no mercado e os que têm vindo a suceder são piores dos que os anteriores. Balsemão era pior do que Sá Carneiro, Cavaco pior que Balsemão, Durão Barroso pior do que Cavaco, Santana Lopes pior do que Barroso, Ferreira Leite (surpreendentemente) pior que Santana e Passos Coelho muito pior do que Ferreira Leite.

Mas se não é novidade a pobreza intelectual da dinastia que tem vindo a liderar o PSD não é novidade, o que o é é que além de intelectualmente questionáveis também são idiotas. Dir-me-ão que ser menos dotado intelectualmente significa ser idiota, mas não é bem assim, conheço gente burra que não é idiota e gente que sendo burra não o é.
 
Uma direita que se gabava de já ter ganho as eleições e que a dois dias do termo da campanha eleitora inicia um verdadeiro combate de boxe é mesmo muito idiota, a pouco tempo do fim da campanha estala o verniz e demonstra que uma maioria de direita é tudo menos estável e confiável para os mercados.

 O céu é o limite

Será que Passos Coelho ainda vai ter tempo para chegar aos 60% nas sondagens? A ritmo que estas dizem que os portugueses mudam de opinião tudo é possível.

 Da crise do euro à crise dos pepinos
  
Ao contrário do que possa parecer não há grande diferença entre a crise do euro que Portugal foi vítima e a crise dos pepinos que está a pôr os alemães a correr de urgência para os WC, os ingredientes são mais ou menos o mesmo ou não fosse o mercado dos pepinos muito semelhante ao do euro.


Até em Portugal podemos encontrar grandes semelhanças de comportamento, quando Portugal foi alvo dos ataques no mercado Soares dos Santos, o híper-merceeiro dono do Pingo Doce, foi um dos primeiros a vir para a televisão defender que Portugal deveria pedir ajuda ao FMI ajudando a aumentar a desconfiança em relação ao país. Não foi o mesmo Pingo Doce que mal ocorreram problemas com o consumo de pepinos na Alemanha fez um comunicado assegurando que desde Abril que os seus super-mercados só vendiam pepino nacional? Que sorte, uma cadeia de super-mercados que habitualmente está inundado de frutas e hortícolas espanhóis logo teve a sorte de neste momento estar a vender pepinos nacionais!

Tal como os governantes alemães, mais preocupados com os interesses da banca alemã do que com a Europa, andaram meses a laçar a suspeição sobre os países periféricos para se assegurarem que a situação não se agravava e quando tal sucedeu tudo fizeram para que os países mais vulneráveis pedissem ajuda, desta vez também não hesitaram em destruir a agricultura espanhola para salvarem a honra dos seus controlos sanitários. Comportaram-se em relação aos pepinos, com a mesma arrogância com que se tinham comportado em relação ao euro, uma bactéria Escherichia coli de uma variante tão perigosa só poderia ter saído dos intestinos de um espanhol menos limpinho, nunca de um alemão, um desses alemães que aprenderam as mais elementares regras de higiene com o povos do sul.

Está a suceder com os pepinos o mesmo que já tinha sucedido com os euros, o egoísmo de uma Europa que no momento da defesa dos interesses nacionais esquece as responsabilidades colectivas exigidas por um mercado alargado, a total ausência de regulação e uma Comissão a assobiar para o ar enquanto o governo alemão salva os seus mercados à custa dos do sul e muito boa gente desses países do sul a fazer o jogo dos interesses alemães.
  
 A curiosidade matou o gato...


    
 

 A AMIZADE ALEMÃ É LIXO

«Do mercado de Klausenerplatz, em Berlim, foi publicada ontem uma foto das bancas de hortaliças com um grande cartaz à frente: "Aqui não se vendem produtos espanhóis!" Experimente um jornal da Andaluzia difundir um anúncio com a foto de automóveis alemães e a frase grosseira: "O carro que mata!"... No entanto, na última semana, os acidentes rodoviários em que participaram marcas alemãs em Espanha foram mais letais do que os ocasionados pelos pepinos espanhóis na Alemanha. Houve um choque de um Mercedes conduzido por um toureiro que matou outro condutor e de infectado pelo célebre Escherichia coli que toca castanholas ficou-se ontem a saber que, afinal, não há ninguém... Extraordinária arrogância a de políticos alemães que, perante um caso de saúde pública no seu país, convocaram uma conferência de imprensa para apontar como culpado outro país. Para, dias depois, confessarem que análises científicas descartam a sua acusação. Sublinhe-se a irresponsabilidade do alarme antes de terem as provas e da falta de solidariedade com um país mais do que amigo, com um país com o qual se está economicamente unido. Ou não é isso que Bruxelas une e organiza: Estugarda constrói automóveis e Múrcia produz pepinos? Pois apesar de os alemães terem ficado com a melhor parte do bolo, verifica-se que não se importam de afundar a produção do aliado. Esta semana, a águia alemã mais parecia o abutre de uma agência de rating.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
       

 Vai ser a agricultura portuguesa a pagar os pepinos
    
«O presidente da Confederação de Agricultores de Portugal (CAP) disse esta quinta-feira que o mercado português está "inundado" de legumes espanhóis, uma vez que estes últimos não conseguem escoar a produção para outros destinos devido ao pânico provocado pela bactéria E. Coli.» [DN]

Parecer:

Era de esperar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pela nomeação do próximo governo.»
  
 DIREITA DIVIDIDA AINDA ANTS DAS ELEIÇÕES

«Passos não gostou de ver Portas dizer que não sabe se integrará um Governo com o PSD ou se fará um acordo de incidência parlamentar.
  
Esta tarde, num almoço-convívio com apoiantes em Paços de Ferreira, o líder do PSD respondeu-lhe, sem nunca o mencionar, explorando as suas dúvidas para dramatizar o apelo à maioria absoluta: "Há já quem diga que nem sabe se vai para o Governo, que prefere ficar só a apoiar no Parlamento. Vale a pena correr este risco'". [DE]
 
Aproveitando as dúvidas manifestadas pelo líder do CDS, que, segundo as últimas sondagens, alcança, juntamente com o PSD, a maioria absoluta, Passos Coelho volta a pedir com veemência uma maioria clara, para que o próximo Governo seja "coeso" e não esteja, assim condicionado pelos democratas-cristãos.»

Parecer:

Estamos a assistir ao que vai suceder se a direita for chamada a formar governo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelo próximo domingo.»
  
 A vida luxuosa dos comissários europeus

«Enquanto exige aos países da zona euro mais austeridade para reduzir o défice, a Comissão Europeia (CE) não tem refreado os seus próprios gastos. De acordo com uma investigação jornalística, os comissários europeus gastaram cerca de oito milhões de euros em jactos privados, festas e férias luxuosas.» [Público]

Parecer:

A Comissãom Europeia parece estar acima de qualquer sacrifício ou medida de austeridade.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 A austeridade segundo Durão Barroso
  
«Commissioners travelled in limousines, stayed in five star hotels and splashed out on lavish gifts including Tiffany jewellery as their member states faced savage budget cuts and rising EU taxes.

An investigation by the Bureau of Investigative Journalism into spending by the EU executive has shown that more than €7.5m (£6.6m) was spent on private jet travel for commissioners between 2006 and 2010. It spent thousands hiring top orchestras to play at the exclusive parties, while guest speakers at its events were presented with expensive gifts including cufflinks, fountain pens and Tiffany jewellery.

Baroness Ashton, the British EU foreign minister, came under fire when it was reported that she had demanded her own private jet less than 100 days into her new role in March last year.

Tens of thousands more was spent accommodating commissioners at luxury five star resorts in exotic locations such as Papua New Guinea, Ghana and Vietnam, the spending figures show.

The Commission also ran up a bill of more than €300,000 (£263,511) for lavish cocktail parties, including an event in Amsterdam costing €75,000, which was described as “a night filled with wonder like no other”.



Conservative ministers and MEPs last night reacted furiously to the disclosures, days after the Commission demanded a budget increase of 4.9 per cent, which would cost Britons €3 billion a year in "stealth taxes".

David Lidington, the Europe Minister, said the figures proved the Commission must slash its own spending before its demands for a budget increase can be countenanced.

He said: “Taxpayers across Europe are facing tough decisions about their own housekeeping budgets and its time for the commission to look long and hard and its own spending priorities. Any evidence of extravagance and waste will damage the standing not only of the individual commissioners involved but also of the EU as a whole.

“What’s very clear is that the Commission can afford to make savings before it comes asking national governments for any extra money.”

Bill Cash, Chairman of the European Scrutiny Committee in the House of Commons, demanded that the EU’s financial watchdog open a formal investigation into the spending.

He said: “Frankly I’m disgusted. The Commission acts like a medieval monarchy and this is taxpayers’ money which is quite clearly being squandered on an outrageous scale.

“This requires formal investigation and as chairman of the European Scrutiny Committee I will be calling upon the Court of Auditors to produce an official report.”
 Figures obtained by the Bureau of Investigative Journalism and passed to The Daily Telegraph show that the Commission’s President, Jose Manuel Barroso, ran up a bill of €28,000 (£24,500) during a four-night stay at the New York Peninsula Hotel in September 2009.

Mr Barroso stayed at the five-star hotel, where suites cost €780 a night, with an entourage of eight assistants while attending the UN Climate Change Summit. The bill included the cost of hiring meeting rooms and equipment.

The hotel bill came to almost triple the limit of €275 per person per night for accommodation in New York set out in the Commission’s staff regulations.

When questioned over the bill, the Commission said that the overspend was considered reasonable due to inflated accommodation costs in New York during the UN General Assembly.

Commissioners and their families also holidayed at luxury resorts in Papua New Guinea and Ghana during 2009.
 
On one occasion, a delegation of 44 staff was flown to the five-star Palm Garden Resort in Vietnam for an event to “facilitate internal cooperation”.
 
On top of the £6.6m private jet bill, a further €118,000 was paid for limousines to chauffeur commissioners between official engagements.
 
Details of the extravagant spending is likely to spark public fury following the Commission’s proposals to levy more than £200 a year from the average British family in direct taxation from 2013.
 
Janusz Lewandowski, the European budget commissioner, made the demand for tax-raising powers on Tuesday.
 
Baroness Ashton infuriated British government ministers last month when she demanded an extra £23.5 million to run her diplomatic service, which would take her total budget to £427 million.
 
The EU foreign minister is the world’s highest paid female politician, earning £230,000 a year. Her demands for more cash were branded “ludicrous” by Mr Lidington last month.
 
A spokesman for Lady Ashton last night denied that she had requested her own private jet last year, but admitted that she is a frequent user of "air taxis" to destinations where commercial flights are not avaiable.
 
Martin Callanan, the leader of the Conservative group of MEPs, described the new spending revelations as “scandalous”.
 
"When the commission said it needs a five percent budget increase to 'pay its bills' we didn't think it meant private jets, Tiffany jewellery and cocktail parties,” he said.
 
“This is exactly the sort of outrageous spending that needs to be slashed."
 
Mats Persson, director of the Open Europe campaign group, said the latest disclosures about Commissioners’ spending would further sour the public mood towards the EU.
 
He said: “With the public mood in Europe turning increasingly hostile to the EU, the Commission would do itself a huge favour by putting an end to this kind of excessive spending. Revelations about EU waste have become almost routine, but that doesn’t make them anymore acceptable.”

The Commission said that the use of private jets, which it called “air taxis”, was only authorised under “exceptional circumstances” when commercial flights were not available.
 
A spokeswoman said that the bills for resorts in Papua New Guinea and Ghana were for training events attended by staff working in delegations in those countries.
  
She added: “The Amsterdam event featured renowned scientists, serious state of the art science activities and took place at the Dutch equivalent of the UK Science Museum as part of a Europe-wide initiative involving amongst others Oxford University and London's Natural History Museum. The Commission's finance for refreshments was not for cocktails but for coffee etc and amounted to less than 2 euro per participant.”» [The Telegraph]
    

   




quinta-feira, junho 02, 2011

Os prazos do acordo com a troika

Os prazos estabelecidos no acordo com a troika vão evidenciar mais algumas fragilidades dos nossos procedimentos eleitorais, mas também de uma Administração Pública que se tem vindo a degradar nos últimos vinte anos. A questão dos prazos eleitorais foi aflorado quando se desencadeou a actual crise política, com algumas personalidades a questionar o excessivo tempo que decorre entre a dissolução do parlamento e a entrada em funções do novo governo. Mas o problema não se fica por aqui.

Cada vez que se realizam eleições o Estado entra em hibernação durante meio ano e se essas eleições se realizarem no termo de uma legislatura ou na sequência de uma crise política prolongada como agora sucedeu, teremos de acrescentar mais alguns meses de inércia governamental e Estatal. Quando se avizinham eleições os gabinetes, os seus governantes, chefes de gabinete, adjuntos e assessores começam a arrumar as prateleiras e a tratar da sua vida, os governos quase deixam de governar e assiste-se a uma fuga colectiva, pois mesmo que o partido no poder ganhe as eleições é certo que haverão mudanças governamentais. O Estado fica paralisada, ninguém nos gabinetes atende os telefonemas, deixam de ser tomadas decisões.

Quando um governo cessa funções os corredores dos gabinetes governamentais assemelham-se às falsas povoações construídas por Hollywood para realizar filmes de western, ficam desérticos, durante alguns dias serão os contínuos a tomar conta do país. As prateleiras ficam vazias, os discos dos computadores são limpos, é como se não tivesse existido qualquer governo, tudo começa a ser feito do zero. Quando Cameron ganhou as eleições no Reino Unido falou-se da brincadeira de um governante que encontrou na secretária um bilhete deixado pelo seu antecessor dizendo-lhe que não havia um tostão. Por cá nem isso, nem um tostão nem o bilhete.

Dir-se-ia que isto não seria problema se os novos governantes tivessem alguma experiência e optassem por escolher funcionários altamente qualificados para chefes de gabinete, adjuntos e assessores. Mas não é isso que sucede, a regra é uma parte dos novos governantes ser inexperiente e uma boa parte do pessoal dos gabinetes é gaiatagem cujo grande mérito é terem sido colegas de curso ou terem andado a beber uns copos com os novos ministros e secretários de Estado.

Mesmo assim a situação poderia ser superada que os altos dirigentes da Administração Pública fosse gente competente e com sentido de Estado como sucede em muitos países da Europa, Veja-se o que sucede em países com crises políticas quase endémicas como a Bélgica ou a Itália, tudo funciona mesmo sem governo. Por cá isso é impossível, desde há uns anos que os altos dirigentes da Administração Pública são escolhidos por critérios de confiança pessoal dos governantes e os seus mandatos cessam sempre que muda um governo. Uma boa parte dos directores-gerais são recrutados entre os amigos dos governantes e sabem que quando muda o governo serão substituídos, isso leva a que meses antes das eleições entre em letargia e assim se mantenham até que sejam reconduzidos ou substituídos pelo próximo governo. Nem mesmo quando o partido no poder vence as eleições a estabilidade está garantida, a escolha por critérios de confiança política deu lugar à confiança pessoal e quando o ministro muda também mudam muitos directores-gerais. Isto resulta em dirigentes cada vez menos competentes ou mais incompetentes e sem sentido de Estado pois não respondem perante ninguém para além do amigo que os nomeou.

Em vinte anos a gestão do Estado degradou-se, os gabinetes são constituídos à base de miudagem cara e incompetente, os altos dirigentes do Estado são cada vez mais incompetentes e como a politização das escolhas chega quase ao contínuo. E quando um novo governo toma posse assistimos sempre ao mesmo ritual, ao saneamento das chefias, à reestruturação dos serviços públicos para que este saneamento colectivo possa ser levado até ao chefe de repartição, não são só os projectos dos anteriores governos que vão para o lixo, é quase tudo o que o se estava fazendo nas direcções-gerais. Tudo isto junto significa quase um ano de paralisação do Estado.

Desta vez o próximo governo estará confrontado com os prazos do acordo com a troika, veremos como compatibiliza a bandalhice colectiva a que temos assistido na Administração Pública com o rigor e a exigência desses prazos.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Campo Pequeno, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Ourique [A. Cabral]
   
Jumento do dia 


Sindicatos da TAP

Quando não são os pilotos é o pessoal de cabine, quando não é o pessoal de cabine é o da manutenção e quando que está tudo bem na TAP recomeça o ciclo de greves para que o governo vá buscar mais dinheiro dos contribuintes para assegurar ou melhorar o estatuto dos trabalhadores melhor remunerados do país.
  
O resultado é que já faltou mais para que só os loucos se arrisquem a agendar viagens contando com os serviços da TAP e nas linhas onde esta tem o monopólio ainda veremos o regresso dos transatlânticos. A TAP deixou de ser confiável, todos sabem que nos momentos mais críticos, como as férias, a Páscoa ou o Natal, os sindicatos fazem chantagem sobre o país.
 
É tempo de privatizar a TAP e todas as empresas públicas onde os sindicatos fazem chantagem sobre o país com o recurso a greves que poucos entendem.
  
«A TAP reagiu com "estupefacção" face à decisão do sindicato dos tripulantes de cabine avançar com 10 dias de greve, em Junho e Julho, para contestar a decisão da companhia aérea de reduzir um tripulante nos seus voos.» [JN]

 Ontem foi o Dia Mundial da Criança 

Apesar de os temas relacionados com a criança terem sido recorrentes no debate político nos últimos anos, desde Cavaco que de vez em quando suscitou o problema da baixa taxa de natalidade à oposição que de vez em quando verteu lágrimas de crocodilo por causa das medidas de austeridade, foram muitos os que usaram o tema para ganhar protagonismo político.
 
Estando em campanha eleitoral seria lógico que o Dia Mundial da Criança fosse de alguma forma abordado, o BE e o PCP poderiam ter criticado os cortes no abono de família, o PS poderia ter chamado a atenção para o facto de o seu governo ter sido o que mais investiu no futuro das crianças e o PSD poderia ter aproveitado a deixa de Cavaco Silva e ter falado de como se compatibilizam expectativas positivas que levem os portugueses a não recear ter filhos com um programa de austeridade ainda mais radical do que o imposto pela troika, até porque Passos Coelho errou ao falar do aborto.
  
Mas não, as crianças não votam e o tema foi ignorado na campanha eleitoral.

Trombas de água na Austrália


 O que a direita pensa de mais de um terço dos portugueses
  
«Votar PS seria portanto uma imbecilidade obscena e funesta do eleitorado.»
Vasco Graça Moura no DN.
   

 Pinto da Costa e namorada recebidos pelo papa

«De acordo com o "Jornal de Notícias", Pinto da Costa e a namorada estarão hoje na audiência geral semanal com o Papa. O casal está de férias em Roma, Itália, e tem visitado vários locais históricos da cidade romana. Pinto da Costa já tinha visitado o Papa em Abril de 2003, no dia em que comemorou 21 anos à frente do FC Porto.» [DN]

Parecer:

Estou a imaginar o papa a perguntar a Pinto da Costa se não quer aproveitar para dar a primeira comunhão à neta.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»

 Relvas diz que Passos será melhor primeiro-ministro do que candidato

«Miguel Relvas é número dois do PSD e um dos mais antigos promotores da candidatura de Pedro Passos Coelho a primeiro-ministro. Assume que durante a campanha nem tudo tem corrido bem, mas "Passos Coelho será sempre melhor primeiro-ministro do que é candidato" e garante que "a maioria absoluta está ao alcance o PSD".» [DN]

Parecer:

Desta vez tem razão, qualquer um seria melhor primeiro-ministro do que Passos foi candidato.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.