sábado, junho 11, 2011

Cura ou desinfecção?

Parece que Cavaco Silva desistiu de ajudar os portugueses com os seus vastos conhecimentos de economia e optou pelas suas aptidões para a medicina e decidiu dizer que espera que os portugueses queira ser curados. Como Cavaco Silva nada percebe de medicina receio que tudo se encaminhe para que o país vá ao endireita, já endireitou com as eleições onde a direita ganhou, agora vai endireitar a RTP e outras empresas públicas, depois vão endireitar os subsídios com recurso aos cartões da Edenred, enfim, mesmo com bancarrota há por aí muita maneira de endireitar as contas de gente como Belmiro de Azevedo, os da Cofina, Pinto Balsemão ou os da Ongoing.

Mas já que Cavaco recorreu a uma metáfora para sugerir aos portugueses que aceitem a vacina sem berrarem com a falta de jeito do enfermeiro que elegeram, fiquemos nesta abordagem metafórica para nos questionar-mos sobre a causa da doença, até porque se corre o risco de o país morrer mais por causa da cura do que da doença. Até porque se Cavaco escreveu um artigo algures há sete anos, onde alertou tanto para a crise como deu todos os dados relativos aos seus negócios familiares na página presidencial, não me recordo de nos últimos anos ele ter sugerido que o país metesse baixa médica.

Tenho muitas dúvidas sobre os dotes clínicos do Presidente da República e receio que o seu diagnóstico seja errado, basta olhar para o que se passa na Alemanha para se perceber aos erros que pode levar uma caganeira colectiva. Por causa da falta de higiene numa quinta biológica alemã quem pagou foram os pepinos espanhóis. Parece-me que a doença de que o país sofre tem mais semelhança com a diarreia provocada pelo E. Coli do que com um quadro clínico que aconselhe ao recurso a um endireita.

Permita-me Senhor Presidente discordar do seu diagnóstico clínico, o problema do país não está na doença mas sim na causa da doença, o problema não é a diarreia mas esta variante lusa do E. Coli que além de diarreia provoca hemorragia de recursos, permita-me Senhor Presidente que lhe diga que mais do que de antibióticos e de dietas rigorosas esta doença elimina-se desinfectando o país.

Permita-me discordar da cura que sugere Senhor Presidente, mas o que os portugueses precisam não é de se curarem, é de desinfectarem o país livrando-o da causa da moléstia que nos tem destruído ao longo de muitos anos.

É de desinfectarem a classe política de oportunistas que constroem bancos para burlarem o país, enriquecerem os amigos e desaparecerem quando os contribuintes são chamados a salvarem o sistema financeiro.

É de desinfectarem a economia de empresários oportunistas que enriquecem à custa de golpes e privatizações e na hora de pagarem impostos inventam a engenharia financeira, recorrem às off shores, promovem a corrupção e, por fim, instalam holdings na Holanda para serem os holandeses a receberem os nossos impostos em saldo.

É de desinfectarem as instituições nacionais de corruptos que as desvirtuam e dedicam os recursos do Estado a destruir o país e a democracia.

É de desinfectarem a classe política dos que num dia são de esquerda e no outro são de direita, dos que vendem a uns o elevado estatuto que conseguiram à custa dos outros, dos que num dia propõem governos de unidade e no outro exigem julgamentos sumários da oposição.

É de desinfectarem este país de gente que o servem em vez de os servirem, de políticos de baixa estatura intelectual e sem princípios éticos, de jornalistas que desconhecem o seu código deontológico, de empresários que enriquecem no mercado nacional mas não são competitivos no estrangeiro, o que este país precisa é de uma profunda imensidão de proxenetas de esquerda, do centro ou de direita.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Alfama, Lisboa
  
Jumento do dia


Cavaco Silva

É bom ouvir um Presidente da República dizer que "é imperativo promover o mundo rural"", fica bem a qualquer um num país onde o ruralismo tem um grande peso. O problema é quando quem o diz é Cavaco Silva, e é um problema porque Cavaco Silva foi primeiro-ministro nos anos mais importantes para a agricultura, governou durante todo o período de transição. E o que fez Cavaco Silva? Conto dois episódios.
 
Quando se deu a crise das vacas loucas participei na primeira reunião entre os diversos organismos envolvidos no sector para ser adoptadas medidas para combater a situação. O representante do então INGA que conduziu a reunião foi claro ao dizer que as medidas impunham-se apenas prara tranquilizar a sociedade, foi um faz de conta com as consequências que depois vimos.´
 
Durante o período de transição a agricultura portuguesa contava com dois mecanismos que a protegia da concorrência dos produtos europeu, os Montantes Compensatórios de Adesão, direitos aduaneiros aplicados à importação de produtos comunitários, e o Mecanismo Complementar das Trocas, um sistema de contingentamento das importações vindas da CEE assente na emissão de certificados de importação. A determinada altura a inflação subiu e participei numa reunião de secretários de Estado em substituição de um deles, objectivo da reunião: acabar com os mecanismos de protecção para que os preços baixassem em consequência da importação de produtos comunitários mais baratos. Consequência: destruição das empresas agrícolas nacionais.
 
Lembro-me ainda de ter ouvido o então ministro Falção e Cunha, já falecido, numa sessão do PSD onde participei a convite de um amigo. O então ministro do Trabalho gabava-se da brutal redução da população agrícola como indicador de sucesso da transição do sector, sem que, todavia, tivesse explicado o que estava a fazer tanta gente que tinha deixado o mundo rural. Agora Cavaco está preocupado com o despovoamento do mundo rural?

Quem governou assim, quem teve um ministro da Agricultura que privilegiou os produtores de cereais em detrimento da pecuária e dos lácteos, quem usou a concorrência dos produtos agrícolas europeus pra combater a inflação não tem agora o direito de se manifestar preocupado com o mundo rural.
 
«O Presidente da República afirmou esta sexta-feira, no âmbito do Dia de Portugal, ter escolhido Castelo Branco para as comemorações do 10 de Junho para colocar o interior do país para a discussão da agenda nacional, alertando para as desigualdades do país e para o despovoamento.» [CM]

 Apurem-se as responsabilidades

António Barreto decidiu dar voz aos que defendem o apuramento das responsabilidades da crise financeira, estou de acordo desde que seja feito por personalidades estrangeiras que não se esqueçam do impacto da vigarice do BPN, da titularização da dívida fiscal, da compra dos submarinos e do papel da oposição ao longo dos últimos anos, designadamente as suas exigências de mais investimento e apoios sociais.
 
O que o novo ideólogo da direita conservadora prefende é criar um efeito Casa Pia para que os portugueses fiquem distraídos enquanto o sector público é vendido a pataco.

 Há momentos em que a política me enoja

São momentos como este.
 
 Cavaco condecorou Manuela Ferreira Leite 

 
Vejo Cavaco a condecorar Manuela Ferreira Leite e imagino os dois na casinha da Quinta da Coelha à volta do almoço com o anfitrião a perguntar à mais incompetente dos seus ministros: "queres mais um carapau alimado ó Manela? Ai não queres, então tomá lá esta condecoração!".
  
E já que estamos com as mãos na massa aqui fica um filme dedicado a António Barreto o conhecido intelectual que era de esquerda e agora é´empregado do hiper-merceeiro:
 
     

 Grande lata!

«O Duque de Bragança, D. Duarte Pio, sugeriu hoje que se deixem de comemorar os feriados do 25 de Abril, 5 de Outubro e 1 de Dezembro, para aglutinar as respectivas celebrações no 10 de Junho, dia de Portugal e de Camões.» [CM]

Parecer:

Às vezes este senhor tem a sua piada.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se que o dia de nascimento de sua alteza real passe a ser feriado nacional.»
  
 E. Coli tem origem na agricultura biológica

«"São os rebentos vegetais" que estão em causa, declarou Reinhard Burger, director do Instituto Robert Koch (RKI), numa conferência de imprensa em Berlim dos três institutos federais sanitários envolvidos no dossier.
 
Segundo as análises, "as pessoas que comeram os rebentos em causa têm nove vezes mais possibilidades de ter diarreias com sangue e outros sinais da infecção pela bactéria E.coli do que os que não os comeram".
 
Foram feitas "múltiplas" análises, nos campos e produtos de uma exploração agrícola biológica do norte da Alemanha, Gärtnerhof à Bienenbüttel, suspeita há vários dias, que, segundo os responsáveis das autoridades sanitárias, lhes permitiu identificar a origem da contaminação.» [DN]

Parecer:

Seria interessante saber com que água regram os vegetais.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»
  
 Parlamento alemão já aprova reestruturação da dívida grega

«O parlamento alemão (Bundestag) aprovou hoje por maioria uma moção a favor de um apoio financeiro suplementar à Grécia, na condição de os credores privados participarem na reestruturação da dívida grega, e de a respectiva maturidade ser prolongada.» [DN]

Parecer:

Não seria melhor abordar o problema à escala europeia?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»
  
 Nobre empata coligação

«Com a negociação a correr "muito bem", na expressão de vários envolvidos no processo, parece subsistir apenas um problema no caminho: Fernando Nobre. Nas conversas dos líderes, Portas terá já avisado Passos de que o nome do presidente da AMI não agrada aos centristas.
 
Na quarta-feira surgiu um novo sinal público disso mesmo: Ribeiro e Castro, eleito de novo deputado pelo CDS, disse na RTPN que devia haver uma "candidatura comum" e sugeriu outro nome, o de Mota Amaral. E quanto a Nobre deixou o aviso: "Terá enorme dificuldade em ser eleito."» [DN]

Parecer:

Pobre Nobre.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Nobre que regresse à ONG familiar onde se poderá entreter a comprar selos de colecção.»
  
 O "Passos Effect" não se sente nos mercados
 
«A probabilidade de incumprimento das dívidas soberanas de Portugal, Grécia e Irlanda continua a aumentar.

Os investidores na dívida destes países temem que nenhum consenso seja obtido na próxima reunião do Ecofin dia 20 de junho e na cimeira da União Europeia nos dias 23 e 24, e que a questão da resolução da crise grega se arraste com um cenário de default cada vez mais provável no horizonte. Um fracasso do plano de resgate de Atenas pela troika que, na ideia dos investidores, poderá ser o percursor de uma vaga em cadeia nos outros países já "intervencionados" pela UE/BCE/FMI.
 
Entretanto, a Moody's colocou ontem 7 bancos portugueses em lista de espera para uma possível revisão em baixa da notação e foi feito um pedido de informação a um Credit Derivatives Determinations Committee da ISDA (International Swaps and Derivatives Association) sobre se o Allied Irish Banks entrou em situação de "evento de crédito". » [Expresso]

Parecer:

Temos que mandar o Relvas fazer o seu sorriso para a porta dos mercados.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão ao primeiro-ministro quase indigitado.»
  

   




sexta-feira, junho 10, 2011

O saque

Mandaria a inteligência que aguardassem em silêncio pelas decisões do futuro primeiro-ministro e pela aprovação do seu programa de governo, que esperassem discretamente pelas decisões governamentais e que evitassem a exposição pública de forma a não criar constrangimentos desagradáveis a Pedro Passos Coelho. Mas a fome é muita e a concorrência é forte, e como dizem que o país está na bancarrota o melhor é “sacar” enquanto é tempo.

Ainda Passos Coelho anda a tentar evitar que Portas mande muito dos seus homens de confiança para a fila do centro de emprego e as manifestações de gulodice são muitas e ninguém esconde que estamos perante uma corrida ao saque do que resta de um Estado que Passos Coelho prometeu reduzir ao essencial. Os que se desdobraram em apoios ao PSD comportam-se como as hordas de mercenários dos exércitos da Idade Média, vencido o cerco impacientam-se para que sejam autorizados a saquear e destruir a cidade durante três dias.

O presidente da Edenred, uma empresa que vende cartões de serviços e que tem contado com a colaboração de Diogo Leite Campos estava tão impaciente que nem esperou que Cavaco indigitasse Passos Coelho, nem parece estar interessado em saber quem vão ser os ministros, arrogante como todos os franceses apressou-se a vir a Portugal e a Lusa foi logo ao seu encontro para o ouvir falar da proposta do professor de direito de converter os subsídios em cartões de débito. Diz o senhor que ganha o país porque cria emprego, ganham os pobres porque aprendem a gastar o dinheiro, só não disse quanto ganhava a Edenred com a conversão dos imensos subsídios estatais (desde os transportes escolares ao rendimento mínimo) em cartões da sua empresa e quanto ganhará Diogo Leite Campos.

Na comunicação a excitação é mais que muita, está em causa a possibilidade de comprar o património da RTP a preço de saldo e de partilhar a sua quota publicitária. Mas o negócio ainda pode render muito mais e José Eduardo Moniz já se lembrou de uma solução para que o saque seja completo, o serviço público até pode ser assegurado por uma empresa privada, brilhante uns ficam com o património e com os canais, outros ficam com a quota de mercado publicitário e a Ongoing sugere ficar com o dinheiro dos contribuintes por conta do serviço público, melhor é impossível.

Compreende-se a imaginação criativa de José Alberto Moniz, Pinto Balsemão tem a sua parte do saque garantida pela sua condição de militante nº 1 reforçada pelo apoio activo a Passos Coelho na campanha eleitoral, o grupo Cofina colocou os seus órgãos de comunicação social ao serviço do PSD, da família Moniz todos conhecemos o papel desempenhado no desgaste da imagem de Sócrates e não é por acaso que tenha emergido na RTP durante a noite eleitoral E no mesmo dia em que Moniz se manifestava os jornalistas que aguardavam na São Caetano à Lapa por notícias deram de caras com o dono do grupo Cofina a sair de braço dado com Miguel Relas.

Bem, talvez eu esteja a ser desconfiado em demasia e toda esta gente está mesmo empenhada em ajudar Passos Coelho a salvar o país da bancarrota, num gesto inédito de generosidade os nossos capitalistas do oportunismo queem redimir-se dos lucros abusivos obtidos no passado e estão a colocar o seu dinheiro à disposição do futuro governo e em troca aceitam o elefante branco da RTP e ajudam os pobres a terem conseguirem mais com o mesmo dinheiro.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Rio Guadiana, Castro Marim
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Almeida [A. Cabral]
     
Jumento do dia


Manuel Maria Carrilho

Era de esperar, Manuel Maria Carrilho festeja a derrota de Sócrates e recorre para isso à piada da direita, goza como o teleponto como se ler um papel torna os discursos mais transparentes e sentidos. Manuel Maria Carrilho não percebe que Sócrates pode voltar quando quiser e ele só ressuscitará para a política se a direita lhe der a mão.

«Pela primeira vez em Portugal, um primeiro-ministro eleito perdeu umas eleições legislativas. E isso aconteceu com o pior resultado que o PS teve nos últimos vinte anos. Sócrates despediu-se depressa, tinha preparado no teleponto um longo discurso em que, mais uma vez, procurou negar a verdade e fugir às evidências - sobretudo a de que deixa um país encurralado e à beira da ruína e um PS embalsamado e com os seus valores patrimoniais fundamentais muito abalados.
  
O que o discurso revelou - apesar do que dizia o teleponto - foi, por um lado, um Sócrates aterrorizado com o juízo da história e com o lugar que ela certamente lhe reserva, associado à bancarrota de 2011. E, por outro lado, a obsessão em condicionar o natural debate interno sobre as lições que há que tirar deste desaire, que se traduziu na perda, em seis anos, de um milhão de votos.» [DN]

  "La Cumparsita", sugestão para os negociadores do PSD-CDS


Parece que é com Portas que Passos Coelho vai conseguir acertar o passo. E se não se entender com "La Cumparsita" aqui fica uma sugestão talvez mais apropriada:
 

 Para quem estiver interessado

 
Aceitam-se inscrições na São Caetano à Lapa ou no Largo do Caldas.

 Comendas presidenciais

Quem for do PSD e ainda não recebeu uma condecoração no dia 10 de Junho que meta o braço no ar!
     
 

 Pobre Portugal

«Já aqui escrevi o que penso de António José Seguro. Nunca conheci político mais nulo, mais desinteressante, mais inculto.
 
Os seus discursos dão sono, os seus escritos são um chorrilho de má literatura e insignificância. Não se consegue passar da terceira linha. Ideias, nenhuma. Haverá muitos outros assim mas não ao nível de candidatos a chefe de partido.
 
Seguro é um produto em tudo semelhante a Passos Coelho. Ambos subiram pela escada das juventudes partidárias, nunca fizeram nada de relevante na vida, não têm profissão nem talento particular mas, de algum modo obscuro, lá conseguiram chegar ao topo das respetivas máquinas partidárias. Não lhes invejo a sorte de tanta reunião enfadonha e refeição intragável que tiveram de engolir.
 
Sucede que PS e PSD quando perdem eleições entram num tremendo rodopio de disparate. Os dirigentes passam da cumplicidade à confrontação. Os militantes, desorientados, agarram-se às piores escolhas e mais estapafúrdias decisões. Na confusão tende a prevalecer quem domina o "aparelho". Essa coisa que existe nestes partidos, ninguém sabe realmente o que é ou representa, e se assemelha a uma doença contagiosa. Má.
 
Isto deve-se precisamente porque se estes partidos têm certamente aparelhos não têm pensamento. Não se estuda, não se discute, não se prepara o futuro seriamente. PS e PSD são sempre levados na onda da conjuntura. Não existe por estas bandas, de facto, um pensar estratégico a médio e longo prazo. Isso fica sempre para depois, normalmente para o dia de são nunca à tarde.
 
É assim que o PS se prepara para fazer a primeira asneira após a derrota eleitoral. Até conseguir regressar ao poder, sabe-se lá quando, irá fazer muitas outras. De imediato, a escolha de Seguro, para além da sensaboria, significa a rendição total do PS ao governo de direita. Não por acaso é ele também o candidato preferido por essa mesma direita vitoriosa e pelos principais meios de comunicação. Que o levam literalmente ao colo desde há anos. O que o próprio manifestamente aprecia e que confunde com efetivo apoio popular.
 
Mas também o que pode este partido fazer depois da hecatombe? Ao ter negociado e assinado o acordo com a chamada troika o PS vai ter de aprovar no parlamento todas as medidas escritas no papel e outras que delas derivam. Seguro, que é bom a andar para cima e para baixo em elevadores, irá protestar, simular indignações, mas no momento certo dará ordens à turba passiva de deputados para aprovar tudo. O PS vai passar um mau bocado.
 
Tudo isto é contudo assaz desinteressante. Nos próximos anos a política portuguesa será medíocre e previsível. Teremos as trapalhadas habituais de qualquer governo em cujos corredores circule Paulo Portas e a sua mente viperina. Teremos as intrigas palacianas, o reanimar do saco de gatos que o PSD é em qualquer circunstância. Teremos as manifestações, as greves, as cargas policiais, os casos e os negócios obscuros, a ocupação do aparelho de estado pela esfomeada horda laranja, as decisões ruinosas para o país e, pelo meio, em nome do aleatório e da tentativa e erro, alguma coisa bem feita e acertada. Teremos também os discursos tão agressivos quanto inconsequentes de Louçã, esse exímio sempre em pé, e as tiradas patéticas de Jerónimo que, de tanto querer defender os trabalhadores e os seus amanhãs que cantam, cada vez vai dando mais força à direita.
 
Daqui a um ano Portugal estará como a Grécia de hoje, pois o processo é em tudo semelhante. Só mudou a cor do poder.
 
Nada de surpreendente portanto para quem já viveu alguma coisa. É nesta perspetiva que tinha pensado escrever hoje sobre a bactéria E.coli. Afinal uma bactéria é um ser bem mais interessante do que Seguro. E não deixo de constantemente me autocriticar por esta evidente dificuldade em escapar a uma conjuntura tão irrelevante. Há tanta coisa a fazer e a pensar. Tanta coisa a inventar e imaginar. Mas, mais uma vez, aqui estamos todos metidos nesta jangada de pedra em deriva, lenta mas imparável, para o reino da vulgaridade. Pobre Portugal.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Leonel Moura.
        

 MAIS UM MINISTRO PARA PORTAS
  
«Nem o conteúdo programático nem a orgânica do Governo, com a fusão de alguns ministérios, serão obstáculo a um acordo entre o PSD e o CDS. O único ponto que deverá ficar à margem do clima de entendimento perfeito entre Passos Coelho e Paulo Portas é mesmo... a eleição de Fernando Nobre para a presidência da Assembleia da República.
 
Passos Coelho ainda não conversou com Nobre depois das eleições. Mas o compromisso assumido com o presidente da AMI quando o líder social-democrata o convidou para encabeçar a lista do PSD por Lisboa e ser candidato à presidência do Parlamento mantém-se.
 
E Passos Coelho vai tentar negociar com Paulo Portas, à margem das das conversações sobre o Governo de coligação, o apoio dos deputados do CDS por forma a tentar assegurar a eleição de Nobre. Recorde-se que ainda antes de ter convidado o presidente da AMI, Passos Coelho falou com Portas e tentou obter o apoio do CDS mas o líder centrista não se quis comprometer antes das eleições. Mas a verdade é que a eleição de Nobre poderá encontrar obstáculos não só no CDS mas inclusivamente na bancada do próprio PSD.» [Sol]

Parecer:

Pobre parlamento, vai ter um presidente que sempre desprezou a classe política que o frequenta.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Cavaco insiste na perseguição judicial ao director da Sábado
 
«O procurador-geral da República perguntou a Cavaco Silva se o Presidente da República queria avançar com o processo, aberto recentemente por Pinto Monteiro, contra o diretor da revista "Sábado", Miguel Pinheiro. A resposta de Cavaco Silva foi sim, escreve hoje o "Sol".
 
Em causa está o alegado crime de ofensa à honra do Presidente da República, numa afirmação sobre o discurso da vitória de Cavaco Silva, na coluna 'Sobe e Desce' da "Sábado".
 
"Tal como Fátima Felgueiras e Isaltino Morais, Cavaco Silva acha que uma vitória eleitoral elimina todas as dúvidas sobre negócios que surgem nas campanhas", escreveu Miguel Pinheiro na edição da revista de 27 de janeiro.» [Expresso]

Parecer:

Parece que não era só Sócrates a processar jornais, mas com uma diferença, Cavaco tem um artigo do Código Penal que o protege, Só que o director da Sábado é bem capaz de ganhar o processo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Menos uns quantos lugares para boys

«"A mim não me chocaria nada que houvesse uma primeira revisão constitucional já, só para isso. Porque seria altamente simbólico. Demonstrava a vontade de mudança deste novo ciclo político", afirmou Pedro Santana Lopes, em declarações à Agência Lusa.
 
O ex-líder social-democrata sustentou que "seria degradante um primeiro-ministro da nova geração de políticos nomear novos governadores civis que não têm praticamente nada para fazer a não ser participar em cerimónias oficiais, despachar papéis".» [DN]

Parecer:

Isto está a ficar difícil para o pessoal do PSD, vai ter que ceder uma boa parte dos lugares ao CDS e agora vem Santana Lopes defender a extinção dos governadores civis.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  
 Notícia cirúrgica

«Suíça, Inglaterra e Alemanha. São estes os três destinos de novas cartas rogatórias que o Ministério Público vai enviar para apurar se houve corrupção na compra de dois submarinos para a Marinha.
 
Para as autoridades helvéticas segue o pedido mais sensível: identificar os verdadeiros titulares de uma série de contas alfanuméricas (isto é, apenas compostas por letras e números) já identificadas pelas investigação e que terão sido utilizadas para esconder alegadas luvas.» [DN]

Parecer:

Seria interessante perceber porque razão esta notícia só saiu agora. Será para dar força a Passos Coelho nas negociações com Portas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se este jornalismo guerrilheiro.»
  
 Começou o saque

«Para o actual vice-presidente da Ongoing Media, que falou ao Diário Económico à margem da apresentação do UMan, o primeiro ‘reality show' interactivo, em Portugal, que arranca em Setembro, "o serviço público não tem de ser, necessariamente, garantido por uma empresa pública".» [DE]

Parecer:

Será que o que resta do país dará para tanto guloso?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Moniz se por acaso está a pensar na Ongoing.»
  
 Cavaco pergunta aos portugueses se querem ser curados
 
«O Presidente da República disse hoje esperar que os portugueses queiram ser "curados" e que sejam capazes de responder aos desafios que foram colocados pela comunidade internacional, sublinhando que acredita que o país vai "vencer".
 
Interrogado sobre o que quis dizer com a expressão "não há cura para aquele que quer ser curado" que proferiu esta manhã no discurso que fez na sessão solene na Câmara Municipal de Castelo Branco, Cavaco Silva recordou tratar-se de uma frase de um médico célebre do século XVI, João Rodrigues de Castelo Branco, o Amato Lusitano.
 
"Eu espero que nós queiramos ser curados e que sejamos capazes de responder aos desafios que temos à nossa frente", sublinhou o chefe de Estado, que falava aos jornalistas à entrada para um almoço no Conservatório Regional de Castelo Branco, inserido no programa de comemorações do 10 de Junho.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

E, já agora, desinfectados.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se a linguagem.»
  
 Estamos tramados, até as beldroegas vão ser artigo de luxo
 
«As beldroegas são uma planta infestante, desprezada por muitos, mas que é também saborosa, saudável e que nada custa. Encontrada com facilidade em quintais e campos de cultivo, de Norte a Sul, a beldroega dá passos rumo à "alta cozinha" por iniciativa da Escola Superior Agrária de Coimbra. » [Jornal de Notícias]

Parecer:

Aos poucos os restaurantes de luxo vão-se apropriando da comida dos pobres.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Começaram os processos

«O líder do CDS-PP, Paulo Portas, pediu ao advogado António Garcia Pereira para avaliar as declarações da socialista Ana Gomes e só depois decidirá se vai agir judicialmente contra a eurodeputada.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Sócrates foi muito atacado nos jornais porque processava quem o ofendia ou mentia a seu respeito, esperamos que o critério dos jornalistas se mantenha. Mas não deixa de ser divertido ver o líder do partido à direita consultar o líder do partido do proletariado, é a política à portuguesa, um dia destes o Francisco Louçã ainda vai fazer um piquenique com os cabeças rapadas.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Procurem-se críticas a Portas nos jornais que criticavam Sócrates.»
  
 Já se sente o "Axe Effect" de Passos Coelho

«Moody's colocou sob vigilância negativa o rating de sete bancos nacionais: Caixa Geral de Depósitos, BCP, BES, Santander Totta, BPI, Montepio Geral e Banif .» [Agência Financeira]

Parecer:

A culpa é o Sócrates!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao senhor Palma se isto é motivo para levar Sócrates para o banco dos réus.»
  
 O que foi o presidente da Cofina fazer à sede do PSD?

«A tarde até parecia calma na sede nacional do PSD. Eis que à porta, Miguel Relvas, secretário-geral do partido, despede-se de Paulo Fernandes, presidente da Cofina, grupo que detém o «Correio da Manhã».» [Portugal Diário]

Parecer:

Uma pergunta interessante.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Relvas se já está a negociar a RTP.»
  

 Vocano erupts in Chile [Boston.com]