sábado, agosto 13, 2011

A Gasparoika

A Caipirinha deu lugar à Caipiroska e parece que a troika foi substituída pela concorrência da Gasparoika, a versão mais robusta da troika. Aquando da negociação do acordo com a troika ainda se ouviu falar de divergências entre a EU e o FMI com esta organização a cobrar juros mais baixos e a manifestar maiores preocupações com o crescimento. Depois apareceu Passos Coelho a dizer que era mais troikista do que a troika e apareceu o Gaspar a manifestar-se como um defensor incondicional de uma política económica dura. Na sua imagem de “cão abandonado” o ministro introduziu o termo robusto e desde então os adjectivos da sua política económica são do tipo brutal e colossal.

O ministro já deixou de falar em crescimento económico e muito menos da qualidade desse crescimento ou do tipo de emprego que gera, isso pouco lhe importa, Vítor Gaspar é um daqueles economistas que desprezam os indicadores sociais, são indiferentes à miséria que resulta das suas políticas. A sua abordagem da política económica nada tem de novo e não é a primeira que vez que a receita foi aplicada.

A lógica da sua política é simples, se as contas públicas estão desequilibradas e as empresas sentem dificuldades de competitividade promove-se a transferência de riqueza da classe média e dos pobres directamente para os mais ricos ou indirectamente através do Estado. A forma mais prática de o fazer é aplicando impostos brutais e para calar os mais pobres promove-se a institucionalização da caridade A própria coligação reflecte esta estratégia, o PSD responsabiliza-se por ajudar os ricos enquanto aos ministros do CDS coube a distribuição da caridade.

Muito antes de qualquer desempegado encontrar emprego já empresas como os bancos, a EDP, a SONAE, o Pingo Doce, a GALP ou a PT reforçaram os seus capitais ou distribuíram milhões em dividendos graças à redução da TSU, da redução dos salários ou dos negócios com um Estado generoso para os mais abonados. E quando o emprego surgir, se isso vier a acontecer, os aumentos dos lucros foram brutais enquanto o emprego criado paga salários inferiores aos alguma vez praticados em Portugal.

O que o Vítor Gaspar está a fazer é a colocar uma banda gástrica fiscal aos que trabalham para se assegurar que a riqueza fui para os que se investem. Quando a sua política terminar, porque aumenta o empego de trabalhadores não qualificados ou porque desencadeou uma grave revolta social, as estatísticas evidenciarão um desequilíbrio bem maior do que o actual na distribuição do rendimento. Em vez de resolver os problemas da economia criando mais riqueza a sua estratégia passa pela criação de mais miséria.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Castro Marim
Jumento do dia


Alberto João Jardim, um profissional das artes circenses

Os circos costumam aproveitar o Verão para fazerem um tostão com os seus palhaços e animais selvagens. Infelizmente a insularidade  não favorece a deslocação de grandes circos para a ilha tropical do homem a quem alguém já apelidou de Idi Amin Dada, mas isso não é problema, com o Alberto João os madeirenses têm os seus momentos ora de ferocidade, ora de gargalhada.
«"Não é novidade. O Governo Regional informara já a população de que, para defender o povo madeirense, a alternativa às medidas financeiras político-partidárias do anterior Governo socialista que visavam parar a vida do arquipélago, foi a de não se render, resistir, mesmo à custa do aumento da dívida pública", disse Jardim.» [CM]

 Adepto do 'River Plate'


 Mentira n.º 12

  
O país deitou-se sobressaltado, finalmente vinham os cortes da despesa para corrigir o desvio colossal mais as nomeações para a CGD, a Santa Casa e para o jovem mototista de Karting do secretário de Estado da Cultura, o ministro anunciou uma conferência de imprensa sem perguntas logo para as nove da manhã, o conselho de ministros tinha durado dez horas, tudo fazia crer que era agora que o Gaspar aplicava ao Estado o famoso adelgaçante tantas vezes prometido por um Passos Coelho que assegurava que não aumentaria impostos.

Os jornais falaram em cortes brutais na despesa, o governo não desmentiu e confesso que acordei a meio da noite não fosse o ministro cortar-me um dos poucos órgãos cujo funcionamento ainda não implica despesa nem pagamento de impostos. Enganei-me, era uma mentira, mais uma, em vez de cortes na despesa veio mais um aumento de impostos, desta vez sob a forma de antecipação.

O argumento é o do famoso desvio colossal que ninguém especificou até ao momento, só que para esse desvio colossal já pagámos um IRS extraordinários. Digamos que é uma mentira dupla, mas como queremos ser simpáticos contamos apenas como uma, não vá o Gasparoika lembrar-se de aplicar a taxa máxima de IVA isentando os pobres, designadamente, os pobres de espírito que no passado recente mentiram compulsivamente.
      
 

 Bom dia pobreza

«A pobreza está a alastrar." É a declaração de princípio do Plano de Emergência Social apresentado há uma semana pelo Governo. E acrescenta: "O risco de cair em situação de pobreza também." Para fundamentar tão assertivas afirmações, nada. Poderia o ministro da Solidariedade apresentar factos, números, estimativas; mas não, prefere fazer de oráculo.

Ora - conselho grátis nestes tempos de anunciada escassez - é de desconfiar quando, existindo dados sobre um assunto, quem tutela organismos que compilam esses dados e tem a obrigação de sobre eles fundamentar políticas escolhe não os citar. O mais certo é contradizerem o que quer dizer. E o que o ministro quer dizer é que as políticas praticadas nos últimos anos, as do chamado Estado social, não serviram para nada, pelo contrário, "usaram os recursos em burocracia em vez de ajudar as pessoas", sendo pois preciso "pedir com humildade ajuda às instituições que em permanência garantem uma resposta social", ou seja, "menos Estado e mais IPSS". O que equivale, claro, a "melhor política social".

Descontemos, porque o espaço é curto, o facto de as IPSS serem generosamente financiadas pelo Estado e de se estar deste modo a anunciar um reforço desse financiamento; centremo-nos na ideia de que o Estado "não tem funcionado" nessa área. Temos sido, é certo, bombardeados, em notícias, reportagens e discursos partidários, com a certificação de que a desigualdade "tem vindo sempre a aumentar e a pobreza também". À direita e à esquerda as oposições foram coincidentes - e quão - nisso: tudo estava cada vez pior, nada funcionava.

Pouco importa pois que Eurostat e INE demonstrem que entre 2003 e 2009 a percentagem de população em risco de pobreza em Portugal passou de 20,4% para 17,9 (a média da UE é 16,3%), tendo nos idosos diminuído ainda mais, de 28,9% para 21% (o que corresponde a uma descida de 26%), no mesmo período. Pouco importa que o índice de Gini, o indicador da desigualdade na distribuição dos rendimentos, tenha registado uma diminuição recorde, de 0,378 para 0,337 (a média da UE é de 0,303). A propaganda, quer à direita quer à esquerda dos governos PS, decretou que nada disso interessa - ou é "mentira" -, que a pobreza alastrou e as desigualdades se adensaram.

Ora, se aquelas políticas não serviam eram precisas novas, não eram? Ei-las. E se a direita agora no poder nunca escondeu realmente ao que vinha, a esquerda do PCP e do BE pode felicitar-se por ter contribuído com denodo para abrir caminho à política dos restos e do assistencialismo. Quanto ao ministro Mota Soares, pode bem revelar-se um profeta. Num governo que aumenta 20% os transportes e prevê um passe social só "para muito pobres", confisca metade do subsídio de Natal sem explicar porquê, prevê aumentar ainda mais o IVA e quer tornar os despedimentos mais baratos ou mesmo grátis, a previsão de um aumento do risco de pobreza é pura honestidade. Mesmo que não seja. » [DN]

Autor:

Fernanda Câncio.
  
 Alguém viu o corte na despesa pública?

«O Governo de Pedro Passos Coelho perdeu hoje uma importante oportunidade de provar que é diferente dos Executivos que conduziram o País à situação económica aflitiva em que hoje vive. Quem sabe, não vai ter outra. Ontem, depois de um conselho de ministros maratona, foi criada a expectativa de que hoje seria o "Dia D" de despesa. Seria o princípio do ataque aos gastos das Administrações Públicas. Puro engano.

Numa declaração matinal, e para surpresa de todos, o ministro das Finanças anunciou mais impostos. Agora é a antecipação da subida do IVA sobre a electricidade e o gás. Antes tinha sido o imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal e o aumento das tarifas dos transportes públicos. Sobre a despesa, nada em específico. O congelamento salarial de polícias e militares não é uma nova medida, uma vez que estava prevista no Orçamento do Estado para este ano que foi da responsabilidade de José Sócrates. Vítor Gaspar vem apenas garantir o cumprimento da medida.

Afinal o Governo de Passos Coelho está a seguir a estratégia errado dos Executivos de José Sócrates. Perante derrapagens orçamentais, que existem e atingem este ano 1,1% do PIB, o Executivo de coligação recorre em primeiro lugar à receita, em segundo lugar à receita e, por fim, à receita. Quanto à despesa, teremos que esperar para ver. Isto desmente as promessas de Passos Coelho, que venceu as eleições comprometendo-se com cortes na despesa e nada de aumento de impostos. E desmente também um compromisso assumido pelo Governo já em funções, quando garantiu que a redução do défice seria conseguida em 2/3 com cortes na despesa. O primeiro-ministro descobriu que a realidade da governação é bem diferente dos sonhos na oposição.

Os equívocos na estratégia do Governo não se ficam pelos impostos. Vítor Gaspar recuperou outros dos pecados originais da política orçamental à portuguesa e que muito contribuiu para os desequilíbrios estruturais que hoje existem. Tal como Sousa Franco, Manuela Ferreira Leite ou Teixeira dos Santos, o actual ministros das Finanças não resistiu em recorrer às receitas extraordinárias para garantir o cumprimento do défice orçamental deste ano. Os fundos de pensões da banca vão passar para órbita do Estado. Este tipo de receitas extraordinárias tem dois defeitos. Em primeiro, é mais uma desculpa para não cortar na despesa. Em segundo lugar, a receita de hoje pode esconder um enorme buraco. Caso os fundos de pensões não estejam devidamente financiados, no futuro vão ser os contribuintes a suportar mais estas pensões. Ou seja, algum dinheiro agora pode transformar-se em grandes despesas.

Pedro Passos Coelho está a descobrir que o monstro da Administração Pública é mais difícil de matar do que pensava. E, portanto, como todos os governos que tanto criticou, está a ir pelo caminho mais fácil que é aumentar os impostos. Mas esta estratégia tem um fim anunciado porque as famílias e empresas não aguentam mais carga tributária. Tal como a ‘troika' deixou hoje bem claro, chegou a altura das reformas estruturais e do corte na despesa. Caso contrário, a próxima avaliação do FMI, Comissão Europeia e BCE poderá ser menos positiva.

O primeiro-ministro sabe também que o seu espaço de manobra começa a estreitar-se. Do ponto de vista político, a manhã de hoje foi nebulosa. O ministro das Finanças defraudou as expectativas criadas e, muito estranhamente, foram os elementos da ‘troika' que fizeram o papel de Vítor Gaspar e anunciaram parte das medidas de controlo do défice deste ano. Este tipo de trapalhadas são golpes profundos na confiança que os portugueses têm no Governo. Pedro Passos Coelho sabe disso.» [DE]

Autor:

Bruno Proença.
  
 Sequestrou e violou uma mulher durante três dias e sai em liberdade?

«5Há quem diga que a justiça neste país bateu no fundo, mas quer-me parecer que não há fundo para a nossa justiça. E a existir os juízes rapidamente tratariam de o escavar mais um bocadinho de forma a possibilitar aos cidadãos continuarem a descer o nível de consideração que têm pela classe e por muitas decisões tomadas nos tribunais que a desonram e cobrem de vergonha. Justiça made in Portugal.

Vou relembrar a notícia saída aqui no expresso, e que reli, imagine-se, no site da ASJP - associação sindical dos juízes portugueses:

"Uma turista italiana, de 25 anos, foi sequestrada em Lisboa e repetidamente agredida e violada durante três dias, numa pensão do centro da capital. Na passada sexta-feira a recém-licenciada chegou a Lisboa, após uma viagem pela Europa. Junto à estação de metro de Arroios, um homem, de 42 anos, perguntou-lhe se precisava de ajuda e ofereceu-se para lhe indicar o caminho para o hotel, mas acabou por leva-la para pensão onde estava hospedado. O rapto durou até domingo, dia em que a jovem conseguiu fugir ao terror, avança o "Correio da Manhã".

As perícias levadas a cabo pela Polícia Judiciária e Instituto de Medicina Legal não deixam dúvidas sobre a violação e repetidas agressões que deixaram a jovem com o corpo todo marcado. O homem foi presente ao tribunal, mas o juiz deixou-o sair em liberdade, ficando apenas obrigado a apresentar-se quinzenalmente na esquadra (coitado, o dinheirão que o homem vai gastar em viagens...). A jovem turista está a receber acompanhamento psicológico e apoio da embaixada italiana em Portugal." (até admira não a terem deixado em prisão preventiva, por eventual perigo de fuga para Itália)

O nojo e estupefacção perante a notícia não me permitem fazer qualquer reparo sob pena de perder a minha liberdade e não me ser aplicada igual e benevolente pena. Deixo apenas uma pergunta, simples e directa: se no lugar da desafortunada italiana tivesse sido a filha ou a esposa do meritíssimo juiz que tomou esta brilhante e inusitada decisão a vítima de tamanha desumanidade cometida por um animalzinho doente durante três longos e tortuosos dias, e visse vexa um seu colega sentado num tribunal tomar a mesma decisão, o que sentiria?

O que lhe passaria pela cabeça se no dia seguinte à audiência, enquanto bebericava o seu galão quentinho, visse entrar na pastelaria do bairro o indivíduo que três dias antes tinha levado a sua filha, prima, mulher, amiga ou colega para uma pensão ranhosa e a tivesse forçado a fazer coisas indescritíveis sob ameaças e agressões permanentes? Sentir-se-ia bem? Continuaria impávido e sereno a beber o leitinho com café, sem pestanejar?

Se sim já cá não está quem falou. Se não sugiro-lhe que bata com a cabeça numa parede porque merece (acredite).Desculpem o termo, mas não há outro que melhor defina a justiça em Portugal: é uma merda! » [Expresso]

Autor:

Tiago Mesquita.
     

 Pobe opus Macedo

«Pelo menos sete dos 12 ministros - incluindo o primeiro - sacrificaram salários superiores para integrarem o Governo. De acordo com as últimas declarações de rendimentos entregues no Tribunal Constitucional, a entrada no Executivo significou perdas de centenas de milhares de euros anuais para vários governantes.» [DN]

Parecer:

Como não acredito que este senhor largue um lugar na administração do BCP como gesto de generosidade para com o país ou motivado por um dever evangélico continuo a achar muito estranha do BCP.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Macedo porque abandonou o BCP.»
  
Troika aperta com o Alberto

«A missão da troika em Portugal avisou hoje o Governo da Madeira de que é preciso fazer mais pela disciplina das contas públicas e promete que vai preparar um programa de ajustamento próprio para a região autónoma. O desvio na Madeira (270 milhões de euros) junta-se ao custo do BPN, estimado agora em 320 milhões de euros.» [DN]

Parecer:

Haja alguém que venha de fora pois cá dentro impera a cobardia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  
 A dócil Fenprof receia perda de lugares de professores

«Federação Nacional dos Professores (Fenprof) criticou hoje o aumento do número máximo de alunos por turma no primeiro ciclo do ensino básico.» [Expresso]

Parecer:

Vale a pena comparar esta Fenprof com aquela que promoveu uma oposição violenta e à base de golpes baixos contra o governo de Sócrates.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso de desprezo pela Fenprof, quanto aos professores só terão de se conformar com o governo que promoveram e ajudaram a eleger, que se amanhem porque os outros portugueses fazem o mesmo.»
  
 Porque será que Passos Coelho ou Cavaco não têm apoiantes destas?


«Há uns meses, um grupo de mulheres autointitulado Exército de Putin passeou-se nas ruas de Moscovo em trajes reduzidos. Lavaram vidros de carros, mostraram-se geralmente prestáveis, e fizeram propaganda.

Agora, em resposta, surgiu um grupo chamado Miúdas de Medvedev. Em trajes igualmente sumários, abordaram jovens machos que se encontravam na rua a beber álcool. Com o slogan 'a cerveja ou nós' bem visível, pediram-lhes as latas e garrafas que tinham na mão. A maioria não se fizeram rogados, até pela simpatia com que o pedido foi feito.» [Expresso]

Parecer:

São bem mais interessantes do que as mensagens bacocas no Facebook ou do que o Gaspar (para não falar dessa beldade da Saúde)

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão.»
 

   




sexta-feira, agosto 12, 2011

Os pobres não são bandidos!

Por oportunismo político ou por ignorância sempre que há motins como os que sucederam agora no Reino Unido aparecem personalidades a associar as pilhagens e destruição à pobreza. Quando estas situações ocorrem no estrangeiro aparecem logo “especialistas” adivinhando (ou desejando) que o fenómeno chegue a Portugal.

Sempre que no país alguém se lembra de constatar o aumento da criminalidade o discurso é o mesmo e no passado recente o PCP e o BE aproveitaram a oportunidade para associar o aumento da criminalidade ao desemprego. Fica-se com a ideia de que o pobre ou tem emprego ou é bandido, como se a sua escala de valores fosse diferente da das restantes classes sociais.

Os nossos “cientistas” sociais que ambicionam protagonismo televisivo têm-se enganado sistematicamente, os assaltos colectivos organizados pelos gangs londrinos não sucederam no resto da Europa e ninguém receia que que Chelas invada a Avenida da Liberdade. Os líderes do proletariado também têm mais olhos do que barriga e o lumpem proletariado não incendiou o capitalismo, o aumento do desemprego não se traduziu num acréscimo de criminalidade e ficou por provar a relação entre desemprego e crime.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Vila Real de Santo António
 
Jumento do dia


Vítor Gaspar, ministro das Finanças
Os portugueses começam a ter motivos para ficarem seriamente preocupados com o seu futuro cada vez que este homem abre a boca.

«O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, vai amanhã fazer uma declaração aos jornalistas, onde apresentará as medidas do Governo relativas aos novos cortes na despesa pública.» [Público]

 IMPRESA x Ongoing

A luta já mete facas na liga:

«Foi o que o fez grande, Dr. Pinto Balsemão, a sua capacidade de pensar para além das evidências, de concretizar, de transformar e de realizar.

São estas as qualidades que gostaria de continuar a ver reflectidas em si.» [DE]

A sugestão é de Rita Marques Gudes, secretária-geral da Ongoing.

 A SLN está de volta

Num país a sério não só uma boa parte dos responsáveis da SLN já estaria na cadeia como os que participaram na gestão do grupo estariam banidos do exercício de cargos públicos ou da gestão das empresas públicas. O problema é que este país está longe de ser um país a sério e é o PSD que governa. Daí que altos responsáveis da SLN apareçam em altos cargos da CGD ou à frente dos dinheiros do Serviço Nacional de Saúde.

Depois admirem-se.
  
 

 Afinal as favelas anteciparam uns JO

«Se bem se lembram, quem ficou com os Jogos Olímpicos em 2016, e isso nos punha a todos nervosos - como se vão controlar as favelas, meu Deus? -, foi o Brasil. Os Jogos de 2012, embora mais próximos, não preocupavam, eram em Londres. Uma cidade civilizada que nem usa canhões de água para dispersar manifestantes... Infelizmente, os noticiários armam-se em agências de rating e parece que também apostaram em tirar AAA a quem menos se esperava. Como desenhador, Matt explicou, ontem no Daily Telegraph, pondo o pacholas de um polícia londrino a dizer a turistas: "O Estádio Olímpico? Viram à esquerda no segundo autocarro incendiado e à direita na loja de electrónica saqueada." Não há que enganar, Londres, a Grã-Bretanha, a Europa, o Ocidente - ou melhor, a nossa soberba -, têm levado ultimamente com uns ultrajes na cara. Insisto, a nossa soberba é que tem levado, porque quero ser optimista e ver uma saída positiva para as actuais nossas crises a repetição. Por exemplo, essa história do não uso dos canhões de água como se fosse impedimento divino. Não era tão de princípio assim, porque os britânicos continuam a usá-los na Irlanda do Norte. Só que lá (consultar a história recente) foi necessário usar, e usou-se. Os ingleses estão a descobrir que, precisando de usar os canhões de água dentro de casa, usarão - ainda estrebucham, mas vão lá chegar. Dar conta que o que tem de ser tem muita força devia ser modalidade olímpica. » [ Link]

Autor:

Ferreira Fernandes.
  
 A Lei a Oeste de Pecos

«A Madeira é, com a cumplicidade dos sucessivos governos da República, uma espécie de "offshore" privado do PSD regional e de Alberto João Jardim, o seu Profeta, onde leis e políticas gerais do país pouco ou nada valem e a própria democracia, realizando o velho sonho irónico da dra. Ferreira Leite, se encontra há décadas suspensa.

Enumerar todas as tropelias que fazem da Madeira de Jardim um "study case" ilustrativo da céptica definição de Borges de sistema democrático, o de "arbítrio provido de urnas eleitorais", é mais problemático do que a Hércules foi capturar o Javali de Erimanto. Do mesmo modo, a mítica dívida da Região trepa mais velozmente Orçamento acima, aos saltos de milhões de cada vez, que a Corça de Cornos de Ouro e saneá-la afigura-se trabalho maior que limpar os estábulos de Áugias.

A este 13º trabalho, limpar os estábulos da dívida madeirense ( 963,3 milhões em finais de 2010), se tem inutilmente dedicado o Tribunal de Contas (TC), que descobriu agora que boa parte dos milhões para a reconstrução da ilha na sequência do temporal do ano passado foi afinal ter a "despesas de funcionamento". Já há um mês, o mesmo TC apurara que só 29,5% dos 191,3 milhões arrecadados pela Madeira no âmbito da Lei de Meios foram efectivamente utilizados na reconstrução.

Diz o TC que tudo isso (e não só) "ofende" não sei quantas leis. O TC ignora que, a Oeste de Pecos, é Alberto João Jardim a Lei.» [JN]

Autor:

Manuel António Pina.
  
 Subir o IVA até ao céu?

«O Governo pretende reduzir a TSU, ou seja baixar as contribuições das empresas para a Segurança (passando a taxa de 23,75% para 19,75% sobre o salário de cada trabalhador). A troika exige, o Governo acha bem, os patrões aplaudem. Mas o tempo mostrará como, na prática, se está a aumentar os impostos a todos (subida de 2% no IVA) e a produzir um efeito limitadíssimo no fim que se pretende atingir - exportar mais ou ter mais investimento estrangeiro em Portugal.

Sim, há estudos - do Governo e de outros. Por exemplo, Manuel Cabral, da Universidade do Minho, já demonstrou há algum tempo, por números, o que parece óbvio: beneficia da descida da TSU quem mais empregados tem, ou seja, PT, EDP, GALP, CTT, Sonae, Jerónimo Martins, construtoras, bancos, seguradoras, etc..

Alguns destes grupos até têm grande presença internacional, mas não exportam bens 'made in Portugal' em que 4% de TSU façam a diferença. Mesmo a GALP, que é a maior exportadora nacional, vende essencialmente tecnologia (refinação) e não mão-de-obra. Já a Autoeuropa, o sector do calçado e da têxtil, o sector automóvel e a metalomecânica nacionais terão vantagens quando exportam, mas a questão é: 4% fazem uma enormíssima diferença? São eles que retiram competitividade aos nossos produtos? E criam-se novos empregos em Portugal por haver menos TSU? Mais: se esta descida fosse superior (por exemplo 8%, para ter efeito real, como pretende a Confederação da Indústria Portuguesa) - a solução seria aumentar o IVA para 27%?

Os aumentos de IVA têm de ter um limite. O IVA passou de 20 para 23% em pouco mais de três anos, a que se juntou a perda de poder de compra e subida dos juros.... Isto explica muita da recessão e desemprego provocado directamente pelo Estado...

É certo que este é um tempo de reformas duras, mas o Governo teria algo a ganhar por não executar esta medida pelo menos em 2011 e 2012. Os benefícios para a economia vão perder-se em mais quebra da procura interna, desemprego, reforço do descontentamento das pessoas e na capitalização dessa revolta por parte dos sindicatos. Danificará mais a imagem (e o rating) de Portugal as notícias de que somos uma segunda Grécia - com greves gerais e transportes parados - do que um país que consegue suportar um plano duro, coerente e bem gerido, ainda que mais longo no tempo.

O que pode ser mortal nesta estratégia de Passos Coelho (estimulada pela troika) é a ideia política de se fazerem todas as maldades depressa. Há um problema nisso: parte do princípio que o doente pode ser tratado a todas as doenças, com 100 antibióticos, em simultâneo. Não dá.

É verdade que o Governo dispõe de uma confortável maioria e que 80% dos portugueses votaram no acordo da troika. Mas é uma ilusão não acreditar que o resultado essencial das últimas eleições foi o de pôr fim a um regime autista e por vezes despótico de Sócrates. Seria bom que este Governo fosse até ao fim da legislatura porque o país precisa desesperadamente de estabilidade e rumo. Mas nem as maiorias sobrevivem às convulsões sociais que degeneram em insegurança e instabilidade generalizada. E depois lá se vai o turismo e a produtividade...

É necessário aumentar a competitividade das empresas exportadoras? Alargue-se ainda mais o risco dos seguros de crédito. Quem exporta precisa de experimentar novos mercados e novos clientes e isso só se pode fazer com uma cobertura mínima. Alarguem-se mais os fundo para procura de novos mercados. Dê-se mais formação em internacionalização aos quadros médios e superiores. E podem usar-se ainda mais fundos do QREN para isso. Tudo junto não há-de custar mais do que um aumento mínimo de uma qualquer taxa sobre dividendos ou quejandos...

Não acreditem é que se pode aumentar impostos e transportes, provocar redução de salários reais, ter mais desemprego e diminuir apoios do Estado, sem haver, em paralelo, uma ideia consistente de justiça e equilíbrio. Uma visão de longo prazo em que as pessoas acreditem. Se falhar isto, falhará tudo. » [JN]

Autor:

Daniel Deusdado.
  

 Vamos pagar mais IVA para a banca lucrar

«Os bancos serão os mais beneficiados pela descida da taxa social única (TSU). Segundo o estudo do Governo e do Banco de Portugal, os serviços financeiros e seguros serão os sectores cujos custos directos e indirectos com remunerações mais vão descer.» [DN]

Parecer:

Esta redução da TSU é a maior fraude na história da política económica.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»
  
 A anedota do dia

«O primeiro-ministro dá possibilidade a Pedro Santana Lopes de regressar à primeira linha da intervenção social mas também política. Pedro Passos Coelho convidou-o para o cargo de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, uma instituição que é uma espécie de "governo" paralelo na capital. Fontes próximas de Santana admitiram ao DN que "é quase certo" que o actual vereador da Câmara de Lisboa aceitará o convite que lhe foi dirigido na semana passada e que não deverá ser remunerado pelo mesmo. Até porque já recebe a subvenção vitalícia pelos anos de exercício de cargos políticos. » [DN]

Parecer:

Alguém acredita que Santana não vai ganhar nada na Santa Casa, nem o Euromilhões?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 O ministro Crato pensou depressa

«Em comunicado, a tutela afirma que os alunos das escolas que não vão abrir no próximo ano lectivo serão mudados para "centros escolares ou escolas com infraestruturas e recursos que permitem melhores condições de ensino".» [DN]

Parecer:

Aos poucos o Crato vai regressando à realidade.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
 

   





 


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quinta-feira, agosto 11, 2011

Alcagoitas

A direita portuguesa negou a existência de uma crise financeira mundial e sonhava que depois de tantos artigos contra o governo de Sócrates publicados no Financial Times tudo mudaria depois das eleições, com um governo da direita as agências de rating passariam a ser simpáticas, os jornalistas do Financial Times passariam a ser simpáticos e Portugal passaria a ser o oásis que costuma ser quando a direita governa.

Governar seria fácil, uma dose de cavalo de austeridade fundamentada num desvio colossal explicado de forma patética por um ministro que lembra um velho mestre-escola lendo ditados, uma descida abrupta dos impostos pagos pelos patrões financiado por aumento do IVA aplicado aos produtos que os pobres consomem e tudo se resolveria. A austeridade cavalar trataria dos indicadores eleitorais enquanto um falso programa de combate à pobreza asseguraria os indicadores das sondagens eleitorais.

Mas a direita portuguesa está com azar, a crise financeira não só contagiou países como a Espanha e a Grécia ameaçando os maiores da Europa, como chegou à América, por cá os tais mercados por quem devemos ter um respeitinho obediente tratam-nos como lixo e depois de uns arrufos presidenciais e governamentais fez-se silêncio, um descansa tranquilamente na Quinta da Coelha, porque a idade já pesa, o outro foi descansar para a Manta Rota depois de um mês de um trabalho incansável, isto de fazer meia dúzia de saneamentos e vender o BPN ao amigo Mira Amaral deixa qualquer um roto.

Perante uma crise internacional tão grave o que faz o governo? Se por cá andasse o Eduardo Catroga diria que se preocupa com pentelhices o equivalente na sua aldeia ao que por esta banda se diz serem alcagoitas?

A ministra da Agricultura, enquanto tira um curso intensivo de agricultura na loja das sementes na Praça da Figueira, vai preocupando-se com as gravatas e o número de lugares ministeriais, o ministro da Educação ainda não sabe bem como compatibilizar o seu espírito crítico e a gestão do ensino entretendo-se com idas ao aeroporto para receber os olímpicos da matemática, o Paulo Macedo vai ensaiando os golpes de propaganda que o tornaram um grande gestor mas que não terão sido suficientes para o tornar no grande gestor do BCP.

As grandes preocupações nacionais deixaram de ser os indicadores económicos, mais importante do que a taxa de crescimento são os nomes da administração da CGD, a preocupação com o desequilíbrio externo foi abafada com a escolha do nome do provedor dos milhões da Santa Casa.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Vila Real de Santo António
 
Jumento do dia


Nuno Crato, ministro da Educação

De um ministro da Educação espera-se que assegure o regular funcionamento do sistema de ensino.

«Autarquias continuam à espera que o ministério envie a lista das 266 escolas a encerrar e temem pelo início do ano lectivo, já daqui a um mês.

O silêncio do ministro Nuno Crato está a deixar os autarcas portugueses em sobressalto, pois não sabem que escolas do 1.º ciclo os seus municípios vão perder. Vários arriscam avançar com o nome de alguns estabelecimentos de ensino, mas não têm certezas. Embora haja a suspeita de que o Alentejo e a região centro sejam os mais afectados.» [DN]
   
 

 Marcelo diz que não percebe!

«Disse o Marcelo Rebelo de Sousa: "Não percebo porque é que o trabalho paga, e o capital não." Claro que o Marcelo percebe muito bem o porquê do facto. Mas o Marcelo gosta muito de dizer coisas e de dissimular os factos. Não é com a aplicação de reajustamentos incidentais que o mundo se recompõe e Portugal melhora. O Marcelo, inteligente e perverso, nada tolo e muito ligeiro, é daqueles comentadores do óbvio que não arriscam nenhuma opinião contrária às opiniões dominantes. Irrita um pouco, à direita e à esquerda, mas trata-se de brotoeja passageira.

A afirmação do Marcelo, no comentário habitual, aos domingos, na TVI, constitui a repetição, dramática por ser repetição, do conteúdo do seu método de ideias. Acaso ele desejasse criar contenciosos, desfazer compromissos de classe e outros, atacar o preço pago pelo poder, tudo isso seriam razões do nosso contentamento. Sobretudo, do nosso esclarecimento fundamental. Mas não. No essencial, o Marcelo cala, consente, desvia, e crê, com cinismo e advertida fidelidade, no sistema louco que nos destrói e liquida lentamente.

O que é grave. O Marcelo é um intelectual muito arguto, muito lido e muito capaz de nos surpreender. Assim, torna mais pesada a responsabilidade que lhe cabe nesta cumplicidade tenebrosa. O espectáculo mediático, por ele protagonizado, todos os domingos, é o fácil recurso à atenção dos outros. Claro que gosto de o ver e de o ouvir. E admito, sem reticências, que o aprecio pessoalmente. Não faz batota. Ou, melhor, a batota que pratica é outra: pertence aos domínios da prestidigitação e do malabarismo. Sabe, como nenhum outro preopinante das televisões, utilizar a frase-chave, a locução com efeito pirotécnico, a contradição como testemunho da diferença.

O Marcelo dá umas bicadas, pequeninas para não degenerarem em infecção, mas, infelizmente, nunca nos informa, nunca toma posição antagónica àquela que pertence ao discurso e à acção reinantes. "Não percebo porque é que o trabalho paga, e o capital não." A frase contém, no seu bojo, algo de degradante, por imoral. O sistema de que é paladino permite e estimula a indignidade, aquela e outras mais.

O Marcelo, lido em Keynes, tem, desde há muito, conhecimento de que o capitalismo é autofágico porque não sobrevive à tentação de "fornecer os ricos com meios para que fiquem mais ricos". E, também, de que esta etapa acelera o processo de dissolução do sistema, quando se lhe pode aplicar a metáfora de Dostoievski, Os Irmãos Karamazov: "Se não há Deus, tudo é permitido."

Os factos estão ao alcance do nosso julgamento. As leis do "mercado" são- -nos impostas sem debate, sem a formulação necessária para que as compreendamos.

O Marcelo diz que não percebe! Não percebe? Homessa!» [DN]

Autor:

Baptista-Bastos.
     

 Afastado o risco de criação de um novo partido de direita

«O convite do Executivo liderado por Pedro Passos Coelho já estará feito: Pedro Santana Lopes deve substituir Rui Cunha na função de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.» [CM]

Parecer:

Todos têm o seu preço e a Santa Casa é um preço bem elevado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns a Santana Lopes.»