sábado, setembro 10, 2011

O que fazem as nossas secretas na véspera do 11 de Setembro?

Amanhã é dia 11 de Setembro, uma data em que o terrorismo ensombrou o mundo e que justifica o esforço de muitos estados democráticos contra o terrorismo, um esforço que como disse muito recentemente o primeiro-ministro norueguês consegue-se melhorando a democracia. Neste combate os serviços de segurança do Estado são essenciais neles se confiando a segurança do país e a defesa da nossa democracia.

Mas nestes dias em que o mundo reflecte sobre o 11 de Setembro em Portugal temos assistido a um espectáculo triste envolvendo a gente das secretas e os seus amigos no mundo do dinheiro e da política. Quando era suposto que usavam o dinheiro do país para assegurarem a sua segurança percebemos que andavam a brincar aos negócios e aos maridos com medo de ser enganados.

Apercebemo-nos da promiscuidade entre políticos cheios de vontade de chegar ao poder, empresários que recorre às secretas para vencerem os seus concorrentes no mercado, agentes secretos cheios de ambição. Percebemos que em vez de estar ao serviço da segurança do país os serviços secretos estão ao serviço de interesses privados, da ambição política de dirigentes sem escrúpulos e de empresários que usam brilhantina e querem enriquecer sem limites e sem obstáculos.

Mas a bem da Nação nada vai ser investigado, as jornalistas bem informadas vão continuar a mandar mensagens por telemóvel aos governantes, os candidatos à liderança das secretas continuarão a fazer jogos de bastidores, os empresários manhosos podem continuar a recorrer a jogos sujos, dentro em breve todos os inquéritos serão encerrados, a Ongoing será dona da RTP, a Manuela Moura Guedes terá um programa para abater os adversários políticos da direita e os portugueses terão de se preocupar com a possibilidade de chegarem ao dia vinte e não terem com que pagar as contas.

A nossa sorte é que os serviços de segurança dos países amigos farão o trabalho dos nossos e até é muito provável que os terroristas nos ignorem, o que é a nossa sorte, com secretas destas é mais fácil afundar um cacilheiro cheio de gente do que disparar um morteiro nas montanhas do Afeganistão.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Eléctrico "Colinas de Lisboa"
 
Jumento do dia


Paulo Portas

Paulo Portas revela ou ignorância ou ignorância ao afirmar que o governo está disposto a negociar com o PS a introdução de um limite constitucional à dívida, tanto quanto se sabe a sua maioria governamental não tem poderes constitucionais pelos que mais do que disposto o governo da direita está obrigado.

«O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, disse esta sexta-feira na Alemanha que «a maioria que sustenta» o Governo está disposta a negociar com o PS a introdução na Constituição de limites ao endividamento.

Em conferência de imprensa conjunta em Berlim com o homólogo alemão, e após um encontro de mais de uma hora com Guido Westerwelle, Portas afirmou que o Governo está preparado para discutir com o Partido Socialista medidas sobre os limites ao endividamento.» [Agência Financeira]

 Passos Coelho está bem da coluna?

João Cardoso Roas questiona a postura de Passos Coelho numa fotografia onde aparece ao lado de Merkel, pareceu-lhe uma postura de subserviência. Enfim, talvez esteja a exagerar, deve ser tão difícil ao inglês de Passos Coelho perceber o inglês de Merkel como a qualquer cidadão comum conseguir chegar ao fim de uma frase de Vítor Gaspar sem ter bebido uma mini e comido um pires de tremoços.

Mas a verdade é que desde que Passos Coelho é primeiro ministro que evidencia sinais evidentes de problemas de coluna, olhamos para ele e lembramo-nos do homem estátua de Cronos, carregando o mundo às costas. Por este andar o Macedo ainda vai ter que fazer uma excepção nos cortes das despesas de saúde para endireitar a espinha a Passos Coelho.
 
 Procura-se
   


 

 Passos na fotografia

«Todos sabem que o primeiro-ministro de Portugal foi à Alemanha visitar a chanceler Merkel e, pelo menos desta vez, não é necessário perguntar qual o conteúdo das conversações.

Basta olhar para as fotografias que nos chegaram pela imprensa - elas dizem tudo. Tenho diante de mim a foto de destaque de um quotidiano generalista e popular. Que vejo? Passos Coelho está inclinado para a frente, quase a fazer uma vénia e com as mãos juntas como numa prece. Olha amedrontadamente para a chanceler, como se estivesse a pedir desculpa por alguma coisa. A chanceler alemã, por seu turno, caminha com desenvoltura, não olha para Passos Coelho, transmitindo uma impressão de enfado e de pressa ou, quando muito, de condescendência em relação à presença do primeiro-ministro.

Uma interpretação possível desta foto seria a seguinte: ela espelha, com objectividade, a posição actual do Estado português diante da Alemanha, desde que esta assumiu a qualidade de líder informal da Europa e dos programas de ajuda aos países periféricos do euro. A postura de subserviência do primeiro-ministro português e a atitude autoritária da chanceler alemã são uma consequência da dependência do nosso país face à ajuda externa e da consciência portuguesa de que essa ajuda depende da vontade da Alemanha. Por isso, fosse qual fosse o primeiro-ministro português (e o chanceler alemão), nada seria muito diferente. Esta interpretação contém certamente alguma verdade, mas está longe de a esgotar.

Uma outra interpretação, aquela que eu prefiro, é a seguinte: a fotografia em causa espelha não uma inevitabilidade, mas antes a posição específica da actual maioria no Governo e do seu líder diante da Alemanha e da Europa. Sendo assim, a postura física de Passos Coelho corresponde a uma atitude psicológica de "servidão voluntária", para usar a famosa expressão de La Boétie, e mesmo a um desejo de auto-punição, correspondente à vontade castigadora dos países centrais do euro em relação aos países do sul. Ao ver Passos Coelho na fotografia recordei-me das declarações, igualmente servis e pueris, de Paulo Rangel quando, diante das críticas de Merkel ao derrube do Governo Sócrates, disse: "a chanceler Merkel quando vir o Governo do PSD vai respirar de alívio".

Se a segunda interpretação é a melhor, ela pode pelo menos ajudar a explicar a ausência de política europeia deste Governo, a vontade de aplicar uma austeridade para além da que nos é pedida e a subalternização das medidas favoráveis ao nosso crescimento, a venda inoportuna das nossas melhores empresas, etc. É claro que há também razões ideológicas - liberais, como se tem dito - para estas opções do Governo. Mas a psicologia dá uma ajuda.» [DE]

Autor:

João Cardoso Rosas.
  
 Estado de estupor

«Muita gente se tem surpreendido com aquilo que considera ausência de reacção, quer da "rua" quer dos protagonistas partidários e sindicais habituais, às duríssimas medidas do Governo.

Várias explicações têm sido ensaiadas. Que é Verão, que as pessoas estão amodorradas pelo calor, que a generalidade ainda não sentiu o efeito dos cortes e do agravamento dos impostos, que há um sentimento geral de conformismo, resignação e até mea culpa face à austeridade.

Ora estas explicações, se poderiam fazer sentido para a população, não colhem no que respeita aos partidos da oposição nem aos sindicatos, cujas reacções são de uma doçura enternecedora se as compararmos com as evidenciadas face ao Governo PS. Um contraste tanto maior quando em vários casos - o da avaliação de professores sendo o mais escandaloso pela contestação selvática que suscitou antes - as promessas e acções pré-eleições dos partidos do Governo foram completamente invertidas pelo Executivo. O que pode levar Nogueira e companhia a baixar tanto as orelhas? Há alguma coisa que não saibamos (ainda) ou deu-lhes a vergonha, como ao PCP e ao BE, de terem feito pandã com a direita para diabolizar Sócrates e ajudar a colocar no poder o Governo mais determinado a acabar com "as conquistas dos trabalhadores" que vimos desde o 25 de Abril?

Não havia diferença entre PSD e PS, ouviu-se tantas vezes aos dirigentes da chamada "esquerda portuguesa". O PS tinha uma política "neoliberal" que agravava as desigualdades e a pobreza; o PS era inimigo dos trabalhadores e servo do "grande capital"; o PS traiu os portugueses ao negociar com a troika um acordo ruinoso (amanhãs a cantar, ou nada). E muito pior que o PS era esse "objecto mau", esse cúmulo do odioso chamado Sócrates. Sem ele, tudo voltaria a estar bem; sem ele, culpado de todos os males, arquitecto da bancarrota (para a direita) e traidor do proletariado (para a "esquerda"), não haveria mais impostos, nem avaliação de professores, nem corte do abono de família, nem fecho de escolas e centros de saúde nem IVA máximo no leite com chocolate "das crianças"; sem Sócrates, "os mercados" emprestar-nos-iam a juro de amigo, as crises económica mundial e do euro eclipsar-se-iam e não se exigiriam "mais sacrifícios aos portugueses", até porque, como gritou Cavaco na tomada de posse, se tinha chegado ao limite.

Erigido em totem sacrificial, Sócrates, "o mentiroso", foi queimado em auto da fé e o País respirou de alívio. Para se descobrir, semanas depois, com um PM que desdiz - ou melhor, manda desdizer - tudo o que prometeu e se apresta a esbulhar o rendimento do trabalho e a empobrecer os pobres e classe média como nunca até hoje. Que vão chamar-lhe, mentiroso e ladrão? Que vão fazer, encher as ruas de gente vociferante com cartazes insultuosos? Pois. » [DN]

Autor:

Fernanda Câncio.
  
 Sôr Álvaro, onde andas tu, Super-ministro?
  
«Caro Sr. Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira,

Peço desculpa! Como não gosta de formalidades - aqui os portugueses são uns retardados, muito tradicionalistas, lá no Canadá é que são muito para a "frentex" - vou reformular o início desta missiva:

Olá, grande Álvaro! Como estás, grande amigo? Muito trabalho aí para os lados do Ministério da Economia? Não te tenho visto nem ouvido ultimamente. Confesso-te que estou surpreendido - no início, diziam que eras o super-ministro: ficaste com o turismo, o trabalho, as empresas, a modernização...enfim, tantas e tão complexas matérias que nem mesmo o Super-homem parecia apto para um desafio desta envergadura. Fiquei tão impressionado que fui adquirir o seu livro intitulado "Portugal: a Hora da Verdade", onde efectua um diagnóstico claro e rigoroso da realidade da economia e das finanças públicas portuguesas. Ainda é mais impressionante se tivermos em conta que a escreveu a partir do Canadá...bem, mas para um super-homem (hoje, super-ministro) tudo é possível! Quem lê o seu livro, chega à conclusão de que o Álvaro é um génio, competente para integrar o governo de Portugal. Que sabe que rumo o país deve seguir. Que será capaz de tomar as medidas necessárias para dinamizar a economia portuguesa. Li que tu, Álvaro, sabes que o futuro de Portugal depende de uma maior aposta na educação e na investigação científica, desempenhando aí o Estado um papel importante na fixação dos "cérebros" no nosso país. Li que tu, Álvaro, sabes perfeitamente que é necessário cortar a despesa inútil, não produtiva do Estado - o que é diferente de apagar completamente o Estado da economia e da sociedade, como tu muito bem explicas no teu bestselller. Li que tu, Álvaro, sendo um liberal que acredita na livre iniciativa e na auto-responsabilidade dos cidadãos, desconfias do poder dos mercados desregulados. Li que tu, Álvaro, sabes que há posições privilegiadas do Estado em sectores prioritárias que devem ser mantidas (à semelhança de mutos países muito mais competitivos que Portugal).

Todavia, Álvaro, desiludes-me. Porque confirmas que uma coisa é escrever livros a partir do Canadá - outra é vir para Portugal aplicar medidas, concretizar ideias. Tu és o rosto que em Portugal os economistas enchem a boca com o liberalismo, com ideias muito liberais das Escolas de Chicago, Harvard, Bruxelas - mas, depois, quando chegam ao governo são socialistas rascos. A solução é sempre a mesma: aumentar impostos. Se essa é sempre a solução para os problemas de Portugal, então, até eu já tenho o curso de Economia. Álvaro, estás no governo ou estás de férias em Portugal? Até o FMI se ir embora? É que parece que és uma sombra de Vítor Gaspar. Parece que tu, Álvaro, és o segundo Ministro das Finanças: a única solução que têm aumentar impostos. Pergunto: tu, Álvaro, concordas com o fim das golden shares em sectores como os transportes, medida defendida tão convictamente por Passos Coelho? Se responderes afirmativamente, então o Álvaro - ministro desmentiu o Álvaro-professor no Canadá...

Por último, Álvaro, seria positivo que convencesses os teus colegas de governo a aplicar as medidas de redução da despesa inútil do Estado. Na minha opinião, o teu governo não sabe o que está a fazer: mesmos os cortes que faz são aleatórios, cegos. Sem uma lógica política clara. Cada ministro anda em roda-livre, faz o que bem lhe apetece. Falta coordenação política. É que quem manda no teu governo, meu caro Álvaro, é o Miguel Relvas, símbolo da partidarização do Estado, da promoção dos boys que tu tanto criticas. Por falar em boys, sôr Álvaro, será que precisa mesmo de 7 chefes de gabinete, 18 adjuntos, 30 assessores, 17 secretárias pessoais e 14 motoristas? Sobre as recentes medidas que o seu governo tomou, falarei desenvolvidamente para a semana. Aqui no Politicoesfera, sôr Álvaro.

Um abraço para ti Álvaro do

João Lemos Esteves» [Expresso]

Autor:

João Lemos Esteves.

Tumultos

«É no mínimo bizarro que o primeiro-ministro de um país pacato ache por bem começar a dissertar sobre tumultos. Será que os deseja? Será que vê neles a melhor desculpa para justificar o fracasso governamental que se adivinha?

Até agora não se ouviu uma única palavra de estímulo ou qualquer ação que contribua para a recuperação da crise. Todos os dias se anunciam aumentos de impostos e cortes, mais a torto do que a direito, num definhamento implacável das condições de vida e de produção. Mas nada que possa de algum modo favorecer a atividade económica e oferecer alguma perspetiva positiva à existência dos portugueses. Rápido a açambarcar receitas, o governo não teve ainda tempo para apresentar um programa de estímulo à economia. Nada.

Há seguramente um fundo ideológico neste comportamento. Esta direita, que se imagina liberal mas na verdade é simplesmente convencida e autoritária, acha que é sua missão pôr ordem na sociedade. Segundo Passos Coelho, os portugueses portaram-se mal anos a fio e agora há que castigá-los. O que, por via de raciocínios simplistas e muita ignorância sobre a natureza das sociedades livres e abertas, significa, no seu entender, diminuir drasticamente a capacidade de reação dos cidadãos e, no fundo, condicionar a livre iniciativa.

Mas, mais do que ideológico, este comportamento deriva de uma aflitiva falta de programa e visão. A crise devia ser aproveitada para fazer três coisas: a) reduzir o peso do Estado e diminuir substancialmente a sua intervenção na vida dos cidadãos e das empresas; b) libertar os meios financeiros para permitir à sociedade desenvolver os seus próprios projetos e empreendimentos, ou seja, diminuindo os impostos e a burocracia, agilizar a justiça, premiar o mérito e a inovação; c) e, mais importante ainda, preparar os portugueses, através da educação e formação, para os desafios da sociedade tecnológica e para os tornar capazes de agir num plano mais vasto e global.

Nada disto está ser feito. Pelo contrário. O constante aumento de impostos retira dinheiro à economia e aos portugueses em geral, dificulta o investimento e gera recessão. Os cortes na educação e, sobretudo, o claro desinteresse e mesma aversão pelas novas tecnologias, resultará numa geração impreparada numa área crucial. A ciência, a inovação e o empreendedorismo desapareceram por completo do discurso político. A última entrada do site do Plano Tecnológico tem a data de Maio.

Quanto às famosas gorduras do Estado ainda ninguém as viu. O ataque tem-se concentrado nas autarquias, as quais, coitadas, estão cada vez mais anoréxicas. Por outro lado, dizer que se corta 10% nos orçamentos dos ministérios pode ser bom nalguns casos, mas noutros é péssimo, porque elimina o já parco investimento público e inviabiliza os projetos de qualificação. Na realidade, essa redução significa, na maioria dos casos, que todo o dinheiro serve para manter a pesada máquina do Estado e resta pouco para benefício da sociedade. Por exemplo, diminuir o investimento no setor do turismo é um erro que se pagará muito caro. É, aliás, perder uma boa oportunidade de valorização do nosso turismo, numa altura em que outros destinos concorrentes enfrentam dificuldades, dadas, aí sim, a agitação social e múltiplos conflitos que proliferam.

Ou seja, se há um claro desejo de reduzir o défice, não se vê o mesmo ímpeto no relançamento da economia. E, sem este, entraremos inevitavelmente no ciclo de menos receita, mais impostos, mais recessão. Não sou eu que o digo, são os mesmos economistas e comentadores que tudo fizeram para eleger este mesmo governo.

Assim, o pânico que se instalou no governo não surpreende. Passos Coelho tem medo dos tumultos, Paulo Portas tem medo das greves. Ambos, cada um à sua maneira, sabem que a direita não tem capacidade de encaixe para a agitação social. Não tem almofada, nem outra resposta que não seja a repressão bruta. O que, como é dos livros, só piora as situações.

O governo precisa urgentemente de encontrar o seu polícia bom. É que, até agora, são todos maus e é cada um a ver se consegue ser pior do que outro.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Leonel Moura.
 

 Querem ver que foi o Sócrates que os mandou escutar?

«A mesma fonte vai ainda mais longe: "A transcrição dos telefonemas de Silva Carvalho foi executada na altura da campanha eleitoral, quando estava a colaborar no programa do PSD". Ou seja, ainda em Junho, quando o então secretário-geral do PSD e actual ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, adiantou ter recebido uma carta anónima onde se falava da existência de escutas ilegais a dirigentes do PSD.

Relvas apresentou queixa na altura e, já em Julho, depois da vitória do PSD nas eleições de 5 de Junho, a Procuradoria-Geral da República decidiu abrir um inquérito crime ao ocorrido.

Tal como Silva Carvalho, também o actual secretário--geral do Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira, colaborou no programa eleitoral do PSD, com uma proposta que previa a fusão dos serviços secretos – Serviço de Informações EstratégicAs de Defesa (SIED) e Serviço de Informações de Segurança (SIS) – num só organismo comum. Silva Carvalho pode ainda voltar a ser chamado à Comissão de Assuntos Constitucionais. O presidente da comissão, o social-democrata Fernando Negrão, lembrou que foi Silva Carvalho quem pediu há dois meses para ser ouvido. » [CM]

Parecer:

O que mais impressiona em todo este processo é a promiscuidade.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  

   




sexta-feira, setembro 09, 2011

A economia não é uma ciência exacta

Quem ouvir Vítor Gaspar falar e tiver a sorte de o perceber ( coisa bem difícil pois quase é necessário fazer uma montagem áudio para o ouvir coim um mínimo de clareza) fica com a ideia de que a economia é uma ciência exacta e que o ministro das Finanças é o cientista que tem o único laboratório científico onde foi sintetizada a solução para os problemas da economia portuguesa. Mas isso não é verdade, as suas soluções já deram resultados mas também já se revelaram desastrosas, já foram viáveis graças ao apoio de polícias politicas, como a DINA de Pinochet, e já acabaram em tumultos sociais.

Sempre critiquei a inércia do seu antecessor e discordei sistematicamente da política económica seguida pelo governo de Sócrates, que apoiei e até ao momento Passos Coelho só me deu motivos para não mudar de posição. Não sou adepto de défices excessivos e quando alguém se lembrou de dizer que havia mais vida para além do défice não só não fiquei animado com tão brilhante bitaite como alertei que o problema nem era o défice mas sim o seu resultado, a dívida soberana.

Mesmo com os mercados tranquilos e a capacidade de recorrer a financiamento externo a taxas de juro baixas é necessário assegurar a independência do país em relação aos mercados, para além de se ter que acautelar qualquer situação anormal, como, por exemplo, uma qualquer calamidade natural ou a necessidade de enfrentar uma grave crise internacional. Mas tanto quanto me recordo a direita criticou todos os orçamentos de Sócrates por não serem expansionistas e só começou a falar da dívida soberana quando a crise do sub-prime já se tinha transformado numa crise do euro, nessa altura apareceu António Borges a alertar para o óbvio e Cavaco lembrou-se de que tinha escrito umas coisas há quase uma década.

É evidente que é necessário cortar na despesa tal como é evidente que por mais que os jornalistas da direita o insinuem tal não será suficiente e os aumentos dos impostos são inevitáveis. O problema é que quando Vítor Gaspar cumprir o seu primeiro ano de governo não cortou qualquer despesa e já promoveu três aumentos de impostos, Remeter o corte de despesa para o próximo orçamento com o argumento de que executa um orçamento não é muito honesto pois se não pode gastar para além do orçamentado, também ninguém o obriga a gastar o que estava previsto, até porque não tendo dinheiro é obrigado a fazer o que fez, inventar um desvio colossal que ainda hoje está mal explicado para compensar o descontrolo na despesa com receitas fiscais abusivamente impostas apenas aos que não são ricos.

Poder-se-ia dizer que se trata de uma política económica de mercearia mas isso ofenderia os merceeiros, profissional do retalho que se preze sabe que tem clientes e fornecedores e é deles que depende o negócio. Ao contrário de qualquer merceeiro Vítor Gaspar inora que é ministro das Finanças de uma economia com uma elevada dependência externa, quem o ouve falar é levado a pensar que tudo se resume a aumentar impostos e cortar despesas, que o problema do ensino ou da saúde se limita aos números. Ele governa a economia como se fosse uma roça de cacau onde só há o fazendeiro e os escravos, sendo o mercado inalterável.

Vítor Gaspar parece convencido de que por mais que aumente as taxas os impostos continuarão a aumentar proporcionalmente, indiferentes à quebra da actividade económica, ao aumento da evasão fiscal e da economia paralela. Ignora que Portugal depende das exportações e que muitas empresas exportadoras não só serão penalizadas por uma eventual recessão internacional como serão fortemente atingidas pela recessão interna, despreza os números do aumento do desemprego estrutura que resultará das suas políticas que destruirão sectores tradicionais da economia, não avalia o custo dos recursos humanos que fugirão do país para não se sujeitarem à pilhagem fiscal a que está a ser sujeita a classe média. Para Vítor Gaspar não há empresas, a não ser as que pretende privatizar, não há actividade económica, não á mercado mundial, há apenas contribuintes a quem ele pretende cobrar impostos até que ultrapassados todos os limites os verdadeiros funcionários do fisco serão os polícias de choque.

A receita económica de Vítor Gaspar é absolutamente primária e é a negação da política económica pois revela um total desprezo pelo bem-estar dos cidadãos, ele não mede o seu sucesso pela riqueza que ajuda a criar, apensa está preocupado em conseguir em dois anos aquilo que a maioria dos economistas acharia aconselhável conseguir em quatro. Parece estar mais preocupado em mostrar serviço aos seus chefes quando regressar a Bruxelas do que com os portugueses que elegeram o Governo a que pertence.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Chiado, Lisboa  
  
 Imagens dos visitantes d'O Jumento


Cúpula torre sineira Igreja matriz de São João de Lourosa (Viseu) - relógio e catavento [AJ Carvalho]

Jumento do dia


Paulo Macedo

Dizem que Paulo Macedo é um irmão da Opus Dei e diz a Opus Dei que os seus confrades têm como obrigação a evangelização nos seus locais de trabalho o que não admira pois a missão da Opus Dei é precisamente a participação na missão evangelizadora da Igreja Católica. Um irmão da Opus Dei segue o princípio de que "o trabalho é santo, santifica-nos e santifica os outros" e se o ministro da Saúde tem um vinculo religioso que naturalmente está acima das suas obrigações terrenos é natural que no desempenho das suas funções ministeriais, o seu trabalho, procure santificar-se e mesmo sem que lho tenhamos solicitado também nos pretenda santicar, neste caso todos os que de alguma forma dependem do SNS.

Se Paulo Macedo é mesmo supranumerário da Opus Dei ninguém o pode criticar por "encontrar Deus no trabalho e na vida quotidiana", o problema é que a sua vida quotidiana é a decisão no sector da Saúde, um sector onde a evolução da sociedade está em conflito com os valores da Igreja. Se na DGCI a promoção de uma missa por acção de graças apenas motivou umas gargalhadas, no ministério da Saúde há muito por onde decidir inspirado pelos seus valores e obrigações religiosas.

O certo que não foi preciso esperar muito para perceber a mão da Obra na política de saúde e no meio de algumas comparticipações que foram suprimidas surge uma que parece emblemática, o fim da comparticipação nas pílulas. Agora já não vale a pena ir com a adolescente à consulta de planeamento familiar de onde se trazia uma receita para a pílula e as consequências vão estar à vista, o Estado vai gastar em abortos o que poupa em comparticipações, mas como se sabe os supranumerários não só são contra a contracepção como o seu planeamento familiar é obra de Deus e não uma especialidade clínica. Mas convém não esquecer a opinião expressa sobre o assunto por Passos Coelho durante a campanha eleitoral, depois do combate à contracepção a orientação evangélica do ministério da Saúde pode muito bem virar-se para o aborto.
   
 Erro clínico

Portugal entrou na sala de cirurgia para lhe serem retiradas as gorduras e vai sair de lá sem as duas pernas.

 Pergunta de ingénuo

Se Passos Coelho e o seu governo é tão liberal que sempre defendeu a privatização, pelo menos parcial, da segurança social porque razão vai nacionalizar o fundo de pensões da banca, que estava onde Passos acha que deve estar e era gerido da forma que Passos sempe defendeu?

 A Troika já interveio na PSP de Beja

 
Imagem de autor desconhecido. Aqui fica o pedido de desculpas pela utilização da imagem que chegou por email.
    
 

 (Psst: vão transferir as pensões da banca...)
 
«O escândalo é um bicho inteligente. Perseverante. Triunfa pela repetição. E, assim, o que há um ano incendiava hordas hoje não levanta um sobrolho. Talvez seja relativismo. Ou apenas cansaço. Mais um fundo de pensões vai ser transferido? Não há problema. Não há sequer debate. Afinal, é apenas mais um. Mesmo que seja o maior. Mesmo que seja um favor à banca. Mesmo que seja uma ameaça aos bancários e um risco para os contribuintes.

O extraordinário, uma vez repetido, passa a ordinário. Em 1997, o País pasmou com a transferência do fundo do BNU. Depois, com o dos CTT. Porque eram receitas extraordinárias para tapar os défices de um ano. Porque traziam mais défices para os anos seguintes. O Tribunal de Contas arrasou, aliás, o expediente. Em 2010, há menos de um ano, nova bronca: a transferência do fundo de pensões da PT serviu para maquilhar mais um défice e, mesmo bem "fundeado" (já lá vamos), o fundo trouxe risco. Verão de 2011: é anunciada pela troika (não pelo Governo...) a transferência do fundo de pensões dos bancários para o regime geral da Segurança Social. Alguns cães ladram. A caravana passa. Discretamente.

Como é possível a transferência do fundo de pensões ser boa para a banca e para o Estado ao mesmo tempo? Não é. Por muitas razões. A primeira é a mais óbvia: há um efeito positivo no primeiro ano nas contas públicas (quando entram os activos) que passa a ser negativo todos os anos daí em diante (quando se pagam as pensões). Mas há outra razão, mais importante: a de que o risco mudou dos bancos para o Estado. É por isso que os bancos há anos pediam a benesse. Para extirpar o risco.

A transferência do fundo de pensões da banca é (como aconteceu na PT) completamente "fundeada": todas as responsabilidades estão provisionadas, pelo que o saldo é neutro para o Estado. Certo? Bom, talvez. Depende dos critérios. Dos chamados critérios actuariais, ou seja, da esperança média de vida prevista e da taxa de actualização das responsabilidades futuras. Mais 1% na taxa de desconto e tudo muda; mais um ano de vida dos pensionistas e a felicidade de uns é o défice de outros. Quantos anos viverão os pensionistas ao certo? Deseja-se que muitos, mas é impossível saber. E por isso se chama risco. Risco que sai dos balanços dos bancos para o do Estado. Deixa de ser dos accionistas dos bancos para passar a ser dos contribuintes.

Não há aqui negociata, é trigo limpo e a banca até está a precisar de amparo. Mas não nos tomem por parvos. Nem na PT, nem nos bancos.

Mas há mais. Esta transferência é especialmente complicada porque os bancários têm condições especiais em relação aos trabalhadores que descontam para o regime geral. E uma delas é central: o desconto mensal de um trabalhador "normal" é de 11%, o de um bancário é de 5%. Com a transferência do fundo de pensões, esta diferença de descontos é inaceitável. Por isso, ou os bancários passam a descontar mais e, portanto, a ganhar menos salário líquido, ou os bancos aumentam os seus salários brutos de modo a compensar o desconto adicional e manter o salário líquido. A primeira hipótese é mata para uns, a segunda é esfola para outros. Como será? Não se sabe. Provavelmente não está sequer decidido. Por isso é que a transferência vai começar pelos bancários que já estão reformados. Esses, 35 mil, já não descontam, nem 11% nem 5%.

Os fundos de pensões "privados" são uma herança do passado maldita pelo presente. Porque quase todos têm pouca gente no activo a contribuir para os que estão a beneficiar. Como acontece, aliás, no regime geral Segurança Social. Só que este não é transferível a não ser para as gerações futuras. E agora acolherá também os bancários. Sejam bem-vindos à insustentabilidade.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Pedro Santos Guerreiro.
  
 A crise internacional evaporou-se

«Não é uma brincadeira. É claro que a crise internacional continua viva.

Sabemos que os ataques ao euro continuam. Que as bolsas europeias têm sofrido revezes importantes nos últimos dias. Que não tem havido progressos na questão de uma resolução política para consolidar o euro. Mas a crise internacional evaporou-se num lugar: no debate político em Portugal.

Este Governo, no poder há cem dias, optou por uma estratégia exclusivamente nacional: tendo feito o acordo com a troika, o que temos de fazer é aplicá-lo. Toda a política é nacional, todas as alavancas parecem estar nas mãos de Vítor Gaspar e Passos Coelho. Gaspar fez as suas contas e veio afirmar que 2012 será o principio do fim da crise. Aliás, estas expectativas estão reflectidas no documento apresentado pelo ministro das Finanças contendo as principais linhas orientadoras do Orçamento do Estado do ano que vem: ao contrário da recessão europeia que está anunciada internacionalmente, prevê-se um crescimento moderado na Europa. Estas previsões contrariam tudo o que se tem publicado recentemente nos jornais internacionais, onde se anuncia uma recessão europeia.

Esta opção de "nacionalizar" a crise é diametricamente oposta da do Governo anterior que optou por uma quase total "internacionalização" da crise. No final do mandato de José Sócrates, a mensagem política era muito clara. Segundo o primeiro-ministro anterior, os problemas que se viviam em Portugal deviam-se em larga medida à crise internacional. Os ataques dos mercados à dívida pública portuguesa na verdade eram concertados para testar a resiliência do euro. Todos estão lembrados das sucessivas viagens feitas por José Sócrates e Teixeira dos Santos pelas capitais europeias, para evitar o pedido de ajuda financeiro oficial de Portugal, defendendo uma solução europeia para a crise do euro. Sócrates tentava negociar com Merkel apoio da Alemanha contra os ataques dos mercados, e em troca prometia austeridade e reformas.

Nesta forma de enquadrar o debate político houve pois uma mudança radical. Enquanto Sócrates tentou em parte desresponsabilizar a sua governação, atribuindo as culpas ao contexto internacional, Passos Coelho espera que um comportamento de bom aluno seja suficiente para salvar Portugal. Mas ainda não percebeu que a sala de aulas está a arder.

Concretamente, no seguimento do que o País viveu no último ano, e do contágio evidente que a crise grega teve para Portugal, o facto dos juros das obrigações gregas a um ano terem atingido ontem os 88% no mercado secundário não pode ser ignorado. Se a Grécia for obrigada a declarar a bancarrota, como ficarão as perspectivas de saneamento financeiro da economia portuguesa, e mesmo da europeia?

Nesta como noutras questões, é difícil perceber com exactidão onde começam os nossos problemas e acabam os que resultam da crise internacional. É evidente que Portugal tem problemas estruturais que têm sempre de ser atacados, com ou sem crise internacional. Mas do ponto de vista político, nunca como hoje se viu com tanta clareza que o que se passa em Bruxelas, em Berlim, ou em Atenas tem um impacto fundamental sobre a vida dos portugueses.

O anterior Governo foi pois atacado por estar a faltar à verdade aos portugueses. Por negar problemas reais da economia portuguesa, escondendo-se por detrás da desculpa da crise internacional. Mas este Governo também pode ser acusado de não falar verdade aos portugueses, pois os cenários onde está a construir a recuperação da economia são inverosímeis. Isso é grave, por várias razões. Primeiro, porque põe em causa os frutos do esforço que está a ser exigido aos portugueses - caso esteja a ser pensado em cima de contextos errados. Depois porque descredibiliza o discurso do Governo perante o eleitorado que sabe o que se passa a nível europeu (isto é, toda a gente). E finalmente, e talvez mais importante, anula o papel que Portugal poderia ter em pressionar a UE para uma resolução europeia da crise. » [Jornal de Negócios]

Autor:

Marina Costa Lobo.
     

 Anedota do dia

«O presidente do PSD-Madeira afirmou quarta-feira que o seu primeiro objectivo é fazer o acordo financeiro com o Executivo da República para resolver os custos da "resistência às medidas do PS", à qual atribuiu o aumento da dívida regional.

"A resistência às medidas do Governo do PS custou caro. A dívida cresceu bastante e é preciso pôr as finanças em ordem para levar isto para a frente e poder pagar os atrasos que estão por pagar", disse Alberto João Jardim num dos comícios da pré-campanha na freguesia da Boaventura, no concelho de S. Vicente.» [DN]

Parecer:

É caso para dizer que os resistentes madeirenses são uns rapazes com sorte, ficaram cheios de dinheiro.
 
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada de desprezo.»
  
 PSD poupa as suas gorduras autárquicas

«O Governo aprovou hoje as linhas gerais da reforma da Administração local, que inclui a redução do número de freguesias.» [DE]

Parecer:

Nada que não possa ser compensado por mais um aumento de impostos explicado com um desvio colossal.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o oportunismo de mistura com a falta de coragem.»
  
 Estão explicadas as cambalhotas políticas de Freitas do Amaral

«Diogo Freitas do Amaral deverá suceder a Murteira Nabo na presidência do conselho de administração da Galp, avança o "Diário Económico".
 
O nome do jurista terá sido avançado pela Caixa Geral de Depósitos que detém 1% da petrolífera e representa os interesses do Estado, a quem cabe a nomeação do charmain da companhia.» [Expresso]

Parecer:

Vai ter a merecida reforma para a acrescentar a reforma de deputado conseguida por ter ocupado o cargo contra a vontade do seu partido.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o espectáculo triste.»
  

 Burning Man at 25 years [Boston.com]

«The 25th Burning Man festival, with a theme of "Rites of Passage," took place Aug. 29 to Sept. 5, 2011, 120 miles outside Reno, Nev., in the Black Rock Desert, its home since 1990. Some 50,000 people attended the week-long celebration, which is billed as "an annual experiment in temporary community dedicated to radical self-expression and radical self-reliance." The event, which is more a temporary city than a traditional festival, arose from a bonfire held on the Summer Solstice at Baker Beach in San Francisco in which a wooden man a dog were burned in a spontaneous act of self-expression by local artists and their friends. -- Lloyd Young»