sábado, setembro 24, 2011

O "silêncio" do presidente

 
 
Quando o país mais precisaria de ter alguém capaz de unir os portugueses temos um presidente que faz profundas reflexões sobre o sorriso das vacas e a sua relação com a cor dos prados. O que pensará um desempregado que olha para este presidente na expectativa de uma palavra de esperança e ouve-o a comentar o sorriso das vacas da Graciosa?

Quando o país mais carece de exemplos de rigor temos um presidente que vai para os Açores com uma comitiva digna da comitiva de D. Manuel I ao papa Leão X, trinta pessoas onde não faltava um mordomo, só faltou ter levado um rinocerote. O que pensará alguém que chega ao dia 20 sem dinheiro ao ver que o seu presidente gasta numa viagem, onde se limita a dizer patetices e banalidades, mais dinheiro do que uma família média portuguesa paga em impostos durante vários anos?

Quando o país se surpreende com um palhaço que põe em causa a sua unidade nacional o presidente não vem em defesa da unidade nacional, não se opõe a que o país fique sob a chantagem de independências regionalistas, não reage a que os portugueses sejam designados por cubanos ou colonialistas. O que pensará o cidadão comum que há poucos dias viu o seu nacionalismo estimulado contra as agências de rating e agora que um político que gastou dois mil milhões às escondidas e ainda goza connosco se depara com um silêncio quase cobarde?

Quando o país espera que actuações ilegais de responsáveis políticos que poem em causa a segurança económica de todos os portugueses e a credibilidade externa do país sejam condenadas de forma clara o presidente opta pelo silêncio, em vez de condenar actuações ilegais vai para os Açores dizer que por ali também há dificuldades de financiamento. O que pensarão todos os autarcas e governos regionais que cumprem as regras?

Quando o país mais precisava de ter um Presidente da República à altura dos desafios tem um presidente que se ofende muito quando sente a sua honra beliscada, que defende com ardor a sua honestidade, que faz discursos violentos contra governante que não são do seu partido, mas quando é a dignidade dos portugueses que é em posta em causa, quando é a credibilidade e imagem do país que é ofendida, quando são os seus que fazem asneira, fica em silêncio.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento 


Bairro da Graça, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Rio Minho visto desde Gondarém [A. Cabral]
  
A mentira do dia d'O Jumento: a nova publicidade do "Continente"
   

 
  

Jumento do dia


Cavaco Silva

Parece que Cavaco tem azar com as vacas e com os Açores, depois da última reflexão sobre a ordena das vacas fez agora rir o país à gargalhada com o seu ar embevecido a falar do sorriso das vacas olhando para o prado verdejante. Quanto à sua ida aos Açores a coisa não é melhor, da última vez que lá foi faleceu José Saramago e fez a figura que toda a gente sabe e desta vez pouco mais ficou do que o sorriso das vacas e mais a declaração do costume, que ninguém está imune aos sacrifícios.
 
Que ninguém está imune aos sacrifícios todos sabemos que é uma mentira já gasta, o que não se entende é que em tempos de crise o Presidente da República faça viagens para falar do sorriso das vacas e se faça acompanhar de uma autêntica corte, onde nem falta um mordomo. Além de não ser tempo para estas mordomias medievais próprias de um monarca dos tempos do ouro do Brasil, a figura triste que o Estado faz com um presidente a viajar com a sua corte para fazer reflexões sobre o estado psicológicos das vacas e um primeiro-ministro a viajar em classe económica para Nova Iorque.
 
Por favor, não gozem com este pobre país.
  
«Cavaco Silva está em visita oficial aos Açores desde terça-feira e, além da sua mulher, acompanham o Presidente da República mais 30 pessoas, ao longo de cinco dias.
 
Da lista oficial a que o PÚBLICO teve acesso, constam o chefe da casa civil do Presidente, Nunes Liberato, também acompanhado pela mulher, quatro assessores, dois consultores, um para os assuntos políticos e outro para a comunicação social, e cerca de uma dúzia de elementos do corpo de segurança, entre eles dois sargentos, um tenente-coronel, um subintendente e cinco agentes principais. Mas da comitiva do Presidente fazem parte também dois fotógrafos oficiais, um médico pessoal, uma enfermeira, dois bagageiros e até um mordomo.
 
Na chegada ao arquipélago açoriano, questionado sobre o buraco orçamental das contas madeirenses, Cavaco foi parco em palavras, mas reiterou o que já afirmou várias vezes: "Ninguém está imune aos sacrifícios." O Presidente e a sua comitiva têm agendado para amanhã o regresso a Lisboa.» [Público via CC]

 A Europa estúpida

Alguns países europeus estão a levar o seu egoísmo a extremos o que, aliás, não é motivo de admiração, a Alemanha abandonou a sua postura solidária e agora vês a Europa apenas como o seu mercado, os finlandeses só entraram para a CEE quando julgaram ganhar mais do que estando de fora e a Holanda sempre teve uma postura oportunista o que explica que algumas grandes empresas portuguesas lá tenham a sede das suas holdings.

Esse egoísmo é tão grande que ao olharem para os interesses nacionais deixaram de ter a noção de que a Europa já perdeu muito mais do que o valor da dívida grega que se situa acima do que a Grécia poderá suportar. A Economia abrandou, o sistema financeiro europeu está a perder competitividade, uma elevada percentagem dos bancos europeus está subvalorizado nas bolsas, a generalidade dos países pagam jutos mais elevados pelas suas dívidas.

Em vez de encontrar uma solução que assegure a estabilidade do Euro a Europa optou pela indecisão, por jogar cinicamente com os países europeus mais vulneráveis, por alinhar com adjectivos como os “pigs”. O resultado foi deixarem o futuro do Euro entregue nas mãos dos especuladores e das agências de rating. A única solução que a Europa encontrou para responder à crise foram vagas cegas de austeridade que a tornarão mais pobre e menos competitiva face à América e às economias emergentes.
  
 Vai uma aposta?

  
Em como o Alberto João e a RA não sofrerão qualquer penalização?

É caso para dizer: já chegámos à Madeira?

 Enriquecimento ilícito

Se não tenho quaisquer dúvidas de que alguém que não prove que pagou impostos sobre o rendimento em relação a ganhos em relação aos quais não consegue provar que foram devidamente tributados, já tenho muitas dúvidas em concluir que se alguém que não prova que recebeu o dinheiro seja corrupto. Este raciocínio deve levar a concluir que um pobre que aparece com uns tostões deverá ser condenado por ser ladrão já que corrupto não poderá ser.
 
Esta inversão do ónus da prova poderia ser considerado na generalidade dos crimes, mais tarde ou mais cedo os magistrados preguiçosos vão sugerir a sua generalização. A verdade é que temos uma justiça incompetente que só consegue provar crimes recorrendo a escutas telefónicas e mesmo assim atropela tantas vezes as regras que na maior parte dos casos essas provas são consideradas nulas em tribunal.
 
O perigo desta abordagem reside na probabilidade de serem mais os inocentes a serem condenados do que os corruptos a pagarem pelos seus crimes. A partir de agora quem exibe um tostão é presumivelmente um corrupto e se um magistrado reparar nele ou se alguém mandar uma carta anónima (que até pode ser enviada pelo magistrado) está a contas com a justiça.
     
 

 Linda brincadeira

«A 30 de Novembro de 2006, foi aprovada no Parlamento uma nova Lei das Finanças Regionais. Estabelecia-se, "tendo em vista assegurar o princípio da estabilidade orçamental", limites ao endividamento de Açores e Madeira, que passavam a ser determinados em sede de Orçamento do Estado em termos "compatíveis com os conceitos utilizados em contabilidade nacional" e "tendo em consideração as propostas apresentadas pelos Governos Regionais". Determinavam-se ainda sanções por violações aos limites do endividamento, implicando estas uma redução nas transferências do Estado para a região, não podendo doravante, "sem prejuízo das situações legalmente previstas", os empréstimos a emitir pelas Regiões beneficiar da "garantia pessoal do Estado". Toda a oposição ao PS, à excepção do CDS-PP (que se absteve), votou contra. O presidente do Governo Regional da Madeira insistiu junto de Cavaco, então no seu primeiro ano de mandato como Presidente, para que vetasse o diploma, invocando a sua inconstitucionalidade (o Tribunal Constitucional, que o fiscalizou a pedido dos deputados do PSD, não concordou). A lei foi promulgada e entrou em vigor em Fevereiro de 2007; Jardim demitiu-se para voltar a candidatar-se a eleições e ganhar nova maioria absoluta.

Três anos depois, a 5 de Fevereiro de 2010, PSD, CDS, BE e PCP aprovaram, com os votos contra do PS (em maioria relativa após as legislativas de Setembro de 2009), uma proposta de alteração à lei, na qual o limite do endividamento deixava de ser fixado pelo Governo central. As sanções por violação passaram a prever que as verbas retidas pelo Estado fossem afectas "de imediato" à amortização da dívida da Região (ou seja, na prática, a República é obrigada a afectar o valor à Região, independentemente de esta ter ou não prevaricado), e a "garantia pessoal do Estado", ou seja, o respectivo aval, passou a estar disponível para empréstimos a emitir pelos governos autónomos.[DN]

Em reacção, o então ministro das Finanças, Teixeira do Santos, afirmou ir usar "todos os instrumentais legais ao [seu] alcance para cumprir o disposto no Orçamento do Estado", no que foi entendido como uma ameaça para bloquear a transferência de verbas para a Madeira. Quinze dias depois, porém, a ilha era palco de uma brutal enxurrada que causou 42 mortes e arrasou parte do Funchal, impondo tréguas entre os dois executivos. Numa lei aprovada a 29 de Abril de 2010, o Governo nacional comprometia-se a ajudar à reconstrução, transferindo, até 2013, 740 milhões de euros para a Madeira. (Até Dezembro de 2010, a ilha já recebera 191,3 milhões; de acordo com o Tribunal de Contas só 29,5% foram usados para projectos de reconstrução, desconhecendo-se o destino dos restantes 134,9 milhões.)

Vai haver, disse o primeiro-ministro, "alterações do ponto de vista legislativo para que estas situações não possam voltar a ocorrer no futuro". Que bela ideia.»

Autor:

Fernanda Câncio.
  
 Afinal, é sistémica

«“A Grécia está à beira do incumprimento e, se isso acontecer, Portugal vai a seguir e terá de formular um segundo pedido de ajuda externa”: foi esta a desastrada mensagem que o primeiro-ministro resolveu transmitir ao País, à Europa e ao Mundo na sua primeira entrevista televisiva.

Não havia necessidade. E o pior é que não bate certo: entre a anunciada estratégia do Governo de demarcação da Grécia e esta inusitada colagem de Portugal ao futuro da Grécia há uma manifesta contradição, que é absolutamente insanável.

As consequências deste erro de palmatória não se fizeram esperar: logo no dia seguinte os mercados fizeram Portugal pagar juros ainda mais altos na emissão de dívida pública e a imprensa internacional deu o destaque que era previsível à "gaffe" do primeiro-ministro. Resultado: a mensagem de Passos Coelho só serviu para reforçar a indesejada associação entre Portugal e a Grécia.

Convém recordar que o primeiro-ministro não é um simples comentador que possa entregar-se à apaixonante tarefa de especular sobre cenários, sem medir as consequências do que diz. Independentemente da razoabilidade do cenário ou da falta de enquadramento dos efeitos de um incumprimento grego no conjunto da zona euro, o que conta é que o primeiro-ministro foi à televisão admitir, e portanto colocar na agenda, o cenário de um segundo pedido de ajuda externa para Portugal. A ideia é surpreendente: como devia ser óbvio, espera-se de Portugal que dê sinais de confiança na execução do seu programa de assistência financeira e não que especule sobre a necessidade de um novo pedido de ajuda, seja lá em que hipótese for.

Importa notar, todavia, que subjacente ao raciocínio do primeiro-ministro está uma certa aplicação da teoria do "efeito dominó" e com ela vai o reconhecimento da natureza internacional e sistémica da crise. O que o primeiro-ministro está a dizer é que no actual contexto internacional, com a crise das dívidas soberanas na zona euro e nos chamados países periféricos, por muito que façamos, por muito acertadas e austeras que sejam as medidas, o Governo não pode garantir resultados e menos ainda pode assegurar uma "recompensa" justa e racional dos mercados para o esforço dos portugueses.

Chega-se, assim, ao paradoxo total: a natureza sistémica da crise serve para explicar, até por antecipação, um eventual segundo pedido de ajuda externa mas já não serve para explicar o primeiro! Esta tese, é claro, parece demasiado conveniente para ser verdade. E é.

Impressiona como bastou a mudança de Governo para alterar tão radicalmente a compreensão de tanta gente sobre a natureza da crise que enfrentamos. Tão súbita conversão parece milagre e faz por isso lembrar o célebre episódio bíblico da conversão de S.Paulo. Também ele, de repente, viu a luz.

A história, narrada nos Actos dos Apóstolos, resume-se assim: S. Paulo, então ainda simplesmente Paulo, feroz perseguidor dos fiéis, seguia pela estrada de Damasco quando se viu subitamente envolvido por uma intensa luz vinda do céu, a qual, ao que está escrito, o terá feito "cair por terra". O pobre Paulo, em estado de choque - como se tivesse levado, digamos assim, um murro no estômago - terá estado ainda três dias sem ver e só depois compreendeu o que tinha acontecido: converteu-se e recuperou a visão. Muitos, subitamente convertidos à dura realidade desta crise sistémica, parecem ter passado por uma experiência semelhante.

Durante anos, empenharam-se em negar ferozmente, em acesas batalhas políticas, a relevância decisiva da crise internacional para explicar as dificuldades excepcionais que o País enfrenta. Agora, de repente, viram a luz, compreenderam tudo e passaram da cegueira à lucidez. Entretanto, como na história de Paulo, caíram por terra.» [DE]

Autor:

Pedro Silva Pereira.
  
 Bailinho da Madeira

«Em certos países Alberto João Jardim estaria hoje em grandes apuros, destituído, processado, eventualmente preso. Por cá não lhe vai acontecer nada. O mesmo não se pode dizer dos restantes 10 milhões de portugueses que vão receber a conta de um bailinho que dura há três décadas.

Conceda-se, Jardim tem estilo. Um estilo trauliteiro, burlesco, depreciador das regras mínimas de convivência civilizada. Eleito democraticamente age como um ditador. Humilha os adversários, censura, persegue quem ousa criticá-lo. É um homem de outro tempo e de outra cultura. Para ser um Kadhafi só lhe falta a tenda, e já agora o petróleo. Como não o tem vai saqueando o país inteiro. Hábil nas ameaças, quantas vezes já acenou com o separatismo, ainda é mais habilidoso a conseguir o que pretende. E todos, sem exceção se têm vergado à sua vontade. Governos socialistas, sociais-democratas, sucessivos presidentes, todos cederam. Ninguém sai incólume desta história.

Agora foi apanhado em flagrante. O buraco da Madeira finalmente abriu-se à vista de todos. E tal como em tanta farsa que abunda nos dias que correm, a súbita indignação dos agentes políticos e dos responsáveis institucionais é patética, hipócrita, indigna mesmo. Toda a gente sabia.

As irregularidades são evidentes, confirmadas até pelo próprio naquilo que Jardim designou, com a habitual displicência, por um "lapsus linguae".

O esquema é simples de explicar. Combina-se a obra, faz-se e inaugura-se, mas sem emissão de faturas que são atiradas para uma data posterior. A despesa não é contabilizada e não aparece nas contas públicas. Mais tarde emerge como dívida.

O esquema é simples mas ilegal. Mesmo para um leigo ficam no ar algumas questões. Existiram cadernos de encargos, concursos, adjudicações, contratos, registos administrativos? Se não existiram é um caso de polícia. Mas se existiram como foi possível não detetar a inexistência de faturação? Que entidades deviam fiscalizar e não o fizeram? Com o túnel ou a estrada inaugurados ninguém reparou que não havia conta para pagar?

O mundo está cheio de engenharias financeiras. No setor privado elas são corriqueiras, mas na Administração Pública, porque estão em causa dinheiros dos contribuintes, é suposto existirem mecanismos de controlo que as impedem e vão desde os serviços da entidade adjudicante ao Tribunal de Contas e chegam mesmo aos organismos europeus. Aparentemente para a Madeira tudo isto falhou. E das duas uma, ou houve incompetência ou conivência.

É por isso que reduzir este "caso" ao arquipélago e à figura truculenta de Alberto João Jardim, esconde a realidade dos factos. O buraco da Madeira puxa Portugal para mais perto da Grécia. Os mecanismos de fiscalização não são fiáveis, a justiça não funciona, a irresponsabilidade prolífera na administração pública.

Ninguém escapa. O Presidente da República mostra mais uma vez falta de isenção e postura suprapartidária. Basta comparar a solene e extemporânea declaração ao país em 2008 por causa do académico Estatuto dos Açores e a presente complacência para com as tropelias de Jardim.

O PS nunca conseguiu realmente enfrentar Jardim e, não poucas vezes, lhe aparou os maiores golpes. Isto para não falar da incapacidade de se apresentar como alternativa democrática e apresentar candidatos decentes.

PC e Bloco também não podem falar de alto porque, excetuando a asfixia democrática, a Madeira representa aquilo que defendem. Ou seja, funcionalismo da maioria da população, intenso investimento público. E até, uma vez apanhado em flagrante, Jardim, tal como Louçã e Jerónimo, também quer a renegociação e mesmo o perdão da dívida. O PP é o único que apresenta um discurso coerente sobre o assunto.

Mas é claramente o PSD que fica pior na fotografia. Seguindo o exemplo da China, vive em regime de um partido dois sistemas. O do Continente onde se mostra muito moralista, defensor do rigor financeiro, adverso ao investimento público e o da Madeira onde reina a imoralidade, a trafulhice e o esbanjamento do dinheiro público. Afinal, sabemos agora, a grande gordura que caberia mesmo cortar encontra-se na barriga de Jardim.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Leonel Moura.
    

 BCP ao preço da uva mijona

«As acções do BCP perdiam hoje 3,3% para um novo mínimo histórico nos 0,176 euros, cotação que avalia o banco em 1,29 mil milhões de euros. Nas últimas três sessões os títulos do banco acumularam perdas de 11%. Em 2011 o saldo é negativo em 67%, o pior desempenho no índice PSI 20.» [DE]

Parecer:

Um dia destes as acçõs do BCP valem menos do que um pacotinho de açúcar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Os professores não sabem ler

«À saída do encontro, convocado de urgência, o presidente da associação, Adalmiro Botelho da Fonseca, manifestou-se convicto de que a lei foi cumprida.

“Analisámos todo o processo e ficou tudo esclarecido”, disse o dirigente, justificando: “Terão havido alguns equívocos na interpretação da lei, mas os normativos foram cumpridos” pelas escolas e pela Direcção-Geral de Recursos Humanos da Educação.

Os equívocos, prosseguiu, “foram da leitura da lei de quem concorreu e se sentiu lesado”.

Aldamiro Fonseca considerou que os professores “provavelmente não leram os normativos com a atenção devida”.» [Público]

Parecer:

É para rir?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os professores desempregados para as Novas Oportunidades.»
  
 Libertadas dez águias-pesqueiras no Alentejo

«Já foram libertadas as dez águias-pesqueiras que chegaram ao Alentejo em Julho, vindas do Norte da Europa, para dar início ao projecto de reintrodução da espécie em Portugal. Seis delas já poderão estar a caminho de África, nas migrações.

A águia-pesqueira (Pandion haliaetus) extinguiu-se enquanto espécie que nidifica em Portugal em 1997, ano em que morreu a fêmea do único casal existente no país, na costa alentejana. Desde então, a ave pode ser avistada durante as migrações.» [Público]

Parecer:

Veremos quanto tempo sobreviverão aos caçadores ou aos pescadores ciumentos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Cinco milhões, dizia o Alberto

«O secretário Regional do Plano e Finanças da Madeira, Ventura Garcês, disse esta sexta-feira que a dívida da região era de 5,8 mil milhões de euros a 30 de Junho último.
 
"Se tivermos em linha de conta todas as responsabilidades da região, a 30 de Junho de 2011, o montante total ascendia a 5,8 mil milhões de euros, dos quais três mil milhões do Governo Regional e 2,8 mil milhões de euros do sector público empresarial, estando aqui incluídos 1,2 mil milhões de euros de avales concedidos a empresas públicas, detidas ou participadas pela região", afirmou Ventura Garcês.» [DN]

Parecer:

Ontem o Alberto dizia que eram cinco milhões, hoje já são mais oitocentos mil!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aposte-se em mais dois milhões.»
  
 A anedota do dia

«Mário Nogueira anunciou hoje que a Federação Nacional dos Professores vai apresentar queixa na Procuradoria-Geral da República contra o concurso de professores por considerar que houve uma clara intenção de privilegiar os contratos mensais.» [Público]

Parecer:

Pobre Mário.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Mário se agora já não recorre às providências cautelares.»
  
 Sugestão manhosa

«O Presidente da República reconheceu hoje que o problema do financiamento do investimento privado também está a atingir os Açores, mas lembrou que não é tempo de aumentar o peso do Estado no setor empresarial.
 
"Portugal em geral tem neste momento um problema: é o problema do financiamento da economia, que atinge também aqui os Açores, talvez proporcionalmente esteja atingir mais os Açores do que aquilo que eu antecipava", afirmou o chefe de Estado, em declarações aos jornalista no final de uma visita a uma fábrica de atum, na Calheta, em São Jorge.» [Expresso]

Parecer:

Quando o país está surpreendido com o buraco na Madeira e espera uma palavra de Cavaco Silva este diz que os Açores também têm um problema de financiamento da economia. É evidente que o também não tem relação com a situação da Madeira mas sugere precisamente isso. Mas entre a Madeira e os Açores não há lugar a qualquer também, nem agora nem quando era governado por Mota Amaral. Sejamos honestos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  

 Hindu festivals [The Atlantic]











   




sexta-feira, setembro 23, 2011

Finanças a mais e economia a menos

Um modelo económico suicida assente no consumo e na ausência de poupança com o Estado a gastar cada vez mais e a uma parte crescente da riqueza a ser exportada sob a forma de juros teria que resultar em recessão. Temos excelentes estradas mas poucas empresas para as usar, temos excelentes hipermercados mas os consumidores estão tesos, temos uma banca moderna mas sem dinheiro para emprestar.

Não vale a pena culpar este ou aquele governo, todos os partidos produziram discursos alimentando este modelo, tivemos um Presidente que nos ensinou que há mais vida para além do défice e agora temos outro que quando um governo reagiu às dificuldades manifestou o seu sentido da cooperação dizendo que há limites para a austeridade, agora que há mesmo austeridade opta por ficar embevecido com o sorriso de felicidade das vacas da Graciosa enquanto olham para a erva fresca.

O desemprego de empresas inviáveis era inevitável, da mesma forma que a necessária contracção do consumo financiamento pelo endividamento externo, seja por parte do Estado ou dos particulares, resultará no encerramento de empresas que se especializaram em corresponder ao consumo excessivo.

Mas se as políticas de austeridade são inevitáveis isso não implica e que tanto destruam as empresas multiplicadas por um modelo que conduziu o país a um beco de difícil saída como as que são indispensáveis para a retoma do país. Também não implica que se deixe de investir no futuro do país, partindo-se do princípio de que serão as vantagens comparativas da mão-de-obra barata que proporcionarão a retoma sustentada da economia.

Os objectivos de uma política económica são contraditórios e resolver os problemas financeiros do Estado ao mesmo tempo que se minimizam o impacto negativo nos sectores económicos indispensáveis ao futuro do país é um exercício de inteligência.

É esse exercício a que não temos assistido, Vítor Gaspar assumiu a tarefa transcendente de salvar as finanças do país, algo que não é novo. Já o fizemos no passado, o resultado foi um Estado com ouro nos cofres e um país condenado ao subdesenvolvimento, não tinhas vias de comunicação modernas mas eramos um país muito bonito, com estradas ladeadas por magníficos eucaliptos que mataram milhares de portugueses.

Apolítica económica não pode estar condicionada apenas aos objectivos associados à dívida soberana e é por isso que os ministérios das pastas económicas, a Economia e a Agricultura, são importantes. O prolema é que há finanças a mais e economia a menos, o ministro da Economia parece uma personagem saída dos Batanetes e a ministra da Agricultura acha que a coisa vai com quintais cheios das enormes couves-galegas. Compreende-se que no meio empresarial começam a sentir-se sinais de nervosismo, fala-se muita de austeridade e pouco, muito pouco de economia.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Vacas tristes (o pasto não esta verde) junto à ponte sobre o Guadiana
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Braga [A. Cabral]
  
Jumento do dia


Assunção Crista

A ministra parece estar muito preocupada com a agricultura e para alguém formado em direito lembrar-se de percentagens até parece representar um esforço notável, o problema é que lá vão três meses e a única medida para fazer suar a agricultura foi a adopção de um regulamento de vestuário no ministério para poupar no ar condicionado.
   
Começa a ser tempo de a ministra deixar de fazer intervenções dignas de um estudante do 12.º ano e começar a dizer o que o governo pensa mesmo, até para que os portugueses comecem a achar que os ministros designados pelo CDS não são apenas elementos decorativos, al é a pobreza do seu desempenho.
  
«“Temos um défice muito grande na balança alimentar. A nossa produção a esse nível anda na casa dos 30 por cento e é um objetivo muito claro do Governo aumentá-la. É preciso um olhar renovado para a agricultura, devolvendo-a ao papel que deve ter em Portugal e nos países mais desenvolvidos do mundo – países esses que têm sempre um setor primário forte”, disse.» [i]

 A cobardia da justiça

Já depois de todos os políticos se terem pronunciado o Procurador-Geral lá percebeu que o "buraco Alberto" indicia a existência de um crime e decidiu-se pela abertura de um inquérito. Até aí tudo bem, com a morosidade de uma justiça que mede o tempo por quinquénios não será mais um dia, menos um dia que prejudica o processo. O que não se entende é a razão por que o inquérito visa desconhecidos quando o próprio Alberto João já assumiu a responsabilidade e até invocou legítima defesa. Ainda vamos descobrir que o responsável pelo buraco madeirense é o faroleiro das Ilhas Selvagens.

 O Estado da Palestina

Até quando teremos de esperar para que os EUA e a Europa entendam que o Estado da Palestina não só é uma inevitabilidade histórica que tem tanta legitimidade quanto a existência do Estado de Israel?

 Não fui eu o feliz comensal


 Vamos ajudar José Sócrates


O Correio da Manhã anda tão preocupado com Sócrates e com a família que corremos o risco de um dia deste virmos a saber que o que o ex-primeiro-ministro ainda usa o papel higiénico Renova que levou da residência oficial de São Bento. Será que o CM está preocupado com a situação financeira do desempregado José Sócrates? Se assim é o CM poderia lançar um NIB para onde os interessados em auxiliar Sócrates pudessem transferir os seus donativos.

 O spot publicitário preferido pro Cavaco Silva?


 A Europa de Delors e a Europa de Durão Barroso

No tempo de Delors quando a Europa enfrentava um problema, fossem as negociações dos preços agrícolas ou um qualquer problema comum à então CEE os ministros entravam para a sala de reuniões e só de lá saiam quando tinha sido encontrada uma solução. Agora multiplicam-se as reuniões nos mais diversos formatos, os périplos e os discursos de tudo quanto é gato no governo alemão e nada se resolve.

Na Europa de Delors a prioridade era a construção do projecto europeu e o princípio era o da solidariedade, na Europa de Durão Barroso impera o egoísmo e o princípio é o do salve-se quem puder. Quando Delors falava era ouvido e a sua opinião era respeitada, quando Durão Barros abre a boca nem os jornalistas não conseguem deixar escapar o bocejo.
  
Quer Delors, quer Durão Barroso são a imagem perfeita da Europa do seu tempo, tal como Delor foi o melhor presidente que a Comissão poderia ter tido quando se construía o projecto Europeu, Durão Barroso foi a escolha perfeita para a hora da destruição desse projecto.

 Sabiam que?

Ao contrário do que sucede no resto do país onde a gestão do fisco depende do governo da República na Madeira o fisco depende do Alberto João, uma benesse concedida por Manuela Ferreira Leite quando era ministra das Finanças? Pois é, tem um paraíso fiscal duvidoso e controla o fisco local.
 
Agora que tanto se fala de fusão do fisco com o envolvimento da troika não seria interessante perguntarem-lhes o que acham disto?
 
Note-se que há poucos dias João machado, director dos Assuntos Fiscais da Madeira, foi notícia por ter criado juntamente com três dirigentes do Nacional uma empresa off-shore nas Ilhas Virgens. Se isto tivesse ocorrido no Continente o director-geral já teria sido demitido, mas na Madeira quem manda é o Alberto e como se sabe as regras são as dele.
  
 É a maldição dos Jardins da Madeira
   
Um deixou um buraco no BP, o outro vai deixar um na Região Autónoma.
 
 Cavaco tem uma fixação com as vacas?
 
Esta embirração de Cavaco Silva com as vacas merecia uma análise de um psicólogo. Desta vez Cavaco Silva ia pondo o país a comer queijo da vaca que ri quando disse "ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante", um comentário digno do pensamento de um outro presidente que em tempos dizia "desde a última vez que cá vim é a primeira vez que cá venho".
 
Mas esta reflexão sobre a felicidade dos bovinos não é única:
  
 
Cavaco Silva tem mesmo um problema mal resolvido com as vacas?
 
 
 

 Ruminando a frase de Cavaco

«Da Graciosa, um olhar de Cavaco Silva: "Ontem, eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante." O Presidente diz coisas de forma simples mas de que se podem tirar diversas lições, às vezes até opostas. Ele sabe que as vacas não sorriem. As vacas, não, mas há uma que sim: La Vache Qui Rit. E foi essa, talvez, a mensagem que Cavaco nos mandou da Graciosa. Infelizmente, mais uma vez, ele foi enigmático. Quis a frase pastoral dar-nos uma luz ao fundo do túnel? Lembrem-se das imagens do célebre queijo fundido: na embalagem redonda, uma vaca ri com, pendurada nas duas orelhas, a sua própria imagem rindo. Uma vaca ri e ela própria reproduz imagens infinitas de vacas rindo... Eis a mensagem: Cavaco diz que cada português voluntarioso poderá incitar mais e mais portugueses a defrontar a crise com optimismo. Infelizmente o jeito de falar do Presidente também dá para outras interpretações. Aquela técnica de La Vache Qui Rit foi chamada de mise en abyme por André Gide (com Cavaco estamos sempre a tropeçar em referências cultas). Gide referia-se aos contos que contavam outros contos, o que na pintura é um quadro que reproduz uma cópia menor do próprio quadro. Ora o nome mise en abyme, cair no abismo, foi justamente dado pela vertigem causada por se ver a repetição das imagens. Abismo? Será que Cavaco nos quis anunciar alguma coisa má?» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
  

 Despedimento por menor produtividade

«Na proposta enviada aos parceiros sociais, que servirá de base de discussão ao grupo de trabalho sobre Políticas de Emprego e Reforma da Legislação Laboral, a que Agência Lusa teve acesso, o executivo defende a alteração da figura do despedimento por inadaptação de modo a que o recurso a esta modalidade de despedimento não fique dependente da introdução de novas tecnologias ou de outras alterações no local de trabalho.

A proposta governamental vai também permitir o despedimento com justa causa dos trabalhadores que não atinjam os objectivos que acordaram com o empregador. A introdução de uma nova modalidade de despedimento por inadaptação, em estudo, irá permitir o despedimento com justa causa dos trabalhadores cuja prestação decresça em termos de produtividade ou de qualidade.» [DN]

Parecer:

A proposta faz algum sentido.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Empresários rejeitam subida do IVA para financiar descida da TSU
 
«Pedro Passos Coelho reacendeu o debate sobre a inevitável descida da Taxa Social Única (TSU), ao defender a sua abolição para as empresas que apresentem uma criação líquida de emprego. Os empresários, ouvidos pelo Diário Económico, pedem que a medida seja tomada com cautela e os efeitos devidamente estudados porque a redução das contribuições para a Segurança Social vai acarretar um agravamento do IVA. Em alternativa sugerem que as empresas sejam mais produtivas.» [DE]

Parecer:

São os próprios empresários a avançar com a solução...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Que grandes secretas que nós temos

«O Sistema de Informações da República Portuguesa já entregou ao primeiro-ministro o relatório relativo ao processo de inquérito sobre a alegada espionagem ao jornalista Nuno Simas, que não identificou a autoria nem as causas desse acto.» [JN]

Parecer:

Se nem conseguem saber quem andou lá dentro a distribuir informação é muito pouco provável que considam identificar um qualquer terrorista amador.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Candidata à presidência francesa usa véu integral

«Uma cidadã francesa, de 32 anos, apresentou-se esta quinta-feira como candidata às presidenciais do próximo ano. O caso não seria notícia se esta mulher, Kenza Drider, não usasse um véu integral quando anda na rua. O que é proibido em França desde Abril deste ano.» [JN]

Parecer:

O Alberto também escondeu as suas vergonhas e é candidato ao governo regional.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se o competente sorriso.»
  
 Alberto João chama "gatunos" aos portugueses

«O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, apelou à população para que não se deixe humilhar, considerando que o orgulho do povo "não é para ser rebaixado".
 
"O povo tem momentos cruciais e um povo, em circunstância alguma, se pode deixar humilhar, principalmente, se deixar humilhar por aqueles que oprimiram esse povo centenas e centenas de anos, levando-lhe os seus recursos", afirmou Alberto João Jardim. » [JN]

Parecer:

E nem o primeiro-ministro nem o Presidente reagem a este tipo de discurso?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se aos visados.»
  
 PJ descuidada
«Assaltaram o edifício da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária (PJ). No edifício da Rua Alexandre Herculano, em Lisboa, onde correm algumas das mais complexas investigações relativas a corrupção e outra criminalidade económica, foram furtados, pelo menos, um computador e diversos telemóveis. Na última sexta-feira foi efectuada a primeira detenção - uma empregada de limpeza.» [Público]

Parecer:

Uma polícia muito descuidada...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
 

 Tatiana Shepitko    









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