sábado, outubro 29, 2011

Quem é este Alberto?

Quem será um tal senhor Alberto da Ponte? Que eu saiba não ajudou a conquistar Lisboa, não se notabilizou em nenhuma batalha do Ultramar, não descobriu qualquer penedo no meio do Atlântico, não concorreu a nenhuma junta de freguesia, não preside a nenhuma ONG, não é voluntário nem do Banco Alimentar contra a Fome nem da Ami e tanto quanto se sabe nem sequer é acólito na Sé de Lisboa.

Mas este senhor acha que tem uma quota maioritária no país e acha que está no direito de dizer quem está a mais ou a menos no país, afirma que Não há espaço para as pessoas que não queiram trabalhar, para a não produtividade, no Portugal de hoje”. Mas não se está a referir às dondocas da Quinta Patino, refere-se aos portugueses que trabalham e que na sua opinião têm de trabalhar mais.

Pois este senhor que fala do nosso país como se fosse o seu quintal não é mais do que um assalariado de um grupo estrangeiro, gestor de sucesso de uma empresa que vive de um mercado oligopolista e à custa do alcoolismo de muitos portugueses, uma empresa onde qualquer idiota tem sucesso. Este senhor não é nenhum professor de finanças, não é conhecido no país ou no estrangeiro pelos seus dotes intelectuais, acha que é uma personalidade com o direito de dizer quais os portugueses que estão a mais ou estão a menos.

É evidente que se este senhor fosse administrador de milhares de empresas melhor geridas do que a dele, sem beneficiarem do alcoolismo alheio e enfrentando mercados onde há concorrência a sério muito provavelmente não teria acesso a jornais. O seu grande dote, tal como sucede com algumas personagens que passam a vida a dizer ao país o que deve fazer, é o enorme orçamento publicitário da Centralcer, um orçamento brutal que transforma qualquer director de informação num caninche a lamber-lhe os pés.

É graças à subserviência dos directores da comunicação social em relação aos orçamentos publicitários de algumas empresas que transformaram o merceeiro Santos, o Ponte das minis, o Carrapatoso dos telelés em personagens que se dão ao luxo de transformar os portugueses em labregos.

Começa a ser tempo de responder a esta gente e a melhor forma de o fazer é boicotar marcas que recorrem aos seus orçamentos publicitários para influenciar politicamente o país na defesa dos seus próprios interesses. Marcas como a Vodafone, a Centralcer (Sagres e água do Luso), Pingo Doce e outras têm grandes responsabilidades na evolução do país e são suporte financeiro da manipulação eleitoral que sustenta o apoio a estas políticas. São marcas que se comportam de forma golpista e segundo uma forma de estar política mais própria do fascismo do que da democracia.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Fragata, Alcochete
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Fachhada, Alcochete [A. Cabral]
  
Jumento do dia


Assunção Cristas

Para além de dar ares à família Batanete esta ministra é mesmo muito distraída.

«Em entrevista exclusiva ao Correio da Manhã, a ministra da Agricultura e Ambiente, Assunção Cristas, admite ter dado informação errada ao parlamento sobre a barragem do Tua. Mas, mesmo assim, já ordenou o abate de 1104 sobreiros e 4134 azinheiras.

A zona onde se vai construir a barragem está inserida numa região classificada como património da Humanidade pela UNESCO, que agora pode ser posta em causa com esta decisão. Na primeira grande entrevista que dá como ministra, Assunção Cristas diz também que não sabia que o escritório de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados, onde trabalhou antes de ir para o Governo, tem como cliente a concessionária da barragem do Tua, a EDP. » [CM]

 Noruega na UE?

Só um ministro da família dos Batanetes poderia dizer que a Noruega pertence à UE.

 Mentira n.º 35 de Passos Coelho

 
Passos Coelho já nem se dá ao trabalho de cuidar das suas mentiras, agora que não está em campanha teria o dever de fazê-lo para proteger a dignidade do cargo a que chegou graças às mentiras com que ludibriou os portugueses.

Quando anunciou o OE Passos Coelho informou com ar solene que o corte nos subsídios seria para durar durante o programa de estabilização, agora já não sabe quando será possível voltar a pagá-los, o ministro das Finanças não faz a mais pequena ideia e o Relvas até já teoriza sobre a possibilidade de serem eliminados.
      
 

 Uma história mal contada

«A Grécia tem 11 milhões de habitantes, a Europa do euro tem 332 milhões, o que dá 3,3 % de gregos. O PIB da Grécia é de 330 biliões, o da Zona Euro de 12,5 triliões, ou seja, a Grécia vale 2,5 %. Como é que cerca de 3% da população e da economia ameaçam a Europa de forma tão dramática, ao ponto de andar tudo a dizer que o euro pode acabar e talvez mesmo o próprio projeto europeu?

Outros dados ajudam a entender o sem sentido desta história. A Grécia está para a Europa como a Madeira está para Portugal. Jardim gastou e abusou, mas isso, apesar de agravar a situação financeira do país, teve um impacto relativamente insignificante nas contas públicas. O BPN, por exemplo, teve muito mais.

A Califórnia que tem um PIB semelhante ao da Itália – e corresponde a 13,5 % na economia americana –, tem andado à beira da bancarrota. Não passou pela cabeça de ninguém dizer que isso significaria o fim dos Estados Unidos, afinal uma federação, ou que o dólar ia desaparecer.

E já que estamos em maré de números, os PIG, Portugal, Irlanda e Grécia, somam por junto 6,2% do PIB europeu.

Como se explica então que a Europa ande que nem barata tonta devido ao mau comportamento de alguns dos seus mais insignificantes membros?

A razão não é financeira, nem económica. Desvarios e azares muito maiores têm sido resolvidos ao longo dos tempos. A atual crise é exclusivamente política. Não tanto pela ação, mas pela inação.

Depois da crise do "subprime" nos Estados Unidos, que começa em 2006 e explode em 2008, em vez de se assumir que o "sistema financeiro" vigente não é compatível com o desenvolvimento sustentado das sociedades e, pelo contrário, é fonte de constantes crises, os governos preocuparam-se sobretudo em salvar a banca. Injetaram rios de dinheiro, aumentando brutalmente os défices, na convicção de que os bancos são o motor da economia. Daí o "instintivo" pânico local com o BPN e o enorme buraco herdado da operação.

Nesse processo, não se promoveu qualquer alteração efetiva no comportamento dos "mercados" nem das políticas, nada se aprendeu, e passado pouco tempo estamos perante nova crise, desta vez das chamadas "dívidas soberanas". As quais no caso europeu de soberanas têm rigorosamente nada, já que tudo está interligado.

Esta sucessão de eventos, cuja consequência efetiva e imediata, é uma perda brutal de rendimento da generalidade da população, sobretudo da classe média, e das pequenas e médias empresas, deve-se exclusivamente a uma flagrante incompetência política. Acossados pelo descrédito popular, num ambiente de total subserviência aos interesses do capital, os políticos não param de ziguezaguear e são mais parte do problema e do que da solução. A política é hoje uma velha arte sem ideias nem futuro.

Acresce que não é só a política, e com ela a democracia, que definha. Os Estados, por arrasto, são um alvo a abater pelas boas e pelas más razões. Ineficazes, gastadores, clientelares, os Estados consomem a riqueza e dão cada vez menos em troca. Por via ideológica vão também perdendo a função de fiscalização e regulação essencial para equilibrar o interesse privado com o interesse público. Por isso todos clamam, e eu também, pela diminuição do papel do Estado. E os que defendem o contrário fazem-no com base numa visão arcaica, deslocada no tempo e no modo.

O rescaldo de mais esta crise não promete nada de bom. Não será, certamente, a construção de uma sociedade mais livre, justa e sustentada. Com a política convencional paralisada não há também que ter ilusões sobre os novos atores. O movimento global de indignação, que revela uma grande vaga de descontentamento e raiva, de pouco valerá face ao que objetivamente se desenha. Caminhamos para um mundo dominado abertamente (já o é na sombra) pelas grandes corporações. Corporações que não têm mandato democrático, não são escrutinadas e, em bom rigor, fazem o que lhes apetece em prole do único objetivo que conhecem, lucros e mais lucros, cada vez maiores e mais depressa, sem qualquer responsabilidade social. A democracia representativa vai dando lugar a uma tirania financeira e corporativa.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Leonel Moura.
  
 Pobreza estratégica

«Não me lembro de ter ouvido o dr. Passos Coelho anunciar aos eleitores, antes das eleições, aquilo que esta semana soube explicar com tanta clareza: que a sua estratégia para enfrentar os problemas do País é o “empobrecimento” dos portugueses.

Lembro-me, isso sim, do contrário. Lembro-me de o ouvir dizer que, com ele, não haveria mais austeridade sobre as pessoas porque a austeridade, agora, seria sobre "o Estado": as gorduras do Estado, os desperdícios do Estado, os consumos intermédios do Estado, o "Estado paralelo". Lembro-me, até, de o ouvir dizer que aumentar os impostos ou cortar o 13º mês eram meros "disparates" de adversários políticos apostados numa "campanha de medo" sobre as reais intenções do PSD. Está agora claro quem é que tinha razão.

Entendamo-nos: uma coisa é adoptar certas medidas não previstas para responder a uma situação não conhecida (como sucedeu com a subida do IVA nos governos de Durão Barroso e de José Sócrates) ou para fazer face a uma profunda alteração das circunstâncias (como sucedeu em toda a Europa quando emergiu na zona euro a crise das dívidas soberanas, na sequência da crise da Grécia); outra coisa, bem distinta, é prometer às pessoas uma determinada estratégia e, depois de lhes caçar os votos, trocar essa estratégia por outra radicalmente oposta - e é isso o que está agora a acontecer em todas as frentes: dos impostos aos salários, da TSU às quotas na avaliação dos professores.

Ninguém nega que, nas actuais circunstâncias, um desvio orçamental, devidamente fundamentado, possa justificar a adopção de medidas adicionais não previstas. Mas não há nenhum desvio que justifique uma estratégia tão frontalmente contrária à que foi prometida aos portugueses. E, pelo menos nisso, creio que estaremos todos de acordo: o que foi vendido aos portugueses não foi o "empobrecimento" como desígnio estratégico para a consolidação orçamental!

É certo, Eduardo Catroga, que viria a ser o autor do programa eleitoral do PSD, chegou a defender (a 21 de Maio de 2010, num debate na Figueira da Foz, relatado pela Lusa) fortes reduções salariais, envolvendo um corte médio de 10% a aplicar no sector público e no sector privado (pagando-se o 13º e o 14º mês em obrigações do tesouro). Mas nada disso foi assumido quando se tratou de escrever o programa que os eleitores deveriam ler e votar. O mais que se encontra é o célebre comunicado do PSD em língua inglesa, de 21 de Março de 2011, onde se refere que não é de esperar muito do Governo socialista "when it comes to reforms that wiil undermine parts of its electoral base that are tied, directly or indirectly, to statefinanced employment". Só que este texto nunca foi traduzido de modo a descodificar o que realmente significava para os funcionários públicos - e que agora está à vista.

Cumprir as metas orçamentais implica esforço, sem dúvida. Mas exige também a preservação de algum equilíbrio entre a austeridade e o dinamismo da economia. Sob pena de uma "overdose" de austeridade, muito "para lá da troika", comportar o risco fatal de todas as "overdoses": o de uma recessão capaz de ameaçar os próprios objectivos de redução do défice (como a experiência grega tragicamente ensina).

Uma sombria estratégia de empobrecimento, que representa um virar de costas à economia e ao futuro, não poderia nunca constituir um caminho promissor para o País. Mas quando, ainda por cima, uma tal estratégia se apresenta tão flagrantemente injusta na forma como não distribui o empobrecimento que propõe, então não estamos apenas perante uma estratégia errada, estamos perante uma proposta indecente.» [DE]

Autor:

Pedro Silva Pereira.
  
 O colapso social

«Tenho à minha frente os gráficos que o leitor pode ver em baixo. À esquerda, a variação do PIB: em dois anos, a queda deverá exceder os 5%, a maior recessão de que há memória no Portugal democrático.

À direita, a evolução do desemprego: em dois anos, vamos perder mais 124 mil postos de trabalho, elevando aquele número para 727 mil, 13,4% da população activa: é uma situação arrepiante. O Governo pensou nisso quando propôs este orçamento?

Quando pedimos ajuda externa e nos submetemos aos humores da ‘troika', foi-nos sugerido que o corte no défice de 2012 se dividisse em três partes iguais: um terço seria acrescido às receitas; dois terços seriam reduzidos às despesas. E ficou implícito que por despesas se entenderia "gorduras" do Estado. Mas a opção foi muito mais simples: as "gorduras", afinal, eram salários, pensões e acções sociais. Isto não é brincar com as pessoas?

Com o investimento deprimido e este corte brutal no rendimento das famílias, era óbvio que a procura interna iria bater no fundo. E, para estimular o crescimento, só nos restava o aumento das exportações. Foi então que o Governo se lembrou de acrescer meia hora à prestação diária de trabalho. Azar dos Távoras: com a capacidade produtiva já subutilizada, esta medida só vai aumentar a subutilização. E nós continuamos a dar tiros nos pés.

A cereja no topo do bolo vai para todos aqueles que estão a caminho de perder o emprego, aproximando-se do limiar da pobreza. Já vimos que, na passagem de 2010 a 2012, o número de desempregados vai subir de 603 mil para 727 mil, mais 21%. Mas, no mesmo período, as dotações para subsídio de desemprego vão cair 8%. Chamem-lhe o que quiserem: ignorância, insensibilidade, má-fé. Este é um episódio de que o Governo deveria envergonhar-se.

Que me lembre, nunca um OE foi tão duramente criticado por tanta gente. E também não me recordo de alguma vez o Presidente da República o atacar em público, em vez de o fazer no recato do seu gabinete. Penso que o Governo deveria reflectir sobre isto, mesmo que confirme as suas opções, em nome de uma dignidade que só lhe fica bem. Já no que toca à economia, admito que não faça nada, simplesmente porque não é capaz. Fica o meu protesto: este orçamento vai levar-nos ao colapso social.

Tinha mesmo de ser assim?» [DE]

Autor:

Daniel Amaral.
  
 Factos e argumentos

«A RTP apresenta diariamente uma rubrica em que se propõe caracterizar o País a partir de dados provenientes da Pordata (base de dados online, acessível a todos, com informação coligida do Instituto Nacional de Estatística, Eurostat, etc.). A rubrica em causa, Nós, Portugueses, é apresentada por Alberta Marques Fernandes e passa no telejornal da noite. Não vi - longe disso - todos os programas, mas os que vi levaram-me a erguer várias vezes as sobrancelhas. Até que no dia 22, ao assistir a um sobre as empresas portuguesas e respectivos lucros, fui à Pordata verificar o que acabara de ver.

Dizia a jornalista, coadjuvada pelo grafismo (por acaso muito bom), que entre 2005 e 2009 os lucros das empresas portuguesas tinham baixado. "Contra factos não há argumentos", rematava, como sempre remata. No site da Pordata não há um quadro de "lucros" das empresas; existe o do rendimento médio respectivo e os das declarações de IRC. Foi nestes últimos que encontrei os números citados no programa. Para concluir que existem dados desde 1998 e que entre 2002 e 2007 os valores subiram sempre. Aliás, em 2007 atingiu-se, com 42 332 milhões de euros, o valor mais elevado desde 1998. De 2005 a 2007 há um aumento de dez mil milhões. Em 2008 (o do início da crise internacional) há uma quebra para pouco mais de 30 mil milhões, valor que se mantém em 2009.

A descida, portanto, é de 2007 para 2008. Como compreender então a conclusão de Alberta Marques Fernandes? Quem é responsável por tão aparatosa distorção? É um programa em muitos, dir-se-á. É. Bastaria no entanto para colocar a credibilidade de todos em causa. E sucede não ser o único em que a interpretação dos dados é, digamos assim, discutível. Por exemplo esta conclusão: "Os portugueses pagam hoje três vezes mais impostos que há 30 anos." Para lhe chegar, dividiram-se as receitas do Estado pelo total da população. Erro, diz o economista Nuno Serra, no seu blogue (ladroesdebicicletas.blogspot.com): o número de empresas triplicou entre 1990 e 2009, postos de trabalho e salários cresceram, o que implica aumento do volume de impostos. Certo seria, diz Serra, ponderar a receita do Estado em percentagem do produto interno bruto (a riqueza produzida no País). O que, a partir dos dados da Pordata, dá a ver "uma estabilização do peso fiscal a partir dos anos 90". E indigna-se com o que considera a apresentação do Estado como "um simples escoadouro de dinheiro, como se a generalização do acesso à educação e à saúde, a histórica quebra das taxas de mortalidade infantil e de analfabetismo, tivessem caído do céu".


Serra é um economista de esquerda? É. Mas não se admitindo que um programa apresentado como de factos puros e duros, e num canal de serviço público, tenha tendência, o mínimo é esperar que nele se apresentem as duas leituras possíveis da evolução da receita do Estado. Mas, facto, não foi isso que sucedeu. Qual será o argumento?» [DN]
  
Autor:

Fernanda Câncio.
     

 Direita protege o Alberto no parlamento

«PSD e CDS chumbam projeto de resolução para criar comissão de avaliação da situação financeira da Madeira.

A Assembleia da República rejeitou hoje um projecto de resolução do PCP para a criação de uma comissão parlamentar eventual para avaliar a situação financeira da Madeira.» [DE]

Parecer:

O que terá o Alberto a esconder?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Gasparoika.»
  
 A KMMG enterrou-se

«O ex-secretário de Estado das Obras Públicas reiterou hoje no Parlamento que todos os dados apresentados na passada semana constam de um estudo elaborado pela KPMG a pedido das Estradas de Portugal. Paulo Campos diz que vai entregar a todos os deputados "os factos que fundamentam as [suas] declarações em relação aos relatórios da KPMG".

O ex-governante propõe-se demonstrar durante a audição ao presidente da KPMG "que todos os números, sem excepção" que apresentou e em que refere que a fonte é a KPMG "foram retirados do relatório ou da folha de cálculo construída pela KPMG" e entregue à Estradas de Portugal.

A audição do presidente da KPMG foi hoje aprovada pelos deputados da comissão de Economia e Obras Públicas depois de ser requerida pelo grupo parlamentar do PS.

Recorde-se que um administrador da KPMG enviou ontem para o Parlamento uma carta onde acusava Paulo Campos de ter atribuído à empresa relatórios que não são dela. Nessa a carta a KPMG considera que "existem indícios de utilização indevida da imagem" da empresa, quando Paulo Campos apresentou um "conjunto de gráficos e outros elementos de análise" com uma capa com o logótipo da consultora.» [DE]

Parecer:

Compreende-se que a KPMG não queira aparecer associada a um estudo invocado por um membro do anterior governo, mas se o fizeram e cobraram agora terão de o engolir.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Não volto a comprar as marcas "Sagres" e "Luso"

  
«O presidente executivo da Sociedade Central de Cervejas (SCC), Alberto da Ponte, defendeu hoje que o setor privado deve apostar nos despedimentos como alternativa aos cortes do subsídio de Natal e de férias aplicado à função pública.

Em declarações à agência Lusa, à margem de uma conferência realizada no Estoril (Cascais) sobre impacto e tecnologias de informação na competitividade, Alberto da Ponte afirmou que "dispensar pessoal é alternativa".

Alberto da Ponte sublinhou a importância de "ter pessoas motivadas" a trabalhar e, como alternativa aos cortes dos subsídios de Natal e de Férias anunciados pelo Governo no setor público, defendeu que no setor privado quem não tiver uma boa performance deve ser dispensado.

"Não há espaço para as pessoas que não queiram trabalhar, para a não produtividade, no Portugal de hoje", sustentou.

"É uma medida excelente para aumentar a produtividade. Se peca, é por ser pouco"

O gestor da empresa proprietária das marcas Sagres e Luso considerou ainda que o acréscimo de meia hora extra de trabalho, outra das medidas anunciadas pelo Governo para 2012, peca por ser pouco.

"É uma medida excelente para aumentar a produtividade. Se peca, é por ser pouco", defendeu.» [Expresso]

Parecer:

Como não aceito o que este senhor diz e defende para o país vou boicotar as suas marcas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Boicote-se.»
  

 2011 Pan American Games  [The Atlantic]










  

   




sexta-feira, outubro 28, 2011

O presunto assassino

Sempre que vou à terra e ligo a rádio ou sintonizo a televisão espanhola ouço logo falar do mais famoso presunto espanhol, bem mais famoso do que o “pata negra” é o presunto assassino, dia sim, dia não é notícia. Nós por cá também já tínhamos o pata negra mas parece que agora também temos um desses famosos presuntos. Os mais puritanos dirão que deveria ser antes uma alheira transmontana assassina, sendo de Miranda até seria de imaginar que teria morto à paulitada. Mas prefiro o presunto.

Pois o nosso presunto assassino não é um presunto qualquer, é um dos príncipes do cavaquismo e um dos principais case study do enriquecimento rápido, o homem nasceu um pobretanas e em poucos anos já geminava dois apartamentos do Edifício Valmor, que na época era o mais luxuoso do Lisboa, mas para proteger as aparências apresentava-se nas reuniões do condomínio em representação de uma prima que se dizia dona de um dos apartamentos.

Quem deve ser muito pouco apreciador das fatia deste presunto é Cavaco Silva, em relação à inocência de Dias Loureiro ainda veio a público meter as mãos no lume, ninguém sabe se ficaram escaldadas mas o certo é que desde então o ex-conselheiro vai aparecendo cada vez mais e já faltou mais para vir dizer que a culpa do BPN foi do Vítor Constâncio. Não é difícil imaginar que na lareira de Belém não está pendurado nenhum presunto, ainda que os brasileiros queiram seguir-nos a tradições e andem doidinhos por pendurar o nosso presunto assassino. Na lareira de Belém é mais provável que pendurem alhos, sempre se combate o azar (e a azia ao Coelho à casa) e de vez em quando dá jeito para acompanhar os carapaus alimados da Dona Maria.

Nos próximos dia falaremos muito de presunto, os que no tempo do processos Casa Pia, Freeport ou Face Oculta nunca permitiram uma entrada de presunto e passavam logo ao prato principal, não se vão agora cansar de exigir que antes de mais se sirva o presunto. Sócrates nunca teve direito a ser um presunto corrupto, era só corrupto, o mesmo sucedendo com todos os suspeitos, naturais ou artificiais, daqueles processos. Mas agora que está em causa um príncipe do cavaquismo, um caso de sucesso da direita portuguesa que até sabe tocar piano, eis que os mesmos que fizeram sucessivos julgamentos na praça pública vão agora defender que o seu menino não é assassino mas sim um presunto assassino, o que é uma coisa bem diferente.

Enfim, à falta de melhor e com os disparates do Batanete da Rua da Horta Seca resta-nos a esperança de resolver as contas externas concorrendo com a Espanha exportando presuntos assassinos, o que não poderá ser o caso do nosso presunto mirandês pois como se sabe os brasileiros já o compraram, só estão à espera que a Interpol o apanhe.

PS: Para os mais alérgicos à língua castelhana esclarece-se que em português presunto traduz-se para presumível, uma palavra que desapareceu na justiça portuguesa nos seus últimos grandes processos.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Flor do Parque da Bela Vista, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Janela da aldeia de Monsanto [A. Cabral]
  
Jumento do dia


Vítor Gaspar

Compreende-se que Gaspar tenha passado muito tempo encafuado em gabinetes de Bruxelas e desconheça algumas regras da democracia, mas ao fim de alguns meses começa a ser tempo de reparar que num Estado de direito há regras e uma delas é a da transparência das contas públicas. Nas ditaduras é que há só uma solução económica, os ministros das Finanças são salvadores da pátria e tudo é decidido por determinação divina ou por desvios colossais.
 
Começa a ser tempo de Gaspar deixar de manter as contas públicas em segredo para as usar em debates políticos como trunfo na manga para quando está atrapalhado ou receia ser incapaz de argumentar em favor da sua política.

«Nos próximos três anos, Portugal vai pagar 655 milhões de euros em comissões por causa do empréstimo da troika. É o equivalente aos cortes na Educação para 2012. número foi revelado pelo ministro das Finanças durante o debate do Orçamento rectificativo no Parlamento.

Vítor Gaspar respondia a uma pergunta do deputado comunista Honório Novo. Segundo o ministro, só para este ano as comissões a pagar ascendem a 355 milhões de euros e contribuem para o desvio nas contas que levou o Governo a lançar um imposto sobre o subsídio de Natal.» [DN]

 "Los Nadie"


    
 

 É bandido? Atropela-se

«Os nomes são gentis, mas Pidá, Palavrinhas, Chibanga, Tiné e mais dois estão a ser julgados pelo assassínio de um rei da noite do Porto, em Agosto de 2007. Naquela madrugada houve tiroteio com pistolas de 9 mm e caçadeiras shotguns. Já tinha havido mortes a montante e iria haver a jusante, mas aqueles seis do gang do Pidá respondem agora, no Palácio da Justiça, no Porto, pela morte daquela madrugada. A juíza pediu ao inspector-chefe da PJ pormenores sobre o relatório da acusação. O polícia disse ter fontes anónimas. Quem? O polícia preveniu: identificando-a, não "podia prever consequências". A juíza insistiu. E o polícia atirou com um nome, Fernando "Beckham", condenado por outro assassínio cometido com Pidá - estando ambos presos na cadeia de Paços de Ferreira. Segundo o inspector, "Beckham" é uma pessoa "desesperada", que "teve necessidade de desabafar com alguém". Calculem como estará ele, agora, quando sabe que Pidá sabe que o delatou - espero que não partilhem uma cela. Aqui chegado, peço aos leitores para não desprezarem o episódio só porque os bandidos são de outro mundo. Este episódio é do nosso mundo, aconteceu num nosso tribunal. Uma fonte anónima foi identificada sem se "prever consequências" do que lhe acontecerá. Em linguagem de bandidos diz-se "foi dada à morte". É a linguagem de bandidos que deve ser usada porque naquele nosso tribunal, naquele dia, as palavras oficiais foram disparadas por shotguns.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
  
 A pobreza bem apessoada

«Nos idos da Guerra Colonial, chegou-me às mãos, enviado de Paris a embrulhar um frasco de água de colónia (a imaginação não tinha limites para iludir os homens da PIDE que, nos CTT, espiolhavam a correspondência "vinda de fora"), um número da "Paris Match" sobre a guerra na Guiné. A edição incluía uma foto de Spínola primorosamente fardado e de monóculo, e - reportando-se ao facto de o general, para manter elevado o moral das tropas, ser implacável na exigência de ver os soldados sempre bem barbeados e, como se diz no Exército, devidamente "ataviados" - tinha como título algo do género: "Perder a guerra sim, mas com a barba feita".

Passaram 40 anos e, hoje, a guerra é outra, já não contra os "turras" em nome da "civilização cristã ocidental", mas contra trabalhadores, pensionistas e pobres em nome da civilização dos "mercados".

E Spínola parece ter deixado epígonos, pelo menos na Câmara de Barcelos. Conta a Lusa que a autarquia, para manter elevado o moral (a Câmara de Barcelos diz "bem-estar") dos humilhados e ofendidos pela política governamental de, como Passos Coelho reconhece, empobrecimento geral, contratou um cabeleireiro que lhes assegurará serviços gratuitos de coloração, corte, "brushing" e "manicure".

Como a "Paris Match" diria, as "pessoas afectadas por situações de carência" de Barcelos poderão morrer de fome, mas morrerão impecavelmente penteadas e de unhas envernizadas e aparadas.» [JN]

Autor:

Manuel António Pina.
     

 Autarca de Mondim de Basto dá o exemplo

«"Não é permitido nenhum funcionário ausentar-se do seu local de trabalho durante o horário de trabalho para partilhar um cigarro, um café ou uma curta refeição", pode ler-se no despacho de 21 de Outubro de Humberto Cerqueira, autarca a cumprir o terceiro e último mandato consecutivo.» [CM]

Parecer:

Este país começa a estar infestado de idiotas. Este de Mondim é tão idiota que não proibe fumar, beber café ou comer, ao que parece tudo isso pode fazer-se mas sem companhia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao ilustre autarca que os funcionários podem defecar durante o horário de trabalho.»
  
 PS alinha no populismo

«O PS anunciou hoje que avançará com diplomas para indexar as remunerações dos membros de entidades reguladoras, altos cargos públicos e gestores públicos ao salário do Presidente da República, nunca podendo exceder o vencimento do primeiro-ministro.» [DN]

Parecer:

É lamentável que só o faça agora e que quando esteve no governo nem mesmo quando cortou os vencimentos dos funcionários públicos se lembrou de acabar com o abuso nas entidades públicas. Parece que é mais fácil cortar aos boys dos outros.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Crato acaba também com o prémio para o melhor professor

«Ministério da Educação adiantou ao DN que, tal como fez com os prémios para alunos, vai reformular a distinção criada por Maria de Lurdes Rodrigues para os melhores professores.» [DN]

Parecer:

Esperemos que acabe também com todos os campeonatos desportivos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao ministro Cratino que crie prémio para o pior ministro da Educação.
  
 Banca: afinal a ajuda do Estado dá jeito

«A eventual necessidade de os maiores bancos portugueses recorrerem à linha de recapitalização bancária enquadrada no programa de ajuda externa a Portugal "não era vergonha nenhuma", disse hoje à agência Lusa o presidente do Millennium BCP, Carlos Santos Ferreira.

"Não era vergonha nenhuma recorrer à linha dos 12 mil milhões de euros", afirmou o banqueiro, salientando que a existência desta linha de recapitalização para a banca em Portugal, criada por altura da celebração do pacote de apoio financeiro internacional ao país, ao contrário do que acontece nos outros países europeus, "dá tranquilidade" às principais entidades bancárias portuguesas.» [DE]

Parecer:

Pois, os nossos banqueiros andavam armados em esquisitos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Hiper merceeiro aumenta lucros

«Retalhista obteve resultados líquidos de 255,7 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, graças a um aumento de 15,6% nas vendas em comparação com o período homólogo. Jerónimo escolheu a Colômbia como nova geografia em que vai investir.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Com lucros destes pode investir em livrinhos escritos pelos Fernandes e vendê-los na fundação da treta.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns ao bem sucedido merceeiro.»
  
 Isto vai acabar mal

«Se a importância que os nossos governantes dão aos países que lhes cabe visitar se medisse pela dimensão da comitiva que os acompanha, ficaríamos a saber que a 21.a Cimeira Ibero-Americana, que decorre entre os dias 27 e 28 de Outubro, em Assunção, no Paraguai, é muito mais importante para o Presidente da República que para o primeiro-ministro ou para o chefe da diplomacia, Paulo Portas.
 
Enquanto Pedro Passos Coelho leva consigo quatro pessoas, incluindo segurança, Aníbal Cavaco Silva arrasta atrás dele um séquito de 23, no qual se incluem mordomo e médico pessoal. O Presidente, que se eternizou na célebre frase “Ninguém está imune aos sacrifícios”, já tinha suscitado consternação aquando da visita aos Açores em Setembro, por se ter feito acompanhar de uma comitiva de 30 pessoas, entre as quais estavam o chefe da casa civil e sua esposa, quatro assessores, dois consultores, um médico pessoal, uma enfermeira, dois bagageiros, dois fotógrafos oficiais, um mordomo e 12 agentes de segurança.
 
Numa altura em que os portugueses são diariamente chamados a acreditar nas garantias consoladoras de dificuldades justamente partilhadas e convidados a aceitar cortes, inevitável emagrecimento e até empobrecimento, eis que o chefe de Estado português aterra no Paraguai amanhã, depois de uma escala no Brasil, com o equivalente a duas equipas de futebol, com custos que, contabilizados ao nível do cidadão comum, e só no que diz respeito ao preço dos voos, são de 7500 euros por pessoa para um bilhete de ida e volta em classe executiva e 1870 euros em classe económica.» [i]

Parecer:

Quando os jornais amigos do governo já comparam Cavaco com Passos Coelho é porque as coisas estão a ficar mesmo mal, nem nos piores tempos das relações entre Cavaco e Sócrates se chegou tão baixo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ó Ilda mete os putos na barraca!»
 

 Bangkok Underwater [The Atlantic]