sábado, fevereiro 04, 2012

Já não querem julgar o Sócrates?

Logo a seguir À realização das eleições houve quem tivesse tido a brilhante ideias de julgar o José Sócrates por todos os males que atingem o país, os idiotas do costume correram às televisões dar conta da sua imensa sabedoria em leis e nessa coisa que agora designa por ciência política, os doutorados em direito vasculharam as leis e a jurisprudência e apareceram exaustos depois de tanta trabalheira lamentar que não encontraram o raio de um artigo por onde pudessem pegar no malfadado ex-primeiro-ministro. Esgotados os esforços dos idiotas mais crescidos foi a vez dos pirralhos, paspalhos e burros irem ao Procurador-Geral apresentar queixa. Ficava tudo em águas de bacalhau mas sempre dava para mais umas notícia, ainda por cima como naquele tempo estavam com um a fome ao Pinto Monteiro que até a baba lhes corria pelos caninos abaixo mal o processo fosse arquivado podia pedir a cabeça do Procurador-Geral acusando-o de protecção a um perigoso criminoso.

Passados poucos meses já ninguém quer julgar o Sócrates, os crescidos ou já foram devidamente remunerados ou esperam ansiosamente que os chineses os convidem para um lugar num qualquer conselho da REN, se não der para todos ainda podem ir para adjuntos do Relvas ou, quem sabe, para um dos altos cargos de motoristas pagos segundo o acordo colectivo de trabalho de uma escuderia de Fórmula Um, nestes tempos difíceis qualquer coisinha serve. Até os pirralhos desapareceram, devem ter pouco tempo pois já devem estar empossados em administradores de um qualquer hospital deste imenso Portugal dos Pequeninos, onde os idiotas crescidos só se distinguem dos pequeninos pela altura pois a idade mental parou no mesmo ano..

Compreendo que tenham desistido do processo Freeport e que o caso Face Oculta se arraste consumindo o dinheiro dos contribuintes, mas não aceito que até o latifundiário Palma tenha desaparecido, talvez ande a cuidar dos sobreiros e dos seus porcos enquanto o Sócrates se enfia na filosofia. Não aceito que tenham desistido de condenar Sócrates, num tempo em que a Constituição está a ser reciclada pelos papeis Renova, em que a presunção da inocência teve o mesmo fim que os subsídios e em que quem ganhar mais do que o ordenado mínimo ou tiveram menos do que muitos milhões terá de provar a sua honestidade se não quiser ir para a pildra, não teria custado nada à nossa brilhante ministra da Justiça fazer aprovar uma lei com efeitos retroactivos para poder levar Sócrates à barra do tribunal.

É uma pena porque não teríamos a oportunidade de condenar Sócrates ou outros responsáveis políticos do passado, como a lei poderá será aplicável, já sem efeitos retroactivos, ao governo em exercício. Seria interessante saber o que é mais criminoso, se apostar no ensino e na inovação ou desmantelar todo o ensino e investigação para apostar na pelintrice, se apostar no crescimento económico para enriquecer os portugueses apostar na recessão e para o conseguir empobrecer os portugueses. Seria muito interessante saber se deveríamos condenar Sócrates pelas consequências de uma crise financeira a que nenhum país europeu escapou ou condenar Passos Coelho e o Gaspar pelos portugueses que foram forçados ao suicídio, pelos que foram obrigados a viver debaixo da ponte, ou dos que tiraram os seus filhos da escola para que os ricos fiquem mais ricos e talvez decidam investir no país em vez de fugirem com o dinheiro para a Holanda.

É uma pena que Sócrates fique impune, Sócrates mais os que o antecederam e os que lhe sucederam, é uma pena que tenham desistido de o julgar na barra de um tribunal e que agora o juiz seja um qualquer Relvas que trata os jornalistas como se fossem testemunhas num tribunal plenário, ou dizem o que ele quer ou são postos no olho da rua e ainda levam um par de bofetadas se não se apressarem a dar de frosques.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Rossio, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Grafitti, Mindelo, Cabo Verde [A. Cabral]
  
Jumento do dia


Francisco José Viegas, secretário de Estado da Cultura

Depois da forma como o secretário de Estado nomeou Vasco Graça Moura presidente do conselho de administração do CCB soube-se agora que aquela instituição foi declarada território estrangeiro para efeitos de aplicação do quadro legal no que respeita ao acordo ortográfico.

Esta situação revela duas coisas, que Vasco Graça Moura é um velhote teimoso que já não tem as qualidades requeridas para o desempenho de um cargo público e que o secretário de Estado revela não ter sentido de Estado. Aceitar que alguém assuma um cargo avisando que não vai aplicar uma lei da República é o fim da linha de um governante. A partir de agora qualquer director-geral pode assumir um cargo e dizer ao governante quais as leis que não tenciona aplicar e quais as que devem ser rejeitadas pela sua coutada estatal.
 
Imagine-se que o director-geral dos Impostos decidia não aplicar os aumentos de impostos previstos no OE, Passos Coelho manteria o secretário de Estado e o director-geral no cargo?
 
«O presidente do conselho de administração do Centro Cultural de Belém (CCB), Vasco Graça Moura, disse esta sexta-feira ao CM que informou antecipadamente o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, de que não iria aplicar o Acordo Ortográfico na entidade para a qual foi nomeado em Janeiro.

Uma das primeiras decisões da administração presidida pelo escritor e ex-eurodeputado foi mandar retirar os correctores ortográficos instalados nos computadores do CCB, pelo que os documentos oficiais irão seguir a antiga grafia da língua portuguesa.» [CM]
 Preocupação humanitária

 
Será que os Silvas de Belém terão dinheiro para aquecimento?
    
 

 O 5 de outubricídio

«Há meses que se debate o corte de feriados nacionais partindo do princípio, estabelecido pelo Governo, de que estes existem em dois tipos - aqueles de que o Executivo pode dispor, e a que chama "civis", e os outros, "religiosos", propriedade da Igreja Católica. Apesar de se imaginar a reação geral se para acabar com o 5 de Outubro o Governo negociasse com associações republicanas e laicas, esta visão Tordesilhas dos feriados não tem merecido contestação.

Diz o Governo que se trata de "cumprir escrupulosamente a Concordata, tratado internacional a que o Estado está obrigado". Repetindo-me (escrevi-o aqui a 18 de novembro): a Concordata não obriga o Estado a decretar feriado qualquer "dia festivo católico" - a não ser o domingo. O próprio cardeal-patriarca já admitiu isto mesmo. O que a Concordata exige ao Estado é que permita aos católicos cumprir os seus deveres religiosos nos dias festivos católicos elencados na mesma. Mais: os dias festivos católicos elencados no tratado são apenas seis, e não os oito que o Governo considera "feriados católicos". A Sexta-Feira Santa e a Páscoa não estão lá, o que significa que, mesmo que o Governo considerasse que está obrigado a negociar com os bispos a ablação de qualquer um dos seis feriados nacionais que coincidem com dias festivos católicos reconhecidos, poderia sem qualquer problema acabar com o feriado da Sexta-Feira Santa.

O que leva, pois, o Governo a apresentar o embuste da "simetria dos cortes dos feriados"? Não existindo qualquer base jurídico-legal para isso, só pode haver uma leitura: quis um álibi para acabar com alguns dos feriados a que chama "civis", comprando a indulgência da Igreja Católica numa época em que antecipa um recrudescimento dos problemas sociais. Tão afoito a derrubar "direitos adquiridos" e a fazer declarações de bravura ("custe o que custar") este Executivo chefiado por um autoproclamado "liberal de costumes" reconhece assim aos bispos prerrogativas que estes não têm - incluindo a da partilha da soberania - e chega à pantomina de, pós-anúncio da UGT de que "salvara" o 5 de Outubro na Concertação Social, vir dizer que afinal, perante a irredutibilidade "da Igreja", se via "obrigado" a matar o feriado que comemora a Implantação da República.

Comemorar o 5 de Outubro é celebrar o fim de um regime de religião oficial em que o poder era um desígnio divino e o povo, em vez de soberano como na república democrática, súbdito. Sempre odiada pela direita (a única que odeia mais é o 25 de Abril, mas essa ainda está demasiado fresca para matar), a data é, 101 anos depois, assassinada num golpe palaciano. Numa Europa regida por poderes não eleitos, em que se rasgam Constituições e se faz fogueira da história, a simbologia deste datacídio não devia passar despercebida. Mas nem uma agulha bule na quieta melancolia - e quem não se cala leva a tarja de "anticlerical". Como ironia, não está nada mal.» [DN]

Autor:

Fernanda Câncio.
  
Teste ao euro

«Olhemos para a Grécia. Com a dívida pública descontrolada (163% do PIB) e o produto em recessão profunda (-5,2%), só se vislumbram duas saídas possíveis: o perdão ou a bancarrota.

E o perdão está muito difícil. Mas a Grécia é um pequeno país, incapaz de por si só ameaçar a estabilidade do euro. A solução deverá passar por uma saída controlada, para minimizar eventuais contágios, logo seguida da entrega ao FMI. Vai ficar em boas mãos.

Ao lado da Grécia está a Itália, a terceira maior economia da zona euro. E aqui tudo fia mais fino. A Itália enfrenta um cenário explosivo: grande endividamento (121% do PIB), altas taxas de juro (à volta de 6%) e crescimento na vizinhança de zero (0,5%). Mas há duas armas que jogam a seu favor: de um lado, Mario Monti, primeiro-ministro; do outro, Mario Draghi, presidente do BCE. Enfim, a Itália é demasiado grande para se deixar cair.

À Itália segue-se a Espanha, em dimensão e em problemas. O país tem uma dívida pública aceitável (70% do PIB), mas também um crescimento paupérrimo (0,6%) e uma taxa de desemprego angustiante (23% da população activa). A diferença é de natureza subjectiva: os mercados ainda acreditam na Espanha e noutros países não. Em tudo o resto é igual à Itália: demasiado grande para falir, suficientemente forte para arrastar o euro atrás de si.

Falemos agora de Portugal. Ao dobrarmos o ano de 2012, vamos encontrar-nos em recessão profunda, com uma dívida ingerível e com as agências de ‘rating' a classificarem-nos como lixo. Sem outra saída que não seja avançar para a reestruturação, com perdão ou sem ele, como é que os mercados vão reagir? Só vejo duas hipóteses: ou recusam financiar-nos ou admitem fazê-lo a taxas de juro proibitivas. E lá teremos nós de acompanhar a Grécia.

Estou a ser racional. Este é o cenário mais provável. Mas nada impede que os senhores do euro acordem um dia destes bem-dispostos e, por uma vez, decidam emitir ‘eurobonds', financiar sem limites os países endividados e pôr finalmente a economia a crescer. A Europa rejuvenescia. Fica então a promessa: na minha próxima ida a Fátima, vou acender uma vela gigante e esperar que esta chama ilumine a cabeça híbrida e casmurra de Merkozy.

Seria o milagre do século.» [DE]

Autor:

Daniel Amaral.
  
 Publicidade enganosa

«Desta vez, ninguém ousou dizer que o último Conselho Europeu foi uma cimeira “histórica” – e ainda bem, já basta o que basta. Mas este Conselho não deixou de ser mais um momento de desencontro dos líderes europeus com a História e um puro exercício de publicidade enganosa.

Publicidade enganosa, desde logo, a propósito do tratado aprovado com o pomposo título de "Tratado sobre a Estabilidade, Coordenação e Governação na União Económica e Monetária". Segundo os seus mentores, este seria o instrumento decisivo para dar resposta à crise das dívidas soberanas e para reconquistar a confiança perdida junto dos mercados. Sucede, porém, que ninguém acredita nisso. Sobretudo se ler o Tratado.

Quanto à governação económica, o que lá está é um zero quase absoluto: um compromisso muito genérico de "trabalho em conjunto" para uma política económica que favoreça o crescimento e uma declaração de intenções no sentido de promover, "quando apropriado", a coordenação das principais reformas. Nada mais. Quanto à governação do euro, prevêem-se duas cimeiras anuais (!), de carácter informal, para além das habituais reuniões do Eurogrupo. Obviamente, ninguém acredita que este Tratado minimalista possa representar sequer uma tentativa séria para superar as fragilidades sistémicas da zona euro!

Sobra, é claro, a disciplina orçamental - como sempre, a aposta única da doutrina dominante: regra de ouro (embora não necessariamente consagrada na Consituição); obrigações estritas em caso de défice excessivo ou de ultrapassagem dos limites da dívida pública; intervenção do Tribunal de Justiça da União Europeia (por iniciativa não só da Comissão mas também dos outros Estados) e sanções financeiras em caso de incumprimento. Tudo para começar a vigorar lá para Janeiro de 2013. Em suma, pretende-se reconquistar a confiança dos mercados através de um sistema que é, ele próprio, uma evidente confissão de desconfiança, em que todos na zona euro assumem desconfiar de todos os outros, incluindo da própria Comissão Europeia. Não é provável que dê certo...

É verdade, o Conselho Europeu sabe que há hoje um coro alargado de instituições, analistas e até agências de rating que dizem que a recuperação da confiança não pode assentar na destruição das economias às mãos da actual espiral de austeridade. Qual foi a resposta dos líderes europeus? Trataram de encenar - é esse o termo - uma agenda para o crescimento e o emprego, entre lamentos quanto ao drama do desemprego juvenil. Toda essa encenação esconde uma lamentável escolha política: a decisão de não investir nem mais um euro para enfrentar o problema do crescimento e do emprego! De facto, a única coisa que se fez foi decidir "reorientar" as verbas dos fundos estruturais já previstas e ainda disponíveis. Outro caso de publicidade enganosa.

Indiferente a isto, o Governo insiste no seu alinhamento com a senhora Merkel e, mais uma vez, mostrou-se satisfeito com a resposta europeia à crise. É a sua opção. Mas essa opção envolve uma responsabilidade e trás consigo uma consequência política: é que se falhar, o Governo não poderá invocar como "causa externa" o fracasso da resposta europeia à crise das dívidas soberanas. Porque esse fracasso será também o seu.» [DE]

Autor:

Pedro Silva Pereira.

 Jardim. Milhões. 1500

«Alberto João Jardim vai sair sem pagar a conta. Deixará o exemplo de que o crime de gerar dívida às escondidas compensa e que as vitórias eleitorais valem tudo. Disse-se "vergado" pelas condições que lhe foram impostas por Lisboa para o salvarem de uma humilhante bancarrota mas sacou mais 1500 milhões de euros. E, vai-se a ver, o empréstimo do Governo central à Madeira tem um período de carência que faz com que as prestações só comecem em 2016! João Jardim sai em 2015... E não sei se ouviram o que ele disse com atenção... "Investimentos feitos na hora certa", em "obra que já ninguém retira ao povo madeirense". Toma lá e embrulha. Trás-os-Montes nunca mais tem a auto-estrada porque o túnel do Marão custa 350 milhões. Jardim rapou cinco vezes mais num ápice. Tire-se-lhe o chapéu. E disse mais: em 2014 até já terá superavit no Orçamento!!! Depois de lhe oferecerem 1500 milhões! Que ele só começa a pagar em 2016! Em terra de cegos quem tem um olho é rei.

É com exemplos destes que dá para perceber melhor os alemães. Como se viu no fim-de-semana, a senhora Merkel quer mandar um manga-de-alpaca tomar conta do orçamento grego - ou então não manda dinheiro para Atenas. Pois devia mandar-se alguém para o Funchal tomar conta do orçamento da Madeira. Ainda há dias já não havia dinheiro sequer para pagar a dívida às farmácias da região e obviamente muitos madeirenses não têm culpa das loucuras betonizadas do seu líder, apesar de serem bastante culpados por o elegerem sucessivamente. Mas por via das dúvidas seria importante garantir-se que este homem não faz de novo dívidas às escondidas.

Claro que... se Jardim não aceitasse um "tutor", que se demitisse, e nós ralados. Desta vez, a maioria PSD/CDS no Parlamento nem sequer está refém dos votos telecomandados dos deputados madeirenses ou do "ventríloquo" Guilherme Silva. "Regozijo", disse Guilherme Silva sobre o acordo com Jardim. "Convergência". "Jardim engoliu um elefante". Número de circo? E dos bons.

Apetece chorar de tanto riso ou tragédia. É verdade que a carga fiscal na Madeira sobe 25% e se aproxima da do Continente, mas não nos deixemos enganar. Como poderia ser diferente? A conferência de Imprensa de Jardim na Madeira a falar do empréstimo com sentido de Estado foi mais uma encenação própria para enganar os portugueses que comem notícias "fast food de telejornais" sem muitas perguntas. Mas as coisas, nuas e cruas, são assim: só os próximos governos madeirenses, a que Jardim já não presidirá, pagarão durante 19 anos este empréstimo de aflição para fazer face à bancarrota em que deixou a região, com um défice de 23% em 2010.

A dívida total da Região Autónoma da Madeira ascende a 6238 milhões de euros. É bom que se repita muitas vezes até que se fixe: a dívida da Madeira (seis mil milhões) é apenas 25% menor que a das 308 autarquias do continente todas juntas (oito mil milhões). Todas juntas, ok? As 308.

Diga-se em defesa do imperador que, na verdade, os números de dívida não são muito diferentes dos do Governo central (a Madeira tem uma dívida de 122% do PIB enquanto a dívida portuguesa é de 102% neste momento). Ou seja, Jardim consegue ser pior do que o tal Sócrates que tanto criticou (ou elogiou quando este lhe deu a correr 700 milhões para apoio à tragédia das intempéries). Bem parecidos, os dois.

"O actual Governo da República, apesar de emparedado ante a desgraçada herança recebida e as imposições internacionais, respondeu positiva e afirmativamente ao nosso pedido de assistência financeira". Jardim a elogiar Passos... Ring a bell? Passos Coelho, portanto, amochou. Todos amocharam. Alguém disse um dia o essencial: "O senhor não precisa de elogios, a obra que realizou ao longo destes anos fala por si". Foi Cavaco Silva, encomiástico-majestático, durante uma visita à Madeira. Pois muito obrigado, senhor presidente. Eu não diria melhor. Sobre como chegamos aqui.» [JN]

Autor:

Daniel Deusdado.
  
 No Future

«Quase quatro décadas depois do movimento "punk" dos Sex Pistols e do seu "No Future", os portugueses chegaram finalmente à mesma conclusão. Isto não tem mesmo futuro. Onde "isto" é a nossa sociedade, o nosso país, a nossa vida.

Não o fazem por via do radicalismo cultural, que por cá nunca existiu, mas porque, para além de lhes faltar dinheiro no bolso, perderam qualquer perspetiva de futuro. Os jovens estudantes não sabem se uma vez terminado o curso conseguirão arranjar trabalho; os empregados não sabem por quanto mais tempo o serão; os que descontaram toda a vida não sabem se ainda irão receber a reforma; os doentes não sabem se o Hospital continuará a tratá-los ou se, por falta de verbas, os deixará morrer; os pais olham para os filhos e temem pela sua sorte. E não ficamos por aqui. Uns dizem que o Euro vai acabar, outros que é a própria Europa que tem os dias contados. Alguém sugere que Portugal soberano já deixou de existir pois é governado por uma troika. O próprio Passos Coelho, para animar, aconselha os portugueses a partir, se possível, de vez. Enfim, "sem futuro" é o hino do Portugal de 2012.

E, no entanto, acreditar no futuro é fundamental para a sociedade em que nos calhou viver. Alguns dizem que é uma forma de crença como outra qualquer. Talvez, mas é mais do que isso. O futuro, mais do que o passado, é uma parte essencial do nosso presente. O passado é memória, património, venera-se na ilusão de que existem identidades imutáveis. A realidade é, porém, diferente. As identidades são dinâmicas e estão em permanente transformação. Mesmo na nossa vida. Ontem fomos filhos, hoje somos pais. Que mudança radical de identidade! Ontem Portugal foi um país fechado e rural, hoje estamos no mundo e ou fazemos parte da conversa ou estamos perdidos.

Porque, como disse, o futuro é parte constituinte do nosso presente. Estuda-se para ter futuro. Investe-se para garantir um rendimento no futuro. Cria-se para fazer já hoje o que, de outra maneira, só seria possível amanhã. Um empresário pensa no que é que as pessoas gostariam de ter e ainda não têm. Um político afirma-se pelo que diz ir fazer se for eleito.

Mas o futuro está presente também de outra forma. Vivemos na sociedade das novas tecnologias. E são novas também porque integram em si a sua própria superação. Ou seja, são tecnologias evolutivas. Um programa de computador nunca está finalizado, é um "work in progress". Logo à partida sabe-se que a seguir ao 1.0 virá o 2.0. Esta constante mudança está no seu código genético.

O que significa que tudo muda, a arquitetura, mas também o uso. No curto espaço das nossas vidas quantos sistemas operativos, quantos telemóveis, quantas funcionalidades e "gadgets" não nos obrigaram a sucessivas e constantes adaptações? E quanto mais se muda mais se promove a mudança.

Pensar que se pode parar este movimento, imaginar, como faz este governo, que temos agora dois ou três anos de estagnação e empobrecimento, e depois tudo regressa ao normal, é não só alimentar uma tremenda ilusão, como não perceber nada do mundo contemporâneo. Esta é uma corrida implacável. Que o digam tantas e tantas empresas que não se modernizaram e simplesmente faliram. Que o digam todos aqueles que pensaram que não iam perder tempo com computadores, internets e outras modernices e hoje são perfeitos analfabetos.

Enfim, Portugal está em recessão económica e está em vias de regredir como civilização. O desprezo governamental pelo ensino, pela cultura, pela ciência e pela inovação, que aliás se imagina ser um mero slogan, está a impedir o país de existir no seu próprio tempo. Mas é o desprezo pelas pessoas que configura o maior desastre.

Não existem dados estatísticos mas vários investigadores da área afirmam que a emigração de quadros, vulgo "cérebros", é enorme. Aos milhares. Não estamos já a falar de "malas de cartão" e trolhas para a construção civil na Europa, mas de engenheiros, arquitetos, cientistas, que vão deixar o país num verdadeiro estado de penúria no campo da inteligência. Ou seja, Portugal está a ficar cada vez mais estúpido. Objetivamente sem destino nem futuro.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Leonel Moura.
     

 Até tu Costa?

«A delicada situação em que se encontra a banca portuguesa, que apresentará pela primeira vez prejuízos num exercício, deve-se à crise da dívida pública na Europa, considerou esta sexta-feira o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.

«Os bancos portugueses são vítimas da crise da dívida», afirmou o responsável, na sua intervenção numa conferência promovida esta manhã, em Lisboa, pela Associação Portuguesa de Bancos (APB). O governador disse ainda que «Falhar não é uma opção» para a moeda única.» [Agência Financeira]

Parecer:

Parece que para justificar as dificuldades da banca já há uma crise europeia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Passos Coelho: Portugal só pode crescer se poupar

«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu, em entrevista ao Sol, que Portugal só pode crescer se poupar, lamentando que algumas pessoas "tenham continuado a viver como se não fossem pobres".» [DN]

Parecer:

Pois, e para que os portugueses possam poupar corta-lhes no rendimento e aumentam-lhes os impostos lançando a economia na bancarrota.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Passos Coelho que ajude os portugueses a poupar na sua paciência, pode começar por os poupoar à sua basófia intelectual digna da quarta classe.»
  
 Passos Coelho tem medo de falar sobre secretas?

«O primeiro-ministro não vai à comissão parlamentar esclarecer as notícias relacionadas com as secretas, apurou o i junto de fonte parlamentar. O PCP disse que haverá "consequências políticas" se primeiro-ministro não for à comissão. » [DN]

Parecer:

Seria interessante conhecer o conteúdo da relação entre o primeiro-ministro e o espião da Ongoing durante o último ano.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho se recorreu à ajuda do espião da Ongoing quando estava na oposição.»
  
 Estranha democracia económica

«"Apesar das condições adversas, os bancos portugueses aumentaram o capital em 2011. O processo de desalavancagem está num nível avançado, mas não deve prejudicar a concessão de níveis adequados de crédito à economia", afirmou Vítor Gaspar, numa intervenção em inglês, referindo que a banca deve acompanhar o ritmo de correção macroeconómica.» [DN]

Parecer:

Um ultra liberal a dar instruções á banca?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Mas que grande laboratório de ideias

«O secretário-geral do PS, António José Seguro, recusou hoje esclarecer se Manuel Maria Carrilho integrará o laboratório de ideias do partido, uma possibilidade que está a provocar contestação entre os socialistas.» [DN]

Parecer:

Foi uma grande ideia escolher o Carrilho.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugiram-se nomes interessantes como o de Carrilho para que Seguro os convide.»
  
 Pobre secretário de Estado

«A Secretaria de Estado da Cultura (SEC) assegurou hoje que aplica o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em todos os organismos, na sequência da suspensão da aplicação das novas regras no Centro Cultural de Belém (CCB).» [DN]

Parecer:

Justificar-se com a secretaria de Estado é ridículo, a verdade é que permitiu que o CCB fosse uma instituição marginal.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Até tu Marques Mendes?

«No seu comentário semanal na TVI24, Marques Mendes admitiu que o nosso País poderá ter de recorrer mais uma vez à ajuda financeira internacional. O social-democrata aproveitou ainda para elogiar a atuação do Governo e pediu cautela aos partidos.» [DN]

Parecer:

Parece que só Passos Coelho e o seu Gasparoika acreditam no contrário.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
Todos rezam

«"O orçamento português para 2012 contém medidas muito boas e corajosas, incluindo o aumento da competitividade, e também um corte de despesas em dimensões adequadas", afirmou o representante do FMI em Lisboa. » [Expresso]

Parecer:

Compreende-se o desejo do representante do FMI, a sua instituição tem estimulado os doidos locais a aplicarem medidas de austeridade brutais.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao governador local do FMI se sabe qual vai ser a contracção da economia portuguesa em 2012 e se tem previsões quanto à receita fiscal no mesmo ano.»
  
 Até tu Belmiro?

«O presidente do grupo Sonae, Belmiro de Azevedo, defendeu hoje que a austeridade "não pode ser a solução" para os problemas, alertando que é necessário também crescimento económico e financiamento às empresas.

"Os governantes dizem que este é o tempo da austeridade, mas essa não pode ser a solução. A austeridade sem crescimento e sem financiamento das empresas mata a economia, mata o emprego e mata a convicção das pessoas de que os sacrifícios valem a pena", afirmou o empresário nortenho num seminário na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada.» [Expresso]

Parecer:

Um dia destes só o Passos e o seu Gasparoika serão defensores da austeridade. Bem, o Seguro também defende meia dose de austeridade.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Foi chegar e fazer obra

«O ministro da Saúde, Paulo Macedo, disse hoje que o lançamento no mercado de um rádio fármaco pela Universidade de Coimbra (UC) constitui um “momento muito relevante” na história da saúde em Portugal.» [i]

Parecer:

É um milagre do opus Macedo!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Beatifique-se a criatura.»
  
 Desta vez Passos foi coerente

«O primeiro-ministro, Passos Coelho, anunciou hoje que o Governo não dará tolerância de ponto aos funcionários públicos no Carnaval, argumentando que "ninguém perceberia" que tal acontecesse numa altura em que o Executivo se propõe acabar com feriados.» [i]

Parecer:

Mais um Carnaval dos divertidos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso cínico.»
  
 E Sócrates é que não tinha capacidade de previsão?

«"Não tenho nenhum orgulho em ter decidido comprar dívida grega, naquele momento e naquela dimensão. Foi uma má decisão." Com estas palavras Fernando Ulrich fez ontem o seu "mea culpa" por uma decisão de investimento que, em 2011, empurrou o BPI para os primeiros prejuízos da sua história, no valor de 204 milhões de euros. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Afinal o Ulrich que tanto criticava Portugal foi enterrar-se na Grécia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao Ulrich que tenha cuidado com a gulodice.»
  

   




sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Cá se fazem, cá se pagam

É a ironia do destino, aqueles que há um ano exigiam um pedido de ajuda internacional na esperança de a miséria daí resultante conduzir a uma crise política, desdobram-se agora em juras de que não vai haver um segundo empréstimo. Os que criticavam Sócrates por não pedir ajuda internacional sonham agora que os juros baixem ao ponto de Portugal se poder financiar nos mercados. Os mesmos que defendiam que a crise era nacional defendem agora que a crise é sistémica.

Estavam tão convencidos de que os mercados são de direita e que com uma mudança política teriam mais facilidades que tentaram ir muito mais além do que a troika, promoveram o empobrecimento colectivo, o primeiro-ministro tudo fez para desestimular o consumo, o ministro das Finanças recebeu carta verde para transformar o país à vontade. Agora receiam o pior, reafirmam as suas políticas mas receiam que a recessão seja brutal.

Agora o país está à beira do abismo e parece que todo os membros do governo decidiram imitar o ministro da informação de Sadam, por mais que seja evidente que o país se vai afundar em recessão e em dívida todos garantem que Portugal não precisará de um novo pacote de ajuda. Por mais evidente que seja que a solução está no crescimento económico os nossos governantes continuam a defender a austeridade pura e dura como único caminho aceitável para a expiação do pecado do excesso de consumo praticado no passado.

Cá se fazem, cá se pagam e os que todos os meses festejavam o aumento de desemprego escondem-se agora da realidade, ignoram os dados mensais do desemprego, inventam-se sucessivas manobras de diversão para evitar discutir a realidade. O governo já percebeu o buraco em que meteu o país, mas continua firme e hirto porque sem alternativa não quer dar o braço a torcer.

Pela boca morre o peixe e os que contavam as nomeações de “boys” agora inventam esquemas duvidosos para que as nomeações não sejam do conhecimento público, pagam mais aos motoristas do que o Estado paga aos médicos, continuam a prometer aos assessores e adjuntos os subsídios que retiraram aos outros. São vagas sucessivas de boys a correrem para o pote, desde a nomeação da administração da CGD que o banquete não parou.

Ironia das ironias, o ministro mais gozado, que até foi alvo de chacota por parte do Gaspar em pleno conselho de ministros (quando foi gozado enquanto propunha medidas para o crescimento e depois do Gaspar lhe ter dito “não há dinheiro” ainda lhe perguntou qual das tês palavras não tinha percebido) foi o único que parece ter defendido medidas para promover o crescimento económico e foi ainda o único membro deste governo que desde a tomada de posse se manifestou preocupado com a escalada do desemprego. O destino tem destas coisas, o ministro mais gozado arrisca-se a ser um herói, enquanto do cinzento Gaspar (Gaspar foi o rei mago que levou a Jesus o incenso da Europa) já se fala numa possível demissão, sendo detestado pelos cavaquistas.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


À venda no Chiado, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Ao largo de Fernando Noronha [A. Cabral]
  
 
Jumento do dia


Miguel Relvas

Mais uma vez Miguel Relvas surpreendeu o país com o seu brilhantismo pessoal, os protugueses ficaram a saber que o governo tem dois Álvaros, o ministro dos Assuntos Parlamentares desconhece as regras do próprio parlamento e fala com a ligeireza intelectual de uma betoneira.
 
«O ministro dos Assuntos Parlamentares lembrou na quarta-feira que o primeiro-ministro estará na sexta-feira no Parlamento, conforme o previsto, para responder a questões, numa reação ao pedido potestativo do PCP para Passos Coelho prestar esclarecimentos sobre as secretas.

Em entrevista à rádio Antena 1, que será transmitida hoje na íntegra, Miguel Relvas afirmou que o PCP pode já colocar na sexta-feira "as questões que entender" ao primeiro-ministro, recordando que Passos Coelho vai ao plenário de 15 em 15 dias, "que é o que está regimentalmente definido".

Criticando os comunistas, o ministro dos Assuntos Parlamentares disse que "todas as matérias públicas devem ser tratadas com elevado sentido de responsabilidade e sem circo".» [i]

«O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, remeteu hoje para a comissão de Assuntos Constitucionais a apreciação do requerimento do PCP para que o primeiro-ministro preste esclarecimentos sobre o funcionamento dos serviços de informações.

"Esse é um assunto que vai ser analisado no âmbito da primeira comissão, portanto, vamos aguardar a realização da comissão que apreciará esse requerimento", afirmou Montenegro aos jornalistas à saída da reunião do grupo parlamentar social-democrata.» [DN]

 Mais um fim do mês complicado

     
 

 Inferno "Made in Germany"

«O economista Daniel Gros revelou há dias um número relevante: apesar da violenta austeridade imposta à Grécia nos últimos dois anos e da recessão profunda em que o país se encontra - 16 trimestres consecutivos a perder riqueza e ainda a seguir para bingo -, os gregos só têm dinheiro para sustentar 80% do seu nível de vida. O resto, os 20% que seriam precisos para manter o país a funcionar, tem de ser financiado através de empréstimos no exterior, já que não há poupança nem recursos internos para compensar o desequilíbrio, mas hoje esse capital já não existe. Fugiu.

Ou seja, a seguir a este novo pacote que está a ser negociado a custo com a troika, se nada de extraordinário mudar na Zona Euro, a Grécia terá de continuar indefinida- mente ligada à máquina e a viver às pinguinhas. Os gregos acabam, portanto, de entrar no quinto ano de recessão, mas já perceberam que têm pela frente mais um interminável período de empobrecimento profundo, enxovalho político e cultural - made in Germany - e um doloroso drama social que envergonhará a Europa durante muitos anos.

Com o desemprego a atingir 47,2% dos jovens - um em cada dois! - e 19% entre do resto das pessoas, é simples perceber a dimensão humana da catástrofe a que os portugueses e os outros europeus assistem sem grandes inquietações, exceto o terrível pavor de que a maré também acabe por engoli-los. Desde o início da crise da dívida soberana, a atitude tem, aliás, sido sempre a mesma em Portugal, na Irlanda, em Espanha e agora também em Itália: os gregos são um povo amigo, mas para manter patrioticamente à distância, como se fazia com os leprosos.

Compreende-se a necessidade de Passos Coelho, Mariano Rajoy e outros tantos fugirem a sete pés da comparação grega para continuarem fiéis ao diktat alemão e, assim, permanecerem ligados a um ténue fio de esperança. No entanto, chegados a este ponto dramático na vida de um povo, é obrigatório ser um pouco mais corajoso. O ciclo de miséria grega e a sua rota interminável têm-se agravado pelos inúmeros falhanços orçamentais e políticos internos, é inegável, mas também pelo obscurantismo financeiro alemão que se perpetua graças à fragilidade (cobardia) dos outros países.

A troika falhou na Grécia. Fez mal as contas. Não emprestou dinheiro suficiente. Fê-lo por um período ridiculamente curto (três anos, como exige o FMI). Calculou mal o efeito recessivo e a espiral negativa. E definiu objetivos financeiros e económicos surreais. A Grécia já não é um país, é um laboratório onde jaz um Estado (quase) falhado. Kaputt, dirá um dia a sr.ª Merkel enquanto nós, com sorte, seguiremos a nossa vidinha.» [DN]

Autor:

André Macedo.
     

 Já ninguém acredita em Portugal

«Os mercados financeiros estão "preocupados com Portugal", e os investidores acreditam que a dívida portuguesa será reestruturada como a da Grécia, escreve o "The New York Times" num artigo publicado 'online' na quarta-feira.

O artigo, escrito pelo correspondente do diário nova-iorquino para a Península Ibérica, descreve as expetativas dos investidores para a evolução da crise da dívida soberana em Portugal.

Segundo o "The New York Times", quando a Grécia concluir um acordo para a reestruturação da sua dívida, é provável que Portugal "venha a seguir". O Governo grego está atualmente a negociar com os credores a dimensão e formato do haircut (redução) da dívida. O economista Edward Hugh, citado pelo "The New York Times", afirma que "o mais provável é que Portugal diga que também quer um acordo desses", até porque "literalmente já não tem nada a perder".» [Expresso]

Parecer:

É uma questão de tempo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Professor violentamente agredido

«Um professor de Matemática de 63 anos, que expulsou uma aluna da sala de aula por estar a perturbar a lição, foi agredido à frente da escola por alegados familiares da estudante do 6.º ano, disseram hoje fontes oficiais.

Fonte do Hospital de Vila Nova de Gaia, para onde o professor agredido a murros e pontapés foi transportado, adiantou à agência Lusa que a vítima deu entrada nas urgências daquela unidade hospitalar pelas 14h30 de terça-feira e teve "alta médica pelas 18h07" do mesmo dia.

O professor de Matemática Mário J. S., de 63 anos, foi "agredido ao início da tarde de terça-feira quando se preparava para entrar no estabelecimento de ensino, alegadamente por familiares de uma sua aluna", conta o bombeiro José Pereira, que esteve no local da ocorrência.» [Expresso]

Parecer:

Longe vão os tempos em que este tipo de situações era objecto de discussão pública.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se e proteste-se.»
  
 O Big Brother Azevedo chegou às compras por multibanco

«O Fisco vai controlar todas as compras efectuadas através dos terminais de pagamento automático, independentemente do valor, mas os contribuintes não serão identificados.

De acordo com a edição de hoje do Correio da Manhã, o Fisco vai controlar todos os pagamentos efetuados nos Terminais de Pagamento Automático, independentemente do valor em causa.

A portaria que exige aos bancos que comuniquem às finanças todos pagamentos realizados com cartão de crédito ou débito foi publicada ontem em Diário da República, segundo fonte do Ministério das Finanças.» [DE]

Parecer:

O resultado é óbvio, muitos comerciantes vão dispensar os terminais do multibanco.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Passe-se a usar dinheiro nos pagamentos.»
  
 Passos Coelho vai dar explicações sobre secretas

«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, vai ser obrigado a explicar-se sobre as secretas numa Comissão parlamentar, o que é acabará por ser algo de inédito.

Segundo noticiam hoje "Público" e "Diário de Notícias", o PCP vai garantir que Pedro Passos Coelho vá em audição à Comissão dos Assuntos Constitucionais, ao utilizar um mecanismo regimental que só tinha sido usado, até agora, para figuras abaixo na hierarquia governamental, como ministros e secretários de estado.

Esse mecanismo prevê que, em cada sessão legislativa, os grupos parlamentares poderão solicitar a presença de membros do Governo de forma potestativa. O PCP vai requerer a presença de Passos Coelho com carácter potestativo. O primeiro-ministro não pode recusar, já que é sua a tutela dos serviços secretos. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Será que ficaremos a saber quantas vezes Passos Coelho contactou com o espião da Ongoing?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho se vai contar tudo sobre a sua relação com o espião da Ongoing.»
  
 Até tu Manela

«Manuela Ferreira Leite não acredita que seja possível ao Governo cumprir as metas do défice.» [DN]

Parecer:

Por este andar a senhora ainda vai para a administração de alguma empresa chinesa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Arranje-se um lugar na REN.»
  
 Mais uma boa razão para não gostar do Seguro

«O ex-dirigente socialista André Figueiredo contestou hoje a eventual nomeação do ex-ministro Manuel Maria Carrilho para a direção do Laboratório de Ideias para Portugal (LIP) do PS, considerando que é alguém com um passado de "traição".» [DN]

Parecer:

Se um Carrilho que tanto ajudou a direita por questões de egoísmo pessoal for promovido é mais uma razão para deixar de questionar a hipótese de votar neste PS:

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»