sábado, abril 14, 2012

Já passa por normal


Um ex-inspector da Polícia Judiciária mandou depositar dois mil euros na conta de um árbitro de futebol para o poder acusar de corrupção e uma boa parte do país diverte-se a brincar com as traquinices do mundo da bola. Mas se um ex-inspector da PJ, agora vice-presidente de um grande clube, recorre a este estratagema não foi certamente para ser apanhado e cair no ridículo.
  
È bom lembrar que o processo Casa Pia nasceu com um esquema montado por outro inspector da PJ que combinou o envio de uma carta anónima. Quando alguém experiente, que foi inspector da Polícia Judiciário tem esta escola temos sérias razões para sentirmos arrepios na espinha quando pensamos no que se passará nos bastidores da justiça portuguesa.
  
Quantos cidadãos foram acusados por encomenda, quantos foram condenados por falsas provas, quantos esquemas foram montados a troco de dinheiro? É bom recordar que só nos últimos tempos, para além deste caso e da forma como foi iniciado o processo Casa Pia, também foi notícia uma inspectora que roubava os traficantes e andava no BMW de luxo cujo roubo havia encomendado e ainda um caso de vigilâncias ilegais feitas por agentes da PJ nas suas horas vagas.
  
A tudo isto temos de somar a facilidade com que processos judiciais vão parar Às mãos dos jornalistas quando estão em causa certos interesses políticos. Compare-se a facilidade com que os documentos do processo Freeoport chegaram aos jornais com a protecção dos segredos no caso dos submarinos. Num caso já se gastaram milhões na tentativa de provar que houve subornos de algumas centenas de milhares de euros. No outro a justiça alemã provou que houve subornos de milhões e por cá por cá o processo parece merecer menos importância do que o roubo de uma melancia.
  
Compare-se o empenho de alguns magistrados sindicalistas em processos como o caso Freeport, o caso Face Oculta ou o caso Freeport com este dos submarinos em que até ficamos com a impressão de que o “Arpão” e o “Tridente” são submarinos espanhóis. Aliás, as preocupações daqueles processos chegaram mesmo a Belém, o presidente confundiu várias vezes o sindicalista do MP com o Procurador-geral e chamou-o por várias vezes a Belém.
  
Menos rascas do que o inspector da PJ foram os sindicalistas dos magistrados, não depositaram dinheiro nas contas dos ex-ministros, mas foram recolher todas as despesas para que sejam investigadas, talvez algum deles tenha comprado um perfume para a amante e depois não tenha feito a reposição do dinheiro, aliás, mesmo que o tenha feito pode ser acusado de peculato.
  
O mais grave de tudo isto é que já ninguém se indigna, levamos a coisa para a brincadeira e reduzimos a questão a um problema da bola. Só que o país está como o mundo da bola, tal como as claques os partidos estão infiltrados por marginais, os juízes da bola cada vez se distinguem menos dos que usam toga, há tanta corrupção no mundo da bola como no da justiça e algumas decisões judiciais suscitam mais dúvidas dos que as grandes penalidades.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Moinho de Santana, Lisboa
     
A mentira do dia d'O Jumento
DD

Jumento do dia


Carlos Costa, Governador BdP

Foi bonito ouvir Carlos Costa recorrer a metáforas para explicar a situação financeira do país, Portugal é um barco que perante uma tempestade foi obrigado a recolher a um porto seguro, superado o mau tempo e devidamente aparelhado o barco regressará ao mar, ainda que possa ter que enfrentar tubarões.
 
È pena que só para ajudar o governo de direita que poupou os do BdP à austeridade a que o cidadão comum é sujeito o governador tenha tanta inspiração, no caso do governo que o nomeou o governador não recorreru a qualquer metáfora, aparelhou o primeiro-ministro mas não como sucede com os barcos, meteu-lhe uma parelha, enfim, mordeu na mão que lhe de de comer, algo que não fez ao governo de Passos Coelho.
 
Vá lá, sempre se pode dizer que o senhor está melhor, já sabe agradecer e ser leal com os seus.

 Porque não vai ela?


Faltou-lhes os tomatitos


Quando o governo decidiu cortar os subsídios dos funcionários públicos e pensionistas deu logo a entender que o corte era definitivo, até o secretário de Estado da Administração Pública chegou a anunciar novas tabelas salariais, numa manobra que visava disfarçar o corte. Passos Coelho que tinha inventado um desvio colossal para justificar a medida veio depois justificá-la com um argumento muito pouco temporário, que os funcionários públicos ganhavam mais do que os do sector privado.
  
Na ocasião foi dito na comunicação social que em Bruxelas a medida for recebida e tratada como definitiva e nessa ocasião o governo optou pelo silêncio, não veio a público desmentir essa interpretação.
  
A medida inscrevia-se claramente na estratégia do Gaspar, empobrecimento colectivo e corte nas despesas com funcionários públicos, na falta de um despedimento robusto de funcionários públicos (medida de que o Gaspar ainda não deve ter desistido) optou-se por um corte equivalente nos vencimentos.
  
O problema é que não foi necessário esperar muito tempo para que a economia chumbasse a estratégia do empobrecimento há muito tecida pelo Gaspar nos seus discursos e papelinhos, em menos de um ano a tese da alternativa à desvalorização está a ser desmentida pelo país por ele transformada em cobaia dos seus.
  
O efeito combinado do empobrecimento da população que o Gaspar considera estar a mais no país com a falta de financiamento da economia levou à asfixia das empresas que produzem para o mercado interno. O resultado óbvio desta política idiota está à vista, empresas a falir, receita fiscal em queda e desemprego como nunca se viu, as empresas não apostam no mercado interno, os portugueses poupam como pode pois com um governo de doidos e idiotas nunca se sabe quando é que o país bateu no fundo.
   
A reacção claramente de desorientação de Passos Coelho e Gaspar só mostra que na hora de defenderem os que decidiram convictamente faltou-lhe os tomatitos, faltaram ao primeiro-ministro e ao ministro das Finanças, mas faltou também ao desaparecido Paulo Portas e ao sô Álvaro.
 
 

 Palavra da Salvação

«Num momento particularmente difícil o Governo propõe-se mais uma vez restringir o acesso aos apoios sociais, particularmente aos desempregados." (1)
 
"Revela uma imensa insensibilidade social, especialmente quanto aos idosos, ultrapassa o limite dos sacrifícios que podem ser impostos aos portugueses e demonstra falta de equidade fiscal e social na distribuição das dificuldades." (2)
 
"Não ataca os problemas de frente e prefere atacar a despesa social, atacando sempre os mesmos, os mais desprotegidos. Mantém a receita preferida deste Governo: a solução da incompetência. Ou seja, se falta dinheiro, aumentam-se os impostos." (3)

"Apenas castiga os portugueses e não dedica uma única linha para o crescimento da economia. O que não se aceita é a falta de um rumo, da esperança que devolva o bem-estar aos portugueses e que promova a convergência real com os restantes cidadãos europeus." (4)

"Mais uma vez o Governo recorre aos aumentos de impostos e cortes cegos na despesa, sem oferecer uma componente de crescimento económico, sem uma esperança aos portugueses." (5)
 
"Sendo evidente que Portugal precisa de proceder a um ajustamento orçamental, reduzindo o défice nos termos dos seus compromissos internacionais, entende-se que o caminho escolhido pelo Governo é errado e não trará ao País a necessária recuperação económica." (6)

"A essa realidade junta-se ainda a incapacidade em suster o aumento galopante do desemprego e do endividamento do País." (7)

"O Governo recusa-se a dizer aos portugueses qual a verdadeira situação das finanças públicas nacionais." (8)

"Os resultados que se atingiram tiveram o condão de se fundar ou no sacrifício das pessoas e das empresas - suportado pelo aumento asfixiante da carga fiscal - ou no recurso a receitas extraordinárias." (9)

"As medidas tiveram efeitos recessivos na economia e não trouxeram qualquer confiança aos mercados." (10)

"Portugal é o único país da Europa que não vai crescer. Não pode, por isso mesmo, o Governo afirmar que a culpa é da "crise internacional", como insistentemente afirma para tentar enganar os portugueses." (11)

"É o Governo que desmente o próprio Governo." (12)

"A credibilidade, uma vez perdida, é extremamente difícil de recuperar." (13)

1, 3, 4, 5, 7, 8, 9, 11 - moção de rejeição do PSD ao PEC 2011/2014.

2, 6, 10, 12, 13 - moção de rejeição PP ao PEC 2011/2014.

O chumbo por toda a oposição do Programa de Estabilidade e Crescimento, em 23 de março de 2011, determinou a demissão do Governo e o pedido de ajuda financeira.» [DN]

Autor:

Fernanda Câncio.
  
Lapso, disse ele

«É absolutamente escandalosa a forma pouco transparente e pouco verdadeira como o Governo tem lidado com a eliminação, dita temporária, dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e dos pensionistas.


E sendo este um assunto tão sério para a vida de muita gente, só agrava as coisas que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças andem por aí a inventar explicações esfarrapadas, tratando os portugueses como se fossem tolos.


A eliminação dos subsídios - convém lembrá-lo - é uma medida da responsabilidade do Governo PSD/CDS, que não consta do Memorando que o Governo anterior negociou com a ‘troika'. Trata-se, pois, de uma medida de austeridade "além da ‘troika'", gravemente recessiva e manifestamente injusta, porque viola princípios elementares de equidade na distribuição dos sacrifícios.


Quando anunciou esta medida o Governo apresentou-a como "transitória". E se é certo que houve referências à sua aplicação durante "a vigência do programa de assistência financeira", também é certo que sempre que foi chamado a especificar o respectivo calendário o Governo disse sempre que a medida era para vigorar apenas em 2012 e 2013. Em qualquer caso, seja na versão - pelos vistos enganada - do ministro das Finanças e de vários outros membros do Governo (que se referiram apenas a 2012 e 2013), seja na versão do Relatório do Orçamento (que associa a duração da medida à vigência do Programa de Assistência Financeira, até Junho de 2014), esta seria sempre uma medida com horizonte temporal definido.


Acontece que aquilo que o primeiro-ministro veio agora dizer não é uma coisa nem outra. O que ele disse, em primeiro lugar, é que a suspensão dos subsídios se aplicará em todo o ano de 2014 (e não apenas até Junho, quando termina a vigência do actual Programa de Assistência Financeira). E acrescentou outra novidade: mesmo a partir de 2015, a reposição dos subsídios acontecerá apenas gradualmente, num horizonte temporal não definido - que poderá ser de vários anos. Como é obvio, isto muda tudo: a suspensão dos subsídios dos funcionários públicos e dos pensionistas deixou de ter um horizonte temporal definido (com mais ou menos "lapsos" na comunicação desse horizonte) para passar a ter uma duração totalmente incerta, mesmo para lá da vigência do Programa de Assistência Financeira.


Tomo nota, como todos, do alegado "lapso" assumido pelo ministro das Finanças, referente à omissão da suspensão dos subsídios no ano de 2014. Mas temos aqui um caso muito mais sério: um primeiro-ministro que se revela, a cada passo, manifestamente relapso com a verdade, numa matéria em que se exigiria que falasse com total franqueza e transparência.


É certo, a recusa em falar verdade sobre este assunto já vem de longe e começou na campanha eleitoral, quando o dr. Passos Coelho garantiu aos portugueses que a hipótese de cortar no 13º mês era um completo "disparate" (o que não o impediu de cortar no 13º mês de todos os portugueses, logo em 2011). Mas a mesma atitude continua agora, com esta história do corte dos subsídios dos funcionários públicos e dos pensionistas, que tinham um horizonte temporal definido e agora passaram a ter um horizonte temporal totalmente incerto. Fosse o problema uma simples questão de lapsos e poria em causa a competência do Governo. Mas, receio bem, o problema é de outra natureza. E o que está em causa é a credibilidade da palavra do primeiro-ministro.» [DE]

Autor:

Pedro Silva Pereira.
  
O fenómeno

«O mundo anda agitado. Mas Portugal está calmo. A crise financeira e as improváveis receitas para a sua solução afetam sobretudo a velha Europa, no seu modo de vida, no bem-estar e segurança geral das populações, desencadeando ondas de indignação. Bem violentas nalguns casos como se sabe. Mas Portugal está calmo. Para os países mais débeis economicamente, nos quais se encontra o nosso, as medidas de austeridade são brutais, com empobrecimento súbito, estagnação da atividade económica, aumento generalizado do custo de vida e nessa verdadeira rapina ao bolso do cidadão em nome da aridez dos cofres do estado. Nunca o estado foi tão prepotente e larápio. Mas, mesmo assim, Portugal está calmo. Trata-se pois de um verdadeiro fenómeno. 


Fenómeno aliás bastante comentado externamente. Os políticos gregos roem-se de inveja; os mercados sorriem; a troika exulta. Governantes e comissários europeus não se cansam de elogiar a singularidade portuguesa. Mais uma vez, somos bons alunos e apresentados como exemplo a seguir. 


Mas só quem não nos conhece pode ficar surpreendido. E, em boa verdade, poucos nos conhecem realmente. Irrelevantes para a maioria, simpáticos para os turistas, ingénuos, toscos, ignorantes ou ineptos, conforme o ponto de observação na geografia, os portugueses não são um assunto relevante nas conversas do mundo. E quando, de tempos a tempos, alguém se debruça sobre nós, nem sempre o resultado é agradável. Miguel de Unamuno dizia que os portugueses eram "tristes, até quando sorriem". Considerava-nos um povo de suicidas, a cuja existência falta um sentido transcendente. "Desejam talvez viver, sim, mas para quê?" É também sabido como os Europeus do norte, sobretudo os alemães, têm desdém pela nossa preguiça e desorganização. Os próprios brasileiros não gostam muito de nós, mesmo se dizem o contrário. E compreende-se. Somos chatos, formais, negativos. Eles são alegres, abertos, positivos. E se os americanos não sabem onde estamos, nem o que fazemos, imagine-se os chineses que vivem noutro planeta e noutra escala, e, já agora, noutro tempo, noutro regime, noutra cultura, e por aí fora.


Claro que fica sempre bem em qualquer discurso dizer que os portugueses são muito amados e decisivos para o mundo. Como a história dos descobrimentos está gasta e, convenhamos, já não se aguenta mais, acena-se hoje com a notoriedade de alguns portugueses avulsos que conquistaram alguma audiência além-fronteiras. Futebolistas, políticos, cientistas, um ou outro aldrabão famoso. Mas isso não chega para desenhar um povo.


Unamuno acertou quando disse que gostaríamos talvez de viver, mas não sabemos para quê. É isso que nos falta, desígnio, vontade de ser e fazer, audácia. Mais do que suicidas, somos um povo adormecido, resignado, demasiado parado face à velocidade do mundo e das coisas. Muito dados à crendice, ao destino e ao fado, os portugueses acham que a realidade não é assunto seu, mas antes o resultado de uma qualquer conspiração de deuses ou astros. Até a chuva nos ignora.


Mas não quero terminar sem uma observação positiva. A crise que atravessamos, na maneira peculiar como nos apanhou a todos numa mesma teia fatal, vai trazendo ao de cima o pior do ser português na sua extrema passividade. Mas vai tendo, por outro lado, um efeito que não se deve ignorar. Com o país paralisado, muitos portugueses estão a lançar-se ao mundo num verdadeiro ímpeto de sobrevivência. Impressiona vê-los, já não com a indigente mala de cartão, mas com os seus singelos negócios e ambições, a tentarem conquistar pequenos nichos de afazeres e comércio. Enquanto as grandes empresas se vendem ao primeiro, os pequenos empreendedores aventuram-se. Brasil, Angola ou China estão a ser literalmente invadidos por bandos de compatriotas à procura de vida. Basta, aliás, andar pelos corredores de uma qualquer feira internacional e deparar, a cada passo, com a sonoridade e a ansiedade lusitana. É comovente. Mas é mais do que isso. É também um primeiro sinal de que, finalmente, muitos portugueses perceberam que a sua verdadeira vocação está em se fazerem ao mundo. E em força.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Leonel Moura.

As palavras do banqueiro

«"Portugal está a trabalhar bem para cumprir os seus objectivos", disse o banqueiro Ricardo Salgado, com aquele ar assustador que o distingue. É um elogio ou o sinal de que somos a obediência em estado puro? A verdade é que sempre trabalhámos bem, muitas horas, cabisbaixos e tristes, não somos culpados deste infortúnio que nos caiu em cima, e pagamos uma culpa irremediável. Trabalhamos bem. Diz o banqueiro. E ele e os outros, têm trabalhado bem?


A pergunta modesta e singela tem razão de ser. Que têm feito pela pátria, ele e os outros? Que objectivos perseguem senão aqueles dimanados pelo lucro? Nada destas questões assentam num primarismo tonto. Correspondem a uma verdade como punhos. Eles enriquecem com o nosso dinheiro, quando cometem disparates têm sempre o respaldo do Governo, e, ainda por cima, atrevem-se a ditar sentenças. Sei, claro que sei e sabemos, que a Banca é um dos pilares do capitalismo, e que o capitalismo, ao contrário do socialismo, não promete nada, e muito menos a felicidade dos povos. Mas deixá-lo à solta, é arriscadíssimo. Tem-se visto. 
A crise por que atravessamos não tem merecido, dos banqueiros, um esforço aturado de análise. E se, entre 1929 e agora, a crise possui semelhanças que têm sido escamoteadas, as causas são sempre as mesmas, porventura mais ou menos graves. Por sua vez, os políticos, esta geração de políticos, não sabe o que fazer. E a Europa está nas mãos de uma Direita tão anacrónica como incompetente.


Os senhores da Europa assenhorearam-se do mando porque são mais fortes, dispõem de dinheiro, de informação e de poder. Mais ainda: arregimentam Governos servis, de cega obediência, que mais não são do que serventuários de interesses alheios. O Governo português não foge à regra: é um arregimentado, sem personalidade própria, seguidor de uma estratégia imperial bicéfala. Mas não será a França a detentora absoluta do poder. Chegará a altura que ela própria sofrerá as consequências da megalomania.


O discurso clássico sobre a bondade da economia moral não passa de uma facécia. A economia vive de si mesma, e o pretendido equilíbrio geral que provoca é o equilíbrio instável do momento. Marx esclareceu. E se alguns preopinantes desenfreados entendem Marx como um pensador ultrapassado, ignoram que a relação económica imposta sem regras conduz ao descalabro. Como nos aconteceu esta desgraça?, perguntam as pessoas que mais sofrem a crise. Acontece que o mundo e os homens se transformaram em cobaias ou mercadorias, e introduzidos como engrenagens de uma roda infernal.


"Gastámos de mais. Gastámos acima das nossas possibilidades", dizem por aí. Gastámos, quem? Gastámos de mais, se sempre tivemos de menos? A falácia não esconde o jogo desta hipocrisia inominável. Quando Ricardo Salgado formula aquela opinião, sabe muito bem que somos comprados, utilizados e manipulados a BEL-prazer das circunstâncias. Trabalhamos bem porque não recalcitramos contra estas afrontas, porque somos colonizados como peças de um empreendimento de domínio. No caso português, por submissão e impossibilidade criada pelos mecanismos de mando, chegamos a ser cúmplices dos nossos próprios verdugos.


Todos os dias, de forma quase implacável, surgem notícias de novas submissões. Todos os dias aumentam os impostos, de forma directa ou indirecta, e ninguém sabe explicar porquê, a não ser que a crise é que determina. Os portugueses nunca foram senhores da sua liberdade, é verdade. Desde sempre fomos colónia de qualquer império, e chagámos a ser colónia do nosso próprio império. A banalidade económica do mal (parafraseando Hannah Arendt) provém da banalidade do mal do capitalismo. E a implosão do "comunismo" auxiliou, grandemente, a voracidade da luxúria. Não digo nada que se não saiba: as coisas estão por aí.


Sofremos, em Portugal, o reflexo de uma ideologia que se oculta sob o nome de "neoliberalismo." Não é "neo", nem "liberalismo." As palavras têm sido alteradas e adulteradas ao sabor das circunstâncias históricas. E dispõe, a ideologia, como todas as ideologias dispõem, de turiferários encartados, que encenam o destino dos outros e são pagos para isso. "Portugal está a trabalhar bem", assevera Ricardo Salgado. Está. Mas será em benefício próprio?» [Jornal de Negócios]

Autor:

Baptista-Bastos.
    

A vez da Espanha

«O risco de incumprimento espanhol bateu hoje um máximo histórico, ao mesmo tempo que a ‘yield’ a 10 anos tocou nos 6%. A bolsa de Madrid cai 3,5% e o euro desliza 0,8% contra o dólar.


Os mercados dão novos sinais de alarme em relação a Espanha, a quarta maior economia da zona euro, e acentuam-se os receios de que o país se torne o próximo a pedir assistência internacional. Isto mesmo depois de Mariano Rajoy ter ontem descartado que Espanha precise de ser resgatada.» [DE]

Parecer:

Agora já não estão interessados em forçar a Espanha a um pedido de ajuda?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à Senhora Merkel, aos nossos banqueiros, ao merceeiro holandês, ao tipo da Coelha e a outras encomendas.»
  
Pois não

«A 'troika' também não foi informada antecipadamente pelo Governo da decisão de suspender as reforma antecipadas.» [DE]

Parecer:

Este Passos anda muito corajoso. Ou será que as asneiras são tão grandes e o desastre é tão evidente que são os senhores da troika a fugir do governo?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
Deputados idiotas, votam naquilo em que não acreditam

«Os deputados do PSD que apresentaram uma declaração de voto ao Tratado Orçamental consideram que a regra de ouro - que estipula um Saldo Orçamental Estrutural mínimo de 0,5% negativos - é um "um conceito teórico, não observável", que pode suscitar "dúvidas e lançar polémica".


Miguel Frasquilho, Duarte Pacheco e Paulo Batista Santos dizem ter votado a favor do tratado, respeitando a disciplina de voto imposta pela bancada, por considerarem que Portugal não podia ficar fora deste instrumento. Mas defendem que "poderiam ter sido outras as regras aprovadas - que poderiam, se assim tivesse acontecido, ser mais efectivas".


Recorde-se que o PS votou favoravelmente a ratificação do Tratado Orçamental Europeu como se previa, mas a surpresa da votação foi a apresentação de uma declaração de voto dos deputados do PSD Miguel Frasquilho, Duarte Pacheco e Paulo Batista Santos.» [DE]

Parecer:

Deputados da treta!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
Pobres mas lavadinhos.

«A Assembleia da República aprovou esta sexta-feira as duas propostas de resolução para a ratificação do Tratado que cria o Mecanismo Europeu de Estabilidade e do Tratado sobre Estabilidade, Coordenação e Governação na União Económica e Monetária. Portugal é o primeiro Estado-Membro a ratificar o diploma.» [CM]

Parecer:

Sem comentários.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Embrulhe-se e envie-se para a tia Merkel.»
  
O sentido de humor de António Barreto

«O sociólogo António Barreto defendeu hoje que as alterações nas reformas não estão a ser claramente explicadas aos portugueses, para compreenderem a necessidade de mudar algumas condições nos seus direitos adquiridos devido às dificuldades económicas.» [i]

Parecer:

Este senhor empregado do merceeiro tem mesmo sentido de humor, só se assim se entende que diga que medidas que foram escondidas foram, afinal, mal explicadas. A companhia do merceerio holandês está a conseguir um verdeiro milagre, o António Barreto está mesmo a ficar uma personagem divertida e com sentido de humor.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   

   



  



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sexta-feira, abril 13, 2012

Quando tudo nos corre ao contrário

Quando tudo nos corre ao contrário acontece termos surpresas, os resultados são o inverso do desejado, as receitas fiscais descem, o Paulo Portas desaparece, a rapaziada da troika fica mais discreta, o Gaspar gagueja e a burra tosse. O governo está numa desta fases, por mais que se esforcem tudo lhes sai ao contrário.
 
Quando tudo nos corre ao contrário vamos buscar um ministro a uma universidade canadiana na esperança de ser o mago da economia e sai-nos um ilusionista de feira.

Quando tudo nos corre ao contrário pensamos que temos um ministro das Finanças digno da herança financeira de Salazar e sai-nos um neto da avó Prazeres que nos explica a sua última descoberta com um gesticular de mãos digno de um carteirista que 2015 é o ano consecutivo a 2014.
 
Quando tudo nos corre ao contrário o ministro Lambretas vai a Belém de bicicleta e disfarçado de amolador para reunir com um presidente disfarçado de jardineiro da Quinta da Coelho para fazer promulgar leis secretas que devem ser escondidas dos perigosos portugueses.

Quando tudo nos corre ao contrário aumentamos os impostos para aumentar a receita do Estado e esta em vez de aumentar diminui, uns deixaram de ter lucros e pagam menos IRC, outros perderam o emprego e pagam menos IRS, quase todos consomem menos e cortam no IVA.

Quando tudo nos corre ao contrário cortamos nos subsídios para poupar na despesa do Estado e entre o que os lesados deixaram de comprar e o que os outros deixaram de vender a redução na receita do fisco é quase equivalente ao que se poupou na despesa.
 
Quando tudo nos corre ao contrário a Cristas farta-se de rezar, reza tantas ladainhas que até gasta as pedras do terço que tem desde a primeira comunhão, em vez de chuva caem chuviscos, chuva molha parvos e granizo para estragar o resto.
Quando tudo nos corre ao contrário promovemos reestruturações do fisco para o tornar mais eficaz e cortamos na sua despesa para poupar, no fim o fisco fica desorganizado e sem dinheiro para trabalhar, a receita fiscal desce e o Estado fica a perder.
 
Quando tudo nos corre ao contrário dizemos que vamos privatizar a EDP para promover a democracia económica, no fim transformamos uma empresa portuguesa quase privada numa empresa pública chinesa e acabamos por ver mais administradores do partido do poder do que antes da privatização.

Quando tudo nos corre ao contrário escrevemos prefácios vingativos e acabamos com uma Presidência da República quase clandestina, que se esconde dos portugueses, com um Presidente da República caladinho na esperança de os portugueses esqueceram as suas figuras tristes e a promulgar leis secretas para que os portugueses não possam opinar ou reagir.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Fragata do Tejo
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Espelho de água [A. Cabral]

    Jumento do dia


António José Seguro

Não era o Seguro que prometia umas novidades na escolha e na actuação dos deputados?

«“Reafirmo aqui a autonomia do Grupo Parlamentar, retomo propostas que fiz no passado e que visam libertar os deputados da disciplina partidária em questões que não têm a ver com a matriz do PS, com a governabilidade e com os seus compromissos eleitorais”, declarou António José Seguro, que se tem batido por esta reforma enquanto membro da bancada socialista.


Neste ponto, António José Seguro ainda acrescentou: “Não defendo correias de transmissão e constrangimentos à liberdade de quem representa os cidadãos que os elegeu. Também aqui pretendo iniciar um novo ciclo, porque é preciso enobrecer o trabalho do Parlamento dos deputados”, antes de propor uma revisão dos sistema eleitoral para a Assembleia da República.


“Sei que no momento difícil em que vivemos não é uma prioridade e que temos outras emergências, mas essa reforma é inadiável. Consta do nosso programa eleitoral e vamos cumpri-lo, quero uma melhor relação entre os deputados eleitos e os eleitores. O PSD, se for coerente com o que prometeu, não pode inviabilizar esta nossa iniciativa”, sustentou.»  [9-06-2011 Destak]

«O PS vai impor disciplina de voto aos seus deputados para a votação de amanhã do Tratado Orçamental Europeu.


Uma decisão que surgiu só ao início da tarde e depois de se ter percebido que oito deputados socialistas iriam votar contra, apesar da posição oficial do partido ser a aprovação: João Galamba, Pedro Alves, Rui Duarte, Duarte Cordeiro, Isabel Moreira, Sérgio Sousa Pinto e Pedro Nuno Santos.


Ao que o Económico apurou houve ainda uma derradeira tentativa da liderança parlamentar para diminuir o número de dissidentes, tendo alguns destes deputados sido questionados sobre a possibilidade de voltarem atrás e aprovarem o Tratado. 


Terá sido perante a recusa de qualquer um deles de voltar atrás que a liderança de Carlos Zorrinho resolveu impor a disciplina de voto. A ideia que fica, dizem alguns deputados, é que a decisão se deveu ao número elevado de pedidos para contrariar o voto oficial do PS.» [ontem DE]

 A arte de ser desonesto
  
«Isabel Alçada, ex-ministra da Educação, diz que a Parque Escolar saiu barato. A sua antecessora, Lurdes Rodrigues, diz que a Parque Escolar "foi uma festa: para o País, para os alunos, para a engenharia, para a arquitectura, para o emprego, para a economia...".

Ouvir quem gere dinheiros públicos falar desta maneira, num momento que o país passa por graves dificuldades (ao ponto de cortar nos apoios sociais), explica muito do descalabro das nossas finanças públicas. Lurdes Rodrigues e Isabel Alçada são o espelho da iliteracia financeira pública, que afecta a maioria dos políticos em Portugal. Pessoas que abraçam funções públicas sem noção do que é um orçamento e de como se executa. » [Jornal de Negócios]

Apesar de a regra ser enojar-me insisto em ler Camilo, não pelo que possa aprender graças ao seu valor intelectual que nem é grande coisa, mas pelo que me enriquece no domínio do conhecimento da sacanice intelectual. O deonesto Camilo cita a ministra na parte em que a frase se ajeita ao seu vómito intelectual, depois mete três pontinhos. Vejamos o que disse a ministra:
 
«"A Parque Escolar foi uma festa para o País, para os alunos, a engenharia, a arquitectura, o emprego, a economia. Fizemos escolas robustas, aptas para o futuro. Conseguimos crédito com juros de menos de 3% a 30 anos. Deixámos uma dívida boa", disse, na Comissão de Educação e Ciência.
 
A antiga governante acusou o Tribunal de Contas (TC) de cometer um erro no seu relatório. "O Plano de Negócios de 2008 não fala em 332 escolas a intervencionar mas sim em 166. A PE já pediu ao TC para corrigir o erro. Deve ser corrigido a bem da verdade", disse, repetindo depois quatro vezes seguidas que "não houve derrapagens".» [CM]
 
Este Camilo não merece um desmentido ou uma resposta, merece muito simplesmente que o mandem à bardamerda, é um asco intelectual, só não se diz que merece um murro nas trombas porque como tem cartão de jornalista pode invocar o estatuto de vaca sagrada do regime.

 Crise financeira começa a ser divertida e a sério

Dantes a Europa divertia-se a saber quem se afundaria primeiro, se Portugal ou a Grécia, agora treme e borra-se enquanto a disputa é entre a Itália e a Grécia. Vamos ver se os babanas da troika vão entrar na Moncloa com aquele ar de saloios endinheirados como fizeram em Portugal, ou se o rei de Espanha lhes pergunta qual é o primeiro a engraixar os sapatos.

Foi uma festa, pá!



A ex-ministra disse que foi uma festa e gente manhosa logo sugeriu um imenso bacanal financiado por dinheiros públicos, dinheiro gasto em ensino? Escolas para gente pobre com bons materiais? Que crime, que escândalo!


Bons tempos de rigor era quando as escolas metiam água dias depois de construídas, tinham de receber acrescentos com contentores porque dois anos depois os alunos não cabiam, dispensavam arquitectos porque eram blocos de cimento todos Iguais. Nesse tempo sim que o dinheiro era bem empregue, ia para centros culturais, gabinetes luxuosos, carros ministeriais de luxo, para estradas onde morreram milhares de pessoas sem que nenhum líder da JSD tivesse apresentado queixa no MP.
 
O dinheiro foi gasto numa maternidade que presta um serviço de excelência, com equipas médicas formadas por profissionais exemplares, que coloca o país na vanguarda da saúde infantil? Então só posso dizer que foi uma festa, pá.

A auto-estrada está lá, as pontes estão lá, está tudo bem construído, as populações estão bem servidas? Então direi que foi uma festa, pá.

Também há quem diga que a venda da EDP aos chineses foi uma festa mas, infelizmente, não partilho da mesma opinião, não são os 50 mil do Catroga oyu as gorjetas à Celeste Cardona, Paulo Teixeira Pinto e outros que justifica colocar a produção de energia eléctrica nas mãos do Partido Comunista Chinês.

Deve haver quem considere o roubo dos subsídios uma festa, esse roubo permite a Gaspar não cumprir o acordo com a troika no que se refere à rendas da EDP ou à renegociação das PPP ou mesmo esquecer as fundações e institutos onde estão muitos amigos bem empregados em instituições de conforto. Mas estes casos não nos dão vontade de festejar.

É uma festa que num país onde nas escolas falta de tudo, a construção é miserável, os materiais parecem ter sido comprados na loja chinesa, num país onde os dirigentes do Estado têm palacetes, andam em carros de luxo, gastam nos seus gabinetes sem limites, neste país miserável pela primeira vez alguém tenha gasto em escolas. Compreende-se tanta indignação, tanto comentário miserável, tanta gente a defender que as escolas devem ser um antro de miséria. Se um governo em vez de gastar em putas gastou numa escola os seus ministros deviam ser levados ao balão para confirmar se estavam bêbados, até podem queimá-los no Terreiro do Paço. Mas foi mesmo uma festa, pá!
 
Podem ladrar, ganir, protestar, deturpar, manipular, difamar, podem fazer o que quiserem, só não poderão transformar este dinheiro em mordomias, ordenados com subsídios para amigos, avenças para os Borges, carros de luxo para substituir lambretas e muitas outras formas de mal gastar o dinheiro dos contribuintes. Este dinheiro foi muito bem derretido em escolas e como os chineses não deverão estar interessados em escolas que só dão prejuízo nem as podem privatizar.

Podem cortar nos feriados e nos dias santos, podem engordar o Catroga, podem tornar o Borges mais luzidio, podem filiar-se no PC da China, mas este dinheiro já não o levam nem o podem tranformar em corrupção. Vão-se bugiar, a começar pelo Camilo e pelos demais camelos!
 
 

 O Tratado, o bom aluno e o que fazem dele

«Estamos de acordo mas vamos trabalhar para o desacordo e o desentendimento. Assim actuou o PSD no processo de ratificação do Tratado Orçamental europeu.

Por distracção, displicência ou sobranceria, o Governo atirou para o lixo uma oportunidade única de reforçar e reafirmar o consenso político alargado obtido na assinatura do Memorando de Entendimento. Com a desculpa de ter de ser bom aluno corre o risco de ser o pior

O PSD e ao seu lado o CDS/PP têm andado a actuar como se não precisassem do PS. Esquecem-se que o mais importante activo que Portugal tem, para se diferenciar da Grécia, é o apoio dos três partidos da governação às medidas da troika e o consenso em relação ao projecto europeu.

O processo começa mal. O Tratado é assinado pelos 25 líderes europeus a 2 de Março e, pelo menos aparentemente, o primeiro desafio para o consenso é feito por Pedro Passos Coelho no congresso do PSD em finais de Março, onde o PS foi tudo menos bem tratado. A própria forma como o desafio foi lançado, como uma iniciativa dos sociais-democratas para inscrever a "regra de ouro" na Constituição, não lançou qualquer ponte para o maior partido da oposição.

Chegados às vésperas da ratificação do Tratado no Parlamento, o PS, um partido que vive grandes dificuldades internas, toma a iniciativa de propor uma adenda ao Tratado com princípios gerais para o crescimento, o emprego e dívidas públicas. Basicamente concretiza em Portugal o que estão também a fazer os seus pares do SPD alemão e do Partido Socialista francês. E muito em linha com o que se passou antes da construção da moeda única, quando a França forçou a Alemanha a flexibilizar o Pacto de Estabilidade.

Como reage o PSD a esta proposta? Pela pena de Miguel Relvas diz que não por, entre outras razões, retirar Portugal do consenso europeu e não se querer vincular a iniciativas de financiamento das dívidas soberanas. Ou seja, o PSD e implicitamente o CDS/PP consideram que Portugal é neste momento um Estado sem voz na construção europeia, sem capacidade para contribuir com ideias para resolver uma crise que ameaça um projecto que garantiu a paz e a prosperidade na Europa desde a II Guerra Mundial. Vetar contributos para ultrapassar a crise europeia não é ser bom aluno, não é ser mais troika que a troika, é dar ao País um papel miserável e dispensável no projecto europeu. Todos os que acreditam na União Europeia são necesssários para que a actual crise seja ultrapassada.

O PS, é verdade, não anda no seu melhor. Virado para dentro, a tratar as feridas infligidas pela saída do poder, não revela o euro-entusiasmo com que sempre nos habituou - foi pela mão dos socialistas liderados por Mário Soares que entrámos na CEE. É difícil compreender os argumentos contra o tratado orçamental de alguns deputados socialistas. As regras orçamentais, que agora vão ser ratificadas, são apenas um pequeno passo no sentido de corrigir as deficiências da arquitectura da moeda única, detectadas antes mesmo do início do euro. Outros passos terão de ser dados para completar o edifício. E é assim que a Europa da União se tem construído, com pequenos passos. Um caminho que os socialistas sempre compreenderam bem.

Por politiquices, infantilidades ou leviandades, PS e PSD e CDS/PP deixam o País perder uma oportunidade única para mostrar que não é apenas para receber empréstimos externos que os partidos de poder se conseguem entender em Portugal.» [Jornal de Negócio]

Autor:

Helena Garrido.
  
 O erro bom e o erro mau

«Vítor Gaspar, o contabilista--mor do regime, aquele que transmite a ideia que nunca erra e que raramente tem dúvidas, disse, no seu tom soletrado, que errou sobre a previsão do corte no subsídio de Natal e de Férias dos portugueses. Passo a explicar.

Todo o Governo afirmou em peso que os cortes eram temporários e vigoravam apenas em 2012 e 2013.

O nosso ministro veio dizer que se enganou, que teve um lapsus linguae, que os cortes vão até ao ano de 2015, o ano, como disse, "imediatamente consecutivo a 2014".

Tem piada, o ano de 2015, imediatamente consecutivo a 2014.

O País não é uma escola e os portugueses não são alunos de Vítor Gaspar.

O humor negro é dispensável quando se fala de problemas sociais, de miséria, de pobreza escondida e de falta de dinheiro para o sustento digno das famílias.

Soletra as palavras, fazendo lembrar alguém de outros tempos negros da história de Portugal, como soletra a vida dos portugueses.

O erro de Gaspar é um erro mau que mexe com o orçamento das famílias, deixando suspensas as suas vidas.

O erro bom é aquele que não tem consequências nem reflexos sociais, que não é ofensivo da dignidade do ser humano.

O erro mau de Gaspar é indigno, amachuca e amarrota a dignidade dos portugueses. Magoa falar assim da vida das pessoas. Todos nós podemos errar. Mas errar com esta simplicidade e com esta justificação, com um sorriso nos lábios, é que não.

O confisco por mais tempo, que deixa suspenso, de forma ilegal e inconstitucional, direitos adquiridos, por causa de um lapso, não é aceitável.

O erro é mau e intencional, tendo Gaspar agido com consciência da ilicitude, logo, passível de responsabilidade. Não é um erro desculpável, que exclua a culpa.

O erro é o reflexo da incompetência, sendo intencional, é mais grave, porque é injusto e transforma a vida das pessoas num circo. Será que o erro foi intencional porque não havia coragem política para justificar, no momento, um corte tão prolongado?

Então, passamos a estar no território da mentira e não do erro. A ser assim foi a forma que encontrou para preparar o elo mais fraco da cadeia, os trabalhadores, para a brutalidade do corte, transformando-o em definitivo.

Três anos de massacre social e de indigência é demais.

Dizia, assim, Frederico II, o Grande, Rei da Prússia: "A trapaça, a má-fé e a duplicidade são, infelizmente, o carácter predominante da maioria dos homens que governam as nações".» [CM]

Autor:

Rui Rangel.
    
 Ponto prévio, sim foi uma festa

«Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da Educação, foi ao Parlamento defender a empresa pública Parque Escolar que geriu um programa de obras nas escolas, e deste disse: "Foi uma festa." Fico-me por essas palavras. Aliás, não estou sozinho, o deputado Sérgio Azevedo escreveu no seu blogue o seguinte: "Maria de Lurdes Rodrigues acaba de afirmar na Comissão Parlamentar de Educação, a propósito do desvario da Parque Escolar, que foi 'uma verdadeira festa para arquitetos e construtores'." O deputado poderia ter inventado frase ainda com maior acinte: "Ela disse que foi uma festa para patos bravos." Mas a ex-ministra, de facto, disse: "Uma festa para as escolas, para os alunos, para a arquitetura, para a engenharia, para o emprego e para a economia." Ou, em outro momento da audição: "[...] uma festa para o País." Chicanas iguais à do deputado foram muito repetidas ontem, com esse nosso jeito para agarrar palavras dos outros e insultá-las. É o que eu venho fazer aqui, pela metade: agarrar palavras. E depois dizer que num país onde os particulares gastam em jantes de liga leve o que não gastam em livros e os públicos fazem da paixão pela educação um mero slogan, num país pobre com bancos ranhosos que oferecem juros de 136 por cento ao ano, reconstruir escolas é uma festa. É uma festa. Sim, é uma festa. Dito isto - não, ainda quero insistir: reconstruir escolas é uma festa -, dito isto, passemos aos candeeiros de Siza Vieira.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
    

 Soros: a sobrevivência do euro é um assunto político

«Os países têm de reduzir a sua dívida até aos 60%, num processo que passa por reduzir um vigésimo do excesso de dívida em cada ano. “Proponho que os estados-membros recompensem conjuntamente o bom comportamento por financiar esse compromisso”, ou seja, ajudarem os países mais endividados a pagar a dívida.

Como? Através do BCE, que está proibido de financiar dívidas de países. Mas os países da união monetária “transferiram para o BCE os seus direitos de senhoriagem [ganhos com a cobrança de juros], avaliados em dois a três biliões de euros” segundo analistas independentes, lembra Soros. A criação de um veículo especial que fizesse uso desses direitos, permitiria “usar o BCE para financiar o custo de comprar essas obrigações sem vilar o artigo 123 do Tratado de Lisboa”, argumenta.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Será que o gaspar percebe?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao neto da Prazeres.»
  
 Mais uma argolada do MP

«No total, o MP tinha pedido a responsabilização penal de seis dos 11 arguidos do caso Portucale, defendendo a condenação de Abel Pinheiro, Eunice Tinta e José António Valadas (estes dois últimos funcionários do CDS/PP à data dos factos) pelo crime de falsificação de documentos, mas com uma pena não privativa da liberdade.

Em causa esteve a entrada de mais de um milhão de euros nos cofres do CDS/PP, para a qual, segundo a acusação, não existem documentos de suporte que justifiquem a sua proveniência e cujos recibos são falsificados.

O caso Portucale relaciona-se com o abate de sobreiros na herdade da Vargem Fresca, em Benavente, para a construção de um projecto turístico-imobiliário da empresa Portucale, do Grupo Espírito Santo (GES), por força de um despacho conjunto dos ministros do então Governo PSD/CDS Nobre Guedes (Ambiente), Telmo Correia (Turismo) e Costa Neves (Agricultura).

A investigação do caso Portucale envolveu escutas telefónicas e as conversas interceptadas deram origem a um outro processo (autónomo) relacionado com a compra por Portugal de dois submarinos ao consórcio alemão Ferrostal e cujo inquérito, também com contornos políticos, está por concluir há vários anos no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Imagine-se se os médicos falhassem tanto como os magistrados!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se tanto dinheiro mal gasto.»
  
 O "sistema" segundo o SCP
 
«A Polícia Judiciária está a fazer uma série de buscas relacionadas com o chamado "caso Cardinal", revelado pelo DN nos últimos dias. Os inspectores estiveram, esta manhã, em Alvalade a fazer buscas na SAD do Sporting. A casa e a empresa do vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão foram outro dos alvos da Judiciária.

De acordo com informações recolhidas pelo DN, as investigações da Judiciária ao depósito de dois mil euros na conta do árbitro assistente José Cardinal, dias antes do jogo dos quartos de final da Taça de Portugal entre Sporting e Marítimo (em Dezembro de 2011), levaram os investigadores até Alvalade e ao vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão, recorde-se, antigo inspector da PJ.

Os inspectores da PJ suspeitam que Paulo Pereira Cristóvão terá concebido uma "armadilha" ao árbitro assistente. Para isso, uma pessoa com ligações profissionais à sua empresa, a Primus-Lex, terá ido à Madeira e efectuado o depósito na conta de José Cardinal. » [DN]

Parecer:

O Sporting é sempre a vítima.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
Até tu Santana

«O social-democrata diz que o Governo provocou um golpe de confiança com os portugueses e não explicou bem ainda a razão da decisão de suspender as reformas antecipadas.


"Foi um golpe na confiança, lá isso foi", defendeu Santana Lopes, no seu habitual comentário na TVI24.» [DE]

Parecer:

Este Santana anda, anda e ainda é corrido da Santa Casa muito antes de ser candidato a Belém.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
Turmas ainda maiores

«O Ministério da Educação decidiu aumentar o número máximo de alunos por turma no 5.º ao 12.º anos. A partir do próximo ano letivo, cada turma deste nível de ensino será constituída por um mínimo de 26 estudantes e um máximo de 30. Hoje, os limites são de 24 e 28 alunos, respetivamente, ainda que, a título excecional, possa ser autorizada uma dimensão superior.


O despacho relativo às matrículas e constituição de turmas ainda não foi publicado em Diário da República mas já pode ser consultado no portal das escolas (https://www.portaldasescolas.pt/imageserver/plumtree/portal/matnet/despacho_mat.pdf ).


O diploma confirma ainda o aumento das turmas no 1.º ciclo, decidido em agosto do ano passado e justificado pela "procura excecional de matrículas". Desta vez, as inscrições ainda não começaram - iniciam-se no próximo domingo no caso do pré-escolar e do ensino básico - mas fica desde já determinado que as salas do 1.º ao 4.º anos deverão funcionar com 26 crianças e não  24, como aconteceu até 2010/2011.» [Expresso]

Parecer:

Bom. bom era trabalharem em vez de andarem na escola!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Mário Nogueira se já fez as contas aos despedimentos.»
  
Foi só para perder tempo e gastar dinheiro ao país

«O Ministério Público arquivou o inquérito instaurado a Otelo Saraiva de Carvalho, depois de este ter admitido a possibilidade de um "golpe militar" caso fossem "ultrapassados os limites" em Portugal.


A decisão do Ministério Público foi divulgada hoje no site da Internet da procuradoria-geral Distrital de Lisboa e o capitão de abril já disse que esperava pelo arquivamento. 


A queixa foi apresentada pelo Movimento de Oposição Nacional, que entendeu que as declarações proferidas por Otelo Saraiva de Carvalho constituíam "crime de alteração violenta do Estado de Direito, de incitamento à guerra civil e à desobediência coletiva".» [Expresso]

Parecer:

Uma palhaçada que os verdadeiros criminosos agradecem, enquanto o Estado gasta os recursos com estas palhaçadas o crime fica mais descansado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
 
  

 Reembolsos do IVA foram mesmo suspensos
 
«Os serviços do IVA receberam instruções, oficiosamente, para adiarem os reembolsos do IVA às empresas, noticia hoje o "Público", acrescentando que não há, no entanto, uma nota escrita para esta actuação, já que as instruções foram sempre dadas oralmente.

As empresas e os sindicatos que as representam, nomeadamente o dos têxteis e calçado, têm denunciado atrasos no reembolso do IVA. O Governo tem contestado, dizendo que os pagamentos estão, até, a ser feito em maior número este ano do que em períodos anteriores.

Mas hoje é o Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI) que assume ter havido ordens oficiosas para não se pagar os reembolsos do IVA entre 10 de Março a 9 de Abril.

"Não há um documento interno que obrigasse a isso", disse o vice-presidente do STI, José Manuel Anjos ao "Público", acrescentando que foi apenas dito que não era possível pagar. Este responsável garante que a situação já está regularizada desde segunda-feira, tendo já sido emitidos reembolsos.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Parece ser uma prática recorrente, Manuela Ferreira Leite fê-lo para ajeitar as contas do défice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Registe-se o facto de pela primeira vez o STI ter assumido em público instruções internas na DGCI.»