sábado, abril 21, 2012

Aproxima-se a hora de Passos Coelho


O primeiro-ministro demonstra pouca consideração humana pelo líder da UGT com quem assinou um acordo de concertação social que não se cansa de exibir como se tivesse sido impresso em folhas feitas com a pela dos trabalhadores portugueses.

O (faz de conta que é) ministro da Economia anda por aí com aquele ar de cruzamento do Groucho Marx com macaco africano anda por aí a dizer que o governo não se mete na opa da Cimpor, quando sabe que mais uma vez não foi tido nem achado no negócio e que como sucede desde o QREN tudo é decidido pelo Gaspar, agora coadjuvado pelo seu ministro adjunto António Borges.

Até a ministra da Justiça achou que devia dar um ar da sua graça cabendo-lhe neste regime dos sovietes à Passos Coelho o exercício do direito de pressão sobre os tribunais, achou que devia instruir o Tribunal Constitucional no sentido de considerar constitucional a perda dos subsídios por parte daqueles cujos votoa o PSD não espera receber nas próximas legislativas. Não admira tanta pouca vergonha por parte da loura do governo, durante os últimos dias os partidos têm discutido a nomeação de juízes daquele tribunal como se estivessem a leiloar lugares de estátuas humanas na Rua Augusta.

Mas esta sexta-feira ficou a perceber-se a razão desta estranha mistura de bebedeira e nervosismo nas hostes governamentais, afinal o optimismo com os resultados económicos e a agressividade verbal dos ministros não passava de uma reacção psicológica provocada pelo medo e desorientação.

O Gaspar bem pode exibir o seu país como um caso de nação governada por incompetentes até ao dia em que a mão divina o trouxe para o governo. Com a despesa a aumentar acima dos 5% e os impostos a descer a um ritmo superior aos 5% o Vítor Gaspar não tem o direito de dar lições de moral ao país e muito menos ir para Washington enlamear o país, Os primeiros três meses demonstram um desvio colossal em relação aos orçamentos, o inicial e o extraordinário. Um desvio colossal alimentado pela incompetência de um ministro que nada sabe de política fiscal, que pensa que um país é um laboratório e que os seus cidadão são idiotas a quem ele pode sujeitar às medidas que bem entender.
  
Compreende-se o nervoso e até mesmo este ladrar em ambiente de matilha governamental, é quase preciso fazer de propósito para que Gaspar apareça atrás de Seguro nas sondagens, com o PS a subir e a aproximar-se do PSD. O discurso dos culpados da crise está a falhar, ao julgamentos do caso Freeport, da Independente e da Face Oculta estão a revelar-se um fiasco e o Sócrates até já perdeu o exclusivo das primeiras páginas do Correio da Manhã.
  
O governo está entregue a si próprio e à competência dos seus membros.

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Fêmea de toutinegra-de-barrete-preto, Campo das Cebolas, Lisboa
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Jogos tradicionais, Alcafozes [A. Cabral]
  
A mentira do dia d'O Jumento

 
Jumento do dia


Álvaro Pereira, ministro de faz de conta

Álvaro Pereira, o ministro a quem cabe falar em nome do governo quando é necessário dizer disparates ainda maiores do que os do Gaspar, explicou como vê a aplicação do acordo de concertação social, as medidas contra os trabalhadores ão para aplicar já, as outras de cuja não implementação se queixa a UGT é para o fim do acordo que segundo o sô Álvaro é coisa para dois ou três anos.

«"O acordo de concertação social é fundamental para todos os parceiros sociais e para o Governo, e é principalmente fundamental para o país. O Governo tenciona cumprir integralmente o acordo de concertação social", afirmou Álvaro Santos Pereira aos jornalistas esta manhã, no final de uma reunião com a direcção da Junta Metropolitana do Porto.

Segundo o governante, "em três meses já muito foi alcançado, muitas outras medidas estão em curso e estão a ser acompanhadas".
  
Álvaro Santos Pereira salientou que algumas das medidas "não podem ser já implementadas, porque existem dificuldades técnicas óbvias que têm que ser superadas", adiantando que o acordo "é para os próximos dois, três anos".» [CM]

Grande Portas!


O PSD cai, Cavaco discute imagem com Carvalho da Silva, Louçã está enterrado ainda que se tenham esquecido do funeral e Portas beneficia do desaparecimento. Passos Coelho é mesmo pior do que Seguro.
   
 

Moral de escória

«No Orçamento do Estado de 2011, o valor alocado ao rendimento social de inserção foi diminuído em 20%. Em 2012, desceu outros 20%, de 440 milhões de euros para 370. Num momento de máximo histórico do desemprego, quando se espera que este aumente e com ele o número de pessoas em situação desesperada, o último recurso previsto encolhe 40%.

Como? Porquê? Para quê? Há oito dias, o ministro da tutela explicou: moralizando. Doravante, disse, o RSI tem "novas regras". "Passa a ser um contrato entre o beneficiário e o Estado, com direitos e deveres". Entre os novos deveres, enumerou, estão a obrigatoriedade de as crianças do agregado irem à escola e de inscrição no centro de emprego para quem recebe a prestação - cancelada para presos condenados. Medidas acertadas, sem dúvida, que só podem deixar toda a gente a pensar que raio de pouca-vergonha se praticava antes - mais um sinal do tão imoral e irresponsável despesismo que, de acordo com o Governo, nos trouxe aonde estamos. Não admirando que o ministro conte assim poupar - mais exatamente 70 milhões - tirando dos malandros pobres para dar aos pobres honrados, ou seja do RSI para as pensões mínimas.

Maravilha, hã? Era. Se esta história não estivesse tão bestialmente mal contada. É que, apesar de o Governo anterior ter tentado (com mais fiscalização e novas regras) diminuir o número de beneficiários do RSI, este aumentou consideravelmente entre setembro de 2011 e fevereiro de 2012, ou seja, já sob a tutela de Mota Soares, de 312 mil (116 mil famílias) para 323 mil (121 mil famílias), tendo o valor médio mensal por família aumentado de 240 para 244 euros e o individual de 89 para 91 euros (o que corresponde a mais vinte milhões de euros). Outra é que as "novas regras" que Mota Soares anunciou existem desde 1996, quando o RSI foi criado, então com o nome de rendimento mínimo garantido, pelo Governo Guterres - sempre foi assinado um acordo entre Estado e beneficiário; este sempre teve de estar inscrito no centro de emprego; sempre as crianças do agregado tiveram de frequentar a escola; sempre a prisão efetiva determinou o cancelamento da prestação.

O que nos leva ao busílis: como é que Mota Soares tenciona cortar os 70 milhões? O Público de ontem levanta o véu: o Governo vai alterar o cálculo da prestação, penalizando as famílias e sobretudo aquelas com crianças - que poderão passar a contar apenas 30% em vez dos atuais 50% do rendimento de referência.

Que tal venha de um ministério do PP, o partido do "visto de família" não pode já surpreender ninguém, como não surpreende que o tenha ocultado. Surpresa mesmo é ainda haver tanto quem ecoe acriticamente a indecorosa propaganda deste Governo. E que não ocorra a ninguém perguntar o que este prevê para quem perde o acesso ao RSI. É que se é só contas que contam, parece que cada preso custa 40 euros por dia, 1200 por mês. Fora o que fica para trás - e para a frente. Que tal pensarmos nisso?» [DN]

Autor:

Fernanda Câncio.
  
A norueguesa na menopausa

«A juíza Eva Joly, que investigou casos muito mediáticos na viragem do século, é candidata à presidência francesa e quem não a conhece deve apressar-se porque a partir de domingo, com pouco mais de um por cento dos votos, sai de cena. Anteontem, discursando em Paris, ela disse: "Nós estamos na nossa casa, nós, os franceses e as francesas." E depois disse quem eram esses franceses, que são aqueles que presumimos serem e são também aqueles que ela designou com os termos pejorativos comuns: "Os polaks, os portos, os ritals (italianos), os youpins (judeus), bougnoules (árabes) e as norueguesas na menopausa." O último exemplo que Eva Joly deu deve ter surpreendido o leitor mais distraído - as norueguesas na menopausa... Era a própria oradora a dar-se como testemunho: ela foi batizada como Go Eva Farseth e nasceu em Oslo, Noruega, há 68 anos. Aos vinte conheceu a França pela primeira vez, veio trabalhar para uma família, na situação de au pair, doméstica que está a par, igual a todos. Esse au pair numa casa, ela fê-lo au pair no novo país, francesa como todos. Porque se fala muito da França dos Le Pen, trago para aqui essa outra França, que tem como candidata a presidente uma ex-norueguesa. Ela é dos Verdes, e se não tivesse sido escolhida pelo partido, talvez o candidato fosse Daniel Cohn-Bendit, um "judeu alemão." A França tem especialidades únicas, tão boas como um coulommiers, com pasta amanteigada.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
  
Dupla face do plafonamento

«No momento em que, pela mão do Governo, ressurge o debate sobre o plafonamento na Segurança Social, convém recordar que a ideia do plafonamento – enquanto duplo limite, ao valor máximo das pensões e das contribuições - é uma ideia recorrente da direita para satisfazer, de uma só vez, duas tentações perigosas: a tentação populista e a tentação ideológica.


Na vertente populista (que esconde o essencial, como é próprio da demagogia), pretende-se oferecer à imprensa "tabloide" a prova suprema da energia justiceira da direita contra as chamadas "reformas douradas" (não obstante elas serem apenas algumas dezenas e terem expressão financeira reduzida). Na vertente ideológica, bem mais reveladora, a intenção é operar uma privatização parcial da Segurança Social, desviando para o sistema privado as receitas oriundas dos utentes de maiores rendimentos, sob a alegação de que isso permitirá desonerar a Segurança Social de encargos futuros com as pensões mais elevadas.


Antes de mais, é preciso que se diga que o plafonamento do valor das pensões já existe no nosso sistema de Segurança Social desde a reforma de 2007, estando fixado em cerca de 5 mil euros mensais (equivalente a 12 IAS), a menos que os descontos efectivamente realizados ao longo de toda a história contributiva (isto é, sem manipulação ao abrigo de regimes mais favoráveis nos últimos anos da carreira) justifiquem um valor superior. Já hoje, portanto, o valor máximo das pensões está sujeito a limites legais imperativos. Assim, embora a direita teime em falar do "combate às reformas douradas", o que realmente pretende é outra coisa: consagrar uma regra de "dupla face", em que ao plafonamento no valor das pensões a pagar pelo sistema público corresponderá um plafonamento no montante das contribuições devidas pelos beneficiários - e, isto sim, seria novo.


Como sucede sempre que esta discussão ressurge, há uma pergunta arreliadora que permanece à procura de resposta: como é que se financia a transição? Se o plafonamento das contribuições retira imediatamente receitas à Segurança Social para gerar vantagens financeiras apenas daqui a trinta ou quarenta anos (quando se efectivar a redução de encargos inerente às pensões plafonadas), com que recursos é que, no entretanto, a Segurança Social pode assegurar o pagamento das reformas aos actuais pensionistas? A melhor prova da ausência de uma resposta convincente, sobretudo no actual contexto de crise financeira, são as sugestões estapafúrdias que se foram ouvindo nos últimos anos em Portugal: "aumenta-se ainda mais a dívida pública", disseram uns; "vende-se o ouro", disseram outros; "gasta-se o fundo de estabilização financeira da Segurança Social", disseram outros ainda. O assunto, como está bem de ver, é demasiado sério para tanta leviandade.


Ainda esta semana, um relatório do FMI sobre a estabilidade financeira mundial apontou a reforma da Segurança Social efectuada em Portugal em 2007 como exemplo a seguir, em especial por ter consagrado uma fórmula automática de ajustamentos periódicos à evolução da esperança média de vida - o chamado "factor de sustentabilidade". Em vez de ceder às suas tentações populistas e ideológicas, sob inspiração de uma vulgata liberal que vê sempre a privatização como caminho redentor, melhor faria o Governo em tomar nota que este relatório do FMI, depois de estudar várias experiências, aponta uma série de medidas recomendáveis para o reforço da sustentabilidade dos sistemas públicos de Segurança Social - e nenhuma delas é este plafonamento. Por alguma razão deve ser.» [DE]

Autor:

Pedro Silva Pereira.
    

Desculpa da treta

«A Autoridade Tributária e Aduaneira veio hoje explicar que as alterações nos limites das deduções e benefícios fiscais e a consequente necessidade de realizar liquidações múltiplas não permite que este ano, os reembolsos do IRS sejam pagos num prazo tão curto como nos dois anos anteriores. Fica apenas a promessa de que os serviços irão fazer para que as declarações entregues pela Internet sejam processadas o mais rapidamente possível.

Esta ano, o reembolso do IRS deverão regressar aos prazos observados até 2010, ou seja, não chegarão á conta do contribuinte 20 dias depois da entrega da declaração, mas ainda assim, as entregas pela Internet terão tratamento prioritário sobre as de papel. Este é o único compromisso que a Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais assume em matéria de reembolsos. O outro está previsto na lei: este acerto tem contas tem de ficar concluído até 31 de julho.» [Dinheiro Vivo]

Parecer:

A decisão de quando se reembolsa é do governo e não do fisco.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o oportunismo  do recurso ao fisco que em regra não emite comunicados.»
  
A prova da incompetência de Vítor Gaspar

«A quebra nas receitas do Estado com impostos surge apesar do aumento da carga fiscal. Os números divulgados hoje pela Direcção-Geral do Orçamento (DGO) indicam um agravamento da situação em relação a Fevereiro e uma execução bastante pior que o previsto para o conjunto do ano.


Em Fevereiro as receitas fiscais estavam a cair 5,3%. Os números do Orçamento Rectificativo - aprovado hoje no Parlamento - apontam para um crescimento das receitas fiscais de 2,8%.» [DE]

Parecer:

O ministro das Finanças teve mais olhos do que barriga, aumentou as taxas ao ponto de secar a teta. E resta saber a dimensão do impacto dos truques vigarices como a muito badalada retenção dos reembolsos.

Estes dados apontam claramente para o falhanço do ministro que em vez de se andar a gabar do seu sucesso em Washington deveria estar a corrigir as suas previsões mal feitas e assentes em pressupostos falsos e falsificados.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se por mais um desvio colossal.»
  
Até tu Manuela?

«A antiga líder do PSD Manuela Ferreira Leite manifestou hoje incerteza quanto ao eventual regresso de Portugal aos mercados em 2013, sublinhando que neste momento é difícil perspectivar a data do início da saída da crise.» [DE]

Parecer:

É menos optimista do que o amigo Aníbal.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Manuela Ferreira Leite se é mais pessimista do que o seu amigo de Belém.»
  
Até tu Assunção?

«A Presidente da Assembleia da República afirmou hoje numa conferência de presidentes de parlamentos da União Europeia em Varsóvia que "a Europa precisa de mais ambição em todas as frentes" e reclamou "empregos e políticas de desenvolvimento sustentável".» [Expresso]

Parecer:

É convicção ou nervosismo?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à senhora.»
  

   



sexta-feira, abril 20, 2012

É cedo para avaliações


Enquanto Passos Coelho vai a Londres dizer que o líder da UGT é como as pastilhas elásticas, mastiga-se e joga-se fora, o ministro das Finanças vai a Washington exibir o seu país como um mau exemplo, parece que a crise financeira se transformou numa crise de valores e de princípios. O primeiro-ministro exibe a pele dos trabalhadores portugueses e goza dos seus sindicatos, o ministro das Finanças exibe a pele dos portugueses e diz aos americanos que ainda estamos dispostos a dar o escalpe.
  
Para o ministro das Finanças um país é uma entidade sem dignidade, é uma curva da oferta e outra da procura, são indicadores financeiros, são défices ou excedentes, tudo isto deve funcionar segundo aquilo que na sua opinião são verdades ecoómicas absolutas, um raciocínio típico de um economista que a seguir à análise económica ia para a cadeira de religião e moral e ambas contavam para a sua média de curso.
  
Para Gaspar não ocorreu qualquer crise financeira internacional, os juros não aumentaram, a oposição não boicotou as políticas, o país portou-se mal, foi mal governado. Agora que está a ser governado segundo as suas teses, pouco importando se os cidadãos tiveram ou não direito a pronunciarem-se sobre as suas ideias ou se alguém credível validou os seus desvios, os desvios que lhe permitem governar à margem das regras da democracia, como se fosse o ministro das finanças de um novo Estado Novo.
  
Mas o raciocínio auto-elogioso do pequeno Vítor Gaspar tem dois pontos fracos, o elogio que faz ao memorando  a avaliação dos resultados da sua política.
  
Quando Vítor Gaspar elogia o memorando dá a entender que este representa as suas ideias, por oposição às do governo anterior. Mas tem um pequeno problema, o memorando foi o resultado de uma negociação entre o governo anterior e a troika, ao contrário do governo do Gaspar que perante as dificuldades se refugia sempre no memorando da troika como algo de que não é responsável, Sócrates assumiu o memorando como sua responsabilidade.
  
Portanto, quando o Gaspar se auto-elogia por aplicar o memorando mais não está fazendo senão elogiar José Sócrates pois o ex-primeiro-ministro foi um dos autores do memorando. É evidente que Gaspar está a aplicar muito mais do que o memorando mas já foi o tempo em que dava resultado afirmar-se mais fundamentalista do que a troika, as coisas não estão a correr bem e Gaspar nunca assumirá que o seu fundamentalismo está na origem dos maus resultados. Aliás, é o FMI , em cuja conferência o Gaspar foi gabar-se, que no seu relatório se demarca dos excessos e de algumas opções do próprio Gaspar.
  
Gaspar fala de si como se fosse um novo Oliveira Salazar, um mago das finanças públicas, um salvador da pátria desorientada e falida. Não tem nem a categoria intelectual, nem a modéstia do ditador, está gabar-se cedo demais talvez porque quer criar a ideia de sucesso antes do desastre. É de uma grande cobardia ignorar a crise financeira internacional quando avalia Sócrates, enquanto se invocam factores externos para justificar o desvio colossal entre a realidade económica e a propaganda.
  
Gaspar promove a sua imagem de grande economista à custa do seu país, olha para a economia portuguesa como o laboratório das suas ideias fundamentalistas, mas revela-se um professor pouco honesto. Fala do sucesso das suas ideias muito antes de se conhecerem os resultados das suas políticas.

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Chapim-de-poupa, Praia do Cabeço, Algarve
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Aldeia de Monsanto [A. Cabral]
    
 Jumento do dia
  
   
Jumento do dia

Vítor Gaspar

Vítor Gaspar foi a Washington falar como se fosse primeiro-minsitro, mas não é novidade um ministro das Finanças mandar no país, nem que quem manda no governo é o Vítor Gaspar e não o primeiro-ministro. Mas isso é um problema de quem o escoleu para ministro, já as baboseiras que disse poderão ser um problema do país, a comear com a declaração abusiva de que o país aceita as doses brutais de austeridade que ele entender serem necessárias, mesmo quando fundamentadas em falsos desvios.
 
O mais curioso da intervenção do Gaspar nem foi as alarvadices de quem se julga primeiro-ministro, mas sim os seus raciocínios como professor que usa um país como cobaia dos seus estudos. Gaspar condena o governo de Sócrates por políticas fiscais expansionistas para depois defender a política subjacente ao acordo com o FMI. Até parece que foi ele ou Passos Coelho a negociar com o FMI.
 
É verdade que Gaspar e Passos Coelho têm resposabilidades mas essas não se referem ao acordado no memorando, refere-se aos excessos de austeridade que adoptaram por sua iniciativa e seria boma que assumissem as responsabilidades.
   
«O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, disse na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, que Portugal oferece “uma lição de moral” a todos aqueles que defendem o aumento da despesa pública para estimular a economia. Foram as “políticas fiscais expansionistas” do anterior governo socialista de José Sócrates que conduziram o país a um défice orçamental “insustentável” que desencadeou uma crise e o pedido de ajuda financeira a entidades internacionais, disse Gaspar num debate no âmbito dos encontros bianuais do FMI e Banco Mundial.

Num momento de incerteza e discussão sobre que modelo de política económica deverão os governos nacionais adoptar para lidar com a recessão e influenciar o crescimento da economia – austeridade ou aumento da despesa pública –, o ministro português definiu claramente o seu campo: Portugal é a prova de que “as políticas expansionistas não são uma condição favorável ao crescimento” e o programa de austeridade acordado com o FMI e a Comissão Europeia contém “todos os ingredientes necessários para lidar com os problemas fundamentais da economia portuguesa”.

O cepticismo dos observadores em relação ao sucesso das medidas de austeridade em Portugal está a crescer. Mesmo especialistas que não duvidam da seriedade das reformas estruturais em Portugal dizem-se preocupados em relação às perspectivas de crescimento da economia do país e antecipam que será necessário um segundo resgate financeiro. O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho assinou um artigo no Financial Times intitulado “Portugal vai mostrar que os cépticos estão errados” (no site daquele jornal britânico, o título do artigo foi entretanto alterado para o mais cauteloso “Portugal optimista mantém pragmatismo das reformas”).» [Público]
  
 Alvarices
  
Perante as queixas dos utentes do Metro de Lisboa o secretário de Estado dos transportes teve mais um momento á Álvaro, foi andar de Metro e chegou à brilhante conclusão que com comboios a passarem só de vez em quando e com um número reduzido de carruagens as pessoas tinham que andar encavalitadas umas nas outras. Está-se mesmo a ver que há uns meses atrás o mesmo secretário de Estado terá visitado a Lusoponte e chegado á conclusão de que os cofres a empresa andavam pouco abonados e decidiu pagar-lhes o serviço do mês de Agosto em duplicado.
  
Agora resta-nos esperar que o governo siga o exemplo e que cada um dos ministros tenha as suas alvarices. Por exemplo, o Lambretas podia muito bem ir dormir durante um mês num desses lares que conseguiram duplicar as camas sem aumentar o número de quartos. O Gaspar podia tentar andar seis meses a viver com o vencimento de montante igual ao mínimo a partir do qual ele cortou os subsídios. O ministro da Administração Interna podia chamar ao seu gabinete o agente da PSP que desancou nos jornalistas e pedir-lhe para lhe dar ums bordoadas bem dadas para ficar a saber como doem.
  
 Começo a sentir saudades...
   
De Cavaco Silva, deve andar convencido que foi promovido por graça de Deus pois intervém menos na política do que a rainha de Inglaterra. Ou será que está convencido de que é apenas presidente da Junta da Freguesia de Belém?
 
 Um tiro no elefante
  
Juan Carlos é uma figura simpática mas isso não faz dele um soberano legítimo, mais do que ele era legítimo o pai que nunca se vergou ou aceitou o caudilho fascista. Juan Carlos não apoiou o Tejero mas isso não faz dele um democrata.
 
A monarquia espanhola foi reimplantada depois de anos de ditadura e do derrube de uma República legitimamente implantada. O trono de Juan Carlos assentou noi medo da guerra civil e num acordo de transição que tirou a muitas vítimas do franquismo o direito à justiça e mesmo à memória.
 
Mais tarde ou mais cedo a Espanha perceberá o absurdo desta monarquia imposta fora do tempo como herdeira legítima de uma ditadura que ainda nos anos 60 mantinha campos de concentração com prisioneiros da guerra civil.
  
 Reembolsos de IRS
   
Depois da confusão em torno dos reembolsos do IVA é agora a vez de o governo não garantir o reembolso do IRS no prazo de 20 dias, prática adoptada pelo governo anterior. A explicação é evidente, o governo está a sentir dificuldades nas receitas fiscais e precisa de repartir os reembolsos por mais tempo para que o seu impacto (redução da receita de IRS) seja menor nas execuções orçamentais.
 
Mais um sinal de que o governo está em dificuldades na execução orçamental, as gorduras nas despesas dão muito jeito aos amigos e as receitas fiscais estão quém do orçamentado.
  
 
  
 Frivolidade e austeridade
   
«Há muitos anos, numa entrevista televisiva, o já desaparecido empresário António Champalimaud surpreendeu-me por um rasgo de profunda e sóbria humanidade: interrogado por uma jornalista acerca do motivo que o levara a deixar a paixão da caça, Champalimaud limitou-se a responder que começara a sentir uma espécie de náusea quando compreendeu que a caça estava a contribuir para o desaparecimento de muitas espécies. Não consta que Champalimaud tenha sido presidente honorário de nenhuma organização ecologista, como é o caso do rei espanhol D. Juan Carlos. Limitou-se a ser consequente nos actos com aquilo que lhe parecia ser um imperativo ético evidente. É essa a diferença que separa a profundidade da frivolidade. O Rei de Espanha enverga na lapela o emblema da organização conservacionista WWF, mas continua a matar elefantes, uma das espécies mais emblemáticas e ameaçadas do mundo. A vaga de protestos em Espanha contra esta dispendiosa escapadela cinegética para África do rei de um país com 23 % de desempregados, na mira da especulação financeira, e com um problema de separatismo que só aumentará com a brutal redução do orçamento das autonomias, talvez tenha ajudado a derrubar o mito de que só a monarquia salva o Estado espanhol da fragmentação. O tiro de Juan Carlos talvez não tenha derrubado só um elefante. Ele terá ajudado a dissipar os preconceitos que ainda explicam o absurdo de manter monarquias hereditárias em Estados de direito, onde, como dizia Thomas Paine, só "a lei é o rei"... Contra esta frivolidade monárquica, um pouco de austeridade republicana será uma bênção para a Espanha.» [DN]
  
Autor:
  
Viriato Soromenho-Marques.
  
 Falar lá fora cá para dentro
   
«Faço análises económicas lendo as nuvens. Cumulonimbus, os mercados vão tornar-se voláteis, stratocumulus, aumenta endividamento externo, e assim por diante. É um método bizarro mas tão bom como o de The Economist: a ambos, a mim e à revista, durante o ano de 2008 escapou-nos a maior crise económica desde 1929, até ela morder-nos as canelas... Outro meu método é ler o Financial Times e deitar- -me a adivinhar. Ontem, Passos Coelho - que já tinha feito o mesmo há semanas em entrevista ao alemão Die Welt - em artigo agora assinado, escreveu no FT que, apesar de otimista, "não há garantias". Nunca se sabe - foi a sua tese. Essas dúvidas, antes, seriam fatais. Os mercados são tramados, é preciso tratá-los com mil cuidados ou eles investem, ou melhor, desinvestem. Então, por que o primeiro-ministro pôs as dúvidas? Lendo-o, não sei, mas deixem-me adivinhar: ele permitiu-se falar assim porque os mercados já não nos mordem as canelas! Estão já convencidos do nosso bom rumo e não reagem mal a augúrios dubitativos (alô, professor Vítor Gaspar, já não é preciso dizer que lá estaremos e de peito feito, em setembro de 2013, a vender dívida...) Então, se Passos Coelho insiste em falar com "mas" e "contudo" lá fora, é porque fala cá para dentro. Avisa sobre um possível cenário negro para que, por cá, aguentemos as medidas duras. Mas fica o mistério: se a mensagem é interna, porquê em inglês? Vou ler nuvens e depois respondo.» [DN]
  
Autor:
   
Ferreira Fernandes.
  
 "Nos países desenvolvidos"
  
«É conhecida a anedota da singular noção de causalidade daquele investigador que cortou as patas a uma rã e lhe disse: "Salta!"; e que, como a rã não saltasse, concluiu que, quando se cortam as patas às rãs, elas deixam de ouvir.
 
Ocorreu-me essa história ao saber do estudo que sustenta mais uma nova redução das indemnizações por despedimento que o ministro Álvaro (quem haveria de ser?) anunciou que levará à Concertação Social, estudo que conclui que... nos países desenvolvidos indemnizar trabalhadores despedidos não é obrigatório. Assim, acabam-se com as indemnizações por despedimento e, zás!, passamos a "país desenvolvido". E poder-se-ia ainda aumentar também os salários para os níveis praticados nos países desenvolvidos e então é que ficaríamos tão desenvolvidos, ou mais, que os países desenvolvidos. A ideia, no entanto, não ocorreu ao ministro Álvaro, como não lhe ocorreu a ideia de se demitir, pois nos países desenvolvidos ninguém salta da blogosfera para ministro...
 
A mesma provinciana lógica causal foi recentemente invocada pelo secretário de Estado da Saúde para justificar uma nova cruzada antitabagista: nos países desenvolvidos - mais um esforço, portugueses, se quereis ser nova-iorquinos! - é proibido fumar na rua, no automóvel, na própria casa de cada um.
 
E, já agora, por que não restaurar também a pena de morte, seguindo esse exemplo extremo de país desenvolvido que são os Estados Unidos?» [JN]
  
Autor:
  
Manuel António Pina.
  

  
 Linguagem policial
  
«A PSP do Porto confirmou à Lusa que duas pessoas "foram intercetadas já fora do perímetro de segurança" da ação de despejo do movimento Es.Col.A, devido a "injúrias e agressões" a agentes daquela força policial.
 
Estas duas pessoas serão agora "retiradas do local, transportadas para o departamento policial, identificadas e, tendo em conta o que fizeram, poderão ser detidas ou não", esclareceu à Lusa fonte da PSP do Porto. » [DN]
  
Parecer:
   
Até parece que estão numa aula de repressão policial.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Jovens batem nos pais à rasca
  
«"Começa a acontecer um cenário que não era muito comum, de filhos que batem nos pais, não como resultados de processos de vitimação ligados a negligência e a famílias desestruturadas, mas porque não sabem lidar com a frustração", disse a docente de criminologia Vera Mónica Duarte.

Situações deste tipo ocorrem no seio de famílias "que há poucos anos estavam numa situação de estabilidade e que, neste momento, não podem dar aos seus filhos aquilo que durante muito tempo puderam", explicou a docente, que coordena a organização do seminário "Delinquência juvenil, explicações e implicações", a realizar sexta-feira no Instituto Superior da Maia.» [DN]
  
Parecer: 
O outro lado da geração à rasca.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 O maroto do Otelo
   
«Para figurar nas t-shirts das gerações do pós-revolução, falta-lhe, talvez, apenas, uma foto tão feliz como a que Alberto Korda captou de Che Guevara. E, depois, algum espírito empreendedor de uma qualquer marca comercial de vestuário... Mas a maior surpresa da sua biografia, agora dada à estampa, em livro, pela pena do jornalista Paulo Moura (Otelo, o Revolucionário, da D. Quixote, a lançar no próximo dia 25) é, afinal, uma história de amor.

Excessivo, inconvencional, indisciplinado, romântico, Otelo levou para a vida pessoal a transgressão que, nos anos da Revolução, o tornaram célebre. Na página 13 do livro de Paulo Moura, logo a abrir, o autor revela-nos a outra faceta do revolucionário: "Sente-se bem em família. Tanto, que tem duas. Casou cedo, com uma colega de liceu. Mais tarde, na prisão, teve outro amor. Não foi capaz de abandonar a primeira mulher, nem a segunda. (...) Otelo assume as suas duas mulheres. Aparece em público com elas, não mente a nenhuma, trata-as por igual. Também nisso é organizado. De segunda a quinta vive numa casa; sexta, sábado e domingo passa-os na outra.» [Visão]
      
Parecer:
  
Agora é que o prendem!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Makro diz "adios"
  
«Em conferência de imprensa, em Lisboa, foi também anunciado que a loja da Makro em Aveiro vai ser encerrada a 15 de Julho, disse o director de comunicação, António Pinheiro. Este encerramento coloca em causa 54 postos de trabalho. Hoje, a empresa anunciou também que a Makro portuguesa e a Makro espanhola vão passar a ser geridas só com uma sede, localizada em Espanha.» [Público]
  
Parecer:
  
Talvez esteja na hora de os consumidores portugueses boicotarem a Marko.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Boicote-se a Makro.»
  
 O irmão Macedo esqueceu-se das famílias numerosas
  
«Ontem, a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) - que tem recebido nos últimos dias várias reclamações de pessoas que se encontram neste tipo de situação e que viram negado o seu pedido de isenção - voltou a chamar a atenção para o que considera constituir uma "gritante injustiça" e pediu a mudança da legislação. "A lei tem de ser alterada, isto não é justo. É comparável a situação de uma pessoa com filhos e sem filhos?", pergunta Ana Cid, da APFN, que lamenta que o "Ministério da Saúde (MS) se tenha descartado, ao dizer que esta matéria ficava a cargo do Ministério das Finanças". "Alguns pais vão abdicar de cuidar da sua própria saúde para poderem criar os filhos", avisa.» [Público]
  
Parecer:
  
Este ministro está a revelar-se um mau cristão.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso cínico.»