sábado, junho 02, 2012

Portugal da bola


Cavaco pode dedicar-se às orquídeas, o Relvas pode respirar de alívio, o Passos Coelho pode meter uns dias e beneficiar das vantagens da fisioterapia, nos próximos dias o país está entregue a duas pessoas, ao Paulo Bento que cuida da bola e ao Gaspar que cuida da troika, um fala pausadamente para não se engasgar, o outro fala pelos cotovelos e não se importa de gaguejar.
  
A cerimónia de passagem do testemunho do país real para o país da bola ocorreu em Óbidos, como é habitual nas grandes exibições do Estado lá foram utilizadas as criancinhas para a exaltação nacionalista, cantou-se o hino nacional e agora espera-se que todos usem uma bandeirinha na lapela como faz o Passo Coelho, quem não usar a bandeirinha é suspeito de não querer ganhar o Europeu, de torcer para que Portugal não vá aos mercados e, pior do que isso, de discordar que o Gaspar é a coisa mais linda que este país já teve.
  
O país ouviu embevecido a longa entrevista de Paulo Bento, bebeu cada uma das suas palavras, parou a respiração em cada um dos seus gaguejos, anotou todos os seus recados e ficou a saber que de nada vale assobiar porque quem manda no país da bola é ele. Aliás, não se percebe muito bem como é que estando na Polónia ou na Ucrânia ele consegue ouvir as assobiadelas, é mais provável que por aquelas bandas os tugas estejam mais ocupados  a mandar assobiadelas para os dotes físicos das boazonas locais do que para o tremer de pernas do Veloso.
  
A partir de hoje estamos livres da Dona Maria Silva pois a verdadeira primeira dama lusa é a Irina Shyak,  o que diga-se de passagem é um dos lados bons da coisa. Já não interessa saber que relatórios recebeu o Miguel Relvas ou se quem os escreveu foi o espião ou o Cavaco Silva, os relatórios que interessa são os que nos dizem como actuam os alemães, os alemães da bola e não os da massa. Pouco importa o que o Cavaco diz ou se é o Gaspar ou a troika que dá a conferência de imprensa, as únicas comunicações oficiais ao país que nos interessam são as do Bento e não são as reformas estruturais que nos preocupam, é saber que o Ronaldo está em forma e qual o ponta de lança que alinha de início.
  
pouco nos importa se os totós da troika vão autorizar a próxima gorjeta paga com juros de 4%, o importante para a nação é saber se conseguimos passar os alemães ou se levamos mais uma abada da Merkel, o importante não é a próxima ida ao mercado é o próximo jgo, pouco importa se vamos precisar de outro resgate pois só queremos passar aos oitavos de final.
  
Viva Portugal, viva Cristiano Ronaldo, Paulo Bento a Belém e Postiga a primeiro-ministro!

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Castelo dos Mouros, Sintra
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Praia de Paço d'Arcos [J. Ferreira]
 

Miradouro da Lua, Angola [B. Ribeiro]
    

Jumento do dia


António Saraiva, presidente da CIP

O presidente da CIP tem-se aproveitado da crise financeira do Estado para obter proveitos, tem por isso sido o campeão das exigências em matéria de cortes salariais, seja pela criação de horas de trabalho escravo seja mesmo pelo corte de subsídios. Agora vem dizer que com a redução da TSU os salários poderão aumentar, como se este senhor e os amigos que representam tivessem a mais pequena sensibilidade em relação às necessidades e direitos dos trabalhadores, para uma boa parte deles até o regresso do esclavagismo era uma boa solução.

«O presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal defendeu hoje uma redução da Taxa Social Única (TSU) a cargo das empresas, salientando que isso poderia até conduzir a aumentos nos salários mais baixos.» [DE]

Há honestos e honestos

Há muita forma de ser honesto, há aqueles em relação aos quais não se suscitam dúvidas quanto à sua honestidade e os que todos achamos que são desonestos mas não temos forma de o provar. Não há ninguém que não ache que a intimidade entre o espião e o Relvas é bem maior do que este afirma e são muitos que pensam que os seus negócios são mais políticos do que as meras reuniões da Ongoing.O mesmo se passa com as suas chantagens sobre a jornalista do Público, ninguém, nem mesmo os pares do governo, acredita que a jornalista as tenha inventado, mas eitas ao telefone são difíceis de as provar.
  
Relvas poderá ser honesto, mas para a maioria apenas o é de uma forma formal, um pouco como aqueles que todos vimos cometer um crime mas que não são condenados porque entretanto esse crime prescreveu.
 
 

Quem com ferro

«O caso Relvas é muito atreito a ditados. "Não cuspas para o ar", por exemplo: anos de acusações inconsubstanciadas, calúnias e insultos, fatwas a propósito de tudo e nada, tarde ou cedo haviam de bater à porta dos aprendizes de feiticeiro.
  
Não servindo a indecência alheia de desculpa, porém, assentemos em princípios básicos: Relvas não estava, naturalmente, impedido de ter uma relação com Silva Carvalho. Podiam até passar o dia a trocar mensagens fofinhas, poemas e receitas de farófias; ainda que fique demonstrado ser o ex-SIED um absoluto energúmeno, ter uma relação mais ou menos próxima com alguém dessa descrição não é crime nem implica necessariamente cumplicidade.
  
Não pode, pois, estar em causa julgar o ministro por ter tido uma relação com o ex-SIED, mesmo se pareceu anteontem ser esse o fito das baralhadíssimas perguntas da oposição. O que está e deve estar em causa é se existiu impropriedade nessa relação e, tendo em vista as contradições entre factos entretanto revelados e as declarações do ministro na primeira audição, se faltou à verdade perante o Parlamento ao descrever os termos da dita. Infelizmente, a audição de quarta deixou-nos onde estávamos: na noção de que Relvas está muito pouco à vontade na explicação da natureza da relação com Silva Carvalho e afirmou várias coisas não verdadeiras na primeira audição.
  
O que suscita duas questões: a da inverdade perante o Parlamento, que é só por si muito grave; e do móbil dessa inverdade, a saber, por que motivo Relvas achou que devia ocultar a verdadeira natureza da sua relação com Silva Carvalho, relação essa que se prolongava pelo menos através de um membro do seu gabinete, que entretanto se demitiu. Poderá Relvas, com noção do que ele próprio faria a um governante de outro partido apanhado numa tal relação "perigosa", ter assim agido apenas para alijar suspeitas. Como pode ter demitido o seu adjunto para evidenciar dureza; sem se dar conta, porém, do quão bizarro é que considere ser uma relação mais estreita com Silva Carvalho motivo de demissão para o adjunto mas não para si.
  
Junte-se a isto o facto, que o próprio não contesta, de ter perdido a cabeça (porquê?) com as perguntas que uma jornalista do Público lhe enviou sobre a sua primeira audição, ligando várias vezes para o jornal. É acusado de ter nesses telefonemas ameaçado, para evitar a publicação de uma notícia, a divulgação na Net de um facto da vida privada da jornalista - a de que esta viveria com um homem de um partido da oposição (o que é falso). Além de intolerável e sem paralelo nos anais da democracia portuguesa, esta ameaça, a verificar-se, surtiria um irónico efeito de ricochete. Se Relvas achar que uma relação próxima com alguém da oposição é de molde a tornar uma jornalista não credível e incapaz, como classificará o ministro que tendo uma relação pessoal com um ex-espião acusado de usar os serviços secretos da república para fins criminosos, aldraba sobre ela?» [DN]

Autor:

Fernanda Câncio.
     

2012 não era o ano da retoma?

«O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, anunciou esta sexta-feira previsões mais pessimistas para a taxa de desemprego, esperando agora um agravamento da taxa para os 15,5 por cento este ano e para 16 por cento no próximo ano.
  
Numa declaração realizada após uma reunião com os parceiros sociais, o ministro reviu as previsões que o Governo enviou há menos de um mês para a Comissão Europeia no âmbito do Documento de Estratégia Orçamental (DEO), prevendo uma nova deterioração.
  
Os novos números apontam agora para uma taxa de desemprego média para a totalidade deste ano de 15,5 por cento, ao contrário dos 14,5 anteriormente esperados, e de 16 por cento, contra uma melhoria esperada para os 14,1 por cento, incluído no anexo que tanta polémica deu por não ter sido entregue aos deputados na mesma altura que o DEO foi entregue à Assembleia da República.» [CM]

Parecer:

Aos poucos vamos percebendo quanto vale este Gaspar, em menos de um mês dá uma cambalhota nas previsões. Quando um ministro perde credibilidade porque falha todas as suas previsões está na hora de o demitir.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
O PSD anda distraído

«O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, precisou hoje, em Lisboa, que o Ministério Público está a investigar "há mais de um mês" as Parcerias Público-Privadas (PPP) rodoviárias, e disse que "o PSD anda distraído".
  
"Isso está mais do que esclarecido, as perguntas são sempre repetidas, alguém anda distraído, isso está a ser investigado há mais de um mês", acrescentou Pinto Monteiro, que falava à imprensa à margem de um colóquio a decorrer na Universidade Católica Portuguesa.» [DN]

Parecer:

Ou anda distraído ou quer o povo distraído por causa dos casos Relvas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
BCP vai ter vaga para boy

«Segundo soube o Diário Económico, o banco liderado por Nuno Amado já acordou com as Finanças a entrada de um administrador não executivo em representação do Estado. A escolha de um administrador não executivo como representante do Estado é facultativa. Isto significa que caberá ao Governo escolher se designa, ou não, um administrador nos bancos que recorram à linha dos 12 mil milhões de euros. Isto, independentemente da forma como é dada a ajuda, seja através da subscrição de acções, seja através da subscrição da emissão dos títulos híbridos, CoCo's.
  
A portaria define que, mesmo que a entrada no capital de um banco seja feita através da compra de acções, se essa aquisição não ultrapassar os 50% do capital, o Estado não irá ter direito de voto em AG. Mas "quando o número de acções subscritas ou adquiridas pelo Estado ultrapasse metade das acções representativas do capital da instituição, pode o Estado exercer a sua plenitude os direitos de voto inerentes às acções que excedam aquele limiar". Isto é, se o Estado ficar com 51%, o seu poder de voto seria apenas de 1% .» [DE]

Parecer:
  
Os contribuintes entram com o dinheiro e o melhor que se consegue é um lugar de boy, os bancos até podem usar o dinheiro contra o interesse nacional, existe mesmo o risco de se investir nos bancos para que este comprem dívida soberana, aproveitando, por exemplo, as altas taxas aplicadas em Espanha.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
Haja alguém que o diga

«Correspondente financeiro do jornal "Le Monde" em Londres considera ainda que levanta conflito de interesses a escolha de António Borges para chefiar o processo de privatizações em Portugal.
  
“O FMI disse-me que se livraram dele [António Borges] porque não estava à altura do trabalho e agora chego a Lisboa e descubro que está à frente do processo de privatização. Há perguntas que têm de ser feitas”, defende o correspondente financeiro do “Le Monde” em Londres, em entrevista à Renascença.
  
Marc Roche é o autor de um livro, já premiado, que conta a história da Goldman Sachs e de como este banco dirige o mundo. Na obra são denunciadas as estreitas relações entre a banca e o poder. O correspondente diz que António Borges, ex-quadro da Goldman Sachs e ex-director do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a Europa, surge neste tabuleiro como um peixe pequeno, mas que levanta sérias reservas tendo em conta a tarefa que tem agora em mãos.
  
António Borges foi nomeado por Pedro Passos Coelho para chefiar o processo de privatizações. “O senhor Borges estava fora do meu radar quando escrevi o livro, nunca tinha ouvido falar”, admite Marc Roche, que apenas tomou conhecimento do economista “quando se demitiu do FMI”.
  
Questionado se ficou surpreendido com a nomeação de António Borges para a questão das privatizações, Marc Roche admite que não. “Vejo gente da Goldman Sachs a aparecer por todo o lado em posições de poder, faz parte da marca do banco.” 
  
“Aqui, o senhor Borges é um peixe pequeno, comparado com Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu, que trabalhou na Goldman Sachs, com Mário Monti, o primeiro-ministro italiano, que também trabalhou na Goldman Sachs, ou com Lucas Papademos, ex-primeiro-ministro grego.”
  
Marc Roche, nesta entrevista à Renascença, defende ainda que o processo de privatizações não deve ser apressado e responsabiliza a Goldman Sachs pela entrada prematura da Grécia no euro, que deu origem à actual crise da dívida.» [RR]

Parecer:

Este rapaz aparece por Portugal quando perde os tachos lá fora, desde que se armou em vice-presidente da Goldman Sachs, cargo que na acepção que lhe damos nunca o teve, anda por cá a dar lições de moral ao país como se fosse uma grande sumidade. Chega-se ao ponto de ser um executivo do merceeiro metido no governo pela porta do cavalo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
Mais algumas do Relvas

«A 31 de Julho do ano passado, o ex-dirigente do SIED Jorge Silva Carvalho enviou uma mensagem ao presidente da Ongoing, Nuno Vasconcellos, em que fala do interesse da empresa na privatização da RTP através da sua participada brasileira Ejesa. Esta é liderada pela mulher de Vasconcellos, Maria Alexandra Mascarenhas, que nesse dia dera uma entrevista ao Correio da Manhã, onde se manifestava a favor da privatização da RTP, para a qual iria olhar com interesse.
  
Na mensagem, o ex-espião refere-se à empresária como X, diz que a entrevista estava óptima e vinha dar um toque feminino de serenidade. A Ongoing e Jorge Silva Carvalho estavam já envolvidos em polémica, pois dias antes fora tornado público o caso de espionagem à lista de telefonemas do jornalista Nuno Simas. Silva Carvalho dá conta a Vasconcellos de dois tipos de reacção à entrevista. Por um lado, havia quem estranhasse os elogios que Alexandra Mascarenhas fizera ao patrão da Impresa, Pinto Balsemão, com quem o marido mantém um conflito judicial pelo controlo do grupo. Por outro, frisava que havia quem tivesse reparado no pormenor Ejesa/privatização da RTP.
  
Na mesma mensagem, há referências encriptadas a três pessoas, identificadas por siglas, mas que correspondem aos nomes de Nuno Morais Sarmento (advogado de Silva Carvalho), António Cunha Vaz, conselheiro de comunicação referido em vários outros SMS do ex-espião, e MR, as iniciais usadas por Silva Carvalho na sua agenda para assinalar encontros com o ministro Miguel Relvas. Diz Silva Carvalho que NMS e ACV falaram com MR (então já ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares) e que estava tudo sob controlo, mas sem especificar a que se refere. O ministro garantiu ontem, no Parlamento, não ter tido qualquer contacto com Silva Carvalho ou a Ongoing após tomar posse. Porém, o SMS sugere que terá tratado de um assunto relacionado com um deles ou os dois.» [Público]

Parecer:

Pobre Relvas....

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   

   




sexta-feira, junho 01, 2012

A graxa


Muitos países para além da bandeira e do hino nacionais escolhem símbolos entre as aves, as flores, os animais ou outros elementos da natureza , os EUA têm a águia, os ingleses a rosa, os australianos o canguru. Portugal não tem nenhum símbolo para além dos tradicionais hino e bandeira, mas se nestes tempos de nacionalismo futebolístico se escolhesse um sem dúvida que a escolha teria de recair nessa personagem que tão bem encarna os valores de muita gente desta nação, o graxista.
  
A graxa é um instituição nacional aprendida nos bancos da escola, o aluno mais querido do professor é o graxista, o jovem mais promissor nas jotas partidárias o graxista, o funcionário público ou empregado mais promissor é o graxista. A graxa é não só uma das qualidades mais apreciadas neste país como é também uma instituição nacional praticada ao mais alto nível. É pena que sendo tão importante para o funcionamento das instituições nacionais e para o relacionamento humano e organizacional não tenha sido ainda devidamente estudada por sociólogos, gestores, cientistas políticos, psicólogos e até por médicos ortopedistas pois, como se sabe, deverá haver uma forte correlação entre a graxa e a grande incidência de bicos de papagaio.
  
A graxa é de tal forma um valor nacional que o próprio governo fazer dela instrumento político, por isso vemos o Gaspar embevecido elogiando o seu primeiro-ministro ao lado dos rapazolas da troika ou inclinado sobre o ministro das Finanças da Alemanha. Até tem o estatuto de política nacional como se pode ver pela forma como um país à beira do colapso apoia a política da senhora Merkel.
  
O graxista é alguém com uma coluna gelatinosa que não se importa de perder a dignidade em troca de benefícios pessoais, colectivos ou mesmo nacionais, é uma forma benigna de corrupção moral não admirando que num país conhecido pela corrupção também se tenha de conviver com a graxa. Sendo uma forma de corrupção de valores e por isso é benigna a graxa não atinge apenas pessoas, afecta o comportamento de instituições e mesmo a nação. Veja-se a postura do nosso governo em relação à Grécia, no que é secundado por jornalistas, opinion makers, presidente e demais elites, passa-se a mão pelo pêlo dos alemães afirmando-se que os portugueses são dóceis e obedientes, ao contrário dos gregos que são insubordinados e incumpridores, esperamos que ao mesmo tempo que condenem a Grécia nos compensem com uma guloseima.
  
Um bom exemplo de graxa é o de algumas instituições que em defesa dos seus próprios interesses corporativos usam a graxa como forma de se defenderem. Quando os governos estão em queda os mesmos que foram graxistas tornam-se críticos e agressivos, quando entra um novo governo em funções, para se assegurarem que as mordomias, subsídios abusivos e estatutos de excepção em relação às medidas de austeridade sejam mantidos, multiplicam-se em gestos de apoio, ignoram os seus erros e dedicam-se a produzir relatórios críticos para o governo que caiu.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Assinatura de calceteiro, Avenida da Liberdade, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


 Troço de chaminé de antiga fábrica em Viseu [A. Cabral]
     
Jumento do dia


Vítor Gaspar

Este ministro não para de nos surpreender.
 
«De acordo com a análise da UTAO, a unidade que dá apoio técnico aos deputados, e a que a Agência Lusa teve acesso, foi encontrada uma incorreção nas contas que influencia a percentagem da queda que havia sido divulgada para as receitas fiscais da Administração Central e Segurança Social.

"Ao contrário do que foi divulgado pela DGO, a quebra da receita proveniente de impostos indiretos foi mais acentuada. A UTAO detetou uma incorreção na taxa de variação homóloga acumulada até abril dos impostos indiretos da administração central e segurança social (sem EPR - Entidades Públicas Reclassificadas), publicada pela DGO", diz a análise da UTAO à execução orçamental entre janeiro e abril, divulgada no passado dia 23.

Os técnicos independentes explicam que na base deste erro estará a falha da DGO em somar a receita proveniente do IVA social entre janeiro e abril de 2011, no valor de 238 milhões de euros.

Esta conta influencia a comparação entre os quatro primeiros meses deste ano com os primeiros quatro meses de 2011, tendo na altura da divulgação da síntese de execução orçamental a DGO afirmado que a quebra nas receitas com impostos indiretos (entre eles o IVA) da Administração Central mais Segurança Social teria sido de 3,5% face ao mesmo período de 2011.

No entanto, a UTAO refez as contas e diz agora que queda foi não apenas de 3,5 por cento, mas sim de 6,8%, devido aos 238 milhões de euros que não foram tidos em conta do IVA social recebidos em 2011.» [Dinheiro Vivo]

Ainda sou do tempo do Aiatolá Sayyid Ruhollah Musavi Khomeini 

Ainda sou do tempo do Grande Aiatolá Sayyid Ruhollah Musavi Khomeini, recordo-me de quando chegou a Teerão vindo de Paris, de como foi recebido em festa pelos iranianos, recordo-me do rosto das iranianas, da imensa alegria de quase todo um povo, mais ou menos que recentemente vimos no Cairo.
  
Mas quantos daqueles rostos sorridentes foram presos, executados ou, muito simplesmente, perderam a alegria?
  
Lembro-me de Khomeini quando foi apresentado como um libertador por políticos e jornalistas, de como a sua imagem de velhote simpático era apresentada. 
  
Daqui a uns anos teremos mais "libertadores" para recordar, atrás deles estará o rasto de sangue dos opositores políticos, dos políticos moderados e das minorias religiosas. Daqui a uns anos teremos vários Estados entregues a líderes fundamentalistas.

E não quererão o sô Álvaro como bónus?



 
  
 

Então e eu?

«À medida que vão surgindo na Imprensa notícias de relatórios, encontrados em poder do ex-espião Jorge Silva Carvalho, sobre a vida privada de jornalistas, sinto-me cada vez mais discriminado. Então e eu? Será a minha vida privada tão desinteressante que, jornalista há 40 anos, os espiões do SIED e do SIS não têm nada a relatar sobre, como os velhos informadores da PIDE, o meu "porte moral"?
  
É triste chegar quase aos 70 e ter a esquisita sensação de que a minha vida é, afinal, um livro tão aberto (ou tão fechado) que nenhuma "secreta" quer saber quem são os meus amigos e os meus inimigos; se tenho família, dívidas, pensamentos, conta bancária, colesterol; se continuo a receber pelo correio "folhas de jornais franceses" (arquivadas na Pasta 10/1); se alguma coisa "consta em meu desabono, moral e politicamente"; se serei "desafecto ao regime" ou, até, "adversário do regime", ou então se não se conhecem as minhas "verdadeiras tendências"; se minha mulher teve uma "rígida e exemplar educação" e que foi feito da tal "doença cancerosa" que, segundo o bem informado Relatório n.0º 202/72/SC da PIDE/DGS, lhe "teria surgido"; etc..
  
A minha esperança é que tudo isso seja Informação Estratégica de Defesa e que, quando a Ongoing desvincular Silva Carvalho do segredo de Estado, eu descubra que, como os outros, também tenho uma vida merecedora de relatório com 16 páginas.» [JN]

Autor:

Manuel António Pina.
     

Silva Lopes ficou pasmado com Passos Coelho

«O economista Silva Lopes disse que ficou "pasmado" por Passos Coelho ter alinhado com a "senhora Merkel" na recente cimeira europeia, contra aqueles que defendem uma aposta maior no crescimento económico.» [DN]

Parecer:

Silva Lopes é dos que ainda ficam pasmados com Passos Coelho.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
Um bom corrupto

«José Eduardo Simões, presidente da Académica, foi condenado a uma pena efetiva de seis anos e meio de prisão, avançou hoje o "Público". Contactado pelo Expresso, o advogado Rodrigo Santiago confirmou a medida mas admite que, "após receber o acórdão, deve ser interposto recurso".
  
Depois de ter sido condenado, em primeira instância, a quatro anos e sete meses de prisão com pena suspensa, por um crime de corrupção passiva e outro de abuso de poder, o Tribunal da Relação decidiu dar provimento ao recurso apresentado pelo Ministério Público.
  
Recorde-se que, em março de 2011, o tribunal de primeira instância considerou provado que, na altura em que acumulava funções como diretor de urbanismo da Câmara Municipal de Coimbra e dirigente da Académica, José Eduardo Simões 'ajudou' promotores imobiliários em troca de ajudas ao clube que ganhou recentemente a Taça de Portugal.» [Expresso]

Parecer:

Pela forma como a RTP tratou o funcionário da CM de Coimbra na noite em que a Académica ganhou a Taça de Portugal dir-se-ia que estamos perante um bom corrupto, alguém que era corrupto por uma boa causa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pela prescrição do processo.»
  
Egipto: a democracia no seu melhor

«Abdel Rahman al Borak, chefe religioso saudita, emitiu hoje um decreto islâmico (fatwa) que proíbe os egípcios de votarem em Ahmed Shafik na segunda volta das eleições presidenciais, noticia a Efe.» [Expresso]

Parecer:

Sente-se o silêncio dos que andaram excitados com a primavera árabe.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver no que tudo isto vai dar.»
  
Um arruaceiro chorão

«A verdade é que o nome do dirigente da JSD-Madeira tem estado envolvido em vários episódios polémicos e não apenas por questões políticas. Além de ter feito declarações defendendo a independência da Madeira, José Pedro Pereira aguarda julgamento, acusado de ter urinado num carro da PSP, caso ocorrido no Molhe da Pontinha, Funchal, em Julho de 2011. Alegadamente terá assumido o ato praticado por um amigo, mas são-lhe também atribuídos atos de vandalismo de automóveis de figuras da oposição regional.» [Expresso]

Parecer:

Pobre rapaz, fartou-se de chorar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o idiota trabalhar.»
  
Trabalhos forçados para alunos faltosos

«Os alunos faltosos vão deixar de ter planos individuais de recuperação e passarão a desempenhar trabalhos a favor da comunidade fixados pelas escolas. Esta é uma das novidades do novo Estatuto do Aluno e Ética Escolar, que foi aprovado esta quinta-feira em Conselho de Ministros, juntamente com a nova Estrutura Curricular.» [CM]

Parecer:

Digamos que o problema dos alunos que faltam é de trabalho e não de aprendizazem, é a lógica do "vão trabalhar malandros". O ensino português volta à lógica dos tempos do salazarismo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Cratino onde esteve nos últimos cinquenta anos.»
  
Um governo com sensações

«O secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Marques Guedes, afirmou hoje que o Governo tem a "sensação" de que a avaliação da ´troika' será no sentido do "cumprimento dos compromissos".» [i]

Parecer:

E qual será a sensação de ser idiota?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao secretário de Estado se também tem destas sensações.»