sábado, junho 09, 2012

Aceitam-se prognósticos antes do jogo

 
Esta coisa de considerarmos a selecção nacional como as nossas forças armadas da bola a caminho da frente de combate ao ponto de já ser a Armada a produzir vídeos de exaltação nacionalista não me convence. Não consigo ver um Nuno Álvares Pereira no João Pinto,  não imagino o Paulo Bento na farda de general e não confundo o onze titular com a ala dos namorados.
  
Por isso o nacionalismo não me faz ver no Miguel Veloso um jogador fora de série, nem as cambalhotas do Nani me enchem o peito de ar, fico contente se ganharem, é-me indiferente se perderem, tal como as vitórias e os carros de luxo também as derrotas são deles. Não faz sentido o governo andar a fazer de conta que não há Europeu porque receia o pior e se as coisas correrem bem vamos vê-los a apanhar o avião à pressa.
  
Mas se me pedirem a opinião direi que vamos ver quem ganha, se a Marcha da Mouraria ou o pessoal dos Bundesbank. Se ganharmos vamos gozar com a Merkel e meia Europa, a começar pelos gregos, vão festejar a vitória. Se perdermos vão dizer que o trabalho ganhou ao sempre em festa, que enquanto os nossos andaram a fazer de Marcha da Mouraria, os alemães, mesmo autorizados a uma fumaradas, fizeram o trabalho de casa.
  
Se ganhar a Marcha da Mouraria é certo e sabido que o Miguel Relvas vai aparecer mais uma vez numa tentativa desesperada de vender o seu melhor sorriso. Se perdermos vamos ter de ver mais uma vez os olhinhos pequeninos e as beiças carnudas da Merkel a rir cinicamente, como se nos tivesse a dizer que com tantos feriados e festas não vamos lá.
  
Era bom que Portugal passasse esta fase, quanto mais não seja porque o Humberto Coelho teve o cuidado de nos esclarecer que os jogadores são simpáticos e pagam os impostos no seu país. Sabendo-se que podiam pagá-los no país onde vivem temos de lhes manifestar a nossa gratidão por preferirem as nossas taxas ou por serem vítimas do nosso sistema fiscal. Mas se pagam cá os impostos só podemos desejar-lhe o melhor sucesso financeiro e esse sucesso passa pelas vitórias.
  
Mas se Portugal ganhar jogos espero que as televisões ponham a bolinha antes de o Relvas aparecer pois as suas comunicações são piores do que um filme pornográfico.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

   
Flor do Parque Florestal de Monsanto, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 

   
Janela da aldeia de Monsanto [A. Cabral]
 
Jumento do dia
  
Sô Álvaro
 
O sô Alvaro nunca mais repara que já ninguém presta atenção às suas banalidades e que não passa de um zombie governamental, há muito que já morreu e apenas se espera pela remodelação governamental para proceder ao seu enterro.

«Santos Pereira diz que é importante diversificar os mercados e continuar com as reformas para diminuir o impacto da crise de Espanha na economia.» [DE]

 Espanha: resgate em duas fases

É óbvio que o sistema financeiro Espanhol está à beira do colapso, é óbvio que a economia espanhola borregou, é óbvio que o resgate à banca é insuficiente e os juros da dívida soberana já estão acima dos 6%. O resgate da Espanha é inevitável e a direita espanhola vai provar do veneno que a direita europeia tem defendido.

Os que por cá queriam um pedido de ajuda internacional estão agora esperançosos que a Espanha não siga pelo mesmo caminho, os que por cá negaram a existência de uma crise internacional são agora vítimas das suas próprias mentiras.

     

  
 És contra? Diz-me como
   
«A sondagem esta semana publicada pelo DN é um ponto de viragem importante. Desfazendo a ideia do povo "amestrado" que Januário Torgal Ferreira tão bem identificou no discurso de Passos, os inquiridos, em maioria esmagadora (77%), consideram que estamos pior em todos os sectores do que estávamos há um ano e qualificam (67%) a atuação do Governo como má ou muito má.
  
Esta clara rejeição do programa e discurso governativos, que engloba o Presidente da República (visto como cúmplice ou inexistência) e dá nota negativa a todos os ministros, torna ainda mais urgente uma alternativa credível. Sob pena de os revoltados com a atitude, sem precedentes em Portugal (diga-se o que se disser, isto nunca tinha sucedido), dos dois partidos da coligação governamental que, uma vez no poder, fizeram o contrário de tudo o que haviam prometido em campanha, engrossarem o contingente dos desiludidos da democracia.
  
Não chega, obviamente, a PS, BE e PCP dizer que "este não é o caminho". Não chega fazer oposição por reflexo, como faz, por incrível que possa parecer, até o líder socialista, ao reproduzir, sem mudar uma vírgula, o discurso pré-eleitoral de PSD e PP sobre encerramentos de unidades de saúde ou escolas. Foi este tipo de infantilização do debate político que nos trouxe aonde estamos, a um Governo eleito por apresentar propostas inexequíveis e mentirosas de "cortes sem dor" enquanto vituperava todas as racionalizações da máquina do Estado (e que interessante seria recordar o que foram as votações parlamentares do PSD e do CDS durante os anos do Executivo socialista, e de como em tantos casos contradizem o discurso de que "sempre se opuseram" ao alegado "despesismo" do mesmo).
  
Se alguma vez houve um momento em que foram necessárias propostas sérias e estruturadas por parte da oposição, esse momento é este. Se alguma vez houve uma situação em que precisámos de um contraprograma governamental, a situação é esta. Governo sombra, antes de ser o título de um debate piadético na TSF, era uma ideia muito estimável surgida no Reino Unido e replicada em vários países da Commonwealth, consistindo na nomeação (ou até eleição, dentro dos partidos) de um governo alternativo, com "ministros" para cada área com a responsabilidade de assegurar uma política para a tutela.
  
Pegando nas palavras de Rui Tavares na primeira reunião pública dos subscritores do Manifesto da Esquerda Livre (ocorrida no sábado em Lisboa), já sabemos que somos "contra", agora é preciso pensar no "como". Seria a um tempo lamentável e formidável que viesse de fora dos partidos instituídos um conjunto de ideias para o país que não se resumisse a patacoadas inconsistentes e slogans sem espessura. Mas, venha de onde vier, é preciso mostrar que não é tudo igual. Que votar noutros não equivale a mais do mesmo. Que não se aposta só na "alternância democrática". Que há alternativa ao "não há alternativa". Que não deixaremos a democracia ir tão depressa por esta noite escura.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.
       
  
     
 Quem se mete com o governo leva
   
«O bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, ganha uma pensão de 3687 euros e um suplemento de condição militar de 737, totalizando 4424 euros por mês. Além do valor monetário, o bispo ainda tem direito a regalias, como gabinete de apoio, carro com motorista e telemóvel. Contudo, afirma trabalhar de graça, avançou o "Correio da Manhã".» [i]
   
Parecer:
 
D. Januário criticou o governo e antes do fim da semana tinha a resposta de baixo nível.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns à central de informação de Miguel Relvas.»
     

   
   

  

   

   

  

sexta-feira, junho 08, 2012

O cagão


Um dos peixinhos mais típicos deste aquário luso é o cagão, se os lambe peidas lusos são os limpa fundos os nossos garbosos cagões são como os escalares, imponentes, vaidosos, belos. O cagão e o lambe peidas são inseparáveis, onde está um cagão aparece sempre o lambe peidas a elogiar-lhe as qualidades.
  
Veja-se o que tem sucedido nos últimos dias com um conhecido artista luso que disse umas bacoradas, apareceu logo um cardume de lambe peidas a elogiar as declarações, a justifica-las de formas de eu nem o autor se lembraria. Na opinião destes lambe peidas tudo o que sai da boca do cagão é digno de elogio e de se citar, o cagão deve ser considerado como possuidor de uma inteligência superior a todos os outros portugueses, esse povo rasca que vive na Península Ibérica. O cagão pode se tratado como antigo vice-presidente de um grande banco sem o nunca ter sido porque os lambe peidas continuarão a trata-lo como tal, até pode ganhar umas dezenas de milhares à custa de um povo sacrificado e sem fazer a conta de um corno.
  
O cagão fala com ar convencido, está habituado a ouvir um murmúrio de  admiração por mais banal que seja a baboseira que disse, o cardume de lambe peidas está sempre à espera que o cagão abra a boca para soltarem uma exclamação de admiração. O cagão chega ao CCB andando com ar de prima dona  e quando os jornalista se aproxima foge-lhes com um passe de bailarina do Bolshoi e um sorriso digno da Miss América.
  
O cagão chama a si a todas as comunicações ao país, dá conferências de imprensa repetindo banalidades mas põe aquele ar de Marco Paulo da política pelo qual todas as jornalistas devem apaixonar-se, a não ser que tenham o desplante de viver em regime de concubinato com um perigoso simpatizante ou militante do Bloco de Esquerda. O cagão julga-se belo, inteligente e cremoso, olha para os outros como se estivesse olhando para um espelho simpático e só espera ouvir elogios e ver expressões de admiração.
  
Dinheiro e poder são atributos que costumam estar associados aos cagões que estão na moda, ministros que nos invadem as televisões a toda a hora, merceeiros que não se fartam de dar entrevistas dizendo aos portugueses que são idiotas, banqueiros da Linha de Cascais assalariados da família Eduardo dos Santos. O país está  cheio destes cagões.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Petinha-dos-prados [Anthus pratensis], Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Sobreiros na aldeia de Monsanto [A. Cabral]
     

Jumento do dia


Humberto Coelho, vice-presidente da Marcha da Mouraria
   
Humberto Coelho decidiu falar em futebolês político para dizer aos portugueses umas baboseiras dignas de quem treinou tanto que acabou a raciocionar com a barriga das pernas. O homem chegou à brilhante conclusão de que os passeios de charrete desse rancho folclórico em que está transformada a selecção nacional de futebol não custam um tostão aos protugueses, aliás, todos nós malandros ainda ficamos com o dinheiro que os jogadores, que até estão no estrangeiro, vão pagar em impostos.
  
Portanto, para o senhor Humberto há uma máquina de produção de riqueza que decidiu financiar a selecção e desse dinheiro algum fica nos cofres do Estado e vai parar às mãos dos portugueses porque os coitados dos jogadores ainda pagam impostos. Como é que isso sucede? É tudo graças ao prémio de participação. Agora ficamos à espera que Humberto Coelho nos diga quem pagou as despesas na fase da preparação e nos jogos de acesso à fase final, bem como de todas as selecções.
  
Depois da de Humberto Coelho foi a vez de Eduardo vir dizer que se as coisas correrem mal os jogadores assumirão as responsabilidades. Isto é, o Humberto fala de dinheiro, o seleccionador esconde-se e é um suplente que vem garantir que se tudo correr mal os jogadores virão assumir as responsabilidades, como se fossem os jogadores a preparar a equipa como se fosse a marcha da Mouraria.
 
O Super Relvas

Já havia o Super Mário nos jogos de computador, agora temos um Super Relvas nos jogos da política, desde que foi declarado morto e pronto para ser definitivamente enterrado Miguel Relvas parece ter ressuscitado, o homem faz acordos com as autarquias, anuncia programas para jovens, reúne com patrões, está em todo o lado, desde há vário semanas que parece que no governo só há Relvas.
 
Parece que Passos Coelho descobriu em Relvas o grande comunicador de que o governo precisava e agora corre o risco de ver o país apaixonar-se pelo doce Relvas.

Um governo de salvação nacional?

Só se nele não participarem Paulo Portas e Passos Coelho, o primeiro por ter estado ausente no momento em que tinha de dar a cara, o segundo por falta de prepração para exercer cargos de responsabilidade a não ser em empresas do Ângelo Correia.

Vítor Gaspar para comentador desportivo!

O mundo de futebol nacional está a precisar de optimismo, está na hora de chamar Vítor Gaspar para fazer previsões futebolísticas, haja alguém capaz de dizer que vamos ganhar aos alemães por seis a zero e que em 2013 estaremos em condições de ser campeões do mundo.
     

Vamos todos para a rua!

«"Estou profundamente chocado. Apetecia-me dizer: vamos todos hoje para a rua. Não vamos fazer tumultos, vamos fazer democracia", disse D. Januário Torgal.
  
Em causa estão declarações de Passos Coelho sobre a forma como os portugueses enfrentam a austeridade. "O povo português tem sido extremamente paciente na forma como enfrentou as dificuldades, incluindo o desemprego", afirmou Passos Coelho na terça-feira. D. Januário Torgal encara as declarações como um "obrigado" a um povo "tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico".» [CM]

Parecer:

Ao que isto chegou.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Passos Coelho que comece a preparar planos para a sua saída do governo.»
  
E o cardeal propõe revolta cultural contra a crise

«"Essas reflexões vão na linha, não de nos pronunciarmos sobre soluções políticas e técnicas, mas de alertar toda a Europa para o facto de que com a adulteração cultural que se tem realizado, no centro da qual deveria estar a pessoa humana na sua dignidade e na sua vocação de fraternidade, sem uma revolta cultural, a Europa poderá encontrar soluções precárias, mas não a solução", afirmou.» [DN]

Parecer:

Parece que desta vez a direita exagerou e até perdeu o apoio da igreja.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
A Espanha a caminho do lixo

«A agência norte-americana Fitch baixou hoje o ‘rating' de Espanha em três níveis, de ‘A' para ‘BBB', dois níveis acima da classificação considerada ‘lixo', mantendo o ‘outlook' (perspectivas de evolução) negativo, o que indica que pode voltar a baixar a nota da dívida espanhola.» [DE]

Parecer:

Onde já vimos isto?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelo resgate a Espanha.»
    

   




quinta-feira, junho 07, 2012

Ideólogos do lambe peidismo nacional


Neste imenso aquário cheio de predadores oportunistas em que o nosso pobre país está transformado há uma espécie que revelou uma capacidade notável para a sobrevivência e multiplicação, são os chamados limpa-fundos que se especializara em comer a caca dos outros. O seu sucesso tem sido tão grande que têm desenvolvido uma nova ideologia, não tem nada que ver com o neo-linberalismo, odeia o comunismo ou a social-democracia  e tenta conviver o melhor possível com a democracia cristã, o lambe peidismo nacional.
  
Entre os seus icons estão merceeiros bem sucedidos, falsos vice-presidentes da Goldman Sachs que depois de despedidos do banco e do FMI ganham uma pequena fortuna sem que ninguém perceba muito bem qual é o seu trabalho, enfim, se o gabinete fosse ali para os lados do Conde Redondo seria mais fácil de perceber. Uma das maiores manifestações colectivas de lambe peidas foi quando o merceeiro holandês decidiu provocar os trabalhadores portugueses oferecendo 50% de descontos no dia 1.º de Maio.
  
Os nosso lambe peidos nem se lembraram que a guerra do merceeiro não era com a CGTP, como se sabe a CGTP é uma central sindical e ainda não explora o negócio das mercearias, a guerra era com outro icon dos nossos lambe peidos, o empresário Belmiro de Azevedo, pai de outro icon dos nossos ideólogos intestinais, assim como um velho amigo de Belmiro e companhia nas lides da PT, o agora banqueiro inglês. Os nossos lambe peidas comportaram-se como os tais limpa-fundos e não resistiram a comer a caca mal ela saiu do traseiro do merceeiro e nem se lembraram que estavam a apoiar um golpe baixo contra o Belmiro.
  
É por isso que nenhum destes lambe peidas voltou a aparecer em defesa do merceeiro holandês, apesar de o Pingo Doce ter lançado mais campanhas de grandes descontos, a última das quais está a decorrer hoje. Mais uma vez o merceeiro holandês usou uma táctica de guerrilha e em vez de fazer possibilidade usou os jornalistas amigos para lançarem a grande notícia, que o bondoso patrão do António Barreto dava descontos de 50% nos produtos nacionais nos dias de Corpo de Deus e no Dia de Portugal.
  
É estranho que desta vez os lambe peidas não tenham vindo a elogiar o merceeiro porque depois de ter enfrentado Marx foi mais longe e enfrentou Deus, ou porque foi brilhante a ideia dos descontos nos produtos tuga. Algum mais atrevido até poderia ter sugerido que o merceeiro desse um desconto no lombo de porco se a selecção do Paulo Bento vencesse a Alemanha. Mas não, desta vez os lambe peidas ficaram caladinhos, talvez porque lhes tenha corrido mal a digestão da última vez que comeram os petiscos intestinais do Soares dos Santos. Fizeram bem, pois o merceeiro holandês é um vcelho sabido e os descontos nos produtos lusos aplicam-se apenas a algumas marcas, pouco mais do que à água do Luso.
  
Ou talvez se estejam a guardar para lamber a peida do Paulo Bento se este vencer a Alemanha, vão descobrir aí mais um motivo para acreditarmos que 2012 é o ano da mudança, que no segundo semestre já há crescimento e criação de emprego e que em 2013 vamos ter uma manifestação de investidores junto à fronteira de Badajoz apelando ao Gaspar para que vá ao mercado pois estão ansiosos por nos emprestar dinheiro ao preço da uva mijona. Até lá vamos lendo as crónicas dos lambe peidas nos nossos jornais, pois os amigos do Relvas adoram ter lambe peidas a escrever nos seus jornais.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Flor do Jardim Botânico, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Volvo Ocean Race [A. Cabral]
     
Jumento do dia


Paulo Núncio

Há notícias que dão vontade de rir e esta de que o fisco vai saber quem são os donos dos carros de luxo em operações stop da PSP não só dá vontade de rir como nos leva a ter pena da dimensão intelectual dos nossos governantes. Então o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais vai saber quem tem carros de luxo em operações stop? Compreende-se que Paulo Núncio aprecie muito touradas, mas algum dos seus assessores deveria explicar-lhe que em Portugal não é necessário recorrer a a operações stop para saber quem comprou ou pagou o carro, isto ainda não é a feira de Alcácer e muito menos o mercado do Roque Santeiro.

«Vai ser reforçada a colaboração entre a Polícia de Segurança Pública e a Autoridade Tributária (AT) com vista à deteção de sinais exteriores de riqueza dos contribuintes que não tenham reflexo na declaração de IRS.

Segundo a Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais as operações STOP vão servir também para identificar e controlar os veículos automóveis com valor igual ou superior a 50 mil euros, que possam constituir manifestações exteriores de fortuna.

O controlo, adiantou ao Expresso a Secretaria de Estado, far-se-á através da comparação entre o valor de aquisição do veículo e as declarações fiscais de IRS dos respetivos proprietários. Caso sejam detetadas desconformidades, as Finanças procedem a correções adicionais à matéria coletável e ao imposto a pagar.» [Expresso]
 
Compaixão

Sinto compaixão por um indivíduo que sem grande recursos assumiu as funções de primeiro-ministro que exerce de forma penosa e dizendo alarvidades dia sim, dia não.
 
 

Miséria moral

«O dr. António Borges é um senhor de meia idade, cabelos ruivos e ralos, carregado de currículo, de patronímicos virtuosos e de tarefas cintilantes. Onde há funções que exijam perícia e frieza, lá está ele a preenchê-las com zelo e vultosas compensações. Em matéria de números, estratégias de lucro, prospectivas financeiras, mercados e juros, o dr. Borges sabe-a toda. Um jornalista de Le Monde, que o estudou, fala de mistério e de oclusão, num livro que está aí, cujo título, O Banco - Como o Goldman Sachs Dirige o Mundo, e cujo conteúdo é demasiado perturbador para que o ignoremos.
Sobre todos estes tranquilos predicados, o dr. Borges é cristão, formal e brunido, conselheiro do Governo para as privatizações, dedicando-se, claro!, a outros biscates. Em 2011 arrecadou 225 mil euros, fora o que escorre, isentos de impostos. Pois o dr., em declarações a um jornal, foi veemente e irretorquível, na defesa da redução de ordenados. Disse, entre outras pérolas cristãs e compassivas: "A diminuição de salários, em Portugal, não é uma política, é uma urgência e uma emergência." Apesar da "miséria moral" em que vivemos [Francisco Pinto Balsemão dixit], as ditosas frases não caíram no vazio. Um vendaval de protestos e de indignações cobriu-o e à desvergonha das afirmações. O coro estendeu-se. A bojarda foi execrada por gente do PSD e do CDS, não muita, diga-se de passagem, mesmo assim...

Sorridente e na aparência são, o dr. Pedro Passos Coelho apoiou, com límpido silêncio, as declarações do dr. Borges. Loquaz foi, isso sim, com os procônsules da troika que, entre outras exigências, prescrevem o afastamento dos sindicatos de negociações e uma maior flexibilização das leis do trabalho. Dias antes, no jantar do Conselho Europeu, o governante português, "contrariando Monti, Hollande, Rajoy, Juncker, o FMI e a OCDE, entre muitos outros líderes e instituições, apoiou Angela Merkel contra as euro-obrigações", escreveu (DN, 25 de Maio, pp) o prof. Viriato Soromenho-Marques. Este, com a habitual lucidez, acrescentou: "O escândalo racional da chanceler alemã é, assim, apoiado pelo mistério irracional do comportamento do primeiro-ministro português. A lógica da subserviência tem, na decência, o seu limite moral, e no interesse nacional o seu absoluto limite político. Passos está a rasgar todos os limites."
  
A situação não é, apenas, política; é, também, moral, como diz o articulista. A história, para muitos de nós, continua a ser uma memória de facínoras, com as linhas de sustentabilidade mantidas por vastos interesses e por jornalistas e comentadores estipendiados. A comunicação de sentido, ao público, é propositadamente ambígua, a fim de salvar as aparências. Esta gente que dirige o País não se recomenda pela decência e pela integridade. É uma "miséria moral".» [DN]

Autor:

Baptista-Bastos.
  
A jornalista do "Público" demitiu-se: sugestão de Relvas?

«A jornalista do "Público" Maria José Oliveira demitiu-se. Motivo: discordâncias sobre a forma como a direção do jornal diário conduziu o processo de divulgação da ameaça que lhe foi feita por Miguel Relvas. Avança ainda a jornalista que o jornal está a conotá-la com um programa político-ideológico, a que não se quer associar. Percebe-se a atitude da jornalista? Bom, cada pessoa, nas diversas áreas de atividade, pode sair da organização em que trabalha quando já não concorda com os princípios ou os padrões de conduta definidos pelos seus responsáveis máximos. A jornalista tem toda a liberdade para sair - não se devendo efetuar um juízo de valor sobre a sua decisão. É uma decisão pessoal de Maria José Oliveira.
  
Posto isto, se não temos legitimidade para julgar a decisão da jornalista em si, pelo seu lado pessoal, julgamos que temos, contudo, a obrigação de tentar analisar politicamente a decisão da jornalista do "Público". Façamo-lo, pois então.
  
1.º - Em primeiro lugar, mencione-se que, desde o momento em que a direção do "Público" decidiu publicar a ameaça de Miguel Relvas, coisas estranhas se passam na redação daquele jornal: o episódio da divergência pública entre o Conselho de Redação (a favor da divulgação) e a direção do jornal (contra a divulgação) ultrapassa a bizarria. É, para nós, difícil de qualificar: pela lógica das coisas,o "Público" - deveria ser o primeiros a defender - e até incentivar! - a publicação da ameaça de Miguel Relvas feita a um seu elemento da redação! Receia das consequências de afrontar diretamente o poder político. A nossa democracia é culturalmente limitada: os portugueses têm medo de falar pois sabem que o seu emprego pode estar a risco - apenas porque criticaram este ou aquele ministro. Nós ainda não conquistámos a liberdade (plena, dentro dos limites de razoabilidade) de expressão. Há um temor reverencial pelo poder político - sobretudo pelas figuras que suscitam mais dúvidas ou suspeitas, como é o caso de Miguel Relvas. Das pessoas e dos grupos empresariais: a directora do Público não quer chatear a administração, nem o grupo Sonae, que só critica Governos em momentos cirúrgicos. E através do seu Presidente Belmiro de Azevedo.
  
2.º - Deixemo-nos de rodeios: Miguel Relvas (sempre) exerceu uma pressão "amigável" sobre os jornalistas, que excedia largamente o admissível. Ora, esta pressão deixa marcas por muito independente que se seja. E a direcção do "Público" - como de qualquer outra publicação - sabem-no melhor que ninguém. O poder de Miguel Relvas mete medo (muito) a muitos. É temível. A jornalista do "Público" jogou pelo seguro - como outros (a maioria?) jogaria. As pessoas têm famílias para sustentar - e Portugal não é um país livre. Da censura de coronéis reformados passámos para uma censura difusa, cujo epicentro é uma malta que nasceu nas estruturas partidárias, sente-se impune e pensa que manda no mundo. A  directora do Público tem, pois, medo que a sua carreira tenha um fim antecipado. É que os directores do Público passam, os jornalistas são despedidos - mas o Miguel Relvas fica sempre. Esse não desampara a loja (infelizmente para Portugal). E esse muitos cordelinhos...
  
3. º - A direcção do jornal "Público" tem de explicar muito bem as razões pelas quais defende a não publicação. Tem medo? Houve ameaças adicionais? E será que Maria José Oliveira saiu porque está farta, descontente com a direcção - ou porque alguém a convidou a sair, amigavelmente, senão teria outras consequências? Eu quero ver estas questões respondidas.
  
Em jeito de conclusão, aproveito para dizer que sei que a jornalista Maria José Oliveira era incapaz de aceitar um convite de Miguel Relvas para integrar um gabinete ministerial ou trabalhar para alguém próximo do ministro. Mesmo que Relvas convide, por razões de princípio, tenho a certeza de que a ex-jornalista do "Público" rejeitará o convite. Se, de facto, saiu devido à força das suas convicções e porque acredita e luta pela Verdade, Maria José Oliveira é hoje um símbolo da resistência nacional contra a claustrofobia democrática que se vive em Portugal, agora na versão Miguel Relvas.» [Expresso]

Autor:

João Lemos Esteves
    

Professores da Madeira fazem vigília pelo emprego

«A vice-coordenadora do sindicato, Margarida Fazendeiro, explicou que o objetivo da vigília é chamar a atenção para a situação que os professores vivem e para a ausência de explicações da tutela.
  
Segundo a dirigente, há um corte de cerca 15 por cento nas verbas do Orçamento regional para o setor, mas os docentes desconhecem as áreas onde vai ser efetuado.
  
"Tememos que seja, também, à custa da redução de docentes nas escolas", declarou, referindo que outra preocupação do sindicato é o "regresso aos estabelecimentos de ensino de muitos professores que estavam destacados em alguns serviços", situação que "pode colocar em causa a manutenção de professores contratados".» [DN]

Parecer:

Há poucos meses festejavam na companhia do Alberto João e bebiam champanhe pela vitória de Passos Coelho.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à Lurdinhas se quer voltar.»
  
Grande sucesso de Portugal nos mercados

«O valor colocado atingiu o limite máximo do montante indicativo da emissão, que oscilava entre 1.250 e 1.500 milhões de euros.
  
O Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) colocou mil milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT) com maturidade a 12 meses, numa operação onde a procura superou a oferta em 2,7 vezes, valor igual ao registado no último leilão comparável.
  
O juro desceu ligeiramente face ao último leilão comparável, fixando-se nos 3,834% face aos 3,908% anteriores.» [Ongoing]

Parecer:

A verdade é que os títulos têm uma maturidade de um ano, isto é, Portugal  consegue dinheiro a coberto da protecção financeira da troika. O mais positivo é o facto de o juro ser inferior ao da troika.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns à troika.»
  
Diz-me com quem andas...

«A VISÃO apurou que a Finertec foi investigada no âmbito da Operação Furacão, na sequência de suspeitas de fraude e evasão fiscal.
  
A equipa do procurador Rosário Teixeira investigou também o  Banco Fiduciário Internacional (BFI), com sede em Cabo Verde, que aparece nos registos oficiais como o único acionista da Finertec. 
  
Segundo fonte policial, já foram constituídos três arguidos.  Os factos em investigação remontam a 2006, dois anos antes da entrada em funções de Miguel Relvas. » [Visão]

Parecer:

Este Relvas é um verdadeiro abono de família.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mantenha-se e reforce-se a posição de Relvas como ministro e número dois de Passos Coelho.»
  
Mais uma "bicada" de Cavaco

«“É através do empreendedorismo e da inovação e não através de salários baixos que Portugal pode melhorar a sua competitividade para aumentar as exportações e criar mais emprego”, afirmou Cavaco Silva à margem da entrega do Prémio “Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa” .» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Mais uma bicada cavaquista.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco se concorda com a política salarial do governo.»
  
Quem exagerou?

«“Foi lamentável, mas acontece. Um quadro da síntese de execução orçamental e do anexo saíram trocados. Isto não altera os saldos, nem a receita, nem a despesa. Apenas altera a composição das taxas de variação das componentes da receita”, clarificou o secretário de Estado.
  
O “erro” foi descoberto pela UTAO, a unidade técnica que dá apoio aos deputados na análise das contas públicas, e consiste na incorrecta classificação do IVA social na rubrica da receita não fiscal. Na prática, a quebra dos impostos indirectos passa para metade, mas a receita não fiscal também melhora na mesma medida, pelo que o défice fica inalterado.
  
Perante as acusações da oposição de que terá havido “malabarismo” com os números, Morais Sarmento foi peremptório. “A DGO tem estado sob grande pressão no seu trabalho, uma das faces visíveis disso é o aumento da informação que está disponível no boletim. É um acréscimo muito grande da informação dada ao público. Classificar um erro infeliz como malabarice é ofensivo para os funcionários daquela direcção-geral”.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Além de falar já fora de tempo o senhor secretário de Estado está enganado, se alguém abusou do erro não foram os que o detectaram ou o comentaram depois de ter sido encontrado, foi o governo que cantou sucesso porque graças a esse erro as receitas fiscais estavam a ter um excelente comportamento.

O governo aproveitou tanto este erro para cantar vitória num momento em que todos tentam aldrabar a situação real da economia portuguesa que é legítimo recear que em vez de um erro estejamos perante uma falsaificação das contas para enganar os mercados. É bom recordar que quando teve de arranjar motivos para tirar os subsídios o governo inventou um desvio colossal.

O governante só tem de pedir desculpa por aquilo que foi um erro ou uma mentira, coisa que só ele sabe. Não tem o direito de acusar ou criticar terceiros.

Errar é humano, mas não dar por um desvio percentual de tal magnitude é incompetência e essa incompetência pode e deve ser atribuída a duas personagens, ao secretário de Estado do Orçamento e ao seu director-geral. Note-se que as primeiras notícias indicavam que o responsável pelo erro era o fisco, ilibando o gang do Orçamento.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o senhor secretário de Estado para o tal sítio que cheira mal.»
  
Lagarde sugere o que sempre se fez

«“Fechava-os numa sala, tirava a chave, e só os deixava sair com um plano abrangente” para resolver a crise da Zona Euro, disse hoje a directora-geral do FMI, quando questionada sobre o que proporia para resolver a crise da dívida soberana nos países da moeda única.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

A verdade é que sempre que a Europa enfrentou uma crise os seus líderes reuniram até resolver o problema. Agora temos os Passos e os Gaspares que passam a vida com tretas e graxa à Merkel e oa crise cresce de dia para dia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»