sábado, janeiro 26, 2013

Tenho pressa Tó!


Quando vejo o Tó entrar na residência oficial de São Bento quando o Passos Coelho o convoca percebo como lhe agrada o papel de líder da oposição. Põe aquele ar sério, um olhar vago de quem suporta o enorme peso do pensamento, faz um ar de menino à espera da hóstia que foi o mais parecido que arranjou ao que entende ser um partido sério. Sai com ar de quem acabou de ser importante para o país e feliz pelo seu desempenho.
  
Compreendo que o estatuto de líder da oposição proporcione um grande conforto, tanto ou mais do que o proporcionado pelo cargo de primeiro-ministro. Em as mesmas mordomias e luxos, anda nos mesmos palácios e palacetes, é recebido com vénias pelos banqueiros, enche a despensa com vinhos de luxo oferecidos no Natal.
  
Percebe-se que se goste mais do velho amigo das jotas do que de muitos dos camaradas do partido, que com ele combine estratégias pessoais e condicione a acção dos partidos, que prefira um primeiro-ministro que governa quase na extrema-direita mas é seu amigo do que o seu antecessor na liderança no partido. Um governa e o outro faz de conta que faz oposição mas sugere que nada pode fazer porque todas as culpas sejam do seu antecessor, é mais fácil fazer oposição a um governo que já não existe do que ao governo do seu amigo.
  
Compreendo que o Tó não tenha pressa de chegar ao poder e se vá entretendo a sugerir ao amigo primeiro-ministro que não exagere na dose de austeridade e que faça da sua meia dose uma grande causa nacional. Cortar um subsídio em vez de dois, despedir 60.000 funcionários em vez de 120.000, cortar a ADSE a meio em vez de acabar com ela. Esta é a forma mais original de oposição que este país já teve, a oposição da meia dose.
  
O Tó perguntou com aquela cara que está a meio caminho entre a deficiência e a imbecilidade qual era a pressa, fê-lo três vezes sem alterar aquela cara que muito boa gente designa por cara de parvo. Pois vou responder-lhe três vezes.
  
Tenho pressa de ver na liderança da oposição alguém que faça oposição ao governo actual e não ao governo anterior, que até era do seu próprio partido. Porque uma democracia com um primeiro-ministro que aquece a bunda com livros do Salazar e um líder da oposição que pensa com a bunda é tudo menos uma democracia.
  
Tenho pressa porque quero que este governo governe melhor e que em vez de gozar com o líder do PS revendo o memorando com a troika sem lhe dar cavaco, o respeite, o tema e com isso seja obrigado a moderar as suas políticas. Quero ver um líder da oposição que seja capaz de desmontar manobras de propaganda como a ida ao bordel desta semana, que seja capaz de ser coerente e que não esteja rodeado de imbecis que pensam uma coisa mas lideram um partido prometendo fazer outra.
  
Tenho pressa porque mesmo não sendo militante do PS habituei-me a ver nesse partido a defesa de valores, a coerência de princípios, a rejeição de liberalismos e acima de tudo a defesa da democracia, da liberdade e dos direitos sociais. Tenho de pressa de ver o PS ser liderado por alguém à altura de defender o seu património histórico, que se identifique sem complexos com os seus valores e com a sua história, por alguém que queira governar Portugal em vez de ser a muleta de um amigo da ultra direita.

Umas no cravo e outras na ferradura.


 
   Foto Jumento
 
 photo gaio1_zps97a6f9fa.jpg
 
Gaio no Jardim Gulbenkian, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
 photo Manteigas_zps337bda7a.jpg
   
Varanda, Manteigas [A. Cabral]

Jumento do dia
   
Almeida Henriques, secretário de Estado da Economia

 
O secretário de Estado da Economia tentou animar o país prometendo crescimento em 2014 graças à ida ao mercado com as muletas do BCE e pagando juros acima dos da troika. O problema é que o secretário de Estado se esquece que o seu governo já prometeu crescimento a partir do segundo semestre de 2012 e, mais recentemente, a partir do segundo semestre de 2013. Será que o secretário de Estado está a pensar no primeiro ou no segundo semestre, ou estará a pensar no dia 30 de Dezembro?

Deixe-se-de tretas senhor secretário de Estado, o senhor não tem o mais pequeno fundamento para a bojarda que disse e tudo não passa de um palpite a tentar enganar os portugueses. Vá à bardamerkel!
 
«O regresso de Portugal aos mercados é determinante “para que o crescimento da economia seja uma realidade já no próximo ano”, garante Almeida Henriques, secretário de Estado da Economia.
   
O sucesso da emissão de dívida pública portuguesa, ocorrida esta semana, significa que “estão criadas as bases para que os bancos e empresas se financiem em melhores condições”, constituindo um meio “para que o crescimento da economia seja uma realidade já no próximo ano”, afirmou Almeida Henriques, secretário de Estado Adjunto da Economia e Desenvolvimento Regional.» [Jornal de Negócios]
   
 Vitinho dos mercados
 
O país já tinha um Paulinho das Feiras, agora tem um Vitinho dos Mercados. A dúvida está em saber quem volta lá primeiro, se o Portas às feiras ou o Gaspar aos mercados.


  
 A encenação
   
«Ainda que mal pergunte: se é verdade, como diz o Governo, que o défice de 2012 ficou abaixo da nova meta de 5% do PIB (fixando-se em cerca de 4,6%) e se a meta do défice acordada para 2013 é de 4,5%, por que carga de água é que este ano, para baixar apenas mais uma décima no défice (de 4,6 para 4,5%), continua a ser necessário um “enorme aumento de impostos” e um tão violento programa de austeridade adicional?

Das duas, uma: ou estamos perante a décima mais cara de sempre na história mundial dos programas de ajustamento ou a verdade é diferente da versão que nos conta o Governo - o défice real (não maquilhado por receitas extraordinárias e outras medidas irrepetíveis) é, na realidade, superior a 5% e, consequentemente, a execução orçamental falhou no cumprimento da meta fixada.

Foi justamente aqui que começou a notável encenação em três actos que o Governo montou esta semana para fazer passar a sua nova narrativa. O enredo é claro: Portugal, graças à política de austeridade do Governo e aos sacrifícios dos portugueses, está a cumprir as metas do programa de ajustamento; é porque está a cumprir que teve agora condições para pedir e beneficiar de mais tempo no pagamento da dívida contraída junto da ‘troika' e é também porque está a cumprir que conseguiu o regresso antecipado aos mercados. Em suma, tudo valeu a pena. Não é que esta história não tenha a beleza das coisas simples e até o encanto do final feliz - mas tem um pequeno problema: não é verdade. Não passa de uma encenação, sem qualquer correspondência com a vida real.
E não se trata só da ilusão sobre o cumprimento das metas do défice, quando o défice real está acima do limite fixado. A ilusão refere-se, também, ao cumprimento do conjunto do programa de ajustamento, quando a verdade é que os valores da dívida pública (120% do PIB), da recessão (3%) e do desemprego (16,3%) ultrapassam em muito todas as previsões iniciais do programa. Por outro lado, a narrativa do Governo vive do nexo fantasioso entre a "credibilidade conquistada" com esse pretenso "cumprimento" e os resultados agora obtidos no alargamento dos prazos do empréstimo contraído junto da "troika" e no regresso aos mercados.

Quanto à revisão da maturidade da dívida, o comissário europeu Olli Rehn, no final da reunião do Eurogrupo, foi muito claro, para quem o quis ouvir: o pedido de Portugal e da Irlanda será apreciado ao abrigo do princípio já estabelecido da "igualdade de tratamento" dos países sob assistência financeira, ou seja, tendo em conta as condições mais favoráveis recentemente concedidas à Grécia (não obstante todo o seu histórico de incumprimento). A conclusão é simples: diga o Governo o que disser, é o princípio da "igualdade de tratamento" e não a "credibilidade" maior ou menor de cada país que explica a predisposição favorável do Eurogrupo para rever as condições dos empréstimos concedidos tanto a Portugal como à Irlanda.

Do mesmo modo, o tão celebrado "regresso aos mercados" - inegavelmente importante e positivo, mesmo que concretizado através de uma operação sindicada e assistida - não se tornou possível, ao contrário do que pretende o Governo, em virtude das políticas de austeridade. Como qualquer análise séria reconhecerá, este regresso aos mercados tornou-se possível fundamentalmente graças a um outro factor decisivo: a nova atitude do Banco Central Europeu, que, finalmente, se declarou disponível para intervir nos mercados, de forma ilimitada, como credor de último recurso, em defesa de qualquer país da zona euro. Foi essa intervenção, precedida de volumosas operações de cedência de liquidez ao sistema financeiro, que devolveu confiança aos mercados de dívida soberana, beneficiando todos os países sob maior pressão, incluindo a própria Grécia, independentemente da extensão dos seus programas de austeridade e do respectivo grau de cumprimento.

Há tempos, Nicolau Santos sugeriu que fosse atribuído um Prémio Nobel a Vítor Gaspar se acaso viesse a ter êxito na sua política suicidária de "austeridade expansionista". A exibição desta semana não será caso para um Nobel, mas faz do ministro das Finanças um justo candidato ao Óscar da melhor encenação.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro SilvaPereira.   

 Qual é a pressa
   
«Seguro deu no fim de semana uma entrevista ao DN. Quem nela buscasse perceber como foi possível "abster-se violentamente" no OE 2012 e recusar o respetivo pedido de fiscalização da constitucionalidade e agora votar contra o OE 2013 e subscrever, em relação ao mesmo, um pedido de fiscalização que incide sobre normas que são um prolongamento das do OE 2012 (e que mereceram "chumbo" do Tribunal Constitucional) ficou na mesma. Seguro não só nada disse sobre isso, como em relação ao que é a grande novidade do OE 2013 em relação ao anterior, o brutal aumento de impostos sobre os rendimentos do trabalho, respondeu que não está em condições de "prometer aos portugueses diminui-lo" caso seja primeiro-ministro.
  
Poderá haver boas razões para esta resposta - por exemplo, não saber em que estado lhe chegariam às mãos, a chegarem, as contas públicas. Mas, a crer na versão escrita da entrevista, Seguro nada acrescenta. E como logo de seguida afirma "não aceito que se pisem linhas vermelhas" e "quando há convicções não se hesita nem há nada que nos condicione", tem de se concluir não vê uma "linha vermelha" entre considerar o OE 2013 "o maior aumento de impostos da história", votar contra ele e mantê-lo. O que será, ao certo, "ter convicções" para António José Seguro?
  
Na dúvida, os entrevistadores perguntam se não evitará prometer, para não se comprometer. Indigna--se: "Não é verdade. No site do PS estão lá todas as promessas que fiz e faço." Ala para o site do PS, então. Existe de facto uma página com "compromissos" e outra com "propostas". Na primeira, cuja última entrada é de agosto, encontram-se coisas bonitas como "criar condições objetivas para a conciliação da vida política e familiar", "fim dos offshores" e "manutenção de diálogo constante com os sindicatos". Na segunda, dividida por áreas, tem-se desde logo a surpresa de descobrir o banco de horas, a extinção dos feriados e as razões para despedimento na área "Estado social". E que na Educação se propõe "o estabelecimento de um número máximo de alunos por turma para garantir a qualidade no ensino", sem dizer qual e aparentemente desconhecendo que já existe um número máximo de alunos - aumentado por este Governo. Já quanto ao "prazo de consolidação das contas públicas", o PS "propõe um maior", porque "a austeridade poderia assim ter impactos menos violentos." Qual prazo? Adiante. Só na secção OE 2013 se encontra algo que se pareça com alternativas concretas - mas sem contabilização em medidas como "taxa de solidariedade sobre as PPP" e "sobretaxa sobre a produção hidroelétrica e termoelétrica".
  
Pode um partido cujo líder considera que o Governo não tem legitimidade por estar a fazer tudo ao contrário do que prometeu, acusando-o de destruir o País, dar-se ao luxo de tal imprecisão e trapalhice? Achará que não precisa de apresentar contas, ou que ainda é cedo?» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.
      
 É grátis atirar pedras a velhos
   
«Porque me doem as cruzes, a figadeira já não é a mesma e... e... ai, queres ver que me esqueci do que estava a dizer... ah, já me lembro! Porque há razões para isso, só agora vou escrever sobre um assunto que veio à baila há duas semanas. Carlos Peixoto, deputado pela Guarda, deitou crónica no jornal i. Onde escreveu: "A nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha." E acabou assim: "Se assim não for, envelhecemos e apodrecemos com o País." O resto do texto era sobre não nascerem portugueses suficientes, o que é facto, mas escrito por ângulo insultuoso para os idosos. Daí as tais duas frases em que aos velhos o deputado colou as seguintes ideias: contaminar, peste e apodrecer. Ele disse e foi silêncio. Na semana seguinte, Peixoto disse que quem aceita "o casamento homossexual pode também vir a aceitar o casamento entre irmãos, primos diretos ou pais e filhos...". Foi um escândalo. Ora num país que já foi governado por D. Maria I, casada com o tio, o que deu com que o seu filho, D. João VI, fosse primo direito dela e sobrinho-neto do pai, D. Pedro III, comparações tão tolas como a do Peixoto deveriam levar ao sorriso. Mas foi um escândalo, porque com a sua tolice Carlos Peixoto indispôs-se com poderoso lobby. Já o insulto à peste dos apodrecidos velhos passou incólume... E Carlos Peixoto apresentar-se-á fresco às próximas eleições, na jovem Guarda, terra de ganapada, maternidades prenhes e liceus à cunha.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
     
 Estará a falar oficialmente?
   
«O coordenador do Partido Socialista para a área da Saúde disse, esta noite, na SIC Notícias, que o Congresso será, naturalmente, antes das autárquicas. Convidado da Edição da Noite, Álvaro Beleza adiantou ainda que António José Seguro já decidiu a data e vai anunciá-la em breve.» [SIC Notícias]
   
Parecer:
 
Com esta beleza do Beleza nunca se sabe se a alminha está a falar oficialmente ou está comunicando a sua opinião pessoal
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Beleza quem anda nervoso.»
      
 Desempregados tratados como bandidos nos centro de emprego
   
«O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza denunciou esta sexta-feira que há centros de emprego que tratam os desempregados como "bandidos" e esquecem-se que, para terem direito a subsídio de desemprego, essas pessoas já descontaram para a Segurança Social.» [CM]
   
Parecer:
 
É a cultura dominante deste governo, os rejeitados são culpados da sua desgraça.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»
   
 Qual é a pressa?
   
«O secretário-geral do PS, António José Seguro, convocou com "caráter de urgência", para terça-feira, uma reunião da Comissão Política Nacional, disse esta sexta-feira à agência Lusa fonte oficial dos socialistas.» [CM]
   
Parecer:
 
Afinal parece que é o Seguro que está com pressa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 No Portugal dos Sovietes
   
«A associação dos juízes explica que decidiu fazer um "esclarecimento público" na sequência das notícias divulgadas na comunicação social sobre o caso de uma mãe a quem foram retirados sete dos nove filhos para adoção.
  
Segundo a nota da associação feita em articulação com a juíza presidente do Tribunal da Comarca da Grande Lisboa Noroeste, esta decisão judicial de maio de 2012, que refere que "a mãe efetivamente não procedeu à laqueação das trompas - o que traduziu uma violação de um compromisso assumido em acordo de promoção e proteção -, não determinou a confiança dos menores a uma instituição por essa razão".» [DN]
   
Parecer:
 
Os magistrados poderão ter muita razão, mas esta intromissão de uma associação sindical na gestão da Justiça é digna dos sindicatos da ex-URSS. Só não o é porque nem na ex-URSS alguém se lembraria de criar sindicatos ou associações sindicais de magistrados.

Por este andar o Cavaco ainda cria o sindicato do Presidente e o Passos o sindicatos dos ministros.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
     

   
   
 photo Anton-Yankova-5_zpsa4a80785.jpg
  
 photo Anton-Yankova-4_zps8d980386.jpg
   
 photo Anton-Yankova-2_zps196409e5.jpg
   
 photo Anton-Yankova-3_zps09860290.jpg
  
 photo Anton-Yankova-1_zpsd6b3e2a6.jpg

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Agarrem-se, vem aí o crescimento!


Esta ida ao mercado continua a parecer uma ida às ditas, mas pela ressaca a que estamos a assistir o mercado em vez de um bordel foi uma casa de alterne e os nossos mercadores terão bebido demais. Foram ao mercado apoiados nas muletas do BCE e com um pedido de um novo resgate entregue em Bruxelas e voltaram endiabrados a prometer crescimento.

O Borges declara o fim da austeridade, o petit Marques Mendes anuncia acordos e Marques Mendes anuncia que acabou a estrada municipal esburacada da austeridade e a viatura vai começar a deslizar a grande velocidade na sua autoestrada do crescimento económico. Não senhor, o país não está vendo partir os seus melhores quadros, os portugueses não foram sujeitos a cortes brutais de rendimentos, o risco de confronto social não existe, o investimento não desapareceu, a banca tornou-se generosas. 

Tudo está a correr bem, a procura externa cresce a olhos vistos e a procura interna faz lembrar os tempos em que os portugueses eram uns gandulos que se fartavam de brincar ao Carnaval, tinham feriados em barda e governos de doidos davam semanas de tolerância para juntar o Natal à Passagem do Ano. As empresas procuram desesperadamente trabalhadores, o mercado imobiliário reanimou, o pessoal da construção voltou ás obras, as esplanadas voltaram a encher e até as discotecas de Albufeira já pensam na hipótese de pedir ao Álvaro que crie reinstaure o fim de semana à portuguesa, com a sexta-feira como dia de descanso.

Há qualquer coisa de errado quando um governo se convence de que basta um tal Passos Coelho fazer um sorriso aos mercados para que haja um congestionamento na IP5 provocado por um grande afluxo de investidores que vão provocar um crescimento em enxurrada. No meio de toda esta bebedeira iniciada pela declaração de António Borges vem a coitada da secretária de Estado do Tesouro alertar que não se pode aliviar a austeridade que quisermos ir ao mercado com as muletas da troika. Alguém se esqueceu de dizer à senhor que o novo discurso não passa de propaganda, querem acenar com a cenoura para que, em troca, os portugueses continuem impávidos e serenos enquanto o Gaspar reformata as classes sociais eliminando a classe média e reduzindo ao mais pobres à miséria ao mesmo tempo que destrói o Estado Social.

Esta ida ao mercado não passa de uma imensa manobra de propaganda destinada a chantagear o Tribunal Constitucional, a reanimar as hostes desorientadas com as sondagens e a aproximação das autárquicas e preparar mais uma vaga de destruição do modelo social herdado do 25 de Abril. Esta gente não está minimamente preocupada com o crescimento da economia, o crescimento que procuram é o crescimento eleitoral do PSD, o mesmo senhor que se estava lixando para as eleições está-se, afinal, lixando para os portugueses e não hesita em usar as suas expectativas e esperanças para se salvar a si próprio.

Umas no cravo e outras na ferradura.


 
   Foto Jumento
 
 photo grafito-Lx_zpsd0253d46.jpg
   
Grafito, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
 photo Grafito-PT_zps8b2cc073.jpg
   
Grafito, Porto [A. Moura]

Jumento do dia
  
Joana Marques Vidal, Procuiradora-Geral da República

Uma lei ou viola ou não viola a Constituição e para uma instituição responsável pela defesa da legalidade a questão não se pode colocar no ser ou não adequado pedir a fiscalização de uma lei, da mesma forma qu e perante um crime cometido por um cidadão não se questiona se é ou não adequado abrir um processo crime contra o suspeito.

A Procuradora-Geral devia explicar ao país com base em que critérios entende se adequado pedir ao TC que fiscalize uma lei, o país percebeu que além da Constituição a defesa da democracia é feita com base em critérios que não constam na lei e que são os de alguém que ninguém elegeu. Convinha conhecer os critérios da senhora.

Parece que o amor ao MP é extensível ao governo que propôs o seu nome para o cargo e isso é muito mau pois nesta coisa da justiça não convém parecer, a lei deve ser clara, objectiva e igual para todos.
 
«"A Procuradora-Geral da República considerou não ser adequado usar do poder conferido pela alínea e) do n.º 2 do artigo 281.º da Constituição da República Portuguesa, pelo que não requereu a fiscalização sucessiva, abstracta, da constitucionalidade da LOE de 2013", declarou a PGR em resposta ao Diário Económico.

Os juízes contestavam o corte de subsídios em simultâneo com a aplicação da sobretaxa de IRS, considerando que estas medidas violam os princípios da proporcionalidade e da progressividade.» [DE]
   
 Dúvida
 
A ida aos mercados teve por objectivo obter financiamento e dispensar o da troika que é feito a juros mais baixos ou para fazer chantagem sobre o Tribunal Constitucional?
 
 A nova estratégia de António Borges

Parece que António Borges não é assessor de Vítor Gaspar apenas para as privatizações, também o ajuda a definir a estratégia política. Agora veio anunciar que já não era necessária mais austeridade. Mas cuidado, ele não está a pensar em todas as vítimas, apenas nalgumas, deixou de fora tudo o que seja despesa. Isto é, o que o António Borges propõe ao governo é que poupe os ricos e o sector privado, que lixe apenas a Função Pública e os pensionistas.

 Dúvida
  
O António Borges que pediu o fim da austeridade é o assessor do Gaspar ou o administrador do Pingo Doce?
 
 A ida ao mercado
 
Esta ida ao mercado faz-me recuar às escassas semanas que passei na 6.º Companhia do Regimento de Infantaria de Mafra. Ali os primeiros quinze dias eram passados sem saídas do quartel e sem descanso, sais só as de algumas senhoras das limpezas que atravessavam a parada e nelas havia quem adivinhasse uma top model. Mas uma boa parte dos recrutas, exaustos pela instrução até desconfiavam de que a tropa metia um produto no vinho para nos acalmar as almas.
 
No primeiro fim de semana passado fora do quartel houve muito boa gente que foi a casa com a mesma ansiedade com que o Gaspar foi ao mercado. Calculo também que o Gaspar terá sentido uma sensação idêntica à de um orgasmo, ainda que tenha ido tão amparado e apoiado no BCE que se diria que a ter tido um orgasmo seria algo mais parecido ao que se sente num bordel do que a sensação que se tem com a namorada.
      

  
 Apertar o cinto é para os outros
   
«A Fernanda Câncio tem a mania de ler relatórios, e o do FMI sobre Portugal leu-o até às assinaturas. Entre estas, ela desencantou o nome de Carlos Mulas-Granados, espanhol, diretor da Fundación Ideas, dos socialistas espanhóis. A Câncio tem o hábito de não guardar para si as perplexidades que encontra. Aqui, no DN, na semana passada, ela seguiu a pista do estranho socialista espanhol, à partida avesso ao aperta-aperta do relatório de que foi um dos autores. Começou por se saber que no Carlos Mulas (é assim que é conhecido em Espanha) havia uma coerência, digamos, endógena. Em se tratando do corpo castelhano, o homem era pra-frentex, assessor de Zapatero e autor dos programas eleitorais do PSOE. Mas quando emigrava dava-lhe - pelo menos no caso português, deu - para a austeridade: corta!, era a sua ordem preferida. O seu slogan seria, pois: "Austeridade num só país (o do lado)!" Foi esta criatura que Fernanda Câncio escalpelizou, aqui. Ontem, o jornal El Mundo descobriu que a fundación que o Mulas dirigia publicava textos pagos de uma tal "Amy Martin". Esta escrevia que se desunhava (do cinema nigeriano à medição da felicidade) e fazia-se cobrar bem (50 mil euros de crónicas em dois anos). Tudo bem, não fora a Amy ser o Mulas, que já foi demitido. Se já com Espanha Carlos Mulas-Granado era antiausteridade, consigo próprio era a favor de um regabofe. No fundo, o costume: o cinto dos outros é que é de apertar.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.   
     
     
 Até tu Freitas?
   
«O ex-ministro Freitas do Amaral defendeu hoje que é possível aumentar os impostos sobre as "camadas mais ricas" manifestando-se contra "cortes cegos" na despesa e acusou o Governo de "estar à deriva".

"Quer alargando a base social, quer tributando mais os que tem mais privilégios e os que vivem melhor, nós podíamos aumentar substancialmente a receita fiscal", afirmou Freitas do Amaral, manifestando-se contra "cortes cegos na despesa", em declarações aos jornalistas na Reitoria da Universidade de Lisboa, onde participou num debate sobre o Estado Social, promovido pela Antena 1.» [DN]
   
Parecer:
 
Parece que Freitas do Amaral não ficou convencido a apoiar o gasparismo apesar da brincadeira nos mercados.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
      
 O Borges não ou viu SImon O'Connor?
   
«Em entrevista à Rádio Renascença, António Borges admite que "os nossos compromissos já são exclusivamente compromissos com a Europa. Já temos a economia equilibrada e, em muito sentido, já não precisávamos de mais austeridade nenhuma. Temos é o compromisso de ir gradualmente reduzindo o défice."» [DN]
   
Parecer:
 
Compreende-se a estratégia manhosa de Borges, é preferível tentar ganhar as eleições a perdê-las com a paranoia gasparista da austeridade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Borges se está sugerindo a demissão de Gaspar ou está sendo cínio ao propor que se lixem apenas os funcionários públicos.»
   
 Contrarrevolução imposta pela troika
   
«O coordenador científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa, Boaventura de Sousa Santos, alertou hoje para o processo de contrarrevolução imposto pela "troika", que procura "destruir os direitos adquiridos e os avanços civilizacionais" conquistados pelo 25 de Abril.
  
"O Direito imposto pela 'troika' parece estar a ser hierarquicamente superior ao Direito Constitucional e o apelo que deixo é que deve aprofundar-se a democracia da Justiça e que esta não participe neste processo de contrarrevolução. A 'troika' está a inverter o fundamento da Justiça e de todo o sistema judiciário", disse à agência Lusa o sociólogo, que vai falar sobre esta matéria na sexta-feira, em Coimbra, numa conferência subordinada ao tema "O que seria uma revolução democrática da Justiça".» [DN]
   
Parecer:
 
Imposta pela troika ou pelo governo com a cobertura da troika?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Gaspar quem escreveu o relatório do FMI.»
   
 Então não está?
   
«O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Guido Westerwelle, destaca o “enorme esforço” que tem sido feito por Portugal e os resultados que daí surgem. Portugal “está a caminho de se tornar um caso mais bem sucedido do que era antes da crise”, afirma.

“Pela primeira vez em sete anos, vemos alguma luz ao fundo do túnel”, disse Guido Westerwelle sobre o fim da crise que assolou a Europa. As declarações foram feitas durante o I Fórum Portugal-Alemanha que está a decorrer em Lisboa.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
Portugal respira sucesso!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o senhor à bardamerkel.»


   
   
 photo oskinpavel-5_zpsf68d8faf.jpg
  
 photo oskinpavel-4_zpsfa9d2ee7.jpg
   
 photo oskinpavel-2_zps7341af22.jpg
   
 photo oskinpavel-3_zps83dba98e.jpg
  
 photo oskinpavel-1_zps194b9f6c.jpg

quinta-feira, janeiro 24, 2013

Brincar aos papás e às mamãs


A ida de Gaspar ao mercado está para o financiamento da dívida portuguesa como a brincadeira de crianças aos papás e às mamãs está para a taxa da natalidade., não passa de uma brincadeira de faz de conta. Só que Gaspar quer fazer passar a ideia de que poderá ir aos mercados se os portugueses aceitarem todas as suas políticas, isto é, tornar definitivo o empobrecimento de todos os portugueses que dependem de um salário e permitir a eliminação do Estado Social reduzindo-o às funções policiais, à caridade e a um sistema de saúde que vise apenas impedir a proliferação de epidemias que possam surgir nos meios mais pobres, um pouco como a antiga rede de dispensários.
  
Esta intenção de Gaspar tornou-se evidente quando a primeira entidade a vir a público elogiando a operação e chamando a atenção para a necessidade de prosseguir na política do Gaspar foi precisamente o tal Simon O’Connor que nunca se percebe muito bem se está falando em nome do comissário ou fazendo um frete ao Gaspar.
  
A verdade é que da mesmas forma que as crianças não fazem meninos quando brincam também o Gaspar não resolveu qualquer problema e os grandes beneficiários da operação foi a banca, as suas acções subiram e ainda puderam comprar dívida com juro de quase 5% tendo-se financiado com juros de 1%. Não admira que tenham sido os primeiros a vir a público tecer grandes elogios.
  
Em dois dias o Gaspar fez uma brincadeira nos mercados a coberto da iniciativa da Espanha e com a ajuda das muletas do BCE e os portugueses em vez de estarem a discutir o segundo resgate estão sendo embalados com uma manobra que mais do que financeira foi pura propaganda. Se Portugal já consegue ir aos mercados financiar-se por taxas próximas das praticadas pela troika e a tendência é para melhorar, então porque razão no dia anterior o mesmo Gaspar pediu ao Eurogrupo o prolongamento da dívida, isso tempos depois de ter obtido um adiamento do prazo para cumprir o défice.
  
Vítor Gaspar passa a mensagem de que quer libertar o país da troika indo brincar aos papás e às mamãs nos mercados financeiros, mas por trás e sem qualquer debate ou sem que ninguém seja ouvido vai a Bruxelas prolongar todos os prazos, forçando o país a assumir compromissos muito para além do fim da legislatura.
  
Ao forçar o país a compromissos para um prazo que vai muito para além do mandato deste governo e ao promover uma reforma do Estado com base num relatório que mandou o FMI assinar e faz questão de ignorar quaisquer valores constitucionais, Vítor Gaspar pretende governar sem regras. Gaspar não foi ao mercado buscar dinheiro, foi ao mercado buscar a legitimidade financeira que na sua opinião se sobrepõe e deve fazer soçobrar a legitimidade democrática.

Com as calças do BCE o Gaspar até pareceu um grande ministro das Finanças, mas a verdade é que o mercado de que Portugal precisa não é o falso mercado financeiro, é o mercado mundial para as nossas exportações, o mercado da construção para salvar a nossa construção civil e o mercado interno para salvar milhares de empresas à beira da falência. E quanto a esse mercado parece que o Gaspar sofre de alergia, talvez porque o seu amigo O’Connor não se mete nesses assunto. Resta-nos o Álvaro, ao menos esse fala de mercados, de concertação social e de crescimento económico.

PS: Parece que o José Seguro perdeu duas oportunidades, uma de ficar calado e a outra de dizer alguma coisa de jeito. Optou por dizer banalidades e com declarações como esta ou como as opiniões pessoais de pares como um tal Beleza o PS arrisca-se a nunca mais passar dos 34% de intenções de votos.

Umas no cravo e outras na ferradura.


 
   Foto Jumento
 
 photo Lagos_zpse79d0c58.jpg

Lagos
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
 photo Espigueiro-moderno_zpsba407aa3.jpg
   
Espigueiro modernaço [A. Caral]   

Jumento do dia
  
Cavaco Silva
 
Cavaco Silva cumpriu dois anos como Presidente da República ou, para se ser mais rigoroso e preciso, como presidente da república pois o seu péssimo desempenho presidencial não justifica que se gastem maiúsculas. O mandato presidencial de Cavaco Silva tem sido muitos pontos abaixo do sofrível, tem sido mau. Começou torto e não parou de entortar.

Com Cavaco a presidência quase desapareceu, deixou de ser um factor de estabilidade, ficou pobre, sem grande classe e arrasta-se com os portugueses à espera que chegue tão depressa quanto possível, porque uma democracia não pode ter presidentes ausentes ou fraco e muito menos assessorado por gente capaz de conspirar contra a democracia, inventando escutas telefónicas

Cavaco cumpriu dois anos, isso significa que o país precisa de três penosos anos para voltar a ter um Presidente.
    
 Portugal foi ao mercado
 

Amanhã o país regressa  à sua realidade, às empresas à beira da falência, à evasão fiscal generalizada, ao OE inexequível, ao desemprego galopante, à recessão crescente, à dívida soberana nos 120% do PIB. Essa é a realidade que não muda só porque em vez de se financiar na troika o governo se financiou no mercado pagando juros dignos de agiotas, juros bem mais elevados do que aqueles que os bancos pagam pelos depósitos a prazo. O bancos compraram dívida portuguesa cobrando quase 5% com dinheiro que compraram ao BCE por 1%.

É uma pena que não se saiba quem comprou e que juro ganhou, não é difícil de adivinhar que a presença da banca portuguesa e das suas off shores ou os amigos alemães estiveram presentes em força, isso para não falar dos camaradas de Pequim.


  
 O (det)Estado Social
   
«O actual Governo tem um problema com o Estado Social. Curiosamente, o Executivo não mostra problemas com a industria financeira.

Exemplo recente 1: o Governo não hesita em injectar dinheiros públicos em mais um banco, neste caso o Banif. Note-se: trata-se mais uma vez de um banco recheado de figuras políticas nos seus órgãos sociais (do PSD-Madeira, por exemplo) e de outras mais discretas ligadas directamente ao actual executivo (incluindo, segundo foi descoberto, o sócio de um actual governante).

Exemplo recente 2: a tutela não emite palavra quando a CMVM anuncia avançar com uma queixa-crime contra uma associação cívica que se manifestou contra a contratação de um director especialista do Millenium BCP que fundou quase 30% das ‘off-shores' criadas sob a tutela do Jardim Gonçalves, condenado em tribunal por processo lançado pela própria CMVM.

Note-se: este é o mesmo Governo para o qual a "sociedade civil" é um selecto número de personalidades que aceitam o seu convite para discutir a reforma do Estado à porta-fechada.Ora isto, é muito curioso. Porquê?! Porque é claro que se havia sector a portar-se mal antes da actual crise não era o Estado português.

Exemplo recente 1: O sector público era minoritário na dívida total portuguesa em 2007, correspondia a 25,3%. Note-se: com a crise (tendo injectado já 5,6 mil milhões de euros no BCP, BPI, CGD e Banif e outro tanto nos casos BPN e BPP) essa proporção aumentou para cerca de 35%, notavelmente ainda uma componente minoritária do nosso problema com a dívida total.

Exemplo recente 2: as despesas com protecção social sempre estiveram abaixo da média da UE-15. Note-se: os apoios às famílias e aos desempregados têm-se reduzido em plena crise, Portugal tinha em 2012 gastos sociais 3% menores em termos reais que em 2007. No meio de tudo isto qual a prioridade do Governo? Encomendar ao FMI (e agora à OCDE) textos para os quais fornece as opiniões, os dados, e as recomendações de proposta.

É tempo destes governantes esclarecem para quem governam e através de que interpostas organizações querem governar.» [DE]
   
Autor:
 
Sandro Mendonça.   
   
  

 Gente do FMI
   
«O vice-presidente da Fundação Ideas, vinculada ao PSOE, demitiu hoje o diretor da instituição, Carlos Mulas Granados -- um dos coautores do estudo do FMI sobre Portugal -, depois de comprovar que recebeu por trabalhos que assinou com um pseudónimo.

Jesús Caldera explica em comunicado ter tomado a decisão depois de "verificar as informações que apontavam à falsa autoria de um conjunto de trabalhos pagos pela fundação a quem assinava com o nome de Amy Martin".» [DN]
   
Parecer:

Boa gente.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se..»

     
 Ai Jesus!
   
«“O Ministério Público (MP) devia deixar de fazer investigação direta e ser polícia. A Policia Judiciária devia ser a polícia de investigação”, defendeu, na manhã desta quarta-feira, o advogado Daniel Proença de Carvalho, que acrescentou que Portugal assiste a “uma regressão no sistema de justiça e tem magistrados do MP a mais, em comparação aos restantes países da União Europeia”.» [CM]
   
Parecer:
 
Os inimigos que o Proença foi arranjar... e depois como é que se faziam julgamentos na praça pública, telenovelas na TVI inspiradas em famosos casos e escutas divulgadas, como é que a Felícias podiam continuar a ganhar o pão de cada dia com jornalismo de investigação?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se e sugira-se ao Porença que em vez de dizer destas se meta na fila para patrocinar o próximo congresso do pessoal da política de toga.»
      
 Devemos cada vez mais
   
«Os dados trimestrais da dívida pública do gabinete oficial de estatísticas da UE revelam que, além de ter a terceira dívida pública mais elevada, Portugal também registou a terceira maior subida entre o segundo e o terceiro trimestres de 2012 (2,9 pontos percentuais), apenas atrás da Irlanda (5,9 pontos) e da Grécia (3,4 pontos).
  
Comparativamente com o terceiro trimestre de 2011, a dívida pública portuguesa aumentou 9,9 pontos (era, na altura, de 110,4% do PIB), com os maiores aumentos homólogos a pertencerem a Chipre (17,5 pontos), à Irlanda (13,4 pontos) e a Espanha (10,7 pontos) e as maiores descidas à Hungria (4,8 pontos) e à Letónia (3,6 pontos).» [CM]
   
Parecer:
 
Não faz mal, já podemos ir ao mercado para podermos ficar a dever mais ou ubstituir a dívida velha por dívida mais fresca.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Ouvir o O'Connor paa perceber o Gaspar
   
«A Comissão Europeia expressou hoje a sua satisfação pela emissão de dívida levada a cabo pelo governo português, mesmo antes de serem conhecidos todos os detalhes da operação.

"A Comissão Europeia saúda este passo do governo português, é outro sinal do reforço da confiança em Portugal, que se tem traduzido numa queda gradual das taxas de juro ao longo dos últimos meses", declarou ao Expresso Simon O'Connor, porta-voz do executivo comunitário para os assuntos económicos e monetários.

Para Bruxelas, a "implementação vigorosa" do programa de ajustamento pelo governo é um dos factores que contribuiu para o êxito da operação, a par do "apoio alargado" de que o mesmo dispõe e também dos esforços europeus para conter a crise. Por isso, o governo português não deve tirar o pé do acelerador.

"Para manter esta tendência positiva e para Portugal continuar a avançar em direcção ao regresso pleno aos mercados, é muito importante que Portugal continue a executar as reformas previstas no programa", acrescentou o porta-voz de Olli Rehn.» [Expresso]
   
Parecer:
 
A melhor forma de perceber as intenções do Gaspar é ouvir o Simon O'Connor, ele fala em regra articulado com os objectivos políticos do Gaspar, sempre que o ministro precisa lá aparece o porta-voz do comissário europeu dos assuntos monetários. Desta vez o recado do O'Oconnor é claro, esta ida de muletas ao mercado deve servir para os portugueses aceitarem a destruição do Estado Social defendida no relatório do Gaspar que o FMI assinou e que o mesmo O'Connor prontamente apoiou.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Gaspar porque não contrata o Simon para chefe do seu gabinete de imprensa.»
   
 Vaticano é uma imobiliária de luxo
   
«O Vaticano continua a acumular riqueza. A prova é que o seu património imobiliário internacional não para de crescer. Alguns dos edifícios comerciais nos bairros mais caros de Londres, muitos dos quais adquiridos nos últimos anos, são parte de um império imobiliário 'secreto' da Igreja Católica na capital britânica, de que são exemplo a sede do banco de investimento Altium Capital, na esquina da praça St. James com a Pall Mall, e as instalações da joalharia Bulgari, em New Bond Street.

A Igreja tem também prédios de escritórios de luxo em França, nomeadamente em Paris, e na Suíça.

Segundo revela o "The Guardian", a carteira internacional de imóveis da Igreja Católica, expandida ao longo dos anos, foi criada com dinheiro pago por Mussolini, em troca do reconhecimento do regime fascista pelo Papa, em 1929.» [Expresso]
   
Parecer:
 
Uns filhos da mãe esta padralhada do Vaticano.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
 Más notícias num dia feliz para Gaspar
   
«A quebra da receita do Estado absorveu mais de 80% do corte na despesa pública nos primeiros nove meses de 2012, estima a UTAO, que considera que só uma execução "muito favorável" no último trimestre permite cumprir défice.
  
Numa nota sobre as contas das administrações públicas do terceiro trimestre do ano passado em contabilidade nacional (a que conta para Bruxelas), a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) diz que cerca de 4/5 da diminuição observada ao nível da despesa pública acaba por ser absorvida pela queda na receita.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
Não bastava o nível da dívida estar nos 120%, no mesmo dia em que o Eurostat divulga este dado vem a UTAO dizer que a coisa está feia no OE de 2012. São uns desmancha prazeres.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguardem-se pelas contas finais.»
   
 Estes boches da Merkel são mesmo um exemplo!
   
«A Universidade de Düsseldorf abriu um inquérito no caso do doutoramento da actual ministra federal de Educação, por suspeitas de plágio.

As suspeitas em relação à tese de Annette Schavan, 57 anos, colega de partido e de Governo de Angela Merkel, avolumavam-se há meses. Agora, com 14 votos a favor e uma abstenção, o conselho científico da faculdade considerou que as alegações são suficientemente fortes para uma possível retirada do título, e aprovou um procedimento para determinar se as acusações têm ou não fundamento.» [Público]
   
Parecer:
 
Que vergonha, uma ministra da Educação de que o nosso ministro tanto gosta suspeita de plágio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   

   
   
 photo Bagdasar-5_zps28836b43.jpg
  
 photo Bagdasar-4_zps55e4fde4.jpg
   
 photo Bagdasar-3_zps1e766e37.jpg
   
 photo Bagdasar-2_zps352375b9.jpg
  
 photo Bagdasar-1_zps1db79b73.jpg