sábado, fevereiro 02, 2013

Boicotar o Ulrich e o BPI é um duplo dever cívico


A opinião do boche Ulrich vale tanto quando a de qualquer desempregado ou emigrante ucraniano que tenha adquirido a nacionalidade portuguesa, aliás, no caso do emigrante ucraniano até podemos dizer que veio para cá trabalhar enquanto o suor dos Ulrich de Hamburgo sempre cheirou a dinheiro.
De um ponto de vista académico a opinião do senhor Ulrich, ou dr. Ulrich como parece gostar de ser tratado pelos jornalistas, vale menos do que a do nosso Artur da ONU, a verdade é que o Artur ainda é licenciado, coisa que o Ulrich não é. Portanto quando o senhor Ulrich fala de economia equivale a ouvir um canalizador dissertar sobre arte contemporânea.
  
De um ponto de vista cívico o senhor Ulrich não tem uma carreira que lhe permita falar com ares de quem é um senador da República, tanto quanto se sabe sempre falou em nome de interesses financeiros e tem o mau hábito de confundir com facilidade os interesses dos portugueses com as suas expectativas de prémios e remunerações que espera receber no fim do ano.

O país não deve nada ao senhor Ulrich, ele é que deve muito ao país e aos contribuintes pois se não fosse o dinheiro destes estaria agora na fila do centro de emprego. Se não fosse o investimento do dinheiro dos contribuintes usado na recapitalização do banco para compensar a sua incompetência enquanto gestor o seu banco estaria agora à venda pelo melhor preço. A verdade é que o Sr. Ulrich tinha um banco incapaz de assumir os riscos resultantes dos seus investimentos especulativos em dívida grega. O senhor Ulrich que tanto gosta de dar raspanetes ao país pôs em risco o dinheiro dos seus accionistas e clientes em investimentos cujos riscos se veio a saber não terem cobertura.

Se o país não deve nada ao senhor Ulrich, se a sua opinião não vale a ponta de um chavelho. Se o senhor não é propriamente o líder de uma ONG e muito menos um benfeitor, então porque tem a mania de dar lições ao país, de defender que todo um povo pode sofrer como sem abrigos? Como se explica que uma besta quadrada destas tenha tanta audiência junto da comunicação social?

A resposta é simples e resume-se a uma palavra: CORRUPÇÃO.

O senhor Ulrich dá-se ao luxo de se armar em parvo quando lhe apetece e ser notícia de primeira página porque vivemos num sistema corrupto e enquanto “dono” da massa o senhor Ulrich está no topo de uma pirâmide alimentar que é um sistema político que se alimenta de corrupção. Os banqueiros compram publicidade com a mesma facilidade com que compram políticos, vivemos num país onde jornalistas e políticos disputam a vez para lamberem os ditos aos banqueiros. É por isso que os banqueiros dizem os que lhe apetece e não há um único político que ouse dizer uma única palavra contra.

O que o senhor Ulrich está fazendo é usar o imenso poder que tem para apoiar uma política que o favorece, está usando o seu poder para manipular opiniões e condicionar o curso da democracia portuguesa. Cada cidadão tem direito aa um voto, mas neste sistema altamente corrupto o senhor Ulrich vale tantos votos quantos os que conseguir influenciar com a sua imensa máquina de comunicação.

O senhor Ulrich é um furúnculo na democracia portuguesa, por isso deve ser lancetado, o pus deve ser extraído e a ferida devidamente infectada antes que se propague a todo o sistema e a democracia mora de septicemia. Boicotar o senhor Ulrich e o seu BPI já é mais do que um dever cívico de qualquer cidadão que ame a democracia e o seu país, é também uma questão de higiene pública. Boicotar o senhor Ulrich é o equivalente a recolher a caca do cão quando vamos passear o bicho à rua, é velar pela higiene pública.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
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Faro
   
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Janela [A. Cabral]   

Jumento do dia
  
Deputados portugueses
 
Os deputados do PSD e do CDS decidiram pedir à RTP para voltra a transmitir o TV Rural. Agora espera-se que os mesmos deputados se reunam com o cardeal patriarca para que este interceda junto do papa para que o eng. Sousa Veloso possa ressuscitar. Espera-se ainda que muito em breve a direita paramentar aprove a transmissão do Bonanza, do Speedy Gongalez e da Vaca Cornélia.
 
«A maioria parlamentar PSD/CDS-PP recomenda ao Governo, num projecto de resolução que será debatido nesta quinta-feira no Parlamento, a recuperação de um programa televisivo da RTP do tipo TV Rural (emitido entre 1960 e 1990) como forma de cumprir o serviço público. Toda a oposição condena a medida considerando-a uma “ingerência” na programação da televisão do Estado.» [Público]


  
 Do Rato e dos Homens
   
«Não fossem os portugueses ainda com emprego ficar mesmerizados com os recibos do ordenado de janeiro, o PS encenou, esta terça-feira, um grandioso espetáculo no Rato. Coisa shakespeariana: um rei fraco rodeado de lugares-tenentes aos gritos de deslealdade e conspiração ante o anúncio de uma pretensão ao trono, uma reunião à porta fechada e um final em que o monarca, depois de chamar e deixar chamar tudo a quem possa pô-lo em causa, abraça o concorrente que não chega a sê-lo e assume o compromisso de com ele trabalhar em prol da união do reino.
  
Em Shakespeare, como em geral, o pano nunca cai depois de uma cena destas. É só o princípio da intriga e de sangrentas congeminações que inevitavelmente nos revelam a natureza das personagens e da sua relação com o poder. E que sabemos nós das personagens? Comecemos pelo rei. Há um ano e meio no trono, não só tarda em mostrar o seu projeto e valor no campo de batalha como se rodeia de uma corte apagada e sem chama que, na noite de terça, mostrou também (com raras exceções, como a de Zorrinho) ser vil. É um monarca que não hesita em recorrer ao insulto, à ameaça e a insinuações de conspiração - chama desleais aos que com ele não concordam e que o consideram inadequado, fala ou deixa que por ele falem de "limpar o partido e o grupo parlamentar" (atribuído pela SIC, na noite de terça, à direção socialista), acusa quem o defronta de "querer regressar ao passado", dando alento aos boatos que dizem ser o rei anterior a comandar, do exílio, a sublevação. Para, numa entrevista na noite seguinte, fazer de magnânimo e amnésico, cumulando de elogios o adversário da noite transata.

Quanto a este, alcaide valoroso e respeitado, com legítimas aspirações ao trono, renunciou a bater-se por ele quando ficou livre. Desde a coroação, porém, não perde uma ocasião de demonstrar o seu desagrado e até desprezo pelo ora rei. Era, pois, previsível que aglutinasse a esperança dos que consideram estar o reino mal dirigido e veem nele a esperança da vitória contra o inimigo e a salvação do povo. Como explicar, pois, que na famosa noite, quando todos esperavam que se perfilasse como candidato ao trono - o que só pode decorrer do facto de o ter confirmado aos próximos - se tenha ficado? Faltou-lhe a coragem, as ganas? Percebeu que não estava garantida a vitória e só quer arriscar não arriscando? Habituou-se ao conforto de criticar, na sua cátedra da SIC, sem correr o risco de provar que sabe e quer fazer melhor? Sentiu-se traído, na hora H, por aqueles de quem esperava apoio? Ou, como alguns aventam, recuou para tomar balanço, fazendo do recuo (o acordo da união) repto? Seja qual for a resposta certa (senão todas), sabemos, como sabem os protagonistas, isto: que na noite de terça algo se partiu no PS, e não há pantomina de união que o disfarce. O trono pode ter sido segurado, mas o reino está longe de seguro.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.
   
 A remodelação possível
   
«A remodelação governamental minimalista que ontem foi oficialmente anunciada – no culminar de um bizarro Processo de Remodelação Em Curso (PREC), que se prolongou por vários dias – ficou muito aquém das expectativas.

Como facilmente se percebe, esta remodelação não mudará nada do que, de essencial, precisava de mudar - e essa é a mais perfeita definição de uma remodelação falhada. Mas o que mais impressiona é que, ao fim de pouco mais de ano e meio de Governo, esta seja, sobretudo, a remodelação possível.

Num Governo, já se sabe, bem mais importante do que os nomes são as políticas - e essas dependem, em última análise, do próprio primeiro-ministro. Mas os nomes, sem dúvida, também contam, até porque as políticas não poderão ser remodeladas enquanto permanecerem os seus principais protagonistas.

Manifestamente, o Governo de Passos Coelho precisava de uma remodelação. Uma grande remodelação, uma remodelação a sério. Uma remodelação que fosse capaz de responder a pelo menos três problemas fundamentais: em primeiro lugar, a necessidade óbvia de reforçar o núcleo político do Governo; em segundo lugar, a urgência de libertar o Executivo de algumas imparidades e de certos erros de ‘casting' ao nível ministerial e, em terceiro lugar, a conveniência de começar a corrigir a disfuncional orgânica do Governo, que tão gravemente prejudicou a operacionalidade dos ministérios tornados demasiado grandes para uma gestão eficaz.

Como está bem de ver, esta remodelação não resolve nenhum destes problemas, tal como não resolve nenhum outro problema verdadeiramente fundamental. Limita-se, apenas, a alguns ajustamentos pontuais e de escassa relevância ao nível dos secretários de Estado. Nesse sentido, terá alguma razão o primeiro-ministro quando diz que esta remodelação "não terá dignidade para ocupar grande destaque político no debate interno". Com efeito, o que muda não desperta grande interesse e não merece grande discussão. Mas já não se pode dizer o mesmo daquilo que não muda. Porque o que realmente merece atenção é o próprio facto de esta ser uma remodelação falhada, uma remodelação que passa ao lado de tudo o que é essencial nos problemas políticos e funcionais do Governo.
É claro, poderá sempre dizer-se que, apesar de todas as evidências várias vezes assinaladas pelos mais relevantes comentadores políticos (incluindo os que acumulam com a condição de ex-líderes do PSD - e são vários), o primeiro-ministro não foi mais longe nesta remodelação apenas porque não reconhece qualquer problema sério na composição e no funcionamento do Governo. Mas, a ser assim, naturalmente que essa miopia seria, em si mesmo, um problema sério.

A questão de fundo, porém, será outra. A verdade é que a comunicação social já noticiou diversos convites (ou "sondagens") que foram feitos para determinadas funções ministeriais, ao longo dos últimos meses. E essas diligências respeitavam, efectivamente, aos verdadeiros problemas essenciais do Governo. Mas, ao que agora se percebe, não tiveram sucesso. O problema, portanto, é que a confiança no rumo e no futuro do Governo já não é o que era e isso prejudica necessariamente o "poder de atracção" indispensável ao êxito de uma remodelação significativa. É por isso é que esta foi, sobretudo, a remodelação possível.» [DN]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
   
     
 Mais chefes do que índios
   
«O Conselho de Chefes de Estado-Maior (CCEM), órgão que reúne os chefes das Forças Armadas, propôs ao ministro da Defesa a promoção de 30 militares ao posto de general.

Deste total, 18 dizem respeito ao Exército, dez à Marinha e dois à Força Aérea. Ao todo, segundo a proposta enviada este mês a José Pedro Aguiar-Branco, deverão ser promovidos 5700 militares, daí resultando uma despesa anual de quase 7,6 milhões de euros.
  
O CCEM considera, segundo a proposta a que o CM teve acesso, que no Exército sejam feitas promoções de quatro militares a tenente--general e 14 a major--general. Na Marinha, por seu lado, propõe--se uma promoção a almirante, três a vice-almirante e seis a contra-almirante. E na Força Aérea, é indicada a promoção de dois militares ao posto de major-general. Para o CCEM, "afigura-se imprescindível que ocorram promoções em todos os postos dos militares".» [CM]
   
Parecer:
 
Com tanto general e almirante até se fica com a impressão de que as nossas forças armadas estão preparando uma invasão da Normandia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
      
 Mais gente a ir ao mercado ... de trabalho
   
«A taxa de desemprego em Portugal situou-se nos 16,5% em dezembro de 2012, ligeiramente acima do valor observado no mês anterior (16,3%) e superior aos 14,6% registados um ano antes, segundo dados divulgados hoje pelo Eurostat.» [DN]
   
Parecer:
 
Parece que neste país está tudo no mercado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»
   
 TAntónio Costa deixou-os pendurados
   
«Tudo estava preparado para a candidatura à liderança arrancar, já havia muita gente contactada e até o líder da campanha. Mas no último momento o "candidato" não avançou e alguns apoiantes sentem-se traídos.

A frustração dos apoiantes pelo recuo inesperado de António Costa em avançar para a liderança do partido, na reunião da Comissão Política, que acabou com um abraço a António José Seguro, não passou indiferente nos corredores do Parlamento.

Segundo avança o semanário "Sol", a versão mais moderada dos comentários dos parlamentares era "estou lixado". Quando subiram, na terça-feira, a escadaria do Largo do Rato, os apoiantes de Costa tinham missões distribuídas, discursos combinados e até um diretor para a campanha interna apontado: Jorge Lacão, ex-ministro de José Sócrates, mas o recuo de António Costa deixou-os desmobilizados. "Comigo não contam para mais nada", desabafou um dos deputados socialistas, enquanto Jorge Lacão afirmava que "este é um momento em que os combois mudam de agulha".» [DN]
   
Parecer:
 
Compreende-se, é mais confortável ser presidente da CML.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   

   
   
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sexta-feira, fevereiro 01, 2013

No próximo domingo há Feira do Relógio


Sejamos honestos, essa coisa de Portugal ir ao mercado não é assim tão diferente como ir à Feira do Relógio, há feira todos os domingos e nela as botas da Timberland são tão genuínas como as operações financeiras do Gaspar, umas são produzidas em contrafacção, o dinheiro vem embrulhado em papel do BCE. Mas associar a ida aos mercados ao crescimento económico ao mesmo tempo que se tenciona despedir mais 100 mil trabalhadores, aumentar os impostos para cobrir os impostos que ficaram por cobrar devido ao último aumento e destruir um Estado e uma forma de vida é coisa de doidos.

Os países e os povos não se reformatam, já não estamos no tempo do Estaline que se podia dar ao luxo de dispersar povos que tinham apoiado o invasor nazi ou, pelas mesmas razões, transformar toda uma Ucrânia numa região agrícola. Os governos não podem decidir que um povo deve deixar de ter classe média para que todos ganhem um salário mínimo cada vez mais pequeno, ou pensar que podem forçar os jovens a perder a ambição e a aceitarem um programa de formação de torneiros.

EM condições normais Portugal ia ao mercado todas as semanas ou todos os meses e isso não tinha deixado de suceder se não fosse o empenho das agências de notação e de alguns políticos traidores para que as economias mais frágeis borregassem e cedessem de forma a aumentarem os juros ganhos pelos investidores.
  
Os que hoje mostram orgulho por irem ao mercado foram os que há dois anos festejaram e tentaram desdramatizar o pedido de ajuda internacional. Os que hoje falam em crescimento são os mesmos que há dois anos que andam a elogiar as consequências da recessão e que viram na quebra das importações ou na emigração forçada dos nossos melhores jovens um sinal de sucesso das suas políticas.

Só alguém muito doente acha que com uma recessão ao nível da zona euro, quebrando a procura interna, destruindo a concertação e o diálogo político, mantendo ministros incompetentes, apoiando-se nos pitbulls da banca portuguesa se promove crescimento.

Sejamos mais honestos, é mais provável que o crescimento chegue graças à actividade gerada pela Feira do Relógio do que pelas encenações financeiras do Vítor Gaspar, encenações que servem apenas para disfarçar o extremismo das políticas que já adoptou e a incompetência evidente no relatório que pediu ao Salassie para assinar em nome do FMI.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
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São Bento, Lisboa
   
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Fim de tarde em Alcochete [A. Cabral]   

 A meia mentira do dia
  
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Jumento do dia
   
Fernando Ulrich
 
Este senhor mete nojo, boicotar o banco de um senhor que usa o seu poder para dizer asneiras que ofendem os portugueses começa a ser um dever cívico de todos os democratas, dos que acham que não deve ser o poder financeiro a transformar idiotas em ideólogos do regime. Já que o senhor não consegue estar calado a melhor forma de o calar é forçando os accionistas do BPI a mandá-lo para a reforma.

Apele-se ao boicote do BPI, um banco extremista que para se salvar e dar graça ao governo não hesita em ofender tudo e todos.
 
«O "patrão" do BPI decidiu hoje explicar a sua polémica (e famosa) declaração "Ai aguenta, aguenta", relativamente à questão de se o país aguenta mais austeridade. E fê-lo com uma frase igualmente polémica.

Foi no passado mês de outubro que Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, disse que Portugal aguentaria ainda mais austeridade. Hoje, esclareceu o que queria dizer, comparando a situação de cada cidadão à dos sem-abrigo.
Durante a conferência de apresentação dos resultados do banco, o banqueiro começou por dar o exemplo da Grécia:"Se os gregos aguentam uma queda do PIB de 25% os portugueses não aguentariam porquê? Somo todos iguais, ou não?", questionou, citado pela TVI24.
E depois chegou aos sem-abrigo: "Se você andar aí na rua e infelizmente encontramos pessoas que são sem-abrigo, isso não lhe pode acontecer a si ou a mim porquê? Isso também nos pode acontecer".
"E se aquelas pessoas que nós vemos ali na rua, naquela situação e sofrer tanto, aguentam, porque é que nós não aguentamos?", acrescentou. "Parece-me uma coisa absolutamente evidente", concluiu.» [DN]
   
 Um acordo entre Costa e Seguro? A que propósito e para quê?
 
A que título é necessário um acordo entre Costa e Seguro? Uma acordo para quem? Seguro vai fazer um acordo com cada militante ou só com os mais finos, os mais famosos, os mais poderosos, os mais bonitos ou os mais atrevidos?


  
 A noite das facas moles no largo do Rato
   
«O que faz um homem com as qualidades políticas que António Costa revelou até aqui transmutar-se naquele sujeito patético que apareceu na comissão política do PS com um discurso inominável? O que faz António Costa, depois de dizer a meio mundo que ia avançar para a liderança do PS, acabar abraçado a António José Seguro, com “garantias” de que o futuro será radioso para o PS, não sem deixar cair a misteriosa ameaça sobre a avaliação que estará a fazer de como correm “os próximos dias”? Há várias hipóteses e nenhuma é abonatória da coragem política do presidente da Câmara de Lisboa.

Hipótese 1 – António Costa sofreu um ataque de pânico. Chegou ao Largo do Rato, olhou à sua volta e viu o terreno adubado por seguristas indefectíveis. Fica apavorado com a probabilidade da derrota e recua em toda a linha, contentando-se com a fortaleza de Lisboa e, eventualmente, com as delícias de uma reforma no Palácio de Belém.

Hipótese 2 – António Costa nunca quis ser candidato já, mas comunicou a várias pessoas que tinha decidido uma coisa que não tinha efectivamente decidido, numa manobra táctica ao estilo da velha JS, para criar suspense e arrebatar o pessoal, numa irresistível tentação de mimetizar o velho mestre António Vitorino. Afinal no PS já havia saudades de uma nova D. Constança.

Hipótese 3 – A última coisa que António Costa quer é ser associado a José Sócrates. Quando, no discurso inicial da comissão política, Seguro acusou a candidatura de Costa de ser impulsionada por aqueles que querem o “regresso ao passado”, transformando isso em Leitmotiv de campanha interna – e externa –, António Costa percebeu que o argumento equivalia a uma queimadura de 4.o grau e que seria mais fácil fazer o exercício cínico de conciliação com Seguro que carregar às costas o peso de Sócrates.

Hipótese 4 – António Costa até quer ser candidato a secretário-geral (um dia destes), mas produziu ontem uma manobra táctica para adiar a candidatura “para os próximos dias” enquanto finge que tenta uma conciliação com António José Seguro – e um adiamento do congresso para depois das autárquicas. (Ficou por esclarecer qual é a divergência política entre os dois e o que significa “unir o partido”. O acordo sobre uma data? Um líder parlamentar da confiança de Costa?) Com esse “golpe táctico” da “proposta” e do “trabalho para unir o partido”, Costa irá apresentar-se “nos próximos dias” como “vítima” de uma direcção que rejeita “unir o partido”. E então contra a sua expressa vontade, declarada no dia de ontem, fará o sacrifício de avançar para “unir o PS” – aceitando o chamamento do além. É interessante como no PSD existe nestes momentos mais coragem política. Desde que Cavaco Silva saiu da liderança, quem quer ser líder costuma aparecer. Perde congressos, depois ganha, perde outra vez. O tacticismo da nova (enfim, cada vez menos nova) geração do PS não é só arrepiante – é ridículo e mata.» [i]
   
Autor:
 
Ana Sá Lopes.
   

   
   
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quinta-feira, janeiro 31, 2013

Passos versus Gaspar


Faça-se um inquérito aos jornalistas da direita (quase todos), aos banqueiros e às forças vivas da política portuguesa, os financiadores dos partidos, sobre quem desejariam ver em primeiro-ministro, se Gaspar ou Passos Coelho e verão a resposta. Vítor Gaspar. Pergunte-se ao ministro das Finanças se tem grande consideração intelectual pelo primeiro-ministro e se acha que o devia substituir e esperem pela resposta.

Vítor Gaspar é o verdadeiro primeiro-ministro, Passos Coelho não passa do rapazola a quem as circunstâncias e a ajuda preciosa e a contra gosto de Cavaco Silva ajudaram a chegar a primeiro-ministro. Passos Coelho não vale nada como político mas ganhou as eleições. Em contrapartida Gaspar é um excelente político apesar de ser um desastre em política económica mas seria incapaz de ganhar as eleições para uma junta de freguesia. O povo ainda escolhe o Salazar em programas da treta, mas parece preferir totós a supostos magos das Finanças.

Mas a verdade é que aquele desconhecido de que todos gozavam controla todo um governo, decide quem sai e quem entra, goza com o Álvaro, decide tudo e mais alguma coisa e monta mega encenações como a ida aos mercados. Ao lado de Vítor Gaspar o primeiro-ministro parece um moço de recados, quando fala percebe-se se falou primeiro com o Gaspar, quando dá conferências de imprensa poucos dias depois é o Gaspar que dá uma para esclarecer o que ninguém entendeu nas palavras do primeiro-ministro.

A dúvida está em saber se Gaspar ambiciona ou não o lugar de Passos Coelho, mesmo sabendo que nesta coisa da escolha de um primeiro-ministro uma boa parte dos portugueses dá mais importância ao penteado do que ao cérebro. Nesse aspecto Passos Coelho precisa do seu amigo José Seguro, com este a liderar o PS Passos coelho tem algumas garantias de poder disputar a renovação e isso inibe eventuais ambições de Vítor Gaspar.

Assim sendo já se percebe que ao contrário do que possa parecer o líder do PS está fazendo uma forte ambição a Vítor Gaspar, pode ter engolido todos os extremismos de Gaspar, pode ter sido ignorado pela troika na renegociação do memorando, pode ter sido gozado ao longo desta legislatura por Passos Coelho. Mas ao ser um opositor fraco o líder do PS é o maior obstáculo às ambições de Vítor Gaspar. Enquanto Seguro liderar o PS a direita portuguesa aceitará a liderança de Passos Coelho pois não precisa de um líder forte para enfrentar a esquerda.

Umas no cravo e outras na ferradura.


 
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Oceanário de Lisboa
   
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Nuvens no Tejo [A. Cabral]

Jumento do dia
  
Álvaro Beleza
 
Já se sabia que este Beleza é um grande admirador do José Seguro, mas convenhamos que chamar a Seguro um grande líder só pode ser uma piadola. O rapaz ainda não percebeu que o líder do PS não é um grande líder de nada e muito menos da oposição, também não percebeu que quem mais está de acordo com ele é o Passos Coelho.
 
«O membro do secretariado do PS Álvaro Beleza considerou hoje que António José Seguro se afirmou como "o grande líder de todos os socialistas" na reunião de terça-feira da Comissão Política do partido.

Beleza defendeu que os responsáveis socialistas colocaram os interesses do país à frente de "interesses pessoais e agendas próprias", rejeitando que o atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), António Costa, se torne um "fantasma" a pairar sobre a liderança de Seguro.

"Acho que foi uma Comissão Política histórica no PS, da qual o partido saiu mais forte, mais unido. O secretário-geral afirmou-se como o grande líder de todos os socialistas. O António Costa confirmou a sua candidatura a Lisboa, o que deu a todos uma grande alegria, e foi selada com um abraço que significa a união do partido nos combates que temos pela frente, que são difíceis", disse à Lusa.» [DN]


  
 O eterno 'lobby' da vírgula
   
«Há confusão com o pagamento em duodécimos. Claro. Uma lei embrulhada é uma boa lei... Não conhecem a história do "da" que virou "de"? Um dia, decidiu-se limitar a três os mandatos dos presidentes da câmara. Em 2005, o Governo fez uma proposta de lei sobre mandatos, onde se escrevia "o presidente DA câmara..." E não "presidente DE câmara..." A nuance contava. Estava escrito "da", com a preposição "de" junta ao artigo definido "a" porque se tratava sempre de uma determinada câmara. Dizia-se, pois, que o presidente da câmara de, p. ex., Ovar não podia concorrer ao quarto mandato em Ovar (e só estava impedido em Ovar, não nas outras câmaras). E foi o que aprovou o Parlamento: o decreto de publicação da AR, a 8 de agosto de 2005, também dizia "da". Lá está, era uma lei má: era clara! E quando apareceu no Diário da República (Lei 46/2005 de 29 de agosto) já vinha escrito "presidente DE câmara". Isto é, a lei promulgada (mas não votada) passou a ambígua, colocando a hipótese de um presidente de câmara não poder concorrer a um quarto mandato onde quer que fosse. Uma boa lei, manhosa, pedindo pareceres. A confusão estava instalada e a Comissão Nacional de Eleições teve de fazer uma reunião extraordinária para interpretar a lei... Não tratei aqui sobre o que é certo, impedir quatros mandatos só na própria câmara ou em todas. Confirmo é que havendo alternativa entre lei clara e confusa, prefere-se sempre esta. Cherchez le juriste...» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.   

 Orçamento Humpty Dumpty
   
«1. “Quando eu uso uma palavra, – Humpty Dumpty disse com certo desprezo – ela significa o que eu quiser que ela signifique”.

A atitude da personagem em "Alice no País das Maravilhas" é semelhante à do Governo em relação ao défice de 2012: "quando eu fixo uma meta e manipulo os fins para a atingir, o seu cumprimento significa o que eu quiser que ele signifique". No OE2012, o objectivo do défice era 4,5% do PIB; em Setembro último, na 5ª revisão do memorando e perante o colapso na receita fiscal, a meta passou para 5%, com recurso a algumas receitas extraordinárias, vindo o Governo a juntar, semanas depois, na apresentação do OE2013, a concessão da ANA como medida essencial para atingir esse valor, fixando o défice real nos 6%. À medida que a execução orçamental se degradava, o Governo foi reajustando as metas e a forma de as atingir. Assim é fácil "cumprir".

2. Mesmo assim, dado que a receita fiscal caiu, face ao esperado há 3 meses, quase 700M€, o Governo, para "cumprir", fez de tudo: bloqueou a Administração Pública no último trimestre; contabilizou 800M€ da concessão da ANA, e não 600M€ como previsto; incluiu 475M€ do fundo de pensões da PT, registados em contas nacionais em 2010; usou 316M€ de fundos europeus para substituir despesa em empresas públicas, etc.. A meta de 5% em contabilidade pública foi "cumprida", mas o valor real, sem os 2400M€ de receitas extraordinárias, é de 6,3% do PIB.

3. Recapitulemos o que aconteceu em 2012. Numa demonstração de como a austeridade se derrota a si própria, um plano de consolidação orçamental de 10.000M€ produziu uma recessão que levou a um desvio (somada a perda em receita fiscal e contributiva ao aumento em despesa com o desemprego) de 4400M€ - valor próximo dos 4500M€ que, na estimativa para 2012 inscrita no OE2013, o Governo esperava "poupar" com salários, prestações sociais e investimento face a 2011.

E se assumirmos (I) que o défice real de 2012 em contabilidade nacional fica nos 6%;

(II) que os cortes nos subsídios de funcionários e pensionistas (1,4% do PIB) são medidas extraordinárias;

e (III) que o ponto de partida do défice em 2012 era de 7,5% do PIB, a consolidação orçamental terá sido de 0,1%. Resta a dúvida: tudo isto aconteceu por inépcia ou foi de propósito?» [DE]
   
Autor:
 
Hugo Mendes.
      
 A importância das palavras
   
«A propósito do alargamento do prazo de pagamento dos empréstimos do FEEF e do MEEF, a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, na entrevista que deu ao “Jornal de Negócios”, à pergunta “Como explica que não estamos perante uma reestruturação da dívida ou um novo programa?” respondeu: “Na pureza técnica, é uma reestruturação. Mas como a expressão ‘restruturação’ passou a ter uma conotação negativa, que implica perda para o investidor, é importante salientar que não é disso que se trata.” É fácil perceber porque é que o alargamento dos prazos representa uma perda para o investidor. Os empréstimos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) apresentam uma maturidade média de 14,6 anos, enquanto os do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeiro (MEEF) apresentam, em média, maturidades de 12,4 anos. Se viermos a obter prolongamento das maturidades para 30 anos, como conseguiu a Grécia, isso significará mais que duplicar as maturidades que tínhamos inicialmente contratualizado. É óbvio que este prolongamento representará perdas para os credores, que por via do efeito acumulado da inflação vão receber, em termos reais, menos que aquilo que emprestaram. É que, ao contrário do que muita gente pensa, o principal destes empréstimos é pago, na sua totalidade, no fim do prazo, e não ao longo tempo, como acontece com os comuns empréstimos à habitação.

Não é para evitar assustar os investidores que a secretária de Estado se recusa a falar em “reestruturação”. Até porque serviria de pouco. Se alguém sabe o que representa o prolongamento dos prazos são precisamente os investidores e os credores. A secretária de Estado foge da palavra, “tecnicamente pura”, porque quer esconder a verdade dos portugueses. Não quer assumir que, num contexto de recessão e austeridade, o nível de dívida pública acaba por se tornar insustentável e por obrigar a “reestruturações”.» [i]
   
Autor:
 
Pedro Nuno Santos.
   
  
     
 Em suma, tudo uma desgraça
   
«O Presidente da República alertou nesta quarta-feira, na cerimónia de abertura do ano judicial, para as consequências da lentidão dos tribunais, considerando um dos principais obstáculos a atividade das empresas, assim como a corrupção, a economia paralela e a fraude fiscal.» []
   
Parecer:
 
E só agora é que Cavaco reparou?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco o que fez quando era primeiro-ministro ou o que tem feito desde que é presidente.»
      
 Alguém que os tenha
   
«O presidente do Supremo Tribunal de Justiça criticou nesta quarta-feira os ordenados dos assessores políticos, no discurso proferido na cerimónia solene de abertura do ano judicial. “Os partidos tornaram-se máquinas políticas alimentadas a dinheiro. Percebe-se, assim, que assessores ministeriais com vinte e poucos anos de idade ganhem o que fará inveja a juízes de tribunais superiores e muito mais a qualquer juiz de comarca”, afirmou Noronha Nascimento, considerando que os tribunais em nada contribuíram para a “crise que vivemos” mas sentem-na “na pele” com a “enxurrada de ações de dívida”.» [CM]
   
Parecer:
 
MAs quem escreveu o relatório ao FMI esqueceu-se de propor a bandalhice dos assessores e dos motoristas pagos como pilotos de F1.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao Salassie.»
   
 Já?
   
«O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, afirmou hoje em Frankfurt que "é apropriado falar em sair do programa e reganhar acesso ao mercado" de financiamento e que as necessidades de financiamento no próximo ano são substanciais.
  
"Já passamos metade do programa de ajustamento económico, por isso é apropriado falar em sair do programa e reganhar acesso ao mercado", disse o governante, num discurso citado pela agência Bloomberg.» [DN]
   
Parecer:
 
Não estará a brincar?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 Há coisas que um líder não faz
   
«O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, que ontem, contra a expectativa dos seus apoiantes, recuou e não anunciou uma candidatura à liderança do PS vai reunir hoje com o secretário-geral do partido, António José Seguro. O objectivo da reunião é "delinear uma estratégia comum", avançou ao Económico fonte socialista. 

O autarca lisboeta ameaçou ontem candidatar-se à liderança do PS, mas no final da reunião que demorou cerca de seis horas, António Costa recuou e acabou por dizer que irá trabalhar para a unidade e evitar a confrontação.

Durante a reunião da Comissão Política vários elementos próximos do presidente da Câmara de Lisboa garantiram aos jornalistas que o autarca da capital se iria candidatar ao cargo de secretário-geral do PS. A notícia foi mesmo avançada por vários meios de comunicação social.» [DE]
   
Parecer:
 
António Costa começa a passar a imagem de alguém que é indeciso e que dá um bom número dois.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
   
 O Álvaro dura, dura...
   
«A fusão da secretaria de estado da Economia com a do Empreendedorismo e Inovação foi um dos cenários em análise no âmbito da minirremodelação em curso no Governo. Mas, ao que o Expresso apurou, o ministro da Economia terá resistido a perder um secretário de Estado.

Álvaro Santos Pereira teve ontem uma conversa com Pedro Passos Coelho e ainda não fecharam o processo de alterações no ministério, que deverá passar pela substituição dos atuais secretários de Estado da Inovação e do Emprego.» [Expresso]
   
Parecer:
 
Não só dura como ainda aguenta os seus.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Tribunais arbitrais alimentam a corrupção
   
«Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, lamentou que os tribunais arbitrais sirvam "para legitimar atos de corrupção" e favoreçam "sempre quem tem mais dinheiro para pagar os honorários dos juízes". O bastonário está presente na cerimónia de abertura do ano judicial, que decorre, esta quarta-feira à tarde, em Lisboa.» [JN]
   
Parecer:
 
Haja quem diga destas coisas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Elogie-se a frontalidade e coragem do bastonário.»
   

   
   
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