sábado, fevereiro 09, 2013

Franquelinadas


Se o governo de Santana Lopes ficou conhecido como um governo de trapalhadas, o governo de passos Coelho será o governo das Franquelinadas. No governo de Santana Lopes imperava a loucura, neste impera a imbecilidade e o Chico espertismo, Santa tinha pavor dos portugueses, Passos Coelho e os seus pares acham-nos uns palermas. 

É óbvio que a SLN está longe de ter sido uma escola de virtudes, se o fosse a precaução mandaria defender o bom nome da empresa e o interesse nacional, as na SLN um bom administrador, um homem competente, idóneo e cheio de bons princípios entendeu esconder ilegalidades e fraudes por uma questão de precaução. Precaveu-se o interesse privado e o nome dos vigaristas em prejuízo do interesse nacional.

Mas alguém mais cuidadoso e alérgico à sigla SLN achou por bem omitir a passagem do Franquelim pela SLN e o seu currículo foi divulgado sem aquela passagem duvidosa por esse conglomerado de interesses de gente do PSD a que pertencia o BPN. Compreende-se, a alguém acima de qualquer suspeita o pior que pode suceder é colar a sigla SLN, porque SLN significa BPN e BPN significa vigarice, falta de honestidade e fraude. Ora, o irrepreensível secretário de Estado foi gestor da holding a que pertencia o BPN, à frente desta soube das vigarices do BPN e omitiu-as.

O mais curioso é que esta omissão curricular foi agora justificada pelo gabinete de Passos Coelho com o argumento de que os currículos dos membros do governo não podem exceder os 500 caracteres. Daí que fosse necessário fazer escolhas, dizer que o Franquelim tinha sido moço de recados ou lembrar a sua passagem pela SLN? A escolha era óbvia, se o homem ia ser moço de recados do ministro sôr Álvaro era bem mais importante evidenciar aptidões profissionais para essa tarefa do que mais uma ou menos uma experiência como administrador.

Compreende-se a escolha, assim como se compreende que num governo onde até o Miguel Relvas é doutor não se ia dizer que alguém tão distinto tinha sido paquete na Ernst & Young, que ia comprar o tabaco ao chefe ou levar as mercearias da esposa a casa. Havia que enobrecer a coisa e é muito provável que os assessores de Passos Coelho se tenham inspirado no dr. Relvas, numa consultora como a Ernst & Young um par de meses a levar as mercearias à esposa do presidente convertido em títulos na Universidade Lusófona daria uma equivalência a júnior auditor.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
 photo Corvos_zps7f02da6a.jpg
 
Corvos-marinhos no Terreiro do Paço, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
 photo Sanatorio_zpsea200e9e.jpg
   
Sanatório, Parede [A. Cabral]   

Jumento do dia
  
Franquelim Alves
 
Franquelim Alves ainda não parece ter percebido que a sua passagem pela SLN aconselhava a recusar um convite para o governo, ainda por cima quando se percebeu durante a comissão de inquérito do Parlamento que o que fez ficou aquém de uma denúncia frontal das fraudes.

Aliás, o Franquelim percebeu mas parece que acha que os portugueses são parvos e ainda não perceberam que alguém que nada tinha a temer não teria censurado o seu próprio currículo profissional escondendo um ano da sua vida. Isso para não referir a treta de ser consultor na Ernst & Young com apenas 16 anos!

Franquelim só tem uma coisa a fazer, demitir-se, já que Passos Coelho não tem o bom senso de o demitir então que seja o próprio a livrar o país da sua presença. Se foi assim tão corajoso na SLN então que o seja igualmente agora.
 
«O secretário de Estado da Inovação e Empreendedorismo, Franquelim Alves, defendeu-se ontem das acusações dizendo que não tem “nada a ver com o crime, com as fraudes” do caso BPN. O governante diz-se “tranquilo” com as suas obrigações na empresas, à época detentora do BPN, e assegurou que contribuiu para “denunciar o buraco”.

Numa entrevista na RTP, Franquelim Alves diz que não pensa demitir-se, que essa é uma decisão do primeiro-ministro, mas que não quer “causar problemas” ao executivo. “Não tenho nada a ver com o buraco. Contribui para denunciar o buraco na altura certa”, disse.

O secretário de Estado explicou ainda que, na sua passagem pela SLN, “não houve tentativa de ocultação” de dados e que a administração apenas denunciou as irregularidades ao Banco de Portugal em Maio de 2008, porque a informação necessitava “de ser devidamente fundamentada para ser comunicada” e que o grupo nessa altura era “um puzzle que nem as peças se sabiam onde se encontravam”. “Só quem viveu o inferno é que seria capaz de perceber o que era a dimensão da fraude (...) depois de o desenho estar construído é fácil ver que é um monstro, como neste caso”, assegurou. Franquelim Alves qualificou o caso do BPN como uma “fraude de proporções gigantescas” e que é de “uma injustiça brutal para todos os portugueses” a factura que estão a pagar. Apesar disso, diz não se sentir responsável, “nem um cêntimo”, sobre o caso.» [i]

 Será burro
 
Alguém inteligente perceberia que só lhe ficava bem saber-se que tinha começado a trabalhar aos 16 anos como paquete, da mesma forma que alguém inteligente não omitiria do currículo algo que todo o país sabia. Mas parece que a inteligência não é coisa que assiste ao Franquelim.
 
 Dúvida

Ainda falta muito para o BCP declarar falência?


  
 Maçãs podres
   
«"Se fosse comigo, não teria dúvidas em afastar-me se me visse envolvido numa situação destas". Isto era Nuno Melo em 2009, a falar de Dias Loureiro, ex-administrador da SLN (que detinha o BPN) e então conselheiro de Estado do presidente Cavaco. Declarações nas quais o deputado centrista era acompanhado pelo então cabeça de lista do PSD às europeias, Paulo Rangel, e pelo - hoje ministro - Pedro Mota Soares, que, quando a demissão ocorreu, afirmou: "O doutor Dias Loureiro fez finalmente aquilo que já devia ter feito e que o CDS já tinha pedido."

Então, como hoje, o presidente do CDS era Paulo Portas (também agora ministro), que não se ensaiou em aconselhar Loureiro a "evidentemente sair e facilitar a vida ao Chefe do Estado". O motivo, para Portas, era claríssimo: "O que aconteceu no BPN é de tal maneira grave que é preciso tirar consequências. O BPN é de tal maneira uma organização criminosa que abusou da confiança dos outros que é preciso cortar as maçãs podres."

Menos vigorosos na vituperação, vários dirigentes do PSD, incluindo Rui Rio e António Capucho, aplaudiram a demissão do correligionário; até Luís Filipe Menezes (que abandonara a direção do PSD em 2008) tinha já apelado a ela. E Passos Coelho, então candidato derrotado à liderança do PSD e líder da oposição interna, não se eximiu de dizer (em novembro de 2008) de sua justiça: "Há um conjunto de polémicas que apontam para que alguém não está a falar verdade e isso é, de facto, um incómodo para a Presidência." Atacando a orientação da então líder Manuela Ferreira Leite, defendeu que o partido deveria "ter tomado a iniciativa de viabilizar uma comissão de inquérito". Para, viperino, prosseguir: "Ao não fazê-lo pode dar a ideia errada que protege alguma informação."

Dias Loureiro, frise-se, não fora ainda, à altura da demissão, constituído arguido no caso BPN - e até hoje de nada foi acusado formalmente. Alegou aliás ter-se limitado a assinar as contas da SLN que lhe punham à frente, "confiando" em Oliveira Costa. E jura que correu a informar o Banco de Portugal mal lhe surgiram suspeitas sobre o funciona- mento do banco (o BdP nega). Não se lembrou, o pobre, de alegar que soubera das irregularidades e até assinara as contas sabendo disso - às tantas achou que tal seria confessar um crime -, mas "por prudência" esperara que alguém as denunciasse em vez dele e (o que é contraditório) que tinha enviado uma carta ao BdP a denunciar a marosca. Se calhar achou que teria de mostrar a carta ou assim - que parvo. Tivesse sido essa a sua defesa e, tudo leva a crer, em vez de apontado por Passos como proverbial mentiroso e por Portas como maçã podre e membro de uma organização criminosa, seria por eles convidado a fazer parte do mesmo governo.

Poderia até sonhar ouvir, na mesma assembleia onde foi questionado como membro de quadrilha, um pungente ministro descrevê-lo como vítima de "linchamento político".» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.   

 O regresso do TGV
   
«Temos de reconhecer que o posicionamento da direita sobre o TGV tem sido de uma coerência irrepreensível: é sempre contra quando está na oposição e é sempre a favor quando está no Governo.

Em 2003, estava o País em "défice excessivo" e em recessão, Durão Barroso e Paulo Portas assumiram como prioridade cinco linhas de TGV, num investimento total de 12,5 mil milhões de euros e cabendo ao Estado suportar até 2,5 mil milhões. Nessa altura, a direita não achava o projecto despesista, nem queria travar o endividamento público ou canalizar o crédito para as PME. Pelo contrário, Durão Barroso invocava o "desígnio nacional" e estudos que garantiam que o TGV iria criar 90 mil empregos e fazer crescer o PIB em 1,7%.

Em Novembro de 2003, na Figueira da Foz, o Governo PSD/CDS acordou com Espanha quatro linhas de TGV: Porto-Vigo (a concluir em 2009); Lisboa-Madrid (2010); Aveiro-Salamanca (2015) e Faro-Huelva (2018). Para além disto, anunciou a linha Lisboa-Porto e acordou numa linha convencional para mercadorias Lisboa-Setúbal/Sines-Madrid (a concluir em 2008). Por Resolução do Conselho de Ministros de Junho de 2004 (ano em que também foi decidida a compra de 2 submarinos), o Governo aprovou todas aquelas infra-estruturas, especificando que a linha para Madrid e a linha para Salamanca, apesar dos custos acrescidos, seriam compatíveis com o transporte de mercadorias. E fixou em 2013 a data de conclusão da linha Lisboa-Porto. Projectos e calendários foram confirmados na Cimeira de Santiago de Compostela, em Outubro de 2004, já com o Governo Santana Lopes.

O Governo socialista, por muito que a verdade custe, achou tudo isto um exagero. Sem renegar os compromissos internacionais assumidos, reduziu o projecto TGV a duas únicas linhas (Lisboa-Madrid, que adiou para 2013 e Lisboa-Porto, que adiou para 2015) e suspendeu as demais (prosseguindo os estudos para Porto-Vigo). Mais tarde, face à crise financeira, suspendeu também a linha Lisboa-Porto, fazendo concentrar os fundos comunitários disponíveis para este projecto na ligação a Madrid (em formato compatível com o transporte de mercadorias), de modo a reduzir os encargos do Estado. Paralelamente, manteve o projecto Évora-Caia da linha convencional de mercadorias Sines-Madrid (em bitola ibérica mas com possibilidade de migração para a bitola europeia quando tal solução vier efetivamente a ser adoptada do lado espanhol).

Como se sabe, caiu o Carmo e a Trindade. Chegada à oposição, a direita, que antes queria cinco linhas de TGV, passou a achar que apenas uma seria "um projecto faraónico". A sua campanha demagógica fez da única linha sobrante, a ligação Lisboa-Madrid, o exemplo acabado do despesismo "socialista". E assim foi até que deixou de ser, isto é, até que a direita voltou ao Governo.

Depois da revelação feita pelo ministro das Finanças, o ministro da Economia bem tenta disfarçar, dizendo que não está prevista "qualquer iniciativa" para retomar o projecto até 2015. Mas as iniciativas do Governo não faltam: redefiniu (embora de forma ainda confusa) o conceito do projecto Lisboa-Madrid, agora no formato "alta prestação" e para o transporte de mercadorias; negociou esse conceito com Espanha e estabeleceu um calendário de conclusão (até 2018); por fim, requereu em Bruxelas uma reserva de financiamento comunitário para o projecto, a utilizar no período 2014-2020. Para iniciativa, não é pouco.

Entretanto, o financiamento bancário previsto para o troço TGV Poceirão-Caia, antes demonizado, passou a ser considerado virtuoso quanto às taxas de juro e às maturidades, reconhecendo-se que "na actual conjuntura não se obteriam condições financeiras similares". Vai daí, o crédito contratado de 600 milhões de euros, em vez de ir para as PME, passou a ser bom para a Parpública e até já nem faz mal que se tenha de arranjar outro financiamento, em piores condições, quando for preciso negociar a ligação Lisboa-Madrid.

Cheguei a pensar tirar o moral da história quanto a este comportamento da direita sobre o TGV. Mas não lhe encontro moral nenhuma.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
      
 A nata
   
«Portugal precisa de um ajustamento estrutural da sua elite económica. Vivem claramente acima das nossas possibilidades. Capturam o Estado e fazem dele o alicerce da sua acumulação de riqueza, descapitalizando-o para o exercício das funções que uma sociedade frágil e pobre exige. Servem de intermediários da finança internacional e, como seus representantes em Portugal, põem e desfazem governos à medida das necessidades de negócio de cada momento. Zombam da lei e do interesse público. E, no fim, ainda têm o topete de fazer para a sociedade que os alimenta a apologia da miséria.

Há continuidades e mudanças na agenda dessa elite. A proteção do Estado é, há mais de um século, a sua principal continuidade: desde o monopólio dos tabacos na viragem do século XIX para o século XX, até à siderurgia ou aos petróleos durante o salazarismo e à eletricidade, às autoestradas ou à saúde no nosso tempo, sempre a elite económica teve no Estado o seu mais fiel aliado. Mas essa proteção não cai do céu. Ela é sim o resultado da tessitura fina de redes de cumplicidade entre a esfera de decisão económica da elite e as diferentes instâncias do poder político, desde os partidos aos media e às instituições.

Que um banqueiro - membro de uma das famílias que ao longo de mais de um século perdura no topo da economia nacional, resistindo a todas as intempéries políticas e financeiras - tenha beneficiado de programas governamentais de amnistia fiscal para regularizar a não declaração ao fisco de 8,6 milhões de euros é muito revelador da relação de cumplicidade entre o Estado e as famílias da banca. O que impressiona neste caso é a duplicidade com que o Estado trata as pessoas: uma dívida ao fisco de um qualquer cidadão anónimo na ordem de umas centenas de euros determina invariavelmente sanções e punições temíveis para a existência frágil da esmagadora maioria; já a dívida de milhões de um banqueiro por infração da regra mais basilar que é a da declaração de rendimento e de património é objeto de tratamento com deferência e vénia, quem sabe se não mesmo com um agradecimento do Estado credor. O banqueiro sabe que tem no Estado um amigo, o cidadão arrisca-se a ter nele um agressor.

Que um outro banqueiro, cujo banco é detido em 99% pelo Estado, diga publicamente que "não se chocaria" se o Estado nomeasse um membro para a gestão do banco é igualmente revelador. A sobranceria com que a elite se permite tratar o Estado, a redução deste a algo que se tolera (mesmo que se corra à procura do seu auxílio ao primeiro obstáculo que surja à tranquilidade da acumulação), evidencia como ela dá por assente que o Estado não incomodará e se remeterá ao servil papel de atento, venerador e obrigado.

O desdém da elite pelo Estado é a expressão de um seu desdém mais fundo pela sociedade no seu todo. Que ainda um outro banqueiro se dê o direito de dizer, na mesmíssima sessão em que anunciou lucros do seu banco no valor de 250 milhões de euros - dos quais 160 resultantes de especulação sobre a dívida soberana de Portugal - que se os sem-abrigo aguentam a sua condição nós todos temos de aguentar as consequências da vertigem do empobrecimento mostra como a elite dos negócios entrou em versão hardcore e como a sua confiança lhe fez perder a noção dos limites do decoro.

Esta nata que impôs a vinda da troika para garantir o pagamento por quem trabalha dos custos das suas irresponsabilidades especulativas e que abençoa a nomeação para o Governo de quem calou o crime do BPN é aquilo que mais precisa de ser refundado em Portugal.» [DN]
   
Autor:
 
José Manuel Pureza.
   
  
     
 Desmontada a patranha do sôr Álvaro
   
«Franquelim Alves não assinou nenhuma das duas cartas enviadas, no primeiro semestre de 2008, pelos responsáveis do Grupo BPN/Sociedade Lusa de Negócios (SLN) ao Banco de Portugal (BdP). Ao contrário do que tem sido dito pelo Governo, as missivas não denunciam irregularidades por iniciativa própria, mas respondem a perguntas feitas pelo BdP a 30 de janeiro de 2008. Em entrevista ontem à RTP, o próprio secretário de Estado confirmou que apenas em junho foi possível reunir "dados fundamentados" de uma situação "que tinha de ser devidamente documentada".» [CM]
   
Parecer:
 
Afinal o Franquelim não foi o garganta funda do caso BPN.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
      
 O modelo de virtudes do sector privado está mal
   
«O BCP registou um agravamento do prejuízo para 1.219 milhões de euros, que compara com os 848 milhões de euros do ano anterior, o que é justificado pelas imparidades para perdas estimadas e resultados associados à operação na Grécia.» [CM]
   
Parecer:
 
Está-se mesmo a ver o que vai suceder, os portugueses vão perder mais um mês de vencimento para desenrascar estes canalhas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se.»
   
 As boas novas do ajustamento
   
«Desde o início do ano letivo, suspenderam a matrícula 678 alunos dos Politécnicos do Porto, Lisboa, Coimbra, Leiria, Castelo Branco e Bragança. Comparando com o ano passado, até agora houve menos 98 desistências, mas ainda deverão aparecer mais casos.

No Instituto Politécnico do Porto, o maior do país, 266 estudantes cancelaram até agora a sua matrícula (menos 32 do que no ano passado). A vice-presidente da instituição, Delminda Lopes, chama a atenção para o facto de não se poder associar anulações com desistências, já que "a maioria dos estudantes que abandona os estudos não informa formalmente os serviços".
  
Entre os que avisam que vão abandonar a escola, muitos dizem que o curso não corresponde às expectativas ou que o horário de trabalho é incompatível com as aulas. Mas também há quem decida ir trabalhar para o estrangeiro e quem deixe de estudar porque não consegue pagar as despesas.» [DN]
   
Parecer:
 
Num país onde a aposta é na miséria e no trabalho não qualificado estudar não faz sentido.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
   
 Parlamento promovido a tribunal?
   
«O ministro Miguel Relvas, que tutela as autarquias, defendeu hoje que cabe ao Parlamento clarificar a Lei da Limitação de Mandatos, depois de o Bloco de Esquerda admitir recorrer aos tribunais para impedir candidaturas de autarcas 'dinossauros' a outras câmaras.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Esta é mesmo boa!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 CDS, o partido dos tachos e das taxas
   
«A primeira decisão do novo secretário de Estado da Alimentação, indicado pelo CDS, será a criação de uma nova taxa. Na mesa de Nuno Vieira e Brito está um projecto de portaria, a que o SOL teve acesso, que cria taxas sobre suplementos alimentares que podem ir até aos 500 euros e que foi redigida pela direcção-geral de Alimentação e Veterinária, que dirigia antes do convite para secretário de Estado.

O CDS tem sido duro a criticar o aumento de impostos, mas tem sido lesto a criar ou aumentar taxas: Paulo Portas subiu em 20% as taxas pagas pelos actos consulares, Assunção Cristas criou a taxa de segurança alimentar (imposta às grandes superfícies) e agora vem aí mais uma. Isto, apesar de, ao mesmo tempo, o CDS questionar a criação da taxa dos direitos de autor, a cargo da secretaria de Estado da Cultura.

No caso da Alimentação, o projecto de portaria prevê taxas a aplicar sobre «os suplementos alimentares comercializados como géneros alimentícios». Ou seja, para que estes produtos entrem no mercado português o fabricante ou importador tem que pagar uma espécie de autorização, que até agora era gratuita. As várias etapas do processo de autorização custam 100 e 200 euros, podendo chegar até aos 500 euros. E isto é obrigatório mesmo nos casos em que o produto já esteja à venda noutros Estados-membros da União Europeia.» [Sol]
   
Parecer:
 
Mas que grandes provedores dos contribuintes.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Paulo Portas se em vez de provedor ou defesnor queria dizer provador dos contribuintes.»
   

   
   
 photo Di-Margaretti5_zps83df7025.jpg
  
 photo Di-Margaretti4_zps204e925a.jpg
   
 photo Di-Margaretti3_zpsac7f7de5.jpg
   
 photo Di-Margaretti2_zps916e6ddc.jpg
  
 photo Di-Margaretti1_zps6e2a0b3c.jpg

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

A troika foi-se embora?


De repente parece que Portugal deixou de estar sob tutela estrangeira, o Salassie deixou de exercer as suas funções de comandante do exército ocupante, Portugal voltou aos mercados, isto ficou tão calmo que por causa das trapalhadas quase nos esquecemos de Passos Coelho e Gaspar e somos tentados a pensar que estamos no tempo de Santana Lopes.
  
A verdade é que não foi só o Salassie e os outros funcionários de Bruxelas a desaparecer, o Gaspar quase não de deixa ver, o Relvas parece ter prolongado o reveillon no Copacabana Palace do Rio de Janeiro. Isto parece aquela anedota do avião de freiras que ia para África e que caiu porque o piloto foi cuidar das meninas e entregou os comandos do avião ao macaco. O único governante que parece estar no activo é o inconfundível sôr Álvaro.
  
Há quanto tempo não vê ministros como a Assunção, o Portas, o Lambretas, o Gaspar, o Relvas, o Miguel Macedo, o Aguiar Branco ou o Paulo Macedo? Até a ministra da Justiça que gosta de ser espampanante e dar nas vistas quase só apareceu por causa do salamaleque do ano judicial e só é notícia porque lá para os lados do seu ministério parece estar a ocorrer uma epidemia de demissões.
  
De repente deixou de haver a intenção de destruir o Estado Social, a crise desapareceu, os impostos deixaram de aumentar, o crescimento vai de vento pela popa, as execuções orçamentais estão como nunca, isto está a correr tão bem que até o Presidente da República deve ter achado que não fazia falta, entregou o Palácio aos cuidado do Lima e foi tratar dos coentros para a Quinta da Coelha. Nem sequer se ouve falar dele.
  
Estamos na segunda semana de Fevereiro e até se fica com a impressão de que o país teve uma branca, o próprio Seguro que nunca se deixou ver muito quase desapareceu, ao que dizem está a tirar um curso intensivo de líder da oposição ministrado pelo António Costa. Se do lado do PS a branca é coisa com mais de um ano com o BE aconteceu o mesmo, desde que o Louçã se aposentou e deu lugar à liderança de uma união de facto que aquilo não parece o mesmo, até a Ana Drago reapareceu.
  
Com este desaparecimento da troika quase sentimos uma sensação de orfandade, sem os raspanetes do Salassie e os relatórios que o Gaspar manda para os juniores do FMI assinarem este país deixou de ter graça.
  
Ou perante a desgraça estaremos perante uma manobra de propagada por parte dos três reis magos? Depois de tanto elogiarem o sucesso do ajustamento vão concluir que o país está à beira da desgraça e ou fazemos tudo o que o Gaspar mandar ou acaba o dinheiro. Esperemos pela 7ª avaliação.

O franquelinismo


O caso do Franquelim Alves mostra a que ponto chegou o país, escolhem-se governantes sem qualquer critério, apenas com base em relações pessoais e políticas, como se Portugal fosse uma mercearia propriedade do primeiro-ministro.

Idóneo ou não Franquelim Alves não tinha condições para ser governante, não devia ter sido convidado, não devia ter aceite, não devia ter sido nomeado e muito menos empossado. Mas nada disto sucedeu e o homem é secretário de Estado.

É evidente que alguém que participou numa empresa burlona que custou um ordenado a cada português não tem o mínimo de condições para ser um governante. Ainda por cima só mesmo um idiota colocaria um currículo omitindo a passagem pelo BPN e ainda por cima dizendo que trabalhava como consultor desde os 16 anos. Ao tentar fazer os portugueses passar por parvos o Franquelim ou quem lhe escreveu o currículo mostrou ter um QI entre o imbecil e o deficiente mental.

Franquelim ainda é secretário de Estado e vai continuar sendo, num governo onde o Relvas ainda é ministro tudo cabe, vivemos um PREC de direita onde a nomeação de um membro do governo é feita apenas com base em critérios partidários, sem grande exigência e bastando a sugestão de um qualquer controleiro político, que tanto pode ser um Relvas como um Dias Loureiro.

Esta bandalhice poderia muito bem ser designada por franquelinismo em homenagem à personagem, entendendo-se franquelinismo como a escolha de governantes sem olhar ao seu passado, nomeando-os e dando-lhes posse sem cuidar da credibilidade do país e das suas instituições.

Longe vai o tempo em que Jorge Sampaio forçou António Guterres a demitir Fernando Vara de secretário de Estado e por muito menos, comparar a fundação que condenou Vara com a SLN é a mesma coisa que comparar um infantário com o Estabelecimento Prisional de Lisboa.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
 photo Aqueduto_zpsd7b28a50.jpg
 
Aqueduto das Águas Livres, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
 photo Cabeceiras-de-Basto_zps0aa0f2c5.jpg
   
Cabeceiras de Basto [A. Cabral]   

Jumento do dia
  
Assunção Cristas
 
A ministra do CDS produziu uma lei com dois objectivos, aumentar brutalmente as rendas e facilitar os despejos, a situação só não foi mais grave porque Cavaco Silva exigiu medidas no momento em que promulgou a lei. Agora a mesma ministra arma-se em boazinha e sugere aos inquilinos que reclamem das consequências da sua lei. Este CDS governamental chega a ser ridículo.
 
«Assunção Cristas aconselha os inquilinos a informarem-se e a pedirem ajuda qualificada quando confrontados com cartas dos senhorios exigindo rendas superiores às que podem pagar.

"Eu peço a todos os que recebem cartas [dos senhorios] que não fiquem alarmados, não entrem em pânico, e se vão informar, com recurso às associações de inquilinos que existem e também aqui aos nossos serviços do IHRU [Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana], que têm essa disponibilidade e têm atendido muitas pessoas por telefone, presencialmente e através do email", disse a ministra em Lisboa, no final da sessão de entrega dos Prémios IHRU.» [DE]

 Uma velha mania do PSD
 
É uma velha mania do PSD, onde há muito dinheiro da Europa ou dos contribuintes aparece logo nomeado alguém com currículo do BPN. Aliás, é uma tradição que vem desde o tempo em que Oliveira e Costa acumulava a secretaria de Estado do Orçamento, que nesse tempo também tutelava o fisco, com as finanças do PSD liderado por Cavaco Silva.
 
 Conclusão

Está por nascer um gajo mais idóneo do que o Franquelim!

 A dúvida

Se o Franquelim já era consultor aos 16 anos porque razão teve de esperar tantos anos para chegar a secretário de Estado?
 
 Serão "junior auditors" na Ernst & Young?
 
 photo junior_zps41d741e2.jpg
  

  
 A economia e a fé
   
«Ricardo Cabral é economista e professor na Universidade da Madeira. Na segunda-feira, deu uma entrevista ao Público. Vale a pena ler o que ele diz. Quando já se acha que está tudo dito, quando até parece que o clima económico está a virar, Cabral destrói a narrativa do Governo: a de que a recuperação se fará pelas exportações e que isso bastará para que o Sol volte a brilhar. Os argumentos de Cabral são simples. A receita da troika implica um ajustamento externo inconcebível. Tradução: "Um país que nos últimos 236 anos teve apenas sete anos com superavits comerciais - vendeu ao exterior mais do que comprou - se torne um país com um desempenho no sector externo superior à média histórica da Alemanha."

Alguém acredita nesta coisa? É bom notar que este triplo salto teria de acontecer numa altura em que a Zona Euro vem de uma recessão, pode até não conseguir sair dela neste trimestre (o ritmo de crescimento nominal das exportações portuguesas está a cair desde março de 2011). Além de que o nosso principal parceiro comercial - Espanha - está a arder financeira e politicamente.

Ricardo Cabral vai mais longe. Diz ele: embora exportar seja fundamental, as empresas que exportam não vivem no limbo. Elas estão ligadas ao mercado interno: ou porque também vendem para ele - e, portanto, sofrem com o colapso da procura -, ou porque têm relações com fornecedores internos, sujeitos a impostos draconianos, ou ainda porque são confrontados com uma força de trabalho esmagada pela violência fiscal. Ou seja: a economia não é compartimentada. Embora quem exporte sobreviva melhor, não deixa de tornar-se menos competitivo por causa do contexto.

E qual é o contexto? Além do que já se conhece, o Governo admite que a retoma prevista para 2014 será pouco ou nada sentida pelas famílias. O contributo do consumo privado para a taxa prevista de crescimento (0,8% ) será de apenas 0,1 pontos percentuais, o valor mais baixo de todos os episódios de recuperação registados desde 1961. O mesmo acontecerá com a procura interna, que oferecerá uma ajuda de apenas 0,2 pontos percentuais, o valor mais baixo nos 53 anos de observações. É bom perceber que estamos a falar de uma previsão e que as previsões são sempre otimistas.

No fundo, a coisa está assim: o ajustamento era inevitável, a herança uma tragédia, mas a recessão está a ser tão profunda que: 1) o desemprego vai a caminho dos 17%; 2) em proporção do PIB, as empresas devem hoje mais do que quando começou a crise; 3) a dívida pública está nos 123% e não está estabilizada; 4) não há crédito e os bancos (em cartel?) continuam a cobrar juros de usura, apesar de o comprarem barato ao BCE. Acreditar que o crescimento surgirá de geração espontânea é não apenas otimista - tem tudo para dar errado. Veremos.» [DN]
   
  
     
 O Franquelim foi vítima de trabalho infantil na Ernst & Young!
   
«O currículo oficial do novo secretário de Estado do Empreendedorismo, Franquelim Alves, coloca o governante como tendo iniciado a sua vida profissional aos 16 anos na consultora internacional Ernst&Young, contrariando outras duas versões disponíveis na Internet.

O ‘curriculum vitae’ (CV) do secretário de Estado disponível no portal do Governo já tinha suscitado polémica porque não referia a sua passagem pela Sociedade Lusa de Negócios (SLN), a sociedade que detinha o Banco Português de Negócios (BPN), mas também refere que o agora governante nasceu a 16 de novembro de 1954 e “iniciou a sua carreira, em 1970, como auditor e consultor da empresa internacional Ernst&Young”.

Já o currículo que entregou à Faculdade de Direito da Universidade Católica, onde ainda consta como docente do Mestrado de Direito e Gestão, aponta o ano de 1970 como o do primeiro emprego (nas Fábricas Mendes Godinho de Tomar), tendo começado a carreira na Ernst &Young Portugal no ano seguinte, aos 17 anos.» [i]
   
Parecer:
 
Pobre Franquelim, viveu uma vida de abusos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
      
 Pobre Mário Nogueira
   
«"Não aceitamos. Os professores não aceitam mais carga horária. Não é possível", disse Mário Nogueira, durante uma conferência, em Lisboa, para apresentar as iniciativas da Semana de Luto e de Luta, que a federação vai promover de 18 a 22 de Fevereiro.

Segundo Mário Nogueira, os professores estão já no limite da capacidade de trabalho: "Não estamos disponíveis sequer para discutir um pagamento para estar lá até às 40 horas".

De acordo com Mário Nogueira, medidas como esta, o fim das reduções lectivas e o aumento da hora lectiva para 60 minutos permitiriam eliminar 30.000 horários de professores nas escolas.

"Na verdade o que está montado é para despedir e despedir muita gente", disse.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Ele que lutou tanto por este governo... e agora nem consegue uma manifestação que se veja, parece que os professores instalados se estão borrifando para os que serviram de tropa de choque.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
   
 Que se lixe a coesão, venha a massa para os votos
   
«A "principal preocupação" do Governo nas negociações do novo quadro financeiro europeu até 2020 é evitar os cortes no fundo para o desenvolvimento rural, que são considerados "inaceitáveis".

Portugal já sabe que vai perder dinheiro face ao anterior quadro financeiro. E, de acordo com fonte diplomática, o Executivo aceita o corte de 10% previsto no fundo de coesão, até porque essa redução é atenuada pelo "cheque" suplementar de cerca de mil milhões de euros enviados para Lisboa e para a região autónoma da Madeira. » [DE]
   
Parecer:
 
O PSD vai fazendo tudo para tentar segurar o voto mais marginal, o dos subsidiados que tanto condenou e o populismo ruralista.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Barracada curricular
   
«O PÚBLICO confirmou que Franquelim Alves entrou na Ernst & Young com 16 anos, mas com funções não qualificadas e de início de carreira, diferentes, portanto, das enunciadas no currículo oficial do Governo. A empresa consultora chamava-se então Ernst & Whinney, nome que só foi alterado para Ernst & Young depois da fusão entre sócios da empresa, em 1989.

Este percurso foi confirmado ao PÚBLICO e ter-se-á desenrolado ao longo de 17 anos dentro da empresa consultora. Mas já depois desta informação, a Ernst & Young Portugal vem contradizer o que afirmou ao PÚBLICO, corrigindo, através de um comunicado de imprensa, que Franquelim Alves iniciou carreira como "auditor júnior" na Barton Mayhew & Cia, uma das empresas que daria origem à actual Ernst & Young.» [Público]
   
Parecer:
 
Ainda vamos concluir que se licenciou com 15 anos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   

   
   
 photo Sanya-Khomenko-5_zpsc9d95576.jpg
  
 photo Sanya-Khomenko-4_zps864291ba.jpg
   
 photo Sanya-Khomenko-3_zps085eb57e.jpg
   
 photo Sanya-Khomenko-2_zps5b6dec65.jpg
  
 photo Sanya-Khomenko-1_zpsfdb76011.jpg