sábado, maio 04, 2013

Jumento do Dia



Durão Barroso, o "chiuaua" da senhora Merkel

Depois de ter chegado a presiente da Comissão dando graxa a Bush, Aznar e Blair, o nosso Cherne parece que aposta na renovação do mandato dando graxa a Merke. As coisas correm-lhe bem e se não ocorrerem eleições antecipadas em Portugal não corre o risco pouco provável de um governo do PS chumbar a sua recondução.
 
Há poucos dias Durão Barroso ousou ter uma restea de coragem e criticou a austeridade. A coragem durou-lhe um dia pois mal a senhora Merkel lhe abriu os olhos mandou dizer que não tinha dito muito bem o que disse. Agora, percebendo que a senhora Merkel pode estar zangada , Durão Barroso vem reafirmar a sua obediência canina e como prova da sua lealdade à senhor do IV Reich não hesita em achincalhar o seu próprio país.
 
Não é com gente deste nível que a Europa vai longe, a presença de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia é a prova de que o projecto europeu está em risco, não tem nem estatura política nem nível para o cargo.

«O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, defende numa entrevista a ser publicada no domingo a chanceler Angela Merkel face às críticas sobre a disciplina orçamental imposta pela Alemanha.

"O que acontece em França ou em Portugal não é culpa de Merkel ou da Alemanha", afirmou Durão Barroso, numa entrevista a ser publicada no domingo no jornal alemão ‘Welt am Sonntag’, citada pela agência de notícias France Presse.

"As decisões no seio do Eurogrupo são sempre tomadas por unanimidade. É totalmente injusto apresentar as medidas como se fossem impostas por um único país ou por uma só instituição", disse Barroso, acrescentando que também é "vítima" dessas tentativas de atribuir as medidas a alguém em concreto.» [CM]

Momento intestinal na política económica

 photo assinatura_zps130f4fd1.jpg


Qualquer estudante mediano de economia, até um que andasse a tirar o curso à base de equivalências na Universidade Lusófona, conseguiria apresentar o último plano de austeridade que alguns portugueses tiveram a pachorra de ouvir da boca de Passos Coelho. E nem sequer seria necessário grande esforço, tal é o nível intelectua do famoso programa de cortes. Num qualquer momento de dificuldades intestinais, pegando num bloco e numa Bic qualquer estudante menos promissor conseguia alinhavar a maioria das medidas apresentadas por Passos Coelho.
 
Se aquilo é uma redefinição das funções do Estado sugerida pelo Gaspar, a refundação do Estado assumida por Passos Coelho ou a reestruturação do Estado conduzida pelo Paulo Portas é caso para dizer que vou ali e já volto. São medidas soltas, rvelam incompetência, não têm qualquer coerência, estão mal avaliadas e ninguém pensou nas suas consequências. É deprimente ver um Estado da União europeia ser governado desta forma, como se fosse a tasca da coxa.
 
Se eu fosse o tal melhor aluno da turma sentiria vergonha por apresentar um programa destes e se nos tempos de estudante o tivesse apresentado à minha professora de política económica o mais provável é que ela me tivesse sugerido que me tinha enganado na profissão propondo-me a de calceteiro. Mesmo assim acho que Lisboa tem dezenas de calçadas com mais valor acrescentado intelectual do que o que o Gaspar trouxe à política portuguesa, aliás, algumas da assinaturas dos calceteiros de Lisboa, como a da imagem, têm mais valor e merecem mais ser preservadas do que a de um ministro que dentro de algum tempo só será lembrado para obrigar as crianças a comerem a sopa. Não admira, os nossos calceteiros não foram a Harvard copiar estudos duvidosos para os depois assinar por baixo pensando que se estava fazendo uma grande obra.
 
 photo Flintstones_zps13f25724.jpg
  
Um ministro que em vez de investir no aumento da produtividade aposta em aumentos de horários ainda está no tempo da pedra lascada e não pode ser levado a sério, não passa de uma personagem dos Flintstones. O mesmo se pode dizer do aumento da idade de reforma, para o Flintstone das Finanças uma administração onde dentro de meia dúzia de anos a maioria dos funcionários está acima dos 60 anos será a administração de que o país precisa.
 
No esforço desesperado de despedirem funcionários pela calada esta gente faz tudo para tornar dispensáveis todos os funcionários que trabalham com contratos. Por outro lado, tentam prolongar ao máximo o tempo de trabalho de alguns grupos profissionais em que escasseiam os jovens com formação, como é o caso dos médicos. Dentro de seis anos o Estado será um imenso Palácio de Belém, cheio de velhos, porque, entretanto, o Gaspar despediu os jovens. Esta estratégia terá duas consequências nefastas, uma nova espiral de desemprego e um aumento da percentagem dos jovens desempregados pois os professores e outros profissionais que vão ser despedidos em massa pela calada são precisamente os funcionários mais jovens.
 
Este é um programaque mais parece ter sido produzido pelo intestino do que pelo cérebro o que não admira ninguém, em muitos dos nossos ministros não se sente grande diferença entre quando pensam com o intestino ou defecam com o cérebro.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
 photo armada-chinesa_zpsd960182c.jpg
 
Armada chinesa no Rio Tejo

PS: terão vindo trazer o pilim para pagarem os 50 mil mensais de pentelhos ao camarada catedrático a tempo parcial zero por cento Eduardo Catroga, o controlador da EDP?
   
 Uma proposta

A democracia não pode viver sem Presidente da República e muito menos sem se saber sequer se o Presidente eleito está vivo ou se já foi desta para melhor e ninguém se lembrou de o ir ver ao gabinete. Como ninguém é herdeiro do Palácio de Belém nem o edifício para IMI há um sério risco de um dia destes se estar à espera do Presidente para a cerimónia do 25 de Abril e ter de se dispensar a guarda de honra. Por isso faria todo o sentido instituir a prova de vida do Presidente, sempre que ele desaparecesse por um determinado período considerado prolongado mandava-se alguém a Belém certificar-se de que estava tudo bem.

 O que é feito dos três palermas da troika?

Quando penavam que a sua receita era milagrosa os três incompetentes da troika, o Salassie e os outros dois com ar de anormal que nem sequer têm direito a nome, não se cansavam de ir a seminários e de elogiar o programa português, era só sucessos, desde as exportações às contas públicas.

Aos primeiros sinais de dificuldades passaram ao Gaspar a tarefa de comunicar os resultados das avaliações periódicas, que é para fazer os fretes que o meteram em  ministro das Finanças. Mesmo assim ainda se deixavam ver em público e o Salassie ainda dava entrevistas.

Agora que o desastre é evidente e já se percebeu que o petroleiro vai entrar pela praia adentro  os três rapazolas desapareceram, quando vêm a Portugal andam escondidos e não falam com a comunicação social. Comportam-se como ratazanas e foram os primeiros a abandonar um navio que deixaram aos comando do Gaspar. Agora já não lhes interessa colher os sucessos, o importante é passar a ideia de que a incompetência foi do governo português e que eles nada tiveram a ver com o desastre.

Esta gente mete nojo e é lamentável que nem o FMI, nem o BCE nem a Comissão já tenham feito o que deviam fazeer, assumir as responsabilidades que têm no desastre português e demitir os três palermas que mandaram cá (quatro com o mais espertinho que fugiu antes e de quem se dizia que ia controlar o processo à distância) por incompetência e triste figura.


  
 Portas: eu é outro
   
«A 26 de abril, a publicação de uma sondagem no i dava o PP a subir. Na notícia correspondente, lia-se: "O CDS é o segundo partido da oposição que mais sobe." Entretanto corrigida, a frase é testemunho da fenomenal operação de acrobacia, derrisão e vampirismo que Portas e o seu PP têm vindo a desenvolver desde a formação do Governo.

Sustentar um Executivo que toma medidas brutais e mesmo assim pretender que se opõe, lágrima no olho, a cada malfeitoria. Plantar notícias nos jornais sobre supostos enfrentamentos homéricos em conselhos de ministros e largar venenos sortidos sobre colegas de Governo para surgir como o parceiro "bom" da coligação, o que está lá para garantir que as coisas não serão tão más como poderiam ser, numa espécie de imolação dos seus princípios para nos salvar. Afetar sentido de Estado, quando é exatamente o papel de vítima que lhe convém, perante sucessivas humilhações infligidas pelo PM - da certificação, numa entrevista televisiva pós-episódio da TSU, de que o seu número dois é Gaspar ao desprezo a que votou o líder parlamentar do CDS no último debate quinzenal, passando pelo facto de, perante o chumbo de várias medidas pelo Tribunal Constitucional, ter ido a Belém certificar a viabilidade do Governo acompanhado, não do líder do outro partido da maioria, mas do ministro das Finanças. Registar no anedotário nacional da provocação passiva-agressiva os silêncios, ausências, expressões faciais e pronunciamentos do líder, com o monólogo sobre a TSU no top. Exigir remodelações e alterações de política a várias vozes do partido - enquanto no Parlamento não só vota a favor de tudo como se ergue em êxtase ante o discurso presidencial que diz não haver alternativa.

É isto o PP: o partido que enche a boca com a família, os reformados e desfavorecidos mas tem um ministro da Segurança Social que cortou 6% ao subsídio de desemprego e 5% ao de doença (e veremos hoje às oito da noite o que lhes vai cortar mais), que esmifrou o complemento solidário dos idosos (a medida que mais contribuía para a redução da pobreza da terceira idade), que diminuiu o RSI das crianças e que tirou dinheiro ao subsídio de parentalidade. O partido que manda cartas aos militantes a jurar que "com ele" não se aumentarão mais impostos e a seguir vota o maior aumento fiscal da democracia portuguesa.

Se tinha ideário, deixou de o ter - à exceção do programa de sempre de Portas: sobreviver e acabar com o PSD para poder ser um dia PM. "Eu é outro", diz, como Rimbaud, o PP (Paulo e o partido): estou no Governo e fora, faço o mal e a caramunha, olhem como sou esperto. Estará a resultar? A última sondagem diz que sim. Mas hoje, ao ouvir Passos, não se esqueça que tudo o que ele anuncia tem a assinatura de Portas. Além de indecorosamente traiçoeiro (de molde a enojar até quem execre o PM), o jogo que joga com tão óbvio deleite tem o País - a nós - como bola de trapos. E se lhe perguntarem se sabe, ele sabe.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.   

 O padrão de Gaspar
   
«A cada falhanço nas suas previsões e nos seus resultados, o ministro das Finanças responde sempre da mesma maneira: mais austeridade. Mas já é tempo de parar com isto: este disparatado “padrão de comportamento” de Vitor Gaspar está a destruir a economia e a dar cabo da vida dos portugueses.

A infinita arrogância do ministro das Finanças - que se funda numa cegueira ideológica, travestida de superioridade científica - impede-o de ver a dramática realidade económica e social que está à vista de todos (e que tem sido denunciada até por muitos dos ex-ministros das Finanças da direita). É esse obstinado "estado de negação" que torna Vítor Gaspar totalmente incapaz de ler a situação da economia e de corrigir a trajectória da sua política orçamental. A realidade, porém, não depende tanto da visão de Vítor Gaspar como das consequências da sua política de austeridade "além da ‘troika'". E essas consequências estão bem presentes nos números que o próprio ministro das Finanças apresentou com a frieza de sempre, como se não fosse nada com ele. Vale a pena ver.

Desde que chegou, Vítor Gaspar já apresentou três Documentos de Estratégia Orçamental (em Agosto de 2011, em Abril de 2012 e agora em Abril de 2013). Entre o primeiro e o último, elaborados com um intervalo de menos de dois anos, a previsão de Gaspar para a evolução da economia neste ano de 2013 passou de um crescimento confortável de 1,2% para uma recessão profunda de 2,3%! Quanto à previsão da taxa de desemprego para 2014, disparou dos 12,6% para uns dramáticos 18,5%! E até a dívida pública, cujo máximo inicialmente se previa para este ano, com 106,8%, fechou o ano de 2012 já com 123,6%, prevendo-se agora que alcance os 123,7% no próximo ano. E todo o cuidado é pouco: sendo estas as previsões de Vítor Gaspar, escusado será dizer que o resultado final deverá ser bastante pior.

Perante este quadro de absoluto desastre económico e social, o que Vítor Gaspar veio anunciar ao País foi fiel ao seu conhecido "padrão de comportamento" diante dos maus resultados: mais austeridade. Sempre. Desta vez, no entanto, para além de revogar ostensivamente o Memorando para o Crescimento apresentado na semana anterior pelo desprezado Ministro da Economia, o anúncio de Vítor Gaspar assumiu o tom de uma verdadeira provocação ao País: afinal, em vez dos famosos 4000 milhões de euros que o Governo se propunha cortar até 2015, o Ministro das Finanças quer agora cortar mais de 6500 milhões de euros até 2016!

Decididamente, quando se generalizam os apelos para a adopção de medidas favoráveis ao crescimento e ao emprego, o ministro das Finanças fez questão de desfazer qualquer ilusão que ainda pudesse subsistir no Governo ou fora dele. A sua mensagem aos distraídos foi dura e clara: a espiral recessiva não é um dano colateral da política de austeridade, é uma escolha. É por isso que ninguém, nenhum resultado, nenhuma evidência desviará Vítor Gaspar da sua crença e do seu objectivo de fazer o "ajustamento" da economia portuguesa por via do empobrecimento generalizado do País. E será assim, de facto, enquanto este ministro for ministro. Ou enquanto este Governo for Governo.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
 
 

 Ao que o PSD chegou
   
«O PPM vai candidatar-se à Câmara de Lisboa nas autárquicas deste ano em coligação com o Partido Pró Vida (PPV), rompendo a coligação com o PSD por considerar que os sociais-democratas "não têm um candidato credível".

"Vamos concorrer a todos os lugares do poder autárquico em Lisboa em coligação com o Partido Pró Vida (PPV) - a 'Plataforma de Cidadania' - e estamos abertos a todos os independentes. Rompemos a coligação que tínhamos há oito anos com o PSD, porque não têm um candidato credível", disse hoje à agência Lusa o líder do grupo municipal da capital do Partido Popular Monárquico (PPM), Gonçalo da Câmara Pereira.» [Expresso]
   
Parecer:

Até os monárquicos já cospem na sopa do PSD:
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se a rejeição, é preferível cuspir na sopa a engolir o Seara, a Judite que o coma..»
   
 O grito do reitor
   
«O reitor da Universidade de Lisboa (UL), António Nóvoa, defendeu nesta sexta-feira que, “em tempos tão duros como os de hoje, ninguém tem o direito de ficar em silêncio”.

Falando na sessão de abertura do congresso da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), que decorre até sábado em Lisboa, Nóvoa concretizou o que deve ser dito: “É tempo de dizer não. Não à degradação da escola pública. Não à mobilidade dos professores. Não a um país sem futuro. Como dizia Sophia de Mello Breyner: ‘Perdoai-lhes, Senhor, porque eles sabem o que fazem’”.

Segundo o reitor da UL, que não tem poupado críticas a este Governo, “os economistas da inevitabilidade tudo têm tentado para nos obrigar a recuar”. Mas também aqui a resposta tem de ser “não”, frisou: “Não haverá recuo. Não voltaremos atrás, porque não podemos prescindir de nada quanto à valorização da escola e dos professores, porque é aqui que estão as condições para um Portugal futuro que não seja apenas a repetição do Portugal passado”.» [Público]
   
Parecer:

Não há memória de tal grito por parte de um reitor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Grite-se com o reitor.»
     
 Esta cota é uma desmancha prazeres
   
«Manuela Ferreira Leite afirma que o anúncio que Pedro Passos Coelho vai fazer esta sexta-feira, às 20h00, não garante o êxito das medidas que o Governo pretende aplicar para reduzir o défice.
  
Ontem, no seu espaço de comentário na TVI24, a antiga ministra das Finanças considerou que o Documento de Estratégia Orçamental do executivo é uma espécie de “tese de doutoramento”, que não passa de “um modelo teórico sem nenhuma adesão à realidade”.
  
“Normalmente, as teses de doutoramento têm uns modelos teóricos que o doutorando pretende provar, e depois prova através de factos concretos. E aqui não tem a mínima hipótese de ter um facto concreto que caiba dentro daquele modelo que está ali desenhado”, concluiu Manuela Ferreira Leite.
  
“Não estou nada convencida que seja exequível o que estão a dizer que vão fazer. Podem anunciar, amedrontar, criar ainda mais espírito de recessão, afundar psicologicamente as pessoas, mas resultados não vão ter nenhuns”, sublinhou a antiga titular da pasta das Finanças.» [CM]
   
Parecer:
 
Pobre Passos Coelho, tem a sua própria casa cheia de aves agoirentas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
      
 Até o Frasquilho já faz xixi fora do penico
   
«O economista social-democrata considera que Portugal tem de baixar impostos e que a austeridade na sociedade como um todo deixou de ser necessária. "Concentrava-me em baixar o IRC e o IRS", afirma.

"Ajustámos o défice crónico que tínhamos em dois anos. As famílias e as empresas ajustaram-se, o Estado não se ajustou", afirma , afirma Miguel Frasquilho, em entrevista ao "Jornal de Negócios", a propósito do lançamento do livro "As Raízes do Mal, a Troika e o Futuro", que reúne as suas crónicas, com prefácio de Pedro Passos Coelho, um texto em que o primeiro-ministro revela que quis mais tempo e mais dinheiro quando em 2011 negociou com os credores.» [DN]
   
Parecer:
 
Por este andar ainda vai aparecer a fumar em casa!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se e alerte-se o Frasquilho para o risco de o Gaspar lhe dar umas palmatoadas.»
   
 Ainda pior?
   
«A Comissão Europeia manteve hoje inalteradas as suas previsões para a economia portuguesa, mas advertiu que "parece garantido" que haverá uma revisão em baixa destas estimativas.

Nas previsões económicas da primavera divulgadas hoje, a Comissão mantém para Portugal uma queda da economia de 2,3% em 2013 e um regresso ao crescimento em 2014, com o Produto Interno Bruto (PIB) a subir 0,6%, correspondendo exatamente às previsões apresentadas em março pelo Governo e pela 'troika' (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu) no âmbito da sétima avaliação a Portugal e as mesmas metas que o Governo inscreveu no Documento de Estratégia Orçamental que apresentou no dia 30 de abril.

No relatório hoje divulgado, a Comissão escreve, no entanto, que, apesar dos efeitos que levaram a uma queda mais forte do que o previsto no final de 2012 já terem sido revertidos, "uma revisão em baixa do crescimento para 2013 parece garantida como resultado de uma maior deterioração das previsões de crescimento para as exportações portuguesas e de um agravamento das perspetivas para o mercado de trabalho".» [i]
   
Parecer:
 
Mas o Gaspar não tinha prometido várias vezes o fim da austeridade e que com a golpada orçamental deste ano haveria crescimento e criação de emprego no segundo semestre?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Derrube-se o governo dos incompetentes.»
   
 Que amigos que nós eramos...
   
«O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, defendeu hoje a demissão “urgente” do Governo que protege os “crimes de banqueiros, especuladores e alguns governantes”, e comete crimes sociais, como os cortes na educação.

Na sessão de abertura do 11.º Congresso Nacional de Professores, que começou hoje em Lisboa, Mário Nogueira classificou de “criminosos” os cortes na educação e alertou para a chegada de mais más noticias, ao início desta noite, quando forem anunciadas as medidas destinadas a conseguir novos cortes da despesa do Estado.

“Já seria criminoso cortar na educação e no conjunto das funções sociais do Estado mais 4 mil milhões de euros”, afirmou o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, lembrando que os cortes vão rondar os seis mil milhões e que os professores "não o podem aceitar".» [i]
   
Parecer:
 
Enfim, contradições no seio da burguesia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se da figura que a personagem anda a fazer e sugira-se que vá outra vez ao gabinete do Menezes queixar-se do governo.»
   
 Boas novas do ajustamento
   
«A despesa com subsídios de desemprego e apoio ao emprego cresceu nos primeiros três meses do ano quase tanto como era suposto crescer no ano inteiro, indica a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO).

Numa análise à execução orçamental em contabilidade pública (em fluxos de caixa) dos três primeiros meses do ano, os técnicos independentes que funcionam junto da comissão parlamentar de Orçamento e Finanças apontam um forte agravamento acima do esperado no Orçamento do Estado para 2013.

"No primeiro trimestre, o acréscimo da despesa relativa ao subsídio de desemprego e de apoio ao emprego (92,6 milhões de euros), em termos homólogos, representa a quase totalidade do aumento anual previsto, em termos absolutos (98,2 milhões de euros)", dizem os técnicos.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
Glorioso Gaspar, só eu sei porque não o mandam para casa. Como era de esperar as aldrabices em relação ao emprego teriam de esconder uma aldrabice nas previsões das prestações sociais, resta agora saber se o Gasar vai fazer uma birra a Belém queixando-se de que a culpa de tanto desemprego é do Tribunal Constitutcional.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Promova-se uma subscrição pública para contruir uma estátua ao Gaspar, substituir o cavaco do D. José na estátua equestre do Terreiro do Paço, em Lisboa.»
   
 Competência alemã
   
«Um homem conseguiu pagar a conta do supermercado alemão com uma nota falsa de 30 euros. A operadora da caixa não se apercebeu que se tratava de uma nota falsa e até deu troco. A falsificação era muito boa, o papel e o tamanho eram iguais às notas de 20 euro, só que tinha um 30 em vez de um 20.
  
Segundo explicou às autoridades, o homem encontrou notas de 30 euros numa rua de Westfalen, na Alemanha. Pensou logo tratarem-se de notas de brincar e guardou uma para mostrar mais tarde à mulher, escreve o diário alemão "Bild".

Horas mais tarde, sem se aperceber usou a nota num supermercado para comprar tabaco.

A operadora da caixa do supermercado quando tomou consciência do erro que acabara de cometer ao aceitar uma nota de 30 euros já era demasiado tarde. O homem já tinha ido embora.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
Enfim....
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 Coitadinho do Passos Coelho...
   

«Durante as negociações com a Troika em 2011, o então líder do PSD defendeu mais um ano para o programa de ajustamento, mas foi-lhe dito que já não era possível, deduzindo que o governo de José Sócrates não o pediu. Revelações de Pedro Passos Coelho no prefácio do livro de Miguel Frasquilho "As raízes do mal, a troika e o futuro", onde o primeiro-ministro afirma também que o empréstimo deveria ter sido superior, considerando que está aqui, no envelope financeiro, a grande deficiência do Programa.

Depois de revisitar com contra-argumentos os argumentos que têm sido usados para criticar o Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF), o primeiro-ministro debruça-se sobre a duração e o empréstimo, considerando que "merecem ser vistos autonomamente". 

Sobre a duração do programa, Pedro Passos Coelho revela "o resultado da troca de palavras" com a troika, na altura como líder do maior partido da oposição. "Parecendo-me que ganharíamos segurança na execução do Programa dispondo de mais tempo do que estava previsto (sugeri 4 anos em vez dos 3 anos apontados) ouvi uma resposta que sugeria mais ou menos o seguinte: ‘não garantimos que a resposta a essa questão pudesse ser positiva, mas é demasiado tarde sequer para a suscitar". E acrescenta: "Deduzi, portanto, que o governo português não tinha colocado esta questão [de mais tempo] em cima da mesa e que, naquela fase, ela era extemporânea". Admite contudo que fosse difícil, uma vez que "os programas tradicionais suportados pelo FMI não têm, em regra, duração superior a três anos".» [Jornal de Negócios]

   
Parecer:
 

Este perigoso extremista do troikismo que está farto de dizer que não queria mais tempo nem mais dinheiro afinal tinha defendido o contrário. O problema é que em período eleitoral Passos Coelho disse muita coisa de que se esqueceu.

Agora que o desastre é eminente dá provas de grande cobardia, evitando as responsabilidades e tentando atribuir as consequência da sua política à Pinochet a Sócrates. Agora que se sabe que a sua política económica, decidida pelo Gaspar já depois das eleições e à margem do memorando, correspondeu à transformação do país num centro de testes de economistas pouco rigorosos e nada escrupulosos, vem este imbecil demitir-se das responsabilidades.

O que Passos tem de explicar ao país é porque motivo tentou ir além do memorando e porque razão este foi agravado, muito provavelmente a pedido do governo português, em todas as avaliações que foram feitas.

Tínhamos um incompetente, agora temos um incompetente inimputável.

   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se o incompetente.»
   

   
   
 photo Edmondo-Senatore-5_zps8f8e6715.jpg
  
 photo Edmondo-Senatore-4_zpscbceb1b8.jpg
   
 photo Edmondo-Senatore-3_zps91e7bd61.jpg
   
 photo Edmondo-Senatore-2_zps4b3b09b8.jpg
  
 photo Edmondo-Senatore-1_zpsa10da456.jpg

sexta-feira, maio 03, 2013

Jumento do Dia


  
Crato, o anormalão do ensino

Anormalão!

É o único comentário possível a esta notícia.

«Durante as negociações com a Troika em 2011, o então líder do PSD defendeu mais um ano para o programa de ajustamento, mas foi-lhe dito que já não era possível, deduzindo que o governo de José Sócrates não o pediu. Revelações de Pedro Passos Coelho no prefácio do livro de Miguel Frasquilho "As raízes do mal, a troika e o futuro", onde o primeiro-ministro afirma também que o empréstimo deveria ter sido superior, considerando que está aqui, no envelope financeiro, a grande deficiência do Programa.

Depois de revisitar com contra-argumentos os argumentos que têm sido usados para criticar o Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF), o primeiro-ministro debruça-se sobre a duração e o empréstimo, considerando que "merecem ser vistos autonomamente". 

Sobre a duração do programa, Pedro Passos Coelho revela "o resultado da troca de palavras" com a troika, na altura como líder do maior partido da oposição. "Parecendo-me que ganharíamos segurança na execução do Programa dispondo de mais tempo do que estava previsto (sugeri 4 anos em vez dos 3 anos apontados) ouvi uma resposta que sugeria mais ou menos o seguinte: ‘não garantimos que a resposta a essa questão pudesse ser positiva, mas é demasiado tarde sequer para a suscitar". E acrescenta: "Deduzi, portanto, que o governo português não tinha colocado esta questão [de mais tempo] em cima da mesa e que, naquela fase, ela era extemporânea". Admite contudo que fosse difícil, uma vez que "os programas tradicionais suportados pelo FMI não têm, em regra, duração superior a três anos".» [Jornal de Notícias]

Apareça senhor Costa!


Quase sem ninguém perceber de vez em quando desaparece mais uma das espécies que animaram o país no circo de Passos Coelho. Desde logo essa estrela que é o António Borges e que mais parece um cometa, ora aparece deixa por aí algumas das suas poeiras e continua na sua órbita até desaparecer. O Nogueira Leite prometeu emigrar se o governo lhe fosse ao bolso, a verdade é que o governo foi-lhe mesmo aos bolsos, saiu da CGD e não se sabe bem se anda por aí ou se emigrou e anda por lá, o certo é que ninguém o vê. João Duque também parece ter desaparecido, dantes bastava o governo adoptar uma medida de austeridade para que João Duque tivesse logo de correr para dar explicações em prime time, gora desapareceu.
  
Até parece que alguém ouviu a palavra de Deus e decidu construir uma Arca de Noé para salvar o zoo de Passos Coelho pois é certo de que mais dia, menos dia vem aí um dilúvio que limpará o país desta direita.
 
Mas o mais curioso dos desaparecidos é o senhor Costa do Banco de Portugal, essa entidade competentíssima que permitiu a fraudes do BPN e do BPP, esse regulador cuidadoso que permitiu que os bancos trabalhassem sem capital, essa instituição independente do poder que emprega nos gabinetes ministeriais uma boa parte dos seus quadros. Pois o senhor Costa que era um dos mais fervorosos militantes da pinochetada económica do Vítor Gaspar desapareceu. No outro dia ainda foi explicar a crise a uns pirralhos, mas a verdade é que desapareceu.
 
Pois o nosso Costinha do Banco de Portugal não deverá ter desaparecido por mero acaso ou porque o governo lhe foi aos bolsos. Então porque razão despareceu o senhor Costa, um modesto economista que outro portuense do governo PS promoveu a governador do BdP?
 
Terá entrado em conflito com o governo, zangou-se com o Gaspar, discorda da ultima pinochetada do Gaspar, decidiu manter a distância que devia ter mantido desde o primeiro dia? Desiludam-se, o senhor Costa não tem nada de parvo, o que o senhor Costa está fazendo é protegendo os seus interesses, está saindo das luzes da ribalta não vá alguém lembrar-se que o seu BdP não passa de uma zona de conforto para amigos, a instituição com menos competências e responsabilidades do Estado português, mas a que melhor paga.
 
É curioso como o Banco Central Europeu colocou um dos seus em ministro das Finanças e o Banco de Portugal reservou para si o mais importante lugar de secretário de Estado. O ministro adopta as medidas e esquece-se de as aplicar aos funcionários e gestores do Bdp. O secretário de Estado lixa os funcionários públicos mas esquece-se dos seus colegas do BdP. Estes senhores estão confundindo o estatuto de independência do Banco de Portugal com um estatuto de extra-territorialidade. Se estivessem isentos de pagar IVA e IMI dir-se-ia que tinham o estatuto de diplomatas, mesmo assim não me admiraria que estivessem a receber algum subsídio para compensar o impacto da austeridade. A verdade é que o Gaspar fez o levantamento dos sistemas de remuneração do Estado e deixou de fora o BdP.
 
O BdP é Estado para ums coisas e é uma entidade privada noutras, mete-se na política quando quer e invoca a independência quando lhe convém. De caminho vai controlando o ministério das Finanças, colocando um ministro, um secretário de Estado e vários directores-gerais, adjuntos e assessores. É como se o ministro da Justiça fosse alguém sugerido pelo presidente do Supremo Tribunal. E por falar em presidente do Supremo como é que se explica que o Rosalino do Bdp possa decidir cortar no vencimento do seu presidente e permitir que um estagiário BdP ganhe mais do que um médico?
 
Este controlo do ministério das Finanças pelo BdP além de ser perverso é uma violação clara da independência entre o governo e o BdP, independência que deve ser entendida nos dois sentidos. Percebe-se porque razão o senhor Costa desapareceu, desta forma evita que alguém se lembre dessa situação pornográfica que é o estatuto de zona franca do conforto no Estado que é a bandalhice instalada na gestão dos dinheiros do BdP. Porque razão os funcionários do BdP não tiveram qualquer corte ou perda de benefícios? Porque razão a única reestruturação feita no estado foi a do Bdp e dela resultou a extra-territorialidade do banco em relação ás medidas de austeridade? Porque razão o fundo de pensões do BdP foi o único da banca a não ter sido transferido para o Estado?
 
Percebe-se o desaparecimento do senhor Costa, é para que o povo não perceba que é o BdP a decidir as pinochetadas que o povo leva e em troca os seus administradores e pessoal fica de fora de todas as medidas de austeridade.
 
A independência não significa que os funcionários tenham de ser tratados como se fossem estrangeiros e tanto quanto se saiba do memorando não constam excepções. Na EU o estatuto dos funcionários do BCE é rigorosamente igual aos dos funcionários da Comissão ou do Conselho. Porque razão em Portugal os funcionários do BdP ganham mais do dobro e não estão sujeitos a qualquer medida de austeridade.
 
Vá lá senhor Costa, apareça e já que gosta de dar lições ao país aproveite e explique o porquê deste abuso oportunista.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
 photo Rml_zps7e1229ed.jpg

Simbologia maçónica no frontão do edifício da Região Militar de Lisboa
  
 Bem me parecia que já tinha ouvido coisa parecida

«O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, sublinhou hoje que "é necessário consenso político esclarecido e generalizado", exigindo-se igualmente "uma política de verdade por contraste com uma política de mentira, insulto e dissimulação".» [Jornal de Negócios] Vitor Gaspar


Oliveira Salazar em 28 de Maio de 1966, comemorando o golpe de 1926

É um atributo deles, a verdade está sempre do sue lado...

 Uma dúvida que me assiste

Se Paulo Portas ficou com a pomposa atribuição de reestruturar o Estado porque razão não é ele a apresentar as medidas? A criança ainda mal nasceu e já é filha de pai incógnito.
 
 Para denunciar os f.d.p.

 photo fdp_zps14455e09.jpg
  
 
 O país vai pagar caro a estupidez


Primeiro levaram os negros.
Mas não me importei com isso. 
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários. 
Mas não me importei com isso.
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis.
Mas não me importei com isso. 
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados.
Mas como tenho meu emprego,
também não me importei.Agora estão me levando.
Mas já é tarde.Como eu não me importei com ninguém .
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht (1898-1956)


Em Portugal criou-se o mito da Administração Pública ineficaz e dos funcionários públicos a mais, a direita idiota, alguma esquerda bem pensante e comentadores da treta têm vindo a propagar esta ideia. Cavaco lançou-a, Manuela Ferreira Leite usou-a, Sócrates aproveitou-a e a verdade é que neste país uma boa parte das pessoas acredita nisso.
 
O governo encomendou um estudo que ninguém leu, que ninguém acompanhou, que ninguém debateu e decidiu concentrar no Estado e na Função pública uma boa parte da austeridade. Onde aparentemente havia benefício para os funcionários deixou de existir e com o aumento da idade da reforma é provável que dentro em breve o governo inverta a argumentação, começou por dizer que os funcionários públicos tinham privilégios para os empobrecer, dentro em breve o governo vai descobrir que afinal é ao contrário e avançará com o golpe da TSU.
 
O povo português só se manifestou contra a austeridade quando animado pelas facilidades o governo tentou dar o golpe da TSU. Quando os funcionários perderam 10% do vencimento, ainda no tempo de Sócrates, todos apoiaram, quando os funcionários passaram a pagar mais descontos todos apoiaram, quando os funcionários perderam os subsídios os portugueses continuaram em silêncio.
  
A austeridade só começou a ser considerada excessiva quando deixou de ser um exclusivo da Função Pública. Não admira que muito boa gente sinta uma sensação de alívio porque o governo parece querer concentrar a refundação do Estado. É uma ilusão, os cortes do Estado mal chegam para compensar o desvio colossal nas receitas fiscais no ano de 2013. Isto significa que o corte no Estado não vai ficar pelos 6 mil milhões, a não ser que aconteça um milagre o o país cresça com taxas dignas da China.
 
Os que hoje ficam em silêncio por se sentirem aliviados vão, mais uma vez perceberem o logro em que estão caindo, diria para usar uma expressão popular que o país está caindo que nem um patinho com a esperteza saloia do Gaspar. É uma questão de tempo para alguém descobrir que os quadros do Estado ganham menos de metade dos do sector privado e que os níveis de produtividade deste sector são a causa de todos os males. Nessa altura o Gaspar vai chamar heróis aos funcionários públicos e sacrificar os do sector privado.
 
Quando os portugueses forem ao centro de saúde e não tiverem médico, quando forem à escola e repararem na surdez de uma professora com 67 anos que mal consegue reconhecer todos os alunos da turma, quando forem ao centro de emprego e ficarem horas na fila para receber um cabaz de ajuda alimentar vão perceber que a cobardia e o oportunismo colectivo teve um preço muito elevado.


  
 O pouco que resta
     
«A Gaspar falta um pouco de tudo. Carece de credibilidade intelectual e evidência empírica (como ele diz) para mostrar resultados. Os números são-lhe quase todos fatais. Carece de força política e firmeza na coligação. Já nem lhe sobram amigos influentes que o mantenham de pé. Há algum empresário ou banqueiro ou gestor relevante que subscreva este trilho suicida? Gaspar queimou quase todas as pontes, deu cabo da confiança, rebentou com o Governo. É espantoso: dois anos incompletos de Passos e a degradação económica e social atingiu o limite sem que o essencial - a reforma do Estado - tivesse sido sequer explicada. Nem uma ideia. Só ameaças, números para o ar, adiamentos. É um governo adiado. Os eufemismos do ministro das Finanças tornaram-se insuportáveis. Diz ele que os juros da dívida estão a cair quando na verdade continua a enfrascar-nos em dívida. Mais uma daquelas conferências de imprensa com o balanço do exame da troika, uma coisa vexatória e lamentável, e mergulhamos de cabeça para uma piscina vazia.

O raquitismo político não é exclusivo de Gaspar. O mal disto tudo é que parece que vai tudo sempre pior. O que dizer de António José Seguro, o socialista que acha possível passar um congresso inteiro sem falar do essencial: a redefinição do papel do Estado? Nem uma palavra. A reforma do Estado não é só uma obsessão do Governo: é uma urgência, uma inevitabilidade, uma certeza. Resulta perfeitamente possível informar as pessoas do que pode ser feito para corrigir não apenas as contas públicas, mas para libertar a energia e os recursos privados que podem favorecer o crescimento e garantir bons serviços públicos.

Em vez disto, bandeiras ao ar e música de feira. Tudo martelado. Seguro insulta o País com um discurso recheado de impossibilidades. Acha-se o novo Guterres (o do afeto) sem ter um mindinho da preparação de Guterres e um décimo do dinheiro que havia na altura. Como se sabe aquém, inventou uma troika pessoal para compensar: ele próprio, António Costa e Francisco Assis. Isso Seguro sabe fazer: farejar nos bastidores, dividir o pecúlio. Agora temos o PS três por um. Como é possível dois políticos como Costa e Assis subirem para a caravana? Este PS é o PSD sem o D - só quer chegar ao poder, ao poder que sobrar.

Duro, catastrofista? Quem me dera. Os desafios de Portugal continuam os mesmos de há dois anos. Ao negar a natureza política dos nossos problemas e ao centrar-se em delírios contabilísticos, o Governo revelou falta de perspectiva e preparação. Nem os ministros conseguem esconder a deceção. A desorientação está à vista. Como não há ideias, restam os inimigos para ir andando: o Estado e as suas empresas, os funcionários públicos, os swaps. Tudo serve para encher o vazio. Estamos cada vez mais nas mãos de Merkel. Isso, sim, é consensual.» [DN]
   
Autor:
 
André Macedo.   

 Prisioneiro
   
«1. Nas eleições de 2011, o CDS apresentou-se como a consciência social de uma direita prudente e sensata, face a um PSD radical e aventureiro. A imagem ganhou mais força quando se percebeu que o novo Governo era efetivamente liderado por Vítor Gaspar, um técnico supostamente impecável mas sem a experiência que só Portas garantia. Acontece que Gaspar se revelou um técnico banal, mas um estratega ardiloso. Enviado pela Comissão Europeia e pelo BCE, mostrou que não abdicaria do monopólio nas negociações com a ‘troika'. Maquiavélico, decidiu provocar frontalmente o País - e o CDS - quando, em 2012, em colisão com todos os agentes políticos e económicos, subiu brutalmente a carga fiscal.

2. Gaspar e Portas são, num certo sentido, a antítese um do outro. Político experiente eleito por pensionistas, pequenos empresários e trabalhadores independentes, Portas sabe que a governação exige uma alquimia especial entre a legitimidade para decidir e um consentimento mínimo dos visados pelas decisões. Gaspar, colocado no governo pelas instituições europeias, é um tecnocrata que abomina os "políticos", e vê na democracia e nos eleitores como um empecilho para qualquer solução.

3. Quem integra uma coligação tem formalmente direito de veto e pode decidir pôr-lhe fim. A questão é se esta ameaça é, no caso de Portas, credível. No momento atual, não é. Se Portas levasse à queda do governo lançaria o País no vácuo político, e deixaria o CDS como alvo fácil da chantagem de um segundo resgate. Para ser credivel, Portas necessitaria de uma solução governativa alternativa imediata. Mas - foi isso que Cavaco Silva disse no 25 de Abril - esta não existe.

4. Enquanto se vir privado da solução nuclear, resta a Portas a táctica de guerrilha, expondo a prepotência de Gaspar e a falta de liderança de Passos. Esta é, sem dúvida, uma habilidosa manobra de sobrevivência eleitoral (com bons resultados nas sondagens) - mas, no momento em que Gaspar insiste no delirante corte de €4 mil milhões, não é irrelevante o papel de alguém com poder de veto formal que não acredita na estratégia de terraplanagem orçamental. Portas pode viver bem com a imagem de "bailarina" (na expressão de Sócrates), mas dificilmente aceitará a de "colaboracionista".» [DE]
   
Autor:
 
Hugo Mendes.
      
 Rigor Mortis
   
«O rigor apresentado pelo governo, pela Alemanha, pela troika, pela Comissão Europeia e pelo Conselho Europeu por unanimidade é hoje provadamente o rigor mortis. Os cadáveres somos nós, os europeus do Sul esmagados por várias armas de destruição em massa: uma política de austeridade assassina, uma moeda disfuncional, que, não sendo apátrida, é fundamentalmente alemã, e a Alemanha é um país onde não existe qualquer apoio político para desencadear os mecanismos de resolução da crise, como a mutualização da dívida, vulgo eurobonds.

Depois de três longos anos de crise, os europeus do Sul já deviam ter percebido que o que os espera é a dizimação – e agir em conformidade. Não será nunca possível esperar que o governo de Lisboa (que entregou a Frankfurt a pasta das Finanças) dirija qualquer levantamento contra as políticas de austeridade dentro do euro. Afinal Passos queria "ir além da troika", desmantelar o Estado e deixar Portugal com o nível salarial do Bangladesh para obter "competitividade". Mas é duvidoso que outros sinais de desagrado mais evidentes – que chegam da Itália, do novo primeiro-ministro Letta, ou até da Grécia – consigam obter qualquer tipo de resultado.

Gaspar condena-nos ao rigor mortis (a queda de 1700 milhões nas prestações sociais é um indicador claro) e depois descobre "a retoma", baseado provavelmente na mesma calculadora que usou desde o princípio e falhou todas as previsões em que se meteu. Segundo o Documento de Estratégia Orçamental, o consumo interno vai aumentar em 2014 – apesar de ser o ano, segundo o mesmo documento, que vai registar a maior taxa de desemprego de sempre. A menos que Gaspar tenha incluído nas previsões os eventuais prémios de Euromilhões que venham a cair em Portugal, é totalmente incompreensível até para um leigo porque diabo a procura interna há-de subir se não há dinheiro – o que acontece sempre que não há emprego. Se um dia se descobrir que Gaspar tinha um problema psiquiátrico que lhe toldou o pensamento e as contas, talvez os portugueses manifestem alguma compreensão.

Passos Coelho avisa que a alternativa ao rigor mortis é sair do euro, fazer uma desvalorização da moeda e de salários reais e ficar sem dinheiro para comprar coisas importadas. Cada vez mais são os que estão disponíveis para aceitar esse tipo de condições a troco de mais emprego (a taxa de desemprego era de 8% nos anos negros de 1983-85), que virá do aumento das exportações com uma moeda mais fraca. Catástrofe é o que existe e que, por variadíssimas razões, é irreversível: o statu quo europeu, a guerra Norte-Sul, a impossibilidade de transformar a Europa numa espécie de Estados Unidos. Alguém já escreveu que para salvar o que resta das aquisições da União Europeia é preciso acabar com o euro. Esse deveria ser o objectivo dos próximos Conselhos Europeus: uma estratégia para acabar com o euro com o mínimo de danos possível.» [i]
   
Autor:
 
Ana Sá Lopes.
     
 Gaaaaasssppaaaaaaaarrrrrr!!!
   
«1Conselho de Ministros de terça-feira - último dia do prazo para que a troika receba um compromisso do Governo. Decisão: haverá 6,5 mil milhões de euros de cortes até 2016. Os números gerais mostram que os impostos não descem, vai haver despedimentos na Função Pública (em que setores?), menores prestações sociais e uma projeção muito otimista de investimento e exportações (acima dos cinco por cento...).

Há uma tática subjacente ao momento. Gaspar e os assessores do Governo explicarão o que isto significa na prática, mas apenas quando quiserem. O Governo servirá os "cortes" às fatias, através de máquinas de guerra (propaganda) buscando a turbulência mediática sobreposta - combate aos "interesses instalados", defesa das "reformas estruturais", "crescimento", tudo em simultâneo, sem que se consiga discutir a fundo nada em concreto. Daqui resulta outro absurdo: a falta de informação para os cidadãos, nomeadamente o direito a saberem o conteúdo dos cortes de forma transparente e imediata, como se isto fosse uma democracia. Tem razão Gaspar: ele não foi "eleito coisíssima nenhuma".

2. Um exemplo de como os números podem ser geridos à medida do que se pretende. No último "Expresso" o economista Paul de Grauwe recordava os seguintes factos: o Banco Central Europeu (BCE) fez um inquérito no qual "descobriu" que as famílias do Sul da Europa são mais ricas do que as famílias da Alemanha... Ora, alguém acredita que as famílias dos PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), onde está concentrado quase metade do desemprego europeu, tenham mais rendimento que as germânicas? Paul de Grauwe explica a desonestidade da análise: "Os 20% de lares alemães mais ricos têm rendimentos 74 vezes superiores aos 20% mais pobres". (Em Portugal os lares com rendimento muito superior à média são apenas 5% do total). A concentração de riqueza nas famílias do topo alemãs é a mais desigual de toda a Europa.

Assim sendo, querem melhores e mais "credíveis" argumentos para o alemão médio pensar que está a ser roubado (através dos impostos) por causa da dívida dos PIIGS? E na verdade, o problema não é apenas esse. O trabalhador médio alemão não está a ter acesso à extraordinária riqueza criada na Alemanha (por exemplo, através das exportações, de que a Alemanha é a 3.ª maior do Mundo, logo a seguir aos Estados Unidos e China). Ou seja, a riqueza do trabalho alemão fica essencialmente nos acionistas, proprietários das empresas e na despesa do próprio Estado.

São números como estes, devidamente manipulados, que podem acentuar esta nossa vida de guerra. Económica. Sem a solidariedade de um país cujo nazismo, há menos de 70 anos, arrasou toda a Europa. A Alemanha tem, aliás, uma imprensa tabloide que vende nacionalismo tóxico a alemães médios tão desinformados como o grosso dos portugueses (e europeus). O "credibilíssimo" BCE, ainda por cima, deitou enxofre para a fogueira do fim do euro.

3. E de manipulação em manipulação chegamos às swap. A engenharia financeira é muitas vezes um jogo de prestidigitação. Sobem taxas? Descem? Defendemo-nos? Atacamos? Não se percebe, aliás, que algumas empresas públicas tenham levado o uso de produtos financeiros complexos até ao nível de risco "tóxico", uma escala de gravidade que francamente pareciam não entender. Mas sobretudo é vexatório que, estando o problema em análise, ninguém tenha a coragem de o assumir. Os gestores usaram "produtos normais". Os autarcas ou secretários de Estado com a tutela das empresas dizem nada ter a ver com o assunto. A pergunta permanece: quem é o pai da criança? Afinal não é o pai legítimo (decisores e gestores públicos). É o enganador do costume - o "mercado". E quem fica com a criança? A mãe (os contribuintes).

Mas há outra questão mais central: as swap revelam até que ponto as empresas públicas (e autárquicas) varrem para debaixo do tapete dívida colossal que não têm no horizonte pagar. E fica a pergunta: quando se vai limpar, a sério, o passivo destas empresas? E como organizar o país para que, por exemplo, os transportes públicos não sejam estruturalmente deficitários, chamando o transporte individual a comparticipar no seu "não-uso"? Aqui está uma boa reforma de que todos os governos tiveram medo até hoje.» [JN]
   
Autor:
 
Daniel Deusdado.
   
  
     
 E Cavaco conhece?
   
«O Partido Socialista "desconhece em absoluto" as medidas que serão apresentandas ao país, amanhã, pelas 20h, pelo primeiro-ministro, disse ao Expresso João Ribeiro, porta-voz do PS.

O desconhecimento oficial do PS é relevado pelo maior partido da oposição horas depois de ter enviado a resposta à carta que, há uma semana, o ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, dirigiu ao secretário-geral do PS convidando os socialistas para novos encontros bilaterais com o Governo.» [Expresso]
   
Parecer:
 
Cavaco anda tão desaparecido que até parece que está nalguma viagem de recreio do lar de Belém.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se alguém a Belém para nos certificarmos de que os Silva estão bem.»
      
 O Rompuy decidiu gozar com Portugal
   
«O presidente do conselho europeu, Herman van Rompuy, salientou hoje em Lisboa a necessidade de Portugal continuar a consolidar as contas públicas mas sem perder de vista o crescimento e emprego, que devem ser estimulados.

"Manter o rumo é essencial (...) A consolidação fiscal deve ser feita de maneira gradual mas firme. Os défices excessivos devem ser contidos, mas essa é uma tarefa que claramente não pode ser feita de um dia para o outro", afirmou van Rompuy numa declaração aos jornalistas, no final de uma reunião com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e antes de um almoço em conjunto.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
Este senhor ainda não deve estar a par da estratégia da troika para Portugal.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao senhor.»
   
 Uma comissão para a DECO
   
«No dia do leilão para o fornecimento de electricidade a mais de meio milhão de consumidores, a Galp esclareceu que “decidiu não participar” devido às condições impostas pela associação de defesa do consumidor, criticando a obrigação de pagar uma comissão por cada cliente contratado.

“As condições impostas aos operadores para participarem no referido leilão, nomeadamente o pagamento de uma comissão por cada cliente contratado, não permitiam a elaboração de uma oferta competitiva para as famílias Portuguesas e com racionalidade económica”, explicou a empresa liderada por Ferreira de Oliveira.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Quem é a DECO; quem manda na DECO, quem ganha na DECO, quem representa a DECO?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»
   

   
   
 photo Catherine-Hlobystova-5_zps24601133.jpg
  
 photo Catherine-Hlobystova-4_zps8fa0e759.jpg
   
 photo Catherine-Hlobystova-3_zpsabe0a398.jpg
   
 photo Catherine-Hlobystova-2_zpsb918a344.jpg
  
 photo Catherine-Hlobystova-1_zps7286ee5e.jpg