sábado, maio 25, 2013

Jumento do Dia

  
Ricardo Salgado

Até agora Ricardo Salgado tinha conseguido evitar as baboseiras, deixando a tarefa ao seu amigo Ulrich. Mas parece que o banqueiro achou que devia dar um ar da graça dos seus valores humanos e ideológicos. As suas declarações metem nojo e são dignas de um canalha, motivo mais do que suficiente para que os portugueses com sentido da dignidade boicotem o seu banco.

«Ricardo Salgado, presidente do BES, falava ontem durante a apresentação do Alqueva e das suas potencialidades a investidores estrangeiros. Quando o assunto foi a falta de trabalhadores portugueses nos campos do Alentejo, Ricardo Salgado foi peremptório: “os portugueses preferem ficar com o subsídio de desemprego”.

Mas para não deixar os investidores nervosos com uma possível falta de mão-de-obra, Salgado garantiu que esse não é um problema pois “se os portugueses não querem trabalhar e preferem estar no subsídio de desemprego, há imigrantes que trabalham alegremente, na agricultura, e esse é um factor positivo”.

Também para João Basto, da Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva, “não faz sentido num País com elevados números de desemprego, que exista este desencontro entre a oferta e a procura”, referindo-se ao grande número de imigrantes que se encontram actualmente a trabalhar na agricultura, no interior do País.» [Notícias ao Minuto]

Somos solidários com Miguel Sousa Tavares

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Facebook

Não, não temos um Tiririca!

«Pessoa que provoca o riso ou não pode ser levado a sério.»
Dicionário Houaiss

Portugal não tem dinheiro e quem não tem dinheiro não tem vícios, quem tem muito dinheiro é o Brasil e é natural que aquele país tenha vícios, não só tem vícios como se dá ao luxo de ter um Piririca no parlamento. Nós no parlamento não temos tiriricas, temos juristas, doutores de muitas artes e múltiplos empregos, mas Tiririca não temos, mesmo que algum o tentasse ser não o conseguiria, quem vai achar graça a gente tão séria e circunspecta, ainda por cima em tempos de crise em que rir é quase uma manifestação de subversão, veja-se a forma estranha como o Gaspar reagiu às gargalhadas, como se rir fosse algo tão condenável como mostrar o pirilau em público.
Se no parlamento não conseguimos ter um Tiririca muito menos o teríamos no Palácio de Belém, se no parlamento é tudo entediante imagine-se o Palácio de Belém, por ali se alguém ri à gargalhada arrisca-se a que lhe caia um pedaço, no mínimo, a que se estrague um penteado. É mais fácil encontrar alguém a rir às três da manhã no Museu da senhor Tussaudus, em Nova Iorque, do que ouvir alguém a rir à gargalhada no Palácio de Belém.
Chamar palhaço a Cavaco Silva ou mesmo a Cavaco Silva Presidente da República, que são a mesmas mas pessoa mas duas entidades distintas, é uma ofensa não só a Cavaco ou à instituição presidencial, mas também a todos os palhaços do mundo e, em especial, ao Tiririca, o único político palhaço ou, se quiserem, o único palhaço político. Chamar Palhaço a um político cuja principal característica é ser um eucalipto da alegria, pondo sim a qualquer sorriso à sua volta, é uma ofensa a um Tiririca que faz do riso profissão e razão de viver.
Imagine-se o Tiririca a ganhar duzentos mil euros de uma penada e depois explicar com ar sério e de vítima que não percebe nada dessas coisas de acções escritas em inglês. Só podia ser mesmo uma palhaçada para rir, o Tiririca de inglês só sabe dizer gringo, de acções nem imagina o que é e ninguém está a ver um banqueiros inventado pelo Tiririca. É por estas e por outras que o Tiririca diz estas coisas, para nos divertir.
Imagine-se o Tiririca a dizer que as vacas estavam com ar prazenteiro na fila da ordenha ou que as vacas da Graciosa estava felizes por ver os pastos verdes, ninguém se lembraria de sorrir e diriam logo eu o Tiririca está a ficar tiririca. É esta a diferença entre um palhaço e um presidente, o palhaço diz banalidades e ninguém se ri, um Presidente diz a mesma banalidade e toda a comitiva se ri como se o Presidente tivesse dito algo digno do Kim il-Sung. De um palhaço ninguém espera que ganhe dinheiro com acções ou que tenha amigos banqueiros tão generosos.

Há uma grande diferença entre um palhaço e um presidente e a grande diferença é que talvez seja mais ofensivo chamar presidente a um palhaço do que em muitos países +por esse mundo fora chamar palhaço a um presidente.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Flor do Parque da Bela Vista, Lisboa
 Cada país tem o que escolheu
 
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 Sem legenda

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 Um dos 4 significados para palhaço (Dicionário Houaiss)
  
Pessoa que provoca o riso ou não pode ser levado a sério.

 Diálogo

«Ó Anibalito, está descansado, já falei com a Nossa Senhora de Fátima e Ela garantiu-me que punha o Gaspar atrás de ti nas sondagens, o padrinho dele é um protestante alemão que não acedita nos milagres da santinha!»

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 Mudando de assunto
   
«Quando estão anunciadas medidas que marcarão decisivamente o futuro do País e está tudo por consensualizar (dentro e fora do Governo) quanto ao dia de amanhã, o Presidente da República preferiu mudar de assunto e convocou o Conselho de Estado para falar de “bugalhos”.

A pergunta que ocorre fazer é esta: porque é que a actualidade não é tema que convenha ao Presidente?

Comecemos por desfazer um equívoco crónico: o Conselho de Estado não é um órgão de consulta do Governo, é um órgão de consulta do Presidente. E não é o Presidente que governa, nem agora nem no "pós-‘troika'". Ora, não cabendo ao Presidente definir a estratégia de governação do País, nem presente nem futura, não se percebe que tenha de ser aconselhado sobre ela.

Coisa diferente, e mais compreensível, seria o Presidente usar a sua magistratura de influência para promover processos de concertação política e social sobre a estratégia de desenvolvimento do País, que cabe ao Governo definir. Mas nem o Conselho de Estado foi convocado para discutir propriamente os "processos de concertação", nem dele saiu nenhum impulso conhecido a uma dinâmica concreta de consensualização de uma estratégia "pós-‘troika'". A conclusão só pode ser uma: o Conselho de Estado foi um fiasco. Não passou de uma tentativa falhada de mudar de assunto.

Mas, afinal, mudar de assunto porquê? A resposta, creio eu, está nas quatro mensagens implícitas na surpreendente agenda fixada pelo Presidente (a discussão do "pós-‘troika'"). Todas essas mensagens são erróneas mas todas elas são também favoráveis ao Governo.

A primeira mensagem é a própria ideia de que a 7ª avaliação já está, como disse o Presidente, "para trás das costas" - como se o assunto estivesse arrumado, abrindo espaço para que as atenções se concentrem no futuro. Nada mais falso: nem o Governo sabe ainda concretizar com rigor muitas das medidas de austeridade pressupostas na 7ª avaliação, nem sobre elas se estabeleceu qualquer concertação política e social ou sequer um consenso firme dentro do próprio Governo. Parece evidente que a prioridade do Presidente da República deveria ser enfrentar a complexa realidade de hoje.

A segunda mensagem que resulta da agenda futurista do Presidente é a ideia de que, fechada a 7ª avaliação, a ‘troika' está de saída - como se isso estivesse já ali, ao virar da esquina. A verdade é outra: não só o programa acordado pelo actual Governo com a ‘troika' implica novas medidas brutais de austeridade que têm ainda de ser consagradas no Orçamento Rectificativo de 2013 e no Orçamento para 2014, como o grau de destruição da economia causado pela espiral recessiva, com os seus reflexos no agravar da dívida pública (127,3% do PIB), deixarão o País sem condições para um regresso sustentável aos mercados e, portanto, à mercê de um qualquer sucedâneo da actual ajuda externa, com ou sem ‘troika'.

A terceira mensagem que se esconde na agenda fixada pelo Presidente - e porventura a mais enganadora - é a ideia de que pode haver dois debates distintos: um, que está na ordem do dia, sobre as medidas de austeridade; outro, de que agora se lembrou o Presidente, sobre o "pós-troika". A distinção, porém, não faz sentido: como não pode deixar de saber quem se disse preocupado com a espiral recessiva, a situação do País no "pós-‘troika'" será profundamente determinada pelas medidas que forem aplicadas agora.

Finalmente, da agenda do Presidente decorre a mensagem implícita de que este é o momento para começar a discussão sobre a estratégia para o período pós 2014. Mas deve haver nisso algum lapso: como é certamente do conhecimento do Palácio de Belém, o Governo já aprovou e entregou em Bruxelas o Documento de Estratégia Orçamental para 2013-2017, cujas metas orçamentais condicionam decisivamente qualquer estratégia no período "pós-‘troika'". E fê-lo sem qualquer prévio diálogo político ou social, justificando merecidas críticas dos partidos da oposição e dos parceiros sociais. Só não se ouviu o Presidente da República.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.   

 A portaria e os exorcismos do Gaspar
   
«A Igreja Católica voltou a estar preocupada com o diabo: do exorcismo realizado pelo papa Francisco na Praça de São Pedro até à contratação urgente de especialistas na matéria que o cardeal Rouco se propõe fazer em Espanha, a hierarquia católica dedicou-se furiosamente a esconjurar o demónio nestes últimos 15 dias. Os agnósticos têm dificuldade em lidar com estas coisas, mas é por vezes difícil encontrar outra explicação coerente para algumas ocorrências que não provenha da mão do diabo - ou da sua instalação nos detalhes.

Vejamos a decisão do governo de realizar uma das mais brutais "reformas" dos últimos tempos através de portaria - a dos despedimentos na função pública. O ministro Luís Marques Guedes veio ontem comunicar oficialmente a armadilha diabólica decidida pelo governo para esconder o debate político e impedir que outros órgãos de soberania - Presidente da República, Assembleia da República - se pronunciem sobre uma das mais fracturantes decisões deste governo. O facto de os despedimentos na função pública, ou do seu "anteprojecto", estarem a ser discutidos na Concertação Social não é razão aceitável para que entrem em vigor através de uma portaria. Em qualquer altura, uma reforma deste género decidida através de portaria seria surreal, mas quando a legitimidade do governo é, neste momento, meramente formal - a maioria parlamentar em que se sustenta dá todos os dias sinais de se desmoronar -, avançar com os despedimentos da função pública através de uma portaria só pode revelar o mais completo e acabado divórcio entre o governo e os portugueses.

Se o procedimento é miserável, o acto em si é mais um contributo para a destruição da economia nacional e a consumação de uma campanha que, desde o início, o governo desencadeou contra "os funcionários públicos" - assim como contra os reformados -, equiparando-os a pouco mais do que párias do regime. Bem pode Vítor Gaspar fazer o exorcismo - repetindo muitas vezes "este é o momento do crescimento" - quando, a começar nos funcionários públicos despedidos e nos reformados cujas pensões foram cortadas, não vai haver ninguém para comprar produtos às empresas que poderão agora recorrer à diminuição do IVA. A economia não cresce por portaria nem com os discursos de Gaspar contra os críticos da troika: diz o ministro que qualquer palavra contra "os nossos credores" é uma palavra contra o país. Para Portugal, é urgente a libertação de uns certos demónios.» [i]
   
Autor:
 
Ana Sá Lopes.
      
 Parece que Passos não quer mais esta chatice
   
«Entendo muito bem as preocupações do pai de Passos Coelho. Com a sabedoria que demonstra e a idade adicional, ele prevê que o fim não será plácido, tanto para o filho como para todos nós.

Numa instrutiva entrevista ao jornal "i", que me parece cada vez mais vivo e actuante, o dr. António Passos Coelho, pai do dr. Pedro Passos Coelho, afirmou ter aconselhado o filho a demitir-se. E adiantou: "O meu filho está morto por ver-se livre disto." Com perdão da palavra, também todos nós estamos fartos do filho dele. E se, como diz, "quando isso acontecer, a gente cá em casa vai fazer uma festa", as festas que os Portugueses irão fazer não terão meças com quaisquer outras.

O verdete que se tem manifestado contra Passos filho não tem paralelo na história da nossa democracia, talvez a par do desprezo já não dissimulado pelo dr. Cavaco. O mal-estar provocado pelas políticas do primeiro, e o patrocínio do segundo a esta incomensurável desgraça, infensas à denúncia radical de que são objecto, estão a esvaziar de sentido o próprio conceito de nação.

A revisão dos valores, com os quais articulámos o nosso modo de viver, é das agressões mais graves feitas por este Governo e pela ideologia que o sustenta. Notoriamente, apenas Paulo Portas possui uma noção cultural desses valores. Mas capitulou, em nome não se sabe rigorosamente porquê. E essa capitulação é dos factos políticos e morais mais graves. Na verdade, ele tem servido os interesses daqueles que ele despreza. É claro que ele conhece, como poucos, a situação para a qual estamos a ser arrastados, e muitos dos seus companheiros de partido deixaram de ser omissos nas críticas. Pires de Lima, por exemplo, não esconde o desconforto ante as constantes reviravoltas de Portas, e os danos que essas cambalhotas irão causar no próprio CDS-PP.

O velho iconoclasta, autor de algumas das mais sulfúricas críticas ao dr. Cavaco, na época do "Independente", converteu-se aos prestígios do neoliberalismo e transformou-se num vassalo das ideias que, em tempos, causticou, com fúria incomparável. Seria talvez importante recuperar esses textos, escritos, aliás, num idioma de lei, e estabelecer paralelismos comparativos com o que hoje diz o mesmo autor. Evidentemente, não há símile cultural, intelectual e mesmo político entre Passos e Portas, o que torna a "cumplicidade" ainda mais estranha.

A situação torna-se cada vez mais dramática quando a burguesia, na qual, inicialmente, o primeiro-ministro apoiou, foi por ele liquidada, numa dimensão cujos estragos ainda não foram apurados. Poucos, ou nenhuns, membros do Executivo nos conhece, à nossa História e às nossas características essenciais. Estão como os funcionários da troika; pior ainda: estes são meros executantes de uma estratégia que se regula pelos "mercados", num delírio histórico provocado por uma doutrina pervertida e alienante.

Como dizia o meu amigo inesquecível, Manuel da Fonseca, referindo-se a outras circunstâncias: "Isto ainda vai acabar mal." Entendo muito bem as preocupações do pai de Passos Coelho. Com a sabedoria que demonstra e a idade adicional, ele prevê que o fim não será plácido, tanto para o filho como para todos nós. Mas foi Pedro quem escolheu os caminhos, este e o seu, indissociáveis de uma ambição teimosa. A conjunção de um homem, de uma acção e de uma obra implicam uma ideia de destino, por vezes trágica.

O traço de miséria, de fome e de desespero deixado por este homem frio de gelo, indiferente ao clamor das ruas e aos protestos das consciências avisadas, é demasiado fundo e tenebroso para que seja facilmente esquecido. Em tempos, Ângelo Correia, seu mentor e protector, na vida e nos empregos, disse que Passos era o ser mais determinado e concludente que até então conhecera. Nada de mal, quando essas aparentes virtudes são colocadas ao serviço de causas em abono das comunidades. A obsessão do "pupilo" pela obediência servil (neste caso a Merkel), pela manutenção dos privilégios de uma minoria, pelo conformismo nas ideias, é manifesta. E a cegueira com que evidencia pelas decisões de Gaspar, sem recalcitrar, sem se opor, sem confrontar, atinge aspectos perturbadores.

Sabemos que quem manda em Portugal é a finança. Porém, alguém devia dar um murro na mesa e bater com a porta. Passos Coelho é incapaz de qualquer uma destas atitudes.» [Jornal de Negócios]
   
Autor:
 
Baptista-Bastos.
 
     
 Mais um a atacar o Tribunal Constitucional
   
«O Ministro-Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, criticou hoje o Tribunal Constitucional (TC) por limitar "em excesso" a "liberdade de deliberação democrática" nalgumas matérias, defendendo, contudo, o respeito pelas suas decisões.

"Como académico, fui crítico do Tribunal Constitucional alemão por achar que este limitava em excesso a liberdade deliberativa do processo político alemão na sua participação na Europa. Nesse sentido, estou à vontade para poder criticar o Tribunal Constitucional", afirmou Poiares Maduro na conferência "Consensus e Reforma Institucional", a decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.» [i]
   
Parecer:
 
Invoca o estatuto de académico para fazer o que não deve como político.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Se o académico Poiares não se sente à votande com as regras que diga ao político Maduro que se demita, até porque tem sido tão incompetente que já se sentem saudades do Miguel Relvas.»
      
 Pobre Cavaco
   
«A página oficial do Facebook de Cavaco Silva encheu-se de insultos ao Presidente, no espaço de comentários a fotografias do Chefe de Estado. "Incompetente", "Vilão", "Contorcionista", "Bandido", "Larápio", são alguns dos comentários que se podem ler. 

Os comentários insultuosos de utilizadores do Facebook começaram a chegar depois de Cavaco ter pedido à Procuradoria-Geral da República que analisasse as declarações do escritor Miguel Sousa Tavares, que chamou o Presidente de “palhaço” numa entrevista publicada hoje no Jornal de Negócios.

No espaço de comentários das fotografias de Cavaco, no Facebook, também há utilizadores que colocaram ligações para vídeos no Youtube, relacionadas com a temática dos palhaços, como um vídeo de uma peça da ópera Pagliacci, do século XIX, interpretada por Luciano Pavarotti, na qual o tenor diz “No, pagliaccio non son”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Foi pior a emenda do que o soneto.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Cavaco que resigne, as eleições antecipadas da Presidência da República não colidem com o poder do Gaspar.»
   

   
   
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sexta-feira, maio 24, 2013

Jumento do Dia


  
Cavaco Silva

Há limites para que um Presidente da República veja a imagem da instituição que representa segundo os seus critérios pessoais, a importância da Presidência da República está muito para além da dimensão humana do seu titular e não pode ficar condicionada pela dimensão dos seus titulares. Cabe a um Presidente da República a defesa da dignidade da Presidência não podendo confundi-la ou condicioná-la com a sua própria dimensão.

Cavaco permitiu que a sua Casa Civil conspirasse contra o regime democrático e perante as dúvidas teve dois comportamentos menos claros, permitiu que a mentira se propagasse tendo mesmo promovido interrogações adicionais e em vez de demitir quem abusou das suas competência ainda o promoveu, isto é,quem em Belém conspirou contra um governo legítimo foi premiado com uma promoção.

Cavaco foi acusado frontalmente por Sócrates e a resposta foi que não comentava comentadores, ignorou a acusação grave que lhe foi feita com um truque. Será que agora vai voltar a dizer que não comenta comentadores em relação à acusação que lhe foi feita por Sousa Tavares?

Se Cavaco não está em condições de responder a Sócrates ou a Miguel Sousa Tavares então teremos de concluir aquilo que é cada vez mais óbvio para muitos portugueses e que se reflecte nas sondagens, Cavaco não tem condições para levar o seu mandato presidencial até ao fim. É um presidente formal reconhecido por cada vez menos portugueses.

O que está em causa não é a abertura de um mero processo judicial para limpeza da honra, o que está em causa é o desempenho político de Cavaco e a sua responsabilidade no processo político em curso que está a degradar a democracia portuguesa. Em Portugal há o hábito de lavar a honra com processos judiciais, é um progresso em relação à vingança de sangue, mas é uma forma um pouco primária de iludir a realidade e de esconder responsabilidades políticas.
 
Algo está muito mal quando um Presidente da República precisa dos tribunais para ser respeitado por jornalistas respeitáveis, algo está mal quando alguém sugere que Cavaco é palhaço e a não ser o partido do seu governo ninguém veio a público defendê-lo. Cavaco tem sorte, o Código Penal não tem nenhum crime previsto para a incompetência presidencial, tem a livberdade para ser incompetente enquanto os que o elegeram quase não podem dizer o que pensam dele.

Se Cavaco fosse inteligente


Já seria pedir muito que Cavaco Silva fosse brilhante, um político de grande estatura ou um grande Presidente, sempre foi óbvio que não se poderia esperar nada disto de Cavaco, os portugueses conhecem-no e sabem que não se poderia esperar muito mais deste boliqueimense. Homem mais dado às contas de mercearia foi longe ao libertar-se do trabalho de encher depósitos de motorizadas na aldeia, não se poderia esperar muito mais.
Mas se de Cavaco não se pode esperar uma grande cultura, o homem sempre foi pouca dado a leituras menos úteis, seria de esperar algum bom senso, em limite seria desejável que a idade não lhe provocasse grandes estragos poupando-o à perda de faculdades, isto para não falar das perdas da Faculdade de Economia da Universidade Nova onde foi acusado de se esquecer de dar as aulas aos seus alunos, enquanto as dava na Universidade católica, enfim, já nesse tempo tinha vocação para cumular rendimentos.
Perdida a esperança de ser um homem brilhante e mesmo de se poupar a uma quebra de faculdades, restava-nos a possibilidade de ser um homem inteligente, isto é, que não fosse aquilo que são as pessoas que não são inteligentes e que dão o nome a este modesto blogue. Se Cavaco fosse um homem inteligente seria um grande progresso nos tempos que correm, e ao lado do discurso paupérrimo e quase bárbaro do Gaspar, das patetices do Álvaro, das repetições autistas do Maduro ou dos fracos recursos intelectuais do homem de Massamá até poderia brilhar.
Mas para isso teria, por exemplo, de pedir à dona Maria que evitasse dizer em públicos os seus palpites em matéria de crendices religiosas porque o tempo não está para nossas senhoras de Fátima ou mesmo para a tão lusa e popular santinha da Ladeira. Mas não, Cavaco não só não pediu à esposa que se contivesse como ainda a repetiu com uma convicção digna de um pastorinho candidato à beatificação.
Teria também de perceber que não se pode fazer uma reunião com ex-presidente que ao lado dele fazem mais sombra do que um embondeiro e depois querer fazer um comunicado que tinha a mesma relação com a realidade que as previsões a um mês do Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Mandaria o bom senso que uma boa mentira tem sempre um bocadinho de verdade, mas daí a pensar que uma mentira para ser verdadeira não pode conter qualquer verdade e transformar um Conselho de Estado numa primeira página do Notícias Falsas do dia 1 de Abril já é gozar com os portugueses.
Começa a ser difícil esperar que Cavaco acabe o mandato com dignidade, por este andar quando acabar o mandato e for no seu jipe livre de processos para a Quinta da Coelha corre um sério risco de dar com ele acampado na Ilha do Pessegueiro.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Flor do Parque Florestal de Monsanto, Lisboa

 What a Wonderful World | Playing For Change


 Dúvidas

Até onde poderá ir alguém que redige um comunicado de um órgão como o Conselho de Estado faltando ou omitindo a verdade? Se não podemos confiar num simples comunicado redigido pelo "p"residente da República como poderemos confiar nele seja para o que for? Cavaco convocou o Conselho de Estado para ouvir conselhos ou para discutir questões da treta e depois divulgar um comunicado da treta? Cavaco Silva já decidiu convidar a Nossa Senhora de Fátima ou ainda não sabe quem deve sair oara dar lugar à santinha, se o bruxo do Marques Mendes ou o mentiroso gastronómico do Marcelo?
 
 Coincidências
 
Desde que o Sócrates apareceu o Cavaco nunca mais disse coisa com coisa e uma boa parte do governo parece ter entrado na clandestinidade, Passos Coelho não se deixa ver e quem quiser ouvir o Gaspar terá de ir a Bona.
 

  
 A ratoeira alemã
   
«Há uma palavra e duas frases que prometi nunca escrever. Mas aqui vão elas. A palavra é desaguisado. As frases são: "mosquitos por cordas" e "a montanha pariu um rato". Não encontro outra maneira para descrever o que está a acontecer entre a Comissão Europeia e a Alemanha. Estamos perante um desaguisado que está a provocar mosquitos por cordas (parece que significa tensão) e acabará por parir um rato - dar em nada.

Não sei a origem destas frases e da magnífica palavra, o que sei é que quando estamos a 50 mil pessoas de chegar ao milhão de desempregados oficiais, quando as falências se amontoam e o Estado vacila mas não cede; ou seja, enquanto nada de estrutural mudou, apenas se instalou o medo e a desorientação como método de gestão no sector público, enquanto pelo caminho se rebentou com o sector privado, enquanto prosseguia esta corrida para o fundo... Merkel e Durão exibem uma falta de solidez que não me espanta, mas desilude e desespera.

Quer dizer, depois de termos engolido tudo, depois de termos sido acusados de todas as patifarias e desperdícios, agora que estamos de joelhos, com a dívida pública nas nuvens, agora que falta um ano para o fim do resgate... os pretensos salvadores zangam-se e reconhecem: este modelo não funciona e está carregado de erros. Como?! Certo, penso eu. Devem ser erros extraordinários, coisas difíceis de antecipar.

Vejamos. Os três erros no programa de assistência apontados pela Alemanha à Comissão Europeia são tão evidentes que até envergonha. Cito o Público de segunda-feira. 1) "Os dois países [Portugal e a Grécia] não podem desvalorizar a moeda por estarem numa união monetária." Ena pá! Aqui está um detalhe novo; 2) "Os programas não integram a recessão económica do resto da zona euro que os impede de sair da crise pela via das exportações." A sério? Ninguém tinha avisado. 3) "O programa ignora a quebra de investimento resultante da situação catastrófica de muitos bancos." Por toutatis: realmente nem um só economista ou chofer de praça tinha chamado a atenção para esta pescadinha de rabo na boca. Dois anos de loucura e a Alemanha renega tudo o que nos impôs.

Concluo: as contas públicas descontroladas, os empresários pendurados no Estado, os empregados encostados à própria impreparação, os funcionários públicos protegidos e desvalorizados por uma redoma legal que mantém o resto do País refém - além de anos de crédito barato - tudo isso nos conduziu a um cruel experimentalismo económico e social. O problema não estava no diagnóstico. Estava na dificuldade em acertar na receita com o menor custo possível, embora a fatura fosse sempre tornar-se pesada. Mas não foi pesada: foi destruidora, foi uma bomba. E agora a Alemanha lava as mãos à segunda-feira, embora à quarta (ontem) diga que afinal somos belíssimos. A montanha não pariu um rato; a Alemanha é que pariu uma ratoeira.» [DN]
   
Autor:
 
André Macedo.

 Danke schön, Herr Wolfgang Schäuble
   
«Em Berlim, Gaspar é recebido com as honras de embaixador alemão competente

Não há derrapagens orçamentais em Portugal e já foram vistos extraterrestres no Entroncamento. O resultado público do recolhimento de Vítor Gaspar em Berlim, no regaço do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, é mais ou menos idêntico ao do recente Conselho de Estado: a realidade não aparece no comunicado final.

Gaspar foi a Berlim receber o que lhe é impossível obter em Lisboa: mimo e apoio. Isso já não lhe dão os seus pares – dos ministros do PSD aos do CDS, já para não falar no deputado candidato a Gaia e anti-magrebinos, Carlos Abreu Amorim. O nosso desastre colectivo é que Vítor Gaspar será um excelente embaixador alemão em Lisboa – e quando vai à capital do império, Berlim, é recebido com honras de dignitário competente para as funções em que foi investido –, mas não é um ministro português das Finanças. Entre o alemão e o português, o ministro ficou “lost in translation” – perdido na tentativa de tradução de duas línguas mutuamente intraduzíveis.

A declaração de Wolfgang Schäuble segundo a qual em Portugal “não existem derrapagens orçamentais” e que Portugal é um caso de sucesso “no ajustamento a que está a proceder” revela uma ideologia assassina que está a ser responsável pelo processo de implosão da Europa e cujos estilhaços já começam a chegar à Alemanha, sujeita neste momento a uma estagnação económica. Já ninguém tem dinheiro para comprar Volkswagens no Sul – embora o “Jornal de Negócios” tenha revelado ontem que as vendas de BMW continuam pujantes, a provar que Portugal continua a ser uma das sociedades mais desiguais da Europa. Talvez tenha sido a notícia da estagnação alemã a forçar Berlim a vir agora culpar a Comissão Europeia pela insanidade dos programas de ajustamento. Mas se há insanidade de todos os lados – Comissão Europeia, Berlim, FMI –, Vítor Gaspar faz parte da conspiração dos insanos. O problema de Gaspar é que não é um ministro das Finanças em confronto com uma tríade de assassinos económicos. Ele próprio, criado no espírito de Frankfurt, é um assassino económico. E, por isso, não é de estranhar que, ao mesmo tempo que elogia o “bom amigo” Schäuble pelos bons ofícios prestados à desagregação social do país, elogie também os técnicos quadrados da Comissão Europeia, intoxicados em folhas excel: Gaspar acha “injustas” as críticas à Comissão Barroso que “se têm focado nos indicadores estruturais”. Se fosse Ferreira Leite, ao menos gritava.» [i]
   
Autor:
 
Ana Sá Lopes.
   
     
 Despedir 30 por portaria
   
«O plano de rescisão com 30 mil funcionários públicos vai ser aprovado pelo Governo, sem precisar de ser votado no Parlamento e de passar no crivo de Cavaco Silva. Isto porque, o programa de rescisões vai ser concretizado numa portaria, um acto administrativo do Executivo sobre o qual apenas o Conselho de Ministros tem uma palavra a dizer.

A intenção de aprovar o programa de rescisões por mútuo acordo no Estado através de uma portaria está prevista na calendarização enviada pelo secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, aos sindicatos no início da ronda negocial para discutir matérias de Função Pública. E decorre do que está previsto na lei nº 66/2012, de 31 de Dezembro, que quando regulamentou a possibilidade de o Estado rescindir com os trabalhadores determinou que "os membros do Governo responsáveis pelas áreas das Finanças e da Administração Pública e pela tutela podem, por portaria, regulamentar programas sectoriais de redução de efectivos por recurso à celebração de acordo de cessação de contrato".» [DE]
   
Parecer:
 
Deve ser assim na Fomentivest ou na Tecnoforma.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»
      
 Acabou o consenso político
   
«O antigo Presidente da República Jorge Sampaio, conselheiro de Estado, afirmou esta quinta-feira que em Portugal a "situação está económica, financeira e politicamente bloqueada" e que o consenso "agora está esgotado".
  
Em entrevista à Antena 1, Jorge Sampaio sublinhou que há poucas saídas para esta situação de bloqueio, mas compreende não ser fácil para o Presidente da República, Cavaco Silva, dissolver o Parlamento.» [CM]
   
Parecer:
 
Mas temos o Gaspar!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Prepare-se o país para o pior.»
   
 Não há derrapagem, disse o boche coxo
   
«O défice da administração central e da Segurança Social ascendeu a 2.548 milhões de euros nos primeiros quatro meses de 2013.  A execução orçamental divulgada hoje pela Direcção-Geral do Orçamento (DGO) revela um aumento de 1.148 milhões de euros só em Abril, mais 600 milhões que o verificado nos primeiros quatro meses de 2012.

De acordo com o mesmo documento, o valor do défice que conta para os critérios estabelecidos pela 'troika' ter-se-á situado em 2.407 milhões de euros até Abril, um valor que, tal como já tinha avançado esta tarde o ministro das Finanças, estará 300 milhões abaixo do previsto.

Comparando com o valor apurado segundos os mesmos critérios (os da 'troika') para o final de Março, o défice deu um salto superior a mil milhões de euros em apenas um mês.» [DE]
   
Parecer:
 
Pois, nada que o Gaspar não resolva depenando os funcionários públicos, transformando-os em escravos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se pela desgraça.»
   
 O governo não contraia a troika por vergonha
   
«O deputado do CDS-PP João Almeida considerou hoje que o Governo "não deve ter vergonha de contrariar a ´troika'", defendendo mais força política nas negociações com os responsáveis das instituições internacionais.

"O Governo não tem que ter vergonha de contrariar a ´troika', o Governo tem que ter orgulho de defender os portugueses", afirmou o porta-voz do CDS-PP, numa declaração política no plenário da Assembleia da República.» [i]
   
Parecer:
 
Eu pensava que era por medo ao representante local do boche coxo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   

   
   
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quinta-feira, maio 23, 2013

Jumento do Dia


  
Herr Vítor Gaspar

Há coincidências dos diabos, a execução fiscal só foi divulgada um dia depois de ter sido dada a conhecer ao ministro alemão das Finanças que informou que não havia uma derrapagem orçamental e chegado a Lisboa Vítor Gaspar divulga um benefício fiscal que não estava previsto em lado algum, isto um dia depois de ter sido anunciada uma linha de crédito resultante da caridade alemã.
 
Quando um governo vai à Alemanha perguntar o que pode ou deve fazer é porque atingiu o grau zero da soberania e quando são os governantes a entregar a soberania numa bandeja ao coxo alemão a situação é ainda mais grave. Compreende-se que o coxo esteja preocupado e um dia depois de lhe terem prestado contas se tenha decidido uma medida desesperada.
 
O problema de Gaspar é que nem ele nem o seu governo têm o mínimo de credibilidade e se restassem dúvidas ficam-se sem elas quando se percebe que o país tem um ministro das Fnanças que só dá a cara em público na Alemanha, em Portugal manda um secretário de Estado que sabe tanto de política económica como de lagares de azeite explicar o impacto económico do benefício fiscal.
 
Quem é o doido que vai investir num país onde o consumo interno é perseguido, que tem um "p"residente que inventa comunicados, um governo que é um saco de gatos e que está à beira do colapso social e polítio? O Gaspar bem que pode achar que é agora que le considera que se deve invista as suas poupanças, isso se ainda não estiverem bem guardadas numa off shore do Deutsche Bank.

Tudo corre bem na colónia alemã


A aceitação por parte de uma boa parte das elites políticas lusas, jornalistas incluídos, da perda de soberania em favor da Alemanha a troco de empréstimos a juros razoáveis é tal que já ninguém fica incomodado o boche a dizer que em Portugal não há qualquer desvio orçamental. Imagino que se amanhã o país for confrontado com mais um dos desvios colossais manhosos a ser compensado com mais 30.000 despedimentos no Estado o Presidente da República venha dizer que andou tão entretido a redigir o comunicado do Conselho de Estado que até ficou grato por ter sido o coxo a prestar esclarecimentos sobre a execução orçamental portuguesa.
Não é a primeira vez que a direita portuguesa ente esta paixão pela direita conservadora alemã, é uma velha mania da nossa direita, sempre que os alemães aparentam estar fortes e próximos da vitória a nossa direita torna-se germanófila. Esta germanofilia é antiga, a direita conservadora inglesa é democrática demais para os gostos das nossa direita, o fascismo italiano era dado a palhaçadas e o franquismo espanhol caracterizava-se pela burrice, a nossa direita sempre preferiu a exactidão, o rigor, a força e o dinheiro dos alemães.
Portanto não admira que tenhamos um ministro das Finanças que diz no nosso parlamento que “não fui eleito para coisíssima nenhuma” e depois vá regularmente a Bona prestar contas e receber os apaparicos do coxo. Por aquilo que se viu desta vez até leva as contas portuguesas para o coxo as avaliar e o estatuto colonial é de tal forma assumido que o ministro alemão até já emite comentários públicos em que divulga as avaliações que faz.
A verdade é que já vamos no dia 23 de Maio e nada se sabe sobre a execução orçamental de Abril, mas pelo que parece o país pode estar descansado pois a acreditar no ministro das Finanças alemão tudo corre bem com as nossas finanças e não se regista qualquer desvio orçamental, ao contrário do que alguns portugueses não autorizados a falar sobre o seu país andaram por aí a dizer, incluindo os técnicos que nesta matéria apoiam o parlamento.
Podemos estar descansados, o senhor Wolfgang Schäuble depois de o Gaspar lhe ter entregue as contas garantiu que tudo corre bem na sua colónia periférica. Se o senhor ministro o diz e não houve qualquer erro de tradução isso significa que a execução orçamental lhe foi entregue mais ou menos na data em que no passado costumava ser divulgada em Portugal. Assim sendo faz todo o sentido que o governo deixe de divulgar a síntese da execução orçamental, até porque o senhor Wolfgang Schäuble poderia ficar ofendido por achar que estes pelintras lusos não confiam na sua palavra.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Bairro Alto, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
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Pavão [A. Cabral]
   
 Horário de 40 horas no Estado?

Compreende-se a pressa do governo em introduzir o horário de 40 horas, com esta medida fica em condições de exigir aos serviços que proponham para despedimento o número de funcionários que se poupam com o aumento do horário. É só fazer as contas, o aumento do horário representa um aumento da capacidade de trabalho em 14%. Em 500 mil estes 14% representam 70.000 funcionários, mais os 30 mil de que se fala dá os 100.000 que muitos defendem pois acrescidos dos que se têm aposentado chegam aos 150.000 cujo despedimento que há muito alguns sectores da direita defendem.

Daqui a uns dias o governo vai dizer que com a aproximação do horário do Estado ao do comércio há 70.000 funcionários a mais  e que não é justo que sejam os contribuintes a pagar os seus ordenados ou mesmo indemnizações de despedimento. É só esperar para vermos um Passos Coelho explicar isto com a mesma descontracção que disse ao país que as próximas medidas não era para o povo, ficavam circunscritas aos funcionários públicos.

Desesperados com o desastre económico a que conduziram o país os incompetentes extremistas vão recorrer ao velho doping para promover o crescimento económico, a destruição do Estado social e o despedimento em massa de funcionários públicos.
 
 Entregaram o país ao macaco?

Portas foi para a Venezuela, Passos Coelho para Bruxelas e o Gaspar para a Alemanha. Foi o Rosalino a representar o governo no parlamento. Para que serve o Poiares, para falar em consenso?
 
 A actual situação política 
  
É muito semelhante ao que seria nos tempos de Américo Tomas  mas com a diferença que nesse tempo Salazar já era presidente do Conselho enquanto que por agora o Gaspar ainda só é ministro das Finanças.


  
 O último Conselho de Estado da saison
   
«O que o Presidente da República pretendia do Conselho de Estado não conseguiu – um apoio indirecto ao apoio directo que deu à continuação deste governo em funções. Pela primeira vez em muitos anos, a crispação foi a marca de um Conselho de Estado, a terminar com uma guerra inédita à volta do comunicado final. O Presidente exigiu apagar parte da discussão ao vetar do comunicado final o facto de alguns conselheiros defenderem as eleições antecipadas – e a coisa foi ao ponto de invocar a sua prerrogativa especial de apenas deixar vir cá para fora o que foi publicado na agenda oficial do Conselho de Estado. Como as coisas são como são – e, contra todas as expectativas, a democracia e a liberdade de opinião persistem – rapidamente se ficou a saber que desta vez o órgão de aconselhamento do Presidente da República está disponível para aconselhar, mas recusa-se a apajar.

Inesperadamente para o próprio, a decisão de Cavaco Silva de convocar o Conselho de Estado acabou por se virar contra o Presidente. Convenhamos que discutir o “pós-troika” sem discutir a troika e a crise do país e do governo era qualquer coisa do domínio do exorcismo (que agora voltou a estar na moda lá pela Praça de São Pedro, no Vaticano). Mas foi evidente que parte do Conselho de Estado se recusou a deixar-se exorcizar e bateu o pé ao Presidente, que – dizem as sondagens – já não é de todos os portugueses. Depois da confusão da noite de segunda-feira, é muito provável que o Presidente da República deixe de convocar Conselhos de Estado com agendas bizarras até ao dia em que finalmente se decidir a convocar eleições antecipadas – e aí, por força da lei, tem de voltar a receber os conselheiros em Belém, mesmo que, depois de tudo o que se passou na noite de terça-feira, o venha a fazer a contragosto.

Cavaco Silva foi obrigado a amarrar o seu destino político ao do governo em funções, depois daquele célebre sábado em que Passos Coelho se deslocou a Belém acompanhado de Vítor Gaspar a exigir uma declaração de confiança do Presidente da República. A romagem de Passos a Belém repetiu-se muito pouco tempo depois. As divergências de Cavaco Silva relativamente ao governo – que ficaram patentes no envio do Orçamento do Estado para o Tribunal Constitucional e em alguns discursos públicos – e à condução das políticas europeias ficaram submergidas depois de ter sido sequestrado por Passos e Gaspar, obrigado a coligar-se com a agonia.» [i]
   
Autor:
 
Ana Sá Lopes.

 O tema absurdo, a reunião inútil
   
«Para que serviu o último Conselho de Estado? O tema [Portugal no pós-troika], além de absurdo pela inoportunidade, quando o País está a cair aos pedaços, mereceu de muitos conselheiros, entre os quais o prof. Jorge Miranda, e Carlos César, ex-presidente do Governo Regional dos Açores, críticas acerbas. O tom geral dos comentários é o de que o homem está débil de meninges. Outros dizem que a desorientação política em que se encontra, depois da miséria do discurso de 25 de Abril, levou-o a ensaboar a própria representação, na vã tentativa de recuperar a visagem. E, ainda, uns terceiros ou quartos que os sombrios desígnios da ideologia dominante, as contradições de um tempo intrincado que não consegue decifrar, impeliram-no e à sua cabecinha a múltiplas atitudes injustificáveis em quem desempenha tão altas funções.

Ninguém sabe o que se passou nas sete horas da magna reunião. Um comunicado de três parágrafos resumiu, desajeitadamente, o que eles entenderam ser justo o povoléu saber. O "não", violento pela secura, ao anúncio do que se passou entre os dezassete parceiros, constitui outra prova do desprezo que as "instituições" por nós dão testemunho. E a verdade é que temos o direito de conhecer o que a todos, sem excepção, diz respeito. Mas o sigilo, o silêncio e a escusa a que nos habituou este simulacro de democracia está a adensar--se, de modo que só uma pequena clique é sabedora dos enredos.

É claro que ninguém acredita que as sete horas decorreram em pacífico paleio. A conversa, em alta voz, entre Passos e Bagão Félix, ocorrida na escadaria, após a iluminada concentração de sábios, é de molde a perceber-se que as águas estiveram agitadas.

É impossível, pelo menos numa situação equilibrada, não colocar em discussão o terrorismo, sob o qual estamos submetidos. A Europa da solidariedade não passa de um território no qual se digladiam, com ferocidade inclemente, claros jogos hegemónicos e imposições de servidão. A escolha dos lugares a que entendemos dever pertencer é uma das questões fundamentais da nossa época. E a principal obrigação a que temos a imposição moral de atender é a de reconhecer este totalitarismo mascarado. Na Europa, as divisões, como sempre historicamente aconteceu, representaram o conflito entre dominantes e dominados. A Alemanha, ontem como hoje, tem desempenhado um papel sinistro neste xadrez sem regras. A obediência à lei do mais forte corresponde a uma ideia messiânica, que embala a boa consciência dos mentirosos e dos canalhas. Quando ouvimos o "Acordai!", de Lopes-Graça e José Gomes Ferreira, talvez percebamos o que nos liberta e o que nos acorrenta. Tudo, na vida, são preferências que comportam uma posição ética. O tema escolhido pelo dr. Cavaco para discussão no Conselho de Estado define um critério e projecta um carácter.» [DN]
   
Autor:
 
Baptista-Bastos.
   
     
 Foi receber instruções
   
«Vítor Gaspar vai encontrar-se esta quarta-feira com o ministro das Finanças alemão Wolfgang Schäuble para discutir o programa de ajustamento português e as futuras políticas económicas europeias. A união bancária é um dos temas que também deverá estar no topo da agenda.

A proximidade do discurso dos dois ministros é cada vez maior. Depois de defenderem e aplicarem políticas de austeridade os responsáveis da pasta das Finanças unem-se agora a uma só voz para tentarem encontrar políticas económicas menos severas para o crescimento da zona euro. » [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Nunca se viu um ministro ir tantas vezes a uma capital estrangeira receber instruções.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao número 3 (mas que não os tem em su sitio) se delegou no número 2 a diplomacia económica.»
      
 Pobre pai
   
«“Não vás para o Governo, o País não tem conserto”. Este foi o recado deixado por António Passos Coelho, pai do primeiro-ministro e ex-dirigente do PSD, antes de o filho assumir a liderança do Executivo. “Vais-te lixar”, vaticinou, avisando, na altura que “toda esta gente que está aqui vai vaiar-te. Agora estão aqui todos contigo, mas daqui a um ano vão vaiar-te”.
  
Relativamente ao ministro dos Negócios Estrangeiros e líder do CDS, Paulo Portas, o pai do chefe de Governo diz que “é um moço inteligente, um moço sobredotado”. Já sobre o secretário-geral do PS, António José Seguro, comenta que o mesmo se tem esforçado para ultrapassar “um problema chato” e que “agradar a Deus e ao Diabo é difícil”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Deve ser triste ver em Portas um sobredotado quando se tem o filho que tem.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 Presidente do TC deu um raspanete em Passos Coelho
   
«Apesar de na ordem de trabalhos do último Conselho de Estado estar apenas o período pós-troika, o conselheiro Joaquim Sousa Ribeiro, presidente do Tribunal Constitucional (TC), aproveitou a reunião no Palácio de Belém para esclarecer olhos nos olhos com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, algumas questões, nomeadamente as críticas que o chefe do Governo fez ao chumbo do TC a quatro das normas do Orçamento do Estado enviadas para fiscalização sucessiva.

Conta o DN que, de forma pausada mas firme, Joaquim Sousa Ribeiro destacou a independência dos juízes do TC face aos poderes, reiterando que ninguém se pode esquecer que são as leis, incluindo a do Orçamento, que têm de conformar à Constituição e não o contrário. Pelo que terá deixado claro que voltaria a fazê-lo da mesma forma.

Mas, acrescenta o DN, o presidente do TC não foi o único a introduzir novos temas no encontro. Também a ala de conselheiros mais à esquerda defendeu que a discussão do Conselho de Estado devia abranger a actual agenda política, nomeadamente a convocação de eleições antecipadas.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Bem dado, perante tanta cobardia institucional e presidencial haja alguém com a coragem que começa a escassear.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
   
 Livres de Passos Coelho, morto ou vivo
   
«"Os portugueses estão desesperados para se verem livres" de Passos Coelho. "Morto ou vivo". A frase é do deputado do PS, José Lello, no Twitter, a propósito da entrevista ao pai do primeiro-ministro ao jornal 'i' em que este diz que Passos "está morto para se ver livre disto" - e já levantou alguma polémica entre os utilizadores da rede social. Depois da primeira frase, Lello já voltou à carga, para se explicar, com novo texto: "Há por aí no Twitter tanta gente boa, sensível, generosa! Se o pai de Passos diz que o filho "está morto" e eu reproduzo o mesmo, que culpa é minha?"» [CM]
   
Parecer:
 
A saída de Passos Coelho seria uma bênção para o país.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se o incompetente.»
   
 O coxo diz que não há derrapagem orçamental em Portugal
   
«O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, defendeu hoje em Berlim que "não há uma derrapagem orçamental" em Portugal e que o programa de ajustamento implementado pelo Governo português está a ter sucesso.

"Nós discutimos isso na semana passada [na reunião do Eurogrupo] e não há derrapagem orçamental, não há nenhuma base real para se dizer isso, não há derrapagem orçamental", disse Wolfgang Schäuble relativamente a Portugal, após um encontro com o seu homólogo português, Vítor Gaspar.» [i]
   
Parecer:
 
Se calhar é por isso que ninguém sabe da execução orçamental de Abril.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao coxo que se meta nos assuntos do seu país.»
   
 Alemães tentam salvar o Gaspar
   
«O KfW, banco estatal alemão de fomento, pondera conceder linhas de crédito em Portugal e dispõe-se a avaliar a possibilidade de assumir participações indirectas em pequenas e médias empresas portuguesas. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 22 de Maio, pelo ministro das Finanças Vítor Gaspar, após um encontro, em Berlim, com o seu homólogo Wolfgang Schäuble.

"Podemos beneficiar da colaboração alemã, em particular do banco de desenvolvimento alemão, que se chama KfW, que estará disponível para explorar a possibilidade de estender linhas de crédito a Portugal ou participar no capital das PME de formas intermediadas indiretamente por instituições portuguesas", afirmou o ministro português, citado pela Lusa.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
Ajudaram-no a enterrar o país agora estão nervosos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Ainda há quem acredite em Cavaco
   
«“O Presidente da República devia, no estado de emergência em que nos encontramos, chamar a si uma reforma que dure além das legislaturas, para que as agendas partidárias não sejam postas à frente dos interesses do país”, sustentou António Saraiva durante a conferência sobre 'Risco País' hoje promovida pela Coface no Porto.

Segundo o presidente da CIP, “é o senhor Presidente da República que, do alto da sua magistratura de influência, tem essa capacidade de chamar os partidos políticos para acordos de incidência parlamentar, para que se coloquem de acordo nas reformas que são transversais às legislaturas, nomeadamente da administração pública, da justiça e fiscal”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Em matéria de credibilidade política cavaco já foi à falência, é um presidente apenas em termos formais pois só representa alguns dos que o elegeram.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
   

   
   
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